Capítulo 12 – A tarde

Naquelas semanas que vieram após aquele dia, eu fui descobrindo um Severo Snape totalmente desconhecido pra mim. Claro, ele muitas vezes era frio, autoritário e definitivamente seria um "virgem socialmente" para o resto da vida. Porém, quem poderia imaginar, que por debaixo de tudo isso existia carinho? Zelo? Proteção? E quem sabe, até mesmo, Amor?

Eu ainda não tinha realmente acreditado que ele me amava. Parecia tão ilusório. Tão conto de fadas. Uma coisa que combinava tão pouco comigo e com ele. Mas a verdade, é que estávamos felizes. Ele não era um poço de romantismo, realmente, mas isso não tinha real importância. Trocávamos olhares no jantar, ele fazia pra mim seu olhar professor de poções, porque havíamos combinado de disfarçar, mas eu sabia que por trás do rosto duro havia uma centelha em seu olhar. E então, eu o via (imaginava?) esboçar um sorriso pra mim.

Nos víamos sempre que era possível, ele sempre me respeitando muito. No entanto, as vezes, a pele falava mais alto para nós dois. E eu o via se controlar porque eu não estava preparada para o ato.

Naquela tarde de sábado, eu estava sentada no três vassouras com os meus amigos: Rony, Harry, Gina, Luna e Neville.

- Mione? O que você acha? – disse Harry.

- Hã? – eu olhei pro meu melhor amigo.

- Você anda muito aérea Hermione – disse Luna.

- Isso me cheira a mulher apaixonada. – Disse Gina rindo.

- Estar aérea quer dizer amor? – Disse Rony, olhando brincalhão pra sua namorada Luna – Você me ama desde quando?

- Ah a Luna não conta né – disse Gina. – Mas a Mione não é assim, ai tem coisa.

- Tem nada Gina – eu disse, rindo. – Você que ama uma fofoca.

- Nossa Mione – ela fez um falso beicinho – me senti ofendida.

- Até parece – disse Rony – Você não se ofende com nada irmãzinha.

E foi então que eu vi, uma sombra, uma capa preta conhecida entrar no Três Vassouras. Eu sorri pra mim mesma. Era ele.

- Gente, eu vou tomar um ar. – eu disse.

- Vou com você – Disse Rony – Vamos Luna?

- Você, fique ai quietinho. – disse Luna.

- Hã? Porque? – disse Rony

- Hermione vai se encontrar com alguém. – disse Luna.

- Como você sabe? – disseram Harry, Rony e Neville, juntos.

As meninas viraram os olhos pra eles.

- Bom já vou.

Levantei, e fui saindo do três vassouras, sabendo que ele me seguiria. Fui andando pela cidadezinha, até ficar perto da casas dos gritos, lugar meio deserto até mesmo após o fim da Guerra. Virei-me para o caminho que eu tinha percorrido, e logo pude ver o homem fantástico, vestido de negro, se aproximando de mim.

- Olá Professor Snape – eu disse, sorrindo.

- Olá Senhorita Hermione – ele retribuiu o meu sorriso.

- Onde vamos hoje? – eu disse.

- Você vai ver – ele falou, e estendeu a mão para mim.

Eu dei a mão pra ele e a gente aparatou na casa do meu amado, já conhecida por mim. Às vezes, eu dormia lá.

- Vá para o seu quarto Hermione. – Ele disse, de modo suave. O quarto de hóspedes agora é meu. - Eu te encontro na sala, daqui a duas horas.

- Como assim? – eu disse sem entender.

- Só faça o que eu te pedi, meu amor. – ele disse.

Eu fui para o quarto. Era o quarto que eu já conhecia. A cama de casal no centro, a varanda arejada, a estante de livros, o guarda roupa de madeira escuro e a porta para o banheiro. Mas ele estava modificado. A parede estava pintada de um dourado muito claro, quase bege. A roupa de cama era de um vermelho vivo, tal como a cortina. E eu sorri pensando em Severo Snape com um quarto grifinório para a sua namorada sabe tudo. Quem ia acreditar nisso, se eu contasse?

Em cima da cama, havia um vestido preto, bonito, não tinha pedrarias, nem renda, mas tinha um modelo bonito que valorizava o decote mas sem ser vulgar. Ele tinha um tecido muito fino, justo até a cintura e depois solto até pouco a cima do joelho. Havia um sapato bonito, alto pra combinar, e uma caixa de jóias com um colar de prata e como pingente uma pedra bonita, transparente. Talvez fosse um cristal, eu não entendia muito de pedras.

Eu fui fazer o que meu professor/namorado tinha pedido. Tomei um banho demorado, gastei quase uma hora nele. Me vesti com a roupa e os acessórios que ele havia escolhido. Notei que tinha até uma bolsa, pequena, porém comprida, cabendo perfeitamente a minha varinha. Me maquiei, e ajeitei o meu cabelo, ficou bonito, parecido com o penteado que eu tinha usado anos atrás no baile do torneio tribruxo.

Quando fiquei pronta, me encarei do espelho. E me perguntei se eu não estava arrumada de mais, ou de menos. Esperando que fosse isso que Severo esperava eu fui me encontrar com ele, na sala.