Capitulo 12
— Nossa! — exclamou o cabeleireiro quando terminou o serviço. — Deixe eu mostrar como ficou atrás. — E levantou o espelho para que Bella pudes se ver o novo cabelo.
— Ah, que bom! — ela exclamou com alegria. — Você fez um ótimo trabalho, Ty. Muito obrigada.
— Sabe, querida, quando você entrou de manhã e pediu um cabelo mais curto e pintado de loiro eu tive minhas dúvidas. Mas você estava certa. Ficou maravilhoso em você.
Ficou. Ficou mesmo. E ela realmente tinha um pescoço elegante. Sem exageros, ela parecia uns dez anos mais nova, e totalmente na moda.
Isso a fez lembrar das suas roupas antiquadas, sem falar que Edward pedira que ela vestisse alguma coisa sensual à noite.
— Vou às compras agora — ela comentou alegre mente ao pegar a bolsa e se levantar. — Preciso de roupas novas para combinar com o visual.
— E com o seu noivado — Ty completou, admi rando o anel.
— Ah. Você notou — Bella disse, genuinamente surpresa. Ela estivera nesse salão apenas duas vezes. Uma para fazer escova há alguns meses, e outra na semana em que se arrumou para aquela entrevista.
Claro, cabeleireiros são pessoas observadoras. Es pecialmente os homossexuais, como Ty.
— Difícil não notar uma jóia dessas, querida. Pa rece que você caiu em boas mãos.
— Ele é meu chefe.
—Aquele que você estava querendo deixar? Bella percebeu que deve ter conversado bastante naquela semana. Ela sempre fazia isso quando estava nervosa.
— Isso, esse mesmo — ela admitiu. Ty ergueu as sobrancelhas delineadas.
— O magnata da telefonia celular?
Bella se surpreendeu. O que ela não havia con tado?
Concordou e entregou o cartão de crédito.
— Ah — Ty exclamou. — Garota esperta.
— Eu não vou casar com ele pelo dinheiro, Ty. Os olhos negros do cabeleireiro brilharam.
— Claro que não. Agora, quando eu pentear você para o casamento não esquece de mencionar o nome desse salão para todo mundo.
Bella gargalhou.
— Você é um tremendo oportunista.
— Um oportunista reconhece o outro, querida. Agora assine aqui. — E colocou o comprovante do cartão na mesa.
Uma oportunista?
Bella pensou a respeito enquanto saía do salão. Foi isso que a faxineira pensou hoje pela manhã quando Bella revelou que estava noiva de Edward?
Julie não falou muito, mas lançou-lhe um olhar pa recido com o de Ty.
Bella concluiu que provavelmente várias outras pessoas iriam pensar dessa forma. Ela não deveria ser a primeira funcionária a transformar o chefe rico em marido. Igual a algumas secretárias, que usavam seus empregos como ponte para maiores intimidades.
Mas qualquer pessoa que me conheça não vai pen sar isso, ela concluiu.
No entanto, quais dos empregados ou amigos de Edward realmente me conhecem?
Nenhum deles.
Eles só conhecem a minha imagem de governanta — uma mulher recatada, que usava roupas largas e o cabelo preso em um coque.
Se eu de repente aparecer de braços dados com Edward, toda bonitona, eles com certeza vão achar que eu sou uma oportunista. Ao mesmo tempo, eu não posso me casar com Edward parecendo um trapo. Vai ser horrível se eu fizer isso, e também se eu não fizer.
O toque repentino do celular assustou Bella e a fez mergulhar a mão na bolsa com nervosismo. Tinha que ser Edward, para avisar quando voltaria para casa. Ele telefonou para ela na noite anterior assim que saiu do avião, e novamente pela manhã, insistin do que ela levasse o celular quando saísse.
— Alô? — atendeu, o coração disparado.
— Onde você está?
Era Edward.
— Em Birkenhead Point.
— Comprando um vestido novo?
— Comprando tudo novo.
— Em um dia? Duvido que você consiga.
— Talvez você tenha razão. Passei a manhã toda no salão.
— Ficou bom?
— Eu acho que você vai gostar.
— Você ligou para aquela agência e avisou que não vai mais aceitar o emprego?
— Liguei. Eles não gostaram muito.
— Eles vão se virar.
— Como estão as coisas aí? — ela perguntou.
— Eu já convenci o engenheiro a voltar ao traba lho, por um determinado preço. Mas não quero ir em bora correndo. Vou falar com todos os outros traba lhadores à tarde e oferecer um bônus também, se con seguirem terminar tudo logo. Não quero que as coisas voltem a se complicar e eu tenha que sair correndo de novo na semana que vem. O que é possível se esse en genheiro imbecil abrir a boca e falar do bônus que eu ofereci.
