Episódio Onze.
Alguns sobrevivem, outros...
Data: 02/07/05.
Previosly on S.P:
- Tudo bem, deixa para lá – Cedrico fez com um gesto – Mas você tem que prometer que não vai voltar a falar com esse tal de Harry!
- Não, tudo bem – Draco sorriu – A gente não é mais amigo...
E o celular começou a vibrar dentro do bolso da jeans. Era Harry.
Draco caminhou de volta até Cedrico, cabisbaixo, não estava o mesmo antes da ligação.
- Quem era? – perguntou Cedrico.
Draco parou com as duas mãos apoiadas para trepar no palco, pensando se falaria a verdade ou não.
- Era... Era um amigo! – e sorriu – Preciso voltar a ensaiar, você me ajuda?
- Minha melhor amiga – corrigiu Harry – Ela sempre vinha em casa me ajudar com a edição do Profeta Diário... Foi isso mãe, os bandidos a levaram!
Lílian abraçou o filho e beijou a sua testa.
- Eu... Eu prometi ajudar com um milhão – disse Sirius aproximando, também preocupado – Embora você não tenha me falado o porquê, mas agora eu sei, desculpa ter ouvido, mas foi inevitável.
Mas antes de qualquer outra coisa, Pansy passou as mãos por trás de seus olhos, e o beijou diante de todos os fãs que se excitaram ainda mais, gritaram, berraram, sacudiram o palco de tanta felicidade.
Cedrico deixou a platéia.
- Já disse... Você não me deva nada! – Cedrico virou-se para falar isso na cara de Draco mas não teve tempo o suficiente, o garoto estava muito próximo dele, na sua mesma altura, com os lábios perto.
- Agora... Eu devo – e empurrou Cedrico contra a parede com as duas mãos para não ter escapatória, e beijou-lhe sua boca, com toda vontade e desejo que tinha guardado nos últimos meses.
- Não solte a arma, seu idiota! – gritou o primeiro – Segure-a! Talvez o dinheiro seja falso...
Sirius olhou por cima do ombro e seu olhar captou a expressão de Harry, estava branco, cheio de pavor, e suava.
Hermione soltou alguns gemidos, chorando ainda mais. E o terceiro voltou a apontar a arma na cabeça da garota.
- Vamos conferir – disse o primeiro abrindo as trincas da maleta e levantando a tampa.
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Harry e Sirius pensaram justos e cronometraram os segundos, quando o terceiro assaltante abriu as duas travas da maleta e levantou a tampa para verificar o dinheiro, eles saltaram como leões na direção dos outros dois.
Sirius acertou o segundo com um soco, e Harry com uma cotovelada deixou o primeiro desacordado, Hermione caiu de joelhos no meio do asfalto quente.
Enquanto um estava desmaiado pelo soco de Sirius, o segundo estava com a mão no nariz sangrando, o terceiro já descobrira que o dinheiro era falso e puxava o gatilho da arma.
Mas a Range Over já corria na direção de Harry que carregava Hermione desmaiada no colo, Sirius deu um cavalinho-de-pau com o carro, provocando fumaça no asfalto, e assim que virou o carro ao lado de Harry, Sirius por dentro do carro mesmo, abriu a porta e o moreno saltou sem pensar duas vezes, fechou a porta, seguro.
Sirius olhou pelo retrovisor e viu o terceiro apontando a arma para o carro, mas não adiantava, era blindado. E cantando pneu, deixou-os engolindo fumaça.
- Está tudo bem? – perguntou Sirius mantendo as mãos trêmulas no volante.
- Acho que sim! – disse Harry tentando se recuperar do fôlego – Só vamos ter que sumir por alguns dias, mas o resto... Está tranqüilo!
Harry sorriu para o padrinho e voltou a olhar para Hermione que estava gemendo no banco.
- Ei... Está tudo bem! Você está segura agora! – ele disse acariciando o rosto sujo da amiga, um sentimento de saudade, incrível se apossou de seu coração, de sua mente, ele só queria abraçá-la.
- Harry... – ela gemeu abrindo os olhos de leve – Obrigada.
- Agradeça ao Sirius... Foi ele quem se sacrificou... Sem eles, não teríamos chegado aqui!
Sirius sorriu por cima do retrovisor, ela abriu a boca para pronunciar mas não conseguiu, porém o padrinho entendeu o que ela quis dizer.
- Está desnutrida, precisa comer alguma coisa urgente... – disse Harry chateado pelo estado da amiga ser deplorável – Ó ou! Temos problemas! – Harry olhou pelo espelho ao lado do carro – Corre Sirius, corre porque eles estão colados na nossa traseira!
Sirius não pensou duas vezes, pisou fundo no acelerador, estava praticamente fazendo loucura, porque andar a 200km/h naquela rodovia, era praticamente suicídio.
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Cedrico se revirava no canto da parede para se livrar do beijo, mas Draco havia prensado seu braço contra o peito do rapaz, de modo que não havia muita escapatória, até que finalmente ele cedeu e se afastou.
- Você não quer... Eu entendo!
Cedrico suspirou, inquieto.
- Você devia respeitar os meus limites... Eu não estava pronto para tudo isso... – seus olhos começaram a lacrimejar – Eu definitivamente não estou pronto!
Cedrico virou as costas e saiu correndo para dentro do carro, Draco resolveu que não deveria ir atrás, realmente não estava com a razão. Passou as mãos no cabelo, bufando.
Ele também estava sofrendo com tudo isso, estava superando um certo alguém, um certo alguém que só trazia problemas!
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- Vamos, Sirius! Acelera! – gritou Harry ao ver eles colando na traseira do carro, e soltando faíscas, com um tranco, eles foram jogados para o acostamento da pista.
- Não dá para correr mais do que isso, Harry! Há radares por toda a pista! – Sirius estava começando a ficar preocupado – Alguém vai ter que parar! Alguém vai ter que desistir!
- Mas não vai ser a gente – disse Harry apertando os pulsos com firmeza – Não vamos deixar Hermione cair nas mãos desses bandidos outra vez!
E houve outro tranco, provavelmente eram os ladrões acertando o carro na traseira da Range Over preta, de Harry.
- Acelera! Acelera! Pega a pista da direita! – dizia Harry querendo ajudar mas só atrapalhava, Hermione gemia no banco de trás, com a mão na barriga, Harry apertou a sua mão como consolo – Vai ficar tudo bem... Sua mãe está com saudades!
Sirius sentia o volante vibrar de tamanha velocidade que o carro estava, começava a perder o controle. A sua visão ao lado passava tudo em borrões.
- Tem uma festinha esperando você... Fica calma! – dizia Harry tentando consolar Hermione.
- Harry... – ela gemeu como se não agüentasse mais.
- Vai ficar tudo bem, confia em mim! – ele disse.
- Acho que não vai não, Harry! – disse Sirius verificando pelo retrovisor que o assaltante com o nariz cheio de sangue puxava o capuz negro e revelava o seu rosto escuro, seus olhos eram castanhos e o cabelo todo bagunçado – A situação vai ficar pior!
- Shiii... – pediu Harry, querendo silêncio para quietar a amiga – Toma o meu casaco! – Harry tirou as suas roupas e entregou a amiga que gemia – Você deve estar com frio!
O assaltante apoiou metade do corpo para fora do carro e puxou a arma.
- Vamos ter que fazer uma manobra... Radical! – Sirius estava na primeira pista, virou o volante com todas as forças que tinha para o carro ser guiado até a terceira pista, e entrar em um pontilhão, na tentativa de despistá-los, mas não adiantou, porque eles continuaram fazendo o mesmo caminho, embora o homem no carro havia entrado no carro.
Sirius virou com tudo por cima do pontilhão e continuou a acelerar quando atingiu o topo, o homem voltou a aparecer com o revólver nas mãos.
- Segura, Harry!
O cara apertou o revolver nas mãos e ouviu-se um barulho de estouro.
- SEGURA! – berrou Sirius segundos antes, mas tudo aconteceu muito rápido naquele instante.
Em um piscar de olhos, Harry viu o carro rodopiando na pista, e as cenas passaram rapidamente por sua cabeça, ele se segurou no banco mas não foi o suficiente, sua cabeça bateu várias vezes contra o vidro da janela, ele achou que fosse ter um traumatismo craniano, mas de repente apagou.
Hermione foi a mais prejudicada com tudo isso, sua cabeça foi ao teto umas três vezes e ela foi arremessada pela porta que se abriu quando o carro começou a rolar pelo barranco, porém, Sirius e Harry não tiveram a mesma sorte, talvez, porque alguns instantes mais tarde, o carro estava em chamas.
Os ladrões pararam o carro em cima do pontilhão para enxergar a cena e davam risadas. Malditos!
Hermione sentiu que tinha todos os ossos quebrados pelo violento golpe, tentou abrir os olhos mas era impossível, acabou desmaiando ali mesmo, e sentiu um calor terrível percorrer pelo corpo. Um calor que não vinha do ambiente. Vinha das chamas, o carro havia explodido!
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Lílian estava juntando as folhas para a primeira aula de culinária, as demais alunas estavam enfileiradas por trás de seus respectivos balcões, em cima havia um fogão projetado e algumas panelas com ingredientes.
Ela olhou no relógio impaciente e passou os dedos finos pelos cabelos loiros e enrolados, colocando-os atrás da orelha, não se acostumara ainda com o novo visual, mas sabia que estava fazendo sucesso.
O relógio marcava que a professora estava atrasada uns dois minutos, e ela não estava a fim de ficar esperando por muito tempo.
E logo ela entrou pela porta dos fundos, Lílian assustou e se virou para vê-la, era uns dez anos mais jovem, porém aparentava ser mais velha que Lílian, já que a mesma tinha sua idade real escondida por trás da maquilagem e dos efeitos juvenis que a vida lhe presenteara.
- Boa tarde! – cumprimentou a professora docemente, ela entrou passando pelos balcões, ajeitando o óculos no rosto dando um ar de professora intelectual.
- Boa tarde! – responderam todas em coro, e ela caminhou na direção do tablado, onde subiu e ficou explicando algumas coisas básicas. Lílian se sentiu envergonhada por não saber quase nada sobre cozinha.
- Com licença! – disse uma voz vindo da porta.
Automaticamente os alunos se viraram na direção do lugar, inclusive a professora. Havia um homem com cabelos loiros e grisalhos, segurando a porta com os dedos e somente com a cabeça do lado de dentro. Remo Lupin.
- Desculpe o atraso... Mas, posso entrar?
"Não!" quis berrar Lílian.
- Pode! – disse a professora meigamente ajeitando mais uma vez os óculos.
Lupin fechou a porta às costas e procurou escolher um balcão vazio, um pouco distante de Lílian, sem ter a idéia de que ela estava lá. Ela virou o pescoço em direção à lousa, querendo ser oculta pela massa de outras mulheres.
- Vamos aprender a fazer cookies! – ela anunciou e a classe soltou uma exclamação de felicidade.
Os alunos começaram a ajeitar os ingredientes, e começaram a fazer a receitar valer a pena. Lílian, claro, não se saiu muito bem, seus pensamentos vagavam pelo homem que estava a alguns metros de distância, ela se sentia vigiada por ele, e teve isso como resultado quando resolveu dar uma espiada por cima do ombro e seus olhos se encontraram com os dele. Ela ficou sem reação, e ele acenou.
Lílian virou a cara não querendo dar esperança a ele, por mais que ela o amasse, ela não queria que ele se envolvesse em seus problemas amorosos. Queria impedir de que ele sofresse... Mas isso estava saindo pela culatra!
Lílian acabou botando fogo em seu avental, e uma de suas colegas jogou um balde de água fria, resultado: ela acabou ensopada, sem necessidade porque o fogo não tinha se alastrado a tal ponto.
Ela se retirou da sala para ir embora mais cedo, e quando estava entrando no carro, foi surpreendida por Lupin correndo em sua direção.
- Espera... A gente precisa conversar!
Ela deu um suspiro, não ia agüentar.
- Lupin... – ela gemeu sentindo o coração palpitar, era impossível que ela fechasse os olhos para o homem a sua frente. Ela o amava com todas as forças que tinha.
- Lily... A gente precisa conversar! – ele disse parando ao lado dela – A gente não pode ficar se evitando assim...
