Título: Sorte de Herói – Epílogo

Autora: Amy Lupin

Beta: Lunnafe

Par: Harry/Draco

Classificação: T

Avisos: o Projeto Sectumsempra de Amor não Dói III acabou, e agora esta fic também...

Razão utilizada: 124. Todas as anteriores e mais infinitas razões posteriores.

Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencentes a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bros. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.

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Draco fez uma careta quando ele e Harry desaparataram em frente ao prédio antigo e depredado.

"Por que é que eu estou fazendo isso mesmo?" o loiro perguntou.

"Porque eu pedi?" Harry devolveu com um sorriso contido e os dois se adiantaram alguns passos. Assim que atingiram a soleira da porta, a fachada do prédio mudou. Era um edifício antigo e rústico, porém não havia pichação nem buracos nas paredes, como os feitiços anti-trouxas faziam parecer. Uma placa dizia "Orfanato St. Starkey" e uma bruxa de coque no cabelo e ar severo atendeu à porta.

"O que posso fazer pelo senhor agora, Sr. Potter?" a bruxa falou com ar de poucos amigos.

"Sinto muito, Sra. Ethelred. Trouxe as autorizações do Departamento dessa vez" Harry estendeu um pergaminho com o selo do Ministério, que a mulher examinou atentamente.

"Ah, que curioso. É a sua assinatura aqui no final, Sr. Potter" a mulher falou, sarcástica. Fazia alguns anos que Harry fora promovido a Chefe dos Aurores por sua habilidade de entrar e sair de problemas relativamente ileso. Alguns chamavam aquilo de sorte, mas Draco sabia que ia muito além do puro acaso. A Sra. Ethelred olhou então para Draco por cima dos óculos. "E o que ele está fazendo aqui? Ele não é um auror".

Draco lançou um olhar acusador na direção de Harry esperando que ele se sentisse culpado o suficiente por tê-lo arrastado até ali. Inomináveis dificilmente saíam do Ministério durante seu expediente, pois seus assuntos eram secretos demais para correrem o risco. Quando Harry mencionara que havia encontrado um objeto intrigante no esconderijo de um Comensal fugitivo, Draco havia se recusado a acompanhá-lo, insistindo que Harry chamasse outro inominável. Não apenas pelo tipo de olhar que recebia das pessoas, mas também porque todo o Mundo Bruxo sabia do relacionamento deles – que já estava caminhando para o décimo primeiro aniversário - e ninguém levaria o assunto a sério caso vissem os dois juntos. Muito menos em frente a um orfanato.

Mas, como sempre, Harry possuía um jeitinho todo especial de convencer o companheiro a fazer suas vontades.

"Draco Malfoy está mencionado aqui como representante do Departamento de Mistérios" o chefe dos aurores explicou.

A Sra. Ethelred baixou os olhos novamente para o ponto do pergaminho que Harry apontava e crispou o lábio superior, mas acabou cedendo, dando passagem para ambos.

"Entrem. Mas sejam discretos. Já foi ruim o suficiente acalmar as crianças depois da sua última visita, Sr. Potter" ela resmungou, guiando-os para uma salinha de onde eles podiam ver o pátio do orfanato, porém não poderiam ser vistos. "Em que posso ajudá-los?"

"Seremos rápidos, Sra. Ethelred. Mas precisaremos falar com Elliot, se a senhora não se importar".

Aparentemente a bruxa se importava, mas abriu a porta e gritou por Elliot. Draco levantou uma sobrancelha para Harry, que encolheu os ombros, divertido. Ele havia falado que a responsável pelo orfanato era enérgica, mas o loiro estava admirado. Era difícil encontrar pessoas que não lambiam o chão que Harry passava.

Através da janela de vidro, Draco pôde ver quando um garoto que estava sentado numa roda de leitura se levantou e o Inominável logo percebeu que Elliot era mais velho que a maioria das crianças. As outras ficaram curiosas ao vê-lo se afastar, porém logo voltaram a atenção para a bruxa de ar simpático que segurava um exemplar d'Os Contos de Beedle, O Bardo.

Elliot era um garoto de cabelos cor de areia e olhos castanho-claros com o cabelo cortado rente ao couro cabeludo, como todos os outros garotos do orfanato – provavelmente para evitar epidemias de piolhos, Draco pensou. Era magrinho e frágil, porém caminhou até a salinha com o queixo erguido em desafio. Ele tinha o olhar rápido e atento, como se desconfiasse de tudo e de todos ao seu redor. Quando viu Harry, seus olhos se arregalaram levemente numa breve demonstração de excitação, porém ele logo encobriu a emoção com desinteresse quando percebeu que o auror não estava sozinho.

"Cumprimente os nossos visitantes, Elliot" a Sra. Ethelred admoestou severamente e Elliot deu um passo à frente estendendo a mão para Harry.

"Olá, auror Potter".

"Olá, Elliot. Você pode me chamar de Harry" o moreno cumprimentou de volta com brandura. De certo modo Draco admirava o jeito que Harry tinha de lidar com as crianças, em especial. Sua fama fazia com que elas parecessem amedrontadas e incertas ao se aproximarem, porém o Herói do Mundo Bruxo logo fazia com que se sentissem a vontade. "Esse é Draco Malfoy".

"Prazer em conhecê-lo, Sr. Malfoy" o garoto falou com uma sobrancelha levantada. Por um momento Draco achou que ele estivesse desdenhando de seu nome, então se lembrou de que ele tinha sustentado a mesma expressão ao apertar a mão de Harry.

"Draco trabalha no Ministério também" Harry continuou quando Draco não fez menção de dizer nada. "Infelizmente não posso dizer a vocês o que ele faz lá, senão teria que obliviá-los" ele sorriu, porém nem a Sra. Ethelred nem o garoto o acompanharam. Harry limpou a garganta. "Draco está aqui para ver o Murphy. Você poderia mostrar o caminho para ele, Elliot?"

"Claro" Elliot falou encolhendo os ombros e então, diante do olhar severo da Sra. Ethelred, acrescentou indicando a porta. "Se o senhor fizer a gentileza de me acompanhar, Sr. Malfoy".

Draco lançou outro olhar questionador em direção a Harry, tentando lhe passar uma mensagem do tipo: 'Você não está pensando em me deixar sozinho com o garoto, está?'. Mas Harry estava.

"Preciso resolver alguns detalhes sobre as próximas visitas dos aurores para terminar de recolher as provas do orfanato, Draco. Encontrarei vocês dois em um minuto" o moreno respondeu, fingindo não reparar na ameaça implícita do companheiro.

Draco estreitou os olhos na direção dele antes de crispar o lábio superior.

"Como quiser" ele falou e seguiu o garoto porta afora.

Diferente de Harry, Draco não sabia lidar com crianças. Enquanto o moreno achava os enteados fofos e espertos, Draco achava-os irritantes e burros. Mas havia algo intrigante naquele Elliot, embora o loiro ainda não conseguisse distinguir o quê.

Enquanto caminhavam em silêncio por alguns corredores e um lance de escadas, Draco avaliou o menino. Elliot não devia ter mais do que oito anos, apesar de visivelmente se esforçar para parecer mais velho. Porém seus olhos demonstravam muito mais astúcia do que sua aparência frágil. Quando Harry mencionara que um garoto havia encontrado o esconderijo de Travers, o loiro imaginou que o menino teria esbarrado por acaso com o local. Agora desejava ter prestado atenção no detalhamento do caso enquanto Harry tagarelava sobre ele – ou seja, durante a última semana inteira.

"É aqui" no final de um corredor mal-iluminado Elliot indicou uma porta lacrada por magia dos aurores e vários avisos afixados na porta.

Draco sacou a varinha e desfez os feitiços. A porta rangeu ao entrar e Draco percebeu os sinais recentes de arrombamento na madeira. O lado de dentro apresentava muito mais indícios de habitação, apesar do cheiro de poeira e pergaminhos velhos. O porão aparentemente era utilizado para arquivo de fichas antigas e estava abarrotado, motivo pelo qual havia sido inutilizado.

