Capítulo XII – Sol e Lua
O tempo continuou a angustiá-los, diante da demora em descobrir para onde fora Sesshoumaru e o segundo asteroide. Dias, meses... E nada.
- Nada ainda? - um dos oficiais socou a mesa, fazendo os papeis que estavam sobre ela irem ao chão.
- Não, senhor.
- Como é possível que nossa tecnologia não seja capaz de obter respostas sobre essa coisa? - retrucou ele, observando com seriedade o asteroide B612, em torno do qual um grupo de pesquisadores fazia testes.
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Kagura desviou o olhar da prancheta que tinha em mãos para o amigo a seu lado.
- Naraku? Você acha que ele vai voltar? - questionou ela discretamente, para que os demais pesquisadores não ouvissem.
- Tenho a sensação que sim. Mas não posso ter certeza.
- Você sempre foi muito ligado ao espaço sideral e àquela criatura, e tem bom sexto sentido; por isso que te pergunto.
Naraku esboçou um leve sorriso e deu um tapinha amigável no ombro da cientista.
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Rin estava distraída, assistindo televisão em seu quarto, quando ali entrou um vulto apressado.
- Rin,. Rin! Ele voltou!
E ela, sem nem mesmo ter compreendido direito a euforia da amiga, viu-se correndo para fora do circo.
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Mais de cem pessoas acompanhavam a distância o trajeto de Sesshoumaru pelo centro da cidade. Várias outras paravam nas calçadas para observar. O extraterrestre caminhava tranquilamente pelo meio da avenida, obrigando os motoristas desavisados a freiar bruscamente e jogar os carros para os acostamentos, desviando-se dele e dos expectadores distraídos.
Murmúrios seguiam seu trajeto, mas ele não dava atenção, concentrado em seu percurso.
Vestia-se com esmero, com algo semelhante a uma armadura negra antiga com espinhos nos ombros sobre roupa branca. A longa cabeleira prateada estava solta às costas. Nas bochechas, um par de listras vermelhas.
Logo alguns veículos militares estacionaram às voltas dele, bloqueando seu caminho. Sesshoumaru deteve temporariamente os passos, observando-os, mas nada disse.
Algumas pessoas que estavam perto começaram a gritar para os militares deixarem o extraterrestre em paz, deixando-o seguir seu caminho pacificamente.
Os soldados formaram uma densa barreira circular em torno dele, mas Sesshoumaru não titubeou. Ergueu o braço direito e os corpos dos militares ergueram-se repentinamente no ar, como se levantados por fios invisíveis, feito marionetes.
Apenas um militar continuou no chão e, pelo uniforme, era o superior do grupo. Sesshoumaru encarou-o e o homem, após um suspiro, lhe deu passagem.
- Desculpe-nos o transtorno. Apenas seguindo ordens. - o militar sussurrou, sem voltar a olhá-lo.
- Eu entendo. - respondeu o extraterrestre, já continuando sua caminhada.
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Hitomi estava sentado em seu escritório, com o corpo jogado para trás e o antebraço sobre o rosto. Estava no limiar dos sonhos, quando escutou alguém bater à porta. Abriu os olhos e viu Kagura entrando.
- Alguém quer falar com você, Naraku...
- Kagura, já pedi que... - interrompeu-se em dúvida – Comigo? Quem?
Ela não respondeu, sorrindo, e fez sinal para ele segui-la.
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Hitomi atravessou o saguão do prédio do governo e passou pela porta automática.
Estava distraído, acompanhando Kagura, quando notou uma figura pálida a sua frente. Piscou, confuso.
- Sesshoumaru!
- Olá, meu amigo.
O cientista observou-o com mais atenção. E olhou em redor, vendo a multidão que se mantinha a certa distância, acompanhando tudo com curiosidade.
- Que roupas são essas? E por onde esteve durante todo este tempo?
- Uma pergunta de cada vez. - respondeu Sesshoumaru, com um sutil sorriso – Vim conversar com meu amigo. Podemos...? - ele indicou o prédio, para que conversassem mais tranquilamente.
- Claro. Venha. - Hitomi conduziu-se a seu escritório, logo voltando a lhe fazer perguntas – Por onde esteve? Achei que tivesse realmente ido embora.
- Ainda não. Mas muito em breve.
Sesshoumaru permaneceu em pé, apesar do convite do cientista para que se sentasse.
- Achei interessante... este planeta possuir tão bela diversidade.
- Parece que aproveitou bem esta sua viagem.
- Plenamente.
- Posso saber onde esteve?
- Visitei várias regiões, vários continentes. Florestas, rios, mares, desertos. Cidades, vilarejos.
- Por certo viajou por todo o planeta.
- Sim. Muito bonito.
- É verdade.
- Poderiam ter uma vida pacífica aqui.
- Eu sei. Mas a gente não se contenta com a tranquilidade.
Hitomi aproximou-se da janela e observou, dez andares abaixo, a multidão aguardando.
Sesshoumaru, ainda perto da porta, chamou a atenção do cientista com suas palavras seguintes.
- Eu vim levá-lo.
