Cap XII

- Posso entrar?

- Han...Mas o que faz aqui?

O homem dizia sonolento para a bela jovem recém-formada, que estava parada na porta de seu quarto, apenas com uma camisa larga vestida, que por sinal era a sua.

- Eu vim fazer com que você perceba que eu não quero sair da sua vida...

A mulher estava se aproximando sensualmente de seu amado, subiu na cama e engatinhou até o mesmo, sussurrando em seu ouvido.

- Eu quero estar do seu lado até morrer... Aliás, eu vou estar ao seu lado, Inuyasha...

Essa frase mexeu completamente com Inuyasha, ainda mais quando ela deu ênfase ao último trecho, tornando o sussurro carinhoso e ao mesmo tempo provocante. O amor compulsivo pela jovem não deixou o rapaz pensar duas vezes antes de roubar um beijo ardente e apaixonado. A saudade estava finalmente indo embora junto com o orgulho que antes o domava. Naquele momento, mesmo se ele não quisesse, não poderia recusa-la. Necessitava amar Kagome, não importando mais o que havia ou podia acontecer.

- Eu não sei como quase deixei você ir para longe de mim... Eu nunca mais iria me sentir bem, do jeito que me sinto com você...

Agora Inuyasha acariciava as lindas madeixas de Kagome, que estava com a cabeça encostada carinhosamente no peitoral de seu amado. Sua face expressava um sorriso sincero representando a felicidade que o amor dos dois representava para ela.

O belo homem também estampava um sorriso com gosto. Mas esse sorriso logo sumiu quando percebeu que tudo aquilo que havia vivido com sua tão amada Kagome não passava de um mero sonho. Tudo aconteceu somente em seu subconsciente e em nenhum lugar mais.

- Arg! Até quando vou ficar sonhando com essa baka...?!

Ela passava a mão nos cabelos prateados enquanto se queixava sobre o que acabara de acontecer. Não precisava ir tão fundo para saber que o que ele queria era que o sonho fosse realidade e finalmente tivesse sua amada em seus braços. O rapaz levantou mais cedo que o esperado, aliás, era domingo e ele não precisava levantar justamente às 6 horas da manhã, mas perdeu o sono depois do seu intrigante sonho, resolveu ir tomar banho e pensar na vida enquanto a ducha massageava sua nuca.

Logo de manhã Kagome arrumara de vez suas malas, passou um tempo em cada canto da casa onde passara parte de sua vida enquanto estava em Tóquio. Ela não pretendia vender a casa, iria apenas tranca-la e mais tarde quem sabe, por para alugar. Já era meio dia agora, a menina estava inconsolável, tinha uma pessoa com quem ela queria estar, ou pelo menos se despedir. Não parava de ver a sequência de fotos de quando estava no parque com Inuyasha, e as lembranças passaram em sua mente como um filme, ela podia sentir os beijos e carícias de seu amado. Seus olhos marejaram e então e menina deixou o choro vir, quase que espontaneamente. Ali prometeu para ela mesma que seria a última vez que choraria por Inuyasha. Pelo menos era isso que ela tentaria fazer dali em diante: Seguir sua vida, sem mais nenhum rastro do grande aperto no coração que sentira desde que discutiu com o homem.

-Ka-chan! Mamãe perguntou se você pegou tudo.

- Sim, Souta...

- Ok, vou falar pra ela! – o menino saiu correndo do quarto, mas deu meia volta. – Ah.. Ka-chan!

- Sim, Souta...?

- Pegou até o cordão que o vovô usava?

- O... Colar Kotodama...

Kagome saiu correndo assim que se lembrou de que havia dado o colar à Inuyasha. Como era algo muito importante na vida dela, queria compartilhar com ele. Mas depois da briga nunca mais se falaram e o colar acabou ficando com ele.

Ela corria em direção à porta de saída. Entrou no seu carro e começou a dirigir em direção à casa do rapaz. Ela não fazia ideia do que falar com ele, se ela pensasse muito não iria ter mais a coragem de ir lá pegar de volta o que é de grande importância para a família, apenas estava dirigindo como uma pessoa sem rumo.

Ele estava deitado na rede que ficava no quintal da casa, lá era um lugar com bastante verde, e quando estava perto das árvores Inuyasha se sentia melhor, conseguia tornar seus pensamentos confusos em boas lembranças. Enroscava o dedo no colar em seu pescoço algumas vezes, não esquecendo que aquilo era muito precioso para Kagome, agora também para ele, já que era o único pedaço da história de sua amada que teria dali para frente.

