Capítulo 12 – Permissões

## Edward PoV ##

Já passava das onze da noite quando a viatura de Charlie entrou na rua, voltando para casa. Bella já estava dormindo há algumas horas. Relutantemente eu levantei da cama e puxei o fino cobertor por sobre o seu corpo para que ela não sentisse frio. Eu lhe dei um beijo na testa e saí pela janela, antes que Charlie pudesse me ver.

Caminhei pela floresta por alguns minutos quando senti o mesmo cheiro, familiarmente desagradável que senti no hospital. Alguns passos à frente, lá estava ele, parado, encostado em uma árvore.

- Pensei que não fosse sair de lá nunca.

- Eu ficaria a noite toda com ela se pudesse. Mas eu acho que você não estava me esperando pra saber quanto tempo eu ficaria lá. O que você quer?

- Calma, Edward. Eu só quero conversar com você. Em paz.

- Isso é estranho, vindo de um lobisomem.

- Eu não estou aqui como lobisomem, e sim como amigo de Bella.

- Amigo? – perguntei em tom sarcástico – Sei.

- Edward, eu amo Bella, sim. Mas como uma irmã. Nós nos conhecemos há muitos anos, mesmo antes de você voltar a Forks. E nós somos muito ligados. Bella é muito especial pra mim, e é importante pra mim que ela esteja feliz.

- Não entendo aonde você quer chegar.

- Apenas escute, está bem? – ele perguntou meio impaciente – Pra mim já é difícil o suficiente estar tendo uma conversa amigável com um... vampiro.

Eu tentava me manter tranqüilo, estava curioso por saber o que levaria Jacob a ter uma conversa amigável comigo. Todos os nossos encontros anteriores à chegada de Bella foram um tanto conturbados, para dizer o mínimo. Há alguns anos o líder de sua matilha o mandou para outra cidade com medo de que ele iniciasse uma guerra conosco por causa de seu temperamento instável.

Jacob sempre foi o mais inconformado do grupo. Não aceitava a idéia de ter vampiros morando tão perto das pessoas, mesmo que nós nunca tenhamos atacado qualquer humano ali. Ele não aceitava o pacto que seus ancestrais fizeram, e estava sempre a um passo de quebrar o acordo. Sempre procurando um motivo que justificasse um ataque a mim ou à minha família. E agora isso.

Ele estava ali, parado a poucos metros de mim, sem qualquer sinal de toda aquela fúria à qual eu estava acostumado. Eu tentava ler seus pensamentos para entender suas ações, mas eles estavam confusos demais até para mim. Ele passava de uma imagem à outra, de um pensamento à outro, tão rápido e sem qualquer sentido.

- Fale, então. O que você tem de tão importante pra me dizer?

- Sabe Edward, eu nunca gostei de ser um lobisomem. – ele disse calmamente, como se conversasse com um amigo, sobre qualquer assunto sem importância – Eu fiquei com raiva quando aconteceu, devido a todas as mudanças que eu teria que fazer na minha vida. Eu odiei principalmente a idéia de ter que me afastar das pessoas que eu amava.

- Eu não entendo porque esta me dizendo isso, Jacob – eu disse meio impaciente.

- Calma. Você já vai entender. Eu deveria ser o líder da matilha, afinal eu sou o descendente direto do último líder, mas eu não podia ser. Eu não era controlado o suficiente. Sabe qual era a única coisa boa nisso tudo? Caçar vocês. Essa era realmente a única parte que eu gostava. Eu me sentia ótimo por poder fazer isso, era algo que eu não poderia fazer se fosse apenas um garoto normal. Mas isso acabou sendo mais forte do que eu. Eu não admitia ter vampiros por perto, sem poder fazer nada com eles. Por isso Sam me mandou embora.

- Você foi expulso da sua matilha?

- Eu não fui expulso! – ele disse com raiva, mas logo voltou à expressão normal – Eu apenas queria continuar caçando vampiros, e Sam me mandou ajudar uma tribo em outro lugar, que estava tendo problemas com os da sua espécie. E eu passei esses anos lá, com eles, ajudando-os.

- E porque voltou agora?

- Não é óbvio? – ele perguntou erguendo as sobrancelhas - Bella. Apesar de não nos falarmos mais, eu sempre sabia notícias dela através dos outros. E quando eu soube que ela viria morar aqui, eu tive que vir também. Precisava protegê-la de vocês.

