A demônia foi embora, já havia destilado o seu veneno e voltaria muito satisfeita para casa. Não agüentou ver as fotos do evento da noite passada, juntamente com as notinhas insinuando um possível romance entre Hugh e Lisa. Aquilo foi como se ela tivesse recebido uma tapa na cara, e claro que ela não deixou barato. Tinha que viajar apenas para procurar Lisa e fazer aquele papel ridículo.
Ao entrar no trailer Lisa respirou fundo prometendo para si mesma que aquela mulherzinha não iria tirar a sua paz — ao menos não naquele momento. Lisa tirou o figurino de sua personagem e vestiu suas próprias roupas. Estava um pouco cansada, precisava de um banho... Mas precisava mais ainda de Hugh.
Antes que ela decidisse ir procurá-lo pelo set, eis que Hugh entra em seu trailer.
— Droga. — ele diz parecendo irritado. — Achei que chegaria a tempo de pegar você trocando de roupa. — desmontando a cara de bravo com um sorriso, ele se aproxima dela e a segura pela cintura.
— Que pena. — Lisa diz, puxa-o pela gola da camisa e lambe de leve o lábio inferior dele.
— Vamos para a minha casa. — ele diz e suas mãos descem na intenção de apalpar a bunda dela.
— Eu vou para onde você quiser.
Abandonaram a idéia de começarem a se pegar ali e em três minutos estavam na rua. Lisa propôs irem a pé, sabia que Hugh morava perto e ela gostava de caminhar — era bom para praticar exercícios. Hugh caminhava a passos largos, e Lisa tinha que se apressar para acompanhá-lo. Quando ele parou de repente, virou-se e a envolveu em um beijo ardente na calçada lotada, Lisa ficou atônita demais para fazer alguma coisa além de agüentar firme. Foi um encontro arrebatador de duas bocas, tão cheio de paixão e espontaneidade que aquilo deu um aperto no peito dela. As pessoas ao redor os aplaudiram.
Quando ele a pôs de pé de novo, ela estava atordoada e sem fôlego.
— O que foi isso? — Lisa perguntou ofegante.
— Um prelúdio. — ele retomou o caminho do apartamento, cujo prédio ela nem conseguiu ver ao ser puxada para dentro e levada diretamente para o elevador.
Hugh largou a mochila no chão do elevador e se ocupou da tarefa de tirar a regata branca que Lisa usava. Ela estava batendo nas mãos dele quando a porta se abriu e ele apanhou de volta a mochila. Não havia ninguém esperando o elevador no andar do apartamento dele, e o corredor também estava vazio. Hugh sacou uma chave de algum lugar e, um instante depois, eles já estavam dentro do apartamento rumo ao quarto.
Lisa não perdeu tempo: enfiou as mãos sob a camiseta dele para sentir sua pele úmida e a rigidez dos músculos por baixo dela — a caminhada o fez transpirar um pouco.
— Tire a roupa. Agora.
Ele deu uma risada ao tirar os tênis com os pés e arrancar a camiseta.
— Meu Deus... — ela pensou.
A visão do corpo dele daquela maneira — por inteiro, depois que sua bermuda foi ao chão — era de derreter os neurônios. Não havia o mínimo excesso em parte nenhuma, apenas massas compactas de músculos. Ele tinha barriga de tanquinho e aquele V sexy apontando para a pélvis que James — amigo dela — chamava de Quadril de Apolo. Hugh não depilava o peito, mas cuidava bem do corpo. Ele era um espécime masculino em estado bruto, a encarnação de tudo o que ela cobiçava, fantasiava e desejava.
— Acho que morri e fui pro céu. — Lisa diz o olhando embasbacada.
— Você ainda está vestida.
Ele atacou a roupa dela, arrancando a regata antes que ela pudesse respirar, juntamente com o top. A calça foi abaixada com força, e ela tirou os tênis com tanta pressa que perdeu o equilíbrio e caiu na cama. Mal havia recuperado o fôlego e ele já estava em cima dela.
