Disclaimer: Nenhuma das personagens me pertence, (olha a novidade!!) mas eu gostava de ter um Draquito só para mim!! Digam lá se não gostavam também!!
Capítulo XII
Sombras na Lua Cheia – Parte I
A agitação no dormitório masculino começou cedo, no dia seguinte. Harry voltou-se na cama e puxou os cobertores para cima da cabeça, numa tentativa vã de fazer com que a luz que agora iluminava o dormitório não o incomodasse.
Teve sorte, pelo menos durante um bocado. Depois, apercebeu-se que alguém se aproximava de si.
-Ele já está acordado? – Ouviu a voz do pai no outro lado da divisão. – Se não se despachar vai acabar por atrasar-se!
-Acho que não! – Desta vez foi a voz de Sirius que se fez ouvir. O padrinho aproximou-se da cama do moreno e tentou espreitar o rosto deste. Talvez não fosse tão cedo assim! Pensou Harry.
Resmungou qualquer coisa e acabou por se sentar na cama. Espreguiçou-se enquanto bocejava e depois olhou em redor.
-Bom dia!
-Bom dia, Harry! – Neville retribuiu o cumprimento enquanto se preparava para ir tomar o pequeno-almoço.
Quando o rapaz deixou o quarto, só ficaram Harry, Ron e os Marauders.
-Então… - o ruivo olhou para o amigo. – Como é que correu a detenção com o Malfoy?
-Nem correu muito mal. – Respondeu encolhendo os ombros. – Mas esta detenção…
-O que é que tem a detenção? – Perguntou Remus saindo da casa de banho.
-Nunca vai terminar! – Gemeu o moreno.
-Que exagero! - Hermione apareceu inesperadamente fazendo-os sobressaltarem-se.
-Hermione! – Ron olhou para a rapariga. – O que é que estás aqui a fazer?
-Eu só vinha cá avisar-vos que vamos descer para tomar o pequeno-almoço. Vocês nunca mais apareciam!
-E não podias ter batido à porta? – Continuou o ruivo.
A rapariga ignorou-o e aproximou-se da cama de Harry.
-Afinal, o que é que aconteceu na detenção? Tiveste problemas com o Malfoy?
-Com o Malfoy? Não! O problema é a detenção em si! Aquela ala da biblioteca é enorme. E o estado dela…
-Eu falei com a madame Pince mas ela não me quis dizer o que é que aconteceu para a encerrarem.
-Pois… - James chamou a atenção sobre si – Eu acho que nós podemos responder a isso.
-Vocês?! – Os três mais novos perguntaram em coro.
-É, nós! – Sirius deu um sorrisinho amarelo.
-Bem, querem saber o que se passou? Acabou por ser engraçado!
Remus bufou.
-Sem dúvida que foi engraçado, James. Sem dúvida.
James olhou para o amigo sem perceber o motivo da ironia mas quem lhe respondeu foi Sirius:
-Conta lá a história, que já vais perceber o Moony.
-Muito bem! Tudo começou com uma aposta…
-Uma aposta? – Perguntou Harry incrédulo. – A maioria dos livros daquela ala está coberto por uma gosma verde, que só sai depois de muito esfregar, e dizem que foi por causa de uma aposta?
-Exacto! – Confirmou Remus.
James continuou a contar.
-Nós andávamos no 5º ano. Um dia, eu e o Sirius resolvemos fazer uma aposta entre nós: o objectivo era ver qual de nós pregava a melhor partida. Bem, depois de várias tentativas que, na minha opinião, foram bastante engraçadas, mas que eu tenho a certeza que a tua mãe me mataria se suspeitasse que eu te contei, acabámos na biblioteca, na ala norte.
A partir deste ponto, Sirius tomou a palavra.
-Eu queria pregar uma partida que fosse realmente boa e para isso pedi ajuda ao Remus.
-O quê?! – James encarou o amigo – Isso foi batota!!
-Ele não me ajudou! Recusou-se a participar nos nossos… como é que era mesmo?
-O quê? – James ainda olhava para os amigos com um olhar de meter medo.
-Aquilo que ele dizia sempre que nós o tentávamos convencer a participar nas partidas. Ele dizia que não queria tomar parte das nossas…
-Criancices de meninos mimados. – Completou James ajeitando os óculos no rosto. – Era isso não era, Remus?
Este concordou com um aceno de cabeça.
-Pensando bem, nós éramos mesmo crianças mimadas, não éramos Prongs?
O auror também acenou com a cabeça em sinal de concordância.
