PROPAGANDA BÁSICA
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SÓ MÚSICA DE ANIMES. ENVIEM SEUS COMENTÁRIOS PARA QUE O PROGRAMA POSSA FICAR NO AR, NÃO CUSTA NADA AJUDAR )
Ósculos e Amplexos
Para que complicar o que é simples?
Disclaimer: Tio Kururu tem muita criatividade e bom gosto ao desenhar tantos homens lindos (ou como uma amiga me disse: ele tem a sorte de desenharem fanarts tão lindas e deixar INÚMERAS inferências yaoi num enredo cheio de furos — que perigo XD) num mesmo mangá, por isso mesmo os créditos devem ser dados a ele, não a mim, que sou apenas uma fã ardorosa dos rapazes.
Agora, quanto à sexualidade… nem o próprio Kurumada vai me contradizer quando eu afirmar que eles são gays, SIM (ainda mais depois da famigerada entrevista hohohoho).
AVISO: ESSE CAPÍTULO NÃO É PARA CORAÇÕES FRACOS
Capítulo 09 — Sweet dreams are made of tears
Parte III: 'cos boys don't cry
Milo e Saga estavam despidos na cama do geminiano. Encontravam-se acariciando um ao outro, selados em um beijo lânguido e preguiçoso, no qual o escorpiano tinha as mãos nas nádegas do outro, apertando-as, deixando até mesmo marcas esbranquiçadas e outras avermelhadas, mas não sentia o membro dele ou o seu próprio responderem aos estímulos infligidos em seus corpos ou ao clima erótico que permeava o quarto.
Sendo assim, Saga apartou o beijo entre eles e jogou os cachos loiros que caíam sobre a face do pintor para trás da cabeça dele e disse:
— Parece que você está tenso.
— Preocupado.
— Kamus e Aioros não estão nem aí para nenhuma de suas preocupações. —
Aquilo doeu um pouco no escorpiano, mas era verdade. Tanto que fechou os olhos e respondeu de forma esgotada e entregue:
— Eu sei, eu sei. Queria saber se apenas eu acho que esse namoro não vai dar certo e nunca deveria ter começado. — Comentou, beijando os ombros do geminiano poeta e letrista. Nos tempos do colégio Saga e Aioros tinham sido uma dupla quase imbatível nos recitais promovidos pela escola e agora um escrevia artigos de opinião para um jornal de alguma circulação de Atenas e o outro era funcionário público e o pior, estavam separados.
— Eu também acho. Sabe, ainda amo aquele imbecil. — O letrista tocava o membro adormecido do arquiteto, manipulando-o de um lado para o outro despreocupadamente como se aquilo fosse uma espécie de brinquedinho.
— Eu também queria ir às bodas de prata. — Admitiu Milo do outro lado, começando a esfregar-se no outro, pois já sentia uma pontada de excitação, nem que ela em princípio fosse mecânica, pelos gestos do poeta ao mexer consigo por todos os lados.
— Aioria é meio bobo, mas tem bom coração. — O mais velho mordeu a orelha do outro grego com delicadeza, tornando a fazê-lo mais forte quando sentiu que o corpo dele reagira com uma espécie de calafrio e estremecimento.
— Eu só queria que Kamus me enxergasse. — Disse simplesmente, voltando a apertar as nádegas do outro, com a diferença que agora trazia o quadril dele mais e mais contra si e seu pênis já estava vivo e exigente.
— Eu também. Vocês combinam. — Até aquele instante encontravam-se deitados de lado na cama, mas Saga o rolou-o no colchão, deitando-se por cima do pintor e separando as pernas dele, para enroscá-las nas de Milo, no que foi impedido pelo loiro.
Foi o próprio Milo quem abriu suas pernas o mais que pôde e com um pequeno impulso, envolveu a cintura do geminiano com suas coxas, erguendo seus quadris para esfregá-los o mais que podia no abdômen do outro e pouco se importando se o letrista estaria precisando de algum alívio. Nem mesmo ligava para isso, o que realmente queria era prazer para si.
— Por que você e Oros se separaram? — Apertou a bunda de Saga contra si, pois pelo visto o outro gostara daquilo. Fazendo um pouco de força, virou-os novamente no colchão, pondo-se por cima dele, ainda agarrado àquela bunda viciante.
— Sabe… eu não sei — Curvou-se um pouco e passou a chupar os mamilos dele, com graça e perícia, cerrando-o entre os dentes, sugando-os com os lábios e umedecendo-os com sua saliva.
— Hmmm… — E dessa forma o escorpiano começou a roçar seu membro contra a barriga de Saga. — Ele te traiu?
— Não. — Falou com a voz um pouco presa na garganta.
— Você o traiu? — O arquiteto iniciou uma brincadeira demorada com o sexo do poeta, manejando-o repetidamente da mesma forma que ele fizera em si havia pouco tempo.
— Não. — Finalmente Saga estava se entregando à sensualidade de Milo e os movimentos que ele produzia em seu corpo, assim, o geminiano virou-se um pouco de lado e roçou avidamente seu membro contra a coxa musculosa do homem mais novo.
Demorara um pouco mais a excitar-se que o pintor, mas agora estava livre e atuante. Podia já não ser tão jovem, mas ainda não precisaria se preocupar com alguma disfunção em seu corpo, pelo contrário. Estava no mesmo estágio em que Milo e poderia desfrutar das sensações prazerosas na mesma intensidade e tão egoisticamente quanto o parceiro, na forma mais pura e simples que o sexo possui, enquanto progressivamente começam a perder suas identidades.
— Alguém já traiu? — o loiro massageava-lhe os testículos ao indagar.
— Algumas vezes.
— Exemplo.
— Eu, no começo. Aioros, quando fomos morar juntos. — Tomou a boca do escorpiano.
O arquiteto tentou virar Saga para baixo.
O geminiano resistiu.
Brigaram ambos, empurrando-se mutuamente.
Continuaram, medindo forças.
Seus braços estavam tensos e tremendo.
Milo venceu. Colocou-se sobre ele e prendeu o compositor no colchão.
O escorpiano engatinhou até a boca do outro e impôs seu membro para ser succionado.
Antes, o letrista perguntou a ele:
— Você e Kamus já…?
— Nunca. — Ofegou.
Saga deu uma mordida de leve na glande do outro.
— Não minta! — Parou o que estava fazendo.
— Nunca! — Sentiu a falta da boca que o envolvia. — Ah! — E protestou ao afastamento.
— Pensando nele, quantas punhetas? — O parceiro retomou seu trabalho preguiçoso.
— Muitas! Ah! — Recebeu o prêmio do alívio ao se ver novamente acariciado pela língua macia e escorregadia — Isso! Lugar mais estranho?
— Na porta do vizinho. Você? — Deitou-se no colchão e esperou sua resposta.
— Dentro do Metrô. Na praia. — Se alojou por cima dele.
Rolaram na cama e ficam de lado.
— Brega. — Escarneou o poeta e levou um tapa nas nádegas durinhas e mais um apertão.
— Sou tímido. — Deslizou o loiro pelo corpo dele.
— Hahahahaha — Divertiu-se com a resposta. Colocou uma coxa a envolver a cintura do outro.
— Do que você gosta? — Afastou a perna de si e se coloca novamente por cima.
Invertendo sua posição na cama, o geminiano dirigiu-se ao pênis do outro, a fim de colocá-lo na boca e ter também o seu membro succionado ao mesmo tempo.
— Comer e ter um dedo na bunda. Você?
— Chupar. Ser chupado.
— E na hora H?
— Comer com o cara de bruços e bunda levantada. Você?
— Dar em pé.
— Jura?
— Juro.
— Saga, fique em pé.
Porém, Saga, não o atendeu. Deitou-se de costas e abriu exageradamente as pernas. Colocou-as para trás de sua cabeça.
— Lambe aqui, Milo.
Obedeceu. Pegou os testículos dele com a boca. Um depois o outro.
— Use os dedos! — Urgiu impaciente e desejoso.
Então, o arquiteto umedeceu os com saliva. Introduziu-os devagar. Girou o dedo dentro do outro.
— Assim!! — Reagiu àquela ação. Empurrava-se contra o seu invasor.
— Fantasia? — Perguntou o geminiano arquejando.
— Ter dois paus para comer dois caras ao mesmo tempo. Você?
— Hahahahaha. Agora eu também.
— Você, Kanon e outro cara? — Perguntou para provocar.
— Já. O cara no meio, eu na frente e Kanon atrás dele.
— Puta que pariu! Mentira! — Parou de lamber e encarou o outro.
— Não.
— Também quero!
— Quem sabe… — Deu um sorriso malicioso.
— Não! Assim eu morro!
Milo se esfregava na cama. Estava adorando ver o geminiano naquela posição, entregue, primitivo, obsceno. Seu sexo urgia por alívio cada vez mais. Em breve iriam começar a verdadeira ação: possuir e ser possuído. Uma vez ele, uma vez o outro, mais uma vez outro e o um. Assim até a exaustão.
Arrastou-se com mais força nos lençóis. Era só procurar pelo lubrificante, preservativos e já estaria dentro. Via Saga morder os lábios ao estímulo interno e queria tomá-lo, subjugá-lo, esgotá-lo. Segurou seu pênis e guiou-o até a entrada do letrista. Num golpe certeiro e brusco colocara-se inteiro e gemia de prazer, enquanto sentia o outro retesar-se pela invasão. Não havia problema, não sairia impunemente daquele ato vil e, na verdade, mal poderia esperar para tanto.
