Cicatrizes

Como Harry reagiria se soubesse que Malfoy fora sempre um espião de Dumbledore, e pior, que agora fugindo dos comensais ele precisa ficar na antiga casa de Sirius, junto a Harry?

Avisos: Os personagens pertencem a J.K. Rowling, porem essa historia é minha, e se passa três anos após a morte de Dumbledore, excluindo completamente o ultimo livro (Relíquias Mortais) – não eu não gosto dele.

Atenção: Esta é uma fanfic Slash, para os pobres inocentes que não sabem o que é isso significa que vai ter muita pegação homem com homem (hihi =D). Então não adianta reclamar dizendo que eu não avisei!


Capitulo 12

Harry demorou muito para pegar no sono. Ficou horas na sala pensando no que fazer sobre Mione, e quando cansou, deitou na cama e ficou rodando, incapaz de dormir. O resultado disso, foi que somente conseguiu levantar na hora do almoço.

Irritado com sua sonolência levantou direto de seu quarto para o banheiro onde se jogou em um banho congelante, na esperança que isso o acordasse. Quando saiu do chuveiro a única coisa que conseguira fora sua pele inteira arrepiada.

Enrolou uma toalha em sua cintura, e saiu de volta ao seu quarto esfregando os braços para espantar o frio.

- Bom, isso é curioso, e excitante. – uma voz atrás dele o assustou, e sua mão desceu instintivamente para segurar a toalha, se surpreendendo com Draco parado no batente da porta.

- Malfoy? Por Merlin, quem te deixou entrar no meu quarto? – Harry estava tímido, se puxasse a toalha para tapar o seu peito, provavelmente coisas piores apareceriam.

- Eu só vim te avisar que o Lobisomem está aí. A porta estava aberta, nunca imaginei que você estaria tão... – os olhos cinzas o encararam de cima abaixo – molhado.

- Cale a boca, Malfoy. E saia do meu quarto, eu já vou descer para falar com Lupin.

Harry viu o loiro dar mais um sorriso e enviar mais um olhar pelo seu corpo antes de se virar e vagarosamente sumir de seu campo de visão. Seu rosto queimava de vergonha, mas ele tentou esquecer o olhar tão excitante de Draco e vestir-se rapidamente.

Rapidamente, desceu as escadas encontrando Lupin abandonado na sala principal.

- Harry. Como você está se sentindo? – Lupin deu um pulo sorrindo.

- Bem. – então ele hesitou – um pouco de dor no ombro. Nada que me mate.

- Tem certeza?

- Claro. Já me analisaram ontem.

- Certo. Hermione estava bem preocupada com você.

- Mione? – seu coração deu um pulo com a idéia da amiga dizendo o que ela tinha visto ontem.

- É. Vocês brigaram ontem? Ela pareceu nervosa.

- Não... não brigamos... é que... – sua mente deu um branco.

- Ela ficou irritada por Potter ter me levando para passear – a voz de Draco surgiu atrás dele, e quando se virou viu o loiro com um copo âmbar em mãos.

- Ah sim. Estamos todos afoitos no ministério para descobrirmos mais sobre o cara. – Lupin pareceu acreditar no loiro – Só vim mesmo ver se estava tudo bem. Bom, tenho que voltar, se descobrirmos algo avisarei. – e acenando entrou na lareira e voltou a desaparecer.

- Você jura que esta bebendo a esse horário? – Harry virou para Draco, prontamente.

- "Obrigada por salvar minha vida, Malfoy, é realmente bom saber que pelo menos alguém nessa casa tem o pensamento rápido" – o loiro disse imitando a voz de Harry e saindo.

- Bom, obrigado, Malfoy. – Harry disse o seguindo.

- Obrigado nada – Draco se virou para ficar de frente ao moreno – pode ir baixando a calça.¹

- Malfoy! – Harry o repreendeu assustado, mas viu que Draco se virou rindo. – Você é ridículo.

- E você é uma virgenzinha assustada. – ele sentou na frente do sofá então se virou para Harry – Seu ombro está doendo mesmo?

- Um pouco, eu cai nele ontem. Mas acho que vou sobreviver.

- Hm. Lupin não veio aqui só para falar com você sabia?

- Ele veio te perguntar sobre o nosso atentado? – Harry se jogou no sofá ao lado dele.