"Por aqui" Elliot indicou um corredor estreito e entulhado que Draco teve dificuldade de seguir. O garoto, no entanto, se enfiava em qualquer vão, sumindo de vista num instante.

Draco praguejou quando fez um rasgo na capa ao passar por uma brecha. Finalmente chegou aos fundos do porão, onde havia uma cama improvisada, um rádio, algumas edições do Profeta Diário, restos de comida apodrecida e ossos, além de vários objetos de valor, provavelmente roubados. Entre estes últimos, se destacava um objeto de vidro azul brilhante e curioso. Várias pegadas indicavam que os aurores já haviam passado por ali, mas mesmo assim Draco tomou o cuidado de não tocar em nada.

"Lá está ele" Elliot apontou para a escultura de vidro azul.

"Ele?" Draco levantou uma sobrancelha para o garoto antes de se aproximar com a varinha apontada para o objeto.

"Harry e eu o apelidamos de Murphy" o garoto respondeu e Draco pode perceber como o garoto se sentia ousado pela intimidade com o maior bruxo da atualidade.

"E posso saber por quê?" Draco questionou após uma breve inspeção preliminar em Murphy. Se não fosse pelo formato peculiar e retorcido, o Inominável teria bufado, dizendo se tratar de uma bola de cristal com efeitos especiais e todos poderiam ir para casa felizes. Mas o líquido que se movimentava, rodopiava, expandia e contraía dentro do objeto retorcido era visivelmente mais do que uma simples bola de cristal fora do padrão. Enquanto o loiro observava, ele passou de brilhante para opaco, de líquido para sólido e de volta para líquido, de rápido para preguiçoso...

"Porque ele parece ter vida" Elliot explicou, também se aproximando. "Não há um padrão nos movimentos do líquido. É como se ele reagisse ao ambiente" e, como que para comprovar, Elliot estendeu a mão em direção ao objeto. Draco se preparou para gritar furiosamente, porém não foi necessário. O garoto estacou a poucos centímetros de tocar o vidro, causando uma reação diferente em seu conteúdo.

"Que diabos" Draco falou, inclinando a cabeça para o lado. Era como se o líquido tivesse se encolhido, como um animal assustado. Elliot manteve a mão parada e o líquido tornou a expandir-se lentamente, como se ganhasse confiança até tornar a espiralar e voltear preguiçosamente.

"Viu?" Elliot falou, satisfeito ao abaixar a mão.

Draco se irritou com a presunção do garoto e arregaçou as mangas.

"Afaste-se" ordenou secamente e conjurou um saco especial, levitando o objeto cuidadosamente para dentro do recipiente antes de lacrar e segurar, mantendo-o a uma distância segura. "Vamos".

"Você vai apagar minha memória sobre Murphy?" o garoto questionou em tom coloquial enquanto eles refaziam o caminho para fora do porão.

Draco se sentiu tentado a dizer que sim, mas acabou desistindo. Não era como se Elliot estivesse propenso a se assustar com a perspectiva.

"Não. Mas você provavelmente nunca mais vai ouvir falar dele" o loiro se recriminou mentalmente por tratar o objeto como um ser animado. Porém quando viu, estava puxando conversa com o garoto enquanto desviava o saco cuidadosamente das caixas empilhadas. "Como foi que você descobriu isto aqui?"

"Os funcionários começaram a dar por falta de algumas coisas na cozinha" Elliot falou com uma ponta de sarcasmo que o fez parecer ainda mais crescido aos olhos de Draco. "É claro que as suspeitas começaram a recair em mim. Sou o mais velho daqui. Ninguém suspeita de um garoto de cinco anos, mas um de quase nove é esperto o suficiente para roubar doces. 'Dê mais um par de anos e ele será um perfeito delinquente', é o que eles pensam. Aqui".

Eles chegaram à porta novamente, porém Elliot apontou para uma janela que dava para o corredor.

