Por amor

12 capítulo: Tears I Cried!

By: Anna Lennox

Beta: Kyhara Tao

Legenda: N/A (NOTA DA AUTORA)


Sakura fechava e abria os olhos, a boca seca e pálida contrastava com a tez branca e os olhos esbugalhados. Não era a imagem de beleza e vivacidade de minutos atrás. Estava morta e não sabia... Seria fácil se essa fosse a realidade. Mas não era, estava mais viva do que nunca, se não, não sentiria aquela dor insuportável que ultrapassava seu coração e perfurava seu útero.

Sangrava...sangrava...e cada vez mais se via distante da vida e mais perto da morte. O liquido carmim escorria pelas suas pernas, manchando a camisola de flanela e ensopava o lenço branco.

Era seu sangue que escoava aos poucos, fugindo como pestes de seu corpo contaminado pela a inveja.

Abrindo mais os olhos, Sakura viu uma grande ave dourada, que emitia gruído incompreensível.

-Ama...ama.-sussurrou pegando a mão da velha, que dava ordens as criadas.-Por favor...

Puxando o assento de madeira, a Ama não escondia o nervosismo, mas tentava, em vão, conter o medo. Sua menina nunca sofrera de moléstia tão súbita e estranha. Outra hora ela estava feliz com o filhote no colo no outro segundo sendo carregada pela consorte como uma boneca de pano sem vida. A febre não cedia e a hemorragia não parava, já fizera de tudo, mas esse "tudo" fora insignificante.

Sua menina estava morrendo e nada podia fazer... se ao menos Shoran atendesse a seu chamado. Mas já não tinha esperança. O Imperador sumira!

-Fique calma, querida.-pediu acariciando a tez suada.

-Eu vejo...ama...

-Vês o quê?-perguntou em tom neutro tentando não cair no mar de agonia.

Sakura fitava um infinito abstrato...cada fez mais distante, cada fez mais morta...

-Um pássaro... ele é belo...dourado como apenas Buda ou mestre Tao poderiam ter sido. –respondeu infantilmente, olhando para o teto branco e limpo.

Meiling olhou assustada para a empregada, que lançou um olhar de censura, ordenando a ela que permanecesse em silêncio.

-Pássaro...

-Sim...

Aquilo só podia ser fruto da febre, que aos poucos escurecia e findava a consciência de Sakura.

A expressão alegre mudou para o negro sem explicação. Os olhos verdes ficaram mais dilatados e rosto branco. Soltando soluços de dor, Sakura tremeu.

O pássaro estava indo embora...ele estava voando. Batendo as assas e soltando um ruído que agora machucava seu tímpano.

-Ele está indo...-gritou se debatendo.-Eu tenho que ir com ele...

Segurando os braços de Sakura, a Ama tentava acalmá-la em vão. A jovem com rosto angelical se debatia como um demônio...era um demônio. As unhas afiadas cravavam em sua pele frágil, rompendo veias, fazendo hematomas surgirem do nada.

Contudo a dor não se fazia presente, apenas o desespero era latente. Sakura queria ir...e talvez jamais voltasse. Se isso acontecesse jamais se perdoaria...

Tinha que toma uma decisão. Havia muito em questão...Sakura era uma jóia insubstituível.

-Solte-me...não vês que ele vai para nunca mais voltar.-gritou com lágrimas nos olhos.-Me deixei...me deixei...

-Eu estou aqui, pequena.-sussurrou abraçando a joven.

-Mas eu quero ele! Eu quero...eu quero...

Olhando para a jovem chinesa, que estava engolida no canto do quarto, tremendo dos pés a cabeça, ordenou:

-Você, Meiling, Fique com a imperatriz. -suspirando ao ver que Sakura tinha dormido e já não lutava mais.

Temerosa, Meiling sentou aos pés da cama. Não, não queria tocar, muito menos olhar para aquela mulher que nada se parecia com o anjo que tinha imaginado. Os "sés" dominavam seus pensamentos...porém não tinha outra alternativa. Estava em divida e a austera criada não aceitaria um não.

Tinham muito a perde por tão pouco.

OooO

-Não precisa ser bruto...-resmungou Yé ainda encolhida, com a face pálida, com as duas mãos sobre a barriga. Usando de uma tática velha, porém não menos infalível.-Nada fiz, apenas queria...

-Desde quando uma mulher "quer" alguma coisa, Yé?-perguntou sarcástico.-Já tínhamos conversado sobre isso antes. E deixei bem claro que, por mais que gostasse de você, jamais voltaria a tocá-la.