Bella sentiu um aperto no coração.
— Isso significa que você não vem para casa hoje?
— Está brincando? Nada vai me prender aqui. Eu só não posso garantir a hora que vou chegar. No mo mento, eu tenho uma reserva em um vôo que vai me fazer chegar aí às oito. Mas tem outro uma hora mais cedo. Se eu conseguir pegar esse, ótimo. Mas não ga ranto.
— Tudo bem, contanto que você chegue hoje. Quer que eu faça alguma reserva para jantar?
— Não. Isso é comigo, eu faço isso daqui mesmo. Agora vá comprar o vestido novo, e se você encontrar uma cama que lhe agrade, pode comprar. Depois acertamos.
— Eu prefiro que você esteja comigo quando for comprar a cama. Você disse que eu posso mudar tudo naquele quarto, lembra? Eu não gostaria de escolher coisas que você não goste.
— Justo. Tenho de desligar.
— Edward...
— O que foi?
Eu te amo estava na ponta da língua.
— Estou com saudade — ela preferiu falar.
— Eu também. Por isso eu vou desligar logo para resolver tudo ainda hoje.
— Me liga se as coisas não derem certo e você não for voltar hoje.
— Isso não vai acontecer. Aproveite bem o seu dia, e não hesite em comprar o que quiser.
Ela não hesitou. Foi bastante extravagante, teve de ir ao carro duas vezes para guardar as compras. Ela comprou mais roupas e acessórios naquele dia do que comprara nos últimos cinco anos. Felizmente, tinha um limite alto no cartão. Ela gastou até esse limite, escolhendo roupas variadas, desde o casual até o mais chique para as noites. Não havia cores fechadas ou mortas em seu guarda-roupa novo. Tudo era vi brante e colorido, para combinar com o novo cabelo loiro.
O trânsito estava horrível quando Bella voltou para casa. Era o horário de maior movimento nas ruas. Apesar de a distância entre as lojas de Birkenhead Point e Hunters Hill ser pequena, já passavam das seis quando ela finalmente chegou. O sol já esta va se pondo e as sombras das árvores se espreguiçavam pelas paredes de pedra.
Bella estacionou o carro do lado de fora da gara gem, e levou as compras para o seu apartamento. De pois, espalhou as roupas e os acessórios na cama procurando as melhores combinações.
O vestido que iria usar hoje à noite era lindo. Era azul marinho, de seda. Um modelo estilo envelope com um corte em V na frente, mangas três-quartos e um cinto grosso. Ela viu o vestido em uma vitrine e se apaixonou na hora. Apaixonou-se pelos acessórios também, que incluíam sandálias da mesma cor do ves tido e uma bolsa de mão. Completando o figurino, brin cos longos pretos que fa ziam seu pescoço parecer ainda mais elegante.
Bella mal podia esperar para se vestir. Mas achou melhor tomar um banho primeiro e refazer a maquia gem. Quem sabe? Edward poderia conseguir che gar às sete, que era dali a uma hora.
Às sete e vinte ela estava totalmente pronta e mui to contente com sua aparência. O cabelo loiro estava simplesmente lindo com o vestido.
— Agora sim essa mulher não vai parecer desloca da ao lado de Edward— ela disse para seu reflexo no espelho.
Sem paciência para ficar esperando no quarto, Bella decidiu esperar por Edward na casa princi pal. Talvez pudesse ir para o quarto dele e passar o tempo pensando nas mudanças que fariam ali. Com sorte, ela conseguiria persuadir Edward a tirar uma folga no dia seguinte. Então poderiam começar a se livrar do cheiro de Victoria , e também de sua presença sutil.
Edward provavelmente não havia percebido, mas ainda havia algumas coisas de Victoria no armário. Alguns cosméticos sobre a bancada do banheiro tam bém. E mais um vidro daquele perfume horroroso pela metade.
Bella não teve a ousadia de jogar tudo fora. Mas hoje ela podia.
Com a bolsinha e o molho de chaves nas mãos, Bella trancou sua porta e virou-se para descer as es cadas, quando notou que as luzes do quarto de Edward estavam acesas.
Ele deve ter chegado em casa cedo, pensou com alegria e correu escada abaixo.
— Edward! — chamou ao entrar no salão do pri meiro andar.
Sem resposta.
Talvez ele esteja no banho e não tenha ouvido.
Bella subiu as escadas correndo, pensando que era muito típico de um homem não telefonar do aero porto para avisar que ia conseguir chegar mais cedo. Não. Talvez ele não tenha tido tempo de ligar, e re solveu entrar no primeiro táxi que apareceu.
Ao subir as escadas, Bella não ouviu barulho al gum de água correndo. Mas pensando bem, as pare des da casa eram bem sólidas, diferente das casas mais modernas. Era difícil ouvir alguma coisa de um quarto para outro.
