***CAPÍTULO 11***

A casa estava silenciosa. O que era um claro sinal de que estava sozinho.

Miroku e Sesshoumaru deveriam estar em algum outro lugar. — que ele não tinha intenção nenhuma de descobrir no momento— e ele agradecia imensamente por isso.

Estava mais preocupado com sigo mesmo, para reparar em mais alguém. Ainda sentia o corpo dolorido, devido ao impacto que sofrera ao atingir a parede daquele maldito prédio onde treinaram mais cedo. Estava certo de que passariam no maldito teste, mas é claro — pensou com ironia — nada acontecia como gostaria que fosse. E ele atribuía a culpa a capitã e ao pai por tê-lo colocado no meio daquela confusão.

'Maldita seja aquela bruxa!' — pensou ao se esticar na poltrona do escritório, sentindo os músculos contraírem-se sob o estofamento frio e reconfortante do móvel, enquanto pela primeira vez naquele dia, se sentia relaxar.

Sim, ele estava aborrecido por causa do que aconteceu naquele prédio. E não, ele não conseguia de fato odiar a Capitã do esquadrão por isso.

Sentia um enorme incômodo perto dela, mas esse incômodo se valia pelo fato de que a essência purificadora dela o deixava em constante estado de alerta. Seu lado Youkai se sentia ameaçado perto daquele poder. —e ela de fato, era muito poderosa— Mas, morreria antes de admitir isso para mais alguém!

Sem contar no fato de que ela parecia saber exatamente como enlouquece-lo, fazendo-o perder a cabeça como ninguém jamais o fez, — exceto Sesshoumaru— e isso contribuí-a para deixá-lo ainda mais desconfortável em sua presença.

O irmão por outro lado, sempre teve um talento nato para implicar com ele, quando eram mais novos. E depois que cresceram, Sesshoumaru foi deixando-o em paz.

Talvez ele tivesse que lidar com os próprios problemas, ao invés de ficar chateando o irmão mais novo. Sua mãe uma vez lhe contou que Sesshoumaru assumiria o cargo de superintendente da filial de Okinawa, mas, isso nunca aconteceu. Sesshoumaru nunca comentou o motivo de ter abandonado seu futuro promissor naquela cidade. E ele nunca se preocupou em perguntar, até porque, tinha total certeza de que o irmão nunca lhe contaria. Então, por que se arriscar não é mesmo?

Depois da separação, a mãe de Sesshoumaru se mudou para lá, na intenção de preparar o filho para o cargo que estava predestinado a herdar. Mas ela de fato, só veio buscá-lo quando ele atingiu idade suficiente para assumir certas responsabilidades, e começar com o treinamento afastado dele, e de toda a sua família.

Contudo, á mais ou menos cinco anos atrás, soube do falecimento da mãe de Sesshoumaru. A causa da morte dela nunca fora esclarecida. E o mistério que cercava o caso tornava tudo ainda mais estranho. Sesshoumaru assumiu as investigações do caso e permaneceu na cidade, ele juntamente com o pai mantinham tudo relacionado a morte dela em total sigilo. Até porque o vazamento de informações atrapalhariam a conclusão do caso.

Raramente recebia informações do irmão, até que num certo dia, o pai comunicou a volta do primogênito ao lar. Assim sem mais, nem menos, Sesshoumaru abandonou tudo para se tornar um dos Agentes da corporação.

Mas ao contrário do que todos esperavam, ele não quis permanecer na casa do pai, com o restante da família, e se mudou para a casa na qual dividiam hoje.

Pensando no irmão, notara o quanto ele havia mudado no meio tempo em que estivera fora. E isso— pensou ele— era um alívio, comparado ao modo como viviam antes.

Sem perseguições, sem comentários maldosos, sem palpites... privacidade! Sim, estava muito satisfeito com a nova personalidade do irmão. Embora ele ainda pegasse um pouco no seu pé, quando estava entediado e insistia em atormentá-lo. Afinal de contas, hábitos eram difíceis de se perder com o tempo.— um sorriso se ergueu para cima com um estranho contentamento— Ainda mais quando se sabia que era uma das poucas pessoas que conseguia de fato, abalar a pose sóbria do irmão.

Sentiu o telefone no bolso da calça vibrar e retirou-o para visualizar a mensagem de texto que acabara de receber.

InuYasha...

Estou me perguntando, quando você e seu irmão pretendem vir me visitar? Seu pai deve ter avisado que farei um jantar nesse fim de semana, e que sua ausência está fora de questão, levando em conta a total falta de consideração por minha pessoa, depois que se mudaram, você e seu irmão nunca veem me visitar! Estou depressiva e sinto que vou morrer de desgosto porque meus filhotes tem me ignorado. InuYasha se você não estiver aqui exatamente as sete, juro que vou buscá-lo pelas orelhas. E isso vale à Sesshoumaru também... Com amor... Mamãe.

Ps: traga Miroku com vocês. Isso não é um pedido, e sim uma ordem.

Com um suspiro, deslizou o aparelho de volta no bolso e se afundou ainda mais na poltrona.

Sua mãe estava fazendo chantagem emocional novamente e, desta vez, não poderia simplesmente inventar uma desculpa para não aparecer neste tal jantar. A questão era; Sesshoumaru também iria? Bem, isso não importava no momento, se o irmão não fosse, ele teria que se explicar para Izaoy pessoalmente, e não InuYasha.

Sesshoumaru andava muito focado na missão, e quase não prestava atenção em nada que não envolvesse o esquadrão, 'ou'... — um pensamento lhe surgiu— 'seria a capitã que o estava distraindo?' — balançou a cabeça se obrigando a esquecer da vida amorosa do irmão. Aqueles dois viviam trocando faíscas, mas e ele tinha coisas melhores para fazer, ao invés de pensar em banalidades.— Já Miroku, bem, ele iria ao jantar de qualquer forma.

Miroku, era o oposto de Sesshoumaru. Agitado, brincalhão, as vezes até insuportável, mas ainda assim, era um bom amigo. E onde ele ia, o monge ia atrás. Miroku e ele eram muito próximos. Quando ele resolveu fazer parte da agência, Inuyasha se mostrou agradecido por ter alguém com quem pudesse conversar. Afinal de contas o irmãos estava muito longe para estreitaram os laços fraternais. E ele gostou de Miroku logo de cara. Não havia motivos para afastá-lo, e ele fazia parte da família...

Miroku era filho do irmão mais velho de Izaioy, que falecera antes dele nascer. Por mais que o primo nunca admitisse, ele era muito parecido com a mãe. Embora desconfiasse... não, tivesse total certeza, de que Miroku herdara o lado mulherengo do pai.

Lembrava-se vagamente da mãe de Miroku, os cabelos negros a pele pálida, o sorriso doce e cativante. Ele era apenas uma criança quando a vira pela primeira vez. Estava com Izaioy no corredor e conversavam silenciosamente como se temessem serem ouvidas por mais alguém. Lembrava da dor estampada na face delicada da tia que, ao flagrá-lo escondido no vão do corredor, abrira um sorriso e o afagara os fios dos cabelos perguntando se precisava de alguma coisa.

Afastou os pensamentos preocupado com o primo.

Ele andava estranho à alguns dias, e estava desconfiado de que o motivo seria uma certa tenente de cabelos castanhos e olhos selvagens com nome e sobrenome, que o fazia assumir aquele ar melancólico.

Thaijihia Sango ...

Nunca o vira daquele jeito. Miroku, nunca caíra de quatro por mulher alguma, como parecia estar acontecendo agora. E isso estava deixando-o alarmado.

De repente sentiu uma apreensão enrijecer seus músculos e de súbito se pôs de pé. Um movimento no corredor chamou sua atenção, e sem pensar, se esgueirou até a porta para averiguar. Havia deixado a arma no quarto e não tinha como acessá-lo sem esbarrar no intruso. Seu quarto ficava no fim do corredor e sem muita escolha, deixou que as garras afiassem para poder se defender.