- Remo, eu... – ela abaixou os olhos, tinha uma incrível vontade de chorar, ao mesmo tempo de pular no pescoço dele e dizer 'adeus' para a sua vida infeliz, mas não podia... Por mais que quisesse, não podia – Eu... Eu estou cumprindo uma missão!
- Você faz parte do FBI ou alguma coisa do tipo? – ele perguntou tentando ser irônico.
Lílian não riu, ergueu o rosto sério e se levantou do banco.
- Pior. Pior do que isso – ela confessou com um suspiro longo.
Lupin passou os dedos pelos cabelos dela a ponto de quase beijá-la.
- Vamos... Eu te ajudo... Diga-me o que está acontecendo...
Ela quis chorar. Ela quis, ela ia contar... Ela não suportaria.
- Remo... Está acontecendo... – o celular começou a tocar dentro de sua bolsa, interrompendo o momento – Um segundo... – ela disse e virou para colocar a mão dentro da bolsa, tirou o celular, abriu-o e atendeu.
Lupin afastou alguns segundos para deixá-la mais à vontade, e ela falou algumas coisas preocupadas, e desligou pálida.
- Aconteceu um acidente... – ela disse e agora fechava o celular, pondo-o dentro do bolso.
Lupin sacudiu os cabelos ao vento, preocupado.
- Com quem?
- O carro de Harry capotou... E ele está na UTI! – ela disse e caiu em lágrimas. Lupin passou os braços em volta dela, ela desabou a chorar.
Não agüentara perder o marido. Agora o filho em seqüência... Era suicídio, na certa, mesmo que Lupin continuasse a confortá-la com aqueles braços macios e com aquele cheiro que a extasiava.
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Ele parou o carro no estacionamento e a loira saiu aos prantos de dentro, correu pela porta automática adentro, enquanto Lupin terminava de estacionar o carro dela. Ela não tinha condições de dirigir.
Lupin encontrou-a alguns minutos mais tarde, chorando no balcão do hospital, conversando com uma das enfermeiras, tudo indicava que ele estava indo de mal a pior, a única pessoa que estava melhorando pouco a pouco era a garota, o que indicava ser Hermione.
- A mãe dela precisa saber... Ela está salva! Se for realmente Hermione...
- A garota pode ser Gina! – disse Lupin não querendo quebrar as esperanças dela, mas tendo que ser real.
Lílian deu as costas, sem dizer nada, passou as mãos nos cabelos loiros e lisos, discando para o celular da ruiva.
- Oi? Gina? Tudo bem? Não, não... Ele não está nada bem! Mas... Tudo bem mesmo? O Harry? – ela trocou olhares assustados com o professor – O Harry está bem... Olha! Daqui uns dez minutos eu passo aí para a gente conversar! Tudo bem... Ok, certo... – ela desligou.
- Então?
- Não é a Gina! – ela deu um suspiro de alívio, e abraçou Lupin novamente, os dois ficaram parados no corredor do hospital, trocando carícias, até que a porta automática de vidro se abriu novamente, e uma mulher de cabelos cacheados e salto alto, entrou, foi na direção do balcão e debruçou às lágrimas.
- Queria saber... Sobre a minha filha... Andaram ligando na minha casa!
A recepcionista indicou que ela conversasse com a enfermaria mais próxima, nisso, Lílian já tinha ouvido um pouco da conversa, adiantara-se entre a mulher de cabelos cacheados e sussurrou.
- Você é a mãe de Hermione?
Ela limpou as lágrimas com o dedão e sacudiu a cabeça em concordância.
- Ela está melhorando – Lílian disse.
- Ela está viva? – perguntou a mulher preocupada.
- Perfeitamente – respondeu a enfermeira se aproximando com uma prancheta – Mas precisamos estudar o seu comportamento durante os próximos dias, até porque, ele está se recuperando pouco a pouco.
A mãe de Hermione começou a chorar de felicidade.
- Eles a salvaram!
- Harry a salvou! – corrigiu Lílian encarando o perfil da mulher.
- Você...
- Eu sou mãe dele – apresentou-se, e apontou o polegar para Lupin – E este é o professor de Geografia de nossos filhos!
