James

Oito anos atrás...

— Você tem certeza que quer fazer isso? — Pergunto. Quando ele não me responde viro-me e o vejo encarando fixamente a porta do ginásio. — Sirius, cara, você está me ouvindo?

— O que? — Ele pergunta parecendo sair de algum tipo de transe e seu olhar encontra com o meu.

— Você tem certeza quer ficar? Quer dizer, são 9 horas ainda, eles só vão sair lá pela meia noite, ou mais tarde.

— Tenho certeza. Não vou sair daqui até que eles saiam também. — Ele diz voltando a observar através do vidro do carro quem entra e quem sai do ginásio.

— Tudo bem, você quer ficar aqui e bancar o perseguidor, tudo bem para mim, mas eu estou dando o fora. — Antes que eu possa sair, sua mão pesada repousa sobre meu ombro.

— Nem pense em ir embora, você causou isso então você vai me ajudar a concertar.

— Cara, o que a gente pode fazer se ela quiser fazer alguma coisa com ele? — Sirius vira a cabeça lentamente e eu juro que nunca vi um olhar tão assassino em seu rosto como agora.

— Ela. Não. Vai. Fazer. Nada. Com. Ele. — Ele diz com os dentes cerrados e as mãos fechadas em punho.

— Tudo bem, então o que estamos fazendo aqui? Você acha que ele vai tentar algo com ela e você espera ir lá, salva-la e se tornar o seu herói?

— Mais ou menos isso.

— E se ele não tentar nada? — Pergunto e Sirius dá uma risada seca.

— Ele vai tentar. Ela é linda, ele é um moleque que só tem uma coisa na cabeça e hoje é a noite da formatura deles. Todos os garotos lá dentro estão esperando transar depois do baile e você sabe muito bem disso.

— Tudo bem, então você vai garantir que ele a leve direto para casa depois do baile. — Ele apenas assente. — E vai ser só isso, não é? Você não vai se meter em nenhuma confusão, vai?

— Meu Deus, James, quando foi que você virou uma garota? Achei que você corresse em direção de problema, e não corresse dele.

— Isso é ferrado, cara, só digo isso. — Digo soltando um suspiro de derrota e me reclinando mais no banco do carro.

Ficamos alguns minutos em silêncio, imersos no completo e absoluto tédio, até que Sirius começa a resmungar.

— Ele deve estar nesse momento dançando com ela, segurando na sua cintura e sussurrando em seu ouvido. Bastardo. Eu que deveria estar com ela lá dentro... Maldito Lucius Malfoy. Aposto que ele está imaginando como vai se dar bem hoje a noite, idiota, a única coisa que ele vai ganhar hoje se tentar algo com ela é um olho roxo. Não acredito que estou perdendo esse momento da vida dela, eu queria estar com ela lá dentro, dançando juntos uma musica romântica, pegando ponche quando ela estivesse com sede, emprestando meu paletó quando saíssemos e ela estivesse com frio. Levar ela para algum lugar e fazê-la se sentir amada. Eu que deveria estar lá dentro com ela. — Ele diz mais uma vez e eu reviro os olhos com impaciência. Deus do céu, não aguento mais ouvi-lo reclamando e não fazendo nada.

— Então entre lá. — Digo de saco cheio.

— Como assim? — Ele me olha curioso. — O que você quer dizer?

— Isso que você ouviu. Entre lá e dê um chega para lá naquele garoto e dance com a sua garota.

— Ela não quer me ver nem pintado de ouro, James. Ela nunca vai largar ele para dançar comigo, ela foge toda vez que me vê.

— Você não parou para pensar o motivo dela fugir e não querer ficar perto de você? — Ele me olha confuso e eu continuo. — Ela sabe que se ficar tempo suficiente perto de você, ela vai ceder. Ela te ama e quem ama é fraco.

— Ela não me quer por perto porque ela não me suporta, ela está magoada.

— Cara, entre lá dentro e a faça te escutar por pelo menos cinco minutos. Ela nunca te deu chance de explicar o que realmente aconteceu. Já passaram meses desde a festa, ela está de cabeça fria agora. Se você insistir, ela vai ceder.

— Mas na festa de formatura dela? Você está dizendo para eu simplesmente entrar lá e arrancá-la dos braços daquele moleque e obrigá-la a me escutar?

— Exatamente isso que eu estou dizendo.

— Muito cavalheiro. Não vai funcionar, não tem como eu ir lá, afastar o idiota e fazê-la me escutar.

— Bem, nisso você tem razão. Você tem que conversar com ela longe do idiota.

— Só se você me ajudar com isso. — Ele diz me olhando com um sorriso lento e diabólico surgindo em seus lábios e iluminando seu rosto.

— Como assim te ajudar? Ajudar como?

— Vamos entrar lá, localizar os dois e esperar o melhor momento. Então quando chegar a hora, você arranca o moleque de lá e leva para algum lugar, o banheiro, os fundos do ginásio, amara ele e joga na caçamba de lixo... Sei lá, qualquer coisa que vá mantê-lo afastado dela tempo suficiente para que eu a convença a me escutar.

— Cara, isso vai dar merda. — Digo tendo uma sensação ruim sobre isso.

