Alvo Potter e a Cúpula Arcada
Capítulo 12 – "Foi aceita a questão..."
Na ida à sala de História da Magia Alvo percebeu que a escola já havia voltado ao normal. Os corredores lotados, alunos conversando, e os Soncerinos o incomodando até cansarem. "A planta de seu professorzinho se transformou no Big Ben?", Julio comentou com uma menina pequena e agitada. Alvo não deu bola.
De repente um vulto deixando voar dezenas de folhas da mochila cruzou por Alvo no corredor, e, quase imperceptivelmente, puxou-o pelo braço e o arrastou afora. Era Susan.
- AH! A prova! A prova! O que será de mim? – Ela disse. Susan era uma ótima aluna, e não tinha motivo algum para tanta preocupação.
- Calma! É só uma... é só uma prova! – Alvo indignou-se. A garota pareceu não entender e continuou correndo. Marlaia estava distribuindo polígrafos - que mais pareciam livros – pelas classes. Alvo disfarçou e se afastou de Susan, sentando-se ao outro lado da sala. Precisava de descanso para fazer o exame.
- Elas estão enfeitiçadas, por tanto, é totalmente impossível qualquer tipo de cola nesta prova. O conteúdo se baseia em tudo estudado até agora. Podem começar. – Disse Marlaia. Como em uma competição, os alunos pegaram os lápis rapidamente e começaram a rabiscar no papel como se quisessem um ser mais rápido do que o outro. Em alguns segundos, uma voz soou ao fundo da sala.
- Pronto, professora. – Era Alvo. "Alvo?", alguns perguntaram.
- Sr. Potter, fazem menos de dez minutos que entreguei esta prova e é muito difícil o senhor ter termi... - -
- Mas terminei. – O garoto interrompeu-a. Pulando a bagunça da sala, ela foi até ele e puxou-lhe a prova. Deu uma leve conferida por cima dos óculos, quase tremendo.
- Hum... Hum... sim... certo... – Ela mudou o olhar e respirou fundo. – Está liberado Potter. – Ele levantou, abanou para Susan, e se dirigiu ao corredor. Estava pensando em ir para a biblioteca estudar para o exame de Briam, no dia seguinte, que não seria nada fácil. No caminho, se cruzou com Mighking.
- Não era para estar fazendo a prova, Potter? – O diretor disse, com a voz estranhamente mais engraçada que o normal.
- Já acabei, senhor. – Alvo disse apressado e saiu olhando para baixo. O professor estava com um olhar de dúvida e irritação na face. Quando vira, já estava na biblioteca. Os livros de poções estavam sobre uma estante densa e igualmente detalhada. Os livros eram, na sua maioria, surrados e usados. Alvo puxou um na segunda prateleira. "Mil Ervas e Fungos Mágicos" era o nome. Abriu-o ao meio, e foi escorregando com o dedo pelas linhas, lendo rapidamente. Em alguns segundos, fechou-o. Alguma coisa perturbava sua cabeça. Estava muito mais inteligente do que há um mês. Como conseguira acabar a prova em cinco minutos enquanto todo o resto da turma demoraria horas? Olhando o livro, percebeu que não havia nada que não soubesse de trás para frente. Resolveu sair da biblioteca. A sensação estranha martelava em sua cabeça pedindo uma cama. Subiu rapidamente até a sala comunal. Rose estava sentada em uma poltrona ao canto de uma escadinha circular, aparentemente dormindo. Chegando mais perto, Alvo percebeu que seus olhos estavam cheios e brilhantes de lágrimas grossas. Alvo foi para perto dela de vagar, e tocou seu ombro levemente.
- O que houve? – Ele perguntou, pensando depois que não devia ter feito isso. A garota olhou, corada, e depois voltou a meter o rosto entre os joelhos. Alvo cutucou-a levemente.
- E-eu... – Ela fungou. – Eu tirei A! A! Como minha mãe... meu pai... – Ela deu um grito choroso.
- Rose! Não tem problema! A é uma ótima nota! – Alvo tentou consolar.
- Ótima nota? Ó-t-i-m-a n-o-t-a?! Se fosse uma ótima nota eu tiraria O! – Ela voltou a gritar.
- Não se preocupe! Esses exames são coisas novas... São simulações do que virá daqui a quatro anos, não vai mudar nada!
- VAI! Minha mãe jamais imaginaria que sua filha perfeita tiraria menos de E! Aliás, quer trocar de mãe? – Rose já estava com o rosto seco. Alvo realmente pensou duas vezes em dizer "Sim! Com prazer!" antes de perceber que seria a pior coisa naquele momento. Rose levantou e subiu a escadinha circular, que levava ao dormitório feminino. Alvo sentou na cadeira onde ela estava e folheou o livro que pegara na biblioteca. Figueiras Causticas, Mandragoras, Hemeróbio... Tudo ele estava na ponta de sua língua. Voltando à ideia inicial, ele resolveu dormir e descansar a mente.
Em um segundo, estava montado em um cavalo alado e sobrevoando a floresta... Puxou uma enorme corda detrás de um escudo de ouro que ele segurava e lançou-a até uma árvore... O cavalo desceu como em uma coleira, e foi puxando centenas, milhares, milhões de unicórnio e fugindo de uma luz muito forte que vinha do outro lado da floresta... ele andou... então uma voz o chamou, do fundo montanhoso, com um eco divino.
- Al, acorde! – Voltou a si. Era Ghilaaf. - Já se passou o primeiro período! Acho que você perdeu uma prova... – Alvo deu um pulo na cama. Esquecera-se de tudo que houve no dia anterior e agora uma vermelhidão rouca tomou seu rosto. Em solavancos bruscos, vestiu a capa e um blusão de qualquer modo e puxou a mochila metendo-a nos ombros. A sala comunal estava vazia a não ser alguns poucos alunos do quinto ano estudando em bancos. Ultrapassando esses, e descendo sete escadas até as masmorras, se deparou com Mighking, Condolesa Hanthe, Profa. Marlaia e Prof. Briam parados à porta com olhares contestadores e batendo revistas dobradas na palma da mão.
- Alvo Severo, será que poderíamos conversar um pouco? – Disse Mighking, empurrando-o pelas costas para dentro da sala. Os professores ficaram de pé enquanto Briam sentou em uma cadeira vazia centralizada na sala. Pareciam fazer um interrogatório policial de trouxas ou coisa assim...
- Segundo Professora Marlaia... – Começou o diretor. - ... No simulado de ontem, o senhor foi o primeiro a terminar a prova. Certo?
- S-sim senhor. – Gaguejou Alvo.
- Pergunta das notas. Deve ter colado. Deveria tirar pontos da Lufa-Lufa – Cochichou alto demais no ouvido de Mighking. Marlaia se exaltou e quase levantou da cadeira.
- Briam Jaffe! Jamais, em uma aula minha, algum aluno colou. É melhor não insinuar isto sem provas. – Ela gritou tremendo a voz. Condolesa ficou parada ao canto olhando tudo indiscretamente.
- Briam, realmente não irei tirar um mínimo ponto da casa. E Marlaia, se acalme! – Mighking ordenou em um tom médio que aliviou a sensação engasgada de sua voz. – Então... – O diretor disse levantando um papel à altura da cabeça de todos. Era o exame. – Você tirou O, Severo, meus parabéns. Marlaia, diga.
- Alvo, querido. Todas suas respostas foram acima do nível de qualquer aluno do terceiro ano! Os complementos, comentários, postscriptuns... Tudo perfeito, Alvo! – Marlaia disse em excitação. – Não que eu duvide de sua capacidade, - Ela se engasgou. -... mas isto está p-e-r-f-e-i-t-o!
- Nós, - Mighking recomeçou. -... seus professores mais próximos, fizemos uma reunião de desempenho, acionada pela professora Hanthe. Então, em decisão comum, foi concluído que sua capacidade mágica é maior do que de qualquer aluno do primeiro ano, e encima disso, foi aceita a questão de você ser passado para um ano adiante. A partir de hoje, quando seus pais assinarem a carta já enviada, você estará oficialmente na turma do Segundo Ano da Lufa-Lufa. Para lhe ajudar em algumas coisas, Condolesa se ofereceu para, juntamente com alguma pessoa do segundo ano à sua escolha, lhe esclarecer qualquer dúvida. Aliás, alguma pergunta? – Alvo ficou perplexo e imóvel por um bom tempo. Parecia nem respirar, e sua cabeça dava o dobro de voltas que já estava dando antes. Deu uma olhada lenta por cada rosto da sala. O único desgostoso era o de Briam, no resto, um sorrisinho impertinente estampou-se em cada face enrugada. Alvo deu uma parada no rosto de Mighking, que deu uma pequena virada de cabeça. Pensou na melhor coisa que poderia dizer naquele momento:
- Ahn?