"Ela está enferrujada e emperrada de um lado" o garoto explicou, apontando para a crosta de ferrugem nas bordas da direita. "Mas as dobradiças estão mais fáceis de se abrir do outro. O porão não tem feitiços anti-aparatação, mas o resto do prédio tem. O cara estava se esgueirando por aqui para roubar nossa comida durante a noite. Eu escalei a janela e descobri o esconderijo" Elliot terminou com um dar de ombros. "É claro que eu esperava encontrar um furão ou uma raposa, já que há um bosque aqui por perto".

Draco estava pasmo. Mas conseguiu disfarçar bem.

"Aonde é que Potter se meteu?" o Inominável perguntou espiando o corredor.

"Você chama o seu namorado pelo sobrenome?" Elliot questionou e Draco o encarou procurando por algum sinal de deboche ou mesmo de repulsa no rosto do menino. O que encontrou foi pura curiosidade.

"Alguém já disse que você faz muitas perguntas?"

Aquilo fez um sorriso torto surgir no rosto do garoto, que acenou afirmativamente como se tivesse acabado de receber um elogio.

"Aí estão vocês" Harry falou do topo da escada e o rosto de Elliot se suavizou levemente, fazendo com que ele parecesse um pouco mais com um garoto de oito anos e menos com um anão convencido. "Sinto muito pela demora. Facilitar minha vida não está na lista de afazeres da Sra. Ethelred. Espero que ele não tenha importunado você com um monte de perguntas, Elliot".

Elliot deu um sorriso infantil. Que logo morreu quando seus olhos se encontraram com o de Draco.

"Muito engraçado, Harry" Draco enfatizou o primeiro nome do companheiro e por um momento se imaginou mostrando a língua para o garoto. "Já peguei o objeto. Podemos ir?"

"Claro!" os três voltaram pelo corredor, Harry e Elliot marchando mais à frente, conversando animadamente enquanto Draco seguia logo atrás.

O loiro tinha perfeita noção de que não fazia sentido se sentir ameaçado por causa da atenção que seu companheiro dava a um garoto. Havia superado boa parte de sua insegurança depois de todo aquele tempo, apesar de ainda precisar ser relembrado de tempos em tempos do quanto Harry o amava. Porém, ao mesmo tempo em que se sentia enciumado, Draco sentia também um aperto no peito ao pensar que Harry havia aberto mão de ter filhos por sua causa. O moreno sem dúvida teria sido um ótimo pai. Havia algo em Harry que dizia que seu potencial estava sendo subutilizado pela maneira como ele tratava seus afilhados e a prole Weasley em geral.

Draco lembrou-se com amargura das palavras que seu pai lhe dissera anos atrás. 'Ou você realmente chegou a acreditar que algum dia vocês seriam uma família?'.

Harry e Draco haviam provado a Lucius que podiam viver muito bem como um casal, apesar de seu pai ainda ter esperanças de que um deles acabasse estragando tudo. Lucius ainda não perdia uma oportunidade para desfilar uma lista de pretendentes para o filho e deixar claro que não estava tarde para mudar de idéia e conseguir um herdeiro legítimo, uma família de verdade.

Draco faria trinta e um anos dentro de alguns meses e já havia descartado várias sugestões de Harry sobre adoção. Tanto que fazia alguns anos que o moreno não tocava mais no assunto. Draco argumentava que os dois não saberiam criar uma criança, um deles teria que sacrificar parte de sua vida profissional e acabaria jogando aquilo na cara do outro em algum ponto de suas vidas. O que certamente fazia sentido...

Mas a verdade era que Draco tinha medo de ser um péssimo pai.

"Obrigado pela ajuda por enquanto, Elliot" Harry apertou a mão do garoto quando eles se aproximaram do pátio.

"Você não acabou por aqui, acabou?" o garoto perguntou, aparentemente se esquecendo por um momento de não soar ansioso.

"Receio que não" a Sra. Ethelred resmungou ao se juntar a eles. "Mas deixe de jogar conversa fora, garoto. Todas as outras crianças já voltaram para a sala de aula. Eu sugiro que você faça o mesmo".