Ela sorriu e cumprimentou os dois com a cabeça.
- Ele... Ele a salvou! – ela disse, e as duas se abraçaram, Lílian voltou a chorar – Mas ele não está tão bem assim.
- Tudo vai melhorar, eu garanto – disse a sra. Granger sorrindo – Vamos ter fé!
Ela concordou e se afastou, Lílian virou na direção de Lupin e sussurrou.
- Se você não se importa... Eu vou... – mas ele não estava com os olhos fixos nela, ele olhava para a porta, com um ar de raiva.
Lílian olhou por cima do ombro para verificar o que ele estava olhando, quando seu olhar encontrou uma mulher de cabelos roxos, alta e magra, mascando chiclete, ainda com o seu ar jovial. Tonks, a ex-noiva de Lupin.
Lílian sentiu uma enorme raiva, como vinha alimentando esse ódio a vida toda, desde que sentira inveja por ela estar com Lupin. Mas agora não tinha a mínima noção do que ela estava fazendo ali, até que...
- Sirius Black! – ela perguntou – Que quarto ele está?
A recepcionista digitou no computador.
- Ele está passando por cirurgias no momento – ela respondeu calmamente – Mas vai ficar bom! O que a senhorita é dele?
Ela sacudiu os ombros.
- Acho que namoramos, sei lá...
Os olhos de Lílian ficaram do tamanho de jabuticabas, ela e Lupin trocaram olhares assustados. Isso significava que ele namorava Tonks às escondidas? E não contara a ninguém? Belo traidor...
- Vai ficar tudo bem – sussurrou Lupin desviando o olhar de raiva, na direção de Lílian, tentando amolecer o coração – Vá conversar com Gina, com Rony... Eu fico aqui no hospital esperando ele acordar! Vai trocar essa roupa molhada, tomar um banho e descansar!
- Mas... Mas e você? – ela perguntou com os olhos meigos.
- Não importa, eu ficarei a noite toda aqui...
- Não vai dormir? – perguntou ela com pena dele.
- Não, não, tudo bem... Terei companhia – e apontou para a Sra. Granger – Ela também vai ficar aqui!
Lílian sorriu e beijou o seu rosto.
- Obrigada... Obrigada de verdade – ela virou as costas e saiu, deixando um Lupin bobo para trás, porém, no meio do caminho foi barrada por Tonks, segurando a sua bolsa verde, totalmente esquisita e fora de moda.
- Oi... Você é a Lílian Potter? – ela perguntou.
- Sim, sou eu! – ela encarou Tonks com desgosto.
- Não estamos em tempos de briga... – sussurrou Tonks querendo manter amizade.
- Não estamos em tempos de confraternização... – respondeu Lílian grosseiramente.
Lílian fez o contorno e saiu, deixando Tonks com cara de boba, também.
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O Sr. Weasley estacionou o carro azul e do Ford Anglia saíram, Gina, seguida por Rony, e pelo lado da frente, a Sra. Weasley e o seu marido. Os quatro ruivos atravessaram o estacionamento do hospital e foram direto para a recepção.
- Viemos ver Harry James Potter – disse Gina debruçando no balcão e colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha para mostrar os brincos de argola.
Rony se apoiou ao lado dela, enquanto o Sr. Weasley passava o braço pelo ombro da esposa, apertando com firmeza para que ela parasse de chorar, mas a mulher parecia em pânico, carregava um lencinho nas mãos para limpar as lágrimas que escorriam, e um terço na outra, sempre pedindo a Deus que ajudassem-nos.
- Gina! – disse Lupin indo em sua direção.
- Professor! – ela disse preocupada voltando para ele – Você soube do Harry?
Ele sorriu e a segurou pelos ombros.
- Acabo de saber que o seu namorado passou por uma cirurgia no joelho mas está perfeitamente bem.
- Jura? – os olhos dela brilharam e a Sra. Weasley voltou a rezar, agradecendo.
- Sim – ele respondeu sorridente – E a Hermione já está acordada, se quer saber!
- A Hermione... – gemeu Rony com o peito batendo forte de saudades – C-como ela está?
