POV Draco
É engraçado o modo como uma pessoa se sente ao casar. Principalmente quando se casa duas vezes e a sensação de cada uma foi diferente. Pois é. A primeira vez que me casei, com Alexia, eu me senti inquieto, porque tinha medo que ela pudesse desistir. Senti-me emocionado ao vê-la e, principalmente, senti-me apaixonado.
A segunda vez foi diferente. Não tive medo que Gina não viesse, não me emocionei ao vê-la e nem ao menos apaixonado. Eu senti uma confiança extrema nela, no que ela pensava e idealizada, senti-me seguro. Só mais tarde é que fui entender o que essa segurança significava. Naquela noite, enquanto eu olhava para ela sob meu corpo na cama.
- Você confia em mim? – perguntei sorrindo, meus dedos percorriam seu decote
- É uma pergunta difícil... – ela prendeu a respiração por alguns segundos – Nossa situação é difícil de entender.
- Somos um casal diferente que gosta de sentir prazer juntos, isso é estranho? – ergui uma sobrancelha só, inquisidor, depois abaixei meus lábios até seu pescoço beijando levemente
Ela se arrepiou ao toque dos meus lábios e gemeu fraquinho. Suas mãos pararam em minhas costas arranhando-me por cima do tecido da camisa.
- Você só estava acostumada a fazer as coisas de modo diferente! – eu suspirei e levei minhas mãos ao zíper lateral do vestido
Abri-o lentamente e puxei as alças pelos seus braços começando a revelar seu corpo. Amei vê-la com o vestido que eu comprara e a sensação de tirá-lo de seu corpo foi exatamente como imaginei. Deixei-a exposta com a langerie branca e me ajoelhei na cama para tirar a gravata e a camisa.
- Eu só acho que...sinto muito mais coisas com você do que quando fiz isso por sentimento...
Eu não acreditei de imediato no que ela falara, mas quando vi que ela desviou o olhar e corou, eu percebi que ela confessara algo que não queria confessar nem sob tortura.
- Isso é sério? – voltei a deitar sobre ela, agora somente de cueca box preta
- Draco...eu não sei o que está acontecendo...não posso confiar em você assim, mas confio...
- Confia mesmo? – eu acariciei seu rosto de forma calma, sorrindo, ela apenas acenou afirmando – Então vou ensinar algumas coisas a você...
- Safado! – ela riu e bateu de leve em meu ombro
- Não tem nada de errado nisso, em querer sentir prazer... – eu lhe beijei os lábios de leve – Você vai ver, somos totalmente compatíveis nisso!
E antes que ela pudesse sequer pensar em responder, eu a beijei com volúpia.
POV Gina
Draco estava esparramado na cama. Ele fizera exatamente o que prometera fazer comigo naquela noite. A excitação me dominou de uma maneira avassaladora, cheguei a pensar que iria morrer de tanto prazer. Experimentei coisas que jamais pensei em experimentar com ninguém, mas de alguma forma agora parecia certo porque ele era meu marido, por mais que não houvesse amor. Ao menos havia respeito mútuo.
Sentei no chão daquele quarto escuro e peguei o segundo diário de Alexia Malfoy. Ela já estava casada quando começou a escrevê-lo. Pensei primeiramente que deveria ler o restante do primeiro, mas aquela página rasgada não me saía da cabeça e eu precisava ter mais no que pensar.
"Draco não era o homem perfeito. Na verdade ainda era um garoto assumindo os negócios da família. Com seus pais na prisão, ele passou a ter posse e comando sobre tudo que tinha o nome Malfoy como logo. Ele prometeu que me levaria para uma Lua de Mel na América, em países quentes, já que eu nunca os vi. Mas agora ele precisava estar na empresa, praticamente todo o tempo do dia e boa parte da noite também.
Eu não me importava com o nome da família dele, nem com o que seu pai fez ou com a marca que ele possuía, por mais que ele insistisse em esconder com um feitiço. Eu até gostava de saber o quanto ele sofreu ao passar por tudo isso, só demonstrava que ele tinha coração. Sim, eu o amei, desde o primeiro momento em que o vi, quando nossos olhares se cruzaram.
Tentei afastá-lo, mas foi em vão. Ele me diz que sou a mulher para ele. Júlia tenta me dizer que é só porque sou convencional, quieta, passional e por causa do meu problema. Ela só quer tentar demonstrar que Draco só me tomou por esposa porque precisava de alguém como eu para apresentar a sociedade. Eu quero acreditar que não. Mas não sei se consigo.
Ele não me manda flores, não me beija o tempo todo, não diz que me ama. Faz amor comigo, quase todas as noites. Fala sobre seu dia, pergunta-me como foi o meu, pede se me falta algo, acaricia meus cabelos até que eu durma, abraça-me durante toda a noite e sempre que pode, ele faz algum gesto para me tocar, como se quisesse saber que eu existo.
O que é isso?"