Ele havia deixado...aliás, Shoran sempre deixava bem claro qual era a sua fraqueza. Como um meio de fugir dos problemas sem se importar com nada a não ser com o próprio ego.

-E eu prometi que não voltaria a procurá-lo se essa fosse a sua vontade.-falou friamente, entrando no campo de foco de Shoran.-Porém algo mudou...eu mudei. Não vês minha barriga!-concluiu passando a mão no ventre volumoso.

O frio na barriga, o coração acelerou, faltou saliva e os olhos por nenhum momento se desfiaram do voluptuoso abdome de Yé.

-A nossa última noite teve um fruto, Shoran.-se aproximou, aproveitando do momento de estupor do jovem.

Yé estava grávida...e nada lhe parecia mais aterrorizante do que ter um filho com a amiga de infância. Não fora isso que planejara...não era esse o seu desejo. Contudo não conseguiu conter a tímida explosão de felicidade.

Iria ser pai.

Pai...pai de um filho que não era de sua esposa.

-Não podia ficar em Yunnan.- ela disse em tom dramático, simulando um choro, um desespero que não sentia.-Não poderia condenar o nosso bebê a caos e fome...queria um futuro melhor a ele, que não fosse trabalhar em minas de minério. Ele é seu filho, e merecia ser feliz e ter um pai...

Shoran não escutou, a mente vagava por um lugar longe...bem longe do alcance de quem quer que fosse. O coração estava repartido entre a felicidade e a aflição. Não poderia deixar seu filho ser um bastardo e muito menos queria expor Sakura ao constrangimento. Ela era uma mulher de fibra, com sentimentos e razão, separada por pequeno pináculo.

Sakura jamais aceitaria a poligamia... seria mais do que traição, seria uma afronta. Ele próprio não desejava outra esposa, porem não poderia deixar seu primogênito nascer à ilegalidade. Ser um ilegítimo...

Ainda mais que, mesmo que remota aquele bebê não poderia ser seu filho. Conhecia Yé tão bem como decorá-la a carta geográfica de Hong Kong, Sabia que o sangue quente às vezes subrepujava a razão, e a mulher fria e calculista cometia loucuras para ter aquilo que tanto deseja...

-Toque no meu ventre.-pediu ela estendendo a mão esquerda.-Só assim não terás duvidas de que esse é o seu primogênito.

Shoran abriu as mãos indo por conta própria no ventre.

Por segundos, permaneceu ali...até que percebeu que Yé chorava.

-Eu não tenho por que menti, Xhao.-as lágrimas de uma emoção genuína e honesta pela a primeira vez comoveu Shoran, que com as pontas dos dedos limpou as gotas, que desciam calidamente pela a face pálida.-N...não queria estar aqui...mas o meu extinto materno falou mais alto.

-Shhh, eu sei!-falou em tom amoroso, voltando a acariciar a barriga.

-Xhao...não desconfie de mim... Sinta-o...é o nosso menino.-falou guiando a palma da mão dele até o local que o neném chutava.

Yé sorriu de contentamento ao ver a íris de Shoran brilhar ao sentir os movimentos do filho de ambos. Naquele instante toda a luta e sofrimento valera a pena...Shoran estava aos seus pés, naquele momento pelo filho e logo como seu marido, já que ficaria viúvo. Não acreditava que linda Sakura saísse com vida daquela hemorragia, que surgira do nada, que só reforçava a tese que a sorte estava com ela.

-Sei que seremos felizes juntos.-falou ela se arrependendo logo em seguida, pois Shoran se afastou rapidamente.

-Não sei se isso é possível, Yé.-falou decidido.

-Por quê?

-Não sou mais um homem livre.-respondeu coçando os olhos.-Tenho uma esposa e a respeito a ponto de não querer ter mais um casamento.

-Não peço que se case comigo.-falou decida.-Posso ser sua concubina. Garanto que ela jamais saberá...

-Não gosto de desonestidade, Yé.

-Não seria crime...

-Mas amo Sakura e não seria capaz de mentir para ela.

-Então renegara a mim e a seu filho?-perguntou indignada.

Passando as mãos frias no rosto quente, Shoran, conteve o impulso e não fugiu. Yé lhe cobrava algo que não podia dar...não agora que descobrira algo de puro e especial em sua união com Sakura. Contudo, era contra o princípio de abandonar a mulher à qual fora sua por muito tempo e que agora implorava por ajudar.

-Então Shoran, vai fugir como seu pai?-jogou baixo, e atingiu o objetivo.-Vai me deixar mau falada na boca do povo? Não quero um filho bastardo!

Com o estomago contraído, deu as costas para a mulher.

-Me dê um tempo, Yé.-pediu com a voz rouca.-É só isso que peço...

-Sei...-falou com descrença.-E aonde ficarei até que tome a sua decisão.

-Designarei mucamas e se hospedará no palácio Xingha.-anunciou.-Agora preciso...

Não terminou a oração, por simplesmente saber que não tinha o dever de dar qualquer tipo de explicação a Yé. A única que necessitava de suas desculpas era Sakura...quebraria seus votos, magoaria o frágil coração e mesmo assim pediria perdão pela a sua cruel traição.

Com o peito rasgado sabia que não havia escapatória...

-Não estou lhe pedindo algo impossível, Ting.-falou áspera.-A Imperatriz não está nada bem, necessito saber onde está Shoran.

Com o peito estufado, o velho enfadonho não dava sinais de que iria ceder ao apelo desesperado da criada. Recebera ordens e não quebraria a sua palavra.

-Recebi ordens, e não posso quebrá-las.

-Não seja turrão homem. -vociferou ama, acertando um discreto chute. Sorriu discretamente ao ver o rosto perder a cor aos pouco.

Emitindo o gemido, Ting praguejou. No seu tempo as mucamas sabiam qual eram os seus devidos lugarers...será que teria que ensinar a velha qual eram as regras de conduta ali? Bem que uma boa sova na nádega não seria uma idéia má. Ainda mais que teria um imenso prazer em dá-la já que a chinesa-serva era um velha bem ajeitadinha...Certamente era capaz de satisfazer um senhor (tão importante e sagaz) como ele na cama. Assim não se sujeitaria a se deitar com qualquer uma para contentar seus desejos pecaminosos.

-Mulher daninha.

-Homem sem cérebro.

-A senhora acha que vais conseguir algo me insultando!

-E o senhor pensar que estou mentindo!-rebateu extremamente nervosa. -Olhe as minhas mãos?-falou esticando as mãos para ele visualizar.-Esse é o sangue da minha Sakura...eu já não sei o que faço.-concluiu com voz a embargada.

Surpreso, Ting não tirou os olhos das mãos manchadas. Não era férula da mulher, via o desespero estampada em sua face enrugada.

-Não sei o que aconteceu...-continou com tom mais ameno.-Ela estava bem conversando, e como do nada, caiu e teve o principio de hemorragia. Meiling e eu tentamos de todas as formas ajudá-la, mas agora nem mesmo meu dom como benzedora pode fazer alguma coisa.

Shoran jamais o perdoaria se caso por sua lerdeza e o senso de estar fazendo o certo acarretaze na morte da Imperatriz. Ainda mais sabendo do surto da febre "do demônio" (N/A: Febre Tifóide) que assolava as mediações do porto de Taijing.

-Eu não posso perder meu tempo, senhor. Por favor, só preciso saber onde esse bendito homem se meteu?

-Xiaosheng estava indisposto e resolveu espairecer no jardim aquecido.-informou com voz hesitante.

Suspirando, a Ama começou a andar, dando passos fortes, deixando velho Ting encantado. Com a certeza de que ela seria sua esposa... Shoran não iria negar um pedido seu nesse sentido.

Yé andava em círculos, furiosa, amargurada e revoltada. Por um minuto ele havia voltado a ser seu e no outro a imagem perversa da outra o roubava dela novamente.

Como a odiava...

Era um sentimento que parecia não querer abandoná-la. De repente a garota de olhos verdes era a culpada por todos os seus infortúnios.

Fechando os olhos...podia vê-la no rosto de seu pai.

A boca salivando, o mau-hálito, o cabelo desgrenhado, a barba por fazer, segurava o pedaço de bambu na mão e sussurrava palavras feias, a culpando, a humilhando, a agredindo...

"Menina má...você é a única culpada...matou soa mãe, roubou meu poder...destruiu minha vida , e por isso irei marcá-la e feri-la, para assim não se esquecer de que és a máxima culpada..."

Vinte, vinte e cinco, trinta, trinta e cinco, quarenta, quarenta e cinco, cinqüenta chibatas.

O corpinho infantil ensangüentado e desfalecido foi encontrando jogado no lixo pelo menino que marcaria a sua vida.

Esse sim, com mais força do que o pobre bêbado, pensou passando a mão na cicatriz no pescoço, resultado da surra que levara de seu pai.

Olhando para o lado viu a figura sem vida de uma mulher.

Mulher?

Não, era uma menina. Devia ter menos que quatorze anos, vestia roupas simples e esfarrapadas, a face estava branca, não por medo, mas sim por fome. Os olhos tinham um brilho indescritível...eram negros, negros como a noite, silenciosos...sem vida...sem expressão.

-Quem é você?-perguntou ríspida.

Respondendo sem olhá-la:

-O senhor Imperador me desígniou como sua serva.

Gargalhando, Yé andou até a jovem, que ao seu ver, não era tímida, apenas recatada demais, mas que no fundo lhe seria útil.

-Qual é o seu nome?

-An Jing!

Andando ao lado da Ama de criação de Sakura, Shoran não sentia nada a não ser um desespero que consumia o seu dom de raciocinar com clareza.

Sakura estava morrendo?

Como? Por quê?

Não sabendo no que acreditar, andava a esmo.

"Há minutos estou a sua procura... Onde estava?"

Estava descobrindo a verdade que mudaria a sua vida...que não fugia de seu plano original, que era de nunca ter um herdeiro com Sakura, mas que havia perdido a razão de ser no momento em que descobrira que ela era a jóia mais preciosa que tinha.

"Sakura...bem...ela não está nada bem, Xiaosheng. Perdeu muito sangue, e aos poucos está se distanciando...tenho medo...tenho muito medo...Foi assim que a mãe dela morreu!"

Abrindo a porta, Shoran adentrou. Olhando para Meiling, que rezava aos prantos, deixou os olhos caírem sobre o corpo imóvel de sua esposa.

-Não...

Ali estava ela, deitada sobre a mesma a cama na qual se amaram há horas atrás, pálida, sem um vestígio de vida.

-Eu não tive culpa, Shoran...-sussurrou Meiling ajoelhando aos seus pés. Naquele instante, não tinha olhos para a jovem, mas sim para Sakura...-Estávamos conversando...e do nada Sakura caiu...eu tentei ajudá-la, mas fui impedida por Y...

-Cala-se, Meiling.-sussurrou a velha, tomando a pulsação do corpo imóvel.—O seu desespero não vai ajudar em nada, se acalme.

-Mas...-tentou rebater segurando com força a calça do primo, porém foi reprimida com um empurrão.

-Fique quieta!-gritou Shoran sem ao menos encara a face constrangida da menina.

Marchando até o leito, Shoran olhou horrorizado para a poça de sangue que se formava no lençol branco. Sua respiração era pesada e lenta...marcada por picos de desespero.

Aquela, nada se parecia com a sua esposa...a face estava banhada pelo o suor assim como o resto do corpo.

-Ela teve alucinações...-falou Meiling ainda trêmula, encostada na parede.-Chamava pelo o pai... sussurrava seu nome...e perguntava sobre o pássaro dourado... em alguns instantes ficou agressiva, arrancando fios e mais fios de cabelo.

Pegando a mão esquerda dela, ele retirou os fios ali preso.

-A cada minuto ela fica pior...-sussurrou a Ama.

-Mande chamar o Wao Po.-ordenou Shoran a prima, que não seu moveu.-Ande logo, sua lesma!

Assustada, deu um pulo abrindo a porta, e saindo correndo pelos os corredores em buscar do velho médico do Imperador.

Com as mãos espalmadas sobre o corpo, Sakura repousava com certa tranqüilidade, o que não tranqüilizou. A paz dela o amedrontava...era como se ela estivesse se entregando a morte sem lutar.

A cálida Lágrima escorreu pela a face, sem ao menos percebe. Sentando mais perto, olhou para o rosto esbranquiçado, a dor riscou a sua alma com um xis gravado em seu peito.

Sakura agonizava e ele com todo o seu poder nada poderia fazer para poupá-la do mal invisível. Um amigo imbatível, que aos poucos a levava embora, sem se importar. Ignorando seus apelos, seu coração e sua razão...

-Lembro de Sakura aos quatros anos de idade...-sussurrando, a ama encheu a jarra com água fervendo, soltando vapor.-Não sabia falar, apenas gesticulava reclamando da sapatilha apertada, que a impedia de andar como queria. Tinha o gênio forte, ao contrario de Mao que era um menino chorão e sem força de caráter.