Sem nenhum choramingo, Elliot se despediu e se afastou. No entanto Draco achou que seus ombros pareciam um pouco mais caídos do que alguns minutos atrás enquanto o observava se afastar.

Depois de mais algumas reclamações da Sra. Ethelred, Harry e Draco voltaram para o Ministério e não se falaram até o final do expediente.

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"E então? Como foi a recepção de Murphy no Departamento?" Harry perguntou ao se sentar ao lado de Draco no sofá em frente á lareira e oferecer-lhe um copo de hidromel.

"Animada" Draco deu de ombros, baixando o livro que fingia ler, e aceitando o copo. "Fazia séculos que não colocávamos as mãos em algo novo. Ainda estarão falando disso como a nossa mais nova aquisição daqui a dois anos, pelo jeito que as coisas andam por lá".

"Eu sabia que era alguma coisa grande" Harry falou pensativamente. "Garanto que Travers nem imaginava a fortuna que podia ter feito com aquilo. Ou talvez não tenha conseguido uma boa oportunidade para vender".

Eles ficaram em silêncio por algum tempo observando as chamas. Draco ouviu o ranger do couro do revestimento do sofá quando o moreno se virou para beijar seu pescoço. O loiro fechou os olhos e teria sido muito fácil se deixar levar, se Draco não sentisse que não suportaria nem mais um segundo se não fizesse a perguta que o estava incomodando.

"Para onde eles mandam as crianças quando elas ficam grandes demais?"

Harry paralisou por um momento e se afastou para encará-lo. Limpou a garganta, umedeceu os lábios lentamente e pousou o copo na mesinha de centro.

"Levam para outro orfanato especial para adolescentes. Na verdade se parece mais com um reformatório do que um orfanato. Já é raro as pessoas adotarem crianças maiores que cinco anos, que é o período em que as crianças geralmente demonstram sua magia, que dirá adolescentes" o moreno fez um careta, então encarou o loiro com curiosidade. "Por quê?"

Draco estava prestes a dar uma explicação qualquer quando percebeu o brilho intenso dos olhos do companheiro e a maneira como ele parecia conter sua ansiedade. O loiro estreitou os olhos e apontou um dedo acusador para o auror.

"Você planejou isso".

"O quê?" Harry se fez de inocente, mas Draco já o havia desmascarado.

"Eu não acredito! Você planejou isso! Por isso insistiu que fosse eu a acompanhá-lo e não qualquer outro Inominável, como eu sugeri veementemente! Você sabia que eu ficaria intrigado com o garoto e..."

"E?" Harry perguntou, ávido.

"Esqueça" Draco abandonou o livro e a bebida e se levantou com o intuito de deixar a sala, porém Harry bloqueou seu caminho, com os olhos verdes faiscando.

"Você estava cogitando a hipótese de adotá-lo. Admita!".

"Não!" Draco retrucou e percebeu que fora defensivo demais. "É claro que eu não estava cogitando hipótese nenhuma. Só estava curioso. E nós já tivemos essa conversa antes".

"Duvido que você não tenha se encantado com ele! Eu vi a maneira como você ficou olhando enquanto ele se afastava! Não tente negar! Você quer uma família tanto quanto eu!"

"Não venha tirar conclusões sobre minhas expectativas, Harry. Além do mais, você sabe que eu sou péssimo..."

"Não venha com essa história de que você é péssimo com crianças" Harry o cortou. "Você não é muito diferente com adultos. Merda, Draco, eu ainda sofro para conseguir que você admita o que sente por mim sem que seja durante o sexo! Por que é que você tem que dificultar tanto as coisas?" o moreno passou a mão pelos cabelos e caminhou de um lado para o outro, embora ainda se mantivesse entre o companheiro e sua rota de fuga. "Nós conversamos antes sobre adotar um bebê e eu concordei que não seria uma boa idéia. Também não tenho experiência nenhuma com bebês. Mas eu quero formar uma família com você, Draco. Você sabe disso!"

Draco sabia. O loiro soltou o ar dos pulmões em sinal de derrota antes de voltar para o sofá e enterrar o rosto nas mãos, o cotovelo apoiado nos joelhos e o corpo inclinado em direção à lareira. Sentiu o movimento da almofada ao seu lado indicando que Harry havia se juntado a ele novamente. Levantou a cabeça lentamente e deixou os olhos se desfocarem diante do bruxuleio das chamas.

Harry encostou a cabeça em seu ombro e ambos permaneceram em silêncio por um longo tempo.

"Podemos ficar com ele?" o auror perguntou, por fim.

"Ele não é um cachorro para nós podermos ficar com ele" Draco retorquiu, apesar de sua voz soar bem mais branda.

"Fico feliz que tenha notado. Que ele não é um cachorro, quero dizer. Mas você está fugindo do assunto".

Draco suspirou lentamente e inclinou o corpo para trás. Quando Harry fez menção de se afastar, Draco o puxou para junto de seu peito, aonde o moreno se aconchegou.

O loiro estava acostumado e muito bem acomodado com a tranquilidade de seu lar. Fazia nove anos que eles moravam sob o mesmo teto. No começo eles brigavam bastante, discutiam por quase tudo e ficavam até dias sem se falar antes de um deles acabar cedendo. Com o tempo, eles haviam aprendido a lidar um com o outro e relevar certas coisas, de modo que as discussões ainda aconteciam, mas eram encaradas como algo normal e passageiro, que geralmente terminava na cama. De fato, Draco às vezes sentia saudades das brigas por causa do sexo e chegava a provocar algumas quando se sentia entediado.

Ter uma criança em casa significava perturbar aquela paz. Eles teriam que se readequar à nova situação e buscar novamente um equilíbrio. Significava não ter liberdade para fazer sexo no sofá ou na mesa da cozinha sem ter que mandar o filho para a casa de algum parente antes. Significava mais motivos para visitas dos Weasley, que já eram difíceis o suficiente de se tolerar, mas Draco fazia por Harry. Significava festas de aniversário barulhentas e perguntas incessantes... O filho de Goyle, que havia se reaproximado depois da experiência de quase morte de Draco, tinha nove anos e era irritante o suficiente para que Draco pensasse duas vezes antes de ceder. Havia também a filha de Mabbott, que falava pelos cotovelos e mexia em suas coisas toda vez que os Mabbott iam visitá-los...

"Me dê algum tempo para pensar sobre o assunto" Draco pediu cuidadosamente depois de toda aquela reflexão.

"Todo o tempo que você precisar, Draco" o moreno falou e riu. "Sabe... ele me lembra você".

Draco franziu a testa. Aquilo certamente explicava por que se sentira tão intrigado com o garoto.

"Eu já acho que ele me lembra você, com toda aquela investigação. Pelo que me lembro, você costumava meter o nariz aonde não era chamado. A maior parte do tempo".

Harry riu novamente, porém quando levantou os olhos para encará-lo sua expressão estava séria.

"Antes de você pensar sobre o assunto, quero que saiba de uma coisa, Draco. Não há registro algum sobre os pais de Elliot. Ele estava num orfanato trouxa antes de começar a demonstrar sinais de magia, mas foi abandonado na rua quando ainda era um bebê. Não há como saber se seus pais eram trouxas ou bruxos".

"Isso não seria um problema para mim" Draco respondeu depois de uma breve pausa.

"Está vendo só? Você não é como Lucius Malfoy" Harry assegurou tranquilamente. "Tenho certeza de que seria um ótimo pai. Você só precisa se permitir uma chance de provar isso a você mesmo!"

"Não sei como você pode ter tanta certeza sobre isso" Draco resmungou.

"Eu tenho alguma experiência nesse assunto" Harry sorriu e Draco se lembrou de repente do porque se preocupava tanto com o que seu companheiro pensava a seu respeito. Por mais que esperneasse, o loiro estava condenado a fazer tudo que seu companheiro lhe pedisse apenas para encontrar aquela aprovação em seus olhos. Mesmo que aquilo significasse aceitar ter que dividir a atenção de Harry com um garoto de oito anos.