- Não. Ele estava aqui com o Shacklebolt. Eles vieram me fazer uma proposta.

- De que? E porque você esta me contando?

- Porque acho que você deveria saber. Eles estão me oferecendo para trabalhar como chefe de uma área do Ministério.

- Uma área do Ministério. Você esta enrolando demais, devo temer perguntar que área é essa?

- É algo novo. Shacklebolt quer montar uma área para lutar contra a Arte das Trevas.

- Achei que já fazíamos isso sendo aurores.

- Bom, ele disse que quer algo mais especifico, um lugar que somente respondesse chamados específicos.

- E justo você vai comandar essa área.

- Na verdade eu ainda não aceitei. A coisa é um pouco mais complicada.

- Ok, agora eu devo ter medo.

- Shacklebolt me mostrou a lista de pessoas que ele quer que trabalhem nessa área.

- E quem são essas pessoas?

- O Weasley, Pansy, Zabini, uns dois outros nomes que eu não reconheci e você.

- E você vai comandar a todos nós?

- Sim, aparentemente nós fomos os únicos que tivemos contatos com a mais pura forma de Arte das Trevas, então nós somos os mais qualificados.

- Espera. Você é o chefe? – Harry deu uma risada zombeteira e então notou que Draco fechou a cara.

- Ao contrario de você, Potter, os Malfoys nasceram para liderar.

- Me desculpa, Malfoy, mas você é um Comensal. Quer dizer, foi. Isso não é algo que os jovens devam se espelhar.

- Ah sim. Porque as pessoas devem sempre tentar ser que nem você né, Potter. Deixe de ser ridículo.

- Me desculpe. Eu não queria dizer isso.

- É claro que você não queria. – Draco se levantou irritado.

- Malfoy. – ele se levantou e segurou o loiro pelo ombro.

- O que é, Potter? – e quando o moreno ficou em silencio. – O que você realmente quer?

- Me desculpa, eu não queria dizer aquilo.

- Você tem que começar a pensar no que vai dizer antes de dizer. Ou fazer. Essa historia de ficar me puxando para cá e para lá não está funcionando.

- Eu tenho duvidas. Como você quer que eu simplesmente me decida em escolher você, se até duas semanas atrás você me odiava.

- Me escolher? Potter eu não estou te pedindo em casamento. E eu nunca te odiei.

- Então fazer da minha vida um inferno na escola era simplesmente seu amor latente por mim.

- Não! – ele negou a frase veemente. – Eu tinha só 12 anos. A única coisa que eu sentia por você era inveja.

- Inveja? De que exatamente? De ser zoado o tempo inteiro? De ter pessoas obcecadas por você?

- Eu sou um Malfoy, eu fui criado para chamar atenção. E então no mesmo ano que eu entro você entra também, chamando a atenção de todos.

- Ah, se eu soubesse que era isso que você queria com certeza eu teria dado!

- Entao dá para mim agora! – Draco disse sorridente.

- Harry. – uma voz o chamou e o moreno se surpreendeu ao ver Hermione parado na porta surpresa e envergonhada.

- Mione. – a ultima frase, e a cogitação do que ela poderia ter entendido com aquilo o deixou muito envergonhado.

- Ola Granger. Seu timing é sempre perfeito – Draco disse sorridente. – Vou deixar os dois sozinhos.

Os dois ficaram esperando até os passos do loiro na escada soarem longe para voltarem a se encarar.

- Me desculpe, por chegar assim... – Hermione começou com o rosto muito vermelho.

- Deixe de ser boba, Mione. – ele tentou dar um sorriso, sem muito sucesso – Você é sempre bem vinda.

- Sim... Eu só gostaria de conversar com você sobre ontem. Esperei Lupin voltar para não ter que colocá-lo em maior vergonha.

- Entendo. Mas eu realmente não sei o que dizer.

- Eu não sabia que você era...

- Gay? Nem eu. Aconteceu.

- E vocês estão namorando?

- Céus, namorar um Malfoy? Não!

- Eu realmente não entendo isso, Harry. – ela pareceu ficar mais a vontade por isso sentou no sofá. – você namorou a Gina, e largou ela por causa dele?

- Não! Com certeza não. – ele sentou e segurou a mão dela num gesto que ele não reconheceu como seu. – Eu namorei a Gina, mas não era tão legal. Não era o que eu queria. Esse rolo com o Rony, foi uma confusão inútil.