-Ela tem um gênio forte.-falou Shoran sorrindo, acariciando o lábio descascador e cheio de feridas por causa da febre alta que acometia.-Eu não sei o que vou fazer ser algo...

-Nada vai acontecer.-corrigiu a velha, andando com jarra pesada até a cabeceira esquerda da cama, depositando a peça de barro na escrivaninha de pau-rosa.-Sakura é forte...não vai perecer...-concluiu em preze.

Ainda eram jovens...se conheciam a tão pouco, mas mesmo assim, já era dependente do carinho e amor da esposa. Não esperava por isso, mas acontecera e já era tarde demais para lutar contra aquele sentimento crescente.

-Eu prometi protegê-la...-falou em um fio de voz, chegando a face da dela.-Amá-la...e fazê-la feliz...mas...mas...não sei...se vou ser capaz...-tinha tantos problemas, era a situação caótica da política, era Yé, era o sue filho e agora a doença da única pessoa que confiava.

Olhando para ele detidamente, a Ama viu o soberano imerso pela a própria fraqueza. De mãos atadas, não podia escrever o destino, como ele pensara. Perder o controle seria o próximo passo para demência findada.

-Se Sakura vier a perecer não será sua culpa, senhor.-confortou o homem que não queria suas palavras e sim uma solução.-Será essa sina dela... e conhecendo a minha menina como conheço, tenho a certeza de que nunca iria condená-lo. Não transforme esse sentimento bonito em um egoísmo que só vai empurrá-lo para um abismo escuro e silencioso.

Não deu ouvidas às palavras sábias da anciã. Concentrou em sua própria fé, se esquecendo de todos os restos de sua vida...só sua promessa o movia.

Shoran acompanhava todos os movimentos do doutor. Contrariando a sua burra esperança, o aspecto de Wao não era um dos melhores... A cada toque, a dor transpassava pelo olhar enrugado e a transpiração gotejava no chão.

Sem forças, Sakura acordara, mas não tirava os olhos do teto. Parecia um estatua de pedra...sem vida...em coma.

Pondo-se de pé o curandeiro, olhou para a menina que cuidara desde os primeiros anos de vida. Era apenas sombra do que em uma hora fora... A doença avançava com força total impedindo os anticorpos de reagirem a tamanha violência.

Só a fé salvaria Sakura...

-Desembuche de uma vez, doutor.

-Senhor, espero que mantenha a calma. –pediu Wao percebendo a exaltação do imperador.

-Mantenha a calma? Eu não quero ser calmo.-respondeu sarcástico.

Coçando a cabeça, olhou para a senhora que estava encostada na parede, se segurando para não cair. Não era preciso dizer algo... O extinto maternal falava mais alto e dizia a verdade em uma situação como aquela.

-O estado da imperatriz é grave...-falou mordendo os lábios.

Shoran abaixou a cabeça, quando voltou a olhá-lo tinha um brilho sofrido nos olhos.

-Grave...como...assim?-perguntou revoltado, rangendo os dentes.

-Ela perdeu muito sangue, a pulsação é lenta, a febre não cede por um minuto... ela está em coma.-diagnosticou ele, com coração espremido.-Temo que seja a Febre Tifóide, e se caso for, não sei se sou capaz de curá-la.

Sakura não seria a primeira a tê-la, mas sem dúvida, a doença não a pouparia em nada. Demoraria meses para a sua recuperação... isso se ela conseguisse vencer aquele obstáculo.

-Como não pode salvá-la!-falou o soberano em desespero. A razão fugia do seu consenso, da mesma maneira que via a sua mulher morrendo aos poucos, e seu médico nada podia fazer...ele tinha que fazer...ele tinha que curá-la.

-Apenas a fé que recomendo nesse instante. Além de que a mantenha sempre limpa e que ela beba muita água.

Só? Sakura não teria a mínima chnce, pensou Shoran insano, pegando o velho barbudo pela gola de suas vestes.

-Se caso Sakura perecer te perseguirei até o inferno se for preciso.-ameaçou, sentindo o sangue fermentar.

-Nada mais posso fazer pela Imperatriz.-diz o médico assustado.-Esse é o décimo caso de Febre epidêmica nessa região. Como percebeu senhor, eu não durmo há dias e me alimento pouco. Se caso eu fosse Buda eu não hesitaria por nenhum momento criar um antídoto para curar...mas não sou!

Apertando mais o colarinho do doutor, Shoran sentiu o desejo assassino. Sua mulher não tinha esperança...nem ao menos remédio. E a culpa era daquele bastardo a sua frente...