-Continuando, o Remus não me ajudou a preparar nenhuma peça, por isso desenvencilhei-me sozinho. Fiz umas quantas pesquisas… - Com o olhar de Remus sobre si, acrescentou – Sim, eu fui para a biblioteca para preparar a minha partida! Eu estava lá e, de repente, apareceu o James. Tinha estado a ver uns quantos feitiços bastante interessantes e achei que aquela era uma bela oportunidade para experimentá-los. E ele era a vítima perfeita.
-Bem, tu já viste como ficou a ala norte, por isso não te deve custar muito imaginar o que aconteceu a seguir!
Harry sorriu com a imagem mental que lhe surgiu.
-Foi muito engraçado, Harry, ver o teu pai coberto com aquela gosma verde da cabeça aos pés! O que correu mal foi que o feitiço acabou por ser mais forte do que aquilo que eu queria.
-O que nos valeu… - Interrompeu James. – Foi que não havia ali quase ninguém!
-Mas esperem lá. – Começou Hermione – Se os livros ainda continuam com aquilo, porque é que o James não ficou com ela? Como é que conseguiram tirar a gosma dele?
-Com muito custo, Hermione, com muito custo. – Sirius riu. – Aquilo tinha um cheiro insuportável. Nem sei como é que a Madame Pomfrey conseguiu aguentar para lhe remover o feitiço.
-Então…
-Então, naquela sala havia muito mais gosma! Quando os professores se tentavam aproximar tinham de sair de lá a correr, caso contrário…
Todos se riram com a insinuação de James.
-E ainda para mais, só aquele contra-feitiço resultava! Alguns professores ainda tentaram bloquear o cheiro, mas… só pioraram a situação – Acrescentou Sirius entre gargalhadas.
-Imagino a detenção que a McGonagall vos deve ter dado… - Disse Harry, enquanto ria.
-Pois… a detenção… - Sirius e James entreolharam-se, e o último pareceu então entender o motivo da ironia de Remus no começo da conversa.
-Qual foi? A detenção que a McGonagall vos deu foi o quê? Agora fiquei curioso! – Ron olhou para eles com um sorriso no rosto.
-Nós… não ficámos em detenção. – Respondeu James.
-Não ficaram em detenção? – Hermione perguntou espantada. – Mas a ala ficou inutilizável! Como é que não ficaram em detenção?
-EU fiquei em detenção por eles! – Esclareceu Remus ao ver que os outros dois não pareciam estar dispostos a falar nada.
-Tu? – Ron encarou o ex-professor – Não sabia que se podia transferir detenções.
-E não se pode! Só que a professora McGonagall não acreditou que tivesse sido o Sirius a realizar o feitiço.
-Não acreditou? – Hermione olhou para Sirius.
-Não. Ela não acreditava que eu, ou o James, fôssemos capazes de realizar um feitiço como aquele. E o Remus… acabou por levar as culpas.
Os mais novos entreolharam-se mas, depois de alguns instantes, todos começaram a rir. Até Remus se deixou contagiar.
-É… um bocado estranho pensar que a McGonagall… - Disse Harry entre as gargalhadas – Te tivesse dado uma detenção por destruíres a biblioteca…
-Acho que esse foi um dos motivos pelo qual ela me deu aquela detenção. – Conseguiu dizer Remus depois de muito rir.
-Afinal o que é que ela te mandou fazer? – Ron perguntou fazendo um esforço para não se rir.
-Mandou-me limpar o chão da enfermaria sem utilizar magia.
-Ah! Eu também já apanhei esse uma vez. Graças ao Snape. – Comentou o ruivo.
-Durante dois meses… - Acrescentou Remus.
-Dois meses?! – Harry perguntou espantado. – Ela devia estar mesmo irritada. E cumpriste?
-Que remédio! Ela não acreditava que tivessem sido eles! Disse que se viéssemos com essa história de novo eu ficaria de detenção até ao fim do ano!
-Sabem uma coisa… - Disse James de um momento para o outro. – Eu acho que ela sempre soube que não tinha sido o Remus.
-O quê? Porque é que dizes isso?
-Pensa comigo, Sirius. Depois daquela partida, nós voltamos a fazer mais alguma coisa na biblioteca ou noutro "espaço de estudo", pelo menos enquanto o Remus estava presente?
O outro pareceu pensar por um bocado e depois respondeu:
-Realmente, tens razão! Nunca mais o fizemos!
-E porque é que não o fizemos?
-Porque achámos que ela voltaria a acreditar que… Brilhante! Se essa foi mesmo a ideia dela, foi brilhante!