-o.O.o-
Kamus sentia os movimentos da mão do outro em suas nádegas e não conseguia dissipar seu nervosismo. Mil coisas estava a pensar naquele instante e apenas uma delas era que se encontrava despido junto ao seu namorado, deitado de bruços na cama enquanto era preparado com um líquido gelado e escorregadio em recantos um pouco mais discretos e escondidos de seu corpo.
Sentia-se mortalmente tenso: brigara com Hyoga mais cedo e o loirinho dissera claramente que não queria Aioros como seu padrasto e o impedira de encontrar-se com ele, dando ataques histéricos de adolescente em crise. Dessa forma, chamara o sagitariano até sua casa e estavam agora num dos quartos de hóspedes na metade da casa que pertencia a Milo, pois o seu filho estava trancado no quarto escutando música a todo vapor.
Já fizera isso algumas vezes quando ele ainda era criança, a diferença é que quando Hyoga ainda era pequeno, àquela hora já estaria dormindo e não faria idéia do que ele, o pai, estava fazendo. Sentia-se constrangido com aquela situação, mas o grego de olhos verdes parecia não se importar, afinal, levara o encontro de ambos à frente e até mesmo pedira para ser tomado. Aioros apenas sorrira docemente de início e depois com um toque de malícia.
Outra coisa que o preocupava era o sumiço de Milo. Ele saíra noite passada com os rapazes e até agora não dera sinais de vida, ou se ainda voltaria para casa naquele sábado. Provavelmente não, ainda mais pelo adiantado da hora. Trincou os dentes quando sentiu a barreira de sua musculatura ser quebrada com mais um dedo úmido de lubrificante. Não estava gostando de jeito algum daquela invasão e não conseguia parar de pensar onde o escorpiano se metera.
Camuflando seu desconforto numa máscara sem expressão, conjeturava os maiores absurdos que paradoxalmente pareciam tão prováveis. Ou mesmo tinha a repetição de imagens de algumas noites fatídicas em que o escorpiano abusara do álcool e o aquariano tinha aquela forte suspeita de que ele havia consumido algo mais do que alegava, indo com qualquer um aos toaletes ou acompanhando um total desconhecido até a casa dele, ou mesmo dois ou mais.
Arfou ao sentir o roçar do silicone em sua pele sensível. Talvez estivesse escutando a voz de Aioros ao longe, mas se ouvira, não tinha idéia do que ele havia falado. Pareceu contrair-se totalmente e seu corpo estava fechado. Apertou os olhos ao receber o parceiro, escondendo seu rosto dele.
Grunhiu algo. A glande ainda nem havia entrado toda e já não estava suportando ― aquilo parecia uma penitência, mas estava decidido de ir até o fim.
Onde será que ele estava? Como conseguiria convencer Hyoga de que o sagitariano era uma boa pessoa e que não iria tomar seu espaço em relação ao pai? O que será que mudaria em seu relacionamento depois da noite que estava tendo? O que mudaria em si mesmo? E se a coisa ficasse mais séria?
Continuou a ser preenchido e a essa altura a glande estava forçando um pouco a passagem, sem conseguir abrir caminho.
— Kamus, relaxe, está bem?
— Claro… vá em frente.
Todavia ficara ainda mais tenso ― envergonhava-se de estar a decepcionar o amante, mas ainda permanecia firme na sua idéia de levar aquela transa a cabo. Dessa forma, de onde estava, gritou de dor com mais uma investida, debateu-se para sair do suplício que lhe atingia, na tentativa de salvaguadar-se. Livrou-se do infortúnio com ajuda do grego e virou de lado a fim de não encará-lo.
— Kamus? ― Perguntou o sagitariano preocupado.
— Desculpe.
— Eu ainda nem tinha entrado.
-o-
— Uhhh! Milo, abre, ai(!!), aquela gaveta! — Saga indicou seu criado mudo com a mão esquerda, batendo-a desajeitadamente contra o móvel e voltando a segurar suas pernas para trás e deixando seus joelhos próximos às orelhas.
O escorpiano atendeu ao pedido, diminuindo o ritmo das estocadas. Ao abrir a gaveta sorriu, em pura malícia. Começou a retirar os objetos que lá se encontravam e jogava-os na cama sem o menor cuidado, apenas com pressa de poder usá-los.
Assim, o geminiano pegou um dos vibradores e espalhou lubrificante por ele, deixando um pouco cair nas costas do pintor, a fim de introduzi-lo no outro o quanto antes.
Enquanto o loiro recebia o brinquedo em si, baixou a cabeça para beijá-lo avidamente e em seguida murmurar:
— Eu quero as bolinhas.
— E vai ter. — Recebeu uma forte estocada — Todas. — Girou o dildo no canal de seu novo amante e ouviu-o expirar pesadamente — Bem fundo. — Com uma série de pequenas estocadas mais leves dadas por Milo, relaxou, até receber uma mais forte e imperiosa que as outras. — AH! E mais!
-o-
Aioros se virou para o seu próprio lado da cama e lá permaneceu até por volta das quatro da manhã. Depois de um breve cochilo que se seguiu à frustração, levantou-se, vestiu suas roupas de qualquer jeito e saiu do quarto, voltando ao seu próprio apartamento.
Com o sono leve que tinha, o ruivo logo percebeu que o grego se levantara, pois o colchão voltara à posição habitual. Sentiu-se impotente. Nada poderia contornar a situação. O melhor seria voltar à própria cama e dormir até o dia clarear, quando acordaria definitivamente.
Assim, esperou alguns instantes até o tempo que deduziu que Aioros já havia saído e voltou ao seu quarto.
-o.O.o-
Domingo. Uma semana antes.
Segundos após desligar o telefone, Milo já contara seus novos planos ao aquariano. Foi com um leve quê de sadismo que o observou arquear uma sobrancelha e abaixar a outra, como ele fazia quando não gostava de alguma coisa que ouvira.
— Vai à Lisístrata?
— Vou. Estou precisando dar pra alguém, Kamus! Uma rapidinha, não me importa.
— Tudo bem… não tem que me pedir permissão…
— Hahaha não estou pedindo, eu vou.
— Aham. — Kamus detestava quando o loiro ia àquele tipo de boate. Milhares de homens gays esfregando-se seminus num espaço lotado e muitos deles aproveitando para transar ali mesmo naquele ambiente cheio de vapores de bebidas e drogas. Assim, observou o outro recolher-se ao seu dormitório, com um leve ar felino envolvendo-o.
Dessa forma, pensou consigo mesmo: "Eu o queria em casa."
Passaram-se alguns minutos e Kamus levantou de sua cadeira na sala, pouco tempo depois que o grego o deixara sozinho. Instantaneamente encaminhara-se para o quarto de Milo, onde entrou sem fazer cerimônias, até porque não precisava, pois ele estava deitado na cama rabiscando algum desenho.
— Kamus?! — Ele virou o rascunho ao contrário, mas já era tarde para o ruivo não tê-lo avistado. Mesmo assim não adiantava, pois o aquariano já o deveria ter visto.
— Tava fazendo o quê?
— Riscando, somente. Senta aí. — Esperou que o psicólogo se acomodasse junto a ele — Sabe, Kyu, eu tava pensando… podíamos trocar o sofá da sala.
— Pra quê? Aquele tá novinho!
— Não tá não, Kyu! O forro tá gasto e se rasgando numas partes e o assento está afundado!
— Isso é bobagem, Milo. Eu estou sem dinheiro e você mais ainda. E esse sofá dura mais uns dez anos!
— Não senhor! Ele já está fora de moda, agora ― imagina daqui a dez anos!
— Eu não vou comprar outro sofá, Milo.
— Kamus, esse aí está totalmente brega. Um sofá de linhas retas, encosto baixo… e de couro seria muito melhor.
— Para a gente assar a bunda no verão? Não, obrigado. Os de encosto baixo são desconfortáveis de sentar!
— Ninguém senta na porra desse sofá mesmo, todo mundo fica deitado!
— Então pra que comprar um sofá novo se ninguém vai sentar nele? É comprar pra estragar.
— Se você não quer um sofá de encosto baixo, o que você prefere?
— Eu prefiro o que está na sala.
— Mas você odeia aquele sofá!
— Odeio mais ainda gastar dinheiro com bobagem!
— Então eu vou mandar reformar esse!
— Ah, faz o que você quiser! Compra outro, queime esse, mas me deixe em paz! Não agüento mais todas as vezes que você inventa que um móvel está fora de moda. Você não é decorador, porra! ― Kamus, no entanto, percebeu uma leve mudança na expressão do amigo ― O que foi?
O loiro ria de canto com olhos matreiros. Ele exalava um ar de quem sabia alguma coisa e não queria dizer, apenas pelo prazer de ter o poder de torturá-lo com o poder da informação desconhecida e preciosa.
— Um sofá de veludo vermelho.
— Hein? ― Piscou os olhos confuso.
— Nada melhor para uma transa. Sensual. Perigoso… — A aura de Milo parecia que estava a expandir-se e engatinhar sensualmente até o aquariano, colocando-se por cima dele e envolvendo-o num abraço fatal.
— Transar na sala? Com todo mundo dentro de casa?
— Exatamente: Perigoso. — Milo continuou com seu sorriso, que agora adquirira também um ar zombeteiro, alisando sua única unha comprida e pintada de vermelho. Normalmente para Kamus aquela unha era uma excentricidade um tanto quanto ridícula, mas lembrava-se da época em que ele próprio mantinha todas as unhas crescidas e esmaltadas em vermelho tão intenso quanto aquele, todavia, naquele instante não pensava nisso, apenas via a unha afiada do escorpiano arranhar-lhe levemente o rosto.
— Você é um exibicionista.
— Eu? — Sem nenhuma hesitação, Milo tirou dos botões de suas casas da desbotada camisa azul escuro de algodão que o ruivo gostava de usar quando estava em casa: sempre roupas velhas e confortáveis. Observou o olhar curioso do francês sobre suas mãos a desnudar-lhe o tórax. O que Kamus estaria pensando que ele queria com aquilo?
O que Milo queria exatamente era vê-lo sem camisa, como em outros tempos, só.
— Você quem se mostrou para mim tantas vezes.
O escorpiano, que até o momento mantivera-se de frente ao outro, pousou a mão no ombro esquerdo dele, forçando-o com delicadeza a deitar-se na cama junto a si. Pegou as duas abas da camisa dele, arrumando-as do modo que lhe parecia adequado. Moveu o queixo dele para cima, de maneira que ele o encarasse. Penteou com os dedos alguns fios ruivos desalinhados, colocando a maioria para trás, mas, uma mecha em especial, alocou propositalmente entre os lábios dele, abaixando levemente o inferior. Riu-se interiormente, pois o amigo o obedecia sem objetar, parecendo até que estava sob estado de hipnose.
Feito isso, pegou o bloco de papéis em que estivera riscando alguma coisa sem forma. Desvirou-o, acomodou-o sobre uma perna e pôs-se a desenhar novamente, só que dessa vez poderia fazer alguma coisa mais concreta, pois tinha um modelo vivo à sua frente.
Inclinando-se ligeiramente mais próximo ao rosto de Kamus, observando a face dele em todos os seus detalhes: as finas linhas que formaram-se em sua testa ao longo dos anos, os cravos em seu nariz, a barba que teria de ser feita mais cedo ou mais tarde, a cicatriz de catapora no canto direito de sua bochecha, próxima ao queixo. O mais chamativo, porém, era o olhar dele sobre si, a anterior curiosidade agora substituída pela serenidade e paciência por estar servindo de modelo novamente.
Ficaram ambos em suas posições. Milo observando e desenhando o rosto do aquariano e esse imóvel, apenas respirando. Quando o loiro virou-se em seu lugar, apoiando-se melhor para traçar o lápis pelo papel, virou seus cabelos espalhafatosamente para o lado, liberando o cheiro de seu perfume, que ele colocava apenas atrás da nuca, em respeito ao alérgico ao seu lado.
Foi aí que Kamus desistiu. Estar tão próximo ao outro estava a começando deixá-lo desconcertado como já acontecera algumas vezes antes. Não agüentou. Levantando-se da cama e dizendo ao escorpiano que não conseguia ficar tanto tempo no mesmo lugar como antes e que já estava ficando tarde e ambos tinham compromissos de manhã cedo ao que o outro concordou saiu intempestivo do quarto, deixando o desenho de um rosto quase perfeito e terminado de lado.
Enquanto se dirigia ao seu quarto, culpou-se pela desculpa sem qualquer credibilidade. Não era tão velho a ponto de não conseguir ficar parado ou mesmo passar uma noite em claro. Mas enquanto estivera deitado na cama com ele, admitira mais de uma vez para si: estava atraído, era óbvio! Estupidamente óbvio!
Desde que começara a sair com Aioros começara a reparar em outros homens com mais afinco e Milo era o mais próximo de si, mais próximo até que seu amante. Gostava da relação com Aioros e do próprio, claro, mas basicamente a ligação entre ambos se resumia a sexo ― e, melhor que isso impossível: sem cobranças, sem muitas preocupações, muita liberdade.
Poderia até sair com outros, se quisesse, mas não se sentia à vontade para isso ainda. Agora quanto a investir em Milo, não achava a idéia correta. Seria ótimo como estava sendo transar com um cara suprima com quem tivesse alguma consideração, mas o grego não era uma mera "consideração". Eram amigos havia anos e moravam sob o mesmo teto.
Lembrou-se de quando o acariciara durante sua sonolência e nas conseqüências que o ato trouxera para si mesmo:
"Quanto mais pensava nisso mais duro eu ficava… e nem eu queria que passasse, estava muito 'ligado' para isso. Então fiquei escutando se Milo ainda estava no quarto. Quando achei que ele já havia ido embora peguei a toalha de rosto do dele coloquei-a na boca me toquei o mais rápido que podia e quando gozei limpei todo resquício do que poderia indicar o que eu havia feito – não queria que ele viesse a me falar as mesmas coisas que eu falei para ele meses atrás – mas sempre há o cheiro… o jeito foi abrir a porta do banheiro e passar um desodorizante de ar e mantê-lo afastado de lá."
Entrou em seu quarto, mas antes, quando passara pelo corredor, esticou o pescoço para ver como estava Hyoga — ainda no quarto, com o controle da televisão ligado e assistindo uma outra barulhenta banda de rock americano com cara de quem iria adormecer em breve. Jogou sua camisa na poltrona que às vezes usava para ler antes de dormir, bem como sua calça e cueca, enfiou-se debaixo de seus cobertores e pôs-se a relaxar.
Naquela noite trancara a porta do quarto tinha uma leve idéia de que poderia acordar excitado e dera na telha que queria privacidade, até para poder se masturbar sossegadamente, não naquele sufoco que fora no dia de Natal e que estivera se lembrando havia pouco.
Ainda sentia o cheiro inebriante do aroma de cedro percorrer suas narinas. Parecia impregnado em sua pele, cabelos… Quem sabe só daquela vez? Já traíra algumas namoradas… poderia fazer de novo, até porque Aioros não era fiel, não existia fidelidade, apenas lealdade naquele compromisso. Além do mais, o escorpiano estava sofrendo por causa de Mime, poderia fazê-lo esquecer, várias vezes ele demonstrara interesse na sua pessoa, seria benéfico a ambos.
"Enquanto me satisfazianaqueles momentos, eu pensava na boca de Aioros me envolvendo, mas o cheiro de Milo parecia entranhado em mim e dessa vez de novo!"
Sentiu-se mal por um instante. Da maneira que queria agir não seria leal com o loiro.
"Já tenho praticamente trinta anos e não vou perder a batalha para os meus hormônios!"
Não teria coragem de simplesmente passar uma noite com ele, ou mesmo várias noites e vê-lo acordar, tomarem café juntos, voltarem para o mesmo espaço e iniciarem tudo de novo. Até quando duraria essa situação? E se um dos dois se envolvesse de verdade?
Livre de suas roupas como estava, jogou os lençóis de lado num único golpe impaciente e resolveu retirar até aquele último resquício de excitação que estava sentindo, na marra. Com um pouco de sorte adormeceria em seguida e não precisaria pensar mais naquilo.
-o.O.o-
No decorrer da semana.
A semana foi passando lentamente. Era engraçado ver a interação do casal de adolescentes não se desgrudavam para praticamente nada. Enquanto podia, o ruivo ficava de olho em seu filho e no "genro". Milo estava certo em afirmar eles deveriam estar no início de sua vida sexual. Era muito provável que eles se tocassem e acariciassem mutuamente enquanto estava fora, trabalhando, mas não achava que eles estivessem, de fato, transando.
Os adultos observavam, sorrindo para si mesmos, uma vez que Shun não se importava com a presença deles, mas Hyoga ficava constrangido. Realmente ele e o pai eram parecidos quanto à timidez, mas o aquariano mais velho já superara, ou assim achava, essa pequena barreira. Ainda melhor era quando o grego comentava alguma peripécia que já havia feito no âmbito seuxal e o loirinho ficava vermelho no mesmo instante, pois o japonês não tinha vergonha de perguntar os detalhes, o que só instigava o escorpiano, "ficava com vergonha por ele", era o que dizia.
E em se tratando dos adolescentes, as tardes entre eles não poderia ser mais agradáveis. Eram muitos beijos para um lado, beijos para o outro e amassos no sofá da sala, no pequeno escritório/biblioteca e no quarto de Hyoga. Já que os adultos haviam "desencanado" e lhes permitiam ficar em casa "se curtindo", visto que até mesmo Ikki — o qual eles descobriram ser bastante protetor, em excesso — permitira que o irmãozinho mais novo e protegidinho dormisse todas as noites da semana na casa do namorado, quando Shun finalmente convencera-o — do modo mais cínico que um virginiano conseguia fazer — de que ele não era um menina e que ninguém precisaria zelar por sua honra.
Sexta-feira, início da noite
E nesse se curtir, chegara o fim da semana e estavam especialmente agarrados, ainda mais porque o visitante voltaria para casa já no dia seguinte, sábado. Novamente estavam agarrados a si mesmos no tapete da sala, recostados a algumas almofadas que os moradores do apartamento sempre jogavam no chão ou nas cadeiras para poder deitar melhor no sofá, salvando apenas uma para melhor apoiar a cabeça.
