Disclamier: Naruto pertence a Masashi Kishimoto.
Revisado em: 7/11/2014
O Esperado Reencontro
Missões de nível Rank S eram as únicas que a melhor médicanin de Konoha aceitava fazer. Ninguém sabia pelo que ela estava tão obcecada. Alguns dizem que ela estava atrás de Orochimaru para se vingar por tê-la mantida presa por tanto tempo. Outros diziam que ela se reencontrou com o Uchiha, que os sentimentos por ele voltaram ainda mais forte e que ela estava mais do que determinada a trazê-lo de volta. Ainda havia um grupo cuja mente viajou ainda mais longe. Estes diziam que após tanto tempo sob as mãos do sannin, um romance entre eles surgiu. Para justificar essa hipótese usavam como argumento as condições nas quais ela chegou à vila: somente cansada. Nenhum ferimento, nem desnutrida ou desidratada. Em perfeitas condições.
Tsunade permitia sua pupila a ir a tantas missões, pois, caso contrário, Sakura fugiria para cumprir seu objetivo. Um dia, cansada de ver sua pupila se destruir por algo que ela desconhecia, a interrogou até obter as respostas. Ficou chocada quando a pupila lhe contou do projeto secreto de Orochimaru e de como ele a usara para gerar a criança. A garota chorava compulsivamente. Estava destruída por dentro. Desesperada por informações. Fazia pouco mais de três anos que havia sido salva. Nesse período todo não obteve nada. Simplesmente não sabia como estava o filho.
Tsunade: Fique calma Sakura.
Mesmo sem ter muitos detalhes, era óbvio para a loira que Sakura realmente era a mãe daquela criança. Uma mãe desesperada para reencontrar o filho. Orochimaru teria sérios problemas quando Sakura o achasse. A Godaime, mesmo sabendo que havia partes da história incompleta, decidiu ajudar. Sakura se sentiu mal por não ter contado sobre Sasuke, mas no momento só queria o filho. O número de missões aumentou. Suna passou a ajudar Konoha a coletar informações sobre o sannin. Ninguém nas duas vilas sabia o real motivo. Tsunade entendia o medo de Sakura com relação a segurança do filho e guardou segredo.
Em um belo dia, o Time 7 estava em missão no país das Aves. A mente de Sakura a disse para recusar a missão. Era um país tão pequeno que ela dificilmente descobriria algo sobre o paradeiro de Júnior. Todavia, quando sentiu o coração falhar uma batida, aceitou. Estava ansiosa. Não se sentia assim há mais de três anos.
A missão foi completada com algumas dificuldades. Nada que eles não pudessem dar conta. Enquanto retornavam para Konoha, a garota se sentia estranha. Será que seus instintos de mãe falharam? Ela jurava que ia descobrir alguma coisa. De repente, uma misera quantidade de chakra é percebida pela jovem. Ela segue na direção da mesma ansiosa. Seus companheiros, ao verem ela sair em disparada, a seguem.
Naruto: Sakura-chan! Vai com calma. Por favor.
A rosada não reduziu o ritmo. Avançava de maneira frenética. A possibilidade de ver o filho a faziam acelerar. Durante todos esses anos, sempre acendia uma vela no aniversário do pequeno. Sempre comprava um presente para ele no natal. Estava obcecada. Sabia disso. Mas nada a impediria de encontrá-lo.
Naruto: Kakashi-sensei. O que será que houve para a Sakura-chan sair assim?
Kakashi: Não sei. Mas deve ser algo muito importante.
Sai: A feiosa deve achar que o que ela está procurando está nessa direção.
Naruto: Eu não sinto presença nenhuma.
Kakashi: Há uma pequena quantidade de chakra mais a frente.
Naruto: Eu não sinto nada.
Sai: Kakashi-sensei está certo. Concentre-se Naruto. É algo muito pequeno. Não sei como a feiosa pode sentir de tão longe.
Kakashi: Ela foi treinada pela Tsunade para trabalhar com chakra. Além de sempre ter um controle perfeito sobre ele. Mas até eu estou impressionado com a precisão.
Sakura, muito mais a frente deles, não ouvia o que diziam. Simplesmente avançava. O corpo cansado da missão desgastante. A energia incompleta. O time longe de si e também cansado. Se fosse Orochimaru, as chances de resgatar Júnior eram minúsculas. Mas morreria antes de recuar.
De repente, a rosada pula em um galho pegando impulso e pulando o mais alto que conseguiu. O resto do time só observava ela subir e descer acertando um golpe na terra que criou uma imensa cratera e modificando todo o cenário ao redor desta. No momento em que a fumaça baixou, o time pode ver vários ninjas do som mortos sob as inúmeras pedras. De frente para a garota, Kabuto.
