Capítulo 12- Tempo de confiar

Bem cedo no dia seguinte Sawyer já estava na praia esperando por ela. Acordar cedo não era um de seus hábitos, mas ele não se importava de abrir uma exceção só para estar com Ana outra vez. E ela não demorou a aparecer, trazendo Vincent pela coleira, vestida em seu biquíni de bolinhas azuis. Sawyer quase suspirou alto com a cena.

Naquela manhã eles passaram horas brincando com Vincent, nadando no mar e conversando. Tomaram café da manhã juntos e se despediram. Nos dias que se seguiram, eles continuaram se encontrando para namorar, conversar, trocar confidências e ficar juntos. Logo não conseguiam mais ficar separados e conseqüentemente a vontade de ficarem íntimos aumentava cada vez mais para ambos. Quando ia para cama dormir, Sawyer não conseguia parar de pensar nela e se pegava imaginando-a nua em sua cama, como estivera na piscina enquanto eles se abraçam e se beijavam. Depois ela dormiria tranqüila nos braços dele e acordariam juntos pela manhã.

Ana também sonhava em passar a noite inteira nos braços de Sawyer, mas ao mesmo tempo receava que esse momento acontecesse. Era um sentimento contraditório. Quando estava com ele gostava de ser abraçada com intimidade e sentir-se comprimida pelo corpo dele até sentir-lhe a indisfarçável ereção. Então seu corpo inteiro formigava, seus seios ficavam doloridos e tudo o que ela queria era se entregar a ele. No entanto, depois que a excitação passava, Ana sentia medo do porvir. Medo de que Sawyer realmente exigisse fazer sexo com ela. Se isso acontecesse, provavelmente fugiria dele. Mas até quando pretendia fugir? Mais cedo ou mais tarde teriam que se tornar amantes. Isso se ela quisesse que as coisas evoluíssem entre eles. Já estava começando a se sentir muito culpada por ter se aproximado de Sawyer pelos motivos errados. Ele era o melhor homem que já tinha conhecido. Concluiu isso apenas dez dias depois de tê-lo conhecido.

Enquanto Ana devaneava sobre o futuro de sua relação com Sawyer, ele se antecipava a ela decidindo pelos dois que tinham de ficar juntos, mas não mais apenas naquele flerte que estavam tendo, mas juntos de verdade. Ele queria namorar sério e faria a proposta a ela. Queria tê-la em sua cama nas noites em que sentisse solidão e observá-la dormir junto dele. Por isso resolveu levá-la para jantar. Era o dia da folga dela no bar e ele aproveitaria para levá-la em seu restaurante preferido. Resolveu também comprar-lhe um presente especial. Passou em uma joalheria a caminho do trabalho e comprou um par de brincos de brilhantes, muito caros, mas ele não se importou com o preço nem um pouco. Eram prateados em forma de argola com uma pérola verdadeira na ponta.

Ele ficou tão empolgado por ter comprado os brincos que os mostrou a Miles quando encontrou com o amigo pra almoçar mais tarde.

- O que é isso?- Miles perguntou quando Sawyer pôs a caixinha com os brincos nas mãos dele. – Um presente pra mim, amor?- ele brincou. – Não precisava. Hoje nem é meu aniversário.

Sawyer riu.

- Ah, deixa de brincadeira. Eu comprei isso hoje para a Ana.

Miles franziu o cenho e abriu a tampa da caixinha.

- Uau! Eu imagino que ela vai adorar isso.

- Acha mesmo que ela vai gostar? Eu ainda não sei muito bem o gosto dela, fiquei inseguro.

- É claro que ela vai gostar.- disse Miles. – Principalmente se ela descobrir quanto foi que você gastou nesses brincos.

Sawyer ficou irritado com o comentário dele e pegou a caixinha de volta, dizendo:

- O que está insinuando?

- Não estou insinuando nada, velho amigo.- disse Miles erguendo as mãos para o alto.

- Ë bom mesmo porque o meu benzinho não é uma garota interesseira. Passei tempo suficiente com ela pra saber disso.

- Claro que sim. 2 semanas é muita coisa!

- Ah, cale-se!- disse Sawyer. – Você está com inveja, não paro de dizer isso!

O telefone celular de Sawyer tocou naquele momento. Ele checou o visor. Era Ana. Ele sempre tinha que esperar pelas ligações dela, pois Ana não possuía celular. Resolveria isso logo. Pretendia comprar um celular para ela.

- Com licença!- ele pediu a Miles e se levantou da mesa para atender com privacidade. - Hey, benzinho.- disse ele carinhoso ao telefone quando atendeu.

- Hey, baby.- Ana disse. – Para onde nós vamos hoje?- ela perguntou, já ansiosa para vê-lo, embora eles tivessem ido ao cinema na tarde do dia anterior.

- Quero te levar para jantar esta noite.

- Jantar? Onde?- Ana perguntou.

- No meu restaurante favorito.

- Que provavelmente deve ser muito caro.- Ana completou. – Eu não tenho um vestido para usar num jantar como esse, Sawyer.

- Não se preocupe com isso. Eu te compro um vestido.

- De jeito nenhum!- ela protestou. – Sabe do que eu gostaria?

- Do quê?- ele indagou cheio de esperanças de que ela dissesse "que a gente fosse pra sua casa e fizesse amor." Mas o que Ana respondeu, embora não fosse exatamente o que ele desejava, parecia muito próximo disso.

- Que você cozinhasse para mim esta noite. Você disse que gosta de cozinhar. Então quero pôr seus dotes culinários à prova, baby.

