Estarei em Todo o Mundo ao Seu Lado
Capítulo 12
Yuki entrou no quarto de Shucihi, apreensivo. Limpou as lágrimas de seu rosto, embora soubesse que seus olhos vermelhos o denunciariam. Trêmulo, andou até a cama de Shuichi, que estava vazia - sentiu um vazio no estômago... Shuichi não estava lá. Lento demais, pensou. Debruçou-se na cama vazia, sentindo o peito apertar e as mãos agarrarem-se instintivamente aos lençóis frios que continham o cheiro de Shuichi... O perfume inebriante que emanava de Shuichi. Cerrou os olhos com força, assim como seus dentes. Seu corpo tremia incontrolavelmente, sabendo que demorara muito para perceber... Sabendo que agora talvez fosse tarde demais, sabendo que não conseguiria olhar-se no espelho mais uma vez se fosse realmente tarde demais. Mas pensar em todo o que havia feito não ajudaria a construir algo nem a fazer Shuichi voltar a sorrir. Ajoelhado e debruçado ali podia ver um fio rosado em meio aos lençóis. Aquele cabelo que o fascinava quando ondulava em meio a movimentos apaixonados, aquele mesmo cabelo que via todas as manhãs espalhado em seu peito, pendendo graciosamente, desenhando curvas perfeitas. Aquela cor vibrante que talvez nunca mais visse à luz de seu abajur verde.
K fechou a porta de se quarto com cuidado para não acordar Hiro, que achara melhor não ficar em seu quarto sendo que o dividia com Shuichi, pois talvez Yuki-san tomasse alguma iniciativa de vir até ele. Agora só restava esperar até a manhã seguinte para saber se tudo dera certo...
O empresário andou pelo corredor escuro do hotel lembrando de como Hiro ficava meigo dormindo... Pensava em quão estranho tinha sido todo aquilo. Andava devagar até o último andar do hotel, querendo chegar à cobertura. Queria sentir o vento da noite batendo gélido em seu rosto a fim de conseguir pensar com clareza.
Yuki percebeu que as palmas de suas mãos estavam sangrando – a força de suas unhas contra as palmas de suas mãos fora tamanha que perfurara a pele. Mas isso não importava. Preferia ser apunhalado, retalhado, flagelado. Todo isso parecia pouco perto da dor que aquelas lágrimas provocavam...
...Cortavam, dilaceravam, destruíam.
Chegando à cobertura do prédio, K colocou as mãos no bolso do sobretudo bege que usava e levantou a cabeça para sentir o vento com mais intensidade. Queria esclarecer para si mesmo o que significava aquilo que estava sentindo por Hiro. Certamente, era algo muito mais forte do que ele mesmo pensara existir dentro dele há muito tempo. Isso de início o assustou, ao pensar no quanto destrutivo seria se ele chegasse a amá-lo... Porém ele não sentia que isso ia acontecer. Isso todo o confundia muito, porém tinha uma única certeza... Ele, apesar de desejar Hiro e achá-lo extremamente belo e atraente, queria vê-lo feliz. Não importava-se como, mas queria vê-lo feliz. Será que amá-lo era diferente de quando amara a muitos anos atrás/ Não sabia se podia chamar isso de amor. A palavra "amor" lhe trazia uma sensação que corroia de certo modo, uma sensação meio aflitiva. Preferia chamar o que sentia por Hiro de...
"Não importa o nome, não é? Acho que está além disso..."
E K sabia que não podia ficar com Hiro, que não podia tomá-lo para si. K sabia disso. Só que dessa era diferente... O que sentia ia tão além... Que apenas vê-lo sorrir já era o suficiente.
Chegando a essa conclusão, suspirou um tanto mais calmo e continuou a sentir o vento guiar seus cabelos desarrumados e soltos.
Yuki ainda soluçava com força, seus olhos doíam assim como o resto de seu tenso e trêmulo corpo. Ainda estava lutando contra a própria agonia para conseguir reagir a tudo aquilo da maneira que pretendia. Precisava levantar-se calmo, procurar por Shuichi com mais cautela pela cidade e conversar com ele, dizer que amava-o, dizer que queria seguir em frente, pedia uma chance para...
Yuki ouviu um barulho e calou-se com dificuldade. Tirou o cabelo molhado de lágrimas do rosto e reteve-se no barulho que ouvia. Água. Porta... à esquerda. Droga, como não notei antes? Disse irritado internamente para si mesmo. Uma onda de esperança misturada com apreensão assaltou-o. Levantou-se e esfregou os olhos, tentando focalizar algo ao se redor com sua agora turva visão. Apressou-se e abriu a porta do banheiro.
O que viu o chocou e alegrou ao mesmo tempo: Shuichi estava debaixo do chuveiro, ainda vestido, imóvel. Ele estivera ali esse tempo todo... mas o vislumbre da palavra 'imóvel' assaltou-o num milésimo de segundo a mais e medo brotou com força. Será que... Mas logo viu que seu amado ainda se mexia quando respirava para em seguida arir os olhos levemente e murmurar:
"Yuki..."
O escritor correu até ele e nem se deu ao trabalho de fechar a água que corria; simplesmente abraçou Shuichi com urgência.
"Está tudo em, Eiri..." as palavras de Shuichi atingiram Yuki com força.
"Como assim, Shuichi? Afinal, Shuu... O que..."
"Está tudo bem..." essas palavras doíam em Yuki. Shuichi ainda conseguia sorrir e dizer isso... Isso só fazia ele se odiar mais. Porém, sabia que era como Hiroshi dissera: se odiar, reconstruir, amar.
"..., eu só estava tentando tirar esse sangue daqui, ta meio impregnado... Mas não é nada meu, não se preocupe..."
Alívio veio junto com a sensação de se sentir apunhalado. Estava aliviado por Shuichi não estar machucado, porém sentia-se responsável em parte por tudo aquilo. Mas lembrou-se do que Nakano dissera e concentrou-se em seu objetivo de não sucumbir e ter força a partir... de seu amor e sofrimento.
Abraçou Shuichi, acolhendo-o.
"Shuichi..." mas parou de falar quando sentiu a mão fria de Shuichi em seu rosto, segurando-a. Shuichi falou então:
"Estou tão feliz que você está comigo, Eiri... Nunca mais quero ficar longe de você... Agora vai ficar tudo bem, né? Espero que..."
"Eu te amo, Shuichi. Eu te amo..."
Shuichi sorriu e apertou a mão de Yuki que segurava.
"E também te amo, Eiri... Eu sei que agora você também esclareceu várias coisas sobre seu passado. Estou tão feliz em poder te ajudar... Eu sempre quis..."
Eiri deixou cair uma lágrima. Realmente, ser amado por Shuichi era tudo o que precisava desde o início. Vira isso de alguém que também o amava, e isso foi a última coisa que precisou para ver... A última coisa que precisou para sentir o véu escuro de seus olhos levantar-se por um momento e permitir-lhe beijar Shuichi sem nada mais o perseguindo.
"Obrigado, Shuichi..." disse Eiri, abraçando-o e sendo retribuído com alegria e pura sinceridade.
Uma nova vida para amar sem limites.
Um sorriso.
Shuichi...
Finalmente... chegamos à conclusão desta saga! Agora podemos seguir com o resto da turnê e o livro de Yuki sem sofrer tanto espero que tenham gostado dessa segunda parte da fic. Capítulo de conclusão.
rei yoshikawa – mais uma pessoa que deixa review! Que bom que gostou da fic! Eu sei que algumas pessoas devem ler sem deixar review, mas elas são realmente importantes é tão legal saber que tem gente que gosta!!!
Skadel – sorria sem definição, construir algo novo... Estou aqui ta? Espero que tenha gostado do cap
Shourikan-sama – espero que tenha gostado do capítulo! Sim sim... faço fics tristes sim e melancólicas! E tb ouvi Moi Dix Móis nessa!!! Sempre o primeiro a comentar hehehe... (O Gackt é meu!)
Dragonesa – eu tb adorei o Hiro dando ronca no Yuki! Na verdade, essa foi a cena que veio na minha cabeça enquanto estava ouvindo 'Kimi ga matteiru kara' do Gackt, a uma dois meses atrás, e daí o resto dessa saga veio depois dessa cena na minha cabeça. Eu realmente estava obcecada por essa cena antes mesmo de escreve-la!
Então, continuem a acompanhar a fic! Sim! Não acabou Até o próx cap!
playlist desse cap:
.Tsuki no Uta – Gackt
.Hoshi no Suna - Gackt
.Mephisto Waltz – Moi dix Mois
.Hoshi no Suna (piano version) - Gackt