- Desnutrida, na verdade – disse a Sra. Granger aproximando – Acabei de voltar do quarto, está tomando sopa!
- Onde ela está? – perguntou Rony impedindo de Gina de continuar a fazer perguntas sobre Harry.
- Ela está no primeiro quarto, virando à direita, no próximo corredor.
Rony deixou o grupo para trás, enquanto Gina bombardeava Lupin de perguntas, até que a Sra. Weasley interrompeu a filha, e perguntou.
- C-como... Como está o Sirius?
Ele fechou a cara de leve, meio chateado.
- Sirius corre sério risco de vida – ele abaixou a cabeça – Ele está desenganado!
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A mãe de Hermione passou a semana inteira no hospital junto com Lílian, as duas ficaram o tempo todo ao lado dos filhos e do homem também internado, Tonks aparecia depois do expediente, sempre cansada e com profundas olheiras, Lílian estava começando a ficar com dó, e geralmente as duas trocavam meia dúzias de palavras, até mesmo sentaram no refeitório para jantar, um dia.
Lílian estava precisando sair com Lúcio naquela semana, não que estivesse deixando Harry de lado, mas ela precisava fazer o seu trabalho social para recuperar todo o dinheiro que perdera, até porque o filho dependeria disso, estava passando por tratamentos médicos e receberia remédios caros. Ela só estava em busca da sobrevivência.
Lupin e Tonks ficaram sozinhos, sentados, no corredor do hospital, naquela noite. Ele folheando algumas revistas, sem trocar muita conversa, até que ela começou a chorar em silêncio, e em meados aos gemidos, ele resolveu se render, abaixar as armas e consolá-la.
- Ei... Vai ficar tudo bem! – Lupin pegou na mão da mulher.
- Não sei se vai – ela disse limpando as lágrimas do rosto.
Lupin passou os seus braços em volta das costas da mulher, aconchegando-a, até que ela sussurrou de leve.
- Faz tempo que não fazemos isso, não é mesmo? – comentou ela por comentar.
- É... – ele resmungou – Mas sabe... Não devíamos estar assim!
- Eu sei... – ela disse quieta – A Sra. Granger não vai gostar nada disso...
- P-por que a Sra. Granger? – perguntou Lupin levemente assustado.
Tonks deu uma risadinha abafada, não sabia se falava ou não sobre o que estava acontecendo.
- Não sei se posso contar... – e ela se afastou do abraço, embora estivesse muito gostoso ficar daquele jeito – Mas ela está apaixonada por você!
Lupin riu, sacudindo os ombros.
- Não pode ser... Nós somos amigos!
- Ela disse para mim, ontem!
- Como?
- Ela contou que vocês estavam mais unidos devido ao acidente com a filha dela... Que você a consolava e tudo mais, e ela está gostando muito mesmo de você!
Lupin ficou levemente chocado.
- Mas... Eu... Eu não posso...
- Eu sei que você gosta da Lílian – ela disse revirando os olhos – Mas... A Lílian não dá a mínima para você.
Os olhos de Lupin encheram de lágrimas, Tonks estava esmagando a sua última esperança com toda a força que tinha, mas se segurou.
- Ela está resolvendo alguns problemas!
- E por que ela não os compartilha com você? – perguntou Tonks – Não acha que ela está partindo para outra relação e está deixando você preso a ela? Não acha que ela está sendo egoísta demais pensando somente nela?
Lupin abaixou a cabeça, deprimido, a dura realidade era vista por todos, menos por ele. Não queria acreditar nisso.
- É saudável gostar de alguém... – disse Tonks – Mas é mais saudável ainda ser correspondido por esse alguém, e não ser humilhado, deixado para trás!
- Eu... Eu não sei do que você está falando – ele resmungou e virou o rosto para a porta, não querendo encarar Tonks.
Ela passou a bolsa pelo braço e apoiou nos ombros.
- Você vai ser sempre uma opção para Lílian, Remo... E se você deixar a Sra. Granger escapar, eu sinto muito, mas vai estar perdendo um grande partido!
Lupin girou os olhos molhados.
- Eu... Eu não...
Tonks o beijou de leve no rosto, e ficou em pé.