— Você me deve essa, James. — Ele joga na minha cara e a culpa por ter dado aquela maldita festa onde tudo aconteceu me atinge como um soco no estômago.

— Tudo bem, vamos nessa. — Digo saindo do carro.

— Se eu soubesse que iríamos invadir a festa tinha me vestido melhor. — Sirius diz arrumando a camisa de flanela verde e passando as mãos na calça jeans.

"Depois eu que sou menina."

Passamos pela porta e andamos pelo corredor, mas paramos quando vemos uma mesa com duas garotas bem ao lado da porta fechada que leva para a festa.

— Merda, sujou. Só entra quem tem ingresso. — Sirius diz virando para mim e passando a mão pelos cabelos.

— E agora? — Pergunto.

Ele vira a cabeça discretamente e observa as duas garotas que estão conversando.

— Você tem que ir lá e persuadi-las a nos deixar entrar.

— Com persuadi-las você quer dizer...

— Quero dizer dar em cima delas. Mas isso não vai ser um problema, não é? Você vive para isso.

— É, mas em cima de garotas gostosas, essas daí... — Olha para as duas garotas com seus vestidos estranhos. Sirius sabe que quem fica encarregado de recolher os ingressos na entrada são as pessoas que não receberam nenhum convite para ir ao baile. Ou seja, normalmente garotas estranhas que nenhum cara quer ser visto com elas.

— Ou você faz isso ou não vamos conseguir entrar.

— Vamos tentar a porta dos fundos. — Digo com esperança.

— Você sabe que a porta dos fundos do ginásio só abre por dentro. Você já estudou nesse colégio, cabeção. — Ele diz me dando um tapa na parte de trás da cabeça.

— Tudo bem então, e se oferecermos dinheiro? — Sugiro outra opção.

— Elas tem cara de quem vão gostar mais de um cara bonitão como você dando em cima delas do que de algumas notas, meu amigo. — Ele diz com uma cara divertida.

Ele está se divertindo as minhas custas. Filho da mãe.

— Porque não vai você falar com elas, você também é bonitão, amigo.

Digo com raiva contida.

— Eu sou um homem comprometido. Não vou dar em cima de outra mulher enquanto a mulher que eu amo está do outro lado da porta.

— Você é um fodido mesmo, sabia? — Pergunto e começo a caminhar em direção à mesa com as duas meninas, posso ouvir a risada de Sirius e tenho que me lembrar de que só estamos nessa situação por culpa minha, e que eu devo isso para ele.

Paro em frente da mesa com o meu melhor sorriso "arranca calcinha", as duas param de conversar quando percebem minha presença e se viram em minha direção. As duas abrem a boca e me olham como se quisessem me devorar.

Sinto um arrepio e o meu sorriso vacilar, mas disfarço e continuo sorrindo para elas. Apoio ambas as mãos na mesa e me inclino para frente.

— O que moças tão lindas estão fazendo aqui que não estão lá dentro se divertindo?

Elas se olham com sorrisos tímidos no rosto, as bochechas da loirinha se transformam com tons de vermelho e sua amiga, a morena, abre a boca e gagueja:

— Esta-tamos recolhendo-do os ingressos.

— É, porque nenhum garoto nos convidou para o baile. — A loira diz olhando para baixo e com um tom de voz que faz me sentir mal.

Sua amiga morena rapidamente tenta a cutucar disfarçadamente repreendendo-a por ter contato o fato vergonhoso.

— Pois eu acho que é eles que saíram perdendo. — Digo com a voz baixa e sedutora e pisco para elas.

Elas soltam risinhos e não conseguem me olhar direto nos olhos.

— Acho que vocês deviam largar o posto, ir lá dentro e mostrar para aqueles idiotas o que eles estão perdendo. — Digo e acaricio a bochecha da morena e depois da loira. Quando as toco dão a impressão que estão prestes a entrar em combustão ali mesmo, bem em frente aos meus olhos.

— Todos os garotos já possuem um par, não teríamos ninguém com quem dançar. — A loira diz e me dá um sorriso triste.

— Qual é o nome de vocês, lindas? — Pergunto.

— Sandy. — A morena responde.

— Amber. — A loira responde em seguida.

— Muito bem, eu vou dizer o seguinte Sandy e Amber, eu dançarei com vocês, o que acham?

— É sério isso? Você vai dançar com nós duas? — Sandy pergunta com um sorriso animado.

— Você não estuda aqui, não é? Você é mais velho. — Amber diz me olhando curiosa.

— Não, linda, não estudo. Eu estudo na UTD.

— Você está na faculdade! — As duas exclamam juntas e eu tenho que rir. Garotas de ensino médio sempre terão esse fetiche com caras da faculdade.

— Isso mesmo, lindas.

— E o que você esta fazendo no nosso baile? — Amber pergunta.

— E se oferecendo para dançar conosco? — Sandy complementa.

— Estão vendo aquele cara ali? — Viro-me parcialmente e aponto para Sirius, que está com as mãos no bolso da calça e olha em nossa direção, quando ele vê as meninas o observando sorri para elas.

Quando me viro para elas de novo, vejo que estão praticamente babando enquanto olham para Sirius.

— Podem tirar o cavalinho da chuva, lindas, aquele ali tem namorada. E é por isso que eu estou aqui. Aquele ali é o meu melhor amigo, ele se chama Sirius e namora uma garota que estuda aqui. Resumindo a ópera, os dois brigaram e ele quer fazer uma surpresa para ela hoje a noite, acontece que ela está lá dentro. — Aponto para a porta fechada de onde uma musica abafada ecoa. — E eu precisava muito mesmo que vocês deixassem nós dois entrarmos, mesmo sem um convite.

As suas se olham com um misto de desconfiança e medo.

— Não sei não. — Sandy diz parecendo indecisa.

— Nós não temos permissão de deixar ninguém entrar sem convite ou que não estude aqui. — Amber complementa.

— Ah, por favor, lindas. Vocês tem a chance de ajudar o meu amigo de coração quebrado e vocês realmente não vão fazer isso? Não custa nada. Olhe, nós entramos lá, ele e a Marlene se reconciliam e depois nós três dançamos até não aguentarmos mais, o que vocês me dizem?

— Espera um momento, você disse Marlene?

— Marlene McKinnon? — Amber pergunta.

— Essa mesma, vocês a conhecem?

— Conhecemos. — Elas respondem juntas.

— As meninas daqui sempre são umas vadias com a gente, menos a Marlene, a Marlene sempre é legal.

— Então, deixem Sirius e eu entrarmos. A Marlene vai ficar muito feliz.

Elas ficam em silêncio um momento enquanto decidem, depois de alguns segundos sorriem e assentem com a cabeça.

— Tudo bem, mas não vão fazer nada que vá nos colocar em confusão, ok?

— Ok. — "Não posso prometer nada". Penso.

Viro-me para Sirius e faço sinal para que ele se aproxime, ele caminha em minha direção com um olhar determinado.

— Essas lindas liberaram para entrarmos. — Digo para Sirius e ele lhes dá um sorriso de agradecimento.

— Muito obrigado.

Elas ficam tímidas e apenas sorriem como resposta para ele.

— Obrigado, lindas. — Digo e dou um beijo na bochecha de cada uma, seguindo Sirius para dentro do ginásio sem ficar para ver a reação delas.

Deixo a porta se fechar atrás de mim e observo o ambiente. O local está lotado de adolescentes dançando ao ritmo da musica tocada por uma banda também de adolescentes, que se encontra no palco do outro lado do ginásio.

A decoração me lembra Mardi Gras, acho que esse deve ser o tema. Há balões por todo lugar, muitas cores e a maioria das pessoas estão usando máscaras.

— Fique de olho, se você ver ela me avise. — Sirius grita no meu ouvido e eu apenas concordo com a cabeça.

Depois de alguns minutos passando os olhos pelo local e sem obter sucesso, finalmente localizo Marlene e... Merda! Ela está dançando com o idiota.

Os dois estão de máscaras, mas eu sei que são eles. Tenho que avisar Sirius que os localizei, mas ele não ficará nem um pouco feliz quando ver os dois dançando juntos, mas que droga, a musica é animada então porque esse idiota está espremendo Marlene contra seu corpo?

Bato no ombro de Sirius e aponto para a pista de dança, na direção dos dois. Assim que Sirius os vê sinto-o ficar tenso.

— Calma. — Digo em seu ouvido. Ele observa os dois dançando com um olhar muito zangado e fico com medo que ele decida encher o cara de porrada na frente de todo mundo.

— Eu vou tirar o cara daqui e você pega o lugar dele. Dança com ela e vê se pelo amor de Deus fazem as pazes logo, ok? — Ele apenas assente, então nos encaminhamos para onde os dois estão dançando.

Vou na frente e Sirius vem logo atrás de mim, tomamos o cuidado para que Marlene não nos veja antes da hora. Chego por trás dela e a seguro pelos braços, sem dar tempo dela ou do idiota reagirem, puxo-a rapidamente dos braços dele e a giro, jogando-a nos braços de Sirius que está atrás de mim.

Não fico para ver o que acontece, com um aperto firme agarro Lucius e o empurro para fora daquele amontoado de adolescentes.

Ele começa a se debater e a tentar se soltar e começa a me xingar, mas não o escuto claramente por causa da musica, algumas pessoas nos encaram rapidamente com curiosidade mas logo voltam sua atenção para seu par.

O arrasto sem maiores dificuldades até a porta dos fundos, abro-a e o jogo para fora do ginásio, ele cambaleia e quase cai no chão. Saio para o ar fresco e ameno da noite e deixo a porta se fechar atrás de mim.

— Você está louco, cara? Quem diabos é você? — Ele pergunta bravo e retira a máscara preta que cobria apenas metade do seu rosto.

— James Potter, amigo do Sirius, muito prazer. — Digo me divertindo com a situação.

— Posso saber por que você me arrastou aqui para fora, idiota?

— Para o Sirius poder dançar com a Marlene em paz e para que eles façam as pazes sem ter a sua presença apaixonada para incomodá-los. — Digo com um sorriso falso.

— Seu idiota, a Marlene está comigo agora. — Ele diz e pelo bem estar do coração de Sirius e pelo bem da cara desse moleque, espero que ele não esteja se referindo a ela estar com ele como namorada. — Ele a traiu e agora vem querer ela de volta? Bom, é tarde demais. Ela merece alguém melhor.