A porta do quarto estava ligeiramente aberta. Bella parou e bateu na porta, chamando pelo seu nome.
Ainda sem resposta.
O coração de Bella ficou apertado quando empur rou a porta. Alguma coisa estava errada ali. Muito er rada.
Ela chamou por Edward de novo ao entrar, e fi cou enjoada assim que sentiu aquele cheiro que tanto odiava.
Estava forte. Muito forte.
Victoria estava deitada na cama, dormindo, vestindo apenas um roupão de seda verde. Os cachos verme lhos estavam esparramados pelos travesseiros, e a roupa deixava à mostra algumas partes do corpo.
Era claro que Victoria ainda tinha as chaves da casa de Edward. Assim como estava claro que abando nara o marido italiano e voltara rapidinho para a Aus trália, para os braços do seu grande amor.
Bella estava completamente enjoada. Podia sentir o gosto da bile.
Ao assumir o Compromisso com Edward , Bella imaginou mil coisas... menos isso. Ela achou — não, estava certa — que Victoria era página virada.
Como se sentisse sua presença ali, Victoria acordou assustada e sentou-se abruptamente, os imensos olhos verdes confusos com a imagem de Bella .
— Quem é você? — ela perguntou, autoritária, ao levantar-se. — Ah, não me diga que Edward já ar rumou um novo caso.
Bella podia estar se sentido mal por dentro, mas de forma alguma iria demonstrar medo diante da ex-namorada de Edward.
— Não está me reconhecendo, Victoria? — pergun tou calma. — Sou eu. Isabella.
— Isabella! Meu Deus, o que aconteceu? Fez algu ma cirurgia plástica?
— Não, só mudei a cabelo e comprei umas roupas novas.
— Tentando atrair a atenção de Edward, com certeza — Victoria se espreguiçou, amarrando o roupão novamente. — Eu sempre soube que você gostava dele. Bem, perdeu seu tempo, queridinha. Eu voltei e ele ainda é todo meu.
— Não apostaria nisso — Bella disse com frieza, exibindo o diamante que brilhava sob a luz da lâm pada.
Victoria olhou para a mão, e depois para o rosto de Bella.
— Você está me dizendo que estão noivos?
— Estou.
— Desde quando?
— Desde ontem.
— Nossa, você trabalhou rápido, hein!
— Você foi embora há mais de um mês, Victoria— Bella lembrou.
Victoria gargalhou.
— O tempo todo ele ficou me mandando mensa gens e implorando que eu voltasse para ele.
Bella não acreditava nisso. Edward nunca im ploraria nada a ninguém.
— No final das contas, ele foi atrás de mim em Mi lão.
— Eu sei disso, Victoria, — Bella respondeu com calma. — Ele me falou. Mas não foi para reconquis tá-la. Foi para terminar com você de uma vez por to das.
— E mesmo? Presumo então que ele não contou que nós fizemos amor, um pouco antes de eu entrar na igreja. Ah! Devo acrescentar que eu já estava ves tida de noiva.
Bella empalideceu.
— Seu noivo é obcecado por mim. Sempre foi, desde que nos conhecemos e eu fiz sexo com ele no banco de trás de uma limusine. Ele adora que eu o faça perder o controle e fazer coisas que ele normal mente não faria. Ele ficou maluco quando eu casei com outro homem. E tudo correu exatamente como eu planejei. Eu nunca quis ficar com aquele velho chato e gordo. Eu só queria fazer Edward sofrer por não ter casado comigo. Pelo que estou vendo, ele pe diu você em casamento para se vingar de mim. Vin gança, minha cara. Agora que eu voltei, ele vai dis pensar você num piscar de olhos, porque é a mim que ele quer. Não você, senhorita frígida. Você pode até saber colocar uma mesa de jantar muito bem, mas é comigo que ele faz sexo em cima dela.
— Se é esse o caso, eu vou comprar uma mesa de jantar nova também — Bella respondeu, resolvida a não permitir que aquela criatura a destruísse. Pelo menos não na frente dela.
— Também por quê?
— Porque eu também vou mudar tudo nesse quar to. Eu não quero que a casa tenha nada que lembre você.
Victoria gargalhou.
— Então você vai ter de se livrar de tudo. Porque eu fiz sexo com o dono da casa em praticamente todos os lugares. Até na garagem. Eu aposto que você não teria coragem, senhorita Certinha. Bella trincou os dentes com força.
— Então você apostou errado, srta. Promíscua.
Foi bom conseguir encarar Victoria. Mas aquela con versa não a estava deixando feliz. Já conseguia sentir um buraco no estômago.
— O Edward sabe que você está aqui? — ela perguