Primeiro, quero agradecer a BellaDS pela linda recomendação! Esse capítulo ficou maior do que os outros, mas não se acostumem! hahaha. COMENTEM!


Ouça meu coração, isso muda um pouco as coisas

Depois que Jeremy saiu, Edward ficou ainda mais recluso em seus pensamentos. O que o irmão havia dito, mexeu com ele. A mãe havia feito aquilo para que ele partisse.

Edward sabia que o pai não valia nada. Mas sempre pensou que agia assim somente com ele. Nunca lhe passou pela cabeça que a mãe passava por aqueles tormentos também. E além de tudo aquilo, havia o que o irmão havia dito. Já encontrou uma garota legal. Só não havia se dado conta disso. Ao menos não até aquele momento.

Ele olhou pela janela. Já havia escurecido, mas não começara a nevar ainda. Era o clima perfeito.

Rapidamente vestiu suas roupas de inverno e saiu, em direção ao elevador.

Edward tocou a campainha uma vez e esperou. Não sabia dizer se ela estava funcionando, uma vez que não haviam luzes ou vibrações. Alguns minutos depois, a porta foi aberta e uma Bella de pijamas apareceu. Ela estava... fofa? Mas de um jeito adorável. Vestia uma calça de flanela, com estampa de pequenas corujas e uma blusa de mangas longas do mesmo desenho. Seus cabelos estavam presos em um coque e ao olhar para ele, ela corou.

Ocupada? – Perguntou sinalizando.

— Não. Tudo bem? – Indagou preocupada e ele assentiu.

Você tem planos para hoje a noite?

— Não. Eu planejava assistir um filme ou talvez ler um pouco. Por quê?

Como a ideia de tomar um chocolate quente comigo lhe parece? Eu conheço um muito bom e não é tão longe. O que acha?— Questionou e ela levou um tempo para responder. Não podia acreditar que ele a estava convidando para sair.

— Sério?

Se não quiser, está tudo... – Começou, mas ela negou rapidamente com a cabeça, o puxando para dentro do apartamento.

— Me de alguns minutos. Vou mudar de roupa.

Belo pijama, a propósito. – Retrucou sorrindo e ela deu ombros.

— Eu meio que amo corujas. Um minuto. – Acrescentou correndo para o quarto.

Edward se sentou no sofá, observando o apartamento. Era um pouco menor do que o seu, mas igualmente bom. A mobília era escura e de muito bom gosto. Ele recostou no sofá, fechando seus olhos por um segundo. Não era tão difícil. Ele a chamou para sair. Eles sairiam e conversariam sobre alguma coisa, tomariam chocolate quente, depois caminhariam pela neve e voltariam para o apartamento. Não seria difícil.

Ele abriu os olhos sobre saltado com o toque repentino em seu rosto. E ao abrir os olhos, Bella estava bem na sua frente, com os olhos arregalados.

— Desculpe, não queria te assustar. Pensei que tivesse adormecido.

Não. Acho que só estava pensando e só me esqueci por um segundo. Eu faço isso as vezes.

— Esqueceu o que?

Que se eu estiver de olhos fechados, não escuto as pessoas a minha volta. Está pronta?— Perguntou se levantando. – Você está bonita.— Acrescentou a olhando.

Seus cabelos agora estavam soltos e ela usava um gorro preto, igual ao seu casaco. Fazendo sua pele parecer ainda mais branca.

Eles saíram do elevador e caminharam até a cafeteria que havia na esquina.

Falaram sobre filmes, livros e hobbies. Edward contou que Esme havia o ensinado a tocar piano e contou sobre como ganhava a vida

— Um dia gostaria de ouvir você tocar. – Respondeu sorrindo, enquanto terminava seu chocolate.

Me fale mais de você. Como foi sua infância? – Perguntou.

— Acho que normal. Eu fui uma criança feliz no geral. Mesmo com pais separados, eu visitava bastante meu pai. – Respondeu olhando para as próprias mãos, que agora estavam sem as luvas.

O que?— Questionou ao vê-la rir.

