Capítulo 12: Caos vira dor

Gotham nunca havia ficado tão agitada naquela noite. Talvez Coringa não tivesse esperado que essa informação fizesse tanta gente se preocupar naquele lugar. Ele não havia preparado uma fuga, ou um plano que não lhe obrigasse às vestimentas laranja estampadas com um "Arkham" e o número de presidiário. Mas inconscientemente, ele esperava por tal ajuda que lhe permitisse escapar de um futuro numa jaula com os outros criminosos. Ele esperava ninguém menos que o melhor convidado da noite. O foco da história. Ele se perguntava se havia realmente milhares de jornalistas e guardas cumprindo sua presença por ele, ou se estavam apenas ali para que saibam quem fica por baixo da máscara de morcego todas as noites.

Batman não iria o deixar contar alguma coisa. Disso ele tinha certeza. E era esse pensamento que não lhe fazia hesitar em pronunciar o nome do bilionário com clareza a qualquer momento, sabendo que se a primeira sílaba saísse de sua voz, aquela sombra negra enigmática tomaria conta do lugar propagando uma briga ainda maior. Bem, ele estava esperando por isso. Se Batman não comparecesse à festa... Bruce Wayne teria a primeira página nos jornais... E Coringa seria preso em Arkham. Não lhe parecia um final tão prazeroso quando essa hipótese vinha à sua mente.

Mas ele era um homem precavido. Não iria deixar que nada estragasse seus planos, e muito menos mudaria seu destino para Arkham. Por isso, sabendo que algumas coisas pudessem dar errado, ele havia já preparado um plano. A trupe de palhaços inconscientes no Banco de Gotham não era simplesmente todo o arsenal que Coringa tinha direito. Havia muito mais deles, como um exército. E se no mesmo pálio que o morcego eles perdessem, pelo menos, alguns guardas eles tinham como enfrentar. Alguma defesa Coringa precisaria. Seria como se entregar para a polícia se não fizesse isso.

Ele dirigia o caminhão rápido, a fim de terminar com toda aquela história. Sabia que haveria vários canais cobrindo a prefeitura de Gotham impacientes, a procura do palestrante que gostaria de estar lá tanto quanto eles. Que haveria mais de um guarda de Arkham enfurecido pela segurança burlada várias vezes. Havia muita coisa lá que ele sabia que iria encontrar. Mas também havia muita coisa que ele não tinha certeza. Isso não importava, afinal de contas. Seguir corretamente o plano não é uma das coisas que Coringa mais gostava.

O caminhão fora freado e logo deixado de lado, enquanto Coringa descia tranquilamente caminhando diretamente para onde havia uma concentração de pessoas se questionando. Pensou se os guardas pudessem tentar pegá-lo antes mesmo de concluir o que queria, então decidiu mudar o rumo de seu objetivo, voltando rapidamente para o mesmo caminhão com a porta ainda aberta. Um pouco de diversão não era proibido, não é mesmo?

- Vamos provocá-lo só um pouquinho... – Comentou para si, dando um sorriso enquanto acelerava novamente o caminhão em direção aos jornalistas, câmeras, policiais e moradores curiosos. Pisou no acelerador com força, como se quisesse fazer um strike com todas as pessoas ali, esperando que alguém grave aquilo para ser relembrado várias vezes. Era divertido. Quanto mais o caminhão acelerava, a distância entre a aglomeração de pessoas ficava cada vez menor. Mas simplesmente algo lhe impediu de acelerar ainda mais.

Um carro preto diferente de todos os demais, como um daqueles tanques de guerra, aparecera quase que como mágica – uma ironia bem imperdoável – e se destacava mesmo que fosse quase imperceptível por se mesclar com as ruas escuras e as noites de Gotham. Era de ultima modernidade, e aparentava ter um belo arsenal de defesa.

- Parece que ele resolveu trazer o bat-brinquedinho dele também... – Coringa não estava surpreendido com isso, só apenas... Não esperava. Mas de fato, estaria curioso com a situação. Queria saber o que ele iria fazer. Se ele iria encarar o caminhão desgovernado vindo à sua frente, ou se iria simplesmente desviar e deixar que meia Gotham tenha o mesmo destino que Coringa.