- Você sabe que isso não é necessário, Jacob. Você sabe que minha família não ataca os humanos. Por isso o pacto foi feito e nós continuamos aqui.

- Eu sei, mas eu não arriscaria. Eu queria estar por perto para o caso de mudarem de idéia. E no fundo, eu tinha esperança que vocês realmente mudassem de idéia.

- Você queria que nós a machucássemos? – eu perguntei cerrando os punhos. Ele estava louco? Ele realmente esperava que nós a atacássemos?

- Não, não! – ele disse balançando a cabeça, tentando afastar a idéia - Não é nada disso. Eu apenas tinha esperança de finalmente ter um motivo para atacar vocês. Eu nunca me conformei com a idéia de ter que deixar vocês em paz.

- Sinto muito, Jacob – eu disse rindo – mas acho que se eu realmente quisesse machucar Bella, eu teria feito. Você demorou dias para voltar. Chegou meio tarde para protegê-la, não acha?

- Eu sei, eu sei. Mas está tudo bem, não está?

- Estaria melhor se você não tivesse voltado. Afinal de contas, Bella realmente está machucada, mas não graças a mim ou à minha família.

- Eu sei. E sinto muito por isso. E é exatamente sobre isso que eu queria falar com você, Edward. Nós existimos exatamente para proteger os humanos, e eu vejo que Bella não precisa da minha proteção. Você já faz bem esse papel. Eu vejo que ela está em segurança com você. Mas eu preciso perguntar sobre os outros. É seguro pra Bella ficar perto de sua família?

- Bella não conhece minha família.

- Ainda. Ela vai conhecê-los logo, e eu preciso saber se há razão para eu me preocupar com isso.

- Bella está em segurança comigo, independente de qualquer um e, além disso, minha família nunca faria mal a ela, você sabe disso. Mas isso não é da sua conta, Jacob. Isso não é assunto seu. E como você pode ter tanta certeza de que Bella conhecerá minha família?

- Ora, Edward. Isso é inevitável. Está estampado no seu rosto o que você sente por ela. Você a ama. E Bella também gosta de você. É claro que vocês acabarão se aproximando mais, e ela acabará se aproximando dos outros Cullen também. Mas se você diz que não há problema, eu não atrapalharei nada.

- Do que você está falando, Black? – eu perguntei completamente confuso.

- Você ainda não percebeu? Edward, está escrito na testa de Bella o que ela sente por você. E você também não disfarça muito bem o que sente por ela. Será possível que você seja tão cegos assim? E vocês se dizem tão inteligentes... – ele disse com um sorriso presunçoso no rosto.

Será possível que seja verdade? Seria possível Bella realmente sentir alguma coisa por mim? Mas e quanto a ele? Ele realmente não a queria pra si? E ela realmente não o amava?

- Edward, Bella nunca se apaixonou antes. É a primeira vez que ela se aproxima de alguém, é a primeira vez que ela sente isso por alguém, e eu realmente fico feliz por ela. Eu preferia que ela se apaixonasse por alguém normal, mas Bella nunca foi muito normal. Ela nunca faz o que a gente espera dela.

- É verdade – eu disse num sorriso. Eu tinha que concordar com aquilo.

-Bella não quer ser como a mãe dela. Reneé se apaixonou por Charlie e se casou com ele um pouco mais velha do que Bella é agora, e engravidou logo em seguida. Depois que Bella nasceu, Reneé deixou Charlie e se mudou para a Flórida. Elas tiveram momentos difíceis, sozinhas, mas Reneé deu conta do recado. No fundo, Bella tem medo de que aconteça com ela também, por isso é tão avessa a relacionamentos.

- Isso explica muita coisa.

- Eu quero que Bella supere isso. Mas saiba que se você a machucar, e eu não falo como vampiro, se você a machucar, eu vou ter o meu motivo pra te caçar.

- Você está dizendo que concorda com isso? Você quer que nós fiquemos juntos? É isso mesmo? – eu estava completamente confuso agora.

- Eu quero que Bella seja feliz. E se ela escolheu se apaixonar por um sanguessuga, o que eu posso fazer? Eu a amo, Edward, e eu a quero feliz acima de tudo, independente de qualquer rixa entre vampiros e lobisomens. Bella não tem nada a ver com isso.

- Mas você sabe o que isso significa, não sabe? Sabe que não é possível eu ficar com ela, assim. Bella é humana, eu sou um vampiro. Você sabe que para ela ficar comigo, ela teria que ser... transformada.

- Isso já é outro assunto – ele disse cerrando os dentes e eu vi novamente um traço de toda aquela fúria à qual eu estava acostumado. – Isso já é totalmente contra o pacto que foi feito. Você contará a Bella o que vocês são?

- Eu pretendia fazer isso antes do acidente. Agora eu só quero que ela se recupere. Quando ela estiver bem de novo, eu vou conversar com ela, sim. Eu preciso ser honesto com ela. Bella precisa saber a verdade.

- É melhor assim. Apesar de eu duvidar disso, ainda tenho esperança que ela desista de você quando souber de tudo.

- Eu acho que isso não vai acontecer – eu falei sério.

- Eu também acho que não – ele respondeu numa voz cansada – Mas se Bella realmente quiser ser transformada, nós não poderemos fazer nada para impedir.

- Obrigado, Jacob. Eu sei o quanto você é importante pra Bella, e não te ter contra mim vale muito.

- Não me agradeça. Não estou fazendo isso por você. Estou fazendo por Bella. Bem, era isso que eu tinha pra te dizer. Agora que eu sei que Bella está bem, eu posso ir em paz. Não posso ficar aqui, tenho que voltar para onde eu estava.

- Não vai se despedir dela?

- Não sei. Não gosto muito de despedidas. Mas de qualquer forma ainda tenho alguns dias. Mas ainda quero falar com ela. Por favor, não fale pra ela sobre essa conversa, não quero que ela saiba que eu vou embora ainda.

- Por mim tudo bem. E por quanto tempo dura essa trégua?

- Pelo tempo que você for o melhor para Bella.

- Ótimo. Então eu espero que você tenha desistido de me caçar, pois Bella sempre estará feliz comigo.

- Bom saber disso.

- Se bem que eu adoraria lutar com um lobisomem qualquer dia desses...

- Até mais, Edward – Jacob disse sumindo entre as árvores – cuide bem de Bella. Não a deixe sofrer.

Eu ainda fiquei caminhando pela floresta por algum tempo, tentando absorver toda aquela conversa. Jacob era próximo de Bella, ele a conhecia. E ele tinha me dito que Bella sentia algo por mim. Então não era tão absurdo assim. Ela realmente estava feliz. E eu me sentia mais feliz ainda. Isso poderia dar certo.

E então eu tomei minha decisão, no mesmo momento em que peguei meu celular e disquei para Alice.

- Nenhuma palavra sobre isso, ouviu? – eu disse num tom seco, e desliguei.

A última coisa que eu precisaria era de Alice dizendo a todo mundo o que eu queria fazer agora. Tinha alguém com quem eu precisava conversar antes de falar com todos. Então eu corri para casa o mais rápido possível. Ainda faltavam algumas horas para amanhecer, e eu queria resolver tudo ainda esta noite.

Quando cheguei em casa Alice estava na varanda, saltitando, ao lado de Jasper. Pelos pensamentos dele eu vi que ela realmente não disse nada, e ele estava confuso pela súbita felicidade dela.

- Obrigado, Alice – eu disse assim que eles me viram.

- Disponha, maninho. Mas por favor, conta logo pra todo mundo – ela disse quicando – Não sei se consigo guardar isso por mais tempo.

- Calma – eu sorri pra ela – Preciso falar com Carlisle primeiro.

- Eu sei. Eu falei que você queria falar com ele, mas não se preocupe, eu não falei sobre o que era. Ele está na biblioteca te esperando.

A casa estava vazia quando eu entrei, e eu fui direto à biblioteca, onde Alice me indicou. Carlisle estava sentado em uma poltrona, e abaixou o livro que estava lendo quando eu entrei. Ele me indicou a poltrona à sua frente pra que eu me sentasse.

- Alice disse que você queria falar comigo, filho.

- Foi aqui que tudo começou, não foi? – eu disse sorrindo, mas com tristeza na voz – Foi aqui, nesta mesma sala, conversando com você, que eu comecei a entender meus sentimentos. Foi aqui, há algumas semanas, que eu disse que a visão de Alice nunca iria acontecer realmente, que eu não seria egoísta a ponto de...

- Tirar a alma de Bella – ele disse me interrompendo – Eu me lembro de cada palavra que você disse, mesmo não concordando com muitas delas.

- Você disse que confiava em mim, por isso você é a pessoa com quem eu tenho que falar primeiro. Eu não sei se sou digno de toda essa confiança, eu não sei se sou forte o suficiente para manter o que eu disse. Eu não tenho mais forças para ficar longe de Bella...

- Edward – ele falou calmamente – eu nunca achei que você fosse manter o que disse. Eu nunca achei que você fosse realmente ficar longe de Bella. Já naquele dia o que você sentia por ela era claro pra todos, menos pra você. Só você não via o quão envolvido você já estava. Eu sei que quando humano você nunca se apaixonou por ninguém, mas mesmo que tivesse, ainda assim você não saberia o que esperar desse tipo de sentimento quando vampiro. Ainda assim você não estaria preparado para o que viria. Não é apenas a nossa força ou nossa velocidade que são intensificados. Quando nos transformamos, tudo em nós fica mais forte, mais intenso, inclusive nossos sentimentos. O fato de nunca ter acontecido com você, de nunca ter se interessado por ninguém, nos deixava preocupados. Quando Tanya se aproximou de você. Nós achamos que finalmente você iria encontrar seu par, mas não aconteceu. Mas agora você pode entender. Vampiros também se apaixonam, e de uma maneira muito mais profunda que os humanos. É algo realmente poderoso, a única coisa capaz de nos alterar de alguma maneira. E como você mesmo pôde ver, por mais que você tente lutar contra isso, é inútil. É algo inevitável. Não há como fugir.

Eu fiquei parado por alguns minutos, tentando absorver tudo o que Carlisle acabara de dizer. Era tudo tão absurdo, mas ao mesmo tempo tão certo. Era tudo o que eu queria ouvir, mas ao mesmo tempo totalmente diferente do que eu esperava ouvir.

- Então... – eu disse hesitante – Você não está decepcionado comigo?

- É claro que não filho.

Eu busquei em sua mente algum pensamento que contradissesse suas palavras, mas não havia nada. Seus pensamentos ecoavam o que ele acabara de dizer.

- Então você sabia que isso iria acontecer? Sabia que eu a amaria, e que eu iria querer ficar com ela? Você sabia que a visão de Alice se tornaria realidade?

- Não por Alice, mas eu sabia que um dia aconteceria. Como eu lhe disse, é algo inevitável.

- Você realmente acha que eu posso ser feliz assim? Você acha certo o que eu penso em fazer com ela? Mesmo isso sendo tão errado?

- Edward, filho, quando eu olho pra você... Sua força, sua bondade, o brilho que esplandece de você, isso só aumenta a minha esperança, a minha fé. Como poderia não haver algo mais para alguém como você? Como seria possível alguém como você não possuir uma alma? E isso torna tudo mais do que certo. É claro que você merece ser feliz com Bella. E é claro que eu concordo com isso.

- Então porque você não me disse isso naquela noite?

- Porque não era o que você precisava ouvir. Porque mesmo que eu dissesse, você não me ouviria. Você tinha que perceber por si mesmo, e aceitar por si mesmo. Você precisava ver e entender seus sentimentos, aprender a lidar com eles e decidir o que fazer com eles, e isso você teria que fazer sozinho.

- E você me ajudou.

- Eu não fiz nada, Edward. Você fez.

- Obrigado, pai.

- E o que você pretende fazer agora?

- É exatamente isso que eu quero conversar com você. Eu vou contar tudo pra ela, sobre mim, sobre nós, o que nós somos. Eu a amo, Carlisle. E eu quero ficar com ela pra sempre. Mais do que a sua permissão, mais do que o seu consentimento, eu quero que você a transforme.

- Se ela quiser, eu o farei com o maior prazer, filho. Eu fico realmente feliz por você finalmente ter encontrado o amor.

- Eu também, pai. Eu também.

N/A

Oi, pessoal.

Quero fazer uma reclamação.

Recebi pouquíssimas review para o capítulo passado.

Desse jeito vou acabar demorando a postar...

Pôxa, minha fic tá em alerta ou em favorita pra tanta gente...

Por favor, aperta o botãozinho verde aí, vai...

Não custa nada, e vai me deixar muito feliz...

Coments respondidos por e-mail pra quem tá logado...

Os demais prometo responder na próxima...

Tô correndo...

Fui....