Capítulo 11
Coming up strong

Jogando a longa alça de sua pasta sobre o ombro, Harry praticamente correu em direção a porta, apagando a luz antes de fechá-la atrás de si. As letras prateadas que formavam a palavra "editorial" brilharam para ele, mas o moreno já estava batendo contra as divisórias dos cubículos de seus colegas, causando uma grande algazarra.

- E finalmente é sexta-feira! – Exclamou Dean Thomas, dramaticamente jogando meia dúzia de papéis sobre sua cabeça.

- Pode apanhar isso ai, Thomas. – Ouviu-se Bill reclamar de sua sala, a qual a porta se encontrava bem aberta.

- Não sei por que tanta felicidade, sinceramente, não é como se não fôssemos trabalhar amanhã. – Lavender Brown resmungou, dando a volta e saindo de trás do cubículo onde ela normalmente se escondia debaixo de pilhas e mais pilhas de matérias.

- Eu não sei como consigo trabalhar cercado por pessoas de astral tão baixo. – Dean soltou um muxoxo, recolhendo os papéis que jogara.

- Eu não sei vocês, mas quando eu saio daqui à sexta-feira eu sinto certo ar de liberdade. – Colin Creevey disse animadamente, cegando Harry com o flash de sua câmera.

- Colin, por favor. – Harry pediu, piscando freneticamente.

- Ficou bonito, Harry. – Ele anunciou, observando a foto que acabara de tirar.

- Harry, temos um problema. – Dean disse após empilhar novamente os papéis que estavam sobre sua mesa. – Eu percebi que temos um número elevado de homens no nosso pequeno encontro em sua casa hoje à noite.

- Eu não vejo problema. – O moreno sorriu maliciosamente.

- Pois eu vejo. – O outro rapaz empinou o nariz. – Precisamos de mais mulheres.

- Oh, e você acha que Seamus iria gostar de ouvir você falando isso? – Harry riu ao que Dean ficou vermelho e voltou a sentar-se na cadeira reclinável de seu cubículo.

- Eu já falei com Cho, ela disse que vai. – Lavender informou. – Então somos nós duas, Ginny, Luna e Hermione.

- Pode ter certeza que Ron não vai deixar Hermione participar. – Harry disse com tom de obviedade.

- Bem, eu posso convidar as irmãs Greengrass. – A mulher sugeriu inocentemente.

- Não! – Exclamou Harry, parecendo desesperado. Os outros presentes o encararam com sobrancelhas erguidas.

- Certo. As gêmeas Patil? – Ela tentou de novo, dessa vez mais cuidadosa.

- Elas não aceitariam. – Colin negou com a cabeça, as bochechas levemente coradas. – Quero dizer, vocês percebem para o que estaríamos convidando-as?

- Colin, você ainda é jovem, tem muito que aprender na vida. – Dean brincou, colocando uma mão no ombro do rapaz.

- Eu sou apenas um ano mais novo! – Ele exclamou indignado, fazendo os outros rirem.

- Convidem quem vocês quiserem, fiquem à vontade! A propósito, levem as bebidas. Eu só tenho o suficiente para o meu convidado e já que vocês se encarregaram de chamar mais a metade de Little Aiming, isso não vai ser problemas para vocês! – Harry foi dizendo enquanto se encaminhava para a saída.

- Convidar quem quisermos menos as irmãs Greengrass e levar bebidas, certo, eu acho que entendemos tudo. – Dean exclamou de volta. – Até mais tarde!

Se despedindo de alguns outros colegas nos corredores enquanto fazia seu caminho para os elevadores, Harry correu para seu apartamento. Ele tinha pouco menos de duas horas antes que este fosse invadido por seus amigos.

Seu único real convidado era Draco, quem Harry havia chamado mais cedo ainda naquela semana, mas não exatamente para o que seus amigos haviam planejado. Seamus, mesmo duas semanas depois, não havia esquecido a promessa que Harry havia feito sobre jogar a versão de Cedric da brincadeira da garrafa. Draco riu-se quando o moreno o informou sobre a pequena mudança de planos, dizendo que mal podia esperar para ver Harry despir-se em frente aos amigos, negando-se a participar da brincadeira.

Tomando um banho rápido Harry vestiu uma calça jeans cinza e uma camisa grossa de algodão azul-claro e de manga comprida. O moreno olhou ao redor rapidamente, procurando qualquer coisa fora do lugar para que pudesse arrumar antes que fosse tarde demais. Correndo direto para a cozinha, Harry colocou água em uma panela para ferver, planejando preparar o que ele sabia fazia melhor – ou a única coisa que ele sabia fazer direito – e que o pessoal parecia adorar, macarronada.

Foi pouco tempo depois que a campainha tocou e Harry permitiu que Blaise entrasse. O rapaz trazia uma garrafa de vinho e se encaminhou para a cozinha, em seguida revirando as gavetas em busca de um saca-rolha.

- Já vai começar? – Harry perguntou com tom de diversão em sua voz, gesticulando em direção à garrafa.

- Harry, não me julgue. Eu tive um dia horrível, está bem? Eu só quero beber sozinho essa garrafa inteira, ver meus melhores amigos ficarem pelados e depois ir pra casa, pular na minha cama e ficar lá até que alguém note que eu sumi. – Blaise explicou, abanando o saca-rolha na direção de Harry ao encontrá-lo.

- O que aconteceu?

- Oh, nada. Você era meu último amigo solteiro e agora Malfoy aparece e arruína isso também. – Blaise lamuriou-se tomando um grande gole de vinho.

- Blaise, por mais que eu me sinta um completo idiota ao admitir, eu estive com Oliver o tempo todo.

- Nós dois sabemos que Oliver era apenas um substituto, Harry, você nunca esteve realmente com ele.

- Isso não é verdade... – Harry preparou-se para discutir, mas Blaise o encarou com um olhar cético. – Certo, então, mas quem garante que não vai ser você quem vai acabar pelado hoje?

- Ora, você está me subestimando, meu amigo. Além desse casaco, essa camisa e essa calça – Ele foi explicando enquanto apontava para si mesmo. – eu ainda estou usando uma bermuda, duas cuecas e uma camisa sem manga por baixo. Eu teria que ser muito azarado para acabar pelado hoje à noite.

Mais tarde, quando todos haviam chegado, empurrado os móveis para abrir espaço e a garrafa já havia sido girada pelo menos três dúzias de vezes, ficou mais do que claro quão azarado Blaise era. Àquela altura da brincadeira, muitas peças de roupa já haviam sido deixadas de lado, mas Blaise com certeza fora quem perdera mais, estando apenas com uma camisa fina branca sem mangas e uma cueca boxer preta.

Na roda estavam Ron, Harry, Blaise, Dean, Neville, Cedric, Colin, Cho, Ginny, Lavender e as gêmeas Patil. Hermione e Draco se encontravam no sofá, conversando animadamente sobre algo que não girava em torno da quantidade de pessoas seminuas naquela sala de estar. Quando foi a vez de Harry girar, a garrafa mais uma vez apontou para Blaise, que soltou um palavrão e olhou para o amigo com olhos piedosos.

- Vamos lá, Harry, escolha a peça de roupa correta e você será recompensado! – Instigou Cedric.

O clima no cômodo mudou rapidamente, havia algo divertido na tensão que se instalou e nas pequenas preces que Blaise fazia, mas Harry podia sentir o olhar de Draco queimando em sua nuca, ao que ele e Hermione deixaram a conversa de lado rapidamente para assistir a comoção.

- A camisa, Blaise. – Harry disse por fim e todos reclamaram.

- Você não tem graça nenhuma, Harry! – Dean reclamou.

- Eu sei que todos vocês estão morrendo de vontade de me ver nu, mas não seria mais fácil e mais agradável para todos se alguém me convidasse para jantar e rolasse um clima antes de eu começar a tirar minha roupa? – Blaise meio resmungou meio sugeriu após tirar sua camisa e jogá-la para junto do montinho que já se formava em um dos cantos.

- Blaise, para de chorar e gira a garrafa. – Seamus pediu, sem muita paciência. Não faltava muito para que ele estivesse tão vestido quando o rapaz negro.

Nas giradas seguintes, quase todo mundo estava torcendo para que a maldita garrafa apontasse para Blaise de novo. Cho girou e após alguns tensos segundos, a garrafa apontou para Harry. O moreno ainda estava de calça e de camisa.

- A calça, Harry. – Cho pediu.