Assistiam à reprise de House, gargalhando com as tiradas mal-humoradas e politicamente incorretas do médico que usava muleta e nos intervalos se beijavam, se acariciavam. Não prestavam muita atenção no seriado, de qualquer forma, mesmo porque Shun não sabia ler os caracteres gregos da legenda, apenas estava pegando as coisas do inglês diretamente, às vezes precisando de ajuda para entender o que diziam, mas na maioria do tempo, virava-se muito bem.
Hyoga estava angustiado porque o namorado estaria voltando para casa em breve e mal conseguia soltá-lo, mas aquela tarde seria guardada em sua lembrança por décadas. Aquele momento foi interrompido, porém, por uma exclamação de admiração:
— Que médico gostoso! E é australiano! — Exclamou o japonês.
— Quem? House? — Inquiriu Hyoga espantado.
— Não, o loiro! Escuta o sotaque!
— Ah, tá!
— É do tipo que eu gosto. — O afoito Shun beijou o namorado, quase tentando entrar nele.
— Não quer vir morar comigo? -Apesar de estar com ele ali, já estava triste, sofrendo com a expectativa da partida.
— Oga… a gente ainda vai se falar. Eu venho outras vezes, você pode ficar lá em casa também.
— Grande coisa ir à Rússia se eu não vou falar com a minha mãe.
— Hyoga, manda sua mãe se fuder!
— Como se fosse fácil!
— Tá, eu sei… — Shun mexeu-se no abraço que estavam, desfazendo o enlace. Deitou-se novamente, mas colocando o loiro por cima de si, a fim de ter mais posição de fazer carinho nos cabelos dele e em sua nuca. Foi nessa posição que os dois adultos que haviam acabado de chegar de um supermercado lotado os encontraram, reclamando desde a porta que deveriam ajudá-los com as milhares de sacolas e guardar as coisas (o aquariano, na verdade).
— Hyoga, J'ai besoin d'aide ici! — Exclamou Kamus que estava atordoado pelo dia de trabalho e ansiava por relaxar.
— Une minute! — Reclamou o filho que tinha um olho grudado na televisão, um na cozinha e o corpo grudado no de Shun.
— Deixa o menino, Kamus. Precisa não, Hyoga, a gente já acabou! — Falou Milo mais alto a última frase, para o desgosto do francês.
— Ahhh, você o defende demais!
— E você exige demais. Deixa ele. Quando Shun for embora você volta ao chato normal.
Não que eles tenham parado de argumentar um contra o outro aí, mas Milo finalmente se cansou e veio para a sala, esparramar-se no sofá, tendo jogado-se de qualquer jeito nele, produzindo um barulho alto de algo que iria quebrar a qualquer momento.
— É por isso que eu não compro sofá novo! ― A voz de Kamus ouviu-se da cozinha.
— Vai à merda, Kamus! — Gritou o arquiteto de onde estava, pouco se importando com os garotos que se encolheram ante o berro que fora muito próximo de seus ouvidos. — Seriado médico? O que aconteceu com E.R., caiu de moda?
— Enjoou. — Respondeu Hyoga com enfado, esforçando-se para acompanhar os diagnósticos que a equipe médica disparava a cada fração de segundo, como se um dia ele fosse realmente capaz de entender essas coisas.
— Ah não! E.R. É um clássico! Aprendi muitas coisas: a fazer traqueotomia com uma caneta e dizer 'gostoso' em croata: Dr. Kovach.
O adolescente russo olhou-o pare ele por um instante, um tanto incrédulo. Depois disparou o relâmpago que viera em sua mente, como geralmente acontecia:
— Mas ele é velho, Milo!
— Ele é da minha idade! (1) — Rebateu o grego indignado, observando o loirinho respondê-lo com o olhar de quem claramente dizia: 'e quer dizer que isso não é velho?' — Sai da minha frente ou você não chega nem aos dezesseis!
—Hahahahaha, eu concordo com Milo-san. Ele é gostoso, sim.
— Viu? Você devia ser como Shun, Hyoga, ele tem juízo!
— Qual é o motivo da briga? — Perguntou Kamus que enfim largara-se no outro sofá, esticando as pernas para cima, a fim de fazer sua circulação normalizar.
— Já assistiu E.R., pai?
— Não que eu lembre.
— Assistiu nada! Ahhhhhhhhhhhhhh!! Tá na hora de Queer as folk! Coloca no HBO, Oga!
— Esse é pesado pros meninos. — Disse Kamus, retorcendo o corpo para olhar para o grego enquanto falava, já que os sofás eram dispostos em "L" e as poltronas ficavam encarando o sofá menor.
— Para quem procura site gay na net, Queer é fichinha— Os adolescentes ficaram imediatamente desconcertados, mas agiram como se não fosse com eles e permaneceram em silêncio; qualquer manifestação de sua parte poderia ser usada contra ambos. — As cenas de sexo nem são tão pesadas.
— Deixe nesse canal, não é o que eles querem? E daqui a pouco você vai para a boate, com Aioria?
— E Saga também, não se esqueça. ― Disse tranquilamente, sem se preocupar com a ironia do ruivo ― Tô cansado. Andei por obras o dia inteiro! E ainda peguei a decoração da sala de visitas de uma riquinha frescurenta. Mas dinheiro é dinheiro!
O francês estava prestes a responder, quando o celular vibrou em seu bolso. Atendeu-o de imediato, sem sair do local em que estava descansando suas pernas. Falando com uma voz estranhamente contente, o ruivo ficou tagarelando alguns instantes com o amante/namorado, sob o olhar pesado e raivoso de Hyoga sobre si — e, algumas outras vezes, o grego olhava-o com o canto dos olhos.
— Ele te chamou pra sair? — Perguntou o lorinho num tom irritadiço e desdenhoso.
Shun, vendo que o loirinho retesara-se ao encontro a si e estava completamente armado para uma discussão gratuita, apertou-lhe a mão com força, claramente mandando-o parar.
— Chamou. Vamos jantar.
— Vamos ficar sozinhos então. — Constatou ele algo que estava muitíssimo claro, estreitando o olhar na direção do pai. Além de que, soltara a sua mão que o namorado apertava e encarava o ruivo desafiadora e petulantemente.
— Vocês não ficam sozinhos todos os dias? O que há de diferente?
— Nada. — Deu de ombros, seu tom era de um escárnio quase asqueroso, que estava deixando o francês irritado.
— E o que quer de mim? Que não saia? Não namore? Não encontre outra pessoa? É problema ser um homem? Você queria outra mãe?
— Eu não quero outra mãe! Minha mãe é a MINHA mãe! — Gritou, finalmente, fazendo Kamus levantar-se e sua vontade era puxá-lo dali tal qual ele fosse um boneco de pano. Todavia, o adulto limitou-se a fazer um gesto para segui-lo; não deixaria Shun desconfortável na última noite em sua casa, presenciando uma briga entre pai e filho.
Trancaram-se no quarto do aquariano mais velho, mas mesmo assim ainda era possível escutar o eco dos gritos de Hyoga, ou quando seu pai levantava a voz para tentar contê-lo um pouco.
— Você sabe por que ele está assim? — Indagou Milo, preocupado, para o jovem o japonês.
— Ele não gosta do namorado do pai.
— Aham. Mas ele nem o conhece.
— Ele diz que Kamus-san está escondendo o namorado, que não quer que ele o conheça. Mas não é só isso. — Disse a última frase de rompante. Não sabia como agir naquela situação constrangedora. Passar um tempo na casa de uma pessoa era uma coisa quando você a conhecia, mas existiam os outros habitantes daquela casa e se deve estar preparado para tudo. Ao menos tentar.
— Não, não é. Ele queria a mim e a Kamus juntos.
— É. Como sabe?
— É o que todos perguntam, ou querem dizer e não dizem. — Vendo Shun enrubescer um pouco, riu de leve e pousou a mão em seu ombro, mexendo-se em seu assento para olhá-lo nos olhos. — É bem óbvio, todo mundo repara. Eu sempre gostei de Kamus, Shun. Começou quando eu tinha sua idade, mais ou menos.
— Por que nunca fez nada?
— Porque com quinze anos eu achava que era um amor impossível e que era horrendo era estar gostando de meu melhor amigo. E também eu teimava em sair com meninas, beijá-las, transar com elas, mesmo sabendo que não era isso que eu queria. Depois disso ele casou. Você conhece essa parte da história. Comecei então a sair com homens… vi que as coisas não eram bem como eu pensava… ser gay é complicado, você sabe disso.
— Sei sim.
— E o tempo foi passando… passando…
— E ele nunca se interessou por você.
— Eu diria que nós dois nos acomodamos… Agora ele está com um cara, nunca esteve antes com um, e está feliz. Odeio isso. — Sorriu tristemente, denotando seu ciúme e fazendo o virginiano sorrir para si condescendentemente — O filho dele está junto, melhor assim. Eu arrumo alguém.
— Ele parece gostar muito de você, Milo.
— Isso eu sei. — Riu deliberadamente, achando que era apenas a constatação infantil e boba de um adolescente. — Somos muito íntimos.
— Não. Gostar.
— Não me dê esperanças, isso dói. — Olhou-o subitamente com a face mais obscurecida e denotando melancolia.
— Desculpe.
— Vou me arrumar. Amanhã à tarde levo você ao aeroporto.
— Obrigado, Milo-san. — Inclinando-se respeitosamente na direção dele.
— Hahahaha adoro seu sotaque e esse jeito educado. Já ligou para seus pais combinando a hora que você chega?
— Ikki ficou de ligar.
— Ligue você também. Use o telefone do meu quarto, não tem problema.
E saíram conversando amenidades, com o escorpiano tentando fazer com que Shun não se sentisse muito mais deslocado do que já estava, ficando sozinho na sala.
-o-
Enquanto isso, a discussão continuavaem tom menos inflamado, mas inabalavelmente tenso das duas partes
— Por que eu não posso conhecê-lo?
— Você quer conhecê-lo? Eu o chamo para subir quando ele vier me pegar.
— Não, não quero!
— Então fica difícil! O que você quer, Hyoga? Fale! Assim eu posso tentar fazer alguma coisa!
— Eu não quero nada!
— Não é o que está parecendo!
— Olhe, eu gosto dele, Oga. Você mesmo disse que não espera que eu fique sozinho.
— Eu sei!
— Vamos, por que te incomoda tanto?
— Deixa pra lá. — Desistindo de brigar, o rapaz teve um lampejo em sua expressão de um garotinho novamente, fazendo com que seu pai relembrasse os velhos tempos em que o tinha agarrado a si quando o levava para faculdade consigo e era insistentemente assediado por um bando de estudantes loucas para pegar seu filhote no colo e apertar as bochechas rosadas.
— Oh, petit. — Encaminhou-se para abraçá-lo, pegando-o contra si e alocando a cabeça dele no limiar de seu ombro e seu peito. Ele havia crescido e teria de aprender a lidar com isso. Estudava adolescentes todos os dias, mas quando se trata de seu próprio filho, a coisa era diferente. — Está triste, eu sei. — Continuou abraçando-se a ele, mesmo que o outro o fizesse de má vontade, podia perceber.
O mais novo nada respondeu. Não estava triste! Estava com raiva do pai. Primeiro porque não dizia com quem estava namorando, depois porque parecia que ele sabia de tudo que se passava consigo, mas não sabia uma vírgula! Ainda mais por causa "desse desconhecido", porque sabia quem era o tal cara! Tinha plena certeza de que era Aioros quem estava com o pai Kamus queria fazê-lo de idiota? Estavam se afastando por culpa exclusiva de seu pai e do idiota do namorado dele!
— Hyoga, eu preciso perguntar algo. Não é a melhor hora e eu já devia ter feito antes…
O jovem aquariano sentiu-se tímido. Alguma coisa no tom de voz e nas palavras escolhidas pelo francês o fizeram sentir-se apreensivo e indefeso. Droga! Ele queria sair dali, se pudesse já teria fugido, mesmo tendo sido ele próprio quem desencadeara a discussão.
— Você e Shun já transaram?
Corou profundamente. Por que ele tinha de perguntar essas coisas? Sentiu um frio indescritível na barriga, mesmo sabendo que o pai estava demorando a tocar no assunto, ainda mais pelos dias que o japonês vinha passando na casa deles.
— Ainda não. Só tenho quatorze. — Respondeu tentando esquivar-se do olhar inquisidor sobre si, no intuito de manter uma postura de superioridade, como há poucos instantes.
— Isso não impediu a mim e sua mãe. — O rapaz sentiu-se ainda mais constrangido. Desde quando o pai falava da relação dele com Natasha? — Eu tenho umas coisas para você.
— Não me diga que é o que eu estou pensando! — Tapou os ouvidos e fechou os olhos. Por que seu pai não o deixava em paz? Isso era coisa dele! Pensando bem, Kamus até demorara muito a se intrometer nesse assunto (não que isso o fizesse se sentir mais aliviado).
O ruivo abriu seu guarda-roupa, retirando algumas coisas de dentro dele. Colocou uma caixa e alguns tubos à sua frente. Pediu que o filho abrisse os olhos e voltou a falar:
— É exatamente isso! — riu-se.
— Não precisa. A gente não transa. — Fez uma última tentativa de livrar-se da conversa maldita, mas não havia jeito.
— E você pretende continuar virgem para sempre?
— Claro que não! — Revirou os olhos pela pergunta ridícula, bufando em seguida e olhando para seu interessantíssimo pé esquerdo.
— Olhe para mim. — Com um pouco de impaciência pediu-lhe atenção novamente. — Eu sei que é difícil para você, sei muito bem. Já passei pela mesma situação, agora me escute. Não gosto de ser hipócrita. Na sua idade eu já estava perto de não ser mais virgem, por isso você nasceu. Por outro lado você é gay, mas nem por isso não precisa tomar cuidado. Eu me preocupo que você venha a pegar alguma DST, logicamente! Você está com Shun agora, aproveite. Você é novo? Tudo bem, sinta-se preparado. Não estou mandando você transar com ele.
— Eu sei que não! Mas ele já está indo embora. Grande coisa você me dar um monte de camisinhas e lubrificantes!
— Talvez ele não seja o primeiro, Oga. — Os olhos do adolescente marejaram um pouco, mas voltaram ao modo desafiador que estava mantendo até agora. — Quero que você esteja prevenido, só isso. Adorei o Shun, acho que ele é muito menos emo do que gosta de aparentar, mas ele está indo embora. Tudo bem que eu demorei a falar isso para você e que não queria que você perdesse aula, mas mudei de idéia. Eu vou sair hoje e provavelmente volto tarde ou só amanhã. Milo também. Faça o que achar que deve, a casa será toda de vocês, só seja responsável.
— Posso ir? Já disse tudo? — Esperou por uma resposta verbal que não veio, então saiu mais do que rapidamente da presença do francês, remoendo a raiva por seu pai ultimamente só estar falando com ele em tom de briga. Milo estivera muito mais presente do que ele.
Nunca mais tinham apenas conversado. Ele só sabia passar o final de semana quase inteiro fora e voltar tarde para casa. Cansado demais até para jogar um pouco com ele. Só sabia brigar, reclamar, fazer cobranças! E ainda mais essa conversa despropositada agora.
Era do feitio de Kamus, admitia, mas sentia que ele só fizera isso para sentir-se sem culpas, por não ter lhe dado atenção nesses dias. Normalmente ele não demoraria tanto para dar alguma lição de moral, lição de vida, lição de qualquer coisa! Estava sentindo-se deixado em segundo plano.
-o.O.o-
Sexta à noite, algumas horas depois.
Kamus entrou no carro de Aioros sem cerimônias e assim que entrou, beijou-o com desejo. Mal se viam durante a semana e esperava que nas sextas à noite pudessem se encontrar.
— Onde quer ir? — Perguntou o grego, ligando o carro outra vez.
Ele estava bem vestido como das outras vezes que saíra com o ruivo, o que o fazia pensar: "Para quê? Invariavelmente acabamos na cama mesmo." Riu consigo mesmo ante o pensamento tórrido, já especulando como seria aquela noite, não queria ir jantar.
— Ao seu apartamento? — Indagou o aquariano com um sorriso maroto brincando nos lábios. — Poderíamos pular o jantar, o que acha? Aproveitar que Aioria não vai estar por lá… — Atrevidamente desabotoou a calça do moreno, colocando sua mão dentro dela.
Aioros olhou para o que o amante estava fazendo e para o trânsito tranqüilo daquela hora da noite.
— Estou com fome. — Disse simplesmente, sentindo a mão do outro contra sua pele. Iriam a qualquer lugar primeiro e depois voltariam para seu apartamento. — Como está Hyoga? Ainda com ciúmes de mim?
— Morrendo. Deu um ataque agora há pouco porque eu ia sair com você. Disse que eu estou te escondendo.
— Ele quer me conhecer? Eu poderia ir ao aeroporto com vocês amanhã, deixar o japonesinho.
— Não. Ele reclama que não sabe quem você é, mas depois diz que não quer saber.
— Hahahahaha!! Aborrecentes!
— Engraçado porque não é com você.
— Exatamente. Deixe minhas irmãs com os filhos delas. Eu e Aioria somos os inteligentes da família.
— Elas iriam adorar ouvir isso.
— Elas iam me castrar, cortar meu pau em rodelas, fritar e me dar para comer.
— Andei pensando no que você me pediu. — Mudou de assunto depois de rir ao imaginar a cena.
— E aí? — Perguntou com indisfarçada curiosidade.
— Vamos tentar aos poucos, certo?
— Claro.
-o.O.o-
E como previra o aquariano mais cedo, voltara para casa apenas de madrugada. Permitira de aquela vez tentar posições diferentes e até arriscara-se a deixá-lo introduzir dois dedos em si enquanto o estocava, o que fatalmente acabara potencializando seu prazer.
Aioros era um amante experiente, sentia-se seguro ao lado dele e, mesmo que soubesse que a maioria dos homens não soubessem onde se encontrava a própria próstata, ficara muito grato em ter sido apresentado à sua naquele dia.
Abriu a porta de seu apartamento, encontrando-o em silêncio. Não que esperasse que os meninos fossem dormir cedo, mas já era quase dia — no máximo uma hora para o amanhecer. Entrou em casa e odiou não ver as chaves de Milo jogadas sobre a mesa da sala. Ele passara a noite com alguém, portanto. Só esperava que tivesse juízo!
