Capítulo 11 – Encontros

Crabbe e Goyle adentraram o Salão Comunal. Malfoy já os esperava havia alguns minutos, sentado numa das poltronas.

'- Será que vocês são tão lerdos assim – esbravejou – que têm que demorar i tudo isso /i pra trazer um mísero aluno? Aliás, cadê ele?

'- Hein?

'- Nós acabamos de vir da cozinha. Pegamos várias coisas que sobraram do jantar.

'- É. E depois Crabbe e eu nos perdemos...

Lucio fechou os olhos e passou a mão pelo rosto. O que será que aqueles dois conseguiam fazer?

'- Comer... – murmurou desanimado.

'- Hein? – repetiu Goyle.

'- Eu não quero explicações! Eu quero saber: CADÊ-O-ALUNO?

'- Que aluno?

'- O aluno! A cobaia! A vítima, o experimento...! Ah, vocês não devem conhecer metade dessas palavras.

Levantou e foi em direção ao dormitório berrando:

'- BLACK! BLACK, QUE ÓDIO, DESÇA AQUI!

'- Não sei se você sabe – disse uma garota morena que vinha do dormitório feminino – Mas Belatriz foi pra casa.

'- Não estou falando da Bela, estou falando de Régulo Black! Black's... é Black para todos os lados! Belatriz Black, Narcisa Black, Régulo Black, Sirius Black... Black, Black e Black!

'- Qual seu problema, Lucio? – uma terceira voz apareceu, desta vez do dormitório masculino – Está incomodado por sermos mais puros do que vocês?

'- Do que está falando, Régulo? Os Malfoy são a linhagem de bruxos mais pura do que qualquer outra na face da Terra!

Malfoy levantou o queixo em desafio, mas Black desviou o olhar.

'- Ah, vocês não vão começar com isso, vão? – disse a garota se intrometendo – Não, porque, sinceramente, temos mais o que fazer.

'- Tínhamos, Márcia, tínhamos.

'- Como assim?

'- Mais alguma mudança de planos, imagino eu.

'- Cale a boca, Black, e pegue sua capa.

Black tirou do bolso um pedaço enorme de pano, que estava dobrado.

Márcia Fitbonher correu para o dormitório. Voltou com uma capa de invisibilidade numa mão e a varinha na outra.

'- Então, vamos ou não? – perguntou entediada.

'- Vamos. Já perdemos muito tempo. – disse Malfoy cobrindo-se com sua capa.

'- Pensei que tivesse dito que não tínhamos mais o que fazer. – Black também se cobriu com sua capa.

'- Não temos o aluno – ouviu-se a voz de Malfoy – mas temos a lua cheia a nosso favor.

'- Espero que não haja nenhum lobisomem naquela maldita floresta. – resmungou Fitbonher antes de se cobrir.

Os três saíram pela porta que havia atrás de uma tapeçaria (a entrada para o Salão sonserino). Passaram-se poucos segundos até que a porta se abriu novamente e a cabeça de Malfoy surgiu.

'- Vocês vão ficar aí parados por acaso?

'- Hein?

'- Não. – Crabbe vasculhou os bolsos do sobretudo até que achou sua capa de invisibilidade – Tá aqui a capa. – e limpou os dedos nela.

Crabbe e Goyle se espremeram embaixo da capa e, depois de muito pensarem, acharam um jeito para saírem dali.


Os cinco sonserinos finalmente saíram do castelo. Assim que a porta se fechou, tudo se tornou mais escuro, mesmo com a luz da lua cheia.

'- Lumus!

Um feixe de luz surgiu do nada. Fitbonher apontou a varinha para a Floresta Proibida e os outros rumaram para lá. Estava completamente deserta, assim como os corredores da escola. Somente os monitores e Filch ficavam acordados até àquela hora – uma da madrugada aproximadamente.

Eles estavam a poucos metros da floresta quando a porta do castelo se abriu novamente. Malfoy ergueu uma sobrancelha e Fitbonher prendeu a respiração.

Tiago Potter e Pedro Pettigrew surgiram arrastando uma terceira pessoa. Eles atravessaram o pátio da escola rapidamente.

'- Eles são loucos? – murmurou Fitbonher depois de notar que eles iam até o Salgueiro.

Nesse momento, a luz da lua pareceu tornar-se mais intensa. Remo Lupin, a pessoa que estava sendo arrastada, jogou os amigos longe. Caiu de joelhos no chão, aparentemente agonizando de dor. Potter e Pettigrew pegaram um braço de Lupin cada um, e tornaram a arrastá-lo.

Pettigrew sumiu de vista enquanto Potter continuava arrastando o amigo. O Salgueiro parou de se debater e os dois entraram dentro dele.

'- O que é isso, afinal de contas?

'- Isso, Márcia – sussurrou Malfoy após um uivo –, é a nossa grande chance de ter os Marotos nas nossas mãos.


i Uma semana depois /i

'- Ei, cadê a Lígia? – perguntou Daphne ao sair do Expresso.

'- Hum? – Lílian desceu do trem e procurou a amiga – Ah, não, ela nos deu o bolo!

'- É bom que ela tenha um ótimo motivo pra nos deixar plantadas aqui.

'- Realmente. Espero que ela não tenha sido expulsa da escola ou coisa assim. – disse Lílian ao entrar no castelo.

'- Poxa, ela é baderneira, mas não tanto!

'- Oi, você! – Lílian chamou alguém – Você viu Lígia Jones?

'- Aquela da Grifinória? Não, não vi. – respondeu o garoto – Não a vejo faz alguns dias, pra falar a verdade.

'- Obrigado...

'- Que saco, será que ela foi expulsa mesmo? – Daphne se voltou para a amiga e disse: – Que bocão, hein!

'- Ah, eu só tava brincando...

Daphne e Lílian subiam lentamente as escadas junto com os outros alunos. Olhavam para todos os lados, e nem sinal da amiga.

'- EI, POTTER!

'- Daphne, você tá louca?

'- Ah, não enche!

Potter se aproximou e elas pararam de cochichar.

'- Chamou? – disse direcionando um ligeiro olhar a Lílian.

'- Sim. – respondeu a morena – Você viu a Lígia? É que ela não foi nos receber lá fora, e não tá aqui. Um garoto disse que não vê ela há dias, e ela não respondeu nossas últimas cartas... Você viu ela, Potter?

Tiago olhou para as duas. Lílian olhava para o outro lado tentando disfarçar o rubor. Mesmo assim, parecia atenta ao que falavam. Olhou para a garota à sua frente e quase riu. Daphne estava com uma cara quase desesperada, como se esperasse a notícia de que sua amiga tivesse morrido.

'- Viu, né? – sua voz era quase suplicante.

'- Vi.

Daphne relaxou e fechou os olhos. Respirou aliviada. Estava quase acreditando naquela bobagem dela ter sido expulsa.

'- E cadê ela?

'- Na Enfermaria.

'- O QUÊ? – Lílian se manifestou – O que ela está fazendo lá?

'- Ela ficou doente. Pneumonia ou algo do gênero...

Mas assim que o disse as duas garotas saíram correndo. Agora sim pareciam estar desesperadas.


'- O SIRIUS TE AGARROU?

'- É, Lígia, é. E dá pra falar mais baixo?

'- Não tem ninguém aqui.

'- Mas vai que aparece?

'- Não vai aparecer!

'- E como é que você sabe? Virou vidente agora?

'- Não. – revirou os olhos e resolveu mudar de assunto – E como foram de presentes nesse Natal?

'- Mais ou menos. Não ganhei um canhão para mandar Petúnia pro outro lado do planeta, mas tudo bem.

'- Lílian!

'- Atchim! Eu adorei os presentes que vocês me deram, obrigada mesmo. Me animaram muito.

'- De nada. Bem, meus pais me deram dinheiro pra poder comprar o que eu quisesse. Eles não tinham muita idéia do que comprar. Acho que vou comprar uma máquina fotográfica.

'- Atchim! – Lígia espirrou mais uma vez.

'- Saúde. – responderam as amigas e uníssono.

'- Bem, voltando ao assunto anterior... – Lílian viu Daphne rolar os olhos e bufar – E você? O que ficou fazendo aqui?

'- Além de ficar estirada nessa cama?

'- É.

'- Bem... uns amassos básicos, mas nada de mais.

'- E com quem foi o agarramento dessa vez? – perguntou Daphne.

'- Lupin.

'- Remo te agarrou?

'- Não, eu agarrei ele.

'- VOCÊ AGARROU LUPIN? GAROTA, VOCÊ É LOUCA?

'- Louca é você que não pára de gritar!

'- Meu Deus... Lígia, você é realmente doida.

'- 'Brigada, eu sei. Mas não fiz nada de mais.

'- Ah, não...

'- Pensem comigo: se eu fosse esperar por ele, estaria com netos até que me procurasse!

'- E quem disse que ele iria te procurar, convencida?

'- Bem... ninguém, pra falar a verdade. Mas i eu /i iria atrás dele, cedo ou tarde.

'- É, a gente sabe...

'- Posso saber...

'- Ih, vocês se ferraram. – Lígia comentou ao ouvir aquela voz.

'- ... O que está acontecendo aqui? Que gritaria é essa?

Madame Pomfrey pegou Daphne e Lílian de um braço cada uma e as arrastou para fora.

'- E quando vocês se lembrarem o que é agir como "gente civilizada", voltem!

E bateu a porta na cara das duas.

'- Eu, hein...


