Arcanjos enlouquecidos, mortais indecisos

Capítulo XII

Já era tarde quando Hyoga em fim voltou ao apartamento, assim que ouviu o barulho da campainha, Shun correu com o coração aos pulos, hesitou ainda antes de abrir a porta e ficou meio sem jeito ao perceber que o amado estava acompanhado.

- Hyoga, quem são eles? - perguntou direto, ruborizando um pouco, pois o homem moreno que o olhou parecia ler dentro de sua alma.

- Eu também gostaria de saber – respondeu o russo com indiferença passando pelo rapaz e entrando no apartamento.

- Não se importe – piscou Milo para o jovem de olhos verdes e entrando também com uma sacola.

- Onde está o Shaka? - perguntou Camus fazendo o mesmo.

- E-ele deve está com meu irmão, no quarto – gaguejou o adolescente e os anjos se entreolharam.

- Vou tirá-lo de lá, agora! - disse Camus já andando em direção ao quarto, porém, Milo o segurou pelo braço.

- Relaxa, Camus, assim vai assustar os garotos! - reclamou baixinho.

- Mas, Milo, você não ouviu? Eles estão no quarto!

- O que vocês são do Shaka? - perguntou Shun curioso.

- Eh... Irmãos! - disse Milo – mais velhos, somos os irmãos mais velhos do Shaka.

- Vocês nem se parecem! - sorriu Shun com ironia.

- Família miscigenada é assim mesmo, tem espanhol, grego, indiano, todo tipo que você possa imaginar! - riu Milo sem jeito coçando a cabeça.

- E todos loucos, meu Deus! - Volveu o adolescente, mas, estava triste, Hyoga havia voltando para a sala, porém estava conversando com o outro homem de cabelos azulados e não lhe dava a mínima atenção.

Shun resolveu deixar o moreno e se aproximar dos dois.

- Algum problema? - perguntou sem conseguir esconder o ciúme.

- Não, Shun, acho que não os apresentei, esse é o Camus e aquele é o Milo, o Camus salvou minha vida ontem a noite.

- S-salvou sua vida... Mas... O que?

- Eu bebi demais e quase fui atropelado por um ônibus – disse o louro sem jeito.

- Bebeu demais? - indagou Shun chocado – por minha causa?

- Não se superestime, Shun – falou o russo friamente – a partir de ontem o que faço não tem mais nada a ver com você, como você mesmo disse, acabou!

- Hyoga, eu...

- Ah, agora você tem alguma coisa pra me dizer? - cruzou os braços com ironia – mas é tarde, não quero ouvir nada de você.

- Você tem razão – disse o Amamiya mais novo vencido – eu não tenho nada a dizer, é melhor assim.

- Sim, é melhor, amanhã mesmo voltarei para Paris, vou cuidar da minha vida, com licença!

Ele se afastou em direção ao quarto e Shun olhou para Camus ruborizado de raiva, os olhos marejados.

- O que você tem com o Hyoga? - perguntou e o anjo olhou dentro dos olhos verdes do garoto e nesse momento a mente de Shun conseguiu entender tudo. Olhou para Milo, os mesmos olhos e se lembrou de Shaka.

- V-vocês... Não são... – o rapaz empalideceu.

- Não temais, somos da parte do senhor! - sorriu Milo se aproximando dele, mas o garoto começou a andar pra trás apavorado.

- Ah, Camus, eu sabia que um dia isso aconteceria! - reclamou Milo avançando na direção de Shun, que saiu correndo.

- Ikkiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! - gritou o mais novo entrando correndo no quarto do irmão e se enfiando embaixo do edredom, onde Shaka dormia, assim que viu que era o louro que estava ali, pulou da cama se encostando à parede.

- O que foi, Shun? - perguntou Ikki sobressaltado saindo do banheiro enrolado numa toalha e com o rosto coberto por creme de barbear – que escândalo é esse?

- Ikki, tem dois alienígenas, vampiros ou seja lá o que for, na sala, e o Shaka é um deles! - gritou o rapaz.

"Senhor, porque não para de me enviar arcanjos?" pensou Ikki cansado.

- Não é nada disso, Shun! - falou se aproximando do irmão e nesse momento, Camus e Milo entraram no quarto, vendo Shaka que dormia seminu na cama.

- Ah, seu tarado, então vocês já...- Camus disse indignado.

- Já? - perguntou Milo esperançoso, recebendo uma negativa muda de Ikki.

- Ainda não? - foi a vez de Shun, decepcionado.

- Negando fogo ainda, Ikki? - Hyoga também apareceu rindo no quarto.

- CALEM A BOCA TODOS VOCÊS! - gritou o Amamiya mais velho – saiam todos do meu quarto, todos!

- Mas, Ikki...

- Fora, Shun, você também e não precisa ter medo, eles são inofensivos, eu acho – tornou e todos obedeceram praguejando.

Ikki respirou fundo enquanto via Shaka começar a despertar.

- Ai, Ikki, porque você está gritando novamente? - perguntou o louro.

- Porque tem uma convenção de arcanjos, aí fora! - disse nervoso – e o pior é que o Shun, já descobriu que vocês não são bem... Humanos, se é que entende o que eu digo!

- Ah, ele percebeu o Camus e o Milo, também? - perguntou o louro sentando na cama – tem mais algum arcanjo além deles?

- Graças a deus não ou graças a ele sim, sei lá! - disse Ikki – mas, teremos que contar a verdade ao Shun, não quero meu irmão achando que é louco ou coisa parecida.

- Ele tem que saber, mas o que eu gostaria de saber agora mesmo é porque o Camus e o Milo vieram pra cá – tornou o anjo pulando da cama – vou falar com eles!

- Não acha melhor vestir algo antes? - ironizou Ikki e Shaka percebeu que estava só com uma samba canção azul.

- É mesmo preciso? Estou com calor!

- Shaka, você já me viu sair pra falar com alguém, de cuecas?

- Não...

- Então, faça o mesmo, vista uma roupa!

- Não fale comigo como se eu fosse seu filho, eu sou dois mil anos mais velho que você! - reclamou o anjo.

- Não brinca? - Riu o moreno – então pare de se comportar como uma criança.

Shaka caminhou até ele, segurou-lhe o queixo e lhe deu um beijo ardente, a língua percorrendo a boca do executivo sensualmente. Quando deixou os lábios dele, Ikki estava ofegante e atônito.

O anjo sorriu com malícia.

- Crianças não beijam assim, não é? Perguntou se afastando e começando a se vestir com uma calça e uma camisa que tirou de dentro do closet.

Ikki ainda ficou um tempo aturdido, até uma indagação brilhar em sua mente.

- Shaka, onde você aprendeu beijar assim? - Perguntou enciumado – foi com o Kanon, ontem à noite? Eu não acredito, você é um anjo muito do... Do... Vadio!

Shaka terminou de se vestir e olhou o moreno.

- Vadio não é bom! - disse e foi pra sala, tempo depois, Ikki o seguiu, vendo-o se atirar nos braços de Milo num abraço caloroso, ficando ainda mais possesso.

- Porque vieram? - perguntou o arcanjo da paz curioso – você me disse que não viria, Milo, até que eu ligasse.

- Viemos impedi-lo de fazer uma bobagem! - Disse Camus puxando o louro pelo braço.

- Nada disso, viemos impedi-lo de não fazer essa bobagem! - Tornou Milo puxando o outro braço do anjo.

- Solta ele, Milo, você está louco se pense que conseguirá me fazer mortal! - Bradou o arcanjo das águas.

- Você que está louco, se pensa que eu vou voltar pra aquele marasmo do Olimpo! - Gritou o arcanjo da guerra enquanto esticava Shaka pra si.

- Me soltem, vocês vão me partir ao meio! - Gritou o louro livrando os braços – o que está acontecendo com vocês?!

Milo fez sinal para que Camus não contasse.

- Nada, só viemos ajudá-lo, pelo visto você está precisando – falou Camus olhando para Ikki que chegava à sala vestido num short branco, e Shun que estava encolhido no sofá.

Shaka se libertou das mãos dos arcanjos e se aproximou do Amamiya mais jovem.

- Shun, não precisa ter medo de nós – disse e sussurrou ao ouvido dele – somos anjos.

O jovem olhou dentro dos olhos azuis do outro.

- Então é verdade? - perguntou e Shaka assentiu com a cabeça.

- Mas, porque vocês estão aqui então? Não era pra vocês terem asas, serem puros e coisa do tipo?

- Você andou vendo filmes demais! - Falou Milo que se aproximava.

O rapaz olhou para os três belos homens e depois para o irmão.

- Você sabia?

- Sim – respondeu Ikki. – Não precisa ficar assustado, irmão.

- Não estou assustado, acho que... Já sabia – suspirou o mais jovem – mas, o que vocês vieram fazer aqui?

- Resolver a vida de vocês, é isso que sempre fazemos! - disse Milo sentando no sofá com as mãos cruzadas atrás da cabeça.

- Vem cá, Ikki! - Shun se levantou e puxou o irmão pelo braço para a sacada do apartamento.

- Ikki, então o Shaka é um anjo?

- Shun, o que mais me choca é você não ficar nem um pouco chocado com essa informação.

- Ah, desculpe, irmão, mas não sou de ficar chocado com essas coisas, porque sempre acreditei nelas, mas o que me preocupa é a relação de vocês dois.

- Não há relação nenhuma, Shun – disse Ikki corando – podemos dormir no mesmo quarto e na mesma cama, mas... Eu nunca toquei nele.

- Por quê?

- Porque eu simplesmente, não posso! - Confessou Ikki corado ainda mais – eu... Eu... Bem, eu não sei o que está acontecendo comigo, mas me sinto um aproveitador cada vez que me aproximo dele.

- Meu irmão, você está apaixonado – sorriu Shun – eu nunca o vi assim e logo por um homem, nunca imaginei.

- Se ele fosse um homem, seria bem mais fácil, Shun, ele é um anjo e anjos...

- Não transam? É isso que diria? – Perguntou o Amamiya mais jovem puxando o irmão pelo braço para que olhasse Camus e Milo que trocavam carinhosos selinhos. O primeiro parecia reclamar de alguma coisa e o segundo parecia tentar convencê-lo do contrário.

- O que você me diz daquilo ali? - Continuou Shun e Ikki deu de ombros.

- Shaka me disse que esses dois há muito visitam a terra, é por isso, mas ele não, você mesmo sabe o quanto ele é inocente e além do mais...

Ikki se jogou numa cadeira, observando a paisagem com tristeza.

- Além do mais o quê, irmão?

- Ele vai embora, Shun, a missão dele aqui era nos reaproximar e que eu...- se interrompeu com um suspiro – que eu deixasse de ser tão egoísta, só isso, em parte ele já conseguiu o que queria, então, logo...

Shun observava pasmado as lágrimas que começavam a se formar nos olhos azuis safira do irmão; não podia acreditar, aquele era o seu irmão? O machão que nunca chorava, nunca se emocionava e que agora, se mostrava tão triste somente por que alguém partiria?

Em parte ficou feliz, mas também preocupado, entendia que seria duro demais para ele perder Shaka e não queria ver Ikki sofrer, agora sabia que toda a mudança no comportamento dele, se devia ao anjo, Shaka o havia ajudado a voltar a ser quem ele realmente era.

- Eu não vou deixá-lo ir embora, irmão! - Disse Shun decidido.

- Shun, você nada pode fazer, ele quer ir embora, ele não quer ficar comigo.

- Então o convença a ficar, o que está acontecendo com você, Ikki? Sempre tão seguro, tão destemido, agora está com medo de alguém como Shaka? Alguém que se comporta como uma criança e que você pode facilmente manipular?

- As coisas não são bem assim, Shun, não se engane com toda a ingenuidade e pureza daquele anjo, ele é determinado, pode ser muito ingênuo em relação a sentimentos, contudo sabe o que quer e fala o tempo todo que sua missão é ser um anjo; é manter a paz na terra e não tem nada que eu possa fazer pra convencê-lo a ficar.

- Talvez, eles possam ajudar – disse o mais jovem apontando para os enamorados arcanjos na sala. Fitou o rosto sério de Camus e depois o mais descontraído de Milo.

- Talvez, ele possa nos ajudar – Apontou sorrindo para o moreno.

- Shun, vamos esquecer isso certo? Já lhe disse que ele não quer ficar e nada podemos fazer, que tal ao invés de se preocupar comigo, você começar a tratar da sua vida com o Pato?

Shun baixou a cabeça triste.

- Ah, irmão, não existe mais "minha vida com o Hyoga", já lhe falei, não pode mais existir, eu... Eu não o mereço.

- E eu já disse pra tirar essas coisas da sua cabeça, você merece o melhor, pare de se culpar ou terei que levá-lo a um psicólogo. Reclamou Ikki zangado, e Shun empalideceu, sabia quando o irmão falava sério e tudo que não queria era ter que falar do seu problema para outras pessoas.

- E se eu disser que não gosto mais dele?

- Você sempre foi péssimo mentiroso, Shun! – tornou o moreno voltando para dentro da casa e olhando Shaka que parecia preparar um sanduíche na cozinha.

- E então? - Perguntou para os dois arcanjos, cruzando os braços – vocês vão se hospedar aqui também? O céu deve está lotado essa época do ano, não?

- Não adianta suas ironias, ficaremos até o Shaka partir – disse Camus – ou o levaremos conosco se formos embora.

- Quem você pensa que é? - Perguntou Ikki irritado – ele é meu anjo e não...

- Eu sou o poderoso Arcanjo das Águas, que possui total poder sobre esse elemento e...

- Cala a boca! - Disse Milo dando um tapa na cabeça do amante, Camus se virou pra ele possesso.

- Como ousa...

- Como ousa você, falar tanta besteira? - Perguntou o moreno irritado – você acha que ele está mesmo preocupado com isso? Além do mais, agora não somos nada além de mortais, se você quiser lutar com ele, vai tomar uma baita surra!

- Eu? - Riu Camus – jamais perderia para esse aí, se esquece que somos superiores a ele? Eu sou um dos doze arcanjos sagrados, ele é só um ser humano!

- Um ser humano que no mínimo malha todo dia – disse Milo examinando o corpo de Ikki – e que com certeza faz alguma arte marcial, contra um arcanjo que nunca levantou um dedo contra ninguém? Sou mais ele, amor!

Camus enrubesceu de raiva.

- Milo, como ousa? Está dizendo que esse humano é mais poderoso que eu?

- Não foi isso que eu falei.

- Falou sim, e ainda o cobiçou que eu vi!

- Ah, Camus, você está se tornando possessivo, eu não estava cobiçando, só ANALISANDO, entendeu?

- Milo, eu ainda te mato!

-De qualquer forma, vocês não vão brigar, certo?

- Não pretendo brigar com vocês! - Deu de ombro Ikki.

- Não?

- Não, podem ficar, sei que não desistirão do que querem por minha causa, seja lá o que queiram.

O Amamiya mais velho estava cansado de tanta confusão, além do mais, havia a prometida noite de amor com o anjo e isso o preocupava mais que a visita dos arcanjos, não quis comentar com o irmão essa novidade, mas estava meio apreensivo, será que conseguiria? Porque aquela sensação não lhe abandonava?

Olhou para os dois arcanjos de cabelos azulados, eles pareciam tão apaixonados e tão... Tarados! Ikki balançou a cabeça, definitivamente não deixaria Shaka a mercê dos dois de forma alguma.

Aioros caiu na terra, mas dessa vez teve sorte, sua queda foi amparada.

- Ah, que bom que não machuquei meu traseiro, dessa vez! -Exclamou arrumando seu arco dourado e suas flechas – que bom que dessa vez pelo menos, terei alguns poderes, hum... Da última vez mamãe me tirou tudo, só porque me engracei com aquela garota.

- Quer sair de cima de mim, Aioros! - Ele ouviu aquela voz grave e olhou para baixo, estava sentado nas costas de outro homem.

- Shura? - Exclamou o anjo – o que você está fazendo aqui?

- O oposto de você, agora dar licença? - Pediu o arcanjo moreno e o outro saiu de suas costas, ele então se levantou e sacudiu a toga dourada e curta.

- Os deuses deveriam ter melhores modos para nos enviar a terra, ai! - Gemeu acariciando as costas machucadas.

- Ah, desculpa, não sabia que viria comigo – disse Aioros sem jeito.

- Eu não vim com você, acorda! - Reclamou o moreno – eu vim a serviço de Zeus e Atena e você veio a serviço de Afrodite e Hades, logo, somos inimigos aqui embaixo.

Os olhos de Aioros marejaram e Shura o olhou pasmado.

- Aioros, você... Você está...

- Ah, Shurinha! O arcanjo do amor abraçou o outro chorando desesperado – eu não quero ser seu inimigo, você é meu melhor amigo, porque fizeram isso com a gente!

- Para Aioros, se recomponha, somos arcanjos e devemos obedecer aos deuses!

- Eu não vou obedecer se for pra ficar contra você, você sabe que eu te amo! - Aioros beijou os lábios do outro ardentemente, enquanto Shura tentava se livrar de seus braços.

- O que é isso, Aioros? Como se atreve a me beijar igual aos mortais! - Reclamou o moreno – Isso deve está virando febre entre os arcanjos!

- Ah, desculpa, esqueci que você nunca esteve na terra, é que... Ficamos diferentes quando chegamos aqui, logo você vai perceber – Sorriu amarelo o homem de cabelos castanhos.

- Diferente como? - Perguntou Shura curioso e Aioros olhou o rosto sério do outro, de todos os arcanjos, Shura e Saga eram os mais austeros.

- Acho melhor, você descobrir sozinho – sorriu malicioso Aioros – Bem, agora estou indo, tenho um serviçinho para realizar.

- Sei muito bem qual é esse seu serviçinho, Aioros, só que dessa vez, estou aqui para impedir!

- Então que vença o melhor! Disse Aioros desaparecendo.

- Isso mesmo, que vença o melhor! Concordou Shura fazendo o mesmo.

Shun olhava a noite na sacada, as luzes da cidade pareciam lágrimas para ele, estava se sentindo tão sozinho, apesar de ter se reconciliado com o irmão; ser tratado com indiferença por Hyoga doía demais e lhe trazia aquele velho sentimento de incapacidade e fracasso.

Sentia vontade de saltar daquela sacada e acabar com tudo de uma vez.

- Sai de perto dele! - Ele ouviu a voz de Shaka atrás de si e virou-se; percebeu que os olhos do anjo brilhavam furiosos, mas não entendia porque, ele não o olhava, mirava em outro ponto.

- Já lhe disse que mais cedo ou mais tarde ele será meu – respondeu a Kere* com ironia. – As Harpias de Tífon falharam, arcanjo, mas eu não falharei, essa é minha natureza.

- Você falhará sim, sei que é sua natureza, mas não permitirei que esse rapaz continue atraindo espíritos como você, porque está aqui? Sabe que não pode pisar o mesmo solo que um arcanjo sagrado!

- Tédio, meu caro arcanjo, estou aqui porque estava entediada, e o que os deuses fazem quando estão entediados? Apostam com as vidas mortais ou mesmo com as celestiais, veja seu caso.

- Meu caso? O que quer dizer?

A mulher de cabelos vermelhos sorriu:

- Pergunte aos deuses e não a mim, de qualquer forma a minha intenção aqui é outra e não é por causa de apostas divinas, minha natureza é cercar possíveis suicidas e você sabe disso.

- Você não convencerá o Shun a se matar, eu não vou...

- Shaka, com quem você está falando? - Perguntou o rapaz, fazendo o arcanjo se dar conta da sua presença. A Kere desapareceu.

- Ah, com ninguém, Shun, mas você precisa tirar essas idéias da cabeça, por favor, se não continuará atraindo todo o tipo de demônio.

O rapaz arregalou os olhos verdes.

- A-aquele homem que eu vi no laboratório e no bar, era um demônio? Perguntou e Shaka assentiu com a cabeça.

- Eles geralmente acompanham os crimes violentos e as sensações de medo muito intensos nos seres humanos, por isso ele estava lá naquela noite, você estava com muito medo...

- Sim, eu estava – disse o jovem suspirando com tristeza – mas agora não estou com medo, então...

- Quem estava aqui dessa vez não foi ele, foi outro, aqueles que acompanham as mortes fora da hora, porque novamente você estava pensando em tirar a própria vida Shun.

O rapaz enrubesceu.

- Eu... Desculpa, Shaka, por lhe dar trabalho – pediu e o anjo sentou numa cadeira à sua frente.

- Shun, eu não poderei ficar aqui o tempo todo para protegê-lo, você tem que ser forte e se recuperar.

- Shaka, você não pode ir embora! - Reclamou Shun enfático e o anjo ficou sem entender.

- Shun, você sabe que eu não posso ficar aqui, aqui não é o meu lugar.

- Dane-se! - Disse o rapaz irritado – se não é seu lugar, não deveria ter vindo, não é justo que agora que o Ikki está apaixonado por você, você o deixe!

O anjo se calou, sentindo-se cansado, era assim, sempre que encarava as Keres, sua energia era muito pesada e o enfraquecia.

- Eu sinto muito – falou se levantando, mas antes de conseguir dar dois passos, desabou no chão.

- Shaka, o que você tem? - Perguntou Shun correndo até ele, mas o arcanjo acenou com a mão, num gesto de que estava tudo bem e voltou a se levantar.

- Só fiquei um pouco cansado, Shun, não se preocupe, quero na verdade que você vá falar com o Hyoga e impedi-lo de ir embora.

- Eu não posso fazer isso e você sabe...

- Pode sim, o impeça ou se arrependerá para o resto da vida – falou o anjo voltando para o quarto e se apoiando na porta, sabia o que estava acontecendo: estava há muito tempo na terra, seu corpo etéreo e sua ligação com a divindade ficavam cada vez mais fracos à medida que o tempo passava. Por isso o encontro com a Kere lhe enfraqueceu tanto.

- Shaka, o que houve, você está bem? – interrogou-o Ikki que entrava no quarto, olhando o rosto pálido e suado do anjo.

- Estou, Ikki, mas, eu tenho que ir embora, pedirei a Zeus que me leve de volta ao Olimpo o mais rápido possível, assim que conseguir falar com ele.

- Você fala isso sem... Esquece! – Ikki resmungou irritado.

- Ikki, você sempre soube que chegaria essa hora – tornou o anjo – na verdade, ainda estou aqui por causa do Shun, porque ele não tira essas idéias idiotas da cabeça.

- Shun? Ah, claro.

- Ikki, não me olha assim que fico com vontade de chorar! - Disse o anjo o abraçando com força – sempre serei seu anjo.

Shun bateu à porta do quarto e recebeu autorização para entrar, sabia que Hyoga estava sozinho, porque os dois arcanjos saíram sem dizer para onde iriam.

Entrou e ficou em silêncio observando o louro arrumar as malas.

- Então, você vai mesmo? - Perguntou depois de um tempo e Hyoga parou o que fazia o encarando.

- Não é o que você quer?

- Não Hyoga, não é o que eu quero, eu só... Só acho...

- Acha o quê, Shun? Me explica pelo amor de deus o que se passa nessa sua cabeça! - Irritou-se o russo.

- Eu só acho que é o melhor pra você – disse o mais jovem tentando conter as lágrimas, se odiando por ser tão sensível.

- Melhor pra mim? - Repetiu o russo com ironia – deve ser realmente.

Ele se virou, voltando a arrumar a mala e Shun se aproximou mais dele, lhe tocando o braço.

- Hyoga...

Mais uma vez ele parou o que fazia, fechando os olhos fortemente e nada disse, se ouvia apenas a sua respiração pesada.

- O que você quer ainda, Shun?

- Eu quero você – disse, as lágrimas escorrendo por seu rosto, o rapaz louro se virou pra ele, seus corpos quase se tocando. Começou a enxugar o rosto dele com os dedos.

- Não chora, Shun, por favor.

- Eu quero você, Hyoga, mas sei que não devo, eu não mereço você.

- Porque, Shun? - Hyoga acariciou o rosto branco dele com o nó do indicador.

- Eu não seria capaz de lhe dizer – disse o rapaz às lágrimas voltando a cair, Hyoga se lembrou da confissão da traição que ele fizera há alguns dias atrás.

- Shun, seja lá o que tenha acontecido, pra mim não importa, vejo o quanto você está sofrendo e quero ficar ao seu lado – tomou-lhe os lábios num beijo ardente e terno que o mais jovem não foi capaz de resistir.

Hyoga aprofundou o beijo e pegou Shun nos braços o deitando na cama com cuidado.

"Você vai gostar mon petit serei delicado." A voz de Minos e as lembranças daquela noite invadiu sua mente e ele empurrou o louro com tanta força que Hyoga caiu sentando no chão do quarto.

- Hyoga, me perdoe, me perdoe, mas eu não consigo! - Pediu o mais jovem soluçando e saindo correndo.

Hyoga bateu com a mão no chão frustrado, se decidindo mais que nunca a ir embora, no dia seguinte.

Já era noite, Ikki e Shaka estavam prontos para sair, estavam extremamente belos, o moreno vestido numa camisa social e calça jeans, cobertas por uma jaqueta de couro elegante e o anjo com uma calça caqui leve e uma camisa leve de botão branca, seus cabelos estavam soltos caindo sobre os ombros.

- Vamos, Shaka, antes que seus amigos pirados voltem – sugeriu Ikki pegando o anjo pela mão.

- Sim, mas não seria melhor avisar ao Shun, pra onde vamos?

- Por quê?

- Sou o anjo da guarda dele, agora, mesmo que temporariamente, ele tem que saber onde me encontrar.

- Tem razão.

Ikki foi até o quarto de Shun e bateu à porta, como percebeu que o irmão não abria, entrou, ouvindo seus soluços.

Ele estava deitado encolhido na cama.

- O que aconteceu, Shun, porque você está chorando? - Perguntou afagando os cabelos do irmão.

- Eu tentei, Ikki – começou o rapaz – eu tentei fazer as pazes com o Hyoga, mas não consegui, não há jeito, sempre que ele... Sempre que alguém me tocar eu vou me lembrar daquele... Daquele canalha!

E o adolescente caiu em lágrimas e soluços. Ikki puxou-o para si o abraçando.

- Tudo bem, está tudo bem, ficarei aqui com você,

Shun ergueu a cabeça pra olhar o irmão.

- Não, Ikki, você não disse que sairia hoje com o Shaka? Pois faça isso, eu não quero atrapalhar sua vida...

- Você é mais importante que isso, Shun.

- Não mesmo, sei exatamente o que vocês vão fazer.

- Shun! - Ikki ruborizou e o mais jovem sorriu.

- Não precisa ficar com vergonha e quanto a mim, prometo que não farei nenhuma bobagem, certo?

- Você vai ficar bem mesmo, irmão?

- Eu prometo – disse o mais novo e Ikki assentiu com a cabeça saindo do quarto, encontrou Shaka olhando a noite na sacada, o abraçou pela cintura e o anjo se apoiou contra seu corpo.

- Ele está bem? - Perguntou.

- Você sabe que não, mas tenho certeza que vai superar isso.

- Então podemos ir?

- Está ansioso, não é, louro?

- Estou sim, mais ainda pra saber aonde você vai me levar.

Ikki sorriu com malícia e os dois deixaram o apartamento.

Casa de Camus e Milo:

- Milo, ou você me solta ou eu ...

- Você o quê, amor? Sorriu o moreno acendendo um incenso – você não está em condições de fazer ameaças.

Camus se debateu contra as algemas que prendiam seus pulsos a cabeceira da cama.

- Isso é golpe baixo, você me seduziu para me desviar de minha missão! - Grunhiu o arcanjo das águas.

- Ah, Camus, porque você é tão mau? - Perguntou Milo sentando sobre as pernas do amante e começando a acariciar sua barriga – nós já sabemos como isso é bom, vamos deixar o lourinho descobrir também.

- Eu não vou ficar aqui por sua causa, seu anjo maluco, eu me recuso a me transformar num mortal!

- Bem, acho que depois dessa noite você não terá muito escolha! - Riu Milo maleficamente.

- Eu te mato, Milo, juro que...

O moreno o calou com um beijo fogoso.

- Você pode até me matar, Cami, mas de prazer, agora relaxa e aproveita a noite – sorriu malicioso, voltando a atacar os lábios do amante que estava preso e "indefeso".

Ikki dirigiu alguns quilômetros até chegar ao harmonioso hotel, um ryokan*, como não fugiria a regra o lugar era cercado por uma área verde e o perfume das flores e cedro tornava o ambiente ainda mais relaxante. Entraram no quarto e Shaka logo se jogou no futon, pulando.

- Ah, Ikki que gostoso! - Disse o anjo e estendeu as mãos para o moreno – vem, senta aqui!

- Acho melhor irmos para o onsen* foi pra isso que lhe trouxe aqui, que tal relaxarmos, você está muito ansioso – Ikki estendeu a mão que Shaka aceitou e ele pegou os yukatas* que já estavam separados.

- Vamos vestir isso – falou, começando a tirar a camisa do anjo que ergueu os braços para facilitar a tarefa. Ficaram se olhando parados por um tempo, até que Ikki sorriu encabulado e se afastou.

- Acho melhor você vestir sozinho, ou não chegaremos ao onsen.

- Está bem – concordou Shaka começando a tirar a roupa de um lado, enquanto Ikki fazia o mesmo do outro, logo estavam vestido, Ikki em seu quimono vermelho e Shaka num azul.

Ikki o ajudou a amarrar a faixa do mesmo.

- Venha, vamos tomar uma ducha antes de entrar no onsen, é obrigatório – continuou o mais velho dos Amamiyas puxando o louro pela mão.

- Que roupa mais engraçada! - Riu Shaka enquanto seguiam para o onsen.

Assim que entraram despidos na água quente, seus corpos relaxaram completamente, a sensação de paz era tão grande que o anjo achou que poderia passar o resto da vida naquela imensa "banheira".

- Ah, Ikki, você disse que iríamos fazer sexo e agora estamos aqui tomando banho quente, você me enganou! - Reclamou o anjo emburrado e Ikki riu.

- Calma, Shaka, estamos apenas relaxando um pouco, logo iremos para o quarto, aproveita, não é todo dia que tenho tempo de vim a um lugar desses.

- Mas é que se eu ficar mais tempo nessa água quente assim, eu vou dormir.

- Então se apóia aqui, vem. – disse Ikki oferecendo o ombro ao anjo que encostou a cabeça – Pode dormir, eu te acordo depois.

Ikki fechou os olhos, relaxando, o calor da água e do corpo de Shaka lhe trazia tanta tranqüilidade e havia também a bela paisagem bucólica do hotel. Ele realmente estava precisando de uma temporada num lugar daqueles, pena não poder ficar por mais tempo, havia Shun, não estava seguro em deixar o irmão sozinho e também precisava voltar ao trabalho.

Ficaram mais de meia hora em "infusão" no onsen, até ele resolver voltar para o quarto para falar com Shun, pelo telefone, só nesse momento percebeu que Shaka havia mesmo dormido na água quente.

- Ei, anjo, acorde!- pediu o segurando pelos ombros – vamos para o quarto, sim?

- Eu não disse que dormiria? - Reclamou o louro se enrolando na toalha, Ikki fez o mesmo, depois os dois se vestiram nos yukatas e voltaram para o quarto.

Shaka prendeu os cabelos com um elástico e se deitou no futon manhosamente.

- Ikki, estou cansado, acho que aquela água quente me relaxou excessivamente.

O moreno deitou ao lado dele.

- Então, você quer dormir e deixar isso pra amanhã? - Perguntou sorrindo malicioso.

- Não, acho que já esperamos demais – reclamou o anjo, o enlaçando pelo pescoço – eu quero agora...

Ikki o beijou suavemente, começando a descer os beijos pelo pescoço claro, ele suspirou e abriu momentaneamente os olhos percebendo um vulto dentro do quarto. Foi tão rápido que ele não teve certeza do que viu:

- Ikki...

- Hum...

- Eu acho... Eu não acho nada – balançou a cabeça, voltando sua atenção para o protegido que afastava o quimono do seu ombro, começando a beijá-lo. Shaka suspirou sentindo o corpo reagir aos toques suaves dele, a pele arrepiando, esquentando e...

- Hahahahahahahaha! - O anjo começou a rir sentindo cócegas nos pés. – Para,Ikki! Isso não tem graça!

O rapaz levantou a cabeça para fitar o rosto ruborizado do anjo sem nada entender.

- Fiz alguma coisa errada? - Perguntou confuso.

- Ah, continua o que você estava fazendo e para de brincadeira, vem me beija. – falou o puxando para um beijo.

Ikki obedeceu mesmo sem entender do que ele estava falando, o beijou com ardor, só que Shaka logo afastou os lábios voltando a rir, porém, o anjo percebeu que na posição que estava, era impossível para o moreno fazer cócegas em seus pés, olhou pra baixo e deu de cara com aqueles impenetráveis olhos negros que lhe fazia sinal de silêncio, enquanto Shaka continuava a rir.

- Louro o que está acontecendo? - Perguntou Ikki e Shaka continuava a rir, tentando libertar a perna que Shura segurava.

- Ikki... Você não ver? - Perguntou já chorando de tanto rir, Ikki olhou para os pés do anjo que se debatia na cama e nada viu.

- Shura... Ai, Shura, para, eu não posso! Hahahahahahaha! Tentava falar o louro desesperado.

- Shura, quem é Shura? Perguntou Ikki indignado – como você tem coragem de chamar por outro enquanto está aqui comigo?

Shura sorriu vitorioso ao ver Ikki se afastar do louro aborrecido.

- Não, Ikki, é que ele... Você não pode...

- Cala a boca, Shaka! - Disse Ikki saindo do quarto e batendo a porta.

Shaka se ergueu da cama.

- Olha o que você fez! Reclamou.

- Você é um arcanjo se dê ao respeito! - Reclamou Shura sério cruzando os braços – acha acaso que Zeus permitiria que prevaricasse com um mortal?

- Mas, agora eu também sou mortal, Shura! - Disse o anjo louro – e porque você pode ficar invisível estando na terra, e eu não?

- Meus poderes foram mantidos para que, eu não permitisse que esse ato vergonhoso de vocês acontecesse.

- Isso não é justo! - Bateu pé Shaka – eu estava quase...

Nesse momento Aioros se materializou ofegante dentro do quarto.

- Puxa... Demorei pra te achar...- ele olhou pra Shura desanimado – ah, esse chato de cabelo arrepiado, chegou primeiro!

- Não fale assim de mim, Aioros! - Reclamou Shura – você nem parece que é meu amigo!

- Você mesmo disse que aqui somos inimigos! - Cruzou os braços Aioros virando a cara.

- Aioros, leva o Shura daqui, eu preciso encontrar o Ikki e não posso com esse louco me fazendo cócegas nos pés!

Aioros olhou indignado pra o Arcanjo de cabelos negros.

- Você não muda suas estratégias, não é?

- Como assim? - Perguntou Shaka intrigado.

- Ele fez exatamente o mesmo comigo, há mil anos, eu estava quase conquistando uma linda ninfa e ele fez isso!

- Comigo foi porque você está seguindo ordens de Zeus, e com o Aioros foi porque mesmo? - Perguntou Shaka com malícia e Shura corou sem jeito.

- Prevaricar com um mortal ou mesmo com uma ninfa é uma ofensa aos deuses! - Disse Shura solenemente.

- Ah, então eles são quem mais se ofendem, você quer que eu enumere a quantidade de mortais que Zeus pegou?

Eles ouviram um trovão e uma voz:

- Aioros!

- Desculpe, Zeus! - Pediu o rapazinho de cabelos acastanhados e depois completou baixinho – mas, é verdade.

- Não importa, tenho uma missão e vou cumpri-la – continuou Shura – Shaka, venha comigo.

- Eu não vou a lugar nenhum com você, eu vou atrás do Ikki!

- Não vai não! – Volveu o arcanjo das armas segurando o arcanjo da paz pelo braço – sou três mil anos mais velho que você, você me deve obediência!

- Não devo não! Só devo obediência a Zeus e ao Saga que é nosso líder!

- Eles que me enviaram! - Reclamou Shura lutando com Shaka que tentava se libertar, não demorou muito os dois anjos estarem trocando tabefes em cima do futon.

- Pare vocês dois, parem! - Gritava Aioros desesperado, nesse momento Ikki voltou ao quarto vendo Shaka se estapeando com o homem de cabelos escuros, enquanto o outro dava um chilique.

- O que você está fazendo aí parado humano? Faça alguma coisa! -Gritou Aioros.

- E você porque não faz?

- Eu sou o arcanjo do amor, não posso me envolver nessas coisas, se bem que...- Aioros tirou uma flecha e posicionando arco em direção aos arcanjos brigões.

- Espera seu louco, você vai matar o Shaka! - Gritou Ikki correndo e puxando o louro pelo braço a tempo da flecha se cravar no peito de Shura que caiu inerte no futon.

- Foi ele, Ikki, ele estava fazendo cócegas nos meus pés! - Reclamou o louro escondendo o rosto no peito do moreno.

- M-mas, porque eu não o vi?

- Os Deuses concederam a ele o poder de ficar invisível para os mortais, o mesmo que todos nós temos e que me foi tirado – suspirou o louro, Ikki ainda olhava incrédulo o homem inerte caído no futon.

- Ele está morto?

- Claro que não!- Riu Aioros – daqui a pouco ele acordo e... Oh oh... – Aioros observou Shura se levantar e tirar a flecha do peito, seus olhos estavam vagos como se estivesse tonto.

- O que... O que...

- O que você queria, me atrapalhando com o Shaka seu anjo louco? -Perguntou Ikki encarando Shura, zangado, nesse momentos os olhos negros do arcanjo pararam nos azuis safiras do moreno. Aioros suou frio.

Shura se levantou do colchão se aproximando lentamente de Ikki.

- Como você é lindo! - Disse.

- O que? - Perguntou Ikki e Shaka ao mesmo tempo.

- Eu... Eu acho que usei a flecha errada! - Coçou a cabeça Aioros.

Ikki começou instintivamente andar pra trás ainda segurando Shaka nos braços, porque Shura o olhava com olhos de pura lasciva.

- Aioros o que você fez? - Perguntou Shaka se pondo entre Ikki e o arcanjo de cabelos negros.

- Eu disparei a flecha da paixão e agora ele está louquinho pela primeira pessoa que ele viu, no caso seu protegido!

- O quê? - Perguntou Ikki pasmado – e isso não tem cura não? Faça alguma coisa, dispare outra flecha, a flecha do esquecimento, sei lá!

- Certo, certo, vou tentar reverter... Quem sabe se...

- Seja lá o que vá fazer, Aioros, faça logo! - Gritou Shaka tentando segurar Shura, contudo, o arcanjo das armas ainda mantinha seu poder e força ao contrário dele e arremessou o louro no futon, agarrando Ikki pelo braço.

- Eu te amo! - Disse Shura com a voz melosa.

- Me solta, seu doido! - Gritou Ikki desesperado, mas não por muito tempo, porque o arcanjo das armas tomou-lhe a boca num beijo sufocante.

- Aioros, faça alguma coisa, esse louco vai matar o Ikki! - Gritou Shaka puxando Shura pelo braço, mas sem conseguir movê-lo um só centímetro.

- Não me deixa nervoso, se não eu erro a flecha de novo!- Pediu Aioros pegando outra flecha e disparando no arcanjo que caiu no chão desacordado.

Ikki caiu sentando tentando respirar, vermelho como uma pimenta, totalmente ofegante.

- Vocês... Vocês... São loucos – ofegou o mais velho dos Amamiyas se sentindo no meio de uma crise asmática.

- O que você fez com ele? - Perguntou Shaka olhando Shura desacordado, a flecha dourada já havia sumido.

- Eu dei pra ele a flecha do sono do Hipno, ele dormirá por um tempo, espero que quando acorde, esteja mais calmo e que a paixão tenho ido embora – sorriu Aioros e Shaka correu até Ikki se ajoelhando entre suas pernas.

- Você está bem, Ikki? - Perguntou aflito.

- Estou... Me recuperando, esse louco tentou me matar! - Respondeu o moreno ofegante.

- Vou levá-lo daqui para que vocês possam aproveitar a noite – Disse o arcanjo do amor pegando o companheiro nos braços.

- Sabe de uma? - Tornou Ikki chateado – fiquem aqui vocês dois, o quarto está pago até amanhã, eu vou pra casa!

Ele se ergueu pegando as roupas e caminhando para se trocar, parou apreensivo e se virou para o louro.

- Shaka, você vem comigo ou quer ficar com seus amiguinhos? -Perguntou irritado.

- Claro que vou com você! - Disse o anjo começando a se despir do yukata, só que Ikki o impediu.

- DÁ PRA VOCÊ FAZER ISSO NO BANHEIRO? Esbravejou furioso, pois percebia que o arcanjo de arco e flecha não tirava o olho do louro.

- Tá bom, não sei pra que tanta irritação! - Reclamou Shaka andando para o banheiro, voltando minutos depois já vestido.

Aioros deitou Shura no futon e Shaka se aproximou acarinhando os cabelos escuros do anjo desacordado o que levou mais uma crise de ciúmes ao interior de Ikki e para piorar, o louro ainda depositou um suave beijo nos lábios do arcanjo dorminhoco; isso foi demais para o moreno que saiu batendo a porta.

- Cuide bem dele, Aioros, a culpa de tudo isso é sua! - Disse o louro irritado.

- Pode deixar, eu vou cuidar dele – sorriu Aioros malicioso e Shaka saiu correndo atrás de Ikki o alcançou já entrando no carro.

- Ikki, me espera! - Gritou o anjo parando ofegante e irritado – você me deixaria aqui?

- Talvez você esteja melhor com seus amigos tarados! - Regougou passando as mãos nos cabelos cacheados, tentava se controlar, mas estava muito irritado.

- Por que diz isso? - Perguntou Shaka confuso.

- Por quê? Ao que parece, seus amigos vieram aqui para impedir que ficássemos juntos, ou você não percebeu isso?

- Eu sei, ele me disse – falou Shaka tranquilamente.

- E você ainda quer me convencer de que não tem nada com eles? Eles estão todos enlouquecidos de ciúmes de você!

Shaka riu o que irritou o moreno ainda mais.

- Do que você está rindo, seu idiota?! - Gritou Ikki possesso.

- Você é muito ciumento! - Exclamou o anjo continuando a rir.

- Ah, eu sou ciumento? Interrogou irônico – você quer me convencer que...

- Ikki, já disse que não fazemos essas coisas lá em cima, só aqui, assim como eu o Shura nunca esteve aqui, ele é totalmente puro.

- E quanto ao outro? Ele não parava de olhar pra você – Tornou o moreno tentando esconder o tom enciumado.

- Ah, o Aioros é um louquinho! - Riu Shaka ruborizando – Ele não é como nós, ele é um Deus por isso tem total acesso a terra.

- Hã?

- Ele é filho de deuses apesar de ser um arcanjo também, por isso ele pode vim quando quiser, ele é diferente de mim e do Shura, digamos que ele como Deus tem acesso a todos os prazeres humanos.

- Em outras palavras, ele é um TARADO! - Falou Ikki.

- Arcanjos não podem ser tarados, ele só é mais experiente que nós dois! - reclamou Shaka – Agora que já expliquei, podemos ir?

Ikki não respondeu, entrou no carro e esperou Shaka entrar, deu a partida. O anjo se sentou emburrado.

- Eu disse que não deveríamos ter ficado tanto tempo na água quente – resmungou, enquanto o carro serpenteava de volta a Tóquio.

No Ryokan:

Shura acordou algumas horas depois, meio tonto, tentando se lembrar do que havia acontecido.

"Onde eu estou? Aqui não é meu templo no Olimpo, e porque está escuro?" pensava o anjo e vislumbrou Aioros a sua frente o olhando divertido.

- Aioros? Onde estamos e... – Ele começou a se recordar – Aioros seu infeliz! Você me acertou!

- Acertei sim, era minha missão impedi-lo – disse o lourinho engatinhando pelo futon até o outro anjo, se colocando entre as suas pernas – Ainda bem que o efeito é temporário.

Shura engoliu em seco.

- O que você está fazendo, Aioros? - perguntou assustado.

- Sabia que lá no Olimpo, eu nunca tinha percebido como você é bonito? - sussurrou lascivamente.

- Aioros, o que você está dizendo...hum...hum...- Shura não terminou o raciocínio porque o outro anjo tomou seus lábios, faminto e não demorou muito para o mais fiel dos arcanjos se entregar ao beijo, começando a sentir as novas sensações daquele corpo mortal.

- Aioros, o que é isso? - Perguntou ofegante quando o outro se afastou dele.

- Isso são sensações humanas meu querido – disse Aioros – mesmo mantendo seus poderes, ainda assim você está num corpo mortal e sente igualzinho a eles, então vem cá...

- Espera, Aioros, isso não é errado? - Perguntou o moreno temeroso e excitado com os toques do outro arcanjo.

- Errado? - Aioros pensou por alguns segundos – Claro que não, eu sou um Deus você acha que eu erraria? Confie em mim!

Voltaram a se beijar (Sim, pasmem! Shura conheceu os prazeres da carne, primeiro que Shaka).

Olimpo:

Atena chorava inconsolável.

- Como ele pode, papai? - Gritava a deusa entre lágrimas – Afrodite e aquele seu filho desgraçado!

- Não ofenda meu menino! - Reclamou Afrodite enrolando os cacheados cabelos louro nos dedos – você manteve os poderes do seu arcanjo e permitimos, eu tinha o direito de usar minha melhor arma, afinal, quem resiste a Aioros?

- Eu vou matar o Shura, ele não podia me trair! - Gritou a deusa.

- Xiii, parece que você está com ciúmes Atena! - Espantou-se Hades.

- Titio, porque você não vai dar um passeio no submundo, hein? -Esbravejou a deusa da sabedoria.

Hades riu e bateu nas mãos de Afrodite começando a cantar: "aha uhu essa aposta é nossa, aha uhu.".

Atena e Zeus quase tiveram um chilique com a provocação dos dois que dançavam em frente ao trono do senhor supremo do Olimpo.

- E agora papai o que faremos? - Perguntou Atena aflita.

Nesse momento um vendaval se fez no templo e Métis entrou fazendo uma saudação aos demais deuses.

- Caros, acho que vocês estão tão preocupados com essa aposta que não percebem o que está acontecendo, se continuar dessa forma, perderemos todos os nossos arcanjos.

- Eu não vou perder para o Hades de novo! - Reclamou Zeus emburrado – e nem adianta, perderemos todos os nossos arcanjos, mas eu ganho!

- Se prefere assim, senhor, não mais o aconselharei! - Disse a deusa da prudência balançando a cabeça.

- E então Zeus, qual será o próximo passo para deter as "núpcias" do arcanjo da paz? - Riu Hades coçando os cabelos vermelhos.

- Não comemore tanto, Hades, eu ainda tenho uma arma secreta – sorriu o deus supremo – Atena, minha filha, chame o Saga, tenho uma missão pra ele.

Todos os deuses arregalaram os olhos.

- Agora você passou dos limites, Zeus – falou Hades – se lembre que Tífon está à espreita esperando uma oportunidade para invadir o Olimpo de novo, e por causa de uma aposta, você quer enviar a terra o líder dos nossos exércitos? Enlouqueceu?

- Cada um joga com as armas que tem! - Deu muxoxo Zeus cruzando os braços emburrado.

- Papai, tenho que concordar com ele, isso pode ser perigoso, sabe como é... Ares está de férias... Além do mais o senhor sabe o que acontece com os anjos que visitam a terra.

- Chamem Ares de volta e mande Saga pra terra – ordenou o Deus, todos os outros deuses suaram frio.

- Mas, irmão...

- Cala a boca, Hades! Eu não vou perder de novo pra você, nomeiem Aiolia para líder dos exércitos celestes e mande Saga descer, ele, eu tenho certeza, o Shaka nunca desobedecerá.

Ikki dirigiu em silêncio até chegar a casa, Shaka também não falava nada, com uma expressão pensativa e aborrecida.

Entraram ainda em silêncio no apartamento e o anjo foi para o quarto começando a tirar a roupa.

- Posso saber por que você não me diz nada? - Ele ouviu a voz grave do protegido atrás de si.

- O que eu teria para dizer? Perguntou o anjo friamente.

Ikki emudeceu e caminhou até a cama pegando um travesseiro.

- O que você está fazendo? - Perguntou Shaka, mas sua voz não demonstrava nenhuma emoção.

- Acho que você precisa ficar sozinho – Tornou o moreno saindo do quarto.

- Acho que VOCÊ precisa ficar sozinho! - Falou o anjo num tom mais alto, porque Ikki já havia saído do quarto.

Shaka bufou sentando na cama com os braços cruzados, depois se deixou cair com um suspiro tenso.

"Ah, Ikki, eu quero você! Pensava; Por que você tem que ser tão encrenqueiro e ciumento?".

Na Sala:

Ikki deitou no sofá cobrindo o rosto com o travesseiro, suspirou: "Ah Shaka eu quero você! por que você tem que ser tão promiscuo? Não agüento mais esse bando de arcanjos tarado atrás de você, se pudesse mataria todos eles!"

No quarto:

Shaka rolou na cama sem consegui dormir:

"Ah, Ikki, por que você é tão teimoso e orgulhoso?! Você deveria está aqui comigo, eu não consigo dormir sozinho!"

Na sala:

"Shaka seu anjo do inferno! Você me enfeitiçou, por que eu não consigo mais dormir sem você ao meu lado?".

Ikki levantou do sofá com o travesseiro na mão marchando de volta ao quarto, estancou o passo, para não se bater com o louro que saia do quarto, também carregando um travesseiro.

- Eu não consigo dormir – disseram ao mesmo tempo.

Shaka sorriu e estendeu a mão que foi aceita por Ikki e ambos entraram no quarto.

- Meus amigos estragaram nossa noite, não foi? - Disse o anjo desanimado deitando na cama, Ikki nada respondeu, deitou também o enlaçando pela cintura e beijando seu ombro - Eu não queria que eles ficassem vindo todo o tempo, Ikki, eu juro, eles não...

Ikki colocou a mão suavemente contra os lábios do anjo.

- Cale a boca, Shaka, estou cansado, vamos dormir - falou sonolento e Shaka se calou, também estava cansado.

Agora nos braços um do outro, protegido e protetor conseguiram descansar, adormeceram.

Hyoga terminou de fechar a mala, suspirou triste, abriu a porta do quarto e andou até o quarto de Shun, hesitando se deveria ou não bater. Decidiu-se a bater e o jovem de olhos verdes abriu, seus olhos eram de pura tristeza.

- Você já está indo? - Perguntou baixando os olhos.

- Sim – respondeu, o louro, com frieza – só vim dizer adeus.

- Adeus, Hyoga, eu realmente espero que você seja muito feliz com alguém que te mereça de verdade - falou Shun lhe dando as costas, para que o russo não visse suas lágrimas.

- Adeus, Shun, seja feliz – disse Hyoga o deixando, teria ainda que se despedir de Shaka e Ikki e também daquele louco que salvou sua vida e sumiu de repente.

Encontrou o Amamiya mais velho no meio da sala.

- Onde você pensa que vai, Pato? - Perguntou sério.

- Eu avisei que partiria hoje.

- Você não irá a lugar nenhum, seu lugar é aqui perto do Shun.

- Seria se ele quisesse, Ikki, só que seu irmão não quer.

- Senta aí,Pato, eu tenho uma história pra te contar.

- Eu não tenho tempo, Ikki, se ficar mais, perderei o avião.

- Garanto que depois do que eu contar, você desistirá de viajar.

Hyoga ouviu toda a história, pasmado e revoltado. Apesar de não cursar medicina, conhecia Minos e sabia o quanto o acadêmico era respeitado. Como ele ousou fazer aquilo, como ele pode? Os olhos do jovem marejaram e seu rosto de tornou rubro de raiva.

- Eu vou matar aquele canalha! - Esbravejou e Ikki lhe pediu silêncio.

- Pato, se controla, se o Shun descobre que contei isso pra você, ele nunca mais olha na minha cara.

- Porque ele não confiou em mim, Ikki? - Perguntou magoado.

- Ele... De uma forma ou outra, ele acha que foi responsável pelo que aconteceu.

Hyoga arregalou os olhos.

- Como responsável? O Shun está louco?

- Ele me disse que você o acusava de sorrir demais – suspirou Ikki – em fim, ele acha que deu espaço para o canalha do professor fazer o que fez, ele se sente sujo.

Hyoga suspirou, tudo agora fazia sentido.

- E agora o que quer que eu faça, Ikki? Eu sei de tudo, mas não posso ajudá-lo, porque simplesmente ele não quer!

- Tenha paciência! - Disse o Amamiya mais velho e aquilo lhe pareceu hipócrita, ele era a pessoa mais sem paciência do mundo.

- Eu vou resolver isso, Shun terá que me contar tudo ele mesmo, cedo ou tarde.

- Olha, Pato, já fiz o que minha consciência mandou, na verdade eu deveria comemorar você sair da vida de meu irmão, mas, bem, eu não sou mais o mesmo!

- E o nome dessa mudança é Shaka, não é? - Ironizou o louro, apesar de está muito perturbados com as informações recebidas.

- Você não tem nada a ver com isso – tornou o moreno mal humorado voltando para o quarto onde o anjo dormia.

Ficou um bom tempo o admirando até que seu telefone tocou e ele atendeu.

- Alô.

- Ikki, é o Kanon, espera, não desliga é sobre o trabalho!

- Seja breve! - Disse o executivo, zangado.

- Temos uma reunião importante amanhã, sua presença é crucial é sobre o negócio do Ma Tsui.

Ikki suspirou: Ma Tsui, o pai de Esmeralda.

- Estarei lá, Kanon.

- Ikki, eu queria explicar o que aconteceu, não foi o que você pensou.

- Até amanhã, Kanon! - Ikki bateu o telefone e foi para o escritório, teria que revisar a proposta de Ma Tsui que estava há muito parada em seu notebook.

"Vamos, Ikki, volta ao trabalho! O que está acontecendo com você?" perguntava-se mentalmente enquanto observava os contratos que havia recebido por e-mail.

Shura acordou em fim se sentindo extremamente casado e dolorido, tentou se lembrar onde estava e o que havia acontecido, tendo a resposta ao olhar pro lado e encontrar Aioros dormindo com um sorriso.

- AIOROS! O que você fez comigo! - Gritou o arcanjo possesso. O lourinho abriu os olhos com um sorriso debochado nos lábios.

- Bom dia, amor, e você sabe exatamente o que fiz com você, ou melhor, o que fizemos juntos.

- E-eu... Eu não podia... Atena... – os olhos de Shura marejaram, se sentia um traidor.

- Shurinha, o que é isso? - Aioros o abraçou – Pare com isso, você está num corpo mortal, essas coisas acontecem.

- Você não entende, Aioros, você é um Deus, se bem que nem sei se você é mesmo, mas eu sou um Arcanjo somente, imagina o que acontecerá comigo? - E Shura caiu em prantos.

- Não gostou? - Perguntou Aioros cruzando dos braços.

- O quê?

- Não gostou de fazer amor comigo?

- Fazer amor? É assim que você chama... Aquilo?

- Eu sou o Deus do amor, fica difícil eu chamar de sexo, transa ou seja lá o que os mortais vulgares chamam! - Disse o anjo com enfado.

- M-ma ma...- Shura não conseguia articular as palavras – é tudo muito estranho!

- Shurinha, pense bem – começou Aioros olhando nos olhos negros a sua frente – você acha que se fosse tão ruim como os deuses quiseram que acreditasse, eles desceriam a terra para fazer isso o tempo todo?

Shura piscou confuso.

- A Atena não faz isso.

- Ah, não! - Riu Aioros – você é um ingênuo e eu que pensei que o mais idiota de todos nós fosse o Shaka, até ele é mais esperto que você!

- Não me fale assim, Aioros!

- Falo sim, deixa de ser bobo e vamos aproveitar essa visita a terra, eu sei que você nunca esteve aqui antes!

- Não, tenho que voltar para o Olimpo, falhei em minha missão e tenho que ser punido! - Tornou Shura procurando pela sua toga.

- Eu sei por que você está assim! - Gritou Aioros – você não gosta de mim não é verdade? Você me odeia!

O rapazinho de cabelos acastanhados rompeu em lágrimas tipicamente chantagista.

- Espera Aioros, não é nada disso... Eu... Na verdade – E Shura, claro! Caiu como um patinho (ou seria um bodinho? Ah sei lá, voltemos a fic).

Shura abraçou Aioros com carinho.

- Para de chorar, Aioros, não é nada disso, eu só me sinto mal em não cumprir uma missão, você sabe que nunca falhei.

- Mas, sempre tem a primeira vez pra tudo lindinho – disse Aioros dando vários beijinhos no pescoço do outro.

- Para, Aioros! - Protestou o arcanjo das armas – Eu não devia...

- Mas, você quer...

- Ah... Eu não sei...

- Ah, mas eu sei... – disse Aioros e tomou os lábios do arcanjo das armas o guiando para mais uma descoberta.

Na casa de Milo e Camus:

- Amanheceu, amor, posso saltá-lo se prometer não me matar – sorriu o moreno para o companheiro algemado na cama.

- Ora seu... – grunhiu Camus.

- Se continuar nervoso, passará o resto da sua vida mortal nessa cama preso – continuou o moreno calmamente passando a mão nos cabelos cacheados.

- Certo, Milo, me solta, eu prometo ficar calmo – respirou fundo o arcanjo das águas.

- Por que eu acho que você está mentindo?

- Você sabe que eu não minto.

- De qualquer forma, acho que posso solta-lo agora, com certeza o Shaka e o Ikki já fizeram o que tinham que fazer – sorriu Milo malicioso e Camus engoliu em seco, enquanto ele libertava seus braços.

Muito rápido o ex-prisioneiro levou as mãos ao pescoço do outro o apertando.

- C-Camus... Você vai... Me matar! - Ofegou Milo tentando se libertar das mãos que apertavam seu pescoço.

- Mas é isso mesmo que eu quero, seu desgraçado! - Tornou Camus continuando a apertar o pescoço do amante.

- Você vai para o tártaro!

- Dane-se, você vai primeiro! - Grunhiu dominado pelo ódio.

Milo deu um chute nas partes baixas de Camus que gemeu e o soltou. Saiu correndo ofegante e pálido, mas o outro arcanjo segurou sua perna o derrubando no chão.

- Para, Camus! Eu não quero te machucar! - Gritou Milo desesperado tentando se livrar das mãos que tentava capturar seu pescoço de novo.

- Você me machucar? Reze para sair vivo de minhas mãos! - Esbravejou Camus agarrando o pescoço dele novamente.

- Nossa, Camus! - Ofegou Milo – você fica tão sensual zangado... Cof..cof..cof..

- Mesmo prestes a morrer, você faz gracinhas, não é? - Disse Camus diminuindo a pressão no pescoço do moreno ao notar que ele já estava ficando realmente pálido.

- Eu morreria... Feliz em seus braços... Amor – tossiu Milo sorrindo para o outro que rolou para o lado cobrindo o rosto com as mãos.

- Milo, o que faremos como mortais, você sabe fazer alguma coisa além de ser arcanjo?

- Olha que eu sei – Piscou o moreno malicioso.

- Já disse que te mato se fizer isso com mais alguém.

- Como você é maldoso, Cami! - Reclamou o ex-arcanjo da guerra – eu sei fazer sanduíche, sei dançar, sei... Como é aquilo mesmo que eu fiz daquela vez que você gostou tanto?

- strip-tease – disse Camus corando.

- Eu posso ir dançar num bar de strip-tease...

- Pra um bando de tarados ficar passando a mão em você, nunca! Volveu Camus.

- Você é muito possessivo – reclamou Milo cruzando os braços.

- Sabe o que mais, Milo, faz o que você quiser! - Disse Camus – irei ver meu protegido que estou sentindo que ele está muito triste.

- Espera! Eu vou com você.

Milo se levantou rápido seguindo o amante que entrava no banheiro tirando a roupa, ficou observando ele parar sob a água fria do chuveiro.

- Cami?

- O que é, dessa vez?

- Posso tomar banho com você?

- Você já tomou banho.

- Mas eu quero tomar com você! - Fez birra Milo.

- Vem, mas a água está fria.

Milo não esperou uma segunda ordem, tirou a roupa e pulou no boxe agarrando Camus para num beijo fogoso.

- Milo! Você disse que queria tomar banho...

- Eu menti, eu quero é fazer outra coisa.

No Olimpo:

- Perdidos, perdidos! Hahahahahaha – riu malignamente Hades para um desolado Zeus.

No Ryokan:

- Ai, Aioros... O que é... Ahhhhhhhh... Ai ,Aioros!

- Shurinha... Você... Ai... É tão perfeito... Ah...

No Olimpo:

- Cinco arcanjos perdidos, eu avisei, eu avisei! - Cantarolou Métis.

- Ainda temos mais sete – disse Zeus – O que faço agora?

Na casa de Camus e Milo:

- Milo... Não, não faz assim... Ahhhhhhnn... Ai, Milo... Seu tarado...

- Ah, Camus... Ai... Como você é... Ai... Gostoso...

No Olimpo:

Zeus com cara de puro desespero:

- Manda o Mu e o Aldebaran, descerem agora mesmo!

- Não! - Gritaram Atena e Métis juntas.

Na casa do Arcanjo das águas e do arcanjo da guerra:

Camus e Milo caíram exaustos no chão do boxe, ofegantes:

- Milo... Você é um louco...

- E você gosta – disse o moreno o abraçando.

No Ryokan:

- Aioros... – Murmurou Shura sonolento.

- Diz, Shurinha.

- Eu nunca mais quero parar de fazer isso.

- Nem eu, nem acredito que passei tanto tempo no Olimpo – voltou a beijar o arcanjo das armas.

Na casa de Ikki:

- Shaka, acorda! - Ikki balançou o anjo, já era mais de dez horas e ele ainda dormia, estranhou. – Shaka?

Ele abriu os olhos débeis.

- Ikki, me abraça, estou com frio – murmurou o anjo puxando o edredom até o pescoço.

Ikki levou a mão a sua testa.

- Febre novamente? Droga! Acabei me esquecendo das vacinas! -Lastimou-se o Amamiya mais velho.

- Vou chamar um médico, é melhor que não saia de casa – disse preocupado, saindo do quarto para pegar o telefone.

Shaka se encolheu na cama se sentindo muito mal, dor de cabeça, dor de estômago, tudo parecia doer nele.

O médico chegou meia hora depois e examinou o anjo, enquanto Ikki aguardava na sala, pensando em que desculpa daria a ele, caso quisesse removê-lo para um hospital, já tinha sido muito difícil convencê-lo a ir até o paciente. Depois se lembrou do tal pergaminho celeste, não, não teria problemas.

Shun se aproximou do irmão que estava sentado no sofá.

- O que ele tem, Ikki?

- Febre e está reclamando como nunca antes de dores – volveu o mais velho cansado – Era o que faltavam antes me preocupava porque ele iria embora por vontade própria, e agora me preocupo porque ele pode ir embora porque vai morrer, é mesmo irônico!

- Ele não vai morrer, Ikki, que exagero! - Reclamou Shun.

- Como você tem certeza? Esquece que o sistema imunológico dele é igual ao de uma criança? Os deuses são mesmo imbecis!

- Ai, que mau humor, Ikki – reclamou Shun num suspiro.

O médico deixou o quarto e Ikki se levantou.

- E então doutor, o que ele tem?

- Nada – disse o homem com um sorriso constrangido.

- Nada? - Exclamaram Ikki e Shun ao mesmo tempo.

- Isso mesmo, a febre e as dores são emocionais e... – o homem parecia extremamente constrangido e Ikki corou se maldizendo por tê-lo deixado sozinho com o anjo. Imaginava o nível de barbaridades que ele havia dito ao médico, a cara do homem não escondia isso.

- Então, não devemos nos preocupar não é? É frescura desse... – Ikki tentou se controlar, mas estava muito irritado.

- Não é bem assim, meu jovem... É... Quadros emocionais podem ser perigosos, podem inclusive evoluir para uma depressão severa...

- Então...

O médico se aproximou mais do moreno baixando o tom de voz.

- Eu acho que você deveria fazer logo sexo com ele.

- O-o que... – Ikki gaguejou atônito e Shun começou a rir.

- Isso mesmo, meu rapaz, o quadro dele se deve a essa rejeição de sua parte, não deveria deixar seu namorado assim! - volveu o médico caminhando para a porta, depois se voltou mais uma vez. – Perdoe-me a intromissão, mas... Ele é virgem?

Ikki e Shun arregalaram os olhos e o médico corou.

- Perdão, não é da minha conta, até mais!

O homem saiu e Ikki bufou, enquanto Shun recomeçou a rir.

"Eu mato esse anjo" pensava o moreno marchando para o quarto.

- SHAAAAAAAAAAAAAAKAAAAAAAA!!!!

Continua...

Notas Finais: Vamos às explicações:

As Keres são deusas ou demônios femininos que acompanha as mortes violentas (filhas de Nix (noite) e do Caos). simbolizam o destino cruel, fatal e impossível de escapar, são deusas que trazem a morte violenta aos mortais. Elas possuem a índole de todo descendente de Caos, são infalíveis.

Os Ryokan é uma hospedaria típica japonesa. Os hóspedes dormem em quartos com nomes de flores em futon sobre tamtamis, vestidos com yukatas que são uma esécie de quimono de verão. Geralmente esses hotéis possui onsens que é como se chama as fontes de águas termais com temperaturas superiores a 25 graus. São considerados para os japoneses como um refúgio da vida conturbada das grandes metrópoles.

Bem, estamos chegando à reta final dessa loucura toda, agradeço a minha amiga Jake Baa-Chan que me deu ótimas idéias para continuar escrevendo esse meu "surto psicótico".

Obrigada a todos que estão acompanhado e por favor deixem review, é muito importante, mesmo que seja com alguma crítica, isso nos ajuda a melhorar!