Movida pela raiva, a Haruno avançou contra o nukenin. Orochimaru estava longe, fugindo com Júnior. Sabia que a jovem estava lá pela criança. Não podia deixar que qualquer um dos Uchihas a vissem. Enfrentar uma rebelião no exato momento seria perigoso demais. Sasuke seguia o sannin sem entender o que o deixava apreensivo. No momento que sentiu o chão tremer pelo golpe da rosada descobriu tudo. Era a hora de libertar o filho. Sem pensar muito, investiu contra o sannin das cobras.
Kabuto era atacado rapidamente. Ele só podia esquivar. A garota estava furiosa. Naruto, Sai e Kakashi lutavam com o quarteto do som e Kimimaro. A luta estava difícil e as condições dos ninjas de Konoha não auxiliavam no combate. Para a sorte deles, no entanto, alguns shinobis da Vila Oculta da Estrela apareceram e os ajudavam lutando contra Karin, Juugo e Suigetsu. A batalha durou horas. Todos não se aguentavam mais em pé. Os corpos inimigos jaziam mortos pelo chão. Os ninjas aliados se escoravam nas árvores descansando. Os shinobis de Konoha caíram no chão devido à exaustão. Sakura, após derrotar Kabuto e vê-lo fugir pelo caminho oposto ao do ninja das cobras, levantou a cabeça e mirou a direção em que Orochimaru fugiu.
Kakashi: Não adianta Sakura. Você está muito cansada e ele é um sannin.
Sakura: Prefiro morrer a perdê-lo de vista.
Sasuke: "Isso não será necessário, minha flor."
Ao sentir o chakra do antigo pupilo, Kakashi tentou se levantar. Não sabia até onde Orochimaru havia modificado o Uchiha. O dono do Sharingan parou e olhou todos os que estavam caídos a sua frente. Seriam derrotados até mesmo por um gennin nessas condições. Seus olhos decaíram sobre a mulher que dominava seu coração. Avaliava aquele corpo esguio que tanto desejava. A cada ferimento percebido, sentia a respiração falhar. Ela lutou tanto. Ele podia ter feito mais. Treinara tanto para no final fazê-la sofrer. Sempre sonhava com o dia em que a encontraria e os três se tornariam uma família feliz. A médicanin observava o corpo do único homem que a tocou. Três anos o tornaram mais forte e mais bonito. Só de estar perto dele sentia-se sua aura de poder e sensualidade. A camisa, uma vez branca, agora se encontrava coberta por manchas de sangue. A garota de cabelos róseos acreditava que seu coração falhava uma batida a cada nova mancha proveniente de profundos e recentes cortes. Se tivesse ouvido Kakashi e voltado para a vila para descansar e treinar mais, talvez ele não estivesse tão machucado. Ambos se analisavam e assumiam para si a culpa por cada marca na pele do outro.
Naruto finalmente se levantou pronto para defender a amiga. Se Sasuke tentasse fazer algo contra ela, não sairia ileso. O Uchiha ainda não havia percebido a movimentação alheia. Sakura foi tomada pelo espanto quando sentiu uma presença se aproximar correndo. Alguém que estava escondido cansou de ver o Uchiha analisando uma pessoa que não conseguia visualizar. Impaciente, correu até o moreno e se segurou na perna do mesmo. Foi uma questão de segundos. Naruto, Kakashi e Sai ficaram chocados com a aparição da criança. Sakura estava estática.
Naruto: "Quem será esse garotinho?"
Sai: "Eu pensei que o Uchiha estivesse treinando..."
Kakashi: "Então era isso que a Sakura tanto procurava."
O copynin aparentemente foi o único a reparar na reação de Sakura. Depois do tempo necessário para o pequeno se agarrar a perna do pai e levantar os olhos para descobrir quem o mais velho tanto observava, Júnior correu para o colo da mãe. Sakura, no momento em que o focalizou deixou-se cair no chão. O filho a envolveu pelo pescoço com os pequenos bracinhos. A Haruno chorava compulsivamente enquanto apertava o corpinho contra o seu. Não podia descrever a sensação. A alegria de ver o filho bem. A tranquilidade de sentir o calor do pequeno. Mas uma coisa a intrigava. Júnior tinha somente três meses quando foram separados. Como ele se lembrava dela?
Sasuke: Eu usava um genjutsu nele todas as noites reproduzindo você cantando para ele dormir. Exatamente com você fazia.
O time 7 observava quieto o desenrolar dos fatos. A Haruno deixava as lágrimas caírem descontroladamente. Sasuke era um homem incrível. Não se surpreendia por não tê-lo esquecido. Como poderia? Mesmo assim, não se conformava por não ter ouvido a primeira palavra, o primeiro passinho, o primeiro aniversário... Tantos momentos perdidos e que não poderiam ser recuperados.
Sasuke: Ele não falava na presença dos outros. Só à noite. Quando ficávamos sozinhos. Adivinha qual foi a primeira palavra dele?
Sakura: Qual?
Sasuke: Mamãe.
Sakura: É verdade?
Sasuke: Por que eu mentiria?
Sakura: ...