O moreno se inclinou para um beijo longo e apaixonado que deixou Draco com o coração na boca. Aparentemente, Harry nunca deixaria de lhe causar aquele efeito. Não que Draco estivesse reclamando. Quando o beijo terminou, eles mantiveram os olhos fechados, os braços entrelaçados e as testas unidas.

"Eu o amo tanto..." o loiro deixou as palavras escaparem como um sussurro proibido.

"Eu sei" o moreno devolveu no mesmo tom quase não proferido. "Também amo você".

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N.B.: Tomara que todos tenham gostado dessa fic, e que como eu, gostaram do sofrimento do nosso Draquinho... Ah, ele nem sofreu, vai, vocês tem que concordar comigo que nas outras fics a dona Amyzita faz ele sofrer horrores... rsss Mas um climinha de suspense foi mto divertido de ter, e foi uma experiência mto diferente tb. Peço desculpas pelos atrasos, e mais uma vez, tenho que agradecer a Dona Amy, que sempre é um amor e mto compreensiva. Garota, você é demais. Suas fics sempre são fantásticas, prendem a atenção da gente e é ... aquela COISA, né? São maravilhosas, sempre sempre. Obrigada mais uma vez por confiar em mim e me chamar por ser sua beta. Desculpa as falhas, mas bom... *ponga e rola* Te adoro demais, moça-fofa. 3

N.A.: Meus mais sinceros agradecimentos a todos que comentaram e mesmo àqueles que acompanharam a fic em silêncio até hoje! Os hits estão aí para dizerem que vocês são bastante assíduos! Meus agradecimentos especiais à Idril, claro! Mana, você é a minha coluna de sustentação! À Mah Jeevas, pois sem ela eu não teria pariticipado do Projeto que deu origem à fic! À Dany, que prometeu que não deixaria que eu abandonasse SdH, mesmo que tivesse interesses maiores para me cobrar (;D). À Lunnafe, que foi o meu termômetro durante toda a fic! Fê, seus toques e retoques são indispensáveis! Você com certeza faz mágica com o que eu escrevo, apesar de ser tão modesta quanto a isso. Sem contar que é uma amiga de todas as horas! Também adoro você, amiga! À Schaala por estar cada vez mais se aperfeiçoando na arte de inflar o meu ego e me encher de inspiração hahaha! E a todas as outras pessoas que tiveram um dedinho na criação dessa fic, seja na sugestão de um título, no incentivo ou na hora de me fazer plotar sem nem mesmo ter a intenção!

Lils (menina, sorte que não te deu indigestão, devorar minha fic tão rápido assim uhuahuahua. Confesso que tenho uma queda – ou um precipício – pelo Draco idealizando o Harry desse jeito. Muito obrigada por ler e comentar! Espero que tenha gostado do epílogo ;D) bro (Yay! Que bom que você gostou, querido! Ah, e esqueci de agradecer pela review maravilinda que você deixou em Green Eyes *_* Aliás, alguma notícia do Simas? Se você encontrá-lo, diga que mandei um abraço e estou cobrando notícias! Beijos, xuxu!) Makie (Awww sinto muito, mas esse é o fim, sim! E que mexida de traseiro que o Harry deu, heim? Uhuahuahua! É claro que as coisas se acertaram ;D E o Rowle tá precisando de um namorado mesmo kkk Taí o epílogo, espero que tenha gostando! Beijos!) (Terrível, eu? Desculpaaa XDD Judiei mesmo do Draco, mas espero ter me redimido com isso tudo uhuahuahua. E acredito que até aqui sua dúvida já tenha sido sanada, hm? Este é o epílogo, sim senhor! Espero que goste ;D Beijos!) Paulawot (Nhooo! Vê se não aperta tanto minhas bochechas da próxima vez *mostra as marquinhas vermelhas* XDD Que bom que você gostou dessa fic, linda! Espero que tenha gostado do epílogo também! E, respondendo à sua dúvida, eu sempre tenho novos projetos em mente, mesmo lutando contra eles ¬¬' Mas não sei dizer se vai ser muito longo ou não, vamos ver, vamos ver... Só espero encontrar você na próxima! Muito obrigada, querida!) Su Vivi (Ebaaa! Achei mais alguém que acha essa música perfeitaaaa *surta*! Aeee ainda bem que sempre tem os beijos para compensar o sofrimento, né? XD Muito obrigada! Se depender de incentivos como os seus, eu não paro de escrever nunca! Beijos!) Isis Coelho (Hahaha eu me diverti com a sua atrapalhada na hora de apertar o enter sem querer, sorry XDD! Ah, infelizmente o Neville a a Luna não deram o ar de sua graça por aqui, mas eu também gosto muito deles! Quem sabe numa próxima, né? ;D Três vivas para Kreacher! Obrigada! *_* Espero que goste do epílogo! Beijos!)

