Capítulo XII- Sarah, sempre Sarah

- O senhor vai a Londres?? Quando?? Fazer o quê?? – perguntou Sarah eufórica.- Eu posso ir junto??

- Sarah, por favor. Deixe de ser curiosa. Vou a Londres tratar de negócios dia 20 e 21. – explicou ele, levemente contrariado. Sarah era muito perguntinha, e curiosa e sempre queria saber de tudo. Mas o pior era que ela não se amedrontava com as caras feias ou as palavras tortas dele.

- Oba, nestes dias não temos provas, eu posso ir junto! – considerou ela, sorridente.

- Não vai a lugar nenhum, Sarah. Vai ficar aqui na escola. E na quinta feira vai cozinhar aquelas raízes raras. – disse Snape, friamente.

- Ora, mas que programa mais fabuloso. Cozinhar raízes em uma noite de quinta feira. – respondeu ela, com desdém. – Eu prefiro ir a Londres com o senhor.

- Vai ficar aqui na escola, é o lugar mais seguro para você, Sarah. E mesmo que eu pudesse lhe levar junto, não gostaria que você fosse... – falou ele pensando na reação da garota caso ela descobrisse o que ele iria fazer em Londres.

- O senhor vai a serviço de ...? Mas então porque não posso ir? – quis saber

- Não, Sarah. – falou ele, friamente.- Você tem que ficar.

- Mas...

- Você fica e assunto encerrado,Sarah! – disse ele, da forma mais letal que conseguia.

Sarah ficou até surpresa pelo tom de voz dele. Pensou em contra-argumentar, mas nenhuma idéia luminosa lhe ocorrera de modo que ela baixou a cabeça e disse:

- Sim, professor. – mas em segundos ela continuou- Mas, eu quero um presente.

- Sarah!

- Um presente. – disse ela sorridente.

- Tudo bem. – concordou ele, para colocar fim ao assunto.- O que você quer?

- Ainda não sei, mas nada de livros, por favor. As pessoas só me presenteiam com livros. Será que uma garota de 11 anos não pode ter interesses em roupas e doces por exemplo?

- Claro que pode, Sarah. – disse Snape ao subir o último lance e parar em frente ao quadro da Mulher Gorda. – Amanhã a noite lhe explicarei tudo sobre aquelas raízes.

- Cozinhar raízes numa noite de quinta-feira...

- E cumprir a detenção do Fitch na sexta- feira, Sarah.

- Bruxa velha! – disse ela, referindo-se a Minerva.

- Sarah, boa noite!

- Boa Noite, professor. – falou ela, mas não entrou no buraco do retrato.

- Você não vai entrar no salão Comunal? – quis saber ele. Um leve pressentimento lhe disse que Sarah tencionava ir até algum outro lugar.

- É....

- Sarah, é muito tarde. Seus amigos já devem ter ido dormir. E pensando bem, vou verificar se eles estão lá..

- Não!

- Entre rápido no salão Comunal que ainda dá tempo de você alertá-los. – disse Snape, com um breve sorriso.

- É verdade. – disse ela, sumindo pelo retrato.