Sasuke: Ele deitou-se quietinho. Me olhou e te chamou. Então usei meu Sharingan para fazê-lo vê-la.
Kakashi olhava quieto. Ainda não sabia como aconteceu, mas já havia compreendido que a criança era filha de seus dois discípulos. Sai também chegou até esse ponto. Agora o ninja desenhista fazia as contas para tentar descobrir quando ocorreu. Naruto ainda não tinha entendido nada. Sakura sentiu-se ser abandonada pelo filho. Este esticou as mãozinhas suja de sangue na direção do Uchiha.
Júnior: Machucaram a mamãe.
Sasuke se aproximou da jovem de cabelos róseos e a pegou no colo. Júnior olhava ao lado do pai entendendo tudo o que estava acontecendo.
Sasuke: O resto espere aqui. Assim que deixar Sakura na Vila Oculta da Estrela, eu volto para buscá-los.
Kakashi: Tente não demorar. Estou todo dolorido.
Sasuke: Humpf.
Sakura se sentia incomodada com tudo aquilo. Há muito que a esperança lhe machucava. Saber que estava nos braços de seu amado e que seu filho os acompanhava era demais para a mesma. A falta de sangue finalmente fazia seu corpo perceber suas condições. Ela fechou os olhos. Estava inconsciente. Os Uchihas caminhavam lado a lado. Ambos preocupados com a mulher desacordada. Em alguns minutos, o nukenin alcançou a pequena vila shinobi. Os guardas o pararam em um primeiro momento. Logo que reconheceram a kunoichi de Konoha, instruíram o homem sobre onde deixá-la. No instante em que chegaram médicos para curá-la, Sasuke chamou alguns ninjas para que o ajudassem a resgatar os outros. Alguns candidatos foram por livre e espontânea vontade. Júnior ficou sentado ao lado da mãe. Fazia tanto tempo que só a via por sonhos que não conseguia se afastar dela agora que a via pessoalmente. Em alguns poucos minutos, todos que participaram da dura batalha estavam recebendo os devidos cuidados.
Sakura acordou no meio da noite. Ao tentar erguer o corpo para sentar-se, sentiu-se perfurada por diversas agulhas, mas não se importou. As lembranças voavam por sua mente rápido demais. Tinha encontrado o filho. Olhou, aflita, para o lado procurando-o. Sua visão deparou-se com um pequeno corpo dormindo ao lado do seu. A paz invadiu seu ser. Era incrível com aquela simples cena acalmava seu ser. A kunoichi levantou-se com calma e acomodou o filho em seu lugar. Saiu para o vento frio da noite. Precisa conversar com Sasuke antes de ele sumir.
Sakura: Você vai atrás do Itachi?
A jovem entrou sem nenhuma dificuldade no quarto em que ele descansava observando o luar.
Sasuke: Eu preciso.
Sakura: Você realmente não sabe que é livre para escolher?
Sasuke: "Sim eu sei. E eu escolho te proteger. Não posso correr o risco de que meu irmão volte e te machuque. Vou derrotá-lo antes disso."
Sakura: Pois bem. Acho que é aqui que nossos caminhos se separam de vez. Foi um enorme prazer conhecê-lo Uchiha Sasuke.
Sasuke a puxou pelo pulso. Estava atrás da garota. Respirava baixa e densamente.
Sasuke: Fica comigo. Só mais essa noite.
Sakura sentiu a vontade de negar-lhe tal pedido, mas seu coração pedia por uma última lembrança. Com o combate entre a razão e os sentimentos, ela virou-se de frente para ele. Há pouco mais de três anos, quando ele lhe disse uma frase muito parecida, não esperou resposta. Dessa vez, o contrário aconteceu. O Uchiha aguardava pacientemente. Sabia que ia longe demais quando o assunto era ela. No entanto não conseguia parar. Quando olhou para os belos orbes negros, Sakura sentiu seu chão desaparecer. Simplesmente o puxou pela camisa e o beijou com saudade. Sasuke não perdeu tempo com surpresas, somente retribuiu. Os dois se redescobriam. Era muita emoção. Em pouco tempo estavam se despindo. Essa noite foi mais apressada do que a primeira, mas nem por isso menos carinhosa. Eles se amavam com docilidade e selvageria ao mesmo tempo. Cada toque tinha gosto de adeus.
No dia seguinte, Sakura acordou com os raios de sol incomodando seu rosto. Estava sozinha na cama. Nenhuma carta ou sinal do Uchiha, aparentemente. No entanto, quando levantou e virou-se para o lado onde ele deveria estar, visualizou uma bela rosa vermelha. Sorriu de canto. Esse era o seu Sasuke-kun. Um homem de ações e não de palavras. Ainda sorrindo, ela se arrumou e preparou-se para o futuro. O destino lhe proporcionou um último adeus para seu amado e ainda lhe devolverá o filho de ambos. Uma eterna lembrança dele. Um pedacinho de cada um dos dois.