Mas com uma surpresa, o carro preto não se moveu, nem mesmo acelerou. Mas a porta bem moderna por sinal abria-se, para cima. E para uma surpresa ainda maior, não era simplesmente o morcego que estava lá, tentando arruinar seus planos. Uma visitinha mais exótica estava tomando conta do brinquedo.

- Miau! – Foi o que uma mulher caracterizada como um gato disse, saindo tranquilamente do carro e segurando um chicote. A porta do carro voltava para seu devido lugar, e a moça escorou-se na frente do mesmo, exibindo-se com o mesmo chicote, quando deu uma lambida rápida, que poderia parecer extravagante para uns, curioso para outros e simplesmente erótico demais para o local. – Quer dizer que o cachorro louco já está na procura do morceguinho? – Perguntou, mostrando um sorriso nos lábios com o batom vermelho bem provocante.

- Então quer dizer que ele não sabe guardar segredos? Pois eu também não. – Ele simplesmente desceu do caminhão, abandonando qualquer ideia de explodir o caminhão no meio daquela gente. Ele não sabia direito o porquê daquela reação, mas tinha ficado um tanto exaltado. Sentiu raiva. Os objetivos de Coringa era algo que mudava conforme o humor, e o seu humor pede para que ele simplesmente vá até a aglomeração de gente e simplesmente diga quem é o Batman. Ele caminhou dando passos pesados e com raiva, ignorando a mulher que se espreguiçava da mesma maneira que um gato numa caixa de areia por cima do carro blindado.

- Se pretende ir contar pra eles, pode ir. Mas eles não estão planejando acreditar em você, se quer saber. – Avisou a moça, olhando a palma da mão como se estivesse analisando as unhas, não dando certa importância ao fato.

- Se não acreditarem em mim... Em quem vão acreditar? – Foi quase que uma pergunta retórica, Coringa parou de dar os passos raivosos até as pessoas e voltou, olhando com curiosidade para a mulher que não parecia estar concentrada totalmente na conversa.

- Bem, aos olhos dos moradores de Gotham, no mesmo momento que olharem você, irão te prender e te enfiar na viatura de Arkham. E fim. Mas eu fiquei sabendo que tem mais uma concorrência que eles estão tentando evitar. Um passarinho no qual não sobreviveu para contar a história, disse para o gatinho que há um terrorista propagando a "dor" no subterrâneo da cidade. Por isso eles estão sem tempo para o seu showzinho. Precisam curtir outro espetáculo ainda maior, se é que me entende. – Coringa não gostava de ter que disputar seu espaço. Ainda mais quando se tratava de Gotham. Mais um mafioso achando que podia comandar aquele lugar? Piegas.

Alguns jornalistas começaram a correr em direção dos dois, gritando a localização deles, todos como cachorros esfomeados por carne nova. Alguma hora, um daqueles inúteis iriam prestar para alguma coisa, afinal de contas. Foi na mesma hora em que a gatuna simplesmente adentrou no carro preto, colocando um tipo de óculos de visão noturna que estavam repousados sobre a cabeça. O carro começou a fazer uns barulhos estranhos, quando rapidamente uma moto de pneus simplesmente gigantes saíra do centro do carro a toda velocidade fugindo dos jornalistas que tentavam arduamente chamar a maior parte das pessoas para lá. Coringa demorou a pensar no que fazer, quando simplesmente olhou para o carro que parecia fazer uma contagem regressiva. Recuou alguns passos para trás quando o câmera tentava correr mais rápido para gravá-lo melhor.

Um barulho como de um alarme começou a ficar mais alto naquele carro, quando ele decidiu reagir e correr, sabendo que algo de bom não aconteceria. E fora como previsto: O que restara do carro simplesmente explodiu. Os estilhaços do carro preto saltaram, fazendo os poucos jornalistas atiçados serem atingidos. Atingiu a frente do caminhão que agora estava já inutilizado, bloqueando a rua até a maior concentração de pessoas. É claro que o foco daqui a pouco viria para a explosão, por isso, Coringa achou melhor sair de lá antes que tenha seus principais objetivos estragados por isso.

. . .

Cada cela daquele lugar guardava um louco. Uma pessoa sem um pingo de sanidade que já cometera tantos crimes a ponto de chegar lá. Não é toda pessoa que tem um cartão VIP de entrada naquele lugar. A não ser por um belo histórico com doenças psicóticas e diversas negligências, Arkham não era fácil de ser visitada. Parece que logo depois que Coringa havia deixado aquele lugar, resolveram multiplicar por dez o que chamavam de segurança para as pessoas. Mas agora, era diferente. Estavam investindo demais em somente recrutas para bloquear a saída dos loucos. Algo de pior poderia vir acontecer.

