CAPÍTULO XII - Espelho
- Gente! - Alvo entrou correndo, esbaforido, na cabine que ocupavam. Todos os presentes viraram o rosto em direção a ele, espantados por Alvo estar falando com alguém novamente. Mas o garoto apressado, que não se abalou nem meio segundo com a aura de surpresa na apertada cabine, continuou, meio sem fôlego:
- Tiago, Lilly, mamãe está no hospital.
Todos, Potters, Weasleys e Malfoys (ou melhor, Malfoy, no singular), fizeram perguntas ao mesmo tempo.
- Calem a boca e escutem! - Alvo levantou uma carta amarrotada que trazia na mão esquerda. - Vovô Artur me avisou e pediu que avisasse a todos vocês. Quem nos buscará na estação será apenas o tio Rony. - Vendo que novas perguntas desconexas estavam sendo feitas (afinal, era bastante gente ali dentro), continuou mais alto. - Eu não sei ainda o que aconteceu e nem como ela está. Ele disse que iremos da estação direto para o St. Mungus.
Tiago , não satisfeito, abriu a boca para fazer a mesma pergunta pela terceira (ou seria a décima?) vez. Alvo antecipou-se, de cara amarrada:
- Vovô mandou a carta para mim porquê minha coruja estava lá na hora em que ele soube, foi a primeira que ele viu. Aliás, ele acresentou como um post scriptum dizendo que minha insistência diária tinha valido para alguma coisa afinal. - Além da cara amarrada para Tiago, Alvo rolou os olhos de exasperação com seu avô. Somando-se isso aos últimos acontecimentos, ele não estava com a melhor das aparências ultimamente.
Terminando as explicações (poucas, é verdade, mas eram as úncias que ele tinha), sem hesitar e para o espanto e alegria de seus amigos, sentou-se no chão, encostado nas pernas de Rose. Alvo parecia bastante preocupado, mas sua reação fez que Rose sorrise em direção a Escorpio (um sorriso rápido, pois ela também estava preocupada com sua tia) e ambos desceram de seus bancos e juntaram-se ao amigo no chão. Cabeça ruiva, cabeça morena e cabeça loira encostadas, como costumavam ficar antes de tudo aquilo, que nada tinha a ver com eles, exceto pelo parentesco, acontecer.
- Eu quero ver a Gina agora!!! Você não pode me impedir de entrar aí!!! - Harry vociferou com a efermeira no balcão da Ala dos Feridos por Acidentes Mágicos. O que adiantava ser chamado de herói e tudo aquilo, se não conseguia nem ver sua mulher (futura ex-mulher, corrigiu-se mentalmente com tristeza) em um hospital? Estava furioso. Lívido. Tinha sabido apenas há algumas horas que Gina estava no hospital e, desde então, não sentara ou comera nenhuma vez. Tal comportamento não era composto apenas de preocupação com ela, ali havia uma carga bem grande de raiva do Malfoy. Não sabia o que tinha acontecido ainda, mas tinha certeza absoluta que a culpa era do Malfoy. Aquele maldito! Se acontecesse algo com a mãe de seus filhos, Malfoy estaria morto antes de sequer pensar em pronunciar a palavra "Socorro".
- Harry. - Rony veio em sua direção e colocou a mão em seu ombro. - Calma, nenhum de nós pôde vê-la ainda. Todos estamos preocupados. - Ele também não estava dos mais felizes, mas estava calmo. Afinal já estava ali, esperando, há mais tempo e já tinha passado da fase da cena épica com as enfermeiras, tendo, no papel de apaziguador que agora interpretava, Mione. - Tome este café que a Mione trouxe. Isso vai te ajudar.
- Rony, como você consegue estar tão calmo??? Por Merlin!!! Nós nem sabemos o que aconteceu com ela! - Ele estava com uma tonalidade avermelhada nas bochechas que era, tendo em vista a situação, alarme suficiente de que estava a ponto de explodir.
