12º capítulo: I Love you. Goodnight!
Assim que os noivos saíram, Sara perguntou a Grissom, como ele estava se sentindo. Foi incrível a transformação operada nele, agora que não tinha que fingir ser o super-pai. Os olhos perderam o brilho, ele ficou muito pálido e assustou Sara pra valer.
Ela foi até o Dr. Lassiter trocou umas palavras com ele e voltou para perto do marido.
- O que estamos esperando? – Perguntou Grissom que de repente, parecia ter toda a pressa do mundo.
O Dr. Lassiter aproximou-se deles com sua inseparável maleta.
- Agora não esperamos mais nada! - Respondeu Sara.
Apoiado nos dois, Grissom subiu ao seu quarto. Enquanto Sara encontrava um pijama de flanela para ele usar, Russel auscultava muito sério, seu coração.
- Não estou gostando muito disso, meu amigo! Seu coração bate muito irregular! Vamos ver como estão seus pulmões! Tem sentido falta de ar? Insônia? Dor?
- Não sinto nenhuma dor, tenho dormido bem e senti falta de ar hoje junto a um incrível cansaço. – Reclamou Grissom..
- Humm, sente falta de ar porque tem um pouco de líquido nos pulmões- Falou o Dr. Lassiter muito profissional.
Sara se aproximou com o pijama nas mãos. Enquanto ajudava Grissom a tirar as roupas, conversava com o médico.
- Isso é muito grave, Russel?
- Bem, o pulmão deve estar seco, sem nenhum tipo de líquido. No momento os pulmões de seu marido estão com sangue.
- Meu Deus, SANGUE! – Sara se assustou. – Nossa Gil, essa camisa está empapada de suor. Não admira você sentir tanto frio!
- Ele transpirou muito?Vamos ver como está essa pressão?– Disse Russel tirando o aparelho da maleta.
- Honey, enquanto ele faz isto, você podia fazer um chá para mim?
- Claro que faço, acho que tomarei também, ou não poderei dormir à noite! Foi muita agitação para nós.
Enquanto Sara descia para providenciar o chá, o médico tirou a pressão duas vezes.
- Nove por seis, é, está um pouco baixa!
- Então era por isso que eu senti um pouco de tontura! – Disse Grissom.
- Tem sentido muito isso, Grissom?
- Há alguns dias. Mas não conte nada a Sara, porque ela não está sabendo de nada e quero que continue assim. – Contou Grissom, com ar ufanista de quem faz uma grande travessura. – Se ela souber de alguma coisa, vai brigar comigo!
- Devia mesmo, pra você parar de agir feito criança!- O médico estava mesmo muito bravo. – Francamente, Grissom, que irresponsabilidade! Você deveria ter procurado seu médico!
- Eu não queria preocupar ninguém, todos estavam tão ocupados...
-Pois que se desocupassem isto não é brincadeira, Grissom!
- Você não vai contar para Sara, vai?
Grissom parecia só se importar com isso e o Dr. Lassiter viu que era inútil lutar com ele. Agora via de onde Emily tinha puxado aquela teimosia irritante, que se fixa num ponto qualquer e ignora todo o resto: DELE. Sara e William atacavam. Grissom e a filha eram irritantes, desconversando e ignorando o interlocutor, como se este fosse invisível.
- Não, fique sossegado. A ética, não me permite. Mas devia, pra você aprender!
Ele olhou para o médico de um jeito tão cativante, que Russel achou outra semelhança entre ele e Emily; era impossível, ficar muito tempo bravo com eles. Sara voltou com o chá. Deu-o a Grissom, que logo começou a tomá-lo para se esquentar.
- E então, Russel, como está nosso menino?- Sorriu, querendo amenizar o ambiente.
-Não muito bem, Sara!
Ela assustou-se e depois demonstrou surpresa. Como podia ser, se ele estava se cuidando direitinho, ela era testemunha disso.
- Não duvido, mas a insuficiência cardíaca pode ser ingrata e se manifestar quando menos esperamos!
- Ainda assim...
O médico pegou um vidrinho em sua maleta, enfiou a agulha de uma injeção nele e informou a ambos:
- Ele vai ficar aqui tranquilo descansando, por meia hora, que é o tempo desse remédio fazer efeito e a pressão subir; se ela não subir, teremos de tomar providências mais drásticas...
- Que medidas seriam essas, Russel? – Grissom achou Lassiter muito sério.
- Teremos de internar você. Lá eles cuidarão de você e sua pressão. Bem, agora vou deixá-los e voltarei daqui a meia hora, para ver o que faremos.
Saiu do quarto, deixando-os a sós. Sara embora aparentasse estar serena, apertava suas mãos. Grissom percebeu a preocupação da esposa e estendeu um braço, chamando-a a sentar-se ao seu lado. Sara obedeceu sem dizer uma palavra.
- Honey, o que é isso? Uma lágrima? Não fique assim, amor. Aconteça o que for, sorria Sara, que esses olhos que eu amo tanto, não foram feitos para chorar e sim, para rir. - Disse limpando uma lágrima, que teimava em querer sair. -Onde está aquela jovem de rabo de cavalo, desafiadora e petulante, que no CSI desafiou Cath, e não tinha medo de nada? Nem de brigar com Ecklie?
Sara sorriu com a mão dele no seu queixo. Levantou-se, de repente.
- Você tem que descansar.
- Conversar com você, nunca me cansou. - Depositou a xícara no criado-mudo e ajeitou-se na cama. – Foi lindo o casamento de Emily, não foi?
- Sem dúvida! Ela estava esfuziante!
- Quem diria: ela foi logo escolher o filho de Warrick...
- Como assim "escolher", acho que foi recíproco...
- Sim, mas não se engane ela o escolheu: botou os olhos nele e resolveu, como fez a mãe dela num palestrante, em São Francisco, não foi Sara?
-Alguém precisava tomar a iniciativa...
- Sara, sente-se aqui do meu lado e cante pra eu dormir.
Ela perguntou o que ele queria ouvir.
- Cante aquela música do aniversário, aquela que eu gosto tanto.
Sara sentou-se na cama e Grissom pousou a cabeça em seu colo. Ela enquanto cantava baixinho, colocava os dedos longos, naquele cabelo de algodão e o acarinhava, como se faz a uma criança.
"Today has been a special day
An anniversary, a request
That you play your piano
As the evening sun slowly sets
Chorus
I never thought I'd get this old dear
Never had a reason to live so long
And the Lord's been like my shadow
Even when I was wrong
No I never thought it would turn out this way
A birthday with apologies
For all the tears and the rest
And I've always saved your poetry
For those years when you forget
Chorus
So sing with me softly
As the day turns to night
And later I'll dream of paradise with you
I love you and good night "
Sara sentiu a cabeça dele ficando mais pesada, o que significava que ele estava relaxando. Com cuidado e carinho, ela pôs a cabeça no travesseiro e levantou-se devagar, não queria incomodá-lo. Apagou o abajur e foi saindo devagarinho. Naquele silêncio, a voz meio pastosa de sono dele, saiu com certo esforço.
- Eu já disse hoje que amo você, Sara Sidle?
Ela parou, meio confusa, pois Grissom demonstrava seu amor de várias maneiras, mas não era do seu feitio, brindá-la com uma declaração direta como aquela. Sara estranhou, ia perguntar algo a ele, mas desistiu. "Ele está dopado, amanhã não se lembrará disso!"
-Você foi a mais importante pra mim, a número 1. - Virou para o outro lado e aparentemente dormiu. - Adeus!
Fechando a porta do quarto, pensou que ele estava sedado e não estava falando coisa com coisa. Daqui a pouco ela estaria de volta, com o Dr. Lassiter, como "adeus!"? Na saída, quase tropeçou em Ozzie, que estava estirado ao longo da porta, como uma sentinela do dono. Sara comoveu-se com a dedicação do cachorro.
- Quer saber? Entre e cuide dele, sei que você o fará.
Deixou o animal entrar e desceu indo conversar com Russel.
N.A. Ouça a música no You Tube watch?v=1Z9DdEmSOeQ&hd=1