-Do que é que eles estão para ali a falar? – Cochichou Hermione ao ouvido de Harry, que apenas encolheu os ombros.
-Hey! Não se importam de esclarecer aqui as "mentes menos iluminadas"? – Pediu Remus.
-Hã? Ah, pois! Pensa connosco, Remus. Nós pregámos a partida, tu levaste as culpas e a detenção. Certo? – Sem esperar resposta James continuou. – No entanto, a McGonagall não tinha nenhum motivo para acreditar que tinhas sido tu o responsável! E, depois daquilo, nós nunca mais voltámos a pregar partidas na biblioteca, coisa que fazíamos com bastante frequência, diga-se de passagem!
-Então a McGonagall…- Começou Harry.
-Pôs o Remus de castigo para nos fazer parar com as partidas. Ela sabia que se nos colocasse em detenção não iria mudar nada, mas deve ter pensado que se nos sentíssemos culpados por ser ele a levar a culpa por nós…
-Vocês iriam parar! – Remus completou a ideia. – Até que nem está mal pensado! Foi bastante engenhoso.
-E resultou! – Comentou Sirius.
Um barulho vindo das escadas fê-lo calar-se e Remus olhou para o relógio da parede. Precisou de olhar uma segunda vez para garantir que não estava a ver mal!
-Por Morgana! Vocês já viram bem as horas? Estamos super atrasados!
Todos os que estavam presentes voltaram-se na direcção dele e começaram a tentar despachar-se o mais rapidamente possível. Harry, que era quem estava mais atrasado, pulou da cama e pegou rapidamente no uniforme enquanto se dirigia para a casa de banho.
Assim que ele fechou a porta, uma ruiva entrou no dormitório.
-Ginny! – Hermione virou-se para a amiga. – Desculpa, nós começamos a falar e perdemos as horas. Mas nós vamos já!
Ron concordou com um aceno de cabeça, e os restantes limitaram-se a continuar com as suas tarefas: afinal de contas, a ruiva não sabia das suas identidades.
Não tiveram de esperar muito por Harry, que depressa saiu da casa de banho ainda a apertar a gravata.
Deixaram o dormitório todos juntos e rumaram ao Salão Principal.
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A primeira aula daquele dia foi D.C.A.T. em conjunto com os Hufflepuff. O tema da lição, naquele dia em que várias nuvens negras cobriam o céu, era as maldições cuja utilização tivesse sido banida pela sociedade bruxa.
O professor Snape começou a lição explicando quais eram as tais maldições e feitiços, e de que forma funcionavam. Nesse momento, Neville tremeu e Harry, que estava a algumas cadeiras de distância pensou seriamente na hipótese dele poder desmaiar a qualquer momento.
De facto, isso passou pela cabeça do outro Gryffindor. No decorrer da aula, de cada vez que Snape se virava na sua direcção, Neville sentia o seu coração falhar diversas batidas.
No lado dos Hufflepuff o silêncio era enorme, pontuado apenas por um ou outro murmúrio quando o assunto assim o exigia.
Por vezes Snape voltava-se para o quadro de louça para poder escrever alguns apontamentos. Era nessa altura que se ouvia algum burburinho no lado dos Gryffindor.
-O Neville está estranho! Parece com mais medo do Snape do que o habitual! – James murmurou para Sirius.
-O Snape assusta qualquer um! – Comentou Ron que ouvira os sussurros.
-Senhores Weasley e Powel, creio que já passaram tudo o que está no quadro?
James, ou melhor Jayden, e Ron levantaram o olhar para o professor e responderam em conjunto.
-Não, professor.
-Então do que estão à espera? Dez pontos a menos para Gryffindor, por estarem a conversar quando deviam estar a prestar atenção! – Depois acrescentou. – Sejam rápidos a passar. Ainda temos muita matéria para dar nesta aula.
-Sim, professor. – Proferiu Jayden num tom bastante calmo.
Ron e Harry olharam para ele admirados e nessa altura Ryan murmurou-lhes baixinho:
-É bom saber que ao fim de tanto tempo alguma coisa finalmente mudou!
-Vamos continuar a aula. E quero silêncio! Caso contrário serei "obrigado" a retirar-vos mais alguns pontos! – O seu olhar desta vez estava dirigido a Remus, mas este limitou-se a manter uma expressão neutra.
A aula prosseguiu sem que Snape tirasse mais pontos a qualquer uma das equipas ou outro problema de maior pelo menos até que, quase no final, perguntou:
-Senhor Longbottom, pode dizer-me qual o contra-feitiço mais eficaz para o feitiço que estamos a estudar?
O rapaz empalideceu. Não porque ele não soubesse a resposta, mas o olhar de Snape naquele dia, não augurava nada de bom!
-Hã… o contra-feitiço é…
Vários braços ergueram-se no ar entre os quais os de Hermione, Ryan, Jaydan, Samuel e até mesmo Harry.
-Estamos à espera senhor Longbottom! – O tom do professor era rígido.
-O contra-feitiço é… um feitiço chamado… Revertum Episcum!
-Correcto. Revertum Episcum é um feitiço que exige muito esforço físico, psicológico e mágico do feiticeiro que o executa. Não é qualquer um que o conseguiria realizar. – Fez uma pequena pausa para olhar para a turma que o escutava no mais completo silêncio - Todos estes feitiços e contra-feitiços que temos falado ao longo desta aula foram banidos. Vocês podem perguntar-se porque razão os estamos a estudar. O motivo é simples: foram estes feitiços que deram origem às Maldições Imperdoáveis!
No momento em que isto foi pronunciado um murmúrio colectivo percorreu a sala. Snape não pareceu ficar incomodado continuando o seu discurso em seguida:
-Todos vocês já estão familiarizados com as Maldições Imperdoáveis. Na próxima aula tentarei aprofundar os vossos conhecimentos precisamente sobre elas. – Como o tempo de aula estava prestes a terminar ele terminou dizendo. – Para a próxima aula quero um texto de dois pergaminhos que explique tudo o que considerem importante saber acerca de uma das três Maldições Imperdoáveis. Fica ao vosso critério, a escolha. Agora podem sair.
Quando terminou voltou-se para a sua secretária enquanto os alunos arrumavam as suas coisas e começavam a abandonar os seus lugares. As conversas começavam a surgir mal os alunos punham os pés fora da sala, e seguiam animadas pelos corredores.
Remus arrumou lentamente o seu material fazendo tempo para que todos saíssem da sala. Fez um pequeno sinal para Sirius que também deixou a sala conversando com Hermione.
Quando ficou a sós com o professor de D.C.A.T., este olhou por fim na sua direcção.
Snape sabia exactamente porque motivo Remus estava ali. Por isso, terminou de arrumar as suas coisas e caminhou até à porta.
-Segue-me. – Ordenou para o agora mais novo.
O loiro apenas assentiu com um aceno de cabeça antes de segui-lo até aos seus aposentos particulares. 1
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Lys Everett deixou a sala onde tinha dado aulas aos terceiros anos de Gryffindor e Ravenclaw, depois de uma hora particularmente divertida. Tinha sido uma aula essencialmente teórica onde tinham aprendido as características dos diversos ingredientes que utilizariam na poção que tencionava ensiná-los a preparar na aula seguinte.
Aquela era uma boa turma, embora houvesse um ou outro encrenqueiro que lhe fazia lembrar James e Sirius.
A experiência de professora estava a ser muito agradável e tinha sempre a vantagem de poder estar perto de Harry.
Percorreu os corredores com um sorriso no rosto, cumprimentando os alunos que passavam por ela. Tinha ainda algum trabalho para fazer antes de ir para a aula seguinte: alguns testes para começar a corrigir, anotações para preparar, material que queria rever, e tinha ainda que confirmar se existiam em stock todos os ingredientes para as poções que tencionava ensinar.
Resolveu começar por verificar os stocks. Dirigiu-se até às masmorras e com um toque de varinha desarmou as protecções que protegiam os armários. Segundo Severus, aqueles mesmos armários já tinham sido vítimas de alguns furtos e era por isso que agora eles eram protegidos por feitiços.
-Pó de salamandra… asas de morcego… folhas de Lubéula… veneno de acromântula… pêlo de unicórnio… pêlo de unicórnio… não há! – À medida que ia verificando se existiam ou não todos os ingredientes, ia anotando aqueles que lhe faltavam. Era da sua responsabilidade certificar-se que não faltaria nenhum para as aulas.
Terminou rapidamente a tarefa e confirmou que estava quase na hora de começar a sua próxima aula. Primeiro ano. Slytherin. Uma aula prática.
As suas experiências com Slytherins sempre haviam sido muito diversificadas. Enquanto aluna conhecera vários que não passavam de brutamontes obcecados com a pureza de sangue, o poder e a riqueza. Mas também conhecera Severus que se mostrara ser um bom amigo, pelo menos até ser corrompido pelas ideias de poder.
No pouco tempo como professora, lidara com alguns convencidos, com briguentos, com arrogantes, irritantes… mas também lidara com alguns que conseguiam manter uma conversa totalmente acima da sua faixa etária por horas, lidara com alunos bastante inteligentes e perspicazes.
Slytherins não eram diferentes dos restantes alunos da escola, pensou ela enquanto se dirigia para a secretária. Não precisou de esperar muito tempo pois alguns minutos depois ouviu baterem na porta. Os alunos entraram, sentaram-se nos seus lugares e começaram a tirar o material sem que ela precisasse de lhes dizer nada.
Com aquela turma era sempre assim! Todos eram muito responsáveis, faziam sempre o seu trabalho e raramente saíam da linha. Olhando para as suas expressões naquele dia, quase podia dizer que estavam amedrontados com algo.
Aquilo entristeceu-a um pouco. Em Hogwarts passara alguns dos melhores momentos da sua vida, conhecera amigos fantásticos e o homem da sua vida. Tinha pena que aqueles alunos não pudessem ter as experiências que ela mesma tivera.
-Bom dia a todos! Como vos disse na aula anterior hoje vamos ter uma aula prática. Vamos preparar a poção do morto-vivo; os ingredientes necessários e o método de preparação estão na página 38 do vosso livro. Na última aula, falámos acerca da importância de respeitarem as quantidades certas dos ingredientes e agora quero que tenham isso em mente. Nesta poção a diferença entre ela estar bem ou mal preparada pode depender de vocês colocarem um grama a mais ou a menos.
Os alunos começaram a levantar-se e a irem até ao armário. Sob o olhar da professora a agitação começou a reinar na sala. Dentro de poucos minutos já se podia ouvir o crepitar do lume e o borbulhar dos caldeirões.
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-Onde é que está o Ryan? – Perguntou Ron a Jayden durante a aula de transfiguração daquela manhã. – Ele não devia estar aqui?
O outro encolheu os ombros e olhou na direcção de Sirius. Este estava com a cabeça apoiada na mão e rabiscava algo no pergaminho uma vez ou outra. Jayden percebeu que, pelo menos naquela altura não iria conseguir falar com o outro.
Harry, sentado ao lado de Sirius pareceu perceber que algo não estava bem. Cutucou o padrinho por debaixo da mesa mesmo a tempo pois a professora McGonagall escolheu aquele preciso momento para se voltar na direcção deles.
-Senhor Weasley, pode dizer-me qual o movimento de varinha necessário para acompanhar este feitiço?
O ruivo engasgou-se por instante e olhou para a mesa da frente onde estava Hermione. Mas, com a professora a olhar tão atentamente para eles era impossível para a morena ajuda-lo de que forma fosse.
-O movimento… - Começou o ruivo fazendo um esforço para se lembrar de algo que o pudesse ajudar naquela hora. – O movimento é…
-Apontar de forma rápida e precisa. – Apenas Ron conseguiu ouvir quando James lhe disse a resposta.
-Apontar de forma rápida e precisa. – Terminou o ruivo com uma sensação de alívio a percorrer-lhe o corpo.
-Muito bem! – A professora voltou-se para o quadro para continuar a escrever qualquer coisa e Ron sorriu para James em forma de agradecimento. – Ah, e senhor Powel, no final da aula fique um pouco. Precisamos de ter uma conversa.
O sorriso de Ron esmoreceu, mas o de James aumentou!
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-Obrigado, professor Snape! – Disse Remus enquanto recebia um copo com uma poção ainda fumegante do outro.
-Ninguém pode entrar aqui sem ser detectado e existem feitiços que mantêm a privacidade. – Foi a única resposta que obteve.
Remus acenou com a cabeça. Olhou para o copo nas suas mãos. Wolfsbane. Severus era o mestre de Poções que melhor preparava aquela poção num raio de muitos quilómetros. Remus suspeitava que ele fosse de facto o melhor. Era uma sorte poder contar com ele para preparar aquela poção.
-Esta poção tem algumas diferenças em relação à habitual. Estive a fazer algumas pesquisas e cheguei a algumas conclusões pertinentes. Não posso garantir com certezas absolutas de que não terá falhas mas creio que terá alguns benefícios em relação à fórmula anterior. Concordas em experimentar?
Remus olhou para o líquido e depois para o homem na sua frente. Acabou por concordar. Ele era o melhor naquilo que fazia. Remus iria confiar nele!
-Então depois de beberes terás de ficar aqui por um bocado. Quero ter a certeza de que a poção não causa qualquer efeito secundário, mas como sabes qualquer outra consequência só poderá ser avaliada logo à noite.
-Muito bem!
-É melhor beberes antes que arrefeça. Será pior se esperares.
-Sim! – Levando o copo aos lábios o lobisomem bebeu o seu conteúdo quase ininterruptamente.
Apesar de aquela poção o acompanhar há já muitos anos ainda continuava a detestar o seu sabor. Podia parecer criancice, mas queimava na garganta e custava a engolir! Quem sabe se essa reacção não se devia apenas aos seus aguçados sentidos!
Mas, os seus resultados eram muito bons! Davam-lhe um maior controlo durante a lua cheia e só ele sabia o quanto precisava disso.
A descoberta daquela poção era relativamente recente. A primeira vez que Remus a tomara fora dois meses depois de Sirius ter sido preso. Se não tivesse sido por aquela poção Remus teria, provavelmente, sucumbido ao lobo que se mostrara brutal naquela altura.
-Então, como é ter-nos como alunos? – Remus tentou fazer conversa. Ainda teria de esperar algum tempo antes de poder deixar a sala.
-Diferente daquilo que eu estava à espera, confesso. – Por momentos fez-se silêncio mas depois ordenou - Senta-te. No caso de desmaiares será mais fácil para te tratar.
-É provável que desmaie?
-Esperemos que não! Significaria que algo de errado se passou com a poção e as consequências poderiam não ser muito agradáveis!
Remus obedeceu e sentou-se numa das cadeiras. Olhou em seu redor procurando passar o tempo já que o outro não parecia muito disposto a conversar.
Severus caminhou pela sala e pegou em algumas folhas que estavam sobre uma das prateleiras. Já que teria de ficar ali poderia aproveitar para rever aqueles apontamentos.
Sentou-se confortavelmente e dispôs-se a começar a trabalhar mas alguém parecia estar a conspirar contra ele. Antes mesmo de as batidas na porta se fazerem ouvir, os feitiços de protecção deram o alarme: alguém ia na direcção dos aposentos do professor de D.C.A.T.
-Para todos os efeitos estamos a discutir a tua detenção. – Disse Severus a Remus antes de permitir a entrada de quem quer que fosse que estivesse a bater à porta.
Mesmo que o loiro quisesse discordar, não teve nenhuma hipótese.
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Os alunos do sétimo ano dos Gryffindor começaram a deixar a sala alguns minutos antes do horário. James deixou-se ficar para trás, preparando-se para receber uma reprimenda da directora da sua casa.
Ela apontou para uma pilha de material dentro de uma caixa que estava na sua secretária e pediu-lhe:
-Ajuda-me a levar isto para a minha sala. Estaremos mais à vontade para conversar.
O aluno concordou. Pegou na caixa e caminhou atrás da professora até ao gabinete dela.
-Pousa em cima daquela mesa. – Esperou que ele cumprisse a ordem e depois continuou. – Agora, sabes porque é que pedi para ter esta conversa contigo, certo?
-Faço uma clara ideia, sim! – Não valia a pena negar e James sabia-o.
- Então, o que tens a dizer?
-Bem, ele não sabia a resposta porque estava a falar comigo. Não achei justo que ele ficasse em problemas quando eu também não estava atento!
-Foi por isso que lhe deste a resposta?
-Exactamente.
Minerva olhou o rapaz durante alguns momentos. Podia ver nele marcas inequívocas do antigo James Potter, aquele que durante o seu tempo como aluno desafiava qualquer regra, mas via também o quanto ele tinha mudado durante os anos, embora poucos, como auror. Crescera, tornara-se mais responsável. Algo que, no seu íntimo, Minerva sempre soube que aconteceria.
-James, por hoje passa, mas eu não posso concordar que digas as respostas quer seja ao Ron, ou ao Harry, ou a outro aluno! Provavelmente o senhor Weasley não sabia a resposta e iria levar uma chamada de atenção, mas é assim que as coisas têm de ser!
-Desculpe! Não torno a dar a resposta a nenhum deles! – Existia um sorriso maroto na face do rapaz.
-Muito bem! Podes ir, então. Não quero que te atrases para a tua próxima aula. Ah! Só mais uma coisa! – O seu tom tornou-se mais leve. – Apesar de estarem cá em missão, não vou tolerar que percam pontos pelos Gryffindor! Não quero que pensem que vou hesitar em colocar-vos em detenção caso percam pontos!