— E esse alguém melhor seria você? — Pergunto rindo.

— Seria sim. A Marlene estava começando a se curar e eu estava a ajudando, não vou permitir que ele a machuque de novo. — Ele diz todo corajoso e começa a caminhar para a frente do ginásio.

— Epa, onde você pensa que vai? — Digo dando um passo grande e o segurando pelo braço.

— Me solta, otário Eu vou voltar para a minha garota. — Ele diz tentando se livrar do meu aperto de aço. Jogo minha cabeça para trás e solto uma gargalhada, sinto algumas lágrimas escorrerem dos meus olhos de tanto rir. Quando me recupero olho-o seriamente.

— Olha aqui babaca, primeiramente, ela não é a sua garota. Ela é do Sirius e sempre será, porque aqueles dois nasceram para ficarem juntos, ok? E olha que eu estar dizendo essa palhaçada toda é um grande negocio, porque eu não acredito muito nisso, mas enfim... Segunda coisa, ele não traiu ela, não que eu tenha que dar alguma satisfação para você, mas ele nunca faria isso. E terceiro, acho melhor, para o seu próprio bem, você ficar longe dela. O Sirius é um cara ciumento e se você continuar dando em cima da garota dele, não vai ser nada bonito.

— Você está me ameaçando?

— Eu não, estou apenas te avisando, dando um conselho se preferir. O Sirius e a Marlene se amam, muito mesmo. De um jeito tão forte que eu nunca vou ser capaz de compreender, e apesar de eu ser muito cético com relação a essas baboseiras de amor e achar que isso é sinônimo de problema, o meu amigo não acha. Ele acredita no amor e se entregou de corpo e alma nessa relação com a Marlene. Demorou um pouco para eu entender e até mesmo aceitar essa relação deles, e mesmo ainda não compreendendo muito bem, eu respeito. Ela faz o meu amigo feliz então o que me importa se eu acredito no amor ou não? Sirius está feliz, então eu estou feliz, e qualquer um que quiser atrapalhar essa felicidade, vai ter que se ver com o Sirius e comigo. Você está entendendo o que eu estou dizendo, bro? — Acabo falando mais do que deveria, mas pelo menos acho que atingi o resultado esperado. Vejo o idiota engolindo em seco e parecendo amedrontado. Sorrio internamente.

Ninguém vai atrapalhar a felicidade do meu melhor amigo. Sirius não é meu irmão de sangue, mas é de coração, e depois de ver ele se transformar em um lixo ambulante com o termino do namoro, meio que caiu a minha fixa. Prometi para mim mesmo que apesar de achar que o amor o transformou em uma menininha chorona e que ele deveria estar pegando o maior número possível de mulheres ao invés de uma só, eu não faria mais piadas sobre isso, ou diria como ele esta cometendo um grande erro ou ainda brincar com ele e dizer que se ele quisesse eu poderia arrumar um rabo gostoso para ele para dar uma variada. Não farei mais isso. Vou respeitar a escolha do meu melhor amigo, se ele quer se amarrar a só uma garota apenas com 21 anos, então vou dar apoio total. E se alguém ameaçar esse relacionamento, eu brigarei como se a causa fosse minha. Porque afinal, é isso que irmãos fazem um pelo outro.

— E se ela não quiser se afastar de mim? — Ele pergunta.

— Não me interessa, é melhor você se afastar dela, porque se você continuar essa amizade com segundas intenções, eu acabo com você. E sim, isso sim foi uma ameaça.

— Será que você pode me soltar?

— Se você tentar ir lá dentro e atrapalhar o dois você vai se arrepender. — Digo e solto o idiota.

Alguns minutos se passam e eu continuo do lado de fora do ginásio vigiando o Lucius "babaca" Malfoy. Ele não tentou fugir nenhuma vez, mas mesmo assim por precaução, fico perto dele e de olhos bem abertos e atentos.

— Não acredito que estou perdendo meu baile de formatura. Qual é, cara, me deixe voltar lá para dentro.

— Para que? Para você ir lá dentro e atrapalhar os dois? Nem sonhando. Se o Sirius ou a Marlene não deram sinal de vida ainda significa que ele conseguiu pelo menos conversar com ela. Nós vamos esperar aqui até que Sirius apareça, se tivermos que esperar a noite toda, esperaremos.

Ele solta um grunhido de frustração misturado com raiva e chuta a parede.

— Será que eu vou ter que gritar pedindo ajuda? — Ele me lança um olhar raivoso e eu sorrio maliciosamente.

— Igual a uma donzela em perigo? — Provoco-o e ele fica vermelho de raiva. — Além do mais, pode gritar, ninguém vai te ouvir com o barulho da musica lá dentro.

Mais alguns poucos minutos passam até que a porta pela qual saímos abre e uma Marlene sem máscara aparece. Ela sai e anda em nossa direção, vejo Sirius vindo logo atrás dela. Pela sua cara posso começar a cantar vitória, Sirius parece mais relaxado, mais feliz e aquele antigo brilho está de volta em seus olhos.

O velho e bom Sirius está de volta. Graças a Deus.

— Olá, James.