Bem, iria dormir. Não era a primeira vez que acontecia e nem seria a última pelo que conhecia do escorpiano.
-o.O.o-
Sábado…
Shun estava colocando seus últimos pertences na mala. Sentia-se cansado e seus ombros doíam... ele não tivera tempo para dormir o suficiente, na verdade mal haviam ido se deitar quando percebeu que seu sogro chegara em casa. Tivera de usar de sua boa vontade e paciência para ouvir o que Hyoga tinha para lhe dizer.
Na verdade achava o que o namorado estava exagerando na maior parte das coisas que lhe dissera. Como assim, sentir-se trocado pelo namorado do pai? Aquilo eram ciúmes puro e simples, porque não via esse desprezo do pai para com ele, pelo contrário. Bem, talvez ele quisesse proteger Milo, mas se nem o próprio grego estava fazendo alguma coisa para impedir o relacionamento de Kamus, por ele estava se intrometendo?
Mas entendia que ele estava passando por uma situação difícil a rejeição da mãe, a mudança de país, escola nova, ainda mais agora que ele, Shun, estava voltando para a casa dos pais… Se fosse outro momento teria mandado-o parar de chorar, todavia, nem ele próprio estava agüentando a idéia de se separar do namorado assim. Aceitaria se fosse um rompimento normal, mas isso?
Derramara algumas lágrimas, também. O consideravam emo porque era chorão. Bem, não ligava, até mesmo simpatizava com eles e passara a se vestir do modo característico e passara a escutar as músicas que eles tocavam e gostara. Portanto, para todos os efeitos, ele era emo e logicamente que o seu namorado aquariano adorava enchê-lo por isso.
Bem, quanto a Hyoga, observava-o a distância ele estava quieto, no momento... falava pouco. Contudo, a despedida deles fora por demais significativa. Voltou outra vez a lacrimejar, queria mais tempo com ele... Pensou em seu anfitrião escorpiano. Quantos anos mesmo ele havia dito que não havia esquecido o amor de adolescência?
Tomaram café na cozinha, ele e o russo, não muito animadamente. Enquanto isso, percebia que o francês parecia inquieto. Olhava para o relógio da cozinha de cinco em cinco minutos. Eram dez da amanhã, seu vôo saí a uma da tarde, tinha que chegar ao aeroporto lá pelo meio dia, por que a pressa?
— Milo está dormindo ainda? — Perguntou ao namorado, tentando puxar assunto.
— Ainda não chegou.
— Sério?
— Ouvi meu pai ligando pra os amigos dele. Ele detesta que Milo vá a essas boates, acho que é por isso que tava tão chato ontem.
— Pode ser. Será que ele chega a tempo de me levar?
— Não sei…
-o.O.o-
— Meninos, são onze horas, vamos indo que o aeroporto é longe.Vamos pegar um táxi.
— Ok. — Disse Hyoga de forma desinteressada.
— Oga, liga pra Mime e pergunta se ele quer vir com a gente. — Pediu o aquariano pegando o celular do bolso, chamou o táxi e em seguida ligou para Aioros. Discretamente seu filho prestava atenção na conversa, guardando os ciúmes para si.
Assim, ainda conseguiram chegar ao aeroporto um pouco antes de meio dia. Shun ficou enrolando do lado de fora do salão de embarque o tempo que foi possível, aproveitando o pouco tempo que lhe restava com o namorado e o irmão.
Era uma espera inglória. Não deveriam se abraçar, mas sentiam necessidade disso. Foi o jovem aquariano quem não agüentou e puxou-o para si, colocando a cabeça dele em seu peito. O japonês chorou um pouco, recompondo-se logo. Beijou Hyoga no rosto e tentava não se incomodar com os olhares cumpridos que eram dirigidos aos dois.
Já era quase uma hora da tarde quando tiveram que se separar de verdade. Despediram-se com um selinho rápido e o virginiano teve que finalmente ir esperar sozinho no salão de embarque. Vendo-se só, o adolescente loiro buscou auxílio em seu pai, que o recebeu no mesmo instante, abraçando-o fortemente.
— Vamos para casa, petit. — Disse o ruivo a afagar-lhe os cabelos.
— Foi um prazer tê-los conhecido, Kamus-san. Pena que Milo não pôde vir. — Comentou Ikki estendendo-lhe a mão num aperto convidativo.
O aquariano retribuiu o cumprimento, despedindo-se também de seu vizinho, Mime, que agradecido pela carona que lhe fora oferecida dali partiria para a casa do namorado.
Pai e filho seguiram até a entrada do aeroporto, despreocupadamente abraçados. O adolescente estava, afinal, aproveitando um momento só com o pai, fazendo a sua raiva pelo genitor amenizar um pouco. Estava tentando convencer-se racionalmente de que não deveria implicar com Aioros… pelo menos não por enquanto.
— Aioros vai vir nos pegar? — Perguntou casualmente sabendo da resposta. — Por que você não disse desde o começo que é ele?
― Porque não tínhamos nada sério. ― Rebateu o ruivo pacientemente. Estava estranhando a atitude de Hyoga, mas encarou-a como uma pequena trégua entre eles. Sentia que o filho estava estressado pela partida do namorado, antes mesmo de o japonês realmente embarcar. ― É que as coisas foram crescendo… e…
― Vocês não são um casal oficialmente.
― Isso.
― Está preocupado com Milo?
― Ele deve estar dormindo ainda. Dormiu demais ou algo assim.
― Vai gritar com ele quando ele chegar em casa? ― Riu tristemente. Queria apenas jogar conversa fora.
― Mas é claro. ― O francês percebeu o aparelho telefônico vibrar em seu bolso ― Meu celular, acho que ele está chegando.
Hyoga ficou calado. Logo estaria em casa e pelo menos poderia aproveitar a companhia de seu pai durante algum tempo. Estava distraído olhando para o nada quando o ruivo tocou-lhe o braço, dizendo que deveria entrar no carro que acabara de estacionar um pouco mais adiante e ele o fez, sentando-se no banco traseiro como era praxe.
O casal à sua frente recepcionou-se com um leve encostar de lábios, sendo que em seguida o sagitariano começou a locomover o veículo imediatamente, estranhando um pouco o fato de o psicólogo tê-lo procurado para um beijo justo defronte ao filho, mas não se incomodando, afinal deduziu que ele deveria ter contado. Olhou de relance para o adolescente e ele viu um leve olhar hostil sobre si, mas que logo se dissipou em meio a um semblante triste.
"Kamus tem razão, ele está morrendo de ciúmes". Pensou o grego, dirigindo o carro e falando amenidades com o amante.
― Aioria voltou para casa?
― Não. Dei alguns toques para ele, quando acordar, ele retorna. Mas que história é essa de Milo não ter celular? ― Indagou o moreno de olhos verdes ainda reticente quanto àquela história que lhe fora contada pelo telefone.
― Ele não tem. Detesta celular, diz que iria perder a privacidade e receber milhares de ligações do trabalho e ele não quer. É teimoso feito uma mula.
― Afff, Não! É muito excêntrico para o meu gosto. E quando acontece uma emergência?
― Ele vai a um telefone público.
― Tá brincando, Kamus?
― Tô não!
― Bom, ele aparece, mais cedo ou mais tarde. Deve estar tão cansado da noitada que não acordou ainda, ou mesmo já voltou para casa enquanto vocês estiveram fora. ― Olhou mais uma vez para trás, vendo que o rapaz estava com um semblante mortalmente entediado. Bem, não iria mexer com ele, deixaria que o pai desse um jeito.
― Quer passar a tarde lá em casa? ― Inquiriu Kamus despreocupadamente, observando a arquitetura antiqüíssima da cidade, como gostava.
― Se não for incomodar… ― Respondeu hesitante; olhava para Hyoga quase fixamente agora, que o encarava mal-humorado pelo retrovisor. Teriam problemas, mas se o francês achava que tudo bem, então para que se importar com o comportamento explosivo de um adolescente?
-o.O.o-
Almoçaram os três no apartamento de Kamus e Milo, sendo que o outro dono ainda não dera sinal de vida. Pediram comida chinesa num lugar qualquer e o russo comeu pouco ― pouco até demais ―, mas os adultos não disseram nada, conversavam serenamente e o aquariano até às vezes tentava inserir o filho no diálogo, mas sem muito sucesso.
O loirinho estava visivelmente se controlando. Suas atitudes eram mecânicas e calculadas, o semblante fechado e olhar de quem procurava briga. Após lavar sua parte na louça, tentou assistir televisão na sala, enquanto o pai e Aioros foram até o quarto a fim de namorarem um pouco ― nada de mais, apenas para aproveitarem a presença mútua.
— Estou preocupado com ele. — Comentou o aquariano enquanto conversavam a respeito de seu filho. — Ele está trancando tudo.
— Você não conhece ninguém assim, Kamus? — Perguntou o sagitariano com os braços cruzados e uma das sobrancelhas levantadas. — Você sempre foi do mesmo jeito que ele.
— Oros, não é só isso. Já vem algum tempo que ele não conversa comigo normalmente, estamos sempre discutindo.
— Isso é normal na idade dele.
— Também.
— Serão os ciúmes? Eu acho que não deveria ter vindo para cá justo hoje...
— Está tudo bem, acredite. Eu queria que Milo já tivesse chegado! Hyoga falaria com ele.
— Você não está com ciúmes de Hyoga com Milo? Você fala com um tom de desagrado.
— Falo?
— Fala Hyoga não conversa com você que é pai dele, mas conta as coisas dele pra Milo, que não é parente.
— Mas esteve sempre por perto. Praticamente o criou comigo.
— Então, por que isso te desagrada? Kamus, já que você está preocupado, vai lá, tenta conversar com ele, eu vou embora.
— Não, Oros, fique. Se eu ficar sozinho com Hyoga sem falar comigo e Milo sem dar notícias eu vou terminar enlouquecendo.
— Mas você tem Shaka e Mu aqui embaixo.
— Mas nem Shaka nem Mu são meus amantes, Aioros!
— Tá, eu fico. Mas vá lá e converse com o garoto.
-o-
O ruivo sentou-se na poltrona mais próxima ao filho e acomodou-se como se estivesse assistindo televisão com ele. Sentindo o peso do olhar dele sobre si, apenas esticou a mão e capturou-lhe os dedos, mexendo com eles para o lado e para o outro e rolando-os entre suas palmas.
— Milo ligou pra você? — Perguntou o adolescente.
— Não...
— Aconteceu algo? — Virou-se para o pai a fim de falar olhando em seu rosto.
— Espero que não.
— E Aioros vai ficar aqui? — Indagou com frieza. Esperava sinceramente que não, mas não precisava admitir isso em voz alta, ainda mais porque ele sabia que Kamus sabia também.
— Eu pedi para que ele ficasse.
— Oga, não vamos brigar de novo. Pelo menos tente se acostumar com a idéia.
— O rabo é seu...
— Hyoga! — Gritou furioso, sem saber o que dizer para reclamar. De tão chocado, não chegou nem mesmo a cogitar a idéia de apelar para o clássico: eu sou sei pai, me respeite! Ergueu-se de ímpeto, olhando-o furiosamente; nessas horas queria dar-lhe um belo safanão, mas aquela não era nunca a saída (mesmo que quando ele ainda era muito pequeno levasse uma palmada de vez em quando).
— Eu não gosto dele!
— Fale baixo. — Disse entre dentes — Ele não tem nada a ver com isso.
— Ah, mas você mal me disse quem ele era e já o trouxe para casa! Antes disso não queria nem que eu soubesse quem o tal fulano era. E antes ainda nem me queria dizer que estava saindo com um homem! Por quê?
— Eu tenho direito de transar com outro homem, não tenho?
— Não é isso!!
— E o que é? Você nunca fez caso de quando eu estava namorando! Por que isso agora?
— Porque eu não gosto dele!
— Você nem o conhece! Era muito pequeno quando ele mudou para a Inglaterra!
— Não vou com a cara dele! Mas não sou eu quem tem que gostar, é você!
— Exatamente! Então por mais birra que você faça, eu não vou acabarcom ele, entendeu?
— Não tenho nada a ver! Faça o que bem entende!
— Então por que essa implicância? São só ciúmes?
— Eu não estou com ciúmes desse idiota!
— JÁ CHEGA!! Eu sei que você está nervoso porque seu namorado foi embora, mas isso não te dá o direito de descarregar no meu! Ou você pára de agir dessa maneira ou eu vou ser obrigado a te deixar de castigo, entendeu?
— Por mim tudo bem! — o adolescente caminhou pesadamente até seu quarto, no meio do caminho complementou — Engasgue com o cacete dele! — Bateu a porta de forma tão feroz que o som reverberou pelas paredes de todo o apartamento, deixando seu "padrasto" desconcertado pela atitude dele.
Kamus foi até o filho, encontrando a porta trancada, logicamente. Furioso, esmurrou-a, chamando por ele o quanto lhe foi permitido, pois Aioros logo o impediu de continuar. Ele tanto o abraçou quanto o sacudiu a fim de conseguir desviar sua atenção por um instante, porque das duas uma: ou a porta iria cair ou ele teria um enfarte.
— Vamos para a varanda! — O sagitariano puxou-o pelo braço de um modo brusco e decidido, encontrando pouca resistência por parte do francês.
Mal chegaram e receberam uma baforada do vento frio no rosto, mas pelo menos estavam em um local mais tranqüilo do apartamento.
— Ahhhhhhhhhhhhh! Que vontade de matá-lo!! — O ruivo puxou algumas mechas de seus cabelos entre os dedos, pressionando em seguida suas têmporas e tentando expelir na forma de grandes exalações de ar toda a raiva que sentia no momento.
— Kamus, procure se acalmar. Não quero que você comece a ter uma taquicardia, sei lá!
— Eu tomei meus remédios.
— Mas controle a raiva!!
— Você viu como ele está! Eu juro que tentei falar calmamente com ele, mas Hyoga já chegou me atacando! Além disso, Milo até agora não chegou e já são quatro da tarde! Eu fico preocupado com ele e Hyoga também está.
— Eu liguei para Aioria. Ele disse que Milo saiu de lá com um homem, mas não me disse quem. Ele sabe se virar, Kamus. Você não disse que ele estava na fossa? Vai ver que teve química entre ele e o cara.
— Mas o que custa ligar e dizer que está vivo? — Indagou Kamus.
— Esquece o Milo!
— Tá. Vem aqui. — O francês puxou-o para si e o beijou sensualmente, esfregando seus quadris contra os dele. Em breve estariam na cama do quarto de hóspedes, com o grego sendo possuído pelo aquariano, mais uma vez.
Todavia, o ruivo apenas deixou que Aioros fizesse seu trabalho, pois, por mais que pudesse parecer submisso, ele era daqueles que "supervisonavam" o amante, demonstrando o que queria e como gostava, apenas aproveitando a situação.
Aquele beijo fez com que se sentisse melhor. Talvez fosse essa sensação que Milo dizia ser aquele preenchimento do vazio: ser cuidado, ter alguém para se importar consigo. Aioros mostrou-se não compreensivo, mas ao menos, atencioso. Ele se preocupava que seus desentendimentos com o filho pudessem afetar sua saúde.
Dessa forma, a fagulha da curiosidade foi consumindo-o aos poucos. A noite anterior havia sido imensamente prazerosa, bem como o estava sendo agora. Como seria a entrega completa? Decidiu-se: da próxima vez, ele seria passivo, não importava. Queria estar à mercê do sagitariano e conhecer cada sensação de se sentir protegido que ele poderia proporcionar. Se ao menos sua cabeça não estivesse tão cheia... bem, por isso mesmo deveria levar sua decisão à frente, delegar a outrem o comando de si.
-o.O.o-
Domingo, apartamento de Saga, seis horas da tarde...
— Sa… — Chamou o escorpiano em meio a sua letargia. Acordara há pouco e vira o letrista ao seu lado olhando para um ponto distante e com ambas as mãos cruzadas sobre a barriga desnuda, com alguns resíduos de sêmen ressequido.
— Hmmm…?
— Esqueci o que queria dizer… — Mentiu por receio de falar o que pensava. Talvez não fosse hora.
— Estava pensando em Kamus?
— Não estava. Não quando tenho esse belo espécime ao meu lado. — Achegou-se mais ao outro grego, aninhando-se contra ele.
— Você é dengoso como um irmão caçula. — Replicou o poeta, ao abraçar o loiro protetoramente.
— E às vezes, eu tenho essa impressão, de que você gosta de cuidar de mim. — E o arquiteto selou os lábios do outro com um beijo rápido e continuou grudado a ele, aninhado, sendo protegido.
— Conheço você desde criança. Já era adolescente quando você tinha só seis anos, talvez tenha tomado esse papel de irmão mais velho.
— Ganhei um irmão? Não, dois! — riu da própria piada boba e continuou — Adorei esse final de semana. Ainda mais porque você transa muito, Saga! — Cochichou essa última parte de forma matreira contra o tórax desnudo, ouvindo o som de sua voz reverberar no interior do peito do outro.
— E você não? Tô morto…
— Isso pra mim é PVC, a porra da velhice chegando.
— Engraçadinho… mas eu já devo ir pensando que talvez nos próximos anos o Viagra seja meu amigo.
— Que exagero, Saga! Nem Kamus é tão exagerado assim! Porra! — Limitou-se a xingar, franzindo os olhos e cerrando os dentes. Decidiu que deveria falar mesmo o momento não fosse o ideal — Saga, não quero que você pense que eu transei com você para me vingar dele, nada a ver, entende? Eu queria sair e transar e você estava lá. Você é um cara que eu valorizo, é meu amigo, não foi só mais um.
Saga refletiu um pouco e respondeu:
— Quando Aioria me convidou, eu pedi para que você fosse. Eu queria ficar lá com você, Milo. No Ano Novo, eu senti realmente tesão por você. Depois que você cresceu, ficou com um ar sexy e eu sempre achei isso, mas só. Agora, ter saído puto da cozinha daquele jeito na noite da virada de ano, me fez ver que você pode até gostar de Kamus, mas ainda mantém um pouco de dignidade. Ainda é senhor de si e não vai morrer se ele não te quiser. Totalmente o contrário de mim.