Regado por assobios e aplausos, Harry levantou-se rolando os olhos e estava prestes a desfazer o botão de sua calça jeans quando uma mão lhe impediu. Fez-se um silêncio mortal e Harry virou a cabeça levemente para ver o rosto de Draco próximo ao seu, a respiração do rapaz sobre seu ombro. Sob o olhar arregalado de todos os presentes – menos Luna – e o tom de vermelho escarlate que o rosto de Ron adquiriu, Draco fez o trabalho de Harry, desfazendo o botão de sua calça e o zíper, ele mesmo tratando de retirar a peça de roupa do outro rapaz.

Um arrepio violento desceu pela espinha de Harry e ele colou ainda mais suas costas ao peito de Draco. Quando o moreno se viu livre da peça de roupa, ele virou-se e capturou os lábios de Draco com certa violência, invadindo sua boca com a língua e enfiando suas mãos em seus cabelos, alimentando-se do sabor de Draco como se aquela fosse sua primeira refeição do ano.

Quando a realidade veio a atingir Harry novamente, suas costas estavam arranhadas devido a como Draco o puxava contra seu próprio corpo e seus lábios estavam doloridos e, ele tinha certeza, vermelhos e inchados. Draco sorria levemente, os olhos fechados e a respiração acelerada, quando alguém por perto pigarreou.

- Não acabamos a brincadeira ainda. – Cedric anunciou, recebendo um tapa de Cho, outro de Lavender e ainda um de Blaise, este último sendo no rosto.

Então, de um em um eles foram perdendo – ficando pelados –, até que apenas Colin restou, sendo o vencedor da brincadeira e não levando nada como prêmio além de ser poupado da vergonha de ter que tirar toda a roupa. Àquela altura todos já estavam alterados devido ao consumo de álcool e a macarronada que Harry havia feito acabara. Blaise estava choramingando sobre ser solteiro e quando Harry tentou fazê-lo parar de beber, o rapaz se aborreceu.

- Qual é seu problema comigo? É por que eu sou negro? É por que eu sou gay? – Blaise gritava. – Um negro gay não pode apreciar um bom vinho?

- Blaise... – Harry tentou.

- Não! Não, cale a boca! Por que as pessoas tem que tirar tudo de mim? Eu não sou uma má pessoa, caralho! Meu ursinho de pelúcia, minha caminha azul, meu vinho, tudo é tirado de mim! – Ele ia gritando, batendo contra o peito de Harry até perder as forças e deitar a cabeça no ombro do moreno. – Você não vai embora, Harry. Eu não vou deixar Malfoy tirar você de mim também.

- Blaise, eu não vou a lugar nenhum. – Ele garantiu, afagando as costas do rapaz. – Você mesmo disse que eu não vou encontrar um amigo tão bom quanto você em lugar nenhum. Eu não vivo sem você, Blaise.

- Não mesmo. – Blaise disse com uma pequena risada e levantou a cabeça, segurando o rosto de Harry entre suas mãos. – Você é tão lindo, Harry.

- Obrigado. – Harry sorriu.

- Alguém devia te dizer isso todo dia, porque você é muito lindo, por dentro e por fora. – O rapaz foi dizendo entre soluços e em seguido se virou. – Malfoy! Hey, você, venha aqui. – Blaise puxou Draco pelo braço. – É melhor você dizer ao Harry como ele é lindo, diga todos os dias, o tempo todo, porque se não eu vou te caçar, Malfoy, e você vai se arrepender de ter nascido.

- Certo. – Draco assentiu, tentando segurar o riso.

- Ótimo. Agora vá lá e dê outro beijo daqueles nele e faça todos nós ficarmos excitados apenas olhando. – Ele exigiu, empurrando Draco para Harry. – Oh, mas vocês formam um casal tão lindo. – E com isso ele se jogou no sofá, adormecido. Ou talvez desmaiado.

- Blaise? – Harry chamou, soando um pouco preocupado.

- Ele não vai acordar. – Disse Neville. – É melhor descermos com ele.

Com ajuda de Cedric, Neville e Harry desceram até o apartamento de Blaise, deixando-o confortavelmente deitado em sua cama antes de voltarem para encontrar os outros se despedindo. O relógio já marcava 03hrs17min e Harry temia ter que carregar mais de seus amigos. No fim, restaram apenas o moreno, Draco e a bagunça da casa.

- Desculpe por isso. – Harry disse sem realmente olhar para Draco, recolhendo pratos que haviam sido largados em qualquer lugar. – Eu tenho certeza de que você não veio aqui para testemunhar uma dúzia de pessoas ficando peladas e depois ter que lidar com Blaise bêbado.

- Eu não disse que não foi uma noite divertida. Você não está me vendo reclamar, está?

- Eu tinha outros planos para esta noite. – Ele deu de ombros, equilibrando alguns pratos em um dos braços enquanto recolhia outros.

- E posso saber que planos eram esses? – Draco aproximou-se, tirando todos os pratos que Harry carregava de suas mãos e colocando-os sobre a mesa.

- Bem, para começar, você seria meu único convidado. Eu cozinharia uma refeição decente, algo que combinasse com um bom vinho. – Enquanto Harry falava, Draco se aproximara e agora o moreno podia sentir a respiração do outro rapaz contra seu rosto.

- E o que mais? – O loiro instigou, seus lábios correndo pela linha do maxilar de Harry.

Draco estava muito enganado se ele achava que Harry seria capaz de falar qualquer outra coisa quando seus corpos estavam tão pertos, mas não perto o suficiente, e sua respiração contra seu pescoço o arrepiava completamente.

Harry puxou o loiro para mais perto, colando seus quadris enquanto seus lábios buscavam pelos de Draco com urgência. As mãos de dedos finos do loiro subiram por seu abdômen, sob a camisa, puxando-a para fora do caminho no processo, seus lábios se separando por alguns segundos enquanto a peça era descartada para algum canto da sala, mas reuniram-se novamente logo em seguida.

Quando seus lábios protestavam tal voracidade, o moreno deu-lhes uma pausa, traçando um caminho pelo pescoço de Draco, fazendo questão de deixar marcas na pele pálida. Harry encontrou um ponto no qual era possível sentir a pulsação do loiro sob seus lábios. O moreno beijou, lambeu, chupou e mordeu o local até que seus batimentos e os de Draco fossem um só.

Ele estivera tão concentrado em sentir o compasso do coração de Draco acelerar que quase perdera os pequenos sons que escapavam entre os lábios entreabertos do loiro, os quais a maioria se transformava em seu nome.

A caminhada até o quarto resumiu-se a peças de roupas sendo jogadas para qualquer lado, tropeços e pequenas risadinhas. A luz da lua entrava no cômodo pela janela, as cortinas dançavam animadas no ritmo da brisa morna daquela noite.

A pele bronzeada deslizou sob os dedos ágeis e essa adquirira um brilho dourado que passou a ser adorado por lábios macios os quais marcavam o corpo sobre o seu como se clamassem sua propriedade.

O tom de pele tão branco quanto à lua que iluminava o céu brilhava com uma fina camada de suor. A coluna arqueada, seu peito nu colado ao corpo presente sobre o seu. A cabeça jogada para trás em um sinal de entrega, os lábios entreabertos com um pedido silencioso e os olhos fechados.

As mãos de dedos compridos agora subiam pelas costas levemente bronzeadas, um claro contraste contra a cor pálida do outro. E eles sabiam que eram lindos juntos.

Enquanto uma mão morena permanecia segurando firme em seu quadril, a outra desenhou sua silhueta, descendo devagar pela curva de sua cintura, pelo exterior de sua coxa até seu joelho, a pele de alabastro deslizando como seda sob seus dedos ligeiros.

A dança se tornava mais frenética conforme os segundos passavam rápidos, queimando seus interiores e fazendo-os gritar. Os lábios que antes assaltavam seu pescoço tão livremente exposto clamaram sua boca e suas mãos de dedos longos correram pela extensão dos músculos que se estimulavam sob sua palma, escondendo-se quase envergonhadamente nas mechas de cabelos negros como a noite que logo se findaria.

E o encontro final de seus lábios era brutal, exigente, necessitado como o prazer que inundava todo o seu ser e exigia a chegada do ápice. Suas mãos se uniram e seus dedos se entrelaçaram, suas bocas estavam a apenas um suspiro de distância agora, um engolindo os pedidos do outro como crianças famintas. O frenesi estava no ritmo certo, músculos se contraíram até seu ponto de não retorno e então os corpos eram apenas um só, enroscados em um torpor de exaustão e plenitude, o qual os arrastou para um sono completo e confortável.


Draco soltou um longo suspiro, inspirando com força logo em seguida, sorvendo o aroma de Harry e, ainda de olhos fechados, sorriu. Ele podia ouvir o coração do moreno batendo bem sob seu ouvido, assim como o levantar e descer tranquilos de seu peito. Um dos braços do moreno estava firme ao redor de sua cintura, seus dedos afagando levemente seu abdômen.

Abrindo os olhos e levantando a cabeça, Draco caiu no fundo de duas íris do verde mais bonito que ele já vira em sua vida, as quais sorriam para ele cheias de sinceridade e ternura.

- Bom dia. – Harry desejou sorrindo. – Está confortável ai?

- Bom dia. – Draco levantou o corpo levemente para beijá-lo, voltando a aconchegar-se sobre o peito do moreno. – E, sim, estou muito confortável, obrigado.

- Eu estava pensando... – Harry começou. – Nós poderíamos tomar café e depois voltarmos para cama, onde nós ficaremos até acharem que nós acabando matando um ao outro e vierem nos procurar.

- Bem, sempre há a possibilidade de acabarmos mesmo matando um ao outro, mas parece um bom plano. – Ele sorriu.

Draco estava prestes a sugerir que ao invés de eles se levantarem para tomar café da manhã, Harry poderia trazê-lo para eles comerem na cama quando soaram batidas na porta, altas e desesperadas. Os dois se entreolharam e Draco saiu de sua posição confortável para que Harry pudesse ir atender a porta, catando qualquer peça de roupa no chão que o deixasse mais apresentável, a qual acabara sendo a calça de Draco.

O moreno atravessou a sala em passos acelerados, alcançando a porta o mais rápido que pôde, escancarando-a para encarar a expressão de desespero de Neville, que parecia estar prestes a desmaiar.

- Neville! O que aconteceu? – Harry perguntou com urgência, puxando o outro rapaz para dentro de seu apartamento.

- Harry... – Neville segurou os ombros de Harry e o encarou por alguns segundos. Quando seus olhos começaram a se encher de lágrimas, Harry ficou mais nervoso ainda.

- Neville, por favor. Vamos, sente-se aqui. – O moreno o guiou até o sofá. – Me diga o que houve.

- Luna está grávida. – Ele disse em um sussurro, fitando um ponto fixo no chão, os olhos arregalados. – Eu vou ser pai.

- Neville, isso é ótimo! – Após o susto ter passado, Harry riu cheio de contentamento. – Meus parabéns!

- Você não entende, Harry? – Neville virou para encarar o amigo com certo ar de desesperado. – Eu não estou pronto para isso, eu vou fazer tudo errado, eu sou um fracassado, não vou conseguir criar um filho corretamente.

- Neville, não me faça dar um murro em você. Honestamente, se existe alguém nesse prédio que está pronto para ter um filho e que eu tenho certeza de que vai ser um excelente pai é você. Todos nós vamos precisar de sua ajuda quando for nossa vez, para dizer a verdade. – Harry tranquilizou-o dando tapinhas em suas costas. – E você não é um fracassado. Você é uma das pessoas mais bondosas que eu já conheci na minha vida e seu filho não vai ser diferente. Por favor, Neville, essa criança vai ter os seus genes e os de Luna, não há combinação melhor.

- Eu não sei, Harry, a ideia de que tem uma pessoa crescendo dentro dela e o tamanho da responsabilidade me assustam muito. – Ele admitiu enquanto brincava com os próprios dedos.

- Eu entendo, deve ser mesmo assustador, mas você ainda tem pelo menos oito meses para se acostumar com a ideia e se preparar. E eu posso lhe garantir que cada um de nós irá lhe ajudar quando chegar a hora. – Harry sorriu. – Se você e Luna precisarem de um descanso, vocês podem contar comigo.

Foi nesse momento que Draco adentrou o cômodo, vestido com uma calça e uma camisa que Harry tinha certeza que pertenciam a ele. Olhando para o próprio colo o moreno sorriu ao perceber que estava usando a calça do loiro. Neville olhou para Draco um pouco alarmado e uma tonalidade intensa de vermelho subiu pelo seu pescoço até seu rosto, sumindo entre a raiz de seus cabelos.

- Oh, Harry, me desculpe, eu não sabia que você estava ocupado. – Ele disse se levantando e fazendo um pequeno sinal com a cabeça para Draco, cumprimentando-o. – Eu volto outra hora.

- Bobagem, Neville, nós havíamos acabado de acordar.

- Eu agradeço pela ajuda, Harry, eu estou me sentindo melhor agora, mas vou indo mesmo, Luna deve estar esperando por mim, eu disse que precisava de um pouco de ar. – Ele admitiu com tom de embaraço. – Ah, a propósito, por favor, não diga a ela que eu lhe contei primeiro, Luna queria que o pai dela fosse o primeiro a saber.

- Saber do que? – Draco perguntou inocentemente, uma xícara que fumegava em mãos.

- Luna está grávida! – Harry exclamou com um grande sorriso.

- Oh, meus parabéns, Neville! – O loiro animou-se. – Pode dizer a Luna que eu faço questão de ser o pediatra de vocês.

- Ah, sério? Nossa, muito obrigado, eu vou dizer a ela. Depois que nós dermos a notícia ao pai dela.

- Boa sorte com isso. – Harry riu, abraçando o colega e parabenizando-o novamente. – Vejo você mais tarde.

- Obrigado, Harry. Até mais. Tchau, Draco, obrigado. – Ele acenou e seguiu Harry até a porta, ainda estando um pouco corado quando a porta bateu atrás dele.

- Dá pra imaginar? Neville e Luna vão ter um filho! – Disse o moreno, tomando a xícara das mãos do outro rapaz e bebericando o chá enquanto Draco apenas revirava os olhos. – O primeiro bebê aqui na República.

- Imagine só quão mimado ele vai ser. – Draco zombou, pegando sua xícara de volta antes que esta voltasse para os lábios de Harry.

- Bem, mimado eu não sei, mas protegido sim, definitivamente.

- Há uma linha tênue entre as duas coisas, Harry. – O loiro disse enquanto servia ao moreno uma xícara de chá que não fosse a sua própria.

Harry riu e agradeceu, curvando-se para beijar o outro rapaz quando seu celular começou a tocar alto, vindo do bolso de sua calça, que Draco usava. O loiro apenas virou-se para que Harry pudesse tirar o aparelho do bolso de trás, resmungando alguma coisa.

- Oh, é o Bill, vai ver que a Fleur está grávida também. – Harry brincou e virou-se para atender, caminhando de volta para a sala enquanto Draco bebericava seu chá tranquilamente, debruçado sobre o balcão, observando Harry.

O loiro alarmou-se quando a expressão contente no rosto bonito do rapaz sumiu, dando lugar ao nervosismo e preocupação. As palavras saiam rápido da boca de Harry e ele fazia longas pausas para apenas escutar o que Bill falava. Quando a ligação terminou, ele deixou a mão que segurava seu celular contra sua orelha cair pesadamente, sua respiração saindo tremida.

- Harry? – Draco chamou, esquecendo seu chá e fazendo seu caminho para próximo do rapaz. – Harry, o que aconteceu? O que foi que Bill disse?

- Os trilhos da linha de trem para Londres de Cornwhile explodiram e as estações centrais das cinco cidades vizinhas estão falhando, incluindo Little Aiming. Não há comunicação com os trens que estão nos trilhos, que aparentemente não pararam ao perder contato. Três desses trens estão indo para Londres, dois deles irão entrar em colisão nos trilhos e o outro está indo direto para onde ocorreu a explosão. – Harry explicou de um fôlego só. – E ontem à noite o prefeito de Melttown assinou um acordo, dando a chave da cidade para o vice.

- E quanto aos trens que vão colidir? – Draco perguntou, sua voz soando um pouco trêmula e rouca.

- Eles estão tentando reestabelecer o contato e assumir o controle novamente, mas a central não está aceitando os comandos. – Harry olhou o relógio. – Já passa das duas, pelo menos metade de Cornwhile já está em Londres.

- E a outra metade está indo para lá. – Draco passou a mão pelo rosto. – Eles sabem quem é o responsável por isso?

- Não há nenhuma evidência, mas todos nós sabemos quem está por trás disso.

- Riddle? – Draco praticamente afirmou.

- Exato.