Disclaimer: O anime Naruto e seus personagens não me pertencem... Ainda. Mas se meu plano diabólico der certo, será o meu nome que estará nos créditos no lugar do de Masashi Kishimoto. Muahahahahahhaha (risada malévola).
N/A: Comentários/Agradecimentos/avisos/desculpas/recados inúteis da autora estarão no fim do capítulo, se tiver paciência, leia lá!
Boa leitura!
Capítulo Onze
"Beijos, dinheiro e cultistas – Parte II"
No Capítulo Anterior...
No corredor, Sasuke chegava, alheio a toda confusão. Os olhos de Sakura brilharam ao vê-lo. Desvencilhou-se de Tenten e correu na direção dele. Parou na frente do Uchiha, meio ofegante. "Se a Hinata teve coragem, eu também terei!"
- Sakura, o que... – Sasuke começou a falar, sendo interrompido por Sakura, que se colocou na ponta dos pés, puxou a cabeça dele para baixo e colou seus lábios aos dele.
Sasuke arregalou os olhos. O que diabos estava acontecendo? Caíra no sono e não percebera? Não. A maciez dos lábios de Sakura, que há tanto tempo ele não sentia, era real demais para ser um sonho. Sabia a diferença, porque sonhara com os beijos dela muitas e muitas vezes.
Estava tão chocado pela surpresa que sentira pelo beijo inesperado, que nem reagiu de imediato. Deixou-se beijar, seu cérebro funcionando furiosamente ao mesmo tempo em que registrava tudo que o cercava. Ino olhando-os com um sorriso malicioso no rosto da porta, Tenten arregalando os olhos, surpreendida. Até os sons do andar inferior penetravam fracamente por suas orelhas e entravam na sua já confusa mente.
Sakura soltou um gemido de protesto. Porque ele não a beijava de volta? Desanimada, cogitava se afastar, quando finalmente a mente de Sasuke desistiu de funcionar e ele correspondeu, agindo por puro instinto.
- Para o inferno com tudo isso! – Rugiu, antes de empurrar Sakura contra a parede mais próxima, colar o corpo ao dela e atacar a boca feminina com verdadeiro furor.
Viva! Sakura pensou, e foi o ultimo pensamento racional que teve pelos seguintes – e deliciosos – minutos...
Ino mal caia em si de alegria. Sakura era mesmo danadinha! Ali estava aos beijos com Sasuke bem no meio do corredor! Na verdade, a coisa estava ficando tão quente, que daqui a pouco ela ia começar a se abanar!
De repente, lembrou-se da sensação de ter o vampiro sobre si, mordendo seu pescoço. Franziu o cenho, incomodada com o pensamento que, tinha de admitir, surgia com cada vez mais freqüência em sua mente. Era só um maldito vampiro, ora bolas. Não que tivesse muita experiência com vampiros, mas enfim...
Olhou para o corredor, tentando evitar aqueles pensamentos perigosos e insistentes. Com o jovem casal, as coisas estavam mesmo empolgantes. Cogitou se deveria interrompê-los e sugerir que tinham vários quartos ali pertinho, desocupados. Não, respondeu a sim mesma, rejeitando a ideia. Iria cortar o clima. Além disso, seria muito mais divertido irritar Sakura se eles continuassem no corredor...
Tenten encontrou Hinata encolhida contra um tronco de árvore. Ela chorava, soluços longos e terrivelmente sofridos que davam angústia só de ouvir. A ninfa parou, sem saber o que fazer ou dizer. Não costumava interagir muito com as pessoas, tinha mais experiência com os animais de sua floresta.
As relações humanas eram muito confusas. Sakura e Sasuke mesmo, obviamente um gostava do outro, mas não saiam do lugar. Embora, pelo que ela vira no corredor, talvez as coisas fossem se encaminhar... Quando saíra, o Uchiha tinha encurralado a Haruno na parede. Ficava feliz com isso.
Junto com a alegria pelo casal, sentira uma dor antiga ecoar levemente em seu peito. A dor da solidão. Queria aquilo pra si. Um amor, um romance, a sensação embriagante de estar apaixonado. Nunca sentira. Só observava. Vivia na floresta, mas observava as pessoas nas cidades, de vez em quando. Às vezes, sentia vontade de interagir e de sentir. Estava um pouco cansada de ser sempre a observadora.
Mas sua solidão não era o principal agora. Havia alguém que precisava dela. Só precisava descobrir uma maneira de se aproximar dela e dizer o que era o correto. O problema era: o que era correto de se dizer nessas horas?
Hinata percebeu sua presença, e acabou dando uma solução ao dilema de Tenten. Bastou fitar a ninfa, com aqueles olhos perolados úmidos e insuportavelmente tristes, para que Tenten soubesse o que fazer. Sentou-se ao lado dela e abraçou-a.
Sakura arfou, agarrando-se aos cabelos sedosos de Sasuke. Uou! Chegara ao paraíso sem nem perceber... Podia sentir o gosto do moreno em seus lábios, as mãos dele sobre sua pele quente, os músculos masculinos empurrando-a contra a parede fria.
Estavam perto, tão perto, que não poderia passar nem um fio de cabelo entre eles. Ainda assim, sentia como se não fosse suficiente. Apertou-o mais, beijando-o de volta apaixonadamente.
Sasuke estava desnorteado. Sabia que tinha algo errado no que estava fazendo, mas, francamente, não conseguiria raciocinar para saber o que era nem se sua vida dependesse disso. Começou a fazer uma trilha de beijos molhados pelo pescoço alvo da garota, descendo cada vez mais, quando...
- Hei, vão para um quarto! – Gritou um dos hospedes da estalagem, rindo. Como Ino sabiamente previra quando preferira ficar calada, a frase foi um banho de água fria para os dois. Sasuke se separou de Sakura tão bruscamente, que a rosada, sem o apoio do corpo dele, arriou para o chão.
- Droga! - Murmurou Ino, ainda concentrada no desenrolar da trama no corredor. Estava tão concentrada, que não viu um certo guerreiro loiro pular pela janela.
- Pronto, pronto... – Tentei murmurava, batendo nas costas da amiga. Hinata aos poucos parou de soltar os longos e desesperados soluços que a corroíam. Então, ainda abraçada à ninfa, começou a falar, num tom de voz monótono.
- Por toda minha vida, sempre estive nas sombras. – Tenten se perguntou se a pequena fada lembrava que ela estava ali. – Nada do que eu fazia estava certo, nunca era suficiente, nunca. Cresci observando as pessoas, querendo ser mais descontraída, divertida ou inteligente. Enquanto isso, sentia o peso do olhar de meu pai sobre mim, insatisfeito, desiludido. Sempre quis ser mais do que sou, Tenten, mas somente querer não era o suficiente.
Tenten somente ouvia o desabafo, sentindo que não devia interromper. A doce fadinha suportara muita coisa sozinha, somente juntara e suprimira seus sentimentos, cada dia aceitando mais uma rejeição, esforçando-se para ser melhor, esforçando-se para ser aceita por aqueles que amava. Ainda assim, era amável, gentil e doce; não se tornara amarga mesmo sob as desavenças da vida.
- Quando eu era menor, brincávamos de esconde-esconde, e eu sempre esperava... Não importa quanto tempo eu esperasse, ninguém nunca me encontrava... Eu ia pra casa chorando. Eu não era realmente importante. Era tão desprezível e medíocre, que as pessoas esqueciam de mim. Era como se não importasse se eu estava ali ou não. Me conformei com o meu cantinho nas sombras, fingi que não doía. Pensei que fosse ficar assim para sempre. Mas a solidão dói. Dói, Tenten. Tudo o que sempre quis, durante todo esse tempo, era um cantinho ao sol. – Soluçou. – Então o Naruto me encontrou e me salvou. Ele era como o sol, brilhava intensamente e trazia alegria para as pessoas ao redor. Depois conheci o resto do grupo, e havia outra pessoa como o sol lá, a Sakura. Tão alegres, desinibidos... Descobri que era uma guardiã, e finalmente pensei: "Tenho um cantinho ao sol também. Finalmente posso sair das sombras. Talvez possa ser um girassol, afinal de contas".
Ergueu os olhos cheios de lágrimas para a amiga.
- Mas agora... Tudo está arruinado... Sinto tanta vergonha... Como vou encará-lo? Como vou encarar os outros? Como vou voltar ao meu cantinho onde o sol brilha, Tenten?
- Você nunca saiu dele. – Hinata levantou a cabeça bruscamente. Naruto estava ali. Corou da cabeça aos pés, levantou-se bruscamente e tentou sair correndo, mas Naruto a impediu, a envolvendo em um abraço apertado.
- Na-Naru...to-kun. – Murmurou, surpreendida com o gesto afetuoso. Corou ainda mais violentamente e enterrou a cabeça no ombro dele.
- Eu sempre estive observando você, Hinata. É linda, inteligente, talentosa. Bondosa... Se há alguém que merece um cantinho ao sol, é você. – Parou de falar, inseguro. Ino dissera-lhe para não seguir a fada, mas não pudera ficar parado enquanto Hinata sofria. – Você é uma das minhas melhores amigas... O que aconteceu antes... foi... foi... – Parou novamente, procurando as palavras. Não sabia o que pensar sobre antes, a não ser que lamentava não poder tê-la beijado corretamente e por mais tempo. Obviamente, não podia dizer nada disso. – Foi... culpa da Sakura.
Tenten, esquecida pelos dois num canto, deu um pequeno sorriso. Quem diria que um dia Naruto acusaria a "maravilhosa" Sakura-chan dele de alguma coisa. Talvez Hinata tivesse chance, afinal. Aumentou o sorriso e saiu discretamente dali.
- Apenas... não chore. Não gosto de ver você triste, ok? – Pediu, levantando de leve o queixo dela e enxugando as lágrimas que corriam pela face mimosa. Sorriu, terno.
- Obrigada... Naruto-kun.
De repente, o mundo de Hinata se tornou brilhante outra vez.
- Ah. Meu. Deus. – Sakura balbuciou, pontuando bem as palavras. – Eu não fiz isso.
- Ah, você fez sim. – Ino a contradisse, se divertindo em ver o desespero da outra. Os efeitos da infusão de ervas finalmente haviam passado. Depois de arriar pro chão e ser posta de pé novamente por Sasuke, Sakura fora levada por Ino, ainda meio inebriada, pro quarto. Isso tinha acontecido na noite anterior.
- Não, deve ter sido um pesadelo.
- Sinto muito, mas não foi. – Ino respondeu, jogando um balde de realidade na cabeça da amiga.
- Eu estava bêbada com aquilo que Tenten me deu, certamente ele não acha que eu queria beijar ele de verdade, não é?
- Mas você queria. – Enfatizou.
- Sim, mas como eu estava bêbada, ele não sabe disso! – Soou pateticamente esperançosa até para si mesma.
- Sakura... – Ino suspirou – Sente aqui. Isso. Agora me escuta. – Soou extremamente paciente. – As pessoas, quando estão bêbadas, não fazem coisas malucas ou que não queriam fazer. Elas fazem coisas que consideram malucas e que querem fazer, mas não têm coragem de fazer porque o senso de ridículo não deixa. Mas quando estão bêbadas, o senso do ridículo está tão encharcado de álcool que não age. Isso quer dizer que as coisas que as pessoas fazem quando estão bêbadas são coisas que queriam fazer mas não tinham coragem. Entendeu?
- Sinceramente? Me perdi na metade da segunda frase...
- O que eu quis dizer é que ele SABE que você o beijou porque você QUERIA, entendeu? – Ino respondeu, curta e grossa, tendo perdido toda e qualquer paciência que apresentara pouco antes.
- Ah, ta, agora sim... – Disse aliviada, mas quando percebeu o que havia sido dito, se apavorou, se agachou junto a cama e puxou o lençol sobre a sua cabeça, envergonhada. – Ele sabe... Ele sabe... Não acredito que ele...
- Sakura, vamos, precisamos discutir o que fazer sem o dinheiro para as passagens. – Ino chamou, contendo o riso diante da cena patética. Fala sério, Sasuke sabia que Sakura era afim dele há séculos. Só não tinha sido homem o suficiente para fazer algo quanto a isso... Ao menos não até agora. Aquela agarrada no corredor deixara até ela quente.
- NÃO!
- Vamos, Sakura!
- NÃO! Me deixe ficar aqui e remoer a dor da humilhação e da desgraça... – Murmurou, dramática.
- Vamos, criatura, você é uma mulher ou um goblin? – Ino puxou-a pelo braço.
- Um goblin. – Veio a resposta, num soluço. – Um goblin fêmea. – Completou com outro soluço. – Um goblin fêmea bonitin...
- Ora, saia já daí! – Ino puxou o lençol, agora realmente impaciente.
- Não posso, ele sabe que eu... que eu gosto dele. – Disse, parecendo uma menininha de 4ª série emburrada. Bem. Estava se sentindo uma menininha de 4ª série.
- Deuses, dêem-me paciência... – Ino revirou os olhos. – Sakura, presta atenção. Ele te beijou também, não foi? E pelo menos você tem a desculpa das ervas, Sasuke não tem desculpa nenhuma.
- Hum... – Sakura sentiu como se tivessem tirado uma venda dos seus olhos. – Não tinha pensado nisso. Será que ele também...
- Provavelmente. Olha, enquanto você pensa, eu vou indo na frente, ta? E se você não for em meia hora, mando o Sasuke vir te buscar.
- Mas que tipo de amiga você é? – Sakura perguntou, indignada.
- As pessoas têm o que merecem... – Ino respondeu, já na porta. Parou. – À propósito, que diabo você fez com aquele cara ontem a noite na taverna, antes de levar um soco e desmaiar?
- Aquilo? – Seu rosto iluminou-se. – Ah, é uma magia chamada assassino fantasma. É uma ilusão poderosa, que faz com que a pessoa pense estar vendo a coisa de que tem mais medo. Foi a Maekara que me ensinou. Legal, né?
Para dar uma de estraga prazeres, Ino respondeu rapidamente:
- Não. – E dando as costas à garota, fechou a porta e saiu rindo. Ainda teve tempo de ouvir algo batendo contra a porta e o grito de Sakura:
- Invejosa!
Naquela manhã, depois das atribulações da noite anterior, Hinata já na forma de fadinha novamente, estava sentada numa mesa de uma taverna próxima (não a da noite anterior, onde estavam proibidos de botar os pés pelos próximos cento e cinqüenta anos, no mínimo), junto com Tenten, Naruto e Sasuke. Estavam discutindo como conseguiriam dinheiro para comprar as passagens do navio. Felizmente, um marujo informara Sasuke na noite anterior que a partida fora adiada em um dia, portanto o navio só partiria no amanhecer do dia seguinte. Embora tivessem tido essa sorte, o grupo estava muito preocupado.
- Teríamos o dinheiro, se uma certa pessoa não tivesse brigado na taverna... – Ino apontou, sentando-se à mesa também. Sasuke olhou-a, procurando outra pessoa e esperando que a sereia dissesse algo. Ino captou o olhar do Uchiha e disse, antes que alguém pudesse perguntar:– Sakura daqui a pouco chega.
- Na-não foi culpa do Naruto-kun. – Hinata defendeu, corando em seguida. O guardião loiro sorriu, e agradeceu com um gesto de cabeça. Ino ergueu uma sobrancelha. Epa. O que estava acontecendo ali?
- Hinata tem razão. E pelo que soube, você estava brigando também, Ino. – Tenten apontou.
- Olha, isso são só detalhes, ok? – Desconversou, ainda curiosa. Tenten teria que lhe contar timtim por timtim do que acontecera na noite anterior com aqueles dois.
- Detalhes ou não, estamos sem dinheiro. – Sasuke cortou, sério como sempre.
- E o que você sugere para conseguirmos dinheiro, Sasuke? – Tenten indagou, sucinta.
As portas internas da taverna se abriram com estrondo e Sakura surgiu ofegante.
- Pessoal! Tenho uma boa notícia e uma má notícia. Qual das duas vocês querem ouvir primeiro?
- A boa! – Pediram em uníssono Tenten, Ino, Hinata e Naruto. Eram otimistas por natureza. Se pudesse escolher, Sasuke preferiria ouvir a ruim primeiro. Mas já sabia ser minoria, então nem se dera ao trabalho de falar.
- Bem, descobri um modo de conseguir dinheiro para pagar as passagens de navio! – Assovios e exclamações de alegria se fizeram ouvir, impedindo que a jovem conseguisse continuar a falar. Sasuke atraiu atenção novamente para o assunto, quando indagou num tom propositalmente alto:
- E a ruim?
- Bem... é que nós vamos ter que enfrentar um... – A voz foi diminuindo, até ficar inaudível.
- Um o quê?
- Precisaremos enfrentar um... – Novamente falou num tom baixo demais, receosa da reação alheia.
- Diga logo de uma vez! – Pediu Ino, irritada. Sakura abriu um sorriso amarelo e evitou olhar para a sereia.
- Um dragão. – Um grande silêncio se instaurou após suas palavras.
- O quê? – Ino fechou a boca, que esquecera aberta com o choque. – Eu disse que falar atraía! Não era melhor as drogas de moroçocas agora?
- Muriçocas, Ino. – Corrigiu, séria.
- Não importa! Um dragão! – Largou-se na cadeira, desanimada. – Nós vamos todos morrer...
- Não seja pessimista, Ino! – Sakura ralhou, sentando-se à mesa do grupo.
- Isso não é ser pessimista, é ter amor à vida... – Respondeu Tenten, num toque de humor fora de hora.
- Até tu, Brutus? – Sakura indagou para Tenten, fazendo cara feia.
- Hein?
- Nada não, deixa para lá.
- Então onde está esse tal dragão? – Indagou Naruto, animado.
"Incrível como ele não teme nada!"... Pensou Hinata, um sorriso doce nos lábios.
"Incrível como ele é estúpido!"... Pensou Ino, fazendo uma careta.
- Numa caverna repleta de tesouros!
- Como soube disso, Sakura? – Sasuke indagou, não aparentando estar nem um pouco incomodado com os acontecimentos recentes entre eles. Sakura, entretanto, olhou para ele, corou até a raiz do cabelo e não conseguiu dizer nem uma palavra. Ainda tinha que conversar com Sasuke sobre o que acontecera naquele bendito corredor.
- Sakura-chan?
- Fala de uma vez, criatura! – Pediu Ino, impaciente.
- Bom, eu estava pensando no... – Corou. – É... Não importa. Bom, eu estava vindo pra cá quando vi um fantasma.
- Um fantasma? – Repetiu Tenten, um tanto descrente.
- Sim, o fantasma de uma velhinha. – Virou-se para Tenten e disse, muito séria, com uma voz sussurrante: - Eu vejo gente morta.
Houve um silêncio momentâneo na mesa. Ino quebrou-o.
- E daí?
- Não, Ino, era para você perguntar: com que freqüência? Aí eu responderia: O tempo todo...
- Sakura. – Sasuke chamou, impaciente.
- Quê?
- Fala logo a história. – Ordenou, seco.
- Não fala assim com a Sakura-chan! – Naruto exclamou, se levantando.
- Não atrapalhe, Uzumaki. – Foi a resposta hostil do Uchiha.
- Ai de novo não... – Tenten bateu com a mão na testa.
- Naruto-kun... – Hinata estava voando ao redor dele, tentando acalmar os ânimos. Aparentemente, após a noite anterior, as coisas pareciam não ter mudado muito...
- Certo, Hinata-chan, desculpe. – Naruto sentou-se. Todos o olharam, um pouco pasmos.
... Pareciam, mas mudaram um pouquinho.
- Foco, pessoal! - Pediu Ino, tentando arrumar aquela confusão. – Continue, Sakura.
- Ok! Eu vi o fantasma, era uma velhinha, como eu já disse. Ela me contou uma história sobre um culto que existia aqui, ao Deus da Traição, cujo nome não lembro de jeito nenhum... Como era... Hã... - Coçou a cabeça, tentando se lembrar. – Hum... Espera, estou quase lembrando... Era... Não, esse não... Era...
- Sszzaas.
.- Oi?
- O nome do Deus é Sszzaas. – Ino explicou.
- Isso! Eu nunca ia lembrar! Muitos esses e... - Queixou-se. Ino nem se dignou a responder. – Bom, deixa pra lá. Segundo a fantasma, apesar de ter sido caçado e proibido, o culto não parou de agir completamente. Ontem à noite, a velhinha foi morta enquanto tentava impedir que a neta dela fosse levada pelos cultistas para servir de sacrifício.
- Que terrível! - Hinata comentou, compadecida.
- Pois é, eu também achei. – Sakura concordou, virando-se empolgada para a amiga. – E eu que pensava que esse tipo de coisa não acontecia por aqui. Quer dizer, aqui tem demônios e tudo mais, mas seqüestro?
- Sakura... – Tenten chamou.
- Achava que era só lá no meu mundo, onde, vou te contar, está um absurdo de inseguro. Acredita que teve uma vez que ligaram pra minha mãe dizendo que eu tinha sido seqüestrada?
- Sakura...! – Ino tentou dessa vez.
- Ela quase teve um infart...
- SAKURA! – O grito de Sasuke trouxe a jovem de volta a si.
- Opa... – Soltou um sorriso amarelo. - Deixa pra lá. O fato é que a velhinha fantasma quer que salvemos a neta dela, antes que sacrifiquem a menina num ritual à meia-noite de hoje. No local onde os cultistas estão há muito dinheiro, e nós podemos ficar com ele. Não é ótimo? E o mais legal é que você nem vai precisar se defender das mulheres de meia-idade encalhadas no bar de strip-tease, Sasuke-kun! – Concluiu, sorridente.
- O QUÊ?
- Um bar... de... strip-tease? – Repetiu pausadamente, meio intimidade pelo grito do moreno, enquanto todos a olhavam, incrédulos. – Tirar a roupa por dinheiro? – Explicitou. Todos continuavam encarando-a, incrédulos. – Ah, cara, eu sei que foi alguma coisa assim ou pior que você fez para ganhar dinheiro! - Desabafou, batendo com o punho na mesa.
- Tirar a roupa por dinheiro? – Ino e Naruto caíram na gargalhada. Tenten suprimiu a custo a risada. Sasuke ruborizou, irritado.
- Sakura... – Começou, a voz gélida.
- Não precisa ter vergonha, teme... – Naruto avisou, enquanto chorava de tanto rir.
- Do que está rindo, você estava de tanguinha fingindo uma luta patética. – Sasuke replicou, irritado.
- Hei, ser um gladiador é um trabalho honesto, cara! – Naruto defendeu-se, sem se irritar com o comentário. – Já tirar a roupa por dinheiro... – Voltou a rir.
- Eu não tirei a roupa por dinheiro! – Gritou, ficando de pé. Todos no bar olharam para a mesa deles. Sasuke falara alto demais. Sentou-se, rubro. – Maldita seja, Sakura.
- Se não foi isso, o que você fez, então?
- Foi contratado para proteger a filha de um mercador rico de passagem na cidade.
- Só isso? - Sakura indagou, tentando se lembrar de alguma mulher perto de Sasuke nas vezes em que o seguira. – E ganhou aquele dinheiro todinho?
- Sim.
- E como não vi a garota com você nas vezes em que eu espio... Esbarrei. – Se corrigiu, rapidamente. – Esbarrei em você, na cidade?
- Esbarrou, é? – Ele repetiu, com sarcasmo.
- Isso mesmo. – Assentiu, balançando a cabeça para dar mais ênfase.
- É, Sasuke, porque ela não viu? – Naruto indagou, botando lenha na fogueira.
- Cala a boca, dobe. – Sasuke ordenou, olhando feio para o loiro. – Ela não sabia que estava sendo seguida. Não queria proteção. O pai dela é que se assegurou que se mantivesse segura. Estava seguindo-a à distância.
- Hum... Não sei não... – Duvidou.
- Ora, cale-se, Sakura. – Sasuke ordenou, irritado.
- Sakura...
- Hum? – A jovem virou-se para Hinata, surpresa por ela estar falando, quando geralmente preferia ficar calada. Lembrou-se que ainda tinha que pedir desculpas a ela pela noite anterior, quando a jogara em cima de Naruto...
- Você esqueceu de dizer al-algo importante.
- Esqueci?
- Onde entra o dragão na história dos cultistas? - Uou, uma frase sem gaguejar!
- Ah, ele... – Soltou um sorriso tão falso quanto uma nota de setenta e cinco. – Ele é o chefe dos cultistas. O sacerdote e tal. – Disse, como se fosse um detalhe insignificante.
- Pirou. – Ino murmurou, tomando um longo gole de sua bebida.
- Ora, é apenas um dragão! – Exclamou Naruto, animado.
- É apenas um dragão, é apenas um dragão... – Quase doze horas depois, Ino ainda estava resmungando. Odiava dragões. Eles não eram seres temidos à toa.
O grupo estava escondido na frente de uma caverna, de vigia. Segundo Sakura, a fantasma afirmara ser ali o esconderijo dos cultistas.
- Porque estamos esperando? Temos que ir lá e destruir o dragão para salvar a pobre donzela em perigo!
- Nem começa com essa história de donzela em perigo de novo, Naruto. – Sussurrou Sakura, rapidamente. – Da última vez a gente quase se lascou por causa disso.
- O que aconteceu? – Tenten não conseguiu evitar perguntar, curiosa.
- Bem, nós escutamos uns gritos e tinha uns...
- Quietos! – Falou Sasuke, vendo que um grupo de cultistas se aproximava de onde estavam. Quando chegaram bem próximos, Tenten fez um sinal e ramos de plantas trepadeiras se entrelaçaram neles, asfixiando-os.
Eram três cultistas. Com os outros dois que a ninfa já tinha abatido antes, eles puderam roubar as vestes e mantos, para passarem despercebidos. Hinata foi escondida dentro das vestes de Tenten.
- Certo, lembrando do plano. – Murmurou Sasuke em voz baixa, pouco antes de entrarem. – Nós vamos entrar disfarçados, resgatar a garota e só então atacar as pessoas que estiverem lá. Não poderemos atacar antes, porque podem ferir a garota. Entenderam?
- Sim! – Responderam em coro.
Entraram na caverna escura. Não deram muitos passos quando sentiram que o chão cada vez mais se inclinava para baixo. Estavam indo cada vez mais para as profundezas da terra. Um profundo breu os rodeava, quando notaram uma luz pálida mais a frente. Apressaram-se. Eram tochas nas paredes, que a partir dali iluminavam fracamente o caminho.
Continuaram caminhando, até que chegaram num grande vão. Havia cerca de cinqüenta cultistas ali dentro, ajoelhados perante a escultura de uma cobra feita de ouro maciço. Era uma câmara enorme, muito bem iluminada. Atrás da escultura havia três túneis.
- Sakura, porque seu fantasma não disse que havia tantos deles? – Ino murmurou, calando-se depois de receber um olhar feio de Sasuke. Piscou pra ele e recebeu uma cotovelada de Sakura, que assistia ao intercâmbio entre os dois.
O grupo desistiu de manter-se incólume. As vestes só serviriam se houvessem poucos cultistas. Era impossível, portanto, agir de acordo com o plano. Aproveitando-se das vestes, avançaram para atacar, usando o fator surpresa a seu favor.
A luta foi um tanto demorada e sangrenta. Pelo visto, só os mais fracos estavam ali. Magias explodiam por todo lado, e os rapazes atacavam em hesitar com suas respectivas espadas de fogo e relâmpago. Hinata mostrou-se muito útil com suas magias de ar, Ino com ataques à base de água e Tenten utilizando a terra a seu favor. Sakura, mais para trás, atacava um e outro cultista desavisado, lançando uma luz intensa para cegá-los momentaneamente ou utilizando-se da magia "assassino fantasma".
- Ótimo trabalho, garotos! – Sakura disse, vindo na direção do grupo. – Nós formamos uma bela equipe, não acham?
- Do que está falando? Você ficou o tempo todo escondida lá atrás, testuda. – Ino disse, irônica.
- Eu estava protegendo a retaguarda, está bem? A retaguarda! – Gritou indignada, agitando os braços para dar mais ênfase ao que dizia.
- Pára de gritar, eu não sou surda!
- Mas é idiota, o que dá no mesmo.
- O quêêê? Repita isso se tiver coragem!
- Sakura-chan, Ino, parem, por favor... – Hinata pediu, vendo a confusão armada.
- Deixa, Hinata. – Tenten disse, em tom de despreocupação. – Se elas se matarem, a gente pega os talismãs e segue adiante.
- O quêêê? – Sakura e Ino se voltaram para Tenten, subitamente. Esta soltou um sorriso amarelo.
- Oooops...
Ino retrucar alguma coisa quando mais uma leva de cultistas chegou pelo túnel atrás da imagem da direita.
- Meu Deus, parecem formigas! – Sakura exclamou, escondendo-se atrás de Sasuke.
- Precisaremos nos dividir. – Disse Tenten, desviando de um ataque. – Sakura e Sasuke, vocês vão pelo túnel da esquerda. Hinata, Naruto, vocês vão pelo do meio. Ino e eu ficaremos acabando com esses aqui.
O plano parecia lógico. Ino e Tenten eram do grupo as que mais tinham poder para atacar em massa, podendo lidar sem muita dificuldade com aquele grande grupo ali. Ino poderia matar boa parte afogado, e Tenten simplesmente abria a terra sob os pés dos inimigos, enterrando-os vivos. Sim, elas poderiam lidar com mais aqueles vinte cultistas.
Sasuke assentiu, puxou Sakura pelo braço e disparando algumas bolas de fogo, entrou no túnel da esquerda. Naruto hesitou, mas acabou por correr para o túnel do meio, seguindo a pequena fadinha que já ia voando e disparando magias à sua frente.
Sasuke foi em frente, praticamente arrastando Sakura consigo. A rosada suspirou, antes de puxar o braço das mãos do Uchiha. O túnel, estreito e parcialmente escuro, tinha uma curta extensão, terminando em uma câmara pequena e aparentemente vazia. Sasuke começou a voltar, e Sakura viu ali uma possibilidade para fazer o que queria.
- Hei, Sasuke, não vai falar comigo sobre... sobre... o que aconteceu ontem?
Sasuke não parou de andar, mas seu ritmo sofreu uma leve, quase imperceptível, alteração.
- Você quer conversar sobre isso agora? – Indagou, com um tom de tanta incredulidade, que Sakura ficou desconcertada e perdeu a confiança em si mesma. Começou a gaguejar, quase correndo para alcançá-lo.
- Bom... Nós na-não estivemos so-sozinhos por todo o dia... – Murmurou, tentando falar algo que tivesse sentido. – A-achei que seria uma boa hora para...
- Achou errado.
- Não precisa ser grosso. – Reclamou, parando e pondo as mãos na cintura. Sasuke não parou de andar. – Sasuke! – Gritou, irritada. Ele não parou. – Você está sendo covarde!
O moreno parou de súbito. Virou-se para ela e avançou rapidamente. Sakura sentiu vontade de recuar, mas forçou-se a ficar firme. Aquilo era importante demais para demonstrar fraqueza.
- De todas as horas inconvenientes que você poderia...
- Ah, agora eu sou inconveniente? – Sasuke praticamente bufou em resposta. Sakura não se intimidou e continuou falando. – Me beijar ontem não era inconvenien...
- Pelo amor dos deuses, estamos no meio de uma batalha, não percebeu?
- Agora vai ficar gritando comigo? – Indagou, cruzando os braços. Impaciente, Sasuke revirou os olhos.
- Você está sendo irracional, Sakura.
- E você está sendo covarde! – Retrucou, realmente zangada. – Porque não admite que queria me beijar ontem?
- Você me beijou. – Ele apontou, preciso.
- Eu estava bêbada! – Se defendeu, ruborizando. Espera, porque estava se defendendo? Decidiu partir para o ataque. – E porque você correspondeu?
- Já respondi isso uma vez. – Ele disse, respirando fundo para ganhar paciência. Mulheres! De todas as horas em que podia abordá-lo, ela tinha que escolher a pior possível!
- Não me venha com essa de "sou homem e fiz o que qualquer homem faria"! – Pôs as mãos na cintura, encarando-o. – É tão difícil assim dizer que gosta um pouquinho de mim?
Sasuke respirou fundo, antes de dizer algo que sabia que a magoaria. Inferno. Melhor que ela ficasse brava agora do que machucada por causa dele depois. Com sua voz mais fria, deu a punhalada final para encerrar aquela conversa.
- Já disse. Você é bonita. Me beijou. Fiz o que qualquer homem faria, por isso beijei você de volta. Faria isso com qualquer mulher bonita que me beijasse. A Yamanaka, por exemplo. – A garota estava cada vez mais pálida. Ignorando a dor que sentia no peito, Sasuke continuou, implacável. – É tão difícil assim de entender? Diga-me, Sakura, todas as garotas de seu mundo são tão irritantes assim ou só é você?
Sakura sentiu o ar faltar. As lágrimas encheram seus olhos, mas ela se esforçou para não chorar. Não daria essa satisfação a ele.
- Você. É. Um. Canalha.
Virou-se, e saiu correndo. Sasuke praguejou, e esperou um pouco para dar tempo a ela se acalmar antes de segui-la. No meio do caminho, porém, Sakura tropeçou e apoiou-se numa pedra para não cair. A pedra se moveu, e a parede atrás dela deslizou para o lado, revelando uma nova câmara. Sakura caiu de bunda no chão. A pesada pedra fechou-se às suas costas. Não fez esforço para se levantar.
- Canalha... – Repetiu, chorando.
- Hei, já derrubei uns quinze, e você, Tenten? - Indagou Ino, desviando de mais um ataque e disparando um jato de água das mãos no cultista mais próximo.
- Não estou contando. – A jovem ninfa respondeu, lançando uma chuva de meteoritos sobre outros três cultistas.
- Cara, você é tão chata...! – Ino riu, recebendo um ataque de adaga em cheio no braço esquerdo. Não desviou a tempo, e o sangue começou a pingar. – Droga! – Franziu a testa. – Agora você me irritou, mocinho. - Fez um gesto com a mão e uma enorme bolha d'água explodiu sobre o inimigo que ousara feri-la. – Isso! – Comemorou.
- Você realmente se diverte com isso, não? – Tenten indagou, lançando mais uma magia. Três cultistas próximos a ela foram presos por uma teia de espinhos. A ninfa estava começando a se cansar. Além disso, detestava violência.
- Claro que sim.
- Gosta mesmo de lutar? – Indagou, girando o punho e fazendo um enxame de insetos invadir o local, atacando diversos alvos ao mesmo tempo.
- Gosto de dar lições a quem merece. – Foi a resposta, surpreendentemente nobre e heróica. Ao menos, seria, se Ino não tivesse completado: – Seja dando-lhes uma surra ou roubando suas carteiras.
Tenten parou de lutar por um instante, para olhar a sereia.
- Você é doida.
- Diz uma novidade! – Ino riu. Uma nova leva de cultistas chegou, avançando rapidamente para substituir os anteriores.
- Minha nossa, quantos deles há?
- Não importa. - Ino esticou o braço e mais uma bola de água surgiu. – Ceeeeerto, venham brincar, otários!
- Porque uma garota tão linda está chorando? Eles feriram você?
Sakura pulou do lugar de onde estava e se virou, vendo um homem lindo de morrer observá-la com um ar compreensivo. Ele estava amarrado pelos pulsos por cordas grossas fixas na parede. Olhando pela primeira vez o lugar onde estava, notou que era uma espécie de calabouço. O ar era pesado e fedia a mofo. Parecia viciado, por não ter por onde circular. Será que a jovem a ser sacrificada estivera presa ali também?
Limpando as lágrimas com as costas das mãos, aproximou-se um pouco do prisioneiro. Céus, ele era lindo! Certo que ela gostava – mais do que gostaria até – de Sasuke, mas não era cega. Uia... Que pedaço de homem! Cabelos negros e longos, na altura dos ombros servia como uma perfeita moldura para o rosto espetacularmente bonito. Olhos verdes inquisitivos, nariz afilado e aristocrático, covinha no queixo. Os braços mostravam músculos bem desenvolvidos. Muito provavelmente havia um belo tanquinho embaixo da blusa rasgada...
- Opa. – Sakura fechou a boca, para evitar que a baba escorresse. Obvio que tinha que encontrar um deus daquele quando tinha o nariz vermelho e estivera chorando por outro cara. O pior é que mesmo vendo aquele homem lindo, ele não fazia seu coração bater mais rápido como Sasuke fazia. Ora, já estava pensando em Sasuke outra vez. Suspirou.
- Porque está aí? O que fizeram com você? – Indagou, enquanto se aproximava dele para tentar soltá-lo.
- Tentei resgatar a jovem garota. – Ele respondeu, dando de ombros. Olha aí, a voz baixa, profunda e sexy, outra vez. Mas ele não fazia seu coração bater. Era mesmo uma pena. Franziu a testa, tentando soltá-lo. A corda estava com um nó muito apertado. Se inclinou ainda mais, e conseguiu cair no colo dele. Corou. Depois de algum esforço, finalmente atingiu seu objetivo.
- Pronto, você está livre! – Anunciou, sorridente! Afastou-se, antes que outra catástrofe acontecesse e ela mais uma vez lhe caísse em cima. Daqui a pouco, o homem iria processá-la por assédio sexual. – Agora talvez possa ajudar a mim e a meu grupo na missão de resgate. – Virou-se na direção de onde a parede se fechara, procurando uma fissura para abrir a passagem. – Só precisamos sair daqui...
- Sinto, mas você não vai a lugar algum.
Sakura virou-se bruscamente.
- Olha, não estou com humor para brincadeiras... – Ele apenas ficou olhando-a, com um sorriso malicioso nos lábios. – De repente, lembrou-se quando Iruka-sensei contara a história de Naruto. "Dragões podem, aqui em Konoha, assumir uma forma humanóide, Sakura. A do pai de Naruto era a de um belo elfo". – Tá de brinks... – Murmurou, piscando furiosamente. – Você não é o... – O bonito homem somente sorriu. – Isso foi traição!
- Sou sacerdote de Sszzaas. – Ele respondeu. Sszzaas. Deus da Traição. "É, faz sentido", Sakura pensou, engolindo em seco.
- Ok, Houston, we have a problem...
- Espera, Hinata-chan! – Naruto gritou enquanto se esforçava para alcançar a fadinha, que voava veloz à sua frente. Hinata se forçou a diminuir o ritmo, embora temesse um pouco ficar a sós com ele. Não sabia muito bem o que dizer. – Está empolgada para lutar? – Ele indagou, sorrindo. – Deixa alguns pra mim, dattebayo!
- Ah... si-sim. – Sorriu. Impossível ficar desconfortável com Naruto por perto.
- Você é boa para caramba com magia, Hinata-chan! O que você fez lá atrás foi incrível! Deixou todos eles desorientados!
- È uma ma-magia chamada estrondo sônico... – Explicou, humilde.
- Incrível! – Repetiu. Parou de falar ao encontrar seis cultistas guardando uma porta ao fim do túnel. Hinata fez um gesto com as mãos e uma rajada de vento extremamente rápida lançou dois dos cultistas contra a parede. Eles bateram violentamente com a cabeça na superfície pedrosa e desmaiaram.
Dois cultistas guardaram a porta, enquanto os outros dois avançaram sobre Naruto. O guardião do relâmpago cortou um deles com sua espada, mas foi jogado longe por um punho de pedra que surgiu da parede.
O outro era um mago! Sabendo que Naruto não tinha completo domínio de suas magias, Hinata avançou na direção do mago.
- Naruto-kun, deixe esse comigo!
Naruto assentiu. Avançou na direção dos outros dois e com dois movimentos rápidos, deixou-os desacordados. A um sinal de Hinata, seguiu em frente. A fada focou-se em seu adversário. Não seria uma luta fácil.
- Vai me enfrentar, pequenina? – O mago riu, arrogante. Hinata não respondeu, apenas conjurou uma magia e uma névoa espessa tomou conta do local. – Hum... interessante... Mas não o suficiente.
O mago murmurou algumas palavras e algumas pedras do chão se ergueram, sendo lançadas em todas as direções. Hinata criou uma muralha de ar, desviando de todas elas. Mais um gesto de mão do mago, e a terra do teto começou a pingar e despencar aos poucos, como se fosse lama. Hinata desviou como pôde dos respingos, mas acabou sendo atingida em cheio por um deles. Suas asas ficaram pesadas e não conseguiu se manter no ar. Estava caindo quando o mago fez saírem estacas pontiagudas de pedra do chão. Antes de bater nelas, Hinata conjurou uma magia que a deixou numa forma gasosa, e simplesmente atravessou as estacas, sem sofrer danos.
HInata respirou fundo, criou uma bolha de ar ao redor de sua cabeça, e se concentrou. O ar ao redor deles foi ficando cada vez mais pestilento.
- O que está fazendo? – O mago disparou pedras e mais pedras na direção da jovem fada. O ar estava irrespirável. Caiu de joelhos. – O que... está... – Desmaiou.
Depois de descobrir que havia liberado o dragão que queriam derrotar, Sakura tentara fugir, mas ele a pegara com facilidade e a levara para uma pequena câmara por uma outra passagem por trás da parede onde esteva falsamente preso. Lá estava uma pequena jovem, de uns oito anos de idade, deitada no centro de um altar.
- Posso matá-la? – Um dos cultistas avançou, com a espada em riste, quando o dragão largou Sakura sem muito cuidado num canto.
- Não, preciso da garota viva. Amarrem-na.
Hum, informação importante. Ele não ia matá-la. Queria nem saber por que não, tinha medo de descobrir. Mas como ele não ia matá-la, ia aproveitar para incomodá-los e extravasar sua raiva. Ainda estava furiosa com Sasuke. Queria descontar em alguém.
Um dos cultistas avançou para cumprir a ordem.
– Tire as mãos de mim ou farei um feitiço que fará com que sua extremidade mais apreciada se encolha e caia. – Ameaçou, com desprezo na voz. O cultista hesitou, mas o líder deles fez um gesto e o cultista à sua esquerda foi em frente e amarrou-a. Após vê-la amarrada, o dragão saiu da pequena câmera outra vez.
- É melhor me soltarem, seus idiotas, porque quando o meu grupo chegar, eles se deliciarão abrindo-os lentamente para que eu possa ver suas quentes e sangrentas vísceras sair uma a uma! – Sakura gritou, satisfeita com a frase de efeito. Segura como estava de que não poderia ser morta, decidiu continuar a incomodar aqueles cultistas subordinados.
- Uma imagem muito alentadora, sim senhor — comentou o cultista que a amarrara, com um toque de diversão na voz. – Alguma vez realmente viu como eles fazem isto?
- Dúzias de vezes! – Sakura retrucou — Depois eles te esfolarão, cortarão em pedaços e jogarão para ser comido pelos lobos!
- Bem, isso não tem muito sentido. — Ele observou, fazendo um gesto negativo com a cabeça — Por que eles irão se preocupar em me esfolar, se vão me cortar em pedaços?
- Farão por que... Por que... Porque me divertirá ver! — Respondeu, sem se importar com a lógica. Sem noção do perigo, continuou ameaçando: – Meu grupo irá amassar todos os ossos de seus corpos, seus raptores de mulheres indefesas! Logo tirarão os seus olhos e farão mingau...!
- É mesmo? – O cultista ainda parecia divertido.
- Sim! Eles te farão em migalhas e jogará suas rançosas e fedidas vísceras às rãs!
- Querida - interrompeu ele - acredito que você queria dizer cães e não rãs. Quanto tempo supõe que levaria para um montão de rãs comerem um homem? Anos!
- Isso é o que faz a ameaça tão espantosa! – Explicou Sakura. – Todas essas criaturas verdes e viscosas saltando dentro e fora...
- CALADA! – Gritou um dos cultistas, irritado com a faladeira. - Mas que INFERNO! Alguém cale essa garota!
Sakura não hesitou:
- Eles irão triturar seus órgãos até fazê-los picadinho...
- JÁ!
- ... seus infames, hipócritas e bastar... Muummnmnmnmmnmnmm. – Sakura fulminava o homem com o olhar, furiosa por ter um pedaço de pano puído na boca. – Muuummnum. Mumnmnmmnmn.
- Ah, finalmente, silêncio!
O cultista sorriu.
Naruto avançou, espada em riste. Estava preocupado com Hinata e com os outros. Queria salvar logo a pobre mocinha que estava prestes a ser sacrificada, pegar o dinheiro e, principalmente, ir numa taverna comer alguma coisa. Estava morrendo de fome.
A sala em que estava era de tamanho mediano, e estava repleta de tesouros. Muito ouro, muitos baús cheios até a boca de moedas, jóias e pedras preciosas. Ficou de queixo caído. Correu para um dos baús, e no instante em que tocou nele, uma saraivada de flechas envenenadas dispararam na direção dele. Naruto desviou delas, rapidamente.
- Parece que seu lado humano é bastante ativo. – Naruto ergueu a espada na direção da voz. Um homem, de cabelos negros e expressão penetrante estava encostando numa das paredes. – Geralmente, o lado dragão é mais atuante.
Naruto levantou uma sobrancelha, sem entender o que aquele cara estava falando. Mas não precisou pedir explicações. Sua metade dragão reconhecera o inimigo como igual. Esse era o dragão que viera matar.
- Hei, finalmente. Prepare-se, dragão, porque você vai morrer! – Gritou, animado. Ergueu as mãos, e uma série de relâmpagos caíram por todo lugar. O dragão desviou de todos, sem muito esforço.
- É só isso que sabe fazer? – Perguntou, aparentando tédio. – Esperava mais do filho do grande Namikaze Minato...
- Conheceu meu pai?
- Se o conheci? – Sorriu. – Eu o matei.
... continua...
Prévia do próximo capítulo " A cidade dos céus ":
Um homem pálido, de longos cabelos negros e olhos rasgados e de íris amarelas estava sentado, folheando satisfeito um velho grimório prateado. Faltava pouco para que pudesse concluir seu plano. Muito pouco.
- Senhor, novas notícias. – Orochimaru fechou o grimório e olhou para o tolo subordinado que ousara interromper suas divagações. O licantropo tremeu sob o olhar desaprovador de seu mestre. Desatou a falar, rapidamente: - Temos um dos guardiões em nosso poder.
Um sorriso de puro prazer surgiu nos lábios do temido necromante. O licantropo suspirou aliviado.
- Excelente... – Fez um gesto com as mãos, e chamas negras queimaram o licantropo, até que este virasse pó. Não tolerava fracos. – Realmente, ótimas noticias...
N/A: Oi, povo bunito! Antes que pensem ou me xinguem nas reviews, vou logo avisando: é, eu tenho muita cara de pau mesmo para voltar depois de tanto tempo! XD. Sobra óleo de peroba, falta tempo para escrever mais rápido. ME PERDOEM! u.u
Ah, talvez alguns de vocês possam achar a reação de Hinata ao beijo exagerada, mas eu encaro que o beijo foi a gota d'água para uma jovenzinha tão insegura de si mesma. Ela ficou com medo do que o beijo poderia fazer para a relação dela com Naruto, uma relação que ela acreditava ser preciosa demais para perder. Era uma cena necessária para o amadurecimento da personagem.
Peço, mais uma vez, desculpas pela demora. Vou tentar atualizar com mais freqüência, especialmente agora que estou de férias (Viva!). Vou tentar atualizar com diariamente o blog também. O endereço é http:/ ficartimanhas do destino . blogspot. com/ (tirem os espaços). Lá trago coisas sobre a fic, como desenhos e cenas cortadas; e falo um pouco sobre o universo dos animes e mangás também. Dêem uma passadinha lá e me sigam! Ah, criei um twitter, então quem quiser me seguir, é maya_renata.
Então, o dragão acabou de revelar que matou o pai de Naruto, será que finalmente o nosso querido guardião vai saber algo mais sobre seu papai? Como ficará a relação entre o Sasuke e Sakura? E quem será o guardião em poder de Orochimaru? Isso vocês só vão sabem no próximo capítulo de Artimanhas do Destino, "A Cidade dos Céus".
Até lá!
P.s.: Cheguei às 200 REVIEWS! OBRIGADA A TODOS! Isso me deixa muito, mas muito feliz e orgulhosa!
Referências do capítulo
1 – Todo desabafo de Hinata foi inspirado num mangá muito fofo, chamado Koko Ni Iru Yo, de Tooyama Ema. É realmente ótimo! Tem outro mangá dessa autora, chamado Watashi ni xx Shinasai, que me fez dar altas gargalhadas. Aconselho a leitura. Vocês podem ler no blog http:/ toshiwayume. blogspot. com / (tirem os espaços).
2 – Até tu, brutus? É uma frase muito parodiada que é atribuída a Júlio César, imperador Romano que, no século I antes de Cristo, foi vítima de um complô para tirá-lo do cargo. Entre os que agiram contra ele estava seu filho adotivo, Marcus Brutus. (Viu, fanfic também é cultura!)
3 – "Eu vejo gente morta. – Com que freqüência? – O tempo todo...". Essa é clássica, preciso dizer mesmo de onde é? Pra quem não souber, crie vergonha e vá locar/baixar o clássico O Sexto Sentido...
4 – Sszzaas é o Deus da Traição no HQ Holy Avenger.
5 – "Houston, we have a problem" (Houston, nós temos um problema). Outro clássico, do filme "Apollo".
6 – A maioria das magias descritas neste capítulo foram tiradas de variados manuais de RPG. D&D e 3D&T, principalmente.
Resposta às reviews
P.s: Mandei resposta às reviews de quem tem conta aqui para suas respectivas contas, então aqui só estão as respostas de quem não tem conta neste site. As respostas continuam por ordem de chegada...
Hana Haruno Uchiha ou HaNa-S2: Oi! Sinto mais uma vez, e como sempre, pela demora! Cara, o tempo passa rápido demais, infelizmente! Favor não tente me matar! Ashuahsuahsuahsuhauhsua! Pois é, demora a ter beijo, mas quando ponho, é pra deixar todo mundo feliz! Acho o Sasuke Kawai também! Obrigada pelo incentivo quanto à meu emprego, (in)felizmente trabalho tanto quanto no outro... XD Quero ver seus desenhos! Quando puder, mandar pra mim, ta? Bjão!
may-chan: Oi! Fico extremamente feliz que você esteja gostando da fic! Muitíssimo obrigada por todos os seus elogios! ^^ Gosto muito da minha Sakura cômica também, geralmente rio sozinha quando estou escrevendo (sim, sou meio doida). Espero que não tenha tido nenhuma sincope cardíaca por minha causa! Asuahsuahsuahsuahsasa Bjão, xará!
Pathziinha: Oi! Fico muito feliz que você tenha escrito um comentário! Fico extremamente feliz e orgulhosa por estar no seu top 10 também! Infelizmente, não consegui ver seu msn, porque esse site corta endereços de email e site. Você pode colocar com espaços entre o endereço, que assim eu consigo ver e adiciono! Bjão!
Liv: Oi! Desculpa pela demora! Acredite eu que escrevi sempre releio e acho graça também... ^^ Bjão!
dai-cham: Oi! Obrigada por todas as suas reviews! Sinto pela demora, mesmo! Espero que não tenha tido nenhum ataque do coração, pelomordedeus! Ahsuahsuahsuahsua Sim, o Yumichika é de Bleach. Outro anime que adoro! Bjão!
Nenis: Oi! Sinto pela demora, mesmo! Fico muito feliz que você ame a fic! Eu amo escrevê-la, e demorei muito desta vez! Bjão!
HiroshimaHatake: Oi! Fico muito feliz que você tenha escrito um comentário! Obrigada pelo seu elogio! E mil desculpas mesmo pela demora! Bjão!
erika ramos: Oi! Não abandonei a fic não, ta? Ela vai ter fim, só não sei quando... asuahsuashuashaushauashuash Sinto muito pela demora! ! Bjão! Ah, ADORO o olhar pidão do gato de botas!
* Participe da Campanha: DEIXE UMA REVIEW E FAÇA UMA FICWRITER FELIZ!
* Estou participando da: ATUALIZE LOGO, E FAÇA UM MONTE DE LEITORES FELIZES!
