Nota da autora: Obrigada a GeezerWench por suas sugestões!


Jacob

Nessie estava voltando pra casa.

Será que está diferente? Será que sentiu minha falta?

Não sabia a resposta para essas perguntas, mas tinha certeza de uma coisa. Eu vou dizer pra ela o quanto fiquei mal desde que ela se foi. Não contarei das noites sem dormir, ou de como não consegui comer, nem mesmo da dor insana que me rasgava por dentro constantemente. Foi uma tortura viver sem ela. Cada dia, cada minuto, foi uma luta. Às vezes preocupava com minha saúde mental.

Quando voltei do meu exílio e li seus postais, vendo todos os lugares incríveis que ela visitou, lembrei que Nessie me falou que anulei minha própria vida. Imaginava se subconscientemente ela estava tentando me dizer alguma coisa. Talvez Nessie precisava que eu crescesse? O que mais realmente preciso pra minha vida? Eu ainda morava com meu pai, apesar que ele era totalmente capaz de tomar conta de si mesmo, apenas dedicava meio período trabalhando na minha garagem, meu saldo da conta era embaraçosamente baixo. Tudo bem, eu cresci e não era mais um adolescente, mas do jeito que as coisas estavam parecia que ainda vivia como um.

Queria que Nessie tivesse orgulho de mim. Comecei a focar toda a minha dor e transformá-la em algo produtivo. Nos últimos quatro meses, revitalizei meu negócio, com novas ferramentas e atraíndo novos clientes. Pedi para o conselho tribal permissão para construir uma casa, e com a ajuda do bando, construímos uma casa feita de madeira nos arredores da reserva. Emily ajudou a decorar e pela primeira vez em anos comprei roupas novas. Até comecei a voluntariar na comunidade da reserva algumas noites pela semana, ajudando em vários eventos.

Manter-me ocupado não era uma distração da falta que sentia dela, apesar de tudo. Estava incompleto. Passei muitas horas analisando meus sentimentos por ela. Não tinha ideia se nosso relacionamento cresceria para algo romântico. Quando ela me beijou, não me sentia fisicamente atraído por ela. Fiquei mais chocado do que tudo. Parecia impossível pra mim amá-la do jeito que um homem ama uma mulher. Claro, eu achava ela linda e maravilhosa, completamente fascinante em todos os aspectos, mas queria ser seu protetor e sua companhia...nada além.

Foi minha ideia fazer uma festa surpresa pra Nessie. Queria mostrar pra ela o quanto todos a amavam e sentiam falta. O bando ficou mais do que feliz em ajudar. Apesar de ter sido participativo, certamente o meu humor não foi o dos melhores nos últimos meses e eles estavam mais entusiasmados da volta dela do que eu. Com um detalhe, ia ter muita comida na festa.

Charlie se ofereceu para ser o anfitrião, já que Edward e Bella não podiam ir na reserva, de qualquer forma, a gente costuma celebrar eventos especiais na casa dele mesmo. Estava uma pilha de nervos no dia da chegada dela. Não sabia como reagir quando visse Nessie novamente, então me escondi atrás das pessoas, perto das escadas.

A porta abriu e lá estava ela. Minha Nessie.

Caramba. Ela estava bonita. Muito bonita. Bonita demais. Se passaram seis meses, dois dias e dezessete horas desde a última vez que a vi.

Nessie estava tão linda que tirou o meu fôlego. Solucei e minha mão foi direto pro meu peito enquanto mandava o meu coração a bater normalmente. Fiquei sem palavras por um momento, envolvido nela. Seus cabelos, seus lábios, seus olhos...seu corpo. Perfeitos. Ela não era mais uma criança, era uma mulher.

Meu corpo reagiu à sua perfeição. Cada parte de mim ficou perceptivo a ela. E quando falo cada parte, quero dizer cada parte mesmo. Rosnei por dentro. Havia mais de sete anos desde que isso aconteceu. Não podia falar com Nessie com uma ereção dessas, então subi pro banheiro, tranquei a porta. Ao invés de aliviar a minha pressão, foquei meus pensamentos em coisas menos excitantes e tentei desesperadamente voltar ao normal.

Graças a Deus, fui capaz de manter meus hormônios sob controle e voltar pra festa. Acenei pra Edward e Bella, que estavam falando com Charlie, e eles acenaram de volta. Surpreendentemente, Edward não estava com cara de quem queria me matar. Quando Bella piscou pra mim, soube na hora que ela estava bloqueando meus pensamentos. Respirei aliviado.

Ser trinta centímetros mais alto que a maioria do pessoal permitia ver Nessie de longe. Assim que ela estava cumprimentando meu pai, ela olhou pra mim com surpresa no olhar. A dor que estava sentido foi embora, naquele momento. Felicidade e amor por ela tomaram conta de mim. Não resisti e a puxei pros meus braços. Precisava tocá-la. Precisava dela perto de mim.

"Senti saudade," falei, apertando ela num abraço de urso, respirando seu cheiro. Ela cheirava tão bem.

"Também senti saudade."

Oh, não. Eu ia ter outra ereção se a segurasse assim por mais tempo. Relutante, a soltei do meu abraço e murmurei a primeira coisa que veio na minha cabeça.

"Recebi todos os seus postais," falei. "Obrigado por me manter atualizado sobre suas aventuras. Mal posso esperar para ouvir todas elas."

"A comida está pronta," uma voz falou ao longe, e a correria do pessoal me separou de Nessie quando iam em direção da cozinha. Ela deu um passo pra trás e deixou o povo passar, dando uma olhada em volta da casa. Ela parecia ansiosa, até que viu seus pais conversando com Charlie.

Eu tinha que ficar sozinha com ela. Tinha gente demais nessa casa e ela era minha.

"Quer ir lá fora um pouquinho?" perguntei.

Ela concordou, mas logo parecia insegura.

"Um...você está sozinho?" perguntou, enquanto nos dirigimos pra varanda de trás.

Fiquei bem confuso. "Como assim? Você 'tá aqui, meu pai também, o bando todo está aqui..."

"Quero dizer, você trouxe alguém junto com você hoje?"

Mas que diabos ela está falando? Comecei a rir quando percebi que ela estava fazendo uma piada."Um encontro na sua festa de boas vindas? 'Tá bom...você é engraçadinha, Ness."

Caminhamos até o final do jardins do fundo, seguimos numa trilha que levava para a floresta. Há alguns metros tinha um banco de madeira, ainda dava pra ver a casa daqui. Nos sentamos, comigo numa ponta e ela na outra. Estava com medo de ficar muito perto, e não conseguir tirar minhas mãos dela. Queria percorrer meus dedos pelos cabelos dela, beijar sua boca, sentir seu corpo contra o meu. Estava em choque com essas novas emoções e esse desejo tomando conta de mim.

"Você...você cresceu," comentei, olhando de cima a baixo. "Como se sente?"

Estava maravilhado vendo como Nessie estava diferente. Emocionalmente e mentalmente ela era uma mulher, assim como o seu corpo. Não havia mais nenhum traço da Nessie menina ou adolescente. Ela agora é uma mulher.

"Estou muito feliz de estar em casa e feliz em te ver," ela admitiu abertamente, e meu coração pulou. Ela estava feliz em me ver! "Não sinto mais incomodada com relação ao meu corpo, se é que isso faz algum sentindo. Têm uns três meses desde que parei de crescer. Edward disse que estou plenamente desenvolvida."

Quase fiquei vermelho com essa. Definitivamente tinha notado como seus seios estavam mais...desenvolvidos e tentava desesperadamente ser um cavalheiro e não olhar pra eles.

"Um, Edward?" falei baixinho, notando que ela se referiu ao seu pai pelo primeiro nome.

Ela sorriu meio sem graça. "Ah, é que quando estávamos viajando, não podia chamá-lo de pai em público já que parecemos ter a mesma idade, sabe? Ainda o chamo de pai, em casa, mas em público acho que virou um hábito."

Sorri de volta."Bella sempre chamou seus pais pelo primeiro nome."

"Chamava? Não estou surpresa. Bel...quer dizer, minha mãe é bastante independente. Gostaria de ser assim."

"E você não pode?"