Se inclinou até o vão da porta —e com um puxão a abriu— lançando-se em cima do vulto, que ficou preso entre ele e o chão frio do corredor .

OoOoOoOoOoO

_ Bem, já que o momento de esclarecimento, acabou... devo dizer que não vim até aqui apenas para trazer Rin.

Souta disse, sem no entanto, conseguir a atenção dos dois. Kagome estava próxima à janela observando a casa ao lado que de fato, era a casa de Sesshoumaru, enquanto o outro analisava o escritório com atenção parecendo muito interessado na estante de livro disposta na parede oposta à janela.

_Foi detectado uma espaçonave de porte pequeno, tipo um jatinho, se aproximando da cidade, e não conseguimos identificar os passageiros.

A guarda Nacional deu autorização para abatê-la, por não ter sido identificada, mas uma espécie de barreira impediu o ataque. Detectamos também, uma falha na segurança, que permitiu que sua localização fosse rastreada por um usuário clandestino.

Tentamos rastrear mas quem quer que seja, simplesmente desapareceu. Você foi descoberta Kagome e não sei se estou pronto para deixá-la aqui... — ele pausou quando a sentiu paralisar, mas ainda assim, continuou— Sabemos que Naraku esta atrás de você, mas creio eu que, ele não seja tão estupido a ponto de tentar um ataque aberto. Até porque, estou designando alguns vigilantes para me certificar de suas segurança. Mas ainda assim, peço que tome muito cuidado a partir de agora. Estou levando Rin para Kaede, não quero que ela fique na cidade nessas condições.

Sesshoumaru sentiu Kagome enrijecer mesmo de longe, e analisou seus gestos sem deixar evidente que o estava fazendo. Era claro o desconforto deles, e nessas condições, permanecera em silêncio enquanto ela falava.

_ Quero que leve Shipoo com você... — ela estava de costas para o Coronel e era notável sua apreensão pela rigidez dos músculos e os punhos cerrados ao lado do corpo.— Ele não está preparado para um confronto, e ele também é um foragido, vão querer se vingar dele assim que o virem. Não quero ele no meio disso! — ela então se virou e encarou Souta com um olhar determinado— Não me importo se Onigumo vai vir atrás de mim. Sabe o quanto tenho esperado por isso. Mas, concordo quanto ao fato de que ele não tentará nada até ter certeza de que pode obter garantias de vitória. Só que, quando acontecer, quero Rin e Shipoo fora disso. O mais longe e seguro possível...

_ Eu farei isso... — ele se aproximou do local onde ela estava e tocou-lhe o ombro— mas, quero que me prometa que, se algo acontecer, você me avisará imediatamente.

_ Claro, eu posso fazer...

_Kagome...

_ Souta, eu prometo! — ela chegou perto do irmão e roçou com a palma da mão o rosto dele com suavidade.— Por favor, confie em mim.

Com um aceno curto de cabeça, Souta concordou e encarou Sesshoumaru com uma expressão neutra, desprovida de quais quer sentimentos.

_ Vá em frente, sou todo ouvidos. — o Coronel se dirigiu à ele.

_ Bom, acho que quero saber o motivo para estarem tão desconfortáveis com tudo isso... ainda não sei como acha que posso ajudá-la a encontrar o que procura. — ele desviou os olhos dela e focou no irmão — E por favor não se ofenda... nem qual é o 'real motivo' para terem procurado a Thaysho's Corporation. — Sesshoumaru encarava a ambos com olhos semicerrados e para a sua surpresa dele, foi o Coronel quem respondeu suas perguntas.

_ Não ofendeu agente, acredite. Creio que a Thaysho's Corporation não tenha revelado o motivo pelo qual solicitamos vocês... Inuno é um conhecido de longa data, e também, um Youkai poderoso.