- E ficar com Malfoy é o que você quer?

- Eu não sei. Eu não me importo mais. Eu fiquei com vergonha primeiro, afinal, ele é um homem.

- Os bruxos não pensam assim.

- Eu sei. Malfoy está tendo um árduo trabalho em me convencer disso.

- Ele não fez nada com você... fez?

- Nós só nos beijamos. Ele... bem que quer, mas eu ainda não me sinto... muito bem.

- Sim. Eu sei que isso não me interessa. Mas Potter se você quiser existem magias, e livros sobre o assunto.

- Eu... – ele ia negar, mas então aquela idéia lhe pareceu interessante – você pode me arrumar esses livros. Como curiosidade! – ele fez questão de adicionar.

- Sim, claro... Espero que você não esteja brava comigo por causa do que eu acabei contando para o Rony.

- Claro que não. Eu entendo. O Rony ainda não se acalmou?

- Um pouco. Mas eu vou acalmá-lo mais.

- Você poderia, por favor, não contar sobre Malfoy com ninguém.

- Claro, Harry. – ela sorriu e abraçou o amigo ternamente – agora deixe-me ir, tenho que voltar pra Toca e fingir que nada aconteceu.

E com um ultimo sorriso, se levantou e foi embora.

Harry ainda hesitou em se mover, pensando em como rapidamente tinha resolvido pelo menos um problema em sua vida. Hermione parecia ter lidado bem com aquilo, até queria ajudar, mas imaginou que ela fosse à única que entenderia Harry naquele estranho momento.

Foi pensando nisso, que se levantou de um pulo e correu para o quarto de Draco, onde o encontrou lendo um livro de poções na cama.

- Você deveria aceitar o trabalho. – Harry disse, recebendo nada mais que um simples olhar curioso do loiro.

- Não sei. – ele comentou voltando a encarar o livro – Nunca pensei em ser um auror.

- Você não vai ser um auror. – Harry chegou perto e sentou na ponta da cama do loiro, sem encará-lo. – Você vai ser nosso chefe. Talvez isso signifique que você não vai sair da sua sala, e vai poder mandar em muita gente do jeito que você sempre sonhou.

- Pensando assim. – ele riu e colocou o livro na cabeceira da cama. – O que foi que a Granger falou que o fez se tornar tão... receptivo?

- Nada demais. Ela só... eu não sei bem. Hermione sempre parece cabeça dura e tal, mas eu acho que ela é a pessoa mais amiga que você pode conhecer.

- Foi por causa dela que você me rejeitou no primeiro ano? – Draco se movia como uma cobra, lentamente, e antes que Harry pudesse brigar ou sequer notar, o loiro sentou atrás dele massageando seus ombros.

- Eu nem conheci ela o dia que "eu te rejeitei". Ficamos amigos depois. – Harry quase gemeu quando Draco começou, de tanto prazer, o loiro era bom no que fazia, e ele nem notou como aquela cena pareceria estranha aos olhos de alguém de fora.

- Entao você me trocou por um Weasley?

- Eu nunca nem cogitei ficar com você, Malfoy! – Harry riu da idéia absurda – eu nem sabia que essas coisas poderiam acontecer... Rony me tratou bem, só isso.

- Vai ver o Weasley queria te levar para a cama também. – Draco murmurou em seu ouvido.

- Bem capaz. – Harry o encarou por sobre os ombros, e o sorriso cínico do loiro o deixou curiosamente excitado. – Porque você me quer tanto, Malfoy?

- Oras... – o loiro riu e então Harry sentiu um beijo na sua nuca que fez seu ventre estremecer – Porque eu não iria querer?

- Achei que você me odiasse esse tempo todo. – ele disse sentindo uma certa falta de palavras quando o loiro continuou os beijos enquanto suas mãos escorregavam pelo peito de Harry.

- Eu já disse que nunca te odiei.

- E nem nunca me amou também. – Harry se virou para encará-lo. – Porque você me deseja tanto agora?

- Eu não sei o que fizeram com sua auto estima, Cicatriz, mas você é bonito.

- Obrigado. – ele disse corando – Mas é só por causa disso?