Salão Comunal da Sonserina

'- Como foi? Tudo bem?

'- Tudo perfeito, Bela. Duvido que acharíamos local melhor...

'- Eu não disse? É o local perfeito pra gente, hã?

'- Sim, você tinha razão.

'- Lógico que tinha. Quando foi que me enganei, Malfoy?

'- Tirando aquela vez? – seus olhos brilharam – Nenhuma, eu acho.

i '- Cahan. /i – Lestrange interrompeu – Conseguiram algo que preste?

'- Sim. Praticamos o básico em alguns aluninhos dos primeiros anos...

'- Mas apagaram suas memórias depois, né? – perguntou Narcisa entediada.

'- Lógico, Black! Você acha que somos idiotas?

'- Não, Lucio, claro que não. A não ser Crabbe e Goyle, mas eles são um caso à parte...

Todos riram. Os dois garotos cerraram os punhos e pareciam estar dispostos a se manifestarem, mas Malfoy os impediu.

'- É melhor pararem por aí... – fez um gesto com a mão – se não quiserem parecerem idiotas de verdade

Os sonserinos voltaram a rir. Os grandalhões permaneceram calados, no mesmo lugar.

'- Quando vamos poder conhecer nosso lar? – o tédio de Narcisa se dissipara.

'- Na próxima lua, maninha. Temos que esperar um mês, você sabe disso.

'- E o resto do pessoal? – perguntou Lestrange – Já foram avisados?

'- Não. Ainda não.

Malfoy se esticou na poltrona. Recostou-se e suspirou. Tédio, muito tédio.

'- Vamos esperar as oportunidades certas. Você sabe, temos que ter cuidado... – revirou os olhos.

O grupo silenciou-se. Pareciam absortos em pensamentos distantes. O barulho ficava por conta do resto dos sonserinos, que falavam sem parar no Salão.

'- Qual era a "bomba" da qual estavam falando? – Narcisa diminuiu o tom de voz.

Um sorriso surgiu no rosto pálido de Malfoy.

'- Ah, nossos amiguinhos grifinórios. Os Marotos estão nas nossas mãos.

Belatriz ergueu uma sobrancelha e então disse:

'- Como conseguiriam tal proeza?

'- Nós não fizemos nada. A culpa foi toda deles de não terem cuidado...

'- Conta logo!

'- Parece que eles têm... – abriu um sorriso – tinham um segredinho muito importante. Ah – Malfoy suspirou –, vai ser uma grande arma a nosso favor.

'- Se me dão licença, – Márcia levantou-se – vou estudar. Mesmo se formos os mais poderosos do planeta, ainda quero ter uma formação profissional.

Os outros riram. Belatriz e Narcisa acompanharam a colega enquanto eram observadas pelos garotos.

'- Tire seu unicórnio da chuva, Malfoy. – Lestrange sussurrou – Ela é minha.


Salão Comunal da Grifinória

'- E como ela conseguiu tal proeza?

'- Olha, Daphne, aquela sua amiga endoidou! – comentou Tiago.

'- Neve. Ela saiu, no maior frio, com pouca roupa, sabem...? – explicou Remo.

'- Daí ela se resfriou e foi pra Ala Hospitalar.

'- Na verdade, ela já devia estar mal, e isso só piorou.

'- Pneumonia. Como é que ela pôde...? – resmungou Lílian.

'- Bem... – Daphne suspirou – Parece que sumiram de vez todas as nossas dúvidas quanto à sanidade de Lígia.

'- Sim. Ela não bate muito bem...

Tiago lançou um ligeiro olhar para Remo, acompanhado de um pequeno sorriso. Pelo menos o amigo estava livre por enquanto...

'- Boa-noite, gente. – Remo se levantou – Tenho que acordar cedo amanhã.

'- Pra quê?

Aquela sobrancelha erguida de Tiago quase fez Remo atirar o amigo pela janela. Se ele suspeitasse...

'- Dev... – parou abruptamente.

Remo estivera pensando em dizer "Deveres de monitor", mas não ia colar. Lílian estava ali, e ela não confirmaria a idéia.

'- Devo estudar. Este ano está terrível, ainda mais com as minhas obrigações de monitor. E ainda tem os NIEMs...

Suspirando, o colega subiu para o respectivo dormitório.

'- O que houve, Potter? – perguntou Daphne interessada – Algo que não saibamos?

'- Hã? Não, nada. Por quê?

'- Nada não...

Daphne olhou para Tiago, os olhos semicerrados. Depois olhou para Lílian, voltou os olhos para Tiago e se levantou.

'- Tô indo. Preciso tomar um bom banho, e já está tarde. Beijinho.

Subiu as escadas correndo. Sorte sua Lílian não ter visto o sorriso em seu rosto.