Kagome que até então estava com os olhos baixos, encarou o irmão empalidecendo enquanto ele falava. Se perguntava o quanto ele sabia a seu respeito, e pela expressão da morena, nem mesmo ela sabia dizer. A dúvida devia estar estampada em seu rosto, pois, logo a voz do Coronel se fez presente, respondendo todas as suas perguntas.

_ Se está se perguntando o quanto sei a seu respeito, então eu respondo. Eu sei de 'tudo'... e não foi seu pai quem escolheu vocês, fui eu. — ele olhou nos olhos da irmã e sorriu, não um sorriso alegre e sim um cansado, devastado.— Eu sinto muito. Devia ter lhe dito que sabia de suas limitações. Eu não posso permitir que se destrua Kagome... — ele desviou os olhos e deu um passo na direção de Sesshoumaru.

_ Sei que não precisa de treinamento Thaysho. Sei que superou seu pai em poder, sei que finge ser mais fraco para não se destacar, sei que seu irmão é um meio Youkai, que embora seja estourado, também é forte o suficiente para comandar um batalhão formidavelmente. Escolhi Houshi Miroku por ser como Kykyou e juntos serem capazes de selar Kagome novamente...

_ Você nos escolheu? Qual o propósito disto? — seus olhos recaíram sob a forma delicada de Kagome e tudo fez sentido. Ela olhava o irmão como se estivesse atordoada.

_ Como assim, me selar novamente? — ela sussurrou incapaz de firmar a voz — Souta, nós só precisamos da joia...

_ Não há esperanças para recuperar a joia Kagome... eu sei exatamente onde ela esta neste exato momento, e não posso deixar que se aproxime dela. Pois foi corrompida e qualquer contato que tenha com ela, irá corrompe-la também. — ele parecia esgotado.

_ Eu não...

_Entendo? Claro que não, você não fazia ideia do que acontecia na Centráx! Como entenderia? Nosso pai manteve você longe porque éramos alvo naquela época, e ele não poderia correr o risco de deixar que a levassem. Mas isso não vem ao caso agora. Kagome esqueça a joia, pois se tocá-la ficará escrava do portador da joia. Um ser com poder de dizimar um país inteiro, uma arma nas mãos do inimigo... uma arma nas mãos de Naraku...

Ela exalou surpresa e horrorizada, seus olhos obscureceram como se perdesse a alma mas a voz estava carregada de sentimentos, ódio, tristeza, amargura tudo misturado em um turbilhão de sentimentos que ela se esforçava a para segurar. ' a joia esta com ele'— gritava sua mente.

_ Está me dizendo que estou vulnerável? Que ele pode me forçar a servi-lo sem nem ao menos ter a chance de recusar? De lutar?

_ Eu sinto muito. — ele se voltou para Sesshoumaru— Mas o selo pode ser restaurado... Só que o preço é alto. Pensei que teria mais tempo, mas não tenho e mesmo que eu odeie isso, tenho que lhe dar a chance de escolher...lhes dar a chance de escolher...

_ O que você quis dizer com isso? — questionou Sesshoumaru.

_ Estou dizendo que, para isso dar certo, vocês precisam fundir as almas, fazer uma aliança secular. Por que acha que fiz tanta questão de colocá-los em residências tão próximas? De trabalharem juntos? Queria que um vínculo se formasse entre vocês, e deu certo, já que Kagome assumiu um risco enorme curando você.

Os dois estavam chocados.

_ Não era a minha intenção revelar nada agora. Mas não tenho escolha. O ritual pode acontecer apenas entre uma alma demoníaca e uma alma pura e legítima. Se o selo for refeito, sem a aliança, você corre o risco de morrer pois o ritual é traiçoeiro. — ele se voltou para Kagome— Se tiver uma aliança secular com um Youkai forte, a alma dele ancorará a sua, e a aliança os unirá eternamente. Embora eu não goste desta parte, é o único meio de conseguir seu selo de volta.

_ Isso é loucura... — ela sussurrou erguendo os olhos para Sesshoumaru. O azul se prendendo ao dourado em uma pergunta silenciosa 'você concordaria com isso?'