Os professores riram, e ele seguiu, de nervosismo.
- Alvo, você está no segundo ano, pulou uma série, estará junto com seus amiguinhos, e agora, está feliz? – Grunhiu Briam ao fundo, irritado.
- S-sim... Quer dizer, mais ou... Professor, licença. – Alvo se levantou e saiu da porta, deixando todos para trás. Seu estômago doía em ficar olhando todos os rostos o mirando incansavelmente enquanto o fedor das masmorras entrava e saía do seu nariz mais do que oxigênio. A única coisa que restou fazer foi procurar Rose e perguntar o que estava acontecendo. Não que ela soubesse alguma coisa, mas era sempre bom conversar com a prima.
- Ahn? – Disse Rose, depois de Alvo explicar tudo, na mesma atitude do garoto.
- Eu que pergunto! Foi tudo de repente. Mighking falou rápido demais. O que esclareceu foi Briam, gritando, dizendo que eu tava no segundo ano, como você!
- Mas... como?! Suas notas...
- Eu também não entendo. Ultimamente está sendo assim. Parece que não sou eu que faz as provas, que responde as coisas.
- Bem que podia me emprestar um pouco de inteligência. – "Bem que eu queria!" pensou Alvo. – Em qualquer caso... Bem-vindo ao segundo ano. Eu acho... – Eles riram. Escórpio veio do fundo do corredor.
- Alvo! Como isso aconteceu? Tá todo mundo querendo saber. – Malfoy disse.
- Todo mundo? – Retrucou Alvo. Certamente as fofocas corriam mais rápido do que deveriam em Hogwarts.
- Sim. Mas conte, algum feitiço de cópia? Como conseguiu aquilo? – Perguntou Escórpio.
- Escórpio, eu juro, não fiz nada! Nem fui eu que respondi, praticamente...
- Ah... – A garota saltou um gemido. – Ele citou quem pediu isso? Não se pode fazer isso sem a indicação de um professor.
- Não me lembro direito, mas ouvi dizer que a reunião foi acionada pela Condolesa. – Alvo terminou a frase e uma mão fria tocou seu ombro.
- Alvo, ficará sem aula hoje. Pode descansar. Amanhã será seu primeiro dia no segundo ano. A coruja de seus pais chegou.
Alvo afirmou com a cabeça, se despediu dos amigos, e rimou ao dormitório. Estava em dúvida se seria melhor continuar no primeiro ano, com Susan e Kate, ou seguir ao segundo, com Escórpio e Rose. Seus pais já assinaram, não teria volta. O que faria para acabar com aquilo? Para tirar as dúvidas? Pegou a pena, chamou Guija, e começou a escrever.
"Pai,
Gostaria de pedir informações sobre o que lhe disseram da minha passagem para o segundo ano. Sei que está ocupado, mas quando não estiver, responda por favor.
Abraços, Alvo."
Estava simples e objetiva. Puxou o travesseiro e deitou a cabeça. Depois de horas pensando, finalmente relaxou e pode descansar em paz.
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E sobre as reviews, sim, é muita confusão mesmo, até eu estou um pouco perdido (se não fosse meu bloquinho de anotações não saberia nem por onde começar um cap ._.), mas isso é pra ter muitas respostas no final (sou maníaco, não reparem), e a fic já está rumando pra lá. E, poh, MATEI UM ALUNO O.O como isso foi acontecer! –fiquei pensando nisso horas depois: a j.k. esperou 4 livros para matar alguém, e eu já botei no 9º cap õ.o – mas tinha que ter, outra coisa que vai ser respondida no final. Tá, chega de princípios de spoilers ^^ bjos, e obrigado por continuar lendo (:
