Claire estava hospedada num hotel na Filadélfia. Tinha recebido uma informação de Alex sobre um suspeito que poderia saber o paradeiro de Dean. Seguiu o homem durante algum tempo e o ouviu combinar uma balada para mais tarde. O idiota até disse o local e hora que estaria lá. Uma benção para Claire.

Se arrumando, ouvia o noticiário pelo banheiro. Ela cacheava os cabelos quando ouviu algo que despertou sua atenção. Deixou tudo o que estava fazendo e foi ver o que era. O jornal dizia que uma garotinha, chamada S.R.K foi resgatada hoje pelo próprio pai. A garota estava internada em observação, mas passava bem. Para alguns, esses 30 segundos de notícia foram dispensáveis. Mas não para Claire.

Leon estava sentado ao lado da cama de sua filhinha. Ele sabia que tinha que cuidar da Sammy agora, mas também tinha consciência que Dean estaria em algum lugar. Certamente, Dean tinha o P-Virus Upgrade em seu sangue, tudo o que os criminosos queriam. Talvez ele não fosse dispensado como Samantha. Seria usado em várias experiências, seus órgãos seriam trocados por peças sintéticas e sua memória apagada. De uma criança adorável de 7 anos para um soldado biológico assassino. Leon estremeceu ao pensar nisso. Só parou de pensar quando seu celular vibrou no bolso da jaqueta.

- Alô?

- Leon... - disse uma voz aveludada.

- Claire! Onde você está, querida?

- Sinto muito, eu não posso falar agora. Só me diga se é verdade o que eu acabei de ver.

- E o que é? - perguntou Leon, confuso.

- Nossa Sammy está bem?

- Sim, ela está. Quase morreu, é verdade, mas está bem. Os médicos recomendaram repouso e ela está em observação. Encontraram algumas picadas nas costas dela, pediram um exame toxicológico e o resultado deu negativo.

Claire nada disse, mas pela respiração percebia-se que ela chorava de emoção. Depois de um momento, Leon disse:

- Quando você voltará?

- Assim que achar o Dean.

- Claire... você não precisa fazer isso sozinha. Eu sou seu marido e pai de Dean, não sou um estranho. Por que toda essa desconfiança agora?

- Não posso dizer...

- Sammy sente a sua falta. Venha vê-la. Sua filha precisa de você.

- Ela está com você, Leon. Está segura e em boas mãos. Dean também precisa de mim, e eu não vou deixar acontecer com ele o que aconteceu com a Lenneth - dizia ela.

Ambos ficaram sem palavras por alguns segundos até que Claire disse, baixinho.

- Eu te amo, Leon.

- Eu também te am... alô?

Ela desligou. Leon viu que o número o qual Claire ligara aparecia como Restrito. Não havia jeito de rastrear a ligação.

Ada bateu na porta do quarto de Sam. Era a hora de trocarem de turnos. A tia cuidaria da sobrinha enquanto o pai iria em casa, tomar banho e descansar um pouco.

- Obrigada, Ada.

- De nada. Vá para casa e descanse. Qualquer coisa te ligamos.

Concordando, Leon colocou seu casaco e antes de sair, se deparou com seu irmão no corredor.

- Ela é uma garota forte, hein? Quem será que ela puxou? - perguntou Eddie.

- Irmão, preciso te pedir algo.

A feição séria de Leon fez Edward ficar preocupado.

- Quero que vocês cuidem da Sammy enquanto eu não estiver por perto.

- Mas já estamos cuidando dela enquanto você vai pra casa dormir.

Leon escolheu bem as palavras que falaria a seguir.

- Não é isso. Acredito que ficarei fora por mais de algumas horas. Pretendo ir atrás da Claire.

Um pouco surpreso, Eddie perguntou:

- Mas pelo menos sabe onde ela está?

- Não... mas ela deve estar seguindo os traços de alguém. Tentarei descobrir onde ela se encontra.

Eddie entendia como o irmão pensava. E o apoiou na decisão.

- Não se preocupe. A pequena Sam ficará a salvo com a gente.

- Eu sei disso. Obrigado - disse Leon, se dirigindo lentamente para o carro.

Chegou em casa, tomou banho e dormiu. No dia seguinte, passou cedo no hospital. Teve a boa notícia que Samantha teria alta naquele dia. Ele foi conversar com sua pequena, que já estava pronta para deixar o hospital.