Alguns dos presidiários recebiam tratamento de terapia para que voltassem à sanidade mental, porém, isso só acontecia com aqueles com uma pena na prisão boa demais para que seja retirado de Arkham. Aqueles que precisavam estar sãos o suficiente para sofrer na cadeia. Curiosamente, hoje era o dia de Jonathan Crane ser avaliado. Não era bem uma avaliação, mas sim um interrogatório. Mesmo que ele não falasse nada, somente recitasse algumas coisas inaudíveis.

Os corredores estreitos de Arkham estavam cheios de guardas que por ali, caminhavam e comentavam a vida dos presos.

- Fiquei sabendo que o Doutor Crane está envolvido com alguma coisa fora de Arkham. – Disse um dos guardas que se escorava na porta de um homem velho adormecido no chão frio de sua cela.

- Acho que não. O tal do "espantalho" já foi pego pelo Batman várias vezes. Ele não iria se dar ao luxo de voltar à Gotham mais uma vez para ser pego outra. – Opinou o outro, que olhava diretamente para sala de terapia onde mostrava o próprio Crane em uma camisa de força olhando um ponto fixo no teto.

- Mas parece que dessa vez não é somente ele... Todos! – Um dos seguranças da porta fez um sinal de silêncio para os guardas, fazendo com que abaixasse o tom de voz. – Todos, todos os loucos daqui irão sair. É o que estão dizendo.

- Você precisa parar de acreditar no que os outros dizem. Já consertaram os sistemas, e estão nos pagando o dobro para vigiar aqui. Acha mesmo que alguém escapa com todos nós aqui? – Perguntou indignado o outro, não acreditando que alguém dali pudesse escapar. Acreditava que talvez, nenhum dos ali presentes tinha esperanças de ver Gotham de novo. - E do jeito que está a situação... Se eu fosse eles, não iria querer nem sair. – Completou, pelo fato de que os problemas em Gotham já estavam se excedendo os limites.

. . .

Alguns canais já passavam na TV a explosão do carro blindado do Homem-Morcego, alguns dizendo que Batman havia morrido e outros culpando Coringa por tal coisa. A confusão já havia tomado proporções maiores, e para isso, ele tinha que aparecer alguma hora ali. Era simplesmente o dever dele, querendo ou não. Era esse tipo de pensamento que Bruce precisava para ser impulsionado a fazer a coisa certa. Enquanto olhava somente a aglomeração de pessoas do alto da torre Wayne, algo pior o esperaria por ali.

- Eu simplesmente achei irônico demais... – A audaciosa companhia aparecera bem ali, atrás dele. – Você vir aqui vigiar a cidade. Justamente aqui.

- Você estava me procurando, não estava? – Perguntou em tom ríspido. – O que planeja?

- Eu? Eu não planejo nada! Por acaso eu tenho cara de alguém que tem planos? – Perguntou em tom indignado. Coringa não imaginava que o morcego pudesse estar ali, observando, esperando apenas que se alguma coisa acontecesse ele chegaria a tempo.

- O que você faz aqui? Como chegou até aqui? – Continuara de modo irritado, virando-se para o sádico e deixando de observar as pessoas lá embaixo.

- Bem, eu não esperava que você estivesse aqui. Eu cheguei aqui da minha maneira, e acho melhor não saber. Vim aqui por causa de uma pequena intuição, e... Bem, a sua gatinha de estimação fez um estrago no seu brinquedinho e estão me culpando por isso. Não acha injusto? Ninguém melhor do que você quando se trata de justiça, não é? – O carro em chamas podia-se ver dali mesmo, e já havia alguns bombeiros no local. – E falando de justiça... – Ele retirou daquele terno roxo o mesmo controle que Bruce já havia visto do mesmo modo como o Batman, no hospital. Era aquilo que abriria todos os portões de Arkham como Coringa havia dito. – Eu estava querendo fazer isso, você sabe.

O Homem-Morcego se manteve em silêncio. Não queria pronunciar nada que pudesse fazer Coringa pressionar algum botão dali e simplesmente piorar a situação mais do que estava.