- Na hora certa, você vai saber o que fazer... Mas lembre-se, nunca trate como primeira opção, aquela pessoa que te trata como prioridade!
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Lílian terminou o seu trabalho de etiquetar todas os nomes da agenda de Lúcio, terminou de limpar a escrivaninha e segurou com firmeza aquela pasta preta, estava com vários documentos que ela trabalhara semanas para terminar, e finalmente, estava tudo pronto.
Olhou para o lugar vazio, era uma tarde de sexta-feira, quase oito horas da noite e não haveria mais clientes. Estava cansada e desejava mais do que tudo, um bom banho e uma cama bem quentinha.
Bateu com os nós dos dedos na porta do chefe, e ele respondeu com um seco.
- Entra! – talvez estivesse mesmo muito nervoso com o trabalho do dia todo.
Ela empurrou a porta e para o seu espanto, o escritório do homem estava todo sujo, não sujo, tecnicamente eram pétalas de rosas espalhadas por todo o lugar, Lúcio estava sentado na própria escrivaninha, ajeitando a gravata, com um sorriso nos lábios, o lugar estava contornado por velas. Um ambiente incrivelmente romântico.
- Eita... Lúcio... – ela sentiu uma vontade louca de deslocar até ele, e beijar intensamente. E ela ficou surpresa com esse pensamento, porque não era com esse objetivo que ela andava saindo com o loiro. Ela queria recuperar o seu dinheiro, e não... Sair, realmente, com ele!
- Você gostou? – ele caminhou em passos curtos até ela, com as duas mãos nos bolsos da calça.
- É muito lindo... – ela sussurrou com um brilho nos olhos – Mas... Mas eu não estou preparada para isso, no nosso relacionamento... Quer dizer, começamos a namorar há poucos meses!
Ele sorriu e passou as mãos na cintura dela, ultimamente ela vinha sentindo arrepios por ele, coisa que ela jamais imaginara sentir.
- Eu amo você – ele sussurrou bem perto dela com seu hálito gelado de menta, ela se derretia por isso.
- Eu... Eu também amo você – ela dificultou um pouco para dizer isso, mas conseguiu.
E ele a beijou de leve nos lábios, com um certo carinho que não costumava ter, Lílian ainda segurava a pasta preta com as duas mãos, pondo-as entre os seus peitos, mas Lúcio pegou a pasta e jogou para o lado, encaixou o seu peitoral, ainda definido, com os dela, sentindo o coração bater desesperadamente.
- Eu quero sentir você nos meus braços essa noite... – ele sussurrou.
Lílian deixou escapar um gemido de desejo, mas quando se deu pensando por isso, resolveu afastar. Não ia deixar ser levada por um Malfoy tão facilmente, aliás, já havia sido enganada uma vez, por que não duas?
- Eu... Eu sinto muito! – ela sussurrou e se afastou – Mas... Mas eu não estou pronta!
- Tudo bem... Eu não vou insistir – ele murmurou baixinho – Vou esperar quando você quiser!
Ela sorriu e fechou a porta, voltando a ficar sozinha de volta na sala, até que um homem que não estava lá, apareceu trazendo uma máquina digital nas mãos.
- Tirou a foto? – ela perguntou.
- Tirei – ele murmurou e mostrou, a foto de Lúcio e Lílian se beijando.
- Ótimo... Se você postar isso no jornal amanhã de manhã, a cidade toda vai ficar sabendo – ela disse sorrindo – E isso vai acabar revelando oficialmente o nosso namoro, e vai acelerar o processo!
- Q-que processo? – ele perguntou.
Ela riu, pensando: "Em breve vamos estar casados".
- Nada – ela tirou uma nota de cinqüenta dólares da bolsa, era tudo o que tinha, ultimamente – Quero ver isso nos jornais, o mais rápido possível.
Ele concordou e saiu, com a cabeça baixa. Ela se fitou no espelho, admirando pela incrível capacidade de copiar o plano dos outros. Narcisa tinha tirado uma foto de Lílian e de Lupin se beijando, não tinha? Agora... Ela faria o contrário, mas incluindo a própria e o ex-marido de Narcisa, Lúcio.