Naquela noite, quando Severo Snape entrou em sua sala particular, era visível que alguém, mestre em organizações havia passado por ali. Os resultados das pesquisas, as listagens de ingredientes. Tudo em ordem, e marcados os com quantidades criticas para futuras comprar. "Que mania essa de organizarem minhas coisas – pensou ele. – Igualzinha a mãe. Ainda bem, que resolvi colocar a última gaveta da mesa de maneira invisível, senão Sarah... Não existia nenhuma maneira de descrever Sarah. Sarah era nome de princesa. Aquilo lhe transmitia algum tipo de sentimento, mas não conseguia se lembrar..". Sarah deixara um bolo de fotos dele, sobre a mesa, já autografadas. Parecia que quanto mais ela procurava dar conta das cartas dos fãs, mais cartas chegavam. Sarah se divertia ao cogitar possíveis esposas para ele, em meio às fãs dos livros. Depois de muitos, muitos anos, parecia que alguma coisa voltara a ter vida por ali, incluindo- o .. A risada de Sarah e dos amigos dela, as piadinhas, as brincadeiras, a simples presença deles. A ajuda de Sarah... Parecia que de alguma forma ficava mais jovem e divertia-se muito com eles. Se pudesse voltar atrás no tempo... Sarah, querida. Tão fria e distante, mas tão amável.. Como queria ter tido uma filha assim... Intragável por vezes, chata e insistente, mas como uma grande qualidade.. gostava dele. Ao lado daquela pilha de fotos estava a foto que tirara com Sarah, como a confirmar o que pensava. Ele estava sério e carrancudo. Menos que de costume. Sarah parecia feliz, acenando da foto. Teve que rir. Sarah.. jamais deixaria alguém fazer mal á ela. Fosse quem fosse.


- Entendeu tudo, Sarah!

- Sim, entendi. – disse ela, acabando de fazer notas num pergaminho. –

- Quanto a vocês.. – disse eles, se dirigindo aos outros quatro e incluindo Sarah com o olhar - Não quero saber de nenhuma gracinha e de nenhuma reclamação, quando eu voltar, certo?

- Assim, até parece que o senhor vai ficar fora muito tempo. – comentou Carl.

- Para as idéias de vocês, um dia é uma eternidade. – considerou o professor.

- Não acredito que o senhor faça esse tipo de juízo de seus alunos favoritos. – disse Louise.

- Ora, srta. Nott, eu os conheço muito bem. Nem se quer imagino do que são capazes.

- Não se preocupe professor, não mataremos ninguém até o senhor voltar. – disse Willian com um sorriso frio.

- Ah não, William. E o assassinato das Gêmeas Weasley que tínhamos planejado para a Sexta à noite?? – troçou George. Todos riram, inclusive o professor.

Depois de mais alguns instantes os quatro se despediram do professor Snape e foram ao esconderijo. Sarah ficou um minuto a mais.

- E o meu presente? – quis saber ela, enquanto guardava alguns ingredientes.

- O que você vai querer de presente? – perguntou ele.

- Algo para prender meu cabelo no baile. – explicou ela.

- Sarah! Porque isso agora?

- Porque sim. È um presente.

- Certo. E preciso que você arranje alguém para dançar a maldita valsa comigo. – disse ele, bravio.

- Mesmo? Posso convidar quem eu quiser??? – perguntou ela.

- Já desisti, Sarah. Não devia ter dito isso.

- Sem problemas, arranjo um par, sim. Confie em mim.- exultou ela.

- Não me parece uma boa idéia.- resignou-se ele.- Agora vá, seus amigos estão lhe esperando...

- Tudo bem... Boa viagem para o senhor.. – disse ela, abraçando-se nele, que ficou surpreso. – O senhor vai voltar, não vai?

- Claro que vou, Sarah! Não fale bobagens. – disse ele, passando a mão na cabeça da garotinha, que continuava abraçada nele.

- Promete?

- Sarah. São só três dias.

- O senhor promete?

- Prometo, Sarah. Vou voltar e trazer seu presente.

- Oba, vou esperar o senhor voltar então... – disse ela, saindo da masmorra.


- Esse passeio do Snape me pareceu providencial. – disse Carl para as garotas no esconderijo. – Ele vai a Londres e aproveitamos para pegar emprestado os ingredientes lá na Masmorra.

- Podem deixar que eu faço isso. – afirmou Sarah . – na quinta-feira vou ter que cozinhar aquelas raízes.

- Mas nós não vamos lá responder as cartas? – quis saber Louise.

- Melhor não, Louise. Poderia dar na vista. Amanhã mesmo eu já providencio o livro. – afirmou Sarah.