Havia tanto sentimento nas palavras dela que eu me emocionava lendo. Às vezes me pego pensando se o Draco sabe dessas coisas, se ele chegou a ler seus diários e se sabia o quanto ela o amava. Porque ela o amava tanto, que chegava a doer dentro do meu peito.
Mas eu conseguia notar mais uma coisa nisso tudo, Júlia estava presente desde o início, colocando Alexia contra o marido. Dizendo que ela era convencional. Que amiga faz isso? Que amiga diz isso? Por algum estranho sentimento eu a colocava como inimiga número um, como se ela fosse suspeita do assassinato, tanto quanto o Draco.
Enrolei-me melhor no acolchoado que trouxera comigo e suspirei. O que estava havendo naquela casa?
Sabe, eu sou fã de filmes de trouxas, a maioria das vezes, quando há um problema na família, em filmes de terror, o problema é a casa. E era assim que eu pensava. Como se agora, a casa me observasse e estivesse maquinando planos contra mim. Arrepiei-me inteira.
Corri para fora daquele quarto que agora parecia me sufocar, escondi o diário na minha bolsa e deitei-me novamente na cama. Draco passou um braço pela minha cintura e me puxou de encontro a ele.
- Onde foi? – resmungou baixinho
- Tomar água. Está frio. – dei de ombros e me deixei levar
Eu pensei muito em suspeitar dele, pensei que ele poderia me matar enquanto dormisse. Mas na maioria das vezes isso sumia da minha mente. Agora, porém, eu me sentia segura, como nunca me senti antes.
- Vamos buscar o Enzo pela manhã? – aconcheguei-me em seu peito
- Vamos sim e depois para a praia. – ele acariciou meus cabelos, meu coração se apertou
- Praia? – minha voz tremeu
- Não me deixaram sair do país, por causa do inquérito, mas podemos ir até a casa de praia, para pelo menos passar o próximo fim de semana. – ele abriu os olhos e me encarou
Agora aqueles olhos estavam azuis, quase como se fosse outra pessoa ali comigo. Um novo sentimento? Alegria? Calmaria?
- Uma espécie de Lua de Mel? – eu dei um sorrisinho irônico
- Quer melhor é? – ele brincou passado a mão pelo meu ventre
- Não. Está ótimo para mim. – eu sorri e fechei os olhos deixando-me levar pelas sensações dele me tocando
POV Draco
Acordei suando e ofegante. Olhei para o lado e me deparei com os cabelos vermelhos a cobrir os travesseiros e o rosto dela. Prendi a respiração e retirei os fios revelando seu rosto. Imaculadamente branco. Pequenas sardas por todos os lados. Respirava.
Sentei-me na cama e escondi o rosto nas mãos. O sonho fora real demais. Primeiro eu visualizei Alexia, na hora em que morreu, quando ela começou a tossir, quando abafei seu grito de dor. Depois eu estava ao lado de Gina. Eu acordava e sorria beijando-a, mas ela estava gelada. Morta ao meu lado na cama. Enzo chorava ao longe, gritava que eu era um assassino e depois desaparecia sendo carregado por um homem estranho.
- Vamos lá casal recém-casado! – Blaise entrou no quarto, de forma efusiva
Eu me apressei em cobrir a ruiva melhor com o lençol escondendo todo o seu corpo.
- O que faz aqui? – reclamei baixinho, não queria acordá-la assim
- Temos de ir ao Ministério, ou não quer seu filho de volta? – ele reclamou em alto e bom som
Gina se moveu na cama, suspirando.
- Merlin. Acho que quero uma ruiva assim para mim! – Blaise olhou o corpo dela sob o lençol
Eu fechei a cara. Eu podia não amá-la, mas ela continuava sendo minha esposa.
- Fora daqui, seu idiota! – taquei um travesseiro nele – Aproveita e busca a Luna que será a testemunha da Gina!
Ele fez um gesto obsceno e saiu do quarto. Desde aquele beijo entre eles, Blaise mal conseguia olhar para a loira, e eu imaginava que era porque ele sentia algo por ela. De alguma forma, ele sentia.
- Gina? – chamei baixinho
Ela se moveu, virando-se para mim. Eu sorri e acariciei seus cabelos. Um alívio percorreu meu corpo quando vi seus olhos azuis se abrirem para mim.
- Bom dia senhora Malfoy. – sorri
- Bom dia. – ela sorriu de volta e tocou meu rosto com a ponta dos dedos
- Creio que estamos atrasados, Blaise já passou por aqui! – voltei a deitar e a encostar meu corpo ao dela – Precisamos ir, por mais que eu queira passar o dia inteiro aqui com você!
- Você está revelando frases bonitas demais, senhor Malfoy! Acabarei acreditando! – ela brincou e jogou as cobertas para o lado
Vi seu corpo esguio se erguer e ela seguir para o banheiro. Naquele momento eu percebi a influência que aquela ruiva tinha sobre mim. Eu a desejava. Fato. Eu a desejava muito. Fato maior ainda.
Sorri maroto e pensei que um banho não demoraria tanto. Só um pouco talvez.