Ele sorriu e caminhou para a porta.
Minerva viu-o sair e depois não pode conter um sorriso. Na sua mente havia uma certeza:
"Tenho a certeza que se o Harry não souber alguma resposta e tu o puderes ajudar, fá-lo-ás. É assim que tu és, James. Incapaz de deixar na mão alguém de quem gostes e com a qual te preocupes!"
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No gabinete de Snape, Theodore Nott acabara de entrar com um ar estranhamente feliz. Severus bufou interiormente mas cedeu passagem ao aluno da sua casa.
Este entrou e lançou um olhar inquisidor na direcção de Ryan, que não passou despercebido a ninguém.
-Senhor Nott, posso saber porque necessita da minha presença?
-Professor, o assunto é… delicado!
Snape compreendeu qual seria o motivo daquela conversa e em frente de Remus ela não teria lugar.
-De momento estou ocupado. Tenho uma detenção para dar.
-Professor, acredito que o assunto é do seu maior interesse!
Snape olhou para o relógio que estava na parede. Ainda era demasiado cedo para deixar que Lupin saísse sem perigo.
-Muito bem. Senhor Nott espere um pouco por mim lá fora. Vou só terminar este assunto com o senhor Lewis.
-Certo professor! Estarei à sua espera.
O rapaz deixou a sala e Severus agiu com rapidez. Pegando na varinha caminhou até Remus.
-Ainda falta algum tempo até ter-mos a certeza de que a poção não teve qualquer efeito secundário. Vou lançar-te um feitiço de monitorização mas quero que fiques lá fora. – Apesar de parecer calmo Severus estava profundamente irritado, e preparado para descontar em quem quer que lhe aparecesse à frente naquele momento e que se atrevesse a fazer-lhe frente. Como Nott não era a melhor opção, só restava Remus.
O loiro pareceu entender, e nem sequer tentou protestar. Depois de completos os feitiços foi até a saída e abriu a porta.
Theodore Nott entrou, uma expressão de superioridade no rosto. Esperou até que a porta fosse fechada e que o mais velho lhe indicasse uma cadeira.
-Tenho algo para lhe comunicar. Recebi uma carta do meu pai que me pediu que lhe informasse que o Lord espera a sua colaboração para fazer com que o Draco volte para casa.
Severus observou atentamente o rapaz na sua frente. A expressão de Nott era a de alguém que estava habituado a que fizessem o que queria. O professor de D.C.A.T. sabia que muito em breve ele se tornaria mais um do círculo do Lord, mas não tinha ilusões em relação a ele! Nott queria ser um Death Eater, pensou com ironia.
-Todos estão à espera de resultados para breve. Eu próprio já tive uma pequena conversa com o Draco, mas aparentemente não obtive bons resultados.
-Já fui informado dessa pequena "troca de palavras".
-E o que vai fazer em relação a isso? – O tom trocista do rapaz irritou profundamente Snape, mas este manteve a sua habitual expressão fechada.
-Não vejo motivo para fazer nada, neste momento. Mas gostava que tivesse mais prudência, da próxima vez que falar com o Draco. Nenhum de nós sabe com certezas quem está a ajuda-lo.
Subitamente sentiu algo quente na sua mão. Rogou uma praga a Merlin por isso: aquela era uma péssima altura para Lupin reagir a uma alteração na Poção!
-É verdade, professor! Por isso todos estão a contar consigo!
-E eu farei o que estiver meu alcance!
-Estou certo que sim, professor!
Nott levantou-se e andou calmamente pela divisão. Olhou para uma estante e dedicou-se a observar os títulos de alguns livros.
-Existe mais algum assunto que necessite de discutir comigo?
-Não, professor. – Respondeu o aluno com um meio sorriso trocista no rosto. Acabando depois por dirigir-se até à porta.
"Até que enfim!" pensou Snape, deixando a sala em seguida. Olhou em redor e encontrou Remus ali perto, sentado no chão com a cabeça apoiada num dos joelhos. Parecia mais pálido que o habitual mas felizmente parecia consciente.
Ajudou-o a entrar e a sentar-se, e pegou rapidamente num bezoar que estava estrategicamente colocado numa das estantes. Colocou-o na boca do menor e aguardou enquanto este se esforçava por engoli-lo.
Os segundos que se seguiram foram tensos e Remus tentou descontrair o ambiente.
-Nunca me disseste porque estás a fazer isto. – Comentou olhando distraidamente em redor.
O outro ergueu uma sobrancelha na sua direcção.