Ele por outro lado mantinha a expressão impassível quando perguntara ao Coronel, ignorando a Capitã do esquadrão.

_ Quais seriam as consequências dessa aliança?

_ Bem, vocês estariam ligados para sempre. Atados um ao outro como um só. Mas isso pode ser negociado...

_ Isto já foi feito alguma vez? — era Kagome quem perguntava ao irmão.

_Sim, a muito tempo atrás.— ele respondeu— Mas somente funciona com Youkais completos e sacerdotisas legítimas. Eles tem que suportar a troca de Sangue para o pacto funcionar. Um meio Youkai não suportaria o sangue de uma Miko e uma sacerdotisa comum não suportaria o sangue de um Youkai completo. O mais fraco sempre sucumbe com o poder do mais forte. Sem exceções.

_ E o que eu ganho com isso? — Sesshoumaru deu as costas para os irmãos e encarou a estante de livros passando os olhos rapidamente pelos títulos sem de fato ler os nomes, sua mente era um turbilhão de coisas sopradas a esmo, e ouvia uma voz primitiva rasgar seus pensamentos como uma lança, 'MINHA, MINHA, MINHA'... fechou os olhos e obrigou-se a assumir o controle.

_ Bem, não vou viver para sempre Thaysho. E minha irmã não pode tomar conta de tudo sozinha... estou lhe oferecendo minha patente, minhas ações, uma fusão entre a Centráx e a Thaysho's Corporation, um legado de mais de cem anos, e é claro uma chance de vivenciar isso tudo, por que, se Kagome cair nas mãos de Naraku, será o fim de tudo que um dia existiu. Mas sem pressão. Nós não temos todo o tempo do mundo, mas vou dar até amanhã para pensarem no assunto...

_ Não há necessidade...— ele virou-se de frente para ambos e seus olhos passaram do Coronel para a Capitã, e permaneceram focados nos dela, enquanto um leve arquear de lábios se erguia na lateral de sua boca— Eu aceito a aliança secular, Coronel. Mas não tenho interesse em sua patente nem nas ações, quanto a fusão, pode ser vantajoso para ambos os lados, mas quero que saiba que tenho os meus motivos para aceitar isso. Mas, ainda não é o momento para entrarmos nesse assunto. Resta saber se a Capitã também concorda com a aliança...

_ E eu tenho escolha? Se continuar como estou posso machucar pessoas, como machuquei você e seu irmão hoje... e ainda posso me voltar contra tudo em que acredito sob a influência de Onigumo... — ela fez um gesto negativo com a cabeça e assumiu um ar decidido, irrevogável— Não. Farei qualquer coisa para evitar isso. Eu aceito a aliança.

OoOoOoOoOoO

_ O que você acha que está fazendo InuYasha?

A voz familiar, o fez se afastar e abaixar as garras para então, fazê-las voltarem ao normal.

_ Miroku... o... o que você esperava? Você me assustou, entrando aqui silenciosamente como acabou de fazer! — respondeu irritado acusando-o — O que tinha na cabeça cara? Que droga está acontecendo com você?!

A sua frente, Miroku ainda estava sentado no chão com expressão de assombro devido ao susto que levara.

_ Não está acontecendo nada! — ele murmurou mal humorado e por fim levantou-se encarando o primo.

_ Então porquê estava andando sorrateiramente pela casa a noite? — perguntou estreitando os olhos na direção de Miroku.

_ Eu moro aqui, gênio.

_ Sim, disso todo mundo sabe. Mas, porquê estava perambulando pela casa como um criminoso?

Por um momento, achou que não seria respondido, mas depois de um suspiro, Miroku começou:

_ Estou cansado. Cansado de não saber onde minha vida vai parar, com quem vai parar, ou se nunca terei alguém por quem parar InuYasha... — Miroku suspirou, parecia esgotado, triste e desiludido. — Não queria ver nem falar com ninguém, por isso estava indo para o quarto como um criminoso. Fazia silêncio para não chamar a atenção...