— Oi, Marlene. — Cumprimento-a sorrindo. Ela olha para Lucius e lhe dá um sorriso tímido, como se desculpando.

Não me passa despercebido que Sirius passa seu braço em volta dos ombros de Marlene possessivamente quando ela se dirige a Lucius. Ele está deixando claro para o idiota a quem ela pertence e eu acho isso engraçado, obviamente não rio, mas por dentro me divirto e começo a me questionar como será isso. Como deve ser sentir ciúmes de alguém, como será agir possessivamente? Esse sentimento é um campo totalmente desconhecido para mim e sinceramente eu acho tão engraçado quando eu presencio alguma cena de ciúmes de um cara com a sua garota. Quer dizer, tem tantas mulheres por aí, porque ter medo de ficar sem aquela se é só procurar outra caso ela vá embora?

— Lucius, sinto muito ter deixado você só com o James, aqui fora. — Ela me lança um olhar, mas logo se vira para o idiota de novo.

— Marlene, o que está acontecendo, você voltou com esse cara? — Ele pergunta olhando para Sirius com uma expressão de nojo, que não é muito diferente de como Sirius está encarando ele.

— Sim, Sirius e eu voltamos. — Ela confirma.

— Isso. — Dou um grito vitorioso e um soco no ar, animado. Eu já tinha percebido, mas ouvi-la confirmando é muito melhor.

Os três me olham. O idiota com raiva, Marlene com estranheza e Sirius com diversão.

— Foi mal. — Digo dando um sorriso tímido e eles voltam a conversar.

— Você vai mesmo voltar com esse cara depois do que ele fez? — O idiota pergunta parecendo indignado e vejo a mão de Sirius que pende ao lado do seu corpo se fechar em punho, mas ele se controla e não diz anda.

— Lucius, eu e Sirius conversamos e eu acredito nele...

— Não é possível. — Ele a corta. — O cara te trai e você o perdoa? Você não tem amor próprio, Marlene?

— Não ouse falar assim com ela, seu merdinha. — Sirius retira seu braço dos ombros de Marlene e avança para cima do idiota, mas Marlene toca nele e lhe olha com olhos suplicantes. Sirius recua imediatamente.

— Olha Lucius, eu vim aqui para me desculpar por te deixar esperando e por não poder mais ser a sua companhia hoje à noite, eu vim aqui por que eu te devo isso. Mas eu não te devo explicações de nada mais. Eu amo Sirius e ele me convenceu que é inocente, eu acredito nele e acho que fiz uma enorme burrada ao duvidar dele. Então sim, eu voltei com ele e você não tem nada a ver com isso. — Marlene diz com a voz controlada e calma e Sirius nem tenta disfarçar o sorriso enorme que domina seu rosto, ele laça a cintura dela e lhe dá um beijo no topo da cabeça.

— Não tenho nada a ver com isso? Tudo bem, talvez você tenha razão. Mas você já se esqueceu qual ombro amigo estava lá quando você precisou? Quem te ouviu quando você precisava desabafar e quem te abraçou e te ajudou a ajuntar os cacos quando você estava despedaçada? — O sorriso de Sirius desaparece e uma expressão de raiva e náusea passa por suas feições.

— Não, eu não me esqueci, Lucius. Você sabe muito bem que eu sou muito grata por você ter estado lá por mim. Eu não quero que a nossa amizade termine assim, eu me importo com você. — Ao ouvir isso Sirius aperta o maxilar e seu corpo todo fica tenso. — Mas eu amo Sirius e é com ele que eu quero ficar para sempre. Gostaria muito que você pudesse aceitar isso e que nós continuássemos sendo amigos.

O idiota solta uma risada debochada e passa a mão pelos cabelos. Ele balança a cabeça devagar enquanto encara o chão e fica em silêncio alguns segundos.

— Se você prefere acreditar nesse cara, que assim seja. Mas na próxima vez que ele te machucar, não venha correndo para mim.

Sirius solta um grunhido e Marlene rapidamente lhe lança um olhar, pedindo silenciosamente que ele não se exalte.

O idiota se vira e sai caminhando, Marlene encara suas costas com tristeza, certamente lamentando a perda de um amigo.

Começo a respirar mais aliviado, finalmente as coisas estão bem de novo, e nenhum sangue foi derramado.

— Só mais uma coisa. — O idiota para e diz, se vira e caminha de volta até nós, mas dessa vez parando mais longe de nós três do que ele estava antes.

"Merda, cedo demais para falar."

— O que foi, Lucius? — Marlene pergunta.

O idiota coloca as mãos no bolso da calça social preta e encara Sirius com um sorriso diabólico no rosto.

"Merda, isso não vai prestar."

— Você pretende contar para o seu namoradinho tudo o que aconteceu entre nós? — O super, mega, idiota sem noção pergunta.

— Do que você está falando? O que aconteceu entre vocês? — Sirius pergunta se virando para Marlene. Ela o olha assustada e segura em seus braços.

— Calma, Sirius. Não aconteceu nada. — Ela diz.

— Como não Marlene? Está se esquecendo daquela noite em que...

— Cala a boca, Lucius. — Ela diz irritada.

— Não, cala a boca por quê? Deixe ele falar. Que noite? O que aconteceu? — Sirius diz tremendo de raiva.