- Você acha que sabe das coisas, mas não sabe. No fim, você vai fazer companhia pra eles, morceguinho. Então deixe que eu estenda o tapete e abra os portões para você. – Completou Coringa de modo perverso. Ao mesmo tempo em que Coringa decidiu ameaçar apertar aquele botão, Batman foi até ele numa velocidade que nem o próprio pode distinguir, e dando-lhe um soco fazendo o mesmo cambalear para trás, e por fim, caindo no chão. Soltou algumas risadas como se fosse a situação mais prazerosa possível. Batman subiu sobre ele colocando o antebraço sobre seu pescoço e ameaçando afundar as três protuberâncias pontudas do seu uniforme.

O que não era esperado foi uma explosão realmente grande que aconteceu na prefeitura, fazendo os dois perderem o foco de onde estavam. Fora um baque para a maioria dos que estavam ali, podia-se ouvir o grito de crianças e mulheres e a aglomeração de pessoas aos poucos ia se espalhando. Não fora necessariamente dentro da prefeitura, mas sim ao redor, como se quem quisesse explodir somente as pessoas que estavam em volta pela informação de Coringa que acabou saindo dos limites.

Uma fumaça tomara conta do centro de Gotham. Parecia que novas visitas iriam se estrear na cidade. E a primeira prioridade pela primeira vez não era destruir Gotham. Era destruir o morcego, pelo que se mostrava.

Ele desistiu de ameaçar Coringa e se pôs na ponta do prédio para tentar ver o que havia acontecido, quando olhou para trás e viu Coringa segurando o controle dando um sorriso.

- Por que tão sério, Batman? – Perguntou-lhe com um sorriso extremamente sádico. Pressionou o botão e jogara com força o controle para longe. – Espere! Três... – Fez uma conta mental recuando cada passo que Batman dava. – Dois... Um! – Além dos gritos das pessoas atordoadas pela explosão que acabara de acontecer, mais gritos tomaram conta de certo ponto de Gotham. E eram tantos que podiam ser audíveis de lá de cima. Vinha de Arkham. Batman tinha todos os motivos e chances de acabar com Coringa somente com um chute fazendo-o cair de lá de cima. Mas ele simplesmente voltou para ponta do prédio e num aceno de cabeça para Coringa, caiu rápido e pairando com as asas de morcego, se misturando com a fumaça e saindo das vistas do sádico. – Uma boa piada. É apenas uma boa piada. – Foi o que Coringa conseguiu tirar conclusão do que o morcego faria.

- Fim do Décimo Segundo Capítulo –

N/A: Eu realmente gostei desse capítulo! Não sei vocês, mas eu gostei da atmosfera de caos em Gotham. Arkham liberada, explosões misteriosas e uma nova ameaça pro Batman. Não sei se o Homem-Morcego conseguiria dar conta de tudo isso sozinho. Espero que vocês tenham curtido esse clima, e acho o título do capítulo já dá uma boa indireta direta de quem é o convidado da festa. Yeeees!

Downey, creio eu que Selina não é o tipo de mulher que vai querer pouca coisa por ajudá-lo... Se é que ela vai ajudar conforme Batman espera. Essa mulher é totalmente imprevista. Não dá para confiar nela tanto assim, se é que me entende! Mas que ela continua diva continua. Esse foi um capítulo quase que totalmente focado em Gotham, no que está acontecendo com ela. Eu quis mostrar que pelos descuidos do Bruce, a situação não iria continuar calma. Ah, os filmes do Tim Burton são bons sim! Também acho que a do Nolan supera por deixar o clima de comédia um pouco mais de lado e investir mais na ação que Batman poderia causar. Mas não tira o crédito de que a mulher-gato que Tim Burton adaptou é simplesmente linda! (Não que a Anne não seja, é claro!) Ah, mas é nessas horas que eu agradeço existir fics. Imagina como seria o mundo se não pudesse nem mesmo imaginar essas coisas impossíveis? Graças a elas, eu posso simplesmente viajar feito uma louca com essas cenas sádicas, tensas, e simplesmente o clima slash entre o Batman e o Coringa. Espero que tenha curtido o capítulo!

Lidi25, sim. E olha que nesse ainda nem estamos no foco principal! Esse foi, vamos dizer... A primeira parte do centro da história. Espero que você tenha gostado, continue lendo!