- Olha, sabemos que ela está viva e pode ficar bem, senão não estariam perdendo tempo com ela. Não podemos atrapalhar o trabalho dos médi-bruxos (N/A: Eu sei que a Lia Wyler traduziu como curandeiros. Mas acho ridículo, por isso deixo como medi-bruxo.). Eles querem ajudá-la e eu quero que ela fique boa, entende? - Mione sorriu, orgulhosa com a maturidade do marido. Para logo fechar a cara ao ouvir ele sussurrar: - Se demorar mais uma hora, nós dois entraremos à força, ok? Eu pego a gordota com cara de pudim de ovo e você pega a magricela com uma berruga na bochecha. Vai ser uma barbada.
Harry deu um sorriso fraco e sentou-se nos desconfortáveis bancos plásticos do hospital, ao lado do Sr e da Sra Weasley, enterrando a cabeça entre as mãos e deixando o café aos seus pés, piscou para Hermione e sentou-se ao lado do amigo. Sua cabeça também estava povoada de raiva do Malfoy, pois, pelo que sabia, ele que tinha chamado os paramédicos para atendê-la. As enfermeiras lhe contaram que o patrono enviado ao hospital para avisá-los, tinha a forma de um dragão. Não que ele fosse deixar Harry saber disso. Pelo menos não por enquanto.
Malfoy tinha cabado de enviar um patrono ao St Mungus avisando que Gina estava em perigo de vida. Claro que ele não ficaria ali esperando a chegada dos médicos, não queria nem podia se dar esse luxo. Além de ter de voltar ao seu escritório o mais rápido possível, não gostaria de que soubessem que fora ele quem dera o aviso. Obviamente seu patrono era um indicativo, mas poucos sabiam a forma deste e, bem, trataria de cada problema de uma vez.
No segundo em que aparatou em seu escritório, viu que nada estava como ele havia deixado há, no máximo, meia hora atrás. A bagunça era comparável ao da casa de Gina. E, ele achava, tinha sido arranjada pela mesma pessoa. Fracamente imaginou se Melissa não teria ouvido tudo isso ser feito, mas logo teve todos pensamentos varridos de sua cabeça. Pansy materializou-se em sua frente e, sem dar tempo para nem um suspiro da parte dele, o estuporou.
O dono do patrono dragão estava agora numa enrascada. Aliás, nunca esteve em uma situação tão degradante. Estava preso em uma cela, muito parecida com a que tinha prendido Cohen há não muito tempo, com algemas em seus pés e mãos. E, para piorar, Pansy era sua carcereira. Ele perguntava-se se podia ficar pior ainda. Para logo arrepender-se, pois podia: trouxeram sua mulher e a prenderam com ele. Na mesma hora, lhe veio o pensamento: "Espero que Escorpio não perca a cabeça ao chegar à estação e não nos ver lá e vá para a casa de alguém. Não seria nada bom ter uma reunião familiar completa nesse lugar".
- Draco! O que está acontecendo???
- Astória, quieta, por favor.
- Não me mande ficar quieta! Não se atreva! Estou algemada em uma cela e, aparentemente, a culpa é sua! Explique-se!
Draco, resignado, lançou um olhar às grades e não havia mais ninguém ali. Os homens que trouxeram Astória já tinha sumido corredor acima. Pansy também não estava à vista. Não que isso desse alguma certeza de que ela não estava ouvindo.
- Escute...
- Tem a ver com aquela piranha ruiva, não é?
Draco rolou os olhos. - Em parte, tem sim...
E contou a ela tudo o que sabia. Simplesmente porque falar era melhor do que ficar quieto, tendo apenas seus pensamentos por companhia. Uma madrugada inteira disso já tinha sido o suficiente para ele. Astória, por sua vez, ouviu tudo em silêncio, ao que ele agradeceu a todos os deuses. Quando acabou, ela disse:
- Quer dizer que ela está provavelmente morta? - Um sorriso triunfante iluminava seu rosto, a despeito das maquiagem borrada pelas lágrimas e da poeira. Vendo o olhar incrédulo de seu marido, adicionou: - O quê? Se não fui eu que matei, me sinto livre de culpa por estar aliviada com a morte dela.