- Colar Kotodama... A lenda diz que quem o criou poderia jogar o usuário fortemente no chão com uma palavra especial... Feh! Bem que Kagome disse que o avô dela contava histórias esquisitas sobre a era medieval... Isso é impossível!

O rapaz estava rindo do que falou para si mesmo. Este era um exemplo de como estar ao ar livre o fazia se distrair, mesmo quando o assunto fosse relacionado à pessoa de quem tanto sentia falta.

Ele estava silencioso, observando e escutando todos os movimentos dos passarinhos que pareciam um casal de namorados ao ar. Somente se desligou de seus pensamentos quando ouviu a campainha tocar.

- Arg! Quem deve ser o imbecil na minha porta em pleno domingo? – ele levantara da rede, furioso por ter que ser sociável com alguém naquela situação.

- O que quer? – abriu a porta já com essa fala, só reparou em quem era quando já havia sido grosso.

- Eu só vim pegar uma coisa que me pertence, não vou atrapalhar...

- À vontade... Entre... – Sua frieza era fatal para a menina.

- N...Não, obrigada. É só isso aqui... – a menina tirou o colar do pescoço do rapaz, que ficou acelerado por estar tão perto de sua amada novamente.

- Ahh... Então até mais...

- Adeus, Inuyasha. – o sorriso forçado da mulher quase não escondia a vontade de abraça-lo ali mesmo. Aquilo era uma facada no peito dos dois.

- Adeus... – a voz do rapaz quase não saiu.

A menina virou-se de costas e seguiu para o seu carro. Quando a mesma estava quase na porta ficou paralisada e virou-se quando Inuyasha gritou por seu nome.

- Sim?

- Er... Boa viagem. Eu espero que seja muito feliz com sua nova vida e... Parabéns por ter se formado...

- Você foi até lá, não é? Você... Ainda me ama...

- Fui, mas acabei comprovando que só atrapalharia sua despedida com Houjo se me visse...

- Inuyasha, não aconteceu nada entre mim e ele, foi tudo um ma... – a menina foi interrompida.

- Não precisa repetir, Kagome. Apenas faça boa viagem e se cuide...

- Eu esperava no mínimo ser bem tratada por você hoje... Mas como sempre você está sendo grosso, um babaca. Não sei com que eu estava na cabeça para deixar você entrar na minha vida... Acho até que a decisão de ir embora foi a melhor que tomei porque o que eu mais quero é me ver livre de você. – As lágrimas incessantes que corriam no rosto da menina só comprovavam que era tudo mentira.

- Você tá mentindo, baka... – ele estava com um sorriso irônico no rosto.

Para ele era apenas um sorriso orgulhoso por saber que ainda era correspondido. Mas a menina interpretou isso como uma crueldade sem tamanho da parte dele. Como ele podia sorrir diante do sofrimento dela?

- Para de rir, seu imbecil! – Ela gritou aos prantos.

- Eu não estou rindo... – Essa frase conseguiu ser mais irônica do que o sorriso.

- Arg! Que vontade eu tenho de te matar!

O rapaz recebeu vários socos em seu peitoral e pontapés, a menina estava descontrolada batendo nele, mas ele não sentia dor alguma, estava achando até engraçado a reação de sua amada. Como ele estava sentindo falta dos ataques de Kagome... Até disso ele estava com saudades...

Não se controlou e segurou os pulsos da menina, a puxando para dentro de sua casa. Fechou a porta e a encostou na mesma para roubar um beijo saudoso de sua linda mulher. Isso aconteceu em questão de segundos e mesmo se quisesse Kagome não iria ter como reagir.

A atitude do rapaz derreteu a jovem completamente, devagar foi deslizando suas mãos pelo peitoral de Inuyasha até chegar aos ombros e finalmente envolver os braços na nuca dele. O mesmo agarrou com força a cintura da mulher e começou a roçar seu corpo no dela.

O fogo que sentiam era mais ardente que o normal, o atrito dos corpos os faziam queimar cada vez mais, tornando o contato viciante. Uma das mãos do rapaz subiu até a nuca da menina, onde ele agarrou alguns fios de cabelo e puxou de um jeito excitante. Ela não iria resistir... Ela não queria, nem por um segundo, resistir...

- Kagome... Não vá embora... Fica aqui, para viver comigo...