"Com uma família superprotetora desse jeito? Boa sorte."

Instintivamente, espreguicei meu braço por trás do banco. Ela também tinha um lobo superprotetor obcecado por ela...eu. Para a minha surpresa, Nessie se aproximou aos poucos até encostar debaixo do meu braço. Olhei pra ela e ela sorriu.

Seis meses distantes um do outro mas nossa conexão não se perdeu. Aliás, parecia ter intensificado mais... e em um outro nivel. Sempre fui fascinado por cada palavra que dizia, mas agora nós somos iguais. Não, definitivamente ela era superior a mim. Tão linda, tão esperta, tão perfeita.

"Eles estão tentando me dar mais espaço," ela continuou, "Quer dizer, quando a gente estava viajando tive alguma liberdade. Fomos caçar um leão na Africa...estou doida pra te mostrar as fotos...e eles deram permissão para que curse o segundo grau. Não totalmente sozinha, é claro, mas..."

"Vai se mudar?" interrompi, meu corpo ficou tenso. Ela não vai me deixar de novo. Nunca. Seria capaz de sequestrá-la antes que isso acontecesse.

Ela balançou a cabeça afirmando. "Para Port Townsend. Não é muito longe daqui...umas duas horas depois do parque. Mamãe quer ficar perto do vô Charlie."

Relaxei. Port Townsend era apenas algumas cidades distante de Port Angeles...e mais perto ainda se eu correr pelo parque. Senti que ela ficou ansiosa e queria minha aprovação.

"Nossa, Nessie vai pro ensino médio. Animada?"

Ela deu de ombros. "Meu pai quer que eu viva experiências humanas. Acho que o segundo grau é o mais humano que se pode ter. Vou estudar apenas por um semestre. No outro semestre, quero fazer faculdade."

Quando ela falou, soava tão madura. Ela realmente tinha crescido e eu estava boquiaberto.

"Faculdade," repeti. "Já decidiu qual universidade?"

"Meu avô quer que eu vá pra Harvard. Meu pai quer que eu vá pra Dartmouth, Mamãe quer que eu vá pro Brown..."

"E pra onde você quer ir?" insisti. Nessie sempre pensava nos outros primeiro.

"Pra Universidade de Washington em Seattle," ela respondeu de imediato.

"Então é pra lá que deve ir," falei.

"Se tudo der certo, eu vou. Vai depender de algumas coisas..."

"Não se preocupe em ser aprovada. Você é um gênio."

Ela riu e virou os olhos, mas eu estava falando sério.

"Renesmee, pronta pra comer agora?" Bella chamou pela floresta pela porta da varanda.

Meu estômago roncou. De repente, bateu a fome. Não tinha feito uma refeição decente desde que Nesse foi embora.

Ela começou a se levantar. "Estou com um pouco de fome."

"Eu também," concordei, batendo no estômago. Para minha surpresa Nessie jogou os braços ao meu redor, dando outro abraço até que ela praticamente estava sentada no meu colo.

"É muito bom te ver, Jacob," ela murmurou, aconchegando seu rosto no meu pescoço. Então, ela inclinou pra trás e olhou pra mim.

Ficamos a apenas alguns centímetros de distância. E não era algo estranho. Era natural e confortável. Mas, comecei a sentir um frio na barriga. Estar tão perto dela, depois de ficar tão distante por tanto tempo, tinha um efeito profundo em mim.

"Vai passar lá em casa mais tarde?" perguntou, com a respiração falha. "Trouxe uns presentes pra você e quero te contar mais da viagem."

Por que ela estava tão nervosa? Era tão bom segurá-la, tê-la próximo de mim. Sabia que naquele momento, as coisas tinham irrevogavelmente mudado entre nós.

Senti completamente rendido para responder qualquer coisa a não ser a completa verdade.

"Sou todo seu."

Ela sorriu, saiu do meu colo e a vi entrar dentro da casa.

Agora via Nessie de uma nova maneira. Não como aquela menina linda, e doce que estava pronto para protejer com a minha própria vida. Eu amava Nessie como um homem ama uma mulher. Será que ela irá, ou algum dia poderá, me amar do mesmo jeito?