Rolaram engalfinhados na cama. Em todo lugar que ele a tocava, deixava um rastro de calor. O cheiro límpido da pele depois de um dia de trabalho e uma pequena caminhada era um afrodisíaco intoxicante por si só, incitando o desejo dela por ele até as raias da loucura.
— Você é tão linda, Lisa. — ele apertou um dos seios dela antes de abocanhar o mamilo.
Lisa soltou um gemido bem alto ao sentir a onda de calor e o toque de sua língua, derretendo a cada movimento leve de sucção. Suas mãos percorriam avidamente a pele úmida dele, apalpando e apertando, procurando pelas partes que o fariam urrar e gemer. Ela entrelaçou suas pernas na dele e tentou fazê-lo rolar para que ela ficasse por cima, mas ele era pesado e forte demais.
Ele levantou a cabeça e sorriu para ela.
— Agora é a minha vez.
O que ela sentiu naquele momento, vendo seu sorriso e o afeto nos seus olhos, foi quase doloroso de tão intenso. Rápido demais, ela pensou. Estava se deixando envolver rápido demais.
— Hugh...
Ele deu um beijo profundo nela, passando a língua pela boca bem à sua maneira. Ela imaginou que ele seria capaz de fazê-la gozar apenas a beijando, caso aquilo continuasse por mais tempo. Tudo nele a deixava com tesão, desde sua aparência e o toque do seu corpo sob suas mãos até o modo como ele a olhava e encostava nela. Sua avidez e os sinais silenciosos que ele emitia em seu desejo de possuir o corpo dela, a impetuosidade com que ele dava prazer a ela e extraía dela seu prazer, tudo isso deixava Lisa nas nuvens.
Ela percorreu com as mãos os cabelos sedosos dele. Os pêlos encrespados do peito dele estimulavam os mamilos endurecidos dela, a barba que estava começando a crescer arrepiava a pele por onde passava, e o toque daquele corpo rígido era mais que suficiente para deixá-la molhada e louca para dar.
— Adoro seu corpo. — ele sussurrou, passeando com sua boca do rosto dela para a garganta. Suas mãos acariciavam o corpo dela, alternando-se entre os seios e os quadris. — Não me canso de admirá-lo.
— Você ainda não desfrutou dele o bastante. — Lisa provocou.
— Acho que nunca vou me fartar dele. — mordendo e lambendo o ombro dela, ele foi um pouquinho mais para baixo e agarrou um dos mamilos com os dentes. Ele o apertou, e a leve pontada de dor fez Lisa arquear as costas e gemer alto. Ele compensou a mordida com uma leve sucção, depois foi abrindo caminho aos beijos mais para baixo. — Nunca senti tanto desejo na minha vida.
— Então me fode.
— Ainda não. — ele murmurou, indo mais para baixo, circundando o umbigo dela com a ponta da língua. — Você não está pronta.
— Quê? Meu Deus... Não dá pra ficar mais pronta que isso.
Ela puxou os cabelos dele, numa tentativa de trazê-lo de volta para cima.
Hugh agarrou os pulsos dela e os apertou contra o colchão.
— Você tem uma bucetinha apertadinha, Lisa. Se não estiver totalmente molhada e relaxada, vou machucar você.
Um violento tremor de excitação atravessou o corpo de Lisa. Hugh a deixava louca de tesão quando falava daquele jeito. Ele voltou a deslizar lá para baixo, e ela ficou toda tensa.
— Não, Hugh. Nem tomei banho.
Ele enfiou o rosto entre as pernas dela, e ela se contorceu contra seu toque, repentinamente vermelha de vergonha enquanto ele mordia de leve suas coxas.
— Não. Por favor. Você não precisa fazer isso.
O olhar de Hugh paralisou os movimentos frenéticos dela.
— Você acha que meu desejo pelo seu corpo é diferente do seu pelo meu? — ele perguntou asperamente. — Eu quero você, Lisa.