— Não é nada, não significou nada. — Marlene diz se desculpando.

— Ah então aconteceu alguma coisa? — Ele pergunta e meu corpo todo fica em alerta. Se o Sirius se exaltar eu vou ter que apartar a briga ou se não esse idiota vai acabar indo para o hospital, não que eu pessoalmente queira evitar isso, por mim ele podia ir para o raio que o parta, mas Sirius teria sérios problemas.

— Sim, quer dizer não, quer dizer, mais ou menos. — Marlene se enrola e está claramente nervosa.

Droga. Por favor Deus, que ela não tenha feito nada com o idiota, ou ele é um homem morto.

— O que aconteceu, Marlene? — Sirius pergunta sem paciência, se exaltando um pouco e fazendo Marlene recuar um passo.

— Eu e... Bom, foi uma noite que eu estava muito mal e... A gente acabou meio que... — Ela tenta explicar, mas sem conseguir formar uma frase compreensível, começa a gaguejar e os olhos se enchem de lágrima e eu tenho vontade de chorar também.

"Estava tudo indo tão bem, se não fosse esse filho da puta. Eu vou acabar com ele."

— Não consegue? Tudo bem, eu conto. Eu e Marlene dormimos juntos. — O idiota diz com um sorriso presunçoso no rosto. Antes que eu posso fazer qualquer coisa, antes que Marlene possa abrir a boca para se defender e sem mesmo perguntar se aquilo era verdade, Sirius desfere um soco bem no queixo do idiota.

Marlene solta um grito e cobre a boca com as mãos, o idiota grita de dor e cambaleia para trás com a mão no queixo e Sirius sem dar tempo para que ele se recomponha, parte para cima com uma fúria sanguinária.

Sirius acerta socos e chutes no idiota, que tenta revidar, mas não consegue acertar Sirius nem uma única vez. O meu amigo é o melhor lutador não profissional que eu conheço.

Marlene grita e pede que Sirius pare.

— Sirius, por favor, pare com isso... Sirius, é mentira, eu e ele não dormimos juntos, pare por favor. — Marlene pede desesperada e assim que ouve as palavras, Sirius para, deixando o idiota muito machucado caído no chão.

— Como assim? Você não dormiu com ele? — Ele pergunta com confusão e raiva misturados no olhar, e Marlene balança a cabeça.

— Então sobre o que você estava tão nervosa? O que aconteceu que você não estava conseguindo me contar? — Ele pergunta se aproximando dela.

— Sirius, meu amor... Eu e o Lucius não dormimos juntos, pelo menos não do jeito que ele deu a entender e que você acha que foi. — Ela diz enxugando as lágrimas do rosto.

— Como assim? — Sirius pergunta frio como gelo.

— Eu e ele dormimos juntos, mas não desse jeito, nós literalmente dormimos na mesma cama. — Ela explica e vejo as expressões duras do meu amigo se transformarem em alivio.

— Não se esqueça de contar o que aconteceu antes, querida. — O idiota diz quase como um gemido, Sirius vira para ele e antes que a pancadaria recomece eu vou até o idiota caído no chão e o levanto puxando-o pelo colarinho da camisa e o coloco de pé.

— Cale essa porra dessa boca se você não quiser que ele te mate, filho da puta. — Digo, eu mesmo querendo dar uma lição nesse cara para ele deixar de ser tão otário.

— O que aconteceu antes? — Sirius pergunta com um misto de ansiedade e medo na voz.

— Foi numa noite, fazia umas cinco semanas que a gente tinha terminado e eu estava muito mal. Tinha encontrado uma foto nossa, daquele feriado que a gente passou na Florida, lembra? Aí eu procurei o Lucius, precisava conversar com alguém e ele estava me ajudando tanto nas últimas semanas. A gente foi para o quarto dele e ficamos deitados na cama escutando a chuva enquanto eu alternava entre chorar e desabafar.

Sirius escuta atentamente cada palavra de Marlene, ele não se mexe nem um milímetro, toda sua atenção no que ela está contando. Provavelmente está decidindo se ele vai matar ou não o idiota, que por sorte está de boca fechada.

— A gente ficou horas daquele jeito, conversando ou então em silêncio enquanto eu chorava. Eu estava tão triste, eu estava morrendo de saudades e queria correr de volta para os seus braços, mas sempre que eu pensava em fazer isso a imagem de você com aquela mulher seminua se beijando voltava a minha cabeça. Várias vezes eu pensei se eu teria me precipitado em não te ouvir, talvez você realmente fosse inocente, pensando bem, eu sabia que aquele cara não era o Sirius de verdade. Mas eu estava machucada demais somente com a possibilidade de ter me enganado tanto com relação a você e aquela imagem de vocês dois no seu quarto não saia da minha cabeça. — Marlene começa a chorar e Sirius a puxa para seus braços, ele a abraça firme e apóia o queixo no topo da sua cabeça.

— Shhh, baby, está tudo bem. Eu te amo. — Ele diz para ela e ela chora mais.

Quando ela se recompõe, se afasta e limpa as lágrimas, respira fundo e continua.