Lílian se virou imaginando: "Lúcio e Lílian namorando", seria a manchete do jornal do dia seguinte. Uau!
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Lílian voltou correndo para o hospital, queria avisar Lupin sobre a manchete do jornal que havia acabado de sair. Lúcio e Lílian aos namoricos. Ele era uma celebridade, ela não. Mas isso, como ela imaginara perfeitamente, aceleraria o processo de namoro dos dois, e em poucos meses eles estariam casando.
Lílian atravessou os corredores assustada, e viu Lupin. De um jeito que ela não gostou.
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Lupin leu o jornal enquanto tomava café, e as palavras de Tonks da semana passada, tornaram a alfinetar a sua cabeça: "Ela não gosta de você, ela te trata como uma segunda opção".
Era verdade, agora ele estava com a prova de que era a verdade. Tonks estava absolutamente certa, e só com provas reais que ele se tocara disso.
A Sra. Granger aproximou com os cabelos arrumados, e deixou a bolsa cair em cima da mesa, tinha posado fora essa noite, mas estava de volta para mais um dia no hospital, cuidando da filha.
- Sabe – Lupin abaixou o jornal e a encarou – Estava com saudades...
Ela corou de leve nas bochechas.
- Também.
- Não consegui dormir – murmurou ele de um jeito doce pegando na mão dela – Não parei de pensar em você, durante a noite inteira.
A Sra. Granger corou ainda mais e desceu os olhos para as mãos conectadas na mesa.
- Não... Por favor, Lupin, não... Eu estou vulnerável, e... – ela desabou em lágrimas, tampando o rosto com as duas mãos.
Lupin tirou as duas mãos do rosto da mulher, e a encarou.
- Ei... Vamos, não fique assim, Hermione está bem, e... – ele engoliu em seco, pronto para uma investida – Eu sempre vou estar ao seu lado!
Ela o encarou firme, com os olhos e puxou as duas mãos, os dois se levantaram em um segundo, e se abraçaram com força, nesse momento, os cabelos loiros e lisos, no fundo, faziam cento e oitenta graus para ir embora com a dona deles, Lílian.
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A enfermeira se aproximou com as duas mãos no bolso, e com o esfigmomanômetro em volta do pescoço (aparelho que serve para medir a pressão arterial).
- Quem são os responsáveis por Sirius Régulo Black? – perguntou a mulher tirando uma das mãos do bolso para tirar uma mecha de cabelos do rosto.
- Somos nós! – disse Lupin e Tonks ficando de pé em um segundo. A Sra. Granger acordou pois estava dormindo no ombro de Lupin e ficou assustada, também se levantou.
- Tenho duas notícias boas – ela murmurou – Para os companheiros do carro de Sirius, mas... Para o próprio, a novidade não é tão boa assim!
- O que houve? – perguntou Tonks, chorosa.
- Bom, as notícias boas são que, Harry James Potter e Hermione Jane Granger vão ficar bem, sem danos permanentes, mas... A notícia ruim é que, o senhor Sirius Black não vai retornar a viver, acho que a melhor opção a se fazer, é desligar seus aparelhos respiratórios, para que sofra menos!
Tonks estava em prantos, com as duas mãos no rosto, gritando feito louca, no meio do corredor do hospital.
Nota do Autor: Obrigadão pelos comentários... Adorei as reviews. Obrigado e beijos. Espero que continue sempre assim, porque em breve vamos passar o número de reviews da PRIMEIRA TEMPORADA! Beijos.
Próximo Capítulo:
Gina agarrou Harry com força e o abraçou como se não fosse soltar mais.
- Eu não quero me afastar mais de você... Eu te amo sem dimensão... Eu te amo de um jeito inexplicável... E...
Harry riu. E ela olhou para ele com uma cara de inocente.
- O que foi?
- Você falando isso... Parece que eu quase morri!
- Mas você quase morreu! – ela disse séria, com os olhos vermelhos em lágrimas – Por um instante... Eu achei que você... Que você fosse...
Harry não deixou que ela terminasse de falar, segurou as duas mãos em sua cintura e a beijou nos lábios, calando-a.
- Eu te amo... E nem a morte vai separar esse amor, certo?