_ Esta assim por causa da segunda tenente, imagino. — arriscou InuYasha. Mas Miroku fez um gesto negativo com a cabeça e ele então se calou.

_ Ainda não conseguimos ter ao menos uma conversa que não envolvesse softwares e programas de computadores, e sempre que eu tento, faço algo de errado, e ela me estapeia e sai pisando duro...— ele encarou InuYasha e simplesmente deu de ombros afastando a melancoliaquecarregavanos olhos e entrou no escritório sendo seguido pelo primo porta adentro. Miroku se recostou no gabinete do escritório, e observou InuYasha se sentar na poltrona onde estivera sentado anteriormente, então continuou.

_ Estava com seu pai... Sabe, ele estava muito interessado no treinamento... mais precisamente na Capitã Higurashi e na tenente Takeda.

_ O que quer dizer com isso? — a menção ao nome de Kikyou o fez desconfiar do rumo daquela conversa.

_ Ele queria saber se aprendemos algo com o treinamento... Sabe, se elas são tão boas quanto nós, coisa deste tipo. Ele sabe que isso é um teste e não está satisfeito por não termos passado ainda.

_ E o que você disse à ele?

_ Eu disse a ele, que elas eram muito boas no que faziam... Principalmente, naquelas coisas de paranauês e tudo mais...

_ E o que mais ele queria saber? — ele perguntou recebendo um olhar azedo do primo.

_ Olha, eu sei que você gosta da senhorita Kikyou, eu também gosto da senhorita Sango, mas até você tem que admitir que é estranho que justo agora, o tão famoso Esquadrão da Centráx, resolva pedir ajuda aos agentes da Taysho's Corporation. Este treinamento, os ataques no Japão assim do nada... bem, talvez não tão assim do nada mas, até eu tenho que concordar com ele de que há algo muito estranho à respeito de tudo isto...

_ Sim até ai eu entendo, mas, porquê logo agora? Porque se questionar sobre as razões deles justo 'agora' depois dele ter aceitado colaborar com o esquadrão?— InuYasha cruzou os braços tentando entender a que ponto o primo ia chegar.

_ Tem a ver, que seu pai está preocupado com os resultados da missão. Mais precisamente da periculosidade que estamos dispostos a enfrentar, por uma causa da qual nem sabíamos até umas semanas atrás... os ataques estavam acontecendo sim, mas a ligação de Naraku à eles era remota, e sua existência desconhecida até então... —'pelo menos para vocês'— pensou Miroku desviando o olhar e indo até a janela onde podia observar as folhas das árvores caírem dos galhos e se amontoarem no chão numa dança silenciosa e delicada ocasionada pelo vento.

_ E, o que você disse à ele?

_ Não é difícil descobrir... Como já havia dito antes, eu gosto de Sango, e querendo ou não, ela faz parte do esquadrão. Disse que confio na senhorita Kagome e que acredito no resultado positivo da missão... que estamos aprendendo com o treinamento, e que seriamos bem sucedidos tanto para passar no teste quanto para concluirmos a missão.

De repente o peso que carregava o esmagou tão profundamente que achou difícil encher os pulmões de ar. Se afastou da janela e se jogou em um sofá recostado ao lado da estante de livros, que costumava usar para descansar quando usava os computadores para trabalhar varando a noite e ficava tão acabado que simplesmente não conseguia chegar até o quarto para descansar.

Encarou InuYasha ponderando se chegara o momento de compartilhar o que a muito escondia, ou engasgava e sucumbia com aquele segredo. Ele não podia mais guardar aquilo para si mesmo, e tomando sua decisão, desviou o olhar para a porta longe do olhar de InuYasha, e então começou num fraco murmúrio temendo o que estava prestes a contar.

_ Eu nunca contei isso a ninguém, mas eu conheço Onigumo, InuYasha... eu o conheci no ataque que dizimou o monastério onde eu cresci a mais ou menos dez anos atrás...