-Porque é que optaste pela investigação na área da licantropia. – Por fim olhou na direcção do Mestre de Poções. – Com as tuas capacidades no campo de Poções podias ter optado por qualquer outra coisa!
Um sorriso atípico apareceu no rosto de Severus.
-É um desafio. Um desafio sem dúvida alguma apaixonante.
Remus sorriu, compreensivamente.
-Vejo a influência de Dumbledore nas tuas palavras.
-É verdade. – Concordou Snape enquanto se voltava para Remus, de novo com a varinha em punho.
-E tu? Porque é que concordaste em ser "cobaia", nestas experiências?
O loiro pensou por instantes, imóvel enquanto alguns feitiços percorriam o seu corpo.
-Porque… talvez porque ainda albergo a esperança de, um dia, ser encontrada a cura para a licantropia.
-Motivo nobre! – Concluiu os feitiços. – Penso que só tiveste uma reacção a um dos ingredientes da poção. Isso significa que terei de voltar ao início!
-Lamento!
-Não o faças! Não creio que ocorra alguma complicação logo à noite. Não alterei a poção de forma assim tão significativa para isso.
-Muito bem!
-Óptimo! Por agora é tudo!
Remus levantou-se e preparou-se para sair no entanto antes de abrir a porta voltou-se para o outro:
-Caso perguntem, qual é mesmo a minha detenção?
O professor de D.C.A.T. foi apanhado de surpresa, mas tinha uma resposta pronta.
-Já que fazes tanta questão, penso que o chão da enfermaria está a precisar de ser limpo. Digamos que… uma semana? – O tom era de profundo deboche.
Remus revirou os olhos e então saiu da sala. Se continuasse ali o outro ainda lhe daria uma detenção real!
1 - (P.S. – Alina, eles não foram fazer nada daquilo que tu estás a pensar! R.B.: Mas é claro que nãããoooo!!! Achas que eu ia pensar o quê??? É claro que é apenas uma conversa entre velhos amigos… eu não pensava em mais nada de mal… *beta vai embora com hemorragia nasal*)
N.B.: LOOOOOl Haha, adorei o cap!!!! Tadinho do Lupin… cobaia. Achei lindo o Snape ter seguido essa veia de procurar melhores alternativas para a Wolfsbane! ^^ tão fofooooo!!! *suspiro* Bem… agora quero saber o resto!!! Quando é que fazes uma cena entre o James e a Lily? ;-P Ah pois…! Haha Bjoooooooo
N.A.: Olá a todos, surpreendidos por verem um capítulo tão cedo? Eu admito que também me surpreendi mas... a imaginação fluiu!! Adorei escrever este capítulo, e espero que vocês também gostem, e já agora deixem reviews...
Por reviews, vou fazer agora uma coisa que já não faço à muito tempo e que adoro fazer: responder aos reviews!! Como até estou a publicar este capítulo cedo acho que mereço esse gostinho!!
sango7higurashi: Cá está um capítulo novo. Acho que foi a primeira vez que me disseram que a forma como escrevo irrita um pouco, mas não penses que levei a mal! Espero que tenhas gostado deste capítulo e que continues a deixar a tua opinião!
Lady Barbie Pontas Potter: Não precisas de te preocupar porque, apesar de eu adorar uma boa drarry, não vou transformar esta história numa delas! Quanto à ala norte, este capítulo explica o que aconteceu. Espero que tenhas gostado e que continues a deixar a tua opinião, é sempre bom saber que aquilo que escrevemos é apreciado!
2Dobbys: Bom saber que 'tása gostar!! Não vou entrar em pormenores em relação aos teus temores caso contrário estaria a fazer spoilers da minha própria história, não é? mas não te preocupes, tu vais ser a primeira a saber dos meus devaneios. É a tua vantagem por seres minha beta!!! Quanto à ameaça... eu vou ler, vou, vou, vou. Beijos
Marydf Evans Cullen: Eu confesso que me ri quando recebi o teu review, pois tinha acabado de escrever uma das cenas deste capítulo em que aparecia a Lily! Espero que tenhas gostado e que continues a deixar a tua opinião, é muito importante para mim!
Reviews respondidos!!! Eu adoro responder a reviews, não me perguntem porquê!!! Só me resta despedir-me. Vou esforçar-me por voltar a postar cedo, e não por deixar um mês entre postagens!
Beijos a tudos os que leram, comentando ou não, (podiam deixar a vossa opinião, não é? não custa nada, é só carregar nesse botãozinho aí em baixo!)
Morgana Bauer