— Quando eu saia para brincar na neve, minha mãe mandava eu vestir as luvas, para que não me resfriasse. Mas sempre que eu tirava as luvas, minhas mãos estavam frias. Como estão agora, mesmo com o ar quente. Então ela sempre pensava que eu as tirava para brincar, mas não tirava. Mas quando meu pai pegava minhas mãos e as sentia fria, ele sempre dizia a mesma coisa.

O que era?

— Ele dizia, " Sabe o que dizem, querida: Mão fria, coração quente. Por isso as suas vivem tão geladas"

Ele parecia uma boa pessoa. – Indagou.

— Ele era. Foi muito duro vê-lo partir daquele jeito.

Você disse que ele tinha Alzheimer, não é?

— Sim. Foi como vê-lo se perdendo dentro da própria cabeça.

Eu sinto muito.

— Está tudo bem. – Respondeu, tocando a mão dele e Edward pôde sentir o quão fria estavam. Então sem pensar no que fazia, levou a mão dela perto dos lábios e a soprou levemente, a aquecendo.

Ela sorriu com o gesto.

— Posso perguntar uma coisa? – Perguntou quando ele soltou sua mão.

Eu acho que é justo. Já que fiz várias perguntas a você.

— Como foi crescer assim? Você freqüentava uma escola especial ou algo assim? – Indagou, curiosa.

Sim. Nos primeiros sete anos eu freqüentava uma escola especial.

— E como foi?

O começo é sempre difícil. Quando você se afasta de casa. Do conhecido, é assustador. A audição é parte importante do sistema de orientação de uma criança. Sem ela, você fica desnorteado em lugares desconhecidos. Não sabe para onde olhar. Para quem olhar. Muitas pessoas em volta te deixam nervoso, porque você não sabe o que ela vão fazer.

Ele bebeu seu chocolate, pensando em quais palavras escolher. Era difícil falar sobre aquela parte de sua vida, mas talvez Jeremy tivesse razão. Talvez falar fosse bom.

Foi difícil. Ser separado de sua família e do que é conhecido. Mas por outro lado, eu ficava no meio de outras pessoas como eu. Para alguém que... Perde a audição, acho que é muito mais difícil. Porque você sabe como era ouvir e o silêncio parece insuportável. Mas para mim já é o normal. Nunca me senti mal por isso. Isso é parte de quem eu sou.

— Quando fiz a pergunta sobre a cirurgia... – Começou, mas dessa vez, ele a interrompeu.

Bem lembrado, aliás. Queria me desculpar por aquele dia. Você só fez uma pergunta inocente e eu fui um estúpido. Respondendo a sua pergunta, sim, existem cirurgias que em teoria poderiam me fazer ouvir. Mas isso poderia mexer com meu cérebro e além de não me dar a audição, poderia prejudicar outras partes.

— Oh, eu não fazia ideia. – Respondeu prestando mais atenção. Ele estava finalmente se abrindo.

Além do mais, eu gosto de como eu sou. Eu sou assim.

— Eu gosto de você assim. – Ela respondeu sem pensar e ele sorriu.

Voltando a escola. Depois dos sete anos, meu pai decidiram que a escola para surdos não estava sendo boa o bastante, então me matricularam em uma escola comum. Minha mãe conseguiu que ele deixasse isso de lado. Então continuei onde esta. Aprendendo libras, leitura de lábios e todo o resto.

— Foi difícil para você? – Perguntou.

O difícil não foi ir para a escola para surdos. Difícil mesmo foi ir para uma escola normal quando minha mãe não conseguiu mais segurar meu pai. Quando tinha quinze anos, ele cismou que a escola para surdos não estava funcionando. Não estava me ensinando nada. Então me matriculou em uma escola comum. Pensei que antes fosse ruim. Que àquele era o limite que alguém podia aguentar. Mas eu estava errado.

— O que aconteceu? Foi difícil se adaptar? – Questionou curiosa, dessa vez, ela segurando a mão dele. Desenhando pequenos círculos nas costas.

A escola em si foi fácil. Eu adorava ler e era ótimo aluno. Mas as pessoas... Assim que eu cheguei, rolou toda aquela coisa do aluno novato e suposições. Eu via alguns alunos cochicharem. Mas a pior parte, foi chegar a sala de aula guiado pela orientadora. Ela fez o famoso discurso de que "sejam compreensivos e receptivos pois eles está vindo de outra escola". E até ai tudo bem, mas ele fez o anúncio "ele é portador de deficiência auditiva"

— E o que aconteceu? – Perguntou o observando. Podia sentir que ele estava tenso e seus olhos evitavam os dela.

Os olhos que antes eram só curiosos e especulativos, agora eram preconceituosos e de pena. E só eu sabia o quanto odiava aqueles olhares.

— Eu sinto muito. – Lamentou, ainda segurando sua mão, então se levantaram.

Vem caminhar comigo?— Ele pediu estendendo a mão, quando ela foi em direção ao apartamento.

— Mas já é noite. – Explicou, arqueando a sobrancelha, mas com um sorriso no rosto.

— Vai ver que esse é o melhor horário. É quando as ruas ficam silenciosas.— Respondeu sorrindo e a puxando. Ela nunca havia visto aquele lado dele, mas estava adorando cada parte.

Eles caminharam pela trilha branca que a neve havia deixado, quando ela tropeçou, mas ele a segurou a tempo. Os dois estavam mais próximos do que jamais estiveram, e sobre uma mexa de seus cabelo, ele pôde ver uma leve cicatriz, quase imperceptível.

Ela se afastou um pouco, se equilibrando e deixando as mãos dele livres.

Por que você tem uma cicatriz?— Perguntou, olhando com curiosidade.

— O que? – Indagou, atordoada.

Aqui.— Respondeu, tocando o lugar. – Por que você tem uma cicatriz?

— Eu havia me esquecido dela. – Respondeu corando. – Foi há muito tempo. Eu era uma criança

Foi brincando? – Indagou e ela negou

— Não, foi brigando. – Declarou sorrindo.

Como foi?

— Não foi uma luta muito justa no começo. Mas ficou. – Comentou com um sorriso ainda maior. – Eu estava na casa do meu pai, de férias. Uma dupla de garotos vivia arrumando confusão. Eles cercaram um outro garoto. Ele era muito menor do que eles. Estava em desvantagem.

O que você fez? – Edward perguntou com um sorriso brincando nos lábios.

— Pulei nas costas do garoto. – Respondeu como se fosse simples. – Então o outro garoto tentou me tirar de lá, mas Alyson apareceu. Ela era mais velha e nosso pai havia nos ensinado defesa pessoas. Os garotos não tiveram a menor chance. – Declarou, fazendo Edward gargalhar. Aquele som era música para os ouvidos dela.

Isso ainda não explica a cicatriz.

— Um dos garotos me puxou das costas do outro. Eu caí e bati a cabeça. O que deixou a minha irmã furiosa. Ela os assustou tanto, que eles nunca mais voltaram para arrumar encrenca no bairro. Depois me levou para o hospital.

Ela parecia uma boa pessoa.

- Ela era. Lembro que sempre que olhava para a cicatriz, me lembrava também que ela sempre estava lá para me ajudar. – Respondeu baixando os olhos, mas olhando para o céu, quando os primeiros flocos de neve caíram.

Acho que foi muita coragem da parte de vocês, enfrentar aquele garoto para defender o outro.— Respondeu sorrindo.

— Não foi grande coisa. Não era uma luta limpa. Nunca gostei de injustiça. – Respondeu se afastando.

Havia uma musica bem leve, tocando de um dos apartamentos do bairro, mas apenas Bella podia ouvir.

Então ela foi para o meio da rua, onde a neve era fofa e alta.

E ao olhar para ela, se lembrou do que Esme lhe escreveu uma vez.

"- Como sei quando estiver me apaixonando? - Escreveu, empurrando a folha.

Ela ainda não sabia Libras, mas isso nunca os impediu de conversar.

Você vai olhar para ela e vai se lembrar de pelo menos três coisas de que gosta nela. - Escreveu de volta, lhe devolvendo a folha."

Mas a olhando ali, no meio dá neve, girando e dançando sobre os flocos de gelo, Edward não conseguia se lembrar de três coisas que gostava em Bella.

Conseguia se lembrar de pelo menos dez.


O CORAÇÃO DELE TA DERRETENDO! Quem acha que ta pintando clima levanta a mão! COMENTEM!