— Logo nossa conversa foi indo em outras direções, Lucius foi me distraindo da minha dor e era por isso que eu estava andando muito com ele nas últimas semanas, ele sempre conseguia me distrair nem que fosse por um momento. Fomos conversando sobre diversos assuntos até que em um momento, não sei exatamente como, surgiu um clima. Nós nos aproximamos e ele me beijou, fiquei surpresa, mas não o afastei, e acabei retribuindo. O beijo foi se tornando cada vez mais intenso e menos inocente, até que quando me dei por mim, eu estava deitada de costas na cama e o Lucius estava em cima de mim me beijando.

Sirius e eu escutamos o relato de Marlene sem emitir som nenhum, os dois muito interessados em saber o que de fato aconteceu entre eles.

— Mesmo pensando que você tinha me traído, eu estava me sentindo péssima, muito culpada por estar beijando outro. Quando ele começou a me acariciar eu me senti doente, sabia que não podia continuar com aquilo, então pedi que ele parasse. Ele parou e eu pedi desculpas por ter deixado aquilo ir longe demais, ele pediu desculpas e disse que tinha sido um momento de fraqueza e que não queria se aproveitar do meu estado, mas que não pode resistir. Eu disse que estava tudo bem, mas o problema era que eu ainda te amava. E foi isso, depois disso eu deitei em seu braço e nós conversamos até ambos cairmos no sono.

— Um nos braços do outro? — Sirius pergunta com dor na voz.

— Sim. — Marlene diz tão baixo que mal a escuto, ela olha para o chão envergonhada.

— Sinto muito, Sirius. Mas eu te amo, por favor, me perdoe.

Sirius encara o chão e não diz nada.

— Sirius... Você vai me deixar? — Marlene pergunta engasgando com as próprias lágrimas.

O silêncio perdura, o ar carregado com tensão.

— Acho melhor você ir embora, antes que eu me arrependa por não acabar com você por ter beijado e acariciado a minha noiva. — Sirius diz e eu, o idiota e Marlene o olhamos com os olhos arregalados em surpresa.

— Noiva? — O idiota e Marlene perguntam ao mesmo tempo. Mas eu rapidamente compreendo o que ele quer dizer.

Sirius já havia falado diversas vezes sobre a vontade de pedir Marlene em casamento. Ele disse que queria comprar um anel lindo e fazer algo especial, e que isso seria muito em breve, mas aí todo esse mal entendido aconteceu. Acho que o meu amigo não quer perder mais tempo.

— Sim, noiva. Quero dizer, se você aceitar se casar comigo, é claro. — Marlene cobre a boca aberta em surpresa com as mãos e começa a chorar, mas dessa vez de felicidade.

Ela começa a balançar a cabeça freneticamente e pula nos braços de Sirius.

— Sim, sim, sim, sim... Mil vezes sim, meu amor. Eu aceito me casar com você, Sirius. Eu te amo tanto. — Ela diz apertando-o forte e descendo sua boca na dele. Sirius a envolve com seus braços e a beija tão intensamente e apaixonadamente que eu sinto a necessidade de desviar o olhar.

— Ah meu Deus, estou tão feliz. — Marlene diz sem fôlego quando eles param de se beijar.

— Eu também, meu amor. O que eu mais quero é que você seja minha mulher para sempre. Eu te amo mais que tudo, Marlene McKinnon. — Eles sorriem um para o outro e se beijam apaixonadamente de novo.

Por um momento, e eu disse apenas por um momento, sinto uma dor aguda no peito. Por um momento, por um breve momento, que assim como rapidamente surgiu rapidamente foi embora, eu senti no fundo da minha alma o desejo de ter aquilo que Sirius e Marlene tinham, junto com o desejo veio à dor, por saber que eu nunca encontraria aquilo.

A verdade é o seguinte; Eu vivo falando que não acredito no amor, mas na real, eu acredito. Eu digo que não porque eu tento convencer a mim mesmo que eu sou o único normal e o resto do mundo é que tem algum problema. Mas isso é uma grande e deslavada mentira. Eu sou o que tem problemas.

O fato é, eu simplesmente não entendo o amor, e não consigo senti-lo – o amor que um homem sente por uma mulher, eu quero dizer – porque é claro que eu amo meus pais, irmãos e amigos. Eu não consigo querer amar alguém, o que eu quero mesmo é desejar o sentimento de querer amar alguém. Dá para entender?

Eu sei, é confuso. Eu também muitas vezes não entendo. E apesar de 99% do tempo eu estar bem com o fato de não conseguir amar uma mulher e ter um relacionamento sério, de não sentir falta disso e achar que tudo bem se eu nunca me apaixonar, tem 1% do meu tempo, quando eu presencio momentos como esse entre meus pais, ou os pais de Sirius, ou meus tios, ou meus primos ou meus amigos, que eu sinto uma dor muito forte em meu peito.

Uma dor que dói não pela falta de amor, mas por ser uma pessoa incapaz de amar, ou de pelo menos sentir falta de possuir a capacidade de ter esse sentimento.

Sirius se afasta de Marlene e se vira, encarando o idiota. Limpo as lágrimas dos meus olhos antes que elas caiam me denunciando ou que alguém perceba meus olhos marejados. Agradeço a Deus por a dor sempre chegar e ir embora tão rápido, não sei se aguentaria ela por mais que um breve instante, e morro de medo que um dia ela chegue e não vá mais embora.