Lílian, que estava olhando um livro de Herbologia, levantou os olhos. Tinha algo errado. Olhou para as escadas dos dormitórios, para a lareira, para o sofá atrás de si, para Potter à sua frente. Ergueu as sobrancelhas.

'- Sim? – perguntou Tiago.

'- Hein?

'- Você não ia falar algo?

'- Eu? Eu não. Por quê?

'- Pareceu, só isso.

Dando de ombros, ele voltou a contemplar a lareira.

Lílian estava certa: havia realmente algo errado ali. E esse "algo" era Potter.

Lílian realmente agradecia aos céus, à Deus, à Merlin, à todos os santos existentes e até mesmo inexistentes o fato de Potter ter parado de encher seu saco. Era realmente ótimo sentar à mesa sem ter um sorriso galante à sua espera, assim como era ótimo entrar no Salão Comunal sem ouvir um "Oi, Evans!" na voz dele. Era também muito bom poder ficar tranqüila quando as visitas à Hogsmeade se aproximavam, sem ter que ouvir um "Evans, quer ir comigo?". Muito bom, realmente ótimo.

Então... por que isso a incomodava?

Incomodava? É, incomodava.

Lílian não sabia o porquê (e nem queria saber) desse seu "incômodo". Ela tinha que estar feliz, e não incomodada com isso! Parar de ter Potter nos seus calcanhares devia alegrá-la e não...

"E não o quê?", perguntou mentalmente para si mesma.

'- Evans, você tá bem?

Lílian voltou-se para Tiago e falou num tom mais ríspido do que o necessário:

'- Sim, por quê?

'- Bem, você tá vermelha, uma expressão estranha...

'- Estou ótima, Potter! Muito obrigada pela preocupação!

E, batendo o pé, rumou para o dormitório feminino.

'- O que foi que eu fiz dessa vez? – perguntou Tiago para si mesmo.


Remo piscou algumas vezes. Devia ser cedo. Ainda podia se ouvir o ronco de Rabicho.

Abriu uma fresta na cortina. O sol parecia ter surgido há pouco mais de uma hora.

"Ótimo", pensou. "Num domingo todos dormem até às nove, mais ou menos."

Com extremo cuidado ele se levantou e se vestiu. Foi até o banheiro, onde utilizou um feitiço Silenciador para garantir o sono dos colegas. Alguns minutos depois encontrava-se no Salão Comunal.

Devia permanecer ali? Se alguém aparecesse, o que diria? Se um Maroto aparecesse, o que diria? Se Tiago aparecesse, Merlin! i O que /i diria?

Quem se importava? Não diria nada, não devia satisfações a ninguém. E, afinal de contas, quem se acordaria àquela hora?

Remo consultou o relógio. Sete e meia. Lentamente, saiu do Salão Comunal e decidiu matar um pouco o tempo.

Ele vagou lentamente pelos arredores da escola por algum tempo. Respirou fundo, os olhos fechados, e adentrou o castelo em busca do seu destino.

'- Eu sou doido. – resmungou ele – Só pode ser contagioso.


N/A: ATUALIZEI! Por favor, não me apedrejem (embora eu não ache que esse "m" seja necessário)! Eu tive meus motivos! São dois, e tenho certeza de que me compreenderão:

1º: Estive cheia, mas cheia mesmo, de provas no mês passado. E eu ainda precisei recuperar algumas habilidades naquela prova simplesmente ABSURDA de História (Matemática também recuperei, mas a prova não foi terrível)!

2º: Eu estava sem inspiração. Pensem comigo: O que vcs acham melhor? Demorar pra postar um cap, mas postar um bom ou postar logo, mas um cap super porkera? Acho que a 1ª opção é a melhor, não?

N/A2: Não sei se as atualizações vão continuar como eram antes (de 15 em 15) ou se vai demorar um pouco mais. Tudo depende de tudo: de tempo, de provas, de trabalhos, de inspiração, de ânimo... ah, e de comments (nem sei pq ainda peço isso. A esperança é a última q morre...)

N/A3: Pelo amor de Deus, NÃO LIGUEM PRO "SORRISO GALANTE"! Eu andei lendo José de Alencar e Agatha Christie e deu nisso. Talvez vcs achem uma ou outra giriazinha velha no cap, mas não dêem bola...

N/A4: Thank you VERY MUCH, Mia Moony! Vc eh uma das poucas benditas almas nesse mundo de fics imenso! Não sei se vc recebeu meu e-mail sobre a demora da atualização, mas obrigada pela ENORME paciência! PS: Seu e-mail eh sem o "t" mesmo no 1º nome? Só pra confirmar, ok? Kisses.

N/A5: NO PRÓXIMO CAP: Wanessa, volta às aulas, Lígia&Remo, Daphne&Sirius, sonsos+ Lílian confusa e alguma intriguinha pra variar.