- Estou me mordendo de curiosidade para saber como você vai fazer isso, Sarah. – comentou George.

- Hein, William, porque você está tão calado?

- Quando não se tem nada que presta para dizer, o melhor é ficar de boca fechada.- retrucou ele.

- Nossa, que azedume! – comentou Carl.

- Ele está assim desde que a Sarah arrumou um admirador. – explicou George. – Um não, O admirador: Paul Rosier. E sabe, William se ninguém lhe contou foi ele quem mandou aquela flor para ela.

- George, você não tem nada de mais útil para fazer??? – perguntou William acidamente.

- Imagino ele pensando: Uma flor para minha flor. Que poético! – continuou Carl.

Sarah, Louise e George gargalharam.

- Só se for flor murcha... – disse Willian, letalmente, enquanto levantava-se e saia do esconderijo.

- Que dor de cotovelo, hein???? – comentou Carl, com um olhar interrogativo.


Severo Snape havia desaparatado no Beco Diagonal com bem adiantado para hora da audiência. Primeiramente havia ido para sua casa, onde os elfos ficaram muito ouriçados com a chegada inesperada dele, e queriam fazer tudo o que podiam e não poderiam para agrada-lo. Era incrível. Os dois elfos eram libertos, e recebiam um galeão por semana para cuidar de uma casa que passava a maior parte do tempo deserta. O engraçado era que sempre fora assim. Aquela casa sempre fora assim, fria e triste.. Bem, pensou ele.. Talvez nem sempre.

Ele caminhos por entre as lojas e aquele burburinho de gente comprando e gritaria.. Bem típico de lá. O Gringotes, onde Hermione trabalhava era o maior prédio do local, naturalmente recheado de duendes. O entra e saí do banco era enorme. A Floreios e Borrões parecia apinhada. Passou rapidamente pela Botica. Voltaria mais tarde. E claro, não poderia esquecer do presente de Sarah. Se esquecesse... E aproveitaria e lhe compraria um presente de Natal. O prédio do Ministério da Magia, ficava afastado dos demais. Odiava ter que ir naquelas audiências, principalmente porque Hermione queria separar-se dele, por algo que ele não tivera culpa. Dora porquê aquilo tivera que acontecer.. Eles eram tão felizes, tão felizes. Mas, também ela jamais quisera ouvir uma única palavra dele sobre o assunto.

Aquela era a 12ª audiência a que tinha que comparecer uma por ano. Hermione aparecia decidida, e ele, cansara de retrucar, mesmo porque dificilmente aquele divórcio sairia. A lei bruxa não permitia, mas.... Na verdade bem....

Ele subiu as escadas de mármore do Ministério e rapidamente se dirigiu até o departamento de Controle à Legislação Mágica. Era uma sala ampla, clara e bem arejada que ele conhecia muito bem.. Uma moça estava sentada em uma mesa, ele Snape dirigiu-se a ela.

- Bom Dia, senhora. Eu teria uma..

- Audiência.. Sei disso, sr. Snape. Sente-se, por favor. – indicou ela, com a mão.

Ele acomodou-se em uma confortável poltrona, das que enfeitavam a sala.

- Queria lhe agradecer pela gentil carta que obtive em resposta , quando enviei um pergaminho falando ser fã de seus livros.

Cartas, as malditas cartas de Sarah.

- Gosto de receber cartas de meus leitores, embora possa demorar a responde-las. – retrucou ele, friamente.

- Mas, reitero os agradecimentos pelas cartas. Agora vou escrever, sempre.. – falou a moça. – E bem,. Trouxe os livros.. Será que o senhor poderia autografá-los?

Sarah! Sempre Sarah. Era iria escutar umas boas quando ele voltasse para a escola.

- Sim! – respondeu.

Ele estava autografando os livros, quando uma voz conhecida disse:

- Para quem desprezava o autonarcisimo de Lockrart você anda se promovendo um bocado, Severo!