N/a: Maravilindos! Sim, estou mesmo aqui. Não, não é uma visão Hahahah Anyway, eis aqui bastante CRAAAAC para vocês. Ah, as palavras em itálico são os pensamentos de Harry ou meras ênfases. Boa leitura!

Disclaimer: Harry Potter e CIA Ltda. não me pertencem. Todos os direitos são da tia J.K. e da Warner. Yeah, um saco, eu sei.


De Morgana

A cabeça de Harry, que milésimos atrás estivera encarando brilhantes orbes castanhos, se erguera de assalto. Ambos se soltaram um do outro. O primeiro instinto do bruxo foi alcançar sua varinha no bolso do terno. Olhando de esguelha para a amiga, ele pôde verificar que a grifinória fizera o mesmo. De onde ela tirara uma varinha com aquele vestido, o rapaz apenas poderia imaginar.

CRAAAAC.

Dessa vez, o som aterrador fora acompanhado por passos apressados no corredor em frente ao cômodo. A porta se abriu com um golpe. Magia. Duas figuras adentraram o recinto com varinhas em punho.

— Qual o meu nome? — exigiu a auror com os olhos frios apontando o objeto para Hermione, que mantinha a postura ameaçadora.

— Ninfadora Tonks — replicou a garota. — Eu acho — acrescentou sem abaixar a guarda.

Tonks deixou sua mão cair ao lado do corpo, relaxando um tanto. Um tanto.

— Qual forma adquire o meu patrono? — demandou Harry.

— Um veado — respondeu Remo.

CRAAAAC!

— Avisei ao Departamento de Aurores no Ministério. Notifiquei a própria Madame Bones! — dizia Tonks apressadamente. — Há pelo menos uma dúzia de Comensais no seu jardim tentando quebrar os feitiços de proteção!

Hermione demonstrava reação através de seu semblante. Ele fora de surpreso a desesperado de súbito. O aperto em sua varinha aumentando exponencialmente, até que os nós de seus dedos estavam embranquecendo. Harry tentava não surtar, e tinha certeza de que a garota ao seu lado tinha o mesmo intento em prática naquele exato segundo. A monitora respirou profundamente e foi em disparada para as escadas, os degraus sendo ignorados quando ela praticamente voava sobre eles.

Sem dizer uma palavra, a bruxa seguiu para o hall de entrada com Harry em seu encalço. Segundos antes de seu pai e Tio Ben girarem a maçaneta com uma espingarda em mãos, a garota os parou se metendo na frente.

— Não! — esbravejou.

— Hermione, o que pensa que está fazendo? — indagou Tio Ben entre irritado e temeroso.

Afinal de contas, sabe-se lá Deus o que havia atrás daquela porta para causar tamanho alvoroço.

O Sr. Granger, entretanto, logo avistou uma polida e delicadamente bem feita peça de madeira imprensada no agarre de sua filha e obedeceu.

— Vamos todos para o salão. Agora — comandou o homem.

Hermione não se incomodou em selar a porta. Se alguém chegasse aquele ponto, um simples feitiço selador seria inútil, afinal.

Mesmo que confuso, o irmão assentiu e se dirigiu ao cômodo anterior com o restante das pessoas. Lá, viam-se as pessoas em pequenos grupos, amontoadas nos sofás ou em pé cochichando. Todos tinham exaspero escorrendo em suas respirações, em alguns, vazando pelos olhos, ou estampados em seus semblantes congelados e nas bochechas atipicamente esbranquiçadas. No meio do cômodo, Tonks e Lupin, ambos com capas pretas e varinhas nas mãos, discutiam baixinho entre si. Eles chamavam a atenção dos convidados, que não ousavam expressar seus questionamentos acerca do casal em voz alta.

CRAAAAC!

— Quanto tempo?! — exigiu Hermione aos sussurros a Tonks.

— Quinze minutos — replicou rapidamente. — Talvez menos. Para o feitiço, digo.

— E os outros aurores? — Indagou Harry.

— A qualquer momento — disse Lupin varrendo o recinto com o olhar.

Houve um murmurinho do outro lado do salão, trazendo o Sr. e a Sra. Granger para falar com os bruxos.

— Meu amor, o que está acontecendo? Por que esses barulhos? Por que está com isso em mãos? Achei que fosse um segredo de estado! — balbuciou a mulher.

— Mã-ãe — começou a bruxa aos sussurros —, há bruxos lá fora. Bruxos das trevas — os olhos do casal quase saíram das órbitas. — Vocês se lembram. Chamamos os aurores, a polícia bruxa. Tudo vai ficar bem — acrescentou mais para si mesma.

Harry via seu ser se partindo em milhões de pedaços ao escutar o tom de mal disfarçado desespero que sua melhor amiga tinha.

Era exatamente isso que eu queria evitar! Eles não vão machucá-los. Não vão!

Harry, assim como Hermione, tremia. Só que, ao contrário dela, era por ódio. Ódio por aqueles malditos terem vindo arruinar a festa da família; por ameaçarem a segurança dos Granger; e, mais ainda, por fazerem Hermione temer pela segurança deles.

— Hermione, vocês tem um porão? — inquiriu Tonks.

— S-sim — disse acompanhando a linha de raciocínio da auror.

— O quão grande ele é? — persistiu a metamorfa.

Hermione deu uma olhada no cômodo e, apesar de seus nervos tentarem derrubar seu lado prático, ela se concentrou.

— O suficiente — respondeu mais segura de si.

— Grande o suficiente para quê? — indagou o Sr. Granger.

CRAAAAC!

A garota, antes que pudesse responder, sentiu um leve puxão na barra de seu vestido. Amy. Sem hesitar, a bruxa pegou a menina em seu colo e a aprisionou num abraço. Aquilo, ao mesmo tempo que tirava todo seu autocontrole, estranhamente, lhe dava forças.

Harry encarava aquela cena quase hipnotizado. Ele tinha de mantê-las seguras. Não importava o jeito. Os olhos da menina, que outrora o encarava com leve desconfiança ou meiguice, agora o miravam com medo. O rapaz nunca tivera necessidade tão urgente de transformar os sentimentos do semblante de alguém.

Clara veio logo atrás da irmã, o terror explanado em sua expressão também.

— Hermione, são eles, não são? — indagou nervosamente.

A bruxa assentiu ainda abraçando a menina. Os olhos de Harry se arregalaram.

Clara sabe do Mundo Mágico! Mas… Como…? Por quê? Hermione não violaria o Estatuto do Segredo sem uma boa razão…

CRAAAAC!

— Hermione! — alertou Tonks.

— Okay! — exclamou nervosamente passando a pequena Amy para os braços de Clara.

A bruxa recuperou a compostura, ainda tremendo levemente. Ela se preparava para um discurso. De súbito, Harry enlaçou os dedos nos dela em suporte. Ela suspirou em alívio e apertou a mão oferecida, porém, não lhe dirigiu o olhar, o qual mirava os grupos a sua frente.

— ESCUTEM! — Vociferou calando os cochichos e sussurros de seus familiares. — Há… um grupo de pessoas lá fora. Eles estão tentando entrar. E vão conseguir — disse, sua voz tremendo de leve. Pequenos gritos foram suprimidos ao longo do salão. — Em poucos minutos. A polícia já foi chamada. Devem chegar logo. Mas vocês precisam se esconder…

— Nós? Nos esconder? Que insolência — zombou um senhor ao lado de Tio Ben. — Um Granger não se esconde…!

— Ora que absurdo, mocinha! — Atalhou Ryan no mesmo tom. — Você fala como se quisesse que nos enfiássemos no porão e deixássemos uma simples garota à espera dos bandidos!

Touché. É exatamente isso que quero! — desafiou Hermione.

— Que ultraje! — esbravejou Tio Ben.

Uma onda de argumentos surgiu no lugar quase abafando o som das tentativas de quebrar os feitiços no lado externo da propriedade. Tonks e Lupin, por hora, estavam deixando Hermione lidar com a situação. Afinal de contas, era a família dela. Harry, por outro lado, estava se segurando há demasiado tempo para não interferir — eles estavam sem tempo e o rapaz sem paciência para insultos dirigidos a sua melhor amiga.

De súbito, quando Harry estava quase para azarar um daqueles senhores, um grito agudo foi ecoou no recinto ao mesmo tempo em que a poncheira de cristal no mini bar se reduziu a milhares de fragmentos da peça. Silêncio. Hermione se abaixou de imediato recuperando Amy para o seu colo.

— Shh. Vai ficar tudo bem, Amys — sussurrou acariciando os cabelos negros da menina trêmula. — Prometo a você. Tudo vai ficar bem.

Harry observava a cena, boquiaberto. Tonks e Lupin tinham a mesma expressão.

Amy é uma bruxa!

O rapaz acabara de presenciar uma amostra bem poderosa de magia acidental, e, pela reação controlada de Hermione, não fora a primeira. Clara passava a mão na testa constantemente, sem saber o que fazer com elas. No segundo seguinte, um casal correu ao encontro de Hermione e se postou ao lado dela, ambos parecendo sem saber como reagir. A mulher chorava copiosamente. Eram os pais das garotas.

A menina logo se acalmou. Toda briga e os argumentos dirigidos a "tia Herms" a deixaram nervosa.

— Ela é uma…! — começou Lupin.

— É sim — disse Hermione ainda com a menina nos braços.

— Ah, minha nossa — exclamou Tonks.

— OUÇAM! — Chamou Harry tentando se concentrar em proteger os trouxas primeiro. — Estamos ficando sem tempo! Eis o que vocês vão fazer. TODOS. Vão para o porão. Trancaremos vocês lá. Quando tudo estiver tranquilo, abrimos a porta e vocês saem…

— E posso saber por que vocês são os mais qualificados para nos "proteger"?! São apenas moleques — disse o mesmo homem ao lado de Tio Ben.

Tonks deu um rugido, e Lupin a segurou.

— Calma — disse ele.

— Você viu o que essa menininha acabou de fazer com aquela taça?! — exigiu Harry com sua postura ligeiramente ameaçadora. — Ela fez por acidente. Agora imagine o que eu, que sou igual a ela e fui treinado, posso fazer intencionalmente se algum de vocês insultar Mione outra vez — ameaçou o rapaz.

— Harry — chamou Hermione aferrando os dedos em volta do braço do rapaz.

Amy estava no chão no colo de sua mãe observando a cena toda. Seus comparsas pareciam loucos para se juntar ao grupo, entretanto, os irmãos os seguravam no sofá.

— Desculpe — pediu o bruxo.

Ela forçou um sorriso nervoso em sua direção. E, apesar de toda catástrofe que ocorria, o coração de Harry teimava em disparar ante a tão singelo gesto.

CRAAAAC!

— Ah, ao diabo com o Estatuto de Direitos dos Trouxas! — exclamou Tonks.

A auror apontou sua varinha para um dos jovens, Nathan, e o levitou. Arquejos em uníssono foram ouvidos enquanto o rapaz loiro gritava de cabeça para baixo no chão. Hermione fez menção de impedir, mas Harry a segurou. No fundo, a bruxa sabia que não havia muitas formas de se lidar com a situação e aquela parecia ser a mais rápida.

— Isso se chama magia! — reverberou Tonks sem conseguir retirar o sarcasmo de sua voz. Bem, se é que ela tentara. — É assim que somos mais qualificados. Consegui me fazer clara?!

Alguns acenos nervosos em rostos estupefatos apareceram no salão.

— Excelente — disse abaixando o rapaz, que assim que encostou o chão de madeira se agarrou a ele com as próprias unhas. — Agora se organizem e entrem naquele porão. Agora!

Fora alguns relutantes, todos os convidados começaram a se dirigir para o andar de baixo. Amy relutava em deixar o lado da bruxa. Antes que pudesse ir, entretanto, Hermione tinha de oferecer a ela uma última alternativa.

— Ouça, Amys — começou no mesmo nível da menina.

CRAAAAC!

— Lembra que expliquei sobre bruxos bons e maus? — A menina assentiu. — Há bruxos maus lá fora. Quando eu for buscar vocês lá embaixo, vou bater na porta como combinamos. Se qualquer outra pessoa entrar lá, qualquer um, preciso que use isso — a bruxa retirou a própria pulseira e colocou na menina.

Harry reconhecia a peça enquanto Hermione explicava a Amy como usar o objeto. Era a mesma que ela usara no dia que deixara a Toca.

É uma chave de portal.

Em teoria, usar uma era bastante simples. Um toque era o suficiente. Só que, pelo que o bruxo recordava, Hermione tivera de encostar sua varinha no objeto para fazer funcionar o portal. E a pequena Amy não possuía varinha alguma, por certo. Canalizar sua magia era demasiado complicado de se explicar a uma criança, mas o rapaz tinha suas suspeitas de que a menina havia recebido treinamento prévio com a bruxa, pois parecia aceitar a tarefa sem hesitação.

Segundos depois, todos os trouxas estavam devidamente trancados por cadeados — insistência deles, "para atrasar os bastardos, no caso do pior" — e uma série de feitiços. Hermione se permitiu tremer um tanto quando eles estavam fora de vista e fora engolfada no abraço de Harry.

— Eles ficarão bem — sussurrou ao ouvido dela. — Prometo a você…

— Você, honestamente, não pode prometer isso — sussurrou de volta com a voz falhando.

CRAAAAC!

— Acredite, Mione, eu posso — afirmou impassível.

Nem que eu precise oferecer o que Tom mais quer, minha vida.

Hermione pareceu ler os pensamentos rondando a mente do rapaz, pois no momento em que ouviu a frase, afastou-se dele o suficiente para encarar seu olhar. Ela retorquiria, sem dúvida, se não fosse o forte estalido dentro do cômodo.

Com quatro varinhas apontadas para si, Madame Bones, e logo depois Susan Bones, estavam em guarda.

— O que você…?! — Começou Madame Bones enfurecida se dirigindo a sobrinha. — Ah! Nome?!

— Auror Tonks, DELM, registro 06573 — respondeu a metamorfa.

A mulher ainda a olhava com desconfiança. Tonks bufou.

— Auror Ninfadora Tonks, DELM, registro 06573 — cuspiu a bruxa.

CRAAAAC!

— Susan, vá imediatamente… ! — recomeçou a mulher baixando a guarda.

Vários estalidos pelo recinto interromperam a bruxa.

Dawlish.

Rufo Scrimgeour.

Kingsley Shacklebolt.

Arthur Weasley.

Gui Weasley.

Após todos os devidos reconhecimentos, Madame Bones ainda tentava ordenar a Susan que fosse embora. Harry bem que tentara fazer Hermione ir junto. Um olhar o calou.

CRAAAAC!

CRAAAAC!

CRAAAAC!

Antes que a ruiva pudesse fazer qualquer movimento para ir ou exigir ficar, as janelas de vidro da casa se partiram em incontáveis fragmentos, levando os bruxos ao chão. Harry tinha arrastado Hermione consigo, evitando que ela se cortasse. Ele sentia pequenos cortes em suas mãos e no rosto.

Um estrondo indicava a derrubada da porta da frente. Harry malmente se pôs de pé e um feixe de luz verde errante passou perdendo por pouco o braço de Hermione.

AAAAH!

Um rosnado primitivo se libertou da garganta de Harry ao mesmo tempo em que começava a duelar com o Comensal que ousara ameaçar a vida da grifinória.

— ESTUPEFAÇA!

O salão era uma mistura insana de gritos e sons de objetos se partindo numa distância que sempre parecia perigosamente próxima. Hermione e Susan lutavam contra um homem que Harry não conseguia identificar. Não que pudesse chegar muito perto ou que mesmo dar uma pausa em seu próprio combate para checar as garotas.

Putain de merde!

Fleur!

A cabeça de Harry virou tão rapidamente que seu pescoço doeu. Pelo pouco que pôde ver do canto em que estava, perto do mini bar, Fleur estava duelando com uma Comensal e havia um grande corte em sua perna esquerda. Ele poderia dizer pela mancha de sangue cobrindo a calça da francesa.

Se Fleur veio, quantos mais estão aqui?

Ele não aguentava pensar nisso, pois vários nomes surgiam em sua cabeça e o rapaz tinha de se concentrar no indivíduo a sua frente, pois já escapara de umas quantas maldições por pouco. Um substantivo constante em sua cabeça, porém.

Mione!

Entre as várias exclamações, rugidos e gemidos que ouvia, o bruxo se obrigava a prestar atenção para distinguir entre eles se algum pertencia a monitora grifinória. Quando ele finalmente conseguiu se livrar do bruxo com quem lutava, que, na iminência de ser derrotado, desertara, a imagem que viu o fez sentir uma onda de pânico e raiva.

Hermione duelando com Antonin Dolohov. Sozinha.

O sangue de Harry esfriara, pois era inevitável que enxergasse sua amiga um ano atrás em posição parecida. A marca roxa em sua camisa ainda o assombrava.

Feche sua mente e a ajude!

Como se por capricho do destino, Harry avistou logo acima da cabeça do Comensal um pequeno lustre de feito de vidro e bronze. Sem se permitir ter a consideração de pensar, o bruxo checou a posição da amiga e, sem uma palavra, sua varinha cuspiu o feitiço. O ruído ressoou pelo recinto enviando cacos de vidro para todas as direções. Hermione não poderia ter os olhos mais abertos ao encarar seu agressor esmagado sob a peça.

Apesar do caos, Harry sorriu para si mesmo.

— Harry, abaixe! — exclamou Luna.

De imediato, o rapaz mergulhou atrás do sofá, sobre o qual se encontrara ao lançar o feitiço no lustre. Uma série de peças de porcelana começou a se espatifar na parede atrás de si. Os objetos certamente foram enviados para se chocarem contra seu corpo. O bruxo tinha as mãos protegendo a própria cabeça dos estilhaços quando sentiu um corpo sobre si bloqueando a chuva de fragmentos. Harry se sobressaltou e estava pronto para azarar o indivíduo quando percebeu que era Hermione.

— Mione! — exclamou ele incrédulo.

Está louca?! Está literalmente caindo porcelana do céu!

Harry, de assalto, tomou a cintura da amiga e a sentou no chão. Agora seu corpo a protegia das partículas cortantes. Ela tinha alguns cortes no rosto; o suor cobria suas sobrancelhas e testa; sua expressão em horror, a respiração descompassada. Os olhos assustados.

A adrenalina na corrente sanguínea de Harry cresceu de modo violento ao sentir a mão de Hermione puxar seu pescoço para si. Só que, ao contrário do que poderia parecer, a garota forçou a cabeça dele a se encontrar com seus próprios ombros.

Sectumsempra! — Vociferou Hermione erguendo sua varinha com a mão livre, a outra ainda mantendo o amigo em seu agarre.

Após ouvir um baque surdo atrás de si, Harry foi solto e pôde se virar para ver um Comensal caído no piso de madeira. O sangue escorria generosamente de seu corpo. O rapaz olhou para a amiga maravilhado. Ela o salvara de um ataque pelas costas.

— Ele ia te atacar — justificou ela um tanto rubra.

Harry apenas acenou.

Finalmente, qualquer que fosse o estoque de porcelana da Sra. Granger em casa, havia terminado — ao que parecia. O rapaz levantou e observou a cena a frente do sofá. Havia um equilíbrio entre o número de Comensais e aurores. Ele via cabeças ruivas, mas não exatamente parara para identificar. Mexas loiras que apenas poderiam pertencer a Luna voavam seguindo os movimentos da corvinal do outro lado do salão.

Assim que Harry saiu de seu esconderijo, um feixe de luz foi mandado ao seu encontro. Dessa vez, Hermione o ajudava. Eles possuíam conveniente sincronia em duelos. Provavelmente devido ao fato de terem treinado juntos na Armada de Dumbledore no quinto ano. O fato é que o Comensal estava tendo mais trabalho do que deveria, considerando que eram apenas dois adolescentes seus adversários.

Então, Harry escutou um riso que nunca mais em sua existência esperava ter o desprazer de ouvir. O som conseguia despertar asco e ódio no rapaz em velocidade estelar.

Bellatrix Lestrange.

— Imprestável, cuide da sangue-ruim! — ordenou impaciente ao Comensal que duelava com o casal.

Ao se virar para o rapaz, um sorriso maníaco vestiu seus lábios. Harry não hesitou em atacar. Ela parecia extremamente ofendida.

— Ah! Quer brincar, Potter?! — esbravejou insana.

Harry vira vários feixes de luz de diversas cores deixarem a varinha da bruxa e o perseguirem. Ele lutava para manejar desviar deles, mas a tarefa se provava mais complexa do que parecia em sua mente. Ao som do riso diabólico da feiticeira, o rapaz revidou lançando as partículas de porcelana de trás do estofado na direção dela.

O riso morreu, mas ela ainda sorria ao se defender sem muitas complicações.

O bruxo queria verificar como Hermione estava se saindo, só que, se com os dois olhos problemáticos a batalha era árdua, o que seria dele se ousasse olhar em outra direção que não na da desvairada a sua frente.

A Comensal, entretanto, para a ruína do rapaz, percebeu as intenções dele.

— Está procurando pela sangue-ruim, moleque? — riu-se ela. — Um mestiço e uma sangue-sujo, que excelente linhagem daria!