— E assim caem alguns ídolos…
— Te decepcionei?
— É meio bobo… não vou dizer.
— Vai, me diz. — Falou sorrindo e acariciando-o.
— Eu tinha a impressão de que você era um modelo. Desde criança eu queria ser igual a você.
— … — Puxou-o para junto e o beijou preguiçosa e carinhosamente, parecia que o mundo não existia além das bordas daquela cama, mas o escorpiano precisava voltar para casa, já era tarde e de manhã teria que trabalhar, assim como Saga.
-o.O.o-
Mesmo domingo. Mais de onze horas da noite.
— Onde você passou o final de semana inteiro?! — Foi a primeira pergunta que lhe veio, a qual já era esperada, assim que abriu a porta de casa.
— Transando com Saga até quase enlouquecer. ― Respondeu, deleitando-se com cada letra que pronunciava.
— Eu não acredito que você esteve com Saga! ― Deixou transparecer toda a sua preocupação em forma de raiva, como se Milo fosse uma criança fujona ― Eu estava preocupado, liguei pra uma porção de nossos amigos perguntando por você! Eu estava louco aqui em casa, pensando que você poderia ter sido drogado e violentado! Você sabe o quanto eu odeio que você vá a essas boates e não me avise sequer se vai voltar para casa.
— Então você foi muito burro, Kamus. ― Ergueu uma sobrancelha debochadamente, juntamente com o canto do lábio ― Se você tivesse ligado justamente para Aioria ou Saga saberia em dois tempos onde eu estava. Eu saí com eles, não foi? Eu sou criança, por acaso, para dar satisfações a você quando chego em casa? Eu estava com Saga e gozei nesses dois dias como há muito tempo eu não gozava.
— Aioria falou que você tinha saído com um homem, mas não disse quem! E o celular de Saga estava desligado!
— Azar... — Disse o escorpiano com desdém.
— Você é um idiota se acha que Saga sente algo por você! Ele está te usando para esquecer Aioros!
Voltou-se para Kamus com um leve olhar divertido. Estava encontrando um imenso prazer em dar respostas atravessadas ao outro. Era bom vê-lo desconcertado daquela maneira.
— Grande coisa, eu o estou usando para esquecer alguém também e aí? ― deu de ombros displicentemente ― Kamus, nós dois só queríamos transar, o que não é nada de mais! ― falou com uma certa impaciência, qualquer um precisava de sexo, ora essa, ainda mais um homem que estava tentando curar a dor de um amor não correspondido― E eu adorei ver meu pau saindo e entrando nele, me dava ainda mais tesão. Melhor do que isso era quando ele me comia, de pernas bem abertas e depois de dar vários tapas na minha bunda, porque eu pedi a ele que me batesse. Cada gozo era melhor que o outro. ― Espreguiçou-se lascivamente, caminhando com um discreto rebolado, como se estivesse cercando o francês.
— E pra que você está me contando como se humilhava para ele? Por mim você tinha dado de quatro que eu não me importaria! Só não queria que você bancasse o irresponsável e desaparecesse por dois dias! Eu me preocupo com você e Hyoga também ficou tenso com seu sumiço! O Shun foi embora ontem e você esqueceu!
— Não coloque seu filho no meio. Não tô a fim de chantagem emocional. Você sabe o quanto eu gosto dele e não faria nada de propósito para magoá-lo. ― Parou de brusco, assumindo uma posição mais agressiva, inclinando-se para a frente, como se quisesse enfiar o dedo na cara do outro, mas ainda controlando-se ― Depois eu me desculpo com Hyoga, mas a você eu não devo nada! E aí, Aioros já te deu o pé na bunda porque não conseguiu te comer uma vez que fosse? Você é extremamente egoísta! Pode ser muito bom pra você, mas pra ele é altamente irritante, sabia?
— Para sua informação, nós até tentamos, mas eu não agüentei, satisfeito? E, sim, ele está propenso a acabar essa porra desse caso! E o que vou fazer, merde? Eu gosto dele, mas tenho que aceitar! Não posso obrigá-lo a ficar comigo! ― O ruivo alteou a voz, gesticulando muito com os braços, parecia, finalmente, ter perdido o autocontrole.
— … Você devia estar tenso. ― Milo mudou subitamente de tom, devido à aparência fragilizada que o outro demonstrou.
— CLARO QUE EU ESTAVA!! Você tinha sumido do mapa, eu e Hyoga brigamos e nunca tive um pau enfiado na minha bunda, cacete! ― Depois do rompante, enfim baixou o tom de voz, escondendo o rosto com as mãos, envergonhado pela confissão ― Ele mal começou e eu pedi para parar.
— Brigaram de novo?
— ... — Baixou os olhos num claro sinal de nervosismo e um pouco de culpa.
— Tá, Kamus, eu devia ter ligado. ― Milo admitiu que estivera em parte errado. De fato, não deveria ter tomado "chá de sumiço", mesmo que em tese não devesse qualquer satisfação a ninguém, mas morava com Kamus e Hyoga e aqueles três em muitos sentidos eram sua família.
— Não tudo bem.
— Você se machucou?
— Aham. Ele colocou só um pouco, mas eu estava todo fechado. Cada um virou para seu lado, não tentamos de novo.
— Não, Milo. Deixa pra lá, não quero que você se sinta culpado. Eu insisti numa coisa que não estava dando certo. Você já tinha me avisado milhões de vezes, ele me avisou também. A culpa foi exclusivamente minha.
— OK. Eu... vou tomar banho… — Disse sem muita convicção e virando as costas para o aquariano. A culpa não era sua de o francês ter se machucado, mas era se ele estava nervoso e preocupado por sua causa. O pior de tudo é que agora tinha aquela sensação ruim de culpa dentro de si que acabava por estragar quase completamente um final de semana maravilhoso.
Assim, tomou seu banho e catou algumas coisas no armário do banheiro. Verificou a data de validade e com a toalha ainda amarrada na cintura, trouxe os objetos consigo e meio que jogou-os no ar entregando-os a Kamus que o olhou meio aturdido pelo gesto repentino.
— K.Y.? — Perguntou o ruivo estranhando a atitude.
— Para usar da próxima vez. A pomada é para usar agora. E se lembre, Kamus: se não dá, você não dá. Entendeu?
— Certo. — Nem deu tempo de responder mais alguma coisa, pois o arquiteto já voltara ao próprio quarto, deixando o aquariano no lugar em que encontrara e, apenas em seu inconsciente, vingado.
Continua...
(1) Licença poética XD. O ator deve ter pra lá de trinta, ou quarenta . e essa é a idade que Milo acabou de fazer trinta.
Gente! ACABEI! ACABEI A CORREÇÃO!! Sério, esse capítulo ta pronto há mais de um ano (#exagerada# quem sabe um ano)! O que estava faltando era corrigi-lo para poder postar.
Claro, não era só esse o motivo, na verdade, depois daqui, eu cheguei a um impasse na fic. Simplesmente não sei como emendar o capítulo que vem com o final! #querendo achar uma corda suficientemente grossa e uma viga forte#.
E, desculpem, demorei demais. Para falar a verdade, os dois grandes motivos para a espera de vocês foram: 1) eu estava nesse impasse, como já disse; 2) uma amiga pediu para eu só postar o capítulo quando ela deixasse uma review para mim, mas ela teve inúmeros contratempos — não vou deixar o nome dela por motivos de segurança XD.
Para falar em outras coisas: Hyoga é mesmo um legítimo filho de pais separados, não? Raras exceções eu vejo alguém se dar realmente bem com madrastas ou padrastos…
Ah!! Tenho que dizer que estou imensamente feliz!! Eu encontrei duas de minhas melhores amigas nessas férias: a Ansuya, linda, linda, linda milhões de vezes!! é uma fofa! muito carinhosa e meiguinha. e a Anushka (Dark Angel, Anne L. Mouton – a autora de red tiger, acidentalemnte apaixonados, amor colegial e quem escreve duas fics em conjunto comigo: more than words e a última provação de shaka) que veio do Rio até Natal (é, eu moro em Natal, Rio Grande do Norte) passar uma temporada, mas eu tava em outro estado e quase não cheguei a tempo de vê-la. Minhas duas queridas, eu adoro vocês! Queria poder vê-las todos os dias!!
Lógico que preciso agradecer às reviews recebidas! Nunca chegaram tantas o.o! E mesmo ao pessoal que me cobrou o capítulo, obrigada, na verdade eu gosto que me cobrem, porque isso demonstra que a fic não foi esquecida. A quem ainda eu não respondi, responderei, juro!
Gostaria de dedicar esse capítulo, mais uma vez a Illy, quem betou, se acontecerem erros como da outra vez, é devido à minha impaciência em corrigir, porque esta ansiosa para postar e ver a reação de vocês quanto aos lemons… e, claro, sem o comentário da Chibi um ano atrás, eu não teria tido a idéia para isso, thanks, Chibi!
Por último, não deixem de visitar o site com o programa de May e, na cara dura assim mesmo, me mandem reviews. Preciso que vocês me mandem suas impressões do que aconteceu até agora, porque não estou conseguindo escrever e esse hiatus criativo já dura alguns meses.
Beijos, a todos e todas! Espero que se divirtam e até o próximo (tentarei de tudo para que a espera de vocês seja menor).
Ilía