- Nós somos seres visuais, Potter. – e comentando isso, enlaçou seus braços no pescoço de Harry e começou a dar breves selinhos em sua boca. – O seu visual me agrada, mesmo sendo meio maltrapilho. – ele sorriu e desceu delicadamente os beijos para o pescoço do moreno.

- É por isso que quer dormir comigo? – sua respiração falhava sentindo a boca tão quente do loiro. Nunca tinham ido tão longe, mas aquilo era realmente bom. – Por eu ser bonito?

- Porque você é bonito. Porque você beija bem. Porque você sempre morde a boca quando esta excitado. – Draco explicava a cada beijo. – Porque você tem uma bunda maravilhosamente sensual.

- Malfoy! – Harry o repreendeu e já ia se afastar horrorizado porem a rapidez do loiro foi maior, que prendeu a boca dele entre a sua.

Harry sentia seu ventre estremecer. Ele nunca sentira desejo tão forte em sua vida, e o fato de que Draco o beijava sem delicadeza o deixava ainda mais excitado. Aquilo era bom demais.

As mãos do loiro eram rápidas, e não ficavam paradas, parecendo que ele queria absorver Harry em todos os sentidos. E como não houve respostas do moreno, Draco o puxou empurrando-o deitado na cama, e se apoiando em cima dele. Sabia que Harry notaria o que estava fazendo e fugiria a qualquer momento, e foi por isso que resolveu aproveitar o que podia.

Draco sentia o corpo inteiro estremecer em desejo a Harry, as imagens do corpo semi nu do moreno ainda inundavam sua cabeça, mesmo quando tentara estudar poções, sua matéria favorita, ainda era assombrado pelo corpo forte, e delicadamente malhado moreno. Se excitava em pensar em beijar o abdômen dele, beijar aquelas linhas que formavam gomos delicados, mas aparente. O loiro nunca tivera um corpo forte, era esguio, magro, e por mais que se esforçasse sempre seria assim, mas Harry não.

As mãos de Draco correram pelo corpo de Harry, e antes que pudesse se segurar estavam dentro da camisa dele acariciando a lateral do corpo dele. E foi isso que o fez fugir.

O moreno o empurrou com força, e deu um pulo para fora da cama, deixando um Draco arfante e notavelmente excitado.

- Chega, Malfoy! – ele ajeitou a roupa, tentando disfarça o volume em sua calça com a camiseta meio comprida. – Nós não podemos continuar assim.

- É claro que podemos. – ele sorriu e ajeitou os cabelos para trás.

- Não! Você me odiou a vida inteira, e agora, quando você é obrigado há passar um tempo na minha casa, você resolve ser bacana comigo e me carregar para a cama. Isso não está certo.

- O que você quer então? Quer namorar? – Draco perguntou sentindo a própria irritação dentro dele crescer – vamos namorar então.

- Eu... – Harry pareceu hesitar, surpreso – você nem gosta de mim.

- Ó céus! – Draco levantou a mão para cima e pulou para fora da cama, chegando perto de Harry – o que você quer meu filho? Quer que eu declare meu amor por você? Eu gosto de você ok?

- Como? – Harry deu alguns passos para trás hesitante.

- É isso que você quer não? Pois então aí esta. Eu gosto de você. No começo eu te odiava, porque você tinha me desprezado, mas eu acabei gostando de você, ainda mais depois da morte de Dumbledore, quando eu vi que o Lorde estava passando dos limites. A sua coragem em tentar enfrentá-lo me deixou surpreso e excitado. Me toquei dezenas de vezes pensando em você. – Harry desviou o olhar diante daquela verdade – Mas a vida continua. Eu vim parar aqui foi um acaso, eu não queria! Eu já tinha superado você, estava namorando, e tentando salvar o que restou da minha família depois da morte do Lorde. Eu não vou ficar correndo atrás de você. Não vou ficar fazendo juras de amor. Um Malfoy nunca se rebaixa a tanto, e eu estou honestamente farto de você e sua mania irritante de sempre parar nos melhores momentos.

Harry estava realmente chocado com a explosão de fúria do loiro e quando ele se aproximou, o moreno deu um pulo para trás de medo, que o fez chegar a porta.