OoOoOoOoOoO

_ Ótimo... que estamos resolvidos, vou ver Rin na cozinha. — o Coronel disse dando um beijo na testa de Kagome e se retirou, deixando Sesshoumaru e Kagome a sós.

Sesshoumaru caminhou até Kagome que permanecera próxima da janela, e tocou a malha do roupão que começava a manchar com o sangue que devia estar saindo pelo corte aberto na clavícula dela. Ela por outro lado, mal parecia notar a presença dele perdida em pensamentos e quando o notou, se sobressaltou surpresa e desviou os olhos para longe dos dele, enquanto se sentia ruborizar.

_ Está sangrando.

_ Eu não me importo...

_ Posso? — ele perguntou encarando a pequena mancha de sangue. Tinha certeza de que o corte se abrira quando o Coronel segurou-a momentos antes na sala, no momento em que soube o que ela fizera com ele.

_ Não há necessidade. Não há nada que um bom banho quente não cure...— ele apenas à ignorou, e desatou o nó do roupão deslizando-o pelos braços dela até ele cair no chão— O que você está fazendo...

_ Fique quieta. Apenas fique quieta!

Respirando fundo ela se limitou a encará-lo decorando cada traço de sua fisionomia, enquanto sentia os dedos esguios de Sesshoumaru passarem sob o tecido da camisola fina que vestia, e então a pele exposta do ombro que ele descobrira, enviando um arrepio por sua espinha.

_ Esta mesmo disposto a selar sua alma com a minha sem ganhar nada em troca? — ela perguntou sem desviar os olhos dos movimentos dele.

_ O que a faz pensar que não ganho nada aceitando a aliança secular? — ele encarou os olhos dela esperando uma resposta.

_ Bem você disse que não estava interessado em nada do que o Coronel lhe ofereceu, pelo menos foi o que você disse ainda a pouco aqui, no escritório onde estamos agora.

Os dedos dele deixaram os ombros dela e subiram pelo pescoço e então retirou uma mecha de cabelo do rosto dela colocando-a atrás de sua orelha.

_ Depois do que vi hoje, está mais do que claro de que você precisa urgentemente de ajuda. E seu irmão não precisa me oferecer nada, para conseguir isso de mim... — ele pausou e seus olhos cravaram-se nos lábios dela— pois o que eu quero dele, já me foi oferecido pela proposta da aliança...

_ Eu não entendo... — ela sussurrou entorpecida quando ele apoiou a mão por trás de seu pescoço e lentamente a puxou para si.

_ Tudo o que eu quero, é estar ligado à você... desde o dia em que coloquei meus olhos em você... — ele estava a poucos milímetros dos lábios dela e suas respirações se misturavam como uma só— Eu esperei muito para que isso acontecesse...

E então ele a beijou. No começo, como um leve roçar de lábios, mas quando ela fechou os olhos, ele se perdeu nas profundezas das sensações que os lábios dela lhe traziam e aprofundou o beijo, sentindo um triunfo e um desespero primitivo, a puxou para si, enquanto a voz em sua cabeça gritava enlouquecidamente.

'MINHA, MINHA,MINHAAAA!'


N/A: E ai galera do mal, tudo na paz?

Então... demorei mas postei ^.^

Mas, então, tenho que me explicar. É que eu me viciei nos instrumentos mortais de Kassandra Clare e não parei, até ler o ultimo livro, então super recomendo gente. É uma história linda cheia de revira voltas e intrigas muito interessantes. Nada meloso e fraco, podem confiar.

Voltando ao assunto, ai está as revelações de que falei, mas isso foi apenas a pontinha do ice Berg que eu tenho que esclarecer. E enfim houve o tão esperado beijo... E é ai que a treta começa, como vcs podem notar, Sesshoumaru tem um lado obscuro que já reivindicou Kagome para si. Mas isso não quer dizer que ela vai aceitar numa boa, então comentem minha gente! Deixem seus palpites e vamos ver quem vai acertar qual será a reação da Kagome quando ela se der conta do que esta acontecendo.

Um beijão pra vcs é até o prox Cap... XD