― Dean, pelo amor de Deus, pára com isso!

Tudo o que ganhou foi uma mordida no lóbulo... Gemeu alto e disse:

― Tudo bem Dean! Eu aposto! Agora por favor, me deixa dirigir em paz antes que eu acerte o carro em alguma coisa!

― Não se esqueça que apostou Sammy... Não se esqueça...

― Quem ganhar ganha o quê?

Saiu automático... Estava operando em auto-mode... Arregalou os olhos quando percebeu o que disse...

― Quem ganhar ganha o outro pra fazer o que quiser...

― Tentador...

Sussurrou para si mesmo quando pensou no quão divertido poderia ser quando atasse Dean à cabeceira da cama e... Riu. O que era aquilo? Uma mão no seu...

― Dean!

― Que é! Só quero seu celular...

― Meu celular está no banco, em baixo da sua bunda...

Dean riu... Tinha sido pego. Mas... No problem! A cara de Sam rindo alterado tinha sido impagável...

― Porque não fica possuído de novo, hein Sammy?

Sussurrou depois de lamber o pescoço e o lóbulo de Sam..

Ah... Mas Dean estava mesmo saindo dos limites! Aquilo estava ficando "duro" demais para Sam se manter concentrado na estrada...

― Dean, se não parar ou eu vou bater o carro ou vou... ― ofegou ― fazer você me chupar agora mesmo...

Dean quase engasgou com a risada que tentou oprimir... Aquelas palavras saindo da boca de Sam tinham sido impagáveis tanto quanto a cara de minutinhos atrás... Resolveu ficar quieto.. Só com suas provocações e com as palavrinhas de Sam, já estava duro o bastante para se tocar ali, no banco do carona, na frente de Sam sem se importar com droga nenhuma... Estava quente, quase "soltando raios"... Se lembrou que ele quase fizera o que Sam disse, mais cedo no banheiro, enquanto o mais novo o esfregava... "Ah!" Era melhor parar de pensar nessas coisas... Precisava se acalmar com urgência... Gemeu enquanto tentava (inutilmente) se distrair olhando janela afora. E o pior de tudo, era que ainda estavam realmente longe de Montgomery. Então, parar, nem pensar! Levariam ao menos uma hora até lá...

O caminho foi árduo... Muito difícil, mas Dean tentou se manter impassível aos olhares de Sam... Ah... Quanta lascividade existia escondida dentro de seu irmãozinho... Agora que Sam estava "saindo do casulo", Dean podia ver o motivo de ele se "guardar" tanto. Sam era vulgar! Do modo que queria! Quando queria! E isso estava fora do campo visual de Dean até pouco tempo atrás.

Manteve-se preso nas músicas e em suas divagações até notar uma placa indicando "Montgomery".

― Hey! Ficou pra trás!

― Não vamos parar em Montgomery. É arriscado demais...

― Vamos parar onde então?

― Não sei... Olha no mapa.

― Isso foi um coice Sammy?

― Não Dean... Só acho que se você está preocupado deve olhar...

― Você é bipolar?

Questionou, referente à súbita mudança de humor de Sam.

― Não mais que você.

Pegou o mapa e olhou... A atitude de Sam o inquietara.

― Que tal Cullman?

― Ótimo.

― Por que tá agindo assim comigo?

Porque? Tem noção do que a gente fez?

― Sam... Não matamos ninguém...

― Mas foi pior! É um pecado muito maior do que matar!

― Só é pecado o que decidimos ser Sam...

― Não Dean, não é bem assim...

― Olha, se não quiser, fala, e eu juro, juro mesmo, nunca mais encostar um dedo em você.

― Isso! ― soltou o volante e aplaudiu, o segurando em seguida ― Aí está você! O rei dos descartes Dean!

― Sam, não confunda as coisas! Eu não estou te descartando! Estou deixando que você escolha o que quer fazer!

― Claro! Pra você não faz diferença mesmo, não é?

Dean suspirou e disse:

― Sammy... Por favor, não aja assim comigo... Me dói! Eu me importo muito com o que rola com a gente e depois daquilo, passei a me importar ainda mais! Sam, você não enxerga? Você é tudo pra mim! Não é que eu não me importe! Só não quero te forçar se você não quiser!

― E se eu quiser Dean? E se eu quiser? Se eu souber que mesmo sendo pecado eu não me importo nem um pouco em cometê-lo? Me renegaria por isso?

Dean sacou. O tom irritado na voz de Sam era apenas um disfarce para um temor. Aquele temor de ser subjugado, de ser renegado, humilhado... Dean usou toda a sua sinceridade:

― Se você quiser, será perfeito Sam, porque eu também quero. Muito. E quanto a parte do pecado, não acha que por combatermos o mal já estamos suficientemente absolvidos?

Sam encostou o carro. Olhou para Dean, para dentro de seus olhos esverdeados e disse:

― Não quero que pense mal de mim, mas eu tô pouco me fudendo pra pecado. Vou pro inferno de qualquer jeito, então... ― abaixou a cabeça ― eu quero sim...

Dean o segurou o queixo e levantou seu rosto. Olhou nos olhos dele e disse:

― Bem vindo ao meu mundo Sam...

Se beijaram... Um beijo calmo e fraterno. Ambos estavam apavorados com a situação, mas resolveram mergulhar de cabeça.

― Sam... ― disse Dean separando o beijo ― eu jamais te renegaria... Por nada nesse mundo... Jamais.

Falava em sussurros. Beijou a testa, a ponta do nariz e por fim os lábios do mais novo.

― Agora vamos Sammy... Temos muito chão pela frente até o fim do estado...

O mais novo sorriu e deu partida no carro... Seguiriam até achar um restaurante bem mais tarde para que comessem antes de chegar em Winchester.

Sam estava dirigindo e pensando em como sua vida havia mudado nos últimos dias... Agora era um assassino, amante do próprio irmão, não completamente, mas era. E era também um fugitivo. Tinha que cuidar de sua sanidade se não quisesse que o resto dela se esvaísse... Sam era um cara centrado, mas com os últimos lances de Dean, sentia que estava mudando, sentia que o seu jeito de agir estava entrando em mais uma fase metamórfica. O jeito com que tinha atacado Dean... Aquele não era ele... Ou melhor dizendo: Aquele era o novo ele... O novo Sam Winchester. "Assassino", "fugitivo" e amante do próprio irmão mais velho...