- Você veio me procurar. – Draco o lembrou – não se atreva a fugir, sendo que foi você que quis em primeiro lugar. Eu me recuso a continuar com isso. Você é virgem, tudo bem, eu prometo que não vou te atacar assim enlouquecidamente, prometo deixar minhas mãos de Troll bem longe do seu corpo imaculado enquanto você quiser, mesmo isso me deixando com uma terrível dor no saco². E não me olhe com essa cara, você sabe que dói quando você para bem no melhor momento! – Draco o repreendeu. – Escolha o que você quer na sua vida. Vamos namorar se você se sente melhor e mais precioso dormindo somente com seu grande amor. Mas escolha! E depois venha me informar. – Draco respirou fundo, e pela primeira vez ficou nitidamente vermelho, talvez com o fato de que tinha sido honesto demais. – Agora, por favor, saia do meu quarto.

- Malfoy... – Harry começou pensando o que dizer.

- Saia do meu quarto. – ele repetiu e se jogou na cama voltando a pegar o livro.

Harry pensou em não fazer o que ele queria, em brigar com o loiro, mas seu cérebro ainda estava tentando processar tudo aquilo que o loiro tinha falado, e por isso resolveu sair e fechar a porta atrás de si.

O moreno simplesmente não conseguia acreditar naquilo, se Draco realmente gostasse dele, então toda aquela situação mudava de figura. Não era mais simplesmente pouca vergonha, Harry pensou, não era mais só sexo. Talvez tivesse algo mais...

Harry esfregou o rosto irritado e desceu as escadas correndo pegando o pó de flu. Iria para o único lugar onde poderia descobrir o que fazer, iria para A Toca.


O moreno encontrou a casa vazia, mas os gritos indicaram onde ir, e encontrou todos os Weasley tendo um animado fim de almoço no gramado. A senhora Weasley brigava com Gina, Hermione conversava calmamente com Fleur, os gêmeos, Percy, Gui, e Rony jogavam uma partida de quadribol meio confusa onde ninguém parecia ter um time certo. O Senhor Weasley, o único que não fazia nada, foi o primeiro a ver Harry.

- Ei, quem é vivo sempre aparece. – ele gritou chamando atenção de todos, e viu Gina e Rony fecharem a cara.

- Ola para todos – Harry sorriu e chegou perto da mesa, vendo Gina finalmente pegar os pratos com um aceno de varinha e sair conduzindo-os para a cozinha.

- Oh, Harry querido, - a Sra. Weasley chegou perto sorridente, parecendo não notar a fuga repentina da filha e a cara de bravo de Rony – você chegou meio tarde para o almoço. Mas se quiser eu preparo um prato pra você.

- Não, obrigada, Sra Weasley – ele sorriu mesmo ouvindo a barriga dele reclamar da decisão. – Só vim aqui conversar com Rony.

- Rony? – Hermione disse surpresa.

- Sim, é sobre um negocio da aula que eu to em duvida. Se vocês não se importarem.

- Claro que não. Rony, querido, Harry quer falar com você. – a Sra. Weasley o chamou e o ruivo chegou perto.

- O que foi? – ele não parecia querer conversar com Harry.

- Você se importa se formos andar? – o moreno sorriu tentando ser simpático, e se sentiu aliviado quando o ruivo concordou e entregou a vassoura para sua mãe.

Nenhum Weasley pareceu achar aquela atitude estranha e todos voltaram a seus afazeres enquanto os dois começavam a andar para longe.

Eles ficaram uns cinco minutos em silencio antes de Rony corta-lo ríspido.

- É para isso que você me chamou? Para andarmos no meu quintal?

- Não. Não mesmo. Eu só... estou pensando a melhor maneira em te pedir desculpas.

- Talvez um soco na sua cara. – Rony disse irritado.

- Se fizer você se sentir melhor, por favor, sinta-se livre. – Harry sorriu vendo o amigo ficar um pouco mais amistoso.

- Não vou te socar. Mione ficaria muito brava comigo.

- Eu entendo. Mas mesmo assim, eu gostaria de pedir desculpas, e gostaria que você me perdoasse.

- Eu não sei Harry. O que você fez não foi certo.

- Não foi. Mas em nenhum momento as escolhas de sua irmã também foram. – ele viu Rony voltar a fechar a cara – Não vou acusar ela por conta dos meus erros. Ela começou, mas eu também quis. E te garanto, que em nenhum momento eu a iludi. Na verdade, só continuei com ela, por causa de você.