- Astória!! Eu não te disse que ela morreu. Eu não tenho certeza. É bem possível que os médi-bruxos tenham chegado a tempo se salvá-la.
- Você me parece muito esperançoso para o seu bem. - Ela então fechou a cara. - Bem, espero que não. Essa já me deu muito trabalho. - Ao notar que seu marido abria a boca para replicar, abanou a mão dispensando. - Agora, o que me preocupa mesmo é o que faremos com Pansy Herondale. - Draco, por segundos, não soube de quem ela estava falando. Mas logo lembrou que Pansy, agora casada, não era mais Parkinson (apesar de ele sempre pensar nela assim) e sim Herondale, pois carregava o sobrenome de seu marido. - Você realmente acha que ela faria isso tudo por conta de uma paixonite adolescente? Porque se for por isso, eu mato ela com minhas próprias mãos! Passei uma noite inteira numa cela imunda, tem que ter um ótimo motivo para isso.
Draco ajeitou-se na parede onde estava sentado, fazendo suas algemas tilintarem. Sentia-se completamente miserável e, tendo por comparação sua esposa a sua frente, ele não devia estar com a melhor das aparências, ele certamente tinha sofrido mais durante a "estadia" deles. Pensou por um momento então no que ela dizia e, verdade, ele tinha um ponto.
- Draco?
- Sim, eu ouvi, Astória. Acho que você tem razão. É o que parece, não? Ela machucou a Weasley e agora nos prendeu.. Isso realmente parece meio forçado a aparentar uma vingancinha estúpida. Mas será isso mesmo? Acho que ainda teremos surpresas.
Astória bufou. - Se você fosse menos galinha! Isso é bem feito para você! Pena que eu dei o azar de ser arrastada junto..
Draco arregalou os olhos, fazendo com que eles ficassem escuros, ao invés do cinza claro habitual.
- Achei que você só se importasse com as aparências. Desde que eu fizesse escondido, tudo bem para você. Achei, inclusive, que você fazia o mesmo. - Ele estava realmente surpreso. Há muitos anos seu casamento sobrevivia apenas de aparências. Eles dormiam em quartos separados e mal podiam se suportar. Ele sabia que isso era a penalidade por ter feito um casamento estritamente de conveniência. Talvez, se tivesse esperado mais, poderia ter escolhido alguém de quem gostasse, além de conveniente. Apesar de que, tendo por base suas últimas escolhas, provavelmente isso não seria possível. Ou era conveniente ou ele gostava.
- ... de outra forma? - Astória estava lhe respondendo e ele não tinha ouvido nada, perdido em suas divagações.
- Como?
- Nada, Draco. Nada.
- Caham. - Um pigarro alto se fez ouvir. Ambos olharam em direção às grades e viram Draco lá fora, em pé, ao lado de Pansy. Vinte anos mais novo que o Draco encarcerado.
(continua...)
N/A 1: Quero agradecer ao RF, primeiramente, por ter me ajudado com o único detalhe (eu falo detalhe, mas me travou dois meses inteiros, então imaginem) que me impedia de escrever e publicar este capítulo. Valeu, amigo, tua criatividade é sem limites mesmo.
N/A 2: Depois, gostaria de agradecer a Marcia B.S, que é uma fofa e sempre me acompanha e comenta. Marcia, muito obrigada mesmo!
Agradecer também à Tweety Sylvester , que não gosta da Pansy nem da Astória e, posso dizer, que concordo completamente com ela! Obrigada por comentar.
Agradecer a todos que leram e apenas favoritaram ou pediram alertas. Obrigada, pessoal! Espero que eu não tenha decepcionado vocês. Eu sei que ficou curtinho o capítulo, mas está quase no fim e, com certeza, a partir de agora, eles ficarão bem maiores.
N/A 3: E por último, mas não menos importante, quero agradecer aos meus amigos do PDL. Os fiéis leitores e os que aparecem de vez em quando. Mas, em especial, ao Josh, Uncle, Marcella e Nessa Estraioto. Se eu esqueci de alguém, por favor, não se acanhem e puxem mesmo minhas orelhas. Valeu gente!
