Capitulo 12
_Você viu onde o Jensen está?
_Não. – e deu de ombros, virando outro copo de uísque.
Jared sentou ao lado de Mark e pediu ao barman uma bebida forte. Suspirou passando o olhar pelo pequeno salão do bar, mordeu os cantos da boca, uma mania para conter a ansiedade ou a raiva.
Logo o homem colocou o copo com a bebida escura em sua frente e Jared bebeu em um só gole, apertando os olhos e fazendo uma careta em seguida, o álcool queimando sua garganta, fazendo seus sentidos enevoarem um pouco.
_Coloque outra! – disse e o homem despejou outra vez o liquido escuro no copo, mas dessa vez Jared não entornou.
_E então? – perguntou o loiro, como se apenas a partir daquele momento estivesse interessado na presença do outro. – Ainda está de pé? – Jared confirmou. – Hmm, presumo que eu devo agir amanhã, então?
Jared deu de ombros.
_Primeiro eu quero humilhá-lo, quero colocar aquela putinha no lugar que merece, e então você pode sumir com ele, não me importo quando será, contanto que ele desapareça. – disse bebendo um pouco da bebida que ainda não tinha sido tocada.
_Certo. – disse sério, foi quando o sorriso de Julie encheu sua mente. – Jared. – chamou, o olhar fixado no próprio copo que repousava vazio a sua frente.
_Que foi? – e olhou de esgoela para o loiro.
_Esse vai ser meu último trabalho. – e jogou algumas notas em cima do balcão.
_Eu não sei, Mark. – disse, pensando que o outro havia lhe perguntado.
_Você não entendeu... – foi quando os olhos de Jared encararam os seus. – Eu disse que esse é o meu último trabalho.
_Por que você pensa que pode cair fora, Mark? – perguntou arqueando uma das sobrancelhas. – Será que não pensa na Julie?
Mark arregalou os olhos, claro que não esperava que ele tocasse no nome da mulher, mas não era surpresa Jared saber que ele tinha se envolvido com a dona da cafeteria.
_É por pensar nela que estou saindo depois disso aqui. – e então levantou. – Você não vai mais precisar de mim, Jared. Vai ter o dinheiro, o cadáver do Misha e o próprio Jensen pra você, não precisara de mais nada. – e deu de ombros.
Jared pareceu pensar e então falou, com voz de descaso:
_É... Você não vai ter nenhuma utilidade pra mim depois desse serviço, pode ir correndo pra cafeteria e se aposentar. – e riu debochado.
Mark ignorou.
_Então, vou começar a me preparar. – e saiu.
Jared encarou a parede de madeira a sua frente, os vários certificados de melhores bebidas espalhados por todo lugar. Suspirou dando de ombros.
_Eu só espero que o Jensen admita que me ama. – disse para si mesmo. – Não vou gostar de machucar aquele corpo perfeito para ouvir essas palavras. – e sorriu pensando no loiro, no que seria capaz de fazer para tê-lo.
Abriu os olhos azuis encarando o céu, duas gaivotas rodopiavam pelo imenso espaço no alto. Sorriu para o nada, e virou a cabeça para o lado encontrando os olhos verdes, que o admiravam.
Estavam deitados, um do lado do outro, nus, a água salgada banhando o pé de ambos e a única coisa que habitava ali era a felicidade. Misha riu, sem saber ao certo o porquê, uma vontade enorme de abrir os braços e gritar o mais alto que pudesse, era um sentimento estranho, nunca antes experimentado por ele, mas gostava da sensação.
_O que foi? – a voz do loiro lhe mandando arrepios pelo corpo.
_Eu não sei. – e riu ainda mais, sendo acompanhado pelo outro. – Eu só... – começou. – É que... Eu ainda não to acreditando que isso aconteceu.
Jensen sorriu e ficou de lado, apoiando o braço no chão de pedra enquanto olhava o outro.
_Está sentindo vontade de gritar para o mundo? – perguntou, rindo, embora essa também fosse a sensação que sentia.
_Isso parece tão... – e suspirou, não tinha palavras.
_Irreal? Inacreditável? Perfeito? – perguntou.
_É. – concordou passando a mão pelo rosto do loiro, que fechou os olhos ao sentir a caricia.
Misha sentou-se e se inclinando pra frente beijou os lábios carnudos de Jensen, as mãos ainda em torno do rosto do loiro. O empresário sorriu durante o beijo.
_Acho que devíamos voltar. – disse o moreno. – Eles podem sentir a sua falta, afinal, é você quem está no comando dessa coisa. – e levantou-se colocando a sunga e o calção preto em seguida.
Olhou para Jensen, que ainda no chão lhe encarava o corpo com desejo.
_Jen... Vamos! – disse colocando uma mão no quadril.
_Ah, não. – reclamou fazendo uma careta engraçada.
Misha riu dele e então tentou convencê-lo novamente:
_A gente precisa tomar um banho...
_Juntos? – cortou levantando-se rápido.
_É, acho que pode ser. – e riu. – Mas não podemos demorar você disse que tem que fazer a abertura oficial da confraternização, hoje, lembra?
Jensen vestiu a cueca e o calção branco dando de ombros e ainda reclamando.
_Mas eu quero ficar com você. – disse chegando perto do outro, agora, os dois estavam parcialmente vestidos.
_Eu vou estar lá, Jen. – não queria admitir, mas estava adorando aquela, como diria Sebastian, 'melação' toda.
Jensen concordou, ainda meio contrariado. Pulou na água, sendo seguido por Misha, entraram no barco e logo a voadora deslizava em alta velocidade pela água. Misha no volante e Jensen atrás de si, ajudando-o a manter o barco na direção certa.
Não demorou a chegarem à praia, o clima que mudou de repente fazia os pelos de Misha eriçarem, por causa do frio. Subiu para o quarto enquanto o loiro fechava algumas pendências pelo aluguel do barco, mas o loiro também não demorou a subir.
Jensen colocou uma camisa social branca, uma gravata prata e um terno cinza, Misha achava que ele estava perfeito. Já o moreno resolveu por uma roupa que tinha comprado com o loiro, calça social preta, a camisa branca e um colete preto por cima, a gravata borboleta prata se destacava.
Desceram de mãos dadas, arrancando olhares de todos por quem passavam.
_Hey, Jay, é melhor não dar piti, mas olha só quem vem lá. – e Chad apontou para o casal que entrava sorrindo.
Jared contraiu o maxilar e amassou o guardanapo que tinha na mão, o olhar parecia pegar fogo, e qualquer um podia ver o quanto aquilo o tinha deixado ensandecido.
_Se controla! – a voz de Lauren soou clara para ele.
Quando viu Jensen sorrir e beijar os lábios do moreno, foi como se milhões de facas afiadas estivessem o cortando. Mordeu o interior da boca, e pode sentir o gosto ferroso do sangue, mas não era como se aquilo importasse. Em sua mente milhares de imagens passando, em todas elas Misha morria de alguma forma.
Controlou-se para não socar a mesa ao ver o loiro sorrir e vir até eles.
_Jay! – o ouviu cumprimentar e sorriu, mesmo que a vontade fosse de matar alguém, mais precisamente alguém de olhos azuis e cabelos pretos que estava ao lado de Jensen. – Lembra do Misha?
_Claro! – e sorriu forçado. – Como esquecer, não é? – e o encarou, o olhar gelado que lançou para Misha fez Mark e Chad entrarem em alerta para não deixá-lo estragar o plano.
Jensen não pareceu perceber e continuou conversando animadamente com todos, apresentando Misha a eles como seu namorado, que era o que ele tinha se tornado.
Em determinado momento da festa os dois sumiram, estavam namorando no parte de trás da grande construção, eram quase 10 horas da noite quando voltaram para que Jensen fizesse o discurso de abertura, mas quando entraram novamente no salão, Jared segurava o microfone.
O loiro arqueou as sobrancelhas, não lembrava de ter pedido ao amigo para abrir a confraternização anual, mas seus pensamentos foram interrompidos quando Jared apontou para eles, recomeçando a falar.
_Jensen! Até que enfim. – disse colocando a mão no quadril, visivelmente bêbado. – E olha só! – apontou para o moreno que seguia o empresário. – Trouxe a sua putinha junto!
Os olhares arregalados dos presentes se voltaram para Misha, comentários maldosos se espalhando, e podia se ouvir alguns 'Eu desconfiei, pelo modo como ele se comportava', 'Eu sabia desde o começo', 'Rum! Só podia ser mesmo!', ecoarem pelo salão.
Jared continuava com o show:
_Quanto está pagando a ele, Jen? – perguntou, como se estivesse interessado. – É por hora? Por dia? Ou por transa?
Alguns risinhos ecoaram, Jensen paralisado não sabia o que devia fazer para que Jared calasse a boca.
_Ele cobra de você? – perguntou, soando indignado. – Hein? Para você fodê-lo bem forte? Bem rápido? Bem fundo? – perguntou, e então tomou um gole do uísque que estava em sua mão. – Ele não devia cobrar! Você faz tão gostoso, Jen. – e riu sacana, algumas pessoas com os olhos ainda mais arregalados pela exposição daquela nova fofoca.
_Chega, Jared! – e a última coisa que o moreno viu foi Jensen ir em sua direção, a mão fechada pronto para lhe acertar o soco, desmaiou assim que sentiu a mão dele bater contra seu rosto, caindo no chão do palco.
Jensen virou-se para encarar os vários sócios da empresa que estavam presentes, os funcionários e os amigos que horrorizados assistiam a cena se desenrolar.
_Eu peço perdão a todos vocês pelo... – olhou o corpo de Jared estirado no chão. – Inconveniente.
Passou o olhar verde pela sala, e o coração comprimiu ao ver Misha sair correndo, parecia poder sentir a dor dele, as lágrimas escorrendo e a humilhação que Jared o fez passar.
Saiu dali, os olhares todos em sua direção. Subiu correndo as escadas e parou em frente ao quarto que dividia com o moreno.
_Misha. – chamou batendo na porta do quarto antes de entrar.
As lágrimas do outro escorriam pela face vermelha, e com raiva ele arrumava a mala, socando as roupas de qualquer jeito lá para dentro.
_Jared disse que o máximo que eu conseguiria com você seria uma noite, acho que agora eu sei o porquê dele dizer isso pra mim. – disse magoado. – Foi o que você deu a ele, não é? Uma noite!
Jensen sentiu a garganta fechar, Misha estava indo embora.
_Misha... Vamos conversar... Não é nada disso... Eu...
_Você o que Jensen?
_Eu cometi um erro com o Jared, mas eu nunca dei esperanças nenhuma a ele. – disse chegando perto da cama. – Com você é diferente. Eu quero você... Quero completar você Misha. – fez uma pausa o encarando – Você... É especial pra mim.
_Eu vou embora, – disse. – e não precisa me pagar por nada, não quero nada que venha de você! – e saiu batendo a porta.
Estava na frente da construção esperando Julie vir buscá-lo, tinha ligado para a amiga assim que saiu do quarto, as lágrimas ainda desciam pelo rosto e Misha não conseguia acreditar que Jensen tinha sido tão cretino, não viu quando o homem loiro se aproximou atrás de si, colocando um saco preto em sua cabeça.
Tentou gritar, mas um cheiro forte invadiu suas narinas, então deixou que a escuridão do nada o engolisse.
N/a: Tava na hora do Jay aprontar alguma né? No próximo tem surpresinha *-*
