Autor: Matthew Black Potter Malfoy
Beta: Amy Lupin
Shipper: Albus Potter/Scorpius Malfoy
Disclaimer: Tenho quase absoluta certeza que JK Rowling não tem duas graduações não terminadas no currículo dela.
Quando papai me disse que iríamos a um jantar na casa dos Scamander, onde os Potter estariam presentes, eu estranhei aquilo.
Mamãe costumava dizer que papai é quem tinha decidido manter em segredo o relacionamento da família com tia Luna, mas algo me dizia que minha madrinha não se incomodava com a situação. Não é como se eu a culpasse, no entanto. Ela era a melhor amiga dos Potter e dos Weasley, afinal.
Então, por que depois de todos esses anos ela decidira fazer aquilo? Talvez fosse o recente falecimento do meu avô. Talvez aquilo tornasse as coisas mais fáceis.
De qualquer forma, o que era importante é que eu teria que comparecer àquele jantar onde Albus Potter estaria e eu não estava nenhum pouco disposto a isso.
Na noite de sexta, eu estava em meu quarto, já vestido para sair, encarando a fotografia da minha família distraidamente enquanto fazia o nó da minha gravata, quando Schebby - meu elfo particular - aparatou no meu quarto.
"O Senhor e a Senhora esperam você na sala de flu, Mestre. " Ela disse, curvando o tronco.
"Diga a eles que desço em um minuto, Schebby. " Murmurei, sem tirar os olhos do retrato.
Então eu fiquei furioso novamente. Albus nunca gostou de mim. Nunca. Ele compareceu àquela festa ridícula quando meu avô faleceu, fez pouco de mim quando entrei para o time de quidditch e ainda deixou que o irmão dele falasse aquelas coisas horríveis a respeito do meu avô.
Desci as escadas com toda intenção de dizer ao meu pai que eu não iria. Diria que estava passando mal ou qualquer coisa do tipo.
Mas ele parecia tão feliz. Mesmo que ele não assumisse aquilo, eu sabia que aquele jantar significava muito para ele. Eu não podia estragar a noite.
Mas isso não queria dizer que eu precisava ser legal com Albus.
Por isso eu despejei minha frustração com ele na primeira chance que tive. E aquilo foi bom. Eu me senti forte, no controle. Contei a Albus como me sentia e então passei o resto da noite dando atenção aos demais.
O jantar foi menos esquisito do que eu imaginei, no final das contas. O pedido de tia Luna para que meu pai e o Sr. Potter fossem padrinhos do filho dela ajudou a acalmar os ânimos, de certa forma.
Fiquei orgulhoso de meu pai àquela noite. Era visível que ele não queria estragar a noite de tia Luna, apesar de estar se segurando para não retribuir às alfinetadas dos irmãos Weasley. Os demais podiam olhar para meus pais e achar que eles estavam calmos com a situação. Mas eu sabia que papai estava nervoso e mamãe espumava de raiva a cada comentário mordaz que saía da boca do Sr. Weasley ou da Sra. Potter. Eu não entendia por que eles faziam aquilo. Parecia que eles precisavam provar algo.
Em contrapartida, a simpatia da Sra. Weasley e do Sr. Potter foi algo que me surpreendeu positivamente. Ao contrário dos respectivos conjugues, eles me trataram com tanta educação e cordialidade que eu acharia difícil de acreditar, caso não estivesse presente.
"Você faz Estudo dos muggles? " O Sr. Weasley se surpreendeu, depois que eu fiz um comentário sobre uma das aulas da Prof. ª Clearwater.
"Sim. " Eu dei de ombros. "Qual o problema? "
"Nós achamos que ele deveria ter uma visão mais correta sobre o mundo muggle, que nos foi privada. " Mamãe disse, encerrando o assunto.
A partir daquele momento, notei que o Sr. Weasley mudou um pouco seu modo de agir. Talvez pelo fato de ser casado com uma nascida muggle, ele respeitasse a atitude dos meus pais.
À medida que o jantar prosseguia, o clima se tornava mais ameno. Todos pareciam mais confortáveis, com exceção de três integrantes. A Sra. Potter, que apesar de estar mais cordial do que no início da noite, ainda assumia uma postura desconfiada. Meu pai, que não parava de lançar olhares que ele deveria julgar discretos, - e talvez até fosse para os demais - ora para o braço da Sra. Weasley, onde a palavra mudblood podia ser vista em uma cicatriz, ora para o Sr. Potter. Eu podia traduzir facilmente o olhar que ele lançava ao braço da Sra. Weasley, pois já havia visto o mesmo olhar em seu rosto, quando visitamos o St. Mungo's, mas o olhar que ele dirigia ao Sr. Potter era um total mistério para mim. Por último, Albus Potter parecia estar decidido a tornar as coisas constrangedoras. Ninguém parecia perceber que ele não dissera uma palavra durante o jantar, ou que me encarava - de modo nada discreto, como meu pai fazia com o Sr. Potter.
Ao final da noite, decidi que as coisas seriam mais fáceis para mim se eu simplesmente não tornasse aquela minha situação com Albus maior do que era. E me surpreendi pela falta de reações que tive ao falar com ele. Não senti aquele aperto no estômago que já me era familiar, minhas mãos não suaram e os pelos da minha nuca não se arrepiaram, não havia fogos de artifício voando na minha cabeça, me atrapalhando os pensamentos, nem tampouco aquele calor incômodo irradiando do meu peito para minha face.
Quando me deitei naquela noite, me senti em paz. Eu estava feliz pela família que tinha e me senti bem por não nutrir mais aquele sentimento avassalador que eu tinha por Albus Potter.