- Sammy! Você vai ficar com o titio Ed e titia Ada enquanto o papai vai trabalhar, tá bem?

- Dee vai pra casa do titio? - perguntou ela, com sua vozinha delicada.

Leon sabia que mais cedo ou mais tarde, Sam iria fazer essa pergunta.

- Não, filhinha. Dean está em outra casa com a sua mamãe.

Era inútil tentar explicar algo para uma garotinha de quase dois anos.

- A titia tem Barbie?

- Sim, ela tem um montão de bonecas, só pra você brincar.

Comemorando, a garotinha pulou no colo de seu pai, que a levou até o carro dos tios.

- Nem parece que ela passou por tanto - dizia Eddie, vendo Sammy brincar com Ada.

- Tomara que isso não deixe seqüelas no futuro - desejou Leon.

- O que vai fazer agora?

- Visitarei um amigo nerd. Pedirei para ele tentar descobrir quem criou o bendito site .

- Boa sorte, irmão.

Eddie e Ada levaram Samantha embora e Leon seguiu para casa de seu amigo.

Ao abrir a porta, um japonês de 50 anos reconheceu o ex RPD imediatamente e o convidou para entrar.

- Não vou enrolar muito. Tenho que te pedir um favor, Rodolph. Preciso que você localize o endereço de um site e veja onde ele foi criado.

Já na frente do micro com 4 monitores LCD 21 polegadas, Rod abriu o navegador e pediu o endereço. Ao digitar, teve uma amarga notícia.

- Infelizmente esse domínio está fora do ar.

- Droga! - disse Leon, bravo.

- Vou tentar fazer uns truques para ver se consigo achar algo.

Rod teclava sem parar, mexia em telas diferentes nos 4 monitores. Leon, apesar de não entender, identificou um número.

- Acho que esse é o IP dele. Tem como rastrear?

- Claro - disse Rod.

Depois de várias batidas no teclado, ele puxou todo o histórico da máquina. Ela pertencia a um domínio de rede chamada EarthNet, empresa de desenvolvimento de adubos.

- Adubos? - perguntou Leon, confuso.

- Esse cara pode ter usado qualquer PC para atualizar o site. Aqui está o endereço.

Com o papel em mãos, Leon agradeceu o amigo e rumou à uma loja de adubos no centro da cidade.

- Bom dia. Quero falar com Ash Simons.

- Ele se meteu em alguma confusão? Está sendo procurado pela polícia? Por que pesquisei e a ficha dele estava limpa. Que droga, eu acabei de contratá-lo! - reclamava o chefe.

- Não é nada disso Sr. Apenas chame-o por favor.

Acatando ao pedido, não demorou para que um rapaz de cabelos corte tigelinha e óculos redondos aparecesse.

- Ash?

- Sim, sou eu mesmo, Senhor - respondeu o garoto.

- Me acompanhe, por favor.

Nos fundos da loja, Leon disparou perguntas.

- Por acaso conhece um site chamado ?

O jovem olhou para baixo e disse:

- Ééééééé... não!

- Sei. Tem mais alguém, além de você que mexa no computador?

- Tem não.

Pelo jeito seria difícil arrancar algo do moleque.

- Escute, Ash. Sei que foi você que fez o site. E acredite que essa porcaria serviu para realizar um seqüestro, estilo Jogos Mortais, entendeu?

A voz de Leon já não era tão baixa e sua expressão calma tinha sumido.

- O vídeo de uma criança sendo torturada foi postado no YouTube por você. Diga-me, Ash, você é psicopata?

- Não, senhor!

- Gosta de ver esse tipo de brutalidade na internet sendo realizadas com criancinhas?

- Não, senhor!

- Então porque diabos você colocou o vídeo onde pessoas desesperadas lutam para salvar uma criança? Você gosta de desespero?

O rapaz, de olhos arregalados com os berros de Leon, ficou paralisado.

- Vou mostrar pra você o que é desespero!

Leon mal se aproximou do rapaz e ele começou a chorar e contar tudo.

- Tá bem, fui eu! Eu criei o site, mais eu juro que não tive acesso aos vídeos! Eu só desenvolvi, só isso!

- Desenvolveu para quem?

- O nome dela é Emma Johansson!

Leon raciocinou que essa mulher tinha algum parentesco com Frederick Johansson.

- Acho que aquele cara não apanhou o suficiente! - disse ele, entrando no carro e seguindo para a delegacia.