-Solte ele, Shoran.-pediu a Ama com os olhos vermelhos.-Isso não vai resolver nada.-concluiu olhando apara o rosto da menina, que se alimentara de seu leite. Acariciando, voltou a chorar e a rezar.

-Escute a velha, senhor.-implorou o homem.-Sou apenas humano...só Buda sabe de nosso destino. Reze ... reze, e se em menos de duas luas crescentes a febre ceder quer dizer que ela está curada.

Mudo, prendeu os lábios, mordendo a língua, no momento em que retirava o peso das mãos, deixando a figura miúda fugi como uma formiga assustada.

"Não importar que a escalada seja difícil e íngreme o importante é chegar ao pico..".

Paralisado, fixou na criada, que aos pés da cama cantava, deixando o pranto toma conta do corpo.

Ele não tinha fé... tudo que amava partia... tudo que adorava se afastava com um simples toque.

Tinha que fugir...tinha que fugir senão seria engolido pela onda.

Seis dias depois...

Sakura ainda estava em coma, porém a cada dia tinha uma melhora significativa. A hemorragia cedera na mesma noite e febre no dia seguinte da inesperada doença. A babá não saíra por nenhum momento do lado da convalescente, ao contrario do marido que por nenhum momento fora visitá-la, gerando comentários maldosos dos criados e a felicidade de Yé, que comemorava em silêncio a pequena vitória.

Já era conhecida como a primeira concubina do imperador. Um boato que ela mesma se encarregara de espalhar, inventando detalhes mórbidos dos desejos de Li. Embora ele nunca a tenha visitado.

A Ama bebia das fofocas. Seu ódio crescente pelo o Imperador. O nojo e a antipatia a incomodavam, porém era o remédio para se manter firme e forte. Sua menina não merecia tamanho descaso...ainda mais pelo o homem em que todos confiavam.

Shoran entornava vário e mais vário copos de vinho por dia. Dormia bêbado e acordava sobre o efeito do álcool. Sua primeira refeição era vinho, e assim perseguia durante todo o dia. Descontava sua frustração em seus mandarins e castigava os Eunucos a fero e fogo. Ganhava força a cada melhor de Sakura, na qual acompanha a distancia, sabendo ele ser o único culpado pela dor e doença daquela que mais amava na vida. Um amor sem certeza...um amor medroso e fraco. Porém estava disposto a se sacrificar pelo bem-estar dela. E por isso não desmentias os boatos que o ligavam a Yé.

Nem ao menos tinha tempo para pensar, o país fervia, já havia rumores de um movimento anti inglês nascendo ao sul de Liao Ning, cujo objetivo seria expulsar os traidores e os ingleses, reivindicando o que era da China por direito natural. O Imperador acompanhava de longe, apoiando os compatriotas em silencio ao mesmo tempo em que batia nas costas do embaixador da Grã-bretanha. Fazia sua própria estratégia política, esquecendo o bom-sensor, fazendo o que seu pai faria. Tinha a muito a perder...Entretanto seguia com seus planos, tendo duas caras. Mascarando seus sentimentos da mesma forma que ignorava a esposa doente.


Continua...

Bem, o esse capítulo foi melhorzinho... (estou sendo condescendente comigo mesma. Ki coisa boa!). O próximo tende a ser melhor, e assim por diante.

Vou ser bem rápida... O nome em negrito significa Silêncio. É justamente o "Silêncio", que vai despenhar um papel importante, porém curto na fic. (Vide próximo cap.).

Ah, não estendi muito na doença de Sakura, porque achei repetitivo, dramático demais. Preferi a passagem de tempo. Sakura vai se recuperar (fiquem calmos!)…porém vai ter conseqüência… Como a primeira crise do nosso casal.

Beijos há: Violet-Tomoyo, Rêchan, Beatriz, Miaka Hiiragizawa, Lillyth-Chan, Miaka, Hô-Chan, MeRRy aNNe, Lanah, BelldySama, Sl43r s4k0r4, Kyhara e a Cam.

Please reviews! Vou dá um presente (lindo, maravilhoso, espetacular e inesquecível) para quem "for" minha 157 reviews. Olha essa é a primeira promoção, espero que não seja a última. (Bom, é o restante é só deixar o e-mail que providenciarei uma lembranzinha tudo kawaiii!).

Obrigada, obrigada!

Beijos!

Até mais!

Anna Lennox