Não sei se tenho mais medo dessa dor, ou da dor que eu sentiria se eu pudesse amar e tivesse meu coração despedaçado, como Sirius.

Talvez essa incapacidade de amar seja uma benção disfarçada de desgraça.

— Pelo amor de Deus, James. — Sirius diz meu nome me trazendo de volta à realidade. — Tire esse cara da minha frente antes que eu mude de ideia e termine o que eu comecei.

— Você ouviu. Se manda, cara. — Digo me abaixando para pegar a máscara do idiota e lhe entregando.

Acompanho-o até um pedaço do caminho e depois volto para ficar ao lado de Marlene e Sirius. Olho para ver se o idiota está mesmo indo embora e alivio percorre minhas veias quando vejo que ele de fato se foi.

— Você tem certeza que quer casar? Você não precisa tomar essa decisão agora e...

Sirius a cala com um beijo, quando se afasta aposto que Marlene não se lembra mais o que estava falando.

— Eu quero me casar com você, quero muito. E eu não decidi isso assim, de uma hora para outra.

— Ah não? — Ela pergunta enlaçando seu pescoço e sorrindo apaixonadamente.

— Não. Já faz um tempo que eu venho pensando nisso, eu até cheguei a olhar alguns anéis, e só não comprei um porque não achei nenhum que fosse perfeito o suficiente para você.

— Oh Sirius. Eu não preciso de nada disso, você pode amarrar um barbante em meu dedo que eu serei a mulher mais feliz do mundo. — Ela diz e o beija de novo.

"Talvez eu deva ir embora."

— Nada disso, você terá o anel mais lindo do mundo, e eu não medirei esforços para encontrá-lo. Sinto muito não poder te dá-lo agora, sinto muito também por esse pedido nada romântico. Eu estava planejando algo muito mais perfeito, mas eu meio que tive que improvisar. — Ele ri e a beija na ponta do nariz.

— Ah meu amor, isso foi perfeito, pode apostar.

— Quer curtir o resto do seu baile, só que com o acompanhante certo dessa vez? — Sirius lhe pergunta.

— Eu gostaria. Você faria isso por mim?

— Minha Marlene, você ainda não percebeu que eu faço tudo por você? — Ele pergunta a olhando com amor enquanto acaricia sua bochecha.

— Percebi, mas eu ainda pergunto por que às vezes acho que estou sonhando, e que alguém tão perfeito como você só pode ser fruto da minha imaginação.

Sirius ri e a abraça. Já estava com saudades da risada do meu amigo, fazia muito tempo que não a escutava.

— Então vamos. Vou rodar você por aquela pista até você ficar tonta. — Ele repousa o braço nos ombros dela e ela enlaça a cintura dele com o braço.

— James, você vem ou vai ficar parado aí a noite toda? — Marlene para, se vira e me pergunta.

Sirius me olha e o sorriso no rosto dele é contagiante. Permito deixar pela primeira vez em alguns meses o peso da culpa escorregar de meus ombros e cair no chão. Sinto-me muito mais leve. Eu não arruinei a vida do meu melhor amigo para sempre. Ele está feliz de novo, e eu ajudei isso acontecer. Sorrio largamente para os dois e pisco para Sirius quando digo:

— Eu vou com vocês. Tem duas garotas a quem estou devendo uma dança.


Oiiiii gente! Eis aí a reconciliação de Sirius e Marlene, com direito a pedido de casamento. Está certo que não foi nenhum pouco romântico, mas Sirius precisava disso, deixar claro para o mundo que Marlene é dele e ele, dela :D

Pedido feito, pedido atendido Nanda, vou te chamar assim agora ;) Nem da para acreditar James-não-acredito-no-amor-Potter num piquenique romântico, não é? Olha o que a Lily faz com ele, hehehe. Quanto ao ciumes, bom... vai rolar no próximo capítulo, mas quem? Qual dois vai perder a cabeça?

Vaaaai Deby, vai acontecer sim ;D Foi por pouco, mas Sirius vai pegar os dois juntos e te garanto não vai ser nada agradável. Você viu o que James disse hoje: "O meu amigo é o melhor lutador não profissional que eu conheço". Vamos torcer para Sirius não machucar muito ele :/

Ninha Souma, como disse em Orquídea Azul, fico muito feliz por ter você novo por aqui. Existe muito carinho e cumplicidades entre Lily e James e é fundamental que Lily encare a situação com naturalidade, porque como você mesma disse James não é acostumado com isso, não sabe o que é receber amor além do fraternal e isso de cara poderia ser um choque para ele, mas aos pouco as coisas vão mudando, já da para perceber um James um tanto diferente, querendo Lily toda hora por perto e ela é forte, já passou por muita coisa, sabe lidar com a situação. Porém, como disse ante, no próximo capítulo vai ter ciumes, com direito a ceninha e isso pode mudar um pouco as coisas, digo o trato deles ;)

Homem dos Sonhos da Nick Crawford, o que dizer dessa declaração? Você me deixa sem palavras e sem ação. Sou muito sortuda por Deus ter colocado você no meu caminho, literalmente, hehehe. Amo você :*

Gente muito obrigada pelas reviews e logo tem mais. Beijo no coração :*