Desde o início da fic eu já sabia que desconsideraria o epílogo dos livros, apesar de ter feito certo suspense quanto a isso. Quem me conhece sabe que sou fã incondicional de finais felizes e preciso deles na ficção =3

Essa fic foi surpreendente para mim. Primeiro porque foi minha primeira experiência real com suspense e ação e, ao mesmo tempo em que era desafiador (e amedrontador, até), foi divertido manter as coisas em segredo e revelar apenas no momento certo! Em segundo lugar, eu tinha vontade de escrever uma fic como essa há muito tempo, mas queria ter tempo e cuidado para planejar com calma, escrever tudo de uma vez para não pecar nos detalhes nem deixar nenhuma ponta solta. Acabei começando ela aos trancos e barrancos sem muito planejamento, me deixando levar por ela ao invés de conduzi-la com pulso firme e tendo que atender a prazos para postar os capítulos. Enfim, não coloquei muita fé em SdH no começo, mas vocês fizeram com que eu acreditasse e me dedicasse a ela. Surpreendente para mim foi gostar do resultado! Depois de vocês me convencerem disso, claro!

Eu gostei de voltar a postar os capítulos enquanto a fic ainda estava em produção, porque boa parte do pano de fundo da trama foi surgindo a partir dos comentários de vocês! Uma bela prova disso foi o Mabbott, que nem era para ter tanta importância na fic, mas acabou crescendo por causa de vocês! Outra foi este epílogo. Eu não tinha muita idéia do que escolher para retratar no epílogo até receber uma mensagem pessoal no fórum 6 Vassouras da Yasmin (Myah. L. Back aqui no site e YAH. BOUT no 6V) que me fez tomar uma decisão e correr para escrever! Não sei se atendi totalmente ao pedido dela - que era o de mostrar para o Lucius que eles poderiam formar uma família, talvez não uma convencional, mas a família deles –, mas eu meio que preparei o terreno para isso. Por esse motivo, acreditem quando eu digo o quão importante é para um ficwriter receber feedback! Mas é óbvio que a maioria de vocês já sabe disso ;D

Sei que não consegui cobrir tudo o que vocês gostariam com esse epílogo, mas escolhi deixar a cargo de vocês imaginarem os detalhes sobre a reação da mídia, dos Weasley e dos Malfoy quanto ao relacionamento deles. Porém ao meu ver onze anos são suficientes para fazer as pessoas aceitarem que o que eles têm não é passageiro, como até mesmo eles acreditavam. Sei também que vão chover pedidos de continuação por eu ter escolhido um final não tão conclusivo, mas a vida da gente continua e continua! Acho que seria impossível fazer um final do tipo 'e eles viveram felizes para sempre' aqui, porque a felicidade nós conquistamos a cada dia, não é mesmo?

Como a Lunnafe já me cobrou, preciso fazer propaganda do livro 'O nome do vento' de Patrick Rothfuss, de onde tirei o segundo quote do último capítulo! É apaixonante. Sério. Não tem nem o que dizer, é do tipo de livro que você se apaixona logo nas primeiras páginas e não consegue mais largar... experimentem começar a ler e me digam se eu não tenho razão rss

Enfim, até a próxima jornada, amados!

Beijos,

Amy.