Essa frase foi sussurrada para a mulher enquanto seus lábios estavam bem próximos ao de seu amado. Mesmo tão perto ele conseguia olhar no fundo dos olhos da garota, mostrando total sinceridade.

- Não tem como negar um pedido desse vindo justo de você... Eu te amo demais, baka... Por que duvidou disso?

- Eu estava com medo de ser enganado, foi isso... Mas o medo não é maior que a falta que você me fez... Pode me perdoar?

- Já está perdoado, meu amor.

O sorriso tão lindo que Kagome estampava em seu rosto fez Inuyasha ter a certeza de que nunca, jamais seria feliz com outra mulher, ele a queria para todo o sempre, ou enquanto a vida dele durar.

Desde que Kagome adiou a viagem para morar com Inuyasha eles nunca mais tiveram um desentendimento tão grande como aquele. Havia brigas, muito comum vindo das duas pessoas mais temperamentais do mundo... Mas nada que a saudade não reconciliasse.

Três anos depois se casaram, Kagome entrou na igreja com um lindo barrigão de 7 meses de gravidez.

Sango foi a madrinha, Miroku o padrinho e o lindo filho de apenas dois anos e meio do casal foi o pajem mais lindo de todos carregando as alianças.

Depois de mais alguns anos, Kagome e Inuyasha mudaram-se para o Canadá, para cuidar da mãe dela que havia adoecido. Infelizmente a mesma faleceu e novamente o casal voltou a morar em Tóquio, porém haviam perdido o contato com seus amigos. No total foram 21 anos depois do casamento.

A linda menina, já mulher, se chamava Hikari. Tinha os belos olhos cor de âmbar de seu pai e os traços do rosto muito parecidos com os da mãe. Hikari era a exata mistura de Kagome e Inuyasha. A jovem estava num relacionamento sério com um jovem dois anos mais velho que ela. Este tinha cabelos negros, corpo atlético e olhos chocolates, tais que eram inconfundíveis... Esses olhos só podiam ser de sua mãe... Seu nome era Kai.

- Hi-chan, o jantar para apresentar nossos pais uns aos outros vai ser mesmo naquele restaurante francês perto daqui de casa?

- Sim, amor, estou super ansiosa!

- Eu também... Será que meus sogros vão gostar dos meus pais e de mim?

- Impossível não gostarem de você, amor... Sabe... Meu pai disse que esse restaurante era uma cafeteria de uma ex-namorada dele, a mãe morre de ciúmes quando ele fala, mas ama aquele restaurante!

- Hahaha! Isso é engraçado! Amor... Vou me aprontar para o jantar... Até mais tarde, te amo.

- Até mais, amor, te amo também.

Ambos desligaram o telefone e foram se arrumar para o encontro no restaurante.

Finalmente era a hora, já estavam no restaurante Inuyasha, Kagome, Hikari e Kai.

- Ei, moleque, cadê seus pais? – Inuyasha perguntava ao garoto que estava suando de nervosismo.

- Seja educado, Inu-kun! Fale direito com ele... Mas é verdade, Kai... Seu pais estão demorando um pouquinho – Kagome tranquilizou mais o menino com seu jeito meigo.

- Er... Eles já estão vindo... Meu pai sempre demora um pouco para se arrumar, é pior que mulher, sabe?

O menino ria para descontrair, mas sua enrolação não precisou durar muito já que ele avistara seus pais entrando no restaurante e então fez sinal para que eles fossem até a mesa.

Ao se encontrarem não acreditaram no que viram, e o casal de jovens não entendeu absolutamente nada!

- Sango-chan, Miroku-kun!

- Kagome!

- Não posso acreditar que são vocês os sogros da minha filha!

Inuyasha cumprimentou Sango e Miroku, assim como Kagome e então explicaram para seus filhos a história que juntos enfrentaram há uns anos atrás. Estavam todos muito felizes no jantar, e também espantados com o fato de estarem novamente unidos.

Ali perceberam que há coisas na vida que não podem ser separadas ou esquecidas, mesmo com o tempo para ocultar os bons momentos. Nada pode quebrar as nossas correntes, nada pode arrebentar o fio que liga nossos destinos.

XXXXXXXXXXXXX Fim XXXXXXXXXXXXX

Bom gente, espero que tenham gostado da fic (ou pelo menos a alma viva que esteja lendo tenho gostado, né xD)

Até a próxima, minna (ou devo dizer não-minna?)