Ela ria histérica dando pequenos saltos no mesmo lugar. Bellatrix mirou o lugar em que Hermione se encontrava e deu um gritinho em excitação apontando sua varinha para a garota.

Crucio!

Harry, em desespero, apenas teve tempo de se lançar na frente do feitiço. Ondas de agonia preenchiam cada fibra muscular, inundavam suas veias. O corpo dele tinha espasmos violentos e, sem ao menos conseguir escutar, o bruxo sabia que um grito escapava de sua garganta.

Num segundo, a dor parou.

Por experiência, e pelas poucas sinapses que conseguia realizar ao momento, Harry sabia que não havia sido a vontade de Bellatrix parar a tortura. Não ela. Algo a tinha impedido de continuar.

Mione.

A monitora tinha se livrado do Comensal que estava duelando consigo e, ao sinal de tal dor sendo impingida a seu melhor amigo, lançou um feitiço cortante no antebraço direito da mulher.

— MALDITA! — Arfava Bellatrix em ódio segurando seu braço.

Harry fez esforço homérico para levantar seu corpo do chão, pois poderia prever que a vingança da Comensal seria desastrosa. A dor ainda ecoava em si, no entanto, ele dava seu melhor para ignorá-la.

— Dumbledore está a caminho! — Gritou Lupin numa tentativa de incitar medo nos seguidores do Lorde das Trevas.

Funcionou com alguns.

— Dane-se aquele velho caduco! — Vociferou a Lestrange.

Rodolfo viera para o lado da mulher servir de escudo. De súbito, enquanto os outros Comensais mantinham a batalha viva, ela retirara uma espécie de recipiente do bolso que a visão turva de Harry não pudera identificar. No segundo seguinte, finas partículas de luz vinham ao encontro do corpo instável do grifinório, que estava para colapsar outra vez. E sua mente perturbada se via querendo que ele tocasse nos pontos luminosos.

Parecem tão bonitos…

Bellatrix, jogando ambos os braços para o alto, pronunciou em tom solene:

O potens Morgana, misericordiam habere. Rip anima, quod non habet amor!

Um relâmpago acima Harry fez a Comensal saltitar em pura excitação ao mesmo tempo em que Hermione gritava em exaspero presa nos braços de Remo.

Harry sentiu uma força descomunal o empurrar. Durante seu voo, suas pálpebras, contra seu próprio comando, começaram a se fechar. Ele enxergava apenas a luz brilhante que ainda parecia restar do relâmpago. Seu corpo estava demasiado cansado para que pudesse protestar. Com sua audição dividida entre os gritos desesperados de Hermione e a excitação de Bellatrix, o bruxo foi puxado para a escuridão assim que seu corpo aterrissou no chão como peso morto.


N/a: Vocês sabem o que é um peso morto, certo? Não ousem me odiar antes de ter certeza do que é! Hahahaha

Perdão por tê-los feito esperar tanto. O ano começou e as responsabilidades de começo de semestre já estão exigindo de mim. É claro, ainda vou continuar escrevendo. Por nada que paro Indelével agora!

Honestamente, eu ri bastante com esse cap. O que vocês me dizem? Será que já passou da meia-noite ali? Eu acho que sim. Apenas um palpite, né? O quê que eu sei, afinal… Hahahaha Então, sim, sem vencedores. Ainda.

Recebi muitas ameaças e desejos nada afetivos no capítulo anterior. Maravilindos, se acalmem hahahaha Que tal um spoiler do próximo cap? Lembro que alguém uma vez escreveu que nunca tínhamos a perspectiva da Hermione para saber como ela se sentia. Bem, isso está prestes a mudar hahahahah Prometo, o próximo tem momentos mais… Fluffies? Ou mais sombrios…? Não consigo me lembrar Hahahaha

Maravilindos, amei que vocês adoraram a pequena Amy. Não resisti, tinha que escrever mais sobre ela. Como ignorar tal fofura uma vez que foi criada? Eu sei! Impossível. E Bellatrix! Muahahaha Ela é minha louca favorita. O que vocês acham que ela aprontou? Bem, a tradução do que ela disse pode ajudar:

Oh poderosa Morgana, tenha piedade. Rasgue a alma que não tem amor.

Assombroso, né?

Ah, mil obrigadas. Dos mais sinceros, podem apostar. Os sentimentos conflitantes de vocês, a dúvida entre amor e ódio são encantadores. Sinto-me privilegiada.

Beijos, Maravilindos!

Até ;)