Ele sorriu consigo mesmo e respondeu:

- Está certo. Prepararei algo especial para você. Posso mandar meu motorista ir te buscar às 7?

- Estarei esperando.- ela respondeu.

- Eu te adoro... – ele sussurrou.

- Eu sei!- ela respondeu presunçosa. – Um beijo.

- Beijo!- disse ele, desligando o telefone e pensando no que iria preparar para o jantar daquela noite.

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Mais tarde, pouco antes de Ana-Lucia chegar, Sawyer estava terminando de preparar uma de suas maiores especialidades, Carpaccio Tantra, um prato afrodisíaco feito com filé mignon, rúcula, ovos de codorna e queijo parmesão. O molho, que ele agora mexia na panela estava cheirando longe. Era feito com gengibre, pimenta vermelha, azeite e mostarda.

Ana entrou na cozinha tendo sido atraída pelo cheiro bom da comida que Sawyer preparava.

- Parece que cheguei na hora certa.- disse ela.

- Olá!- saudou ele desligando o fogo da panela. Ele estava adorável usando camiseta pólo coincidentemente no mesmo tom do vestido azul dela, calça jeans, descalço, um avental branco de cozinha e um chapéu de chef. – Seja bem vinda, senhorita.

Ela foi até ele e trocaram um beijo.

- Gostaria de um vinho para começar?- ele indagou enchendo uma taça com vinho tinto para ela.

- Obrigada.- disse Ana aceitando o vinho.

Ele a observou. Ela estava usando um vestido azul com estampas de folhas, sem decote, a saia passava um pouco do joelho, mas ele achou que ela estava tão sexy. A insinuação de seus seios sem sutiã através do tecido de algodão era mais provocativo do que se ela estivesse usando um ousado decote.

- Você está...tão linda.- ele elogiou.

Ela o abraçou e então se pôs a degustar o seu vinho. Sawyer ligou um pequeno som que havia no balcão da cozinha e a voz de Sarah Maclachlan encheu o ambiente.

- Quer dançar?- Sawyer perguntou, tirando o chapéu de chef.

- Eu não sou muito boa com músicas lentas.

- Isso não é verdade.- disse ele, tirando a taça de vinho das mãos dela e trazendo-a para junto de si pela cintura.- Eu me lembro de como foi dançar com você no Êxtase. E você sabia dançar...

- Foi impressão sua...

- Nada disso!- falou ele abraçando-a e conduzindo-a na dança.

Ana tirou os sapatos e pisou sobre os pés dele. Sawyer rodopiou com ela por alguns minutos e logo estavam beijando sem parar. Mas então o barulho do forno avisando que o filé estava pronto fez com que eles se separassem.

- Hora do jantar!- Sawyer anunciou e levou-a até a mesa. Ana-Lucia ficou impressionada com os dotes culinários dele. O filé estava tenro, o molho delicioso. E a sobremesa uma luxúria. Sorvete de manga com cobertura de leite condensado e caramelo.

Ao fim do jantar, Ana sentia-se um pouco zonza porque tinha tomado três taças de vinho. Estava rindo de tudo e não parava de abraçar Sawyer. Ele se lembrou de que ela dissera ter feito faculdade e ofereceu para mostrar a Ana sua biblioteca, embora ela não estivesse com muito jeito de quem leria alguma coisa.

Ele caminhou com ela de mãos dadas até a enorme biblioteca que havia em sua casa. Ana-Lucia ficou impressionada.

- Todos esses livros são seus?

- Aham.- ele respondeu. – Meu avô comprou a maior parte deles, depois meu pai, e alguns eu mesmo comprei.

Ana caminhou por entre as estantes e folheou alguns livros, mas ao sentir os braços de Sawyer ao redor de sua cintura e a respiração quente dele em seu pescoço, ela sentiu-se derreter e esqueceu-se dos livros.

- Eu tenho uma coisa para te dar.- disse ele.

- O que é?- Ana indagou, curiosa e ele mostrou a ela os brincos.

Ela abriu a caixinha e ficou mais do que impressionada.

- Oh, meu Deus, Sawyer! Esses brincos são lindos.

- E vão ficar ainda mais lindos em você, meu benzinho.

Sawyer era tão adorável que Ana sentiu vontade de beijá-lo sem parar. Colocou a caixinha sobre a escrivaninha dele e o enlaçou pelo pescoço, beijando-o. Ele ficou um pouco surpreso com a reação dela, mas correspondeu aos beijos com a mesma intensidade.

Ele começou a acariciar os ombros dela e então o os lados do corpo, sentindo-a quente por cima do vestido. Mordiscando-lhe o pescoço, as mãos dele ousaram mais e deslizaram pelas costas dela até o bumbum, apalpando-o devagar. Ana gemeu e Sawyer a conduziu até o sofá sem parar de beijá-la.

Ana deixou que ele a deitasse ali e então uma mão dele começou a erguer-lhe a saia. Ela observou o gesto dele, mas não o parou. As mãos dele subiram e desceram pelas coxas dela enquanto ele subia mais o tecido do vestido. Ana sentiu um arrepio forte de excitação em seu corpo e o olhou nos olhos. Estavam nublados de desejo.

- O que você quer?- ela se atreveu a perguntar.

- Você sabe o que eu quero... – ele sussurrou de volta.

Ela fechou os olhos e colocou sua mão sobre a dele, levando-a consigo e fazendo com que sua saia subisse até a cintura. Sawyer pôde ver a lingerie azul clara delicada que ela usava por debaixo do vestido. Ana-Lucia manteve seus olhos fechados. Tinha chegado a hora de se entregar.

Continua...