- Por causa de mim?

- Sabia como você ficaria bravo se eu a largasse, mas... sei lá, nunca pareceu certo.

- Você não pode fazer as coisas pelos outros, Harry.

- É, eu to aprendendo isso. – ele se lembrou do loiro irritado.

- Eu gosto de você, Harry, mas quando Mione me contou, eu fiquei muito bravo. Ela é jovem, idiota, e você deveria ser mais maduro que ela. Eu peço desculpas também, por descontar tudo em você.

- Eu entendo, eu faria o mesmo se tivesse uma irmãzinha. – Harry parou e sorriu para o amigo, esticando o braço – Amigos?

- Sim, amigos. – Rony sorriu apertando a mão dele. E então voltaram a andar. – Eu vi Mione saindo hoje. Ela foi falar com você.

- Foi. Ela tentou pedir desculpas por você. – Não exatamente, pensou Harry.

- E por isso você resolveu vir aqui.

- Não. Enquanto Mione estava lá conversamos sobre outra coisa. E depois que ela saiu, essa outra coisa... complicou. – ele tentou encontrar a palavra certa – precisava da ajuda de um bruxo de sangue, e meu amigo nessa historia, não consegui pensar em ninguém mais certo que você.

- Opa. Obrigado. – Rony sorriu. – Mas o que aconteceu? É com o Malfoy?

- É.

- O que aconteceu vocês brigaram? Ele fugiu de novo?

- Não. – Harry suspirou e pensou no grito que o amigo daria, mas realmente precisava de uma ajuda naquele assunto – Ele me beijou.

- O QUE? – Rony gritou como o esperado e deu um pulo.

- Rony, não grita. – a voz da Hermione o repreendeu e os dois se viraram surpresos ao ver que ela os seguira e escutara toda a conversa.

- Você tá me surpreendendo cada dia mais, nem parece a Hermione do colégio. – Harry disse

- Não começa. Achei que vocês iam se socar, estou no direito de ajudá-los.

- Você sabia disso, Mione? – Rony perguntou ainda assustado.

- Sabia... eu vi a cena, ontem.

- Você viu? – os olhos do ruivo pareciam que iam saltar da orbita – Esse mundo vai acabar!

- Não exagera, Rony. – Hermione o repreendeu.

- E porque ele te beijou? – Rony perguntou ignorando a namorada.

- Então, é aí que complica. No começo eu achei que era... sei lá, só desejo, ou falta de sexo. Mas aí, aconteceu que não era.

- Como assim?

- Ele acabou de confessar que gosta de mim. Ou melhor, gostava.

- Ele gosta? – Rony riu – Aonde? Ele sempre nos odiou.

- Eu também achava isso.

- Eu não. – os dois encaravam Hermione surpresos. – Que foi? Ah vai me dizer que vocês nunca pensaram nisso?

- Ele fazia nossa vida um inferno.

- Ele queria chamar atenção. E sempre quis chamar atenção do Harry, eu cogitei a possibilidade dele gostar de você, e como não sabia como expressar ele ficava te irritando. – quando os dois ficaram em silencio a encarando com surpresa ela fez um muxoxo – pelo amor de Deus, vocês, homens, são muito burros.

- Por Merlim, você esta louca, mulher! – Rony disse.

- Eu não estou louca, é fato. Criança quando gosta de alguém, quer chamar atenção, e qual a melhor maneira de chamar a atenção do Harry se não o irritando? Não é como se ele pudesse mandar uma mensagem romântica.

- Porque ele não poderia? – Harry perguntou curioso.

- Porque ele é um Malfoy. Imagina o que Lucius faria com ele se soubesse que o próprio filho mandou um recado de amor para qualquer um dentro de Hogwarts?

- Acho que ele seria morto. – Rony disse sentando na grama. Hermione e Harry fizeram o mesmo.

- Exatamente.

- Me desculpe, não consigo acreditar que ele algum dia gostou de mim.

- Mas ele não acabou de declarar para você isso?

- Eu não sei se ele estava realmente falando a verdade sabe? Vai ver ele só queria me levar para a cama, porque você sabe, eu empurrei ele quando ele começou a querer tirar minha roupa.

- Você empurrou ele? – Rony perguntou parecendo surpreso. – Então você é o passivo?

- Como?

- Numa relação entre homens, sempre vai existir um que fica por cima e outro que fica por baixo. – Hermione explicou.

- Por Merlin eu não queria ficar por baixo! Foi ele que me puxou.

- Você é o passivo! – Rony pareceu ainda mais surpreso. – nunca imaginei você assim.

- Você me imaginou dormindo com um homem? – Harry arregalou os olhos.

- Não! Mas achava que você seria mais mandão na cama. Eu nunca fiquei por baixo...

- Espera! Você já dormiu com um homem? Quem?

- Já, e não vou te contar. Todos os bruxos já fizeram isso. – Rony disse como se fosse obvio.

- Céus! Porque eu não me lembro disso? – Harry pareceu um pouco assustado.

- Calma, Harry. É que no mundo trouxa, esse tipo de coisa é incomum. – Hermione explicou para Rony.

- Ficar com pessoas do mesmo sexo? Ué, você não teve problema com isso.

- Espera! – Harry pareceu ainda mais surpreso. – você?

- Todos os bruxos, Harry. – Hermione corou. – e entre os trouxas mulheres ficarem entre si é considerado algo... sensual. Enquanto homens são desprezados mesmo.

- Que sociedade horrível.

- E pegar pessoas do mesmo sexo é normal? Não tem onde... encaixar!

- Encaixar? – Rony pareceu não entender de primeira. – Ah! Nossa, Harry é obvio que você não sabe de nada mesmo. – ele riu – você tem que dar uns livros para ele Mione.

- Ok, chega. – Harry disse tapando os olhos – não quero mais imaginar nenhum de vocês em uma situação dessas!

- Harry, é algo normal. – Rony riu – e... bom, mesmo eu odiando dizer isso, se você quiser ter algo com Malfoy... – ele pareceu hesitar com uma expressão de nojo – então você deveria tentar. Mas – ele fez questão de adicionar – termine com Gina primeiro. Eu não quero ela sofrendo de novo.

- Rony... eu já terminei com ela.

- Depois de você... dormir com ela de novo? – ele pareceu achar aquilo difícil de falar.

- Ela fugiu de mim depois. Ela vai até se mudar.

- Ela fugiu? – Rony pareceu surpreso.

- É. Por quê?

- Nada. Pareceu outra coisa. – ele ficou envergonhado. – Então volte para casa e chame-o para sair. Quer dizer, vocês não podem sair... – Rony parou brevemente para pensar – peça para Monstro fazer um jantar, e diga que você quer namorar.

- Ele já me pediu em namoro.

- Que? – Hermione e Rony perguntaram em uníssono surpresos.

-Ele me pediu quando estava... se declarando.

- E o que você disse?

- Nada. Ele me mandou sair do quarto.

- Por Merlin Harry! – Hermione o repreendeu. – Ele não queria dizer isso mesmo. Temos que explicar para você algumas coisinhas.

- Bom, se vocês não se importassem, eu gostaria de ficar aqui hoje à tarde. Ai vocês... me explicam, o que puder.

- Claro! – Rony sorriu – Vamos começar pegando o livro.

E mesmo sentindo que estava ferrado, Harry acompanhou os amigos de volta a casa, e para a tarde mais longa e envergonhante da sua vida.


1- frases que eu realmente já ouvi em minha vida.

2- desculpa ter que dividir tal informação com voces. mas precisava de um toque de realidade essa cena =D

N.A. Por favor não me batam i.i Eu sei que eu demorei, e tal, mas em minha defesa minhas aulas e meu trabalho voltou, então tive que correr como uma louca para por tudo em dia. E praticamente escrevi uma frase por dia =D Mas aih tá.

Ah, e como vocês foram pessoas lindas e esperaram com muita paciência, sem quebrar nada ou gritar comigo, então resolvi colocar um pouco mais de ação nesse capitulo, mas não se acostumem, odeio escrever coisas grandes demais.

Enfim... ELES SE PEGARAM LÁÁÁÁÁLÁÁ´LAÁÁ´. uHAuhuahhUahaua. Bom, na verdade eu sei que muita gente vai falar que o Draquinho não deveria ter falado aquilo tudo, mas eu sempre imaginei que como o loiro é o único que realmente tem bolas nessa relação, então ele também é o único que teria bolas para dizer a verdade na cara do Harry. =D