NO HOSPITAL
No outro dia Carter chega ao hospital. Não está de plantão, mas sabe que Clara estará. Espero que ela esteja mais calma. Precisamos conversar.
Abby chega. Carter olha para o quadro e vê que seu nome não está na escala.
Carter – O que está fazendo aqui? Você não trabalha hoje
Abby (ríspida) – Vim tirar pra Clara. Ela não está muito bem, como deve saber.
Sai
Carter a segue até a sala de descanso
Carter – Ouça. Não sei o que ela te disse, mas não foi como ela falou.
Abby (irônica) – Tem certeza? Se eu chegasse em casa e pegasse o Luka sem roupas com uma mulher acho que ia ser difícil não tirar minhas próprias conclusões...
Carter – Foi tudo um mal entendido! Não tenho e não quero ter mais nada com a Kem. O que tenho que fazer para que acredite?
Abby – Não sou eu que tenho que acreditar.
Carter – Abby. Por favor... Ela precisa me escutar!
Abby olha pra Carter. Vê o desespero em seus olhos. – Você está apaixonado por ela, não está?
Carter – Sinceramente não sei. Só sei que quando estou com ela quase fico louco. Mas quando fico sem ela é pior. Adoro o seu jeito alegre e espontâneo. Quando acordo ao seu lado meu dia fica melhor. Estou sentindo falta do seu jeito maluquinho, da facilidade que ela tem de me tirar do sério. Até das nossas brigas.
Abby sorri – Tudo bem. Eu vou tentar falar com ela. Se isso não for amor eu não sei o que é...
CASA DA CLARA
Abby chega. Preciso tentar colocar um pouco de bom senso nesta cabeça pensa. Ela está grávida! Será que ela está pensando em esconder isso dele indefinidamente?
Abby se assusta com o estado de Clara. Ela está muito pálida. Os olhos vermelhos e inchados de quem chorou muito e quase não dormiu. A casa está escura.
Abby – Você está péssima! ( Abre as cortinas.)
Clara (irônica) – Obrigada pela sinceridade. (Fecha as cortinas)
Abby – Para com isso! (Abre as cortinas novamente.) Você não pode ficar assim. Esqueceu que está esperando um filho? Isso não vai fazer bem para o bebê
Clara – É a única coisa que eu não quero esquecer...
Clara começa a chorar copiosamente. Seus soluços cortam o coração de Abby que a abraça e passa a mão na sua cabeça
Abby – Não é pra tanto. Conversei com ele. Foi um mal entendido. Ele está sendo sincero, tenho certeza.
Clara chora ainda mais. Tanto que não consegue falar
Abby (encarando Clara) – Não é só isso...
Clara concorda com a cabeça incapaz de falar.
Abby senta-se com Clara – Me conte. Você sabe que pode contar comigo.
Ambas encaram-se por um momento. Abby quebra o silêncio – Onde está a Louise?
Clara – Com a minha mãe. Ela já estava fazendo perguntas
Abby – Então podemos conversar
Clara – A gravidez da Louise foi muito difícil...
Abby – Imagino. Você estava sozinha. Mas agora é diferente. O Carter vai estar do seu lado. Você pode até achar que não, mas ele é louco por você...
Clara olha pra Abby. As lagrimas escorrem. – Não é isso... Quando a Louise nasceu tive vários problemas. Minha pressão subiu e não abaixava de jeito nenhum, tive convulsões. Tiveram que tirar a Louise com 34 semanas e mesmo assim tive eclampsia. Fiquei em coma... Ela ficou vários dias na UTI. Só por um milagre sobrevivemos...
Abby ouve atônita. Clara continua – Mesmo com a retirada da placenta, os médicos temiam que eu não sobrevivesse. O fato é que, disseram que nem por sonho eu poderia engravidar novamente...
Abby não sabe o que falar. Está em choque
Clara – Eu nunca me preocupei muito com isso. Afinal, demorei sete anos pra conseguir engravidar e sempre tomei todas as precauções... (Clara para e suspira) Até o dia da festa... Não esperava que acontecesse
Abby escuta calada. Clara continua - Eu sei o quanto ele é louco por crianças. Sei também que ele perdeu um filho. Agora me responda. Como eu posso falar pra ele que estou grávida? E se acontecer alguma coisa comigo de novo? E se for com o bebê? Não tenho o direito de fazê-lo passar por tudo isso. Melhor seria se ele tivesse se reconciliado com a esposa.
Abby – Você pode interromper. Ainda há tempo
Clara – Não! Eu nunca faria um aborto.
Abby – Isso é sério. Você é médica. Sabe que corre riscos. Você tem uma filha pra criar.
Clara – Não... Isso está fora de cogitação! Quando vejo o rostinho da Louise vejo que tudo valeu a pena apesar dos riscos que corremos.
Abby – Ele precisa saber...
Clara – Não... Ele não merece sofrer, não de novo. Se tudo der certo é claro que ele vai saber. Não o privaria de conviver com o filho. Se não der... Ele vai me esquecer e tocar a vida pra frente. (uma lágrima cai dos seus olhos)
Abby – Você não acha que ele tem o direito de escolher?
Clara olha pra Abby – Por favor... Você não vai falar nada.
Abby – Não concordo. Mas não vou falar. O que você vai fazer?
Clara – A única coisa que eu sei é que vou ter esse filho... Procurei a médica que você indicou. Ela quase teve um ataque quando contei a situação. Mas disse que a decisão é minha. Por causa do meu histórico ela já me afastou do hospital e recomendou repouso absoluto.
Abby – Ele vai procurar você.
Clara – Mas não vai me encontrar
