Dois Anos Depois...

A carreira de Heitor Sacramento havia deslanchado. Agora ele não era apenas um policial. Foi promovido a delegado. Fez um novo concurso público e foi classificado. Para completar o negócio aberto por sua esposa, Solange, deu mais certo do que ele havia previsto. A microempresa não era mais microempresa.

Aproveitando a época de fartura, Heitor juntou algumas economias para viajar para a Europa. Não iria a passeio, apesar de ter planejado passear um pouquinho. Iria participar de um congresso. Um congresso de policiais. De homens da lei. Ou assim ele imaginava.

Naquele instante Heitor estava passando pelo detector de metais do aeroporto. Seu maior medo era que a máquina apitasse e o obrigasse a tirar algo do bolso.

Porém algo mais inesperado acontece.

Heitor olha ao seu redor e percebe que todas as pessoas no aeroporto, não importando se clientes ou funcionários, estavam paralisadas. Como estatuas de gesso.

Heitor era o único que se movia.

De repente o delegado sente um fedor que lembrava ovo podre.

Enxofre!

Heitor olha para trás e toma um baita susto ao ver aquela figura. - Diabos!

- Diabo não! Ao menos não inteiramente.

O homem parecia não ter nem vinte anos. Era magro e tinha um cabelo lambido de tão liso. Se Heitor soubesse o que era isso o consideraria um Emo. A camisa aberta do garoto deixava sua barriga malhada a mostra. Fora o visual o que chamava a atenção naquele sujeito era o fato dele ter duas asas. A da direita lembrava a asa de um morcego. A da esquerda a de um pássaro.

- Seu nome foi muito recomendado. Me disseram que você é alguém especial. Vamos por isso a prova.

- Não quero por nada a prova! Sai de retro, Satanás!

- Só sou "satanás" pelo lado do pai. Por parte de mãe sou um anjinho. Pode me chamar de Dante, prazer. - O mestiço estendeu a mão para Heitor, mas o delegado ficou desconfiado em aceitar o gesto.

- Calma, amigo. Ele esta com a gente. Apesar de não parecer. - Marcos Mignola aparece no aeroporto vestindo sua característica roupa vermelha e chamativa.

- A Terra é um lugar engraçado. - Comentou o exú. - Sempre tem um bicho esquisito querendo cagar com tudo. Nós estamos precisando de sua ajuda. Precisando do apoio da nossa maior arma.

- Da ajuda de um humano.

Fim.

Obrigado por sua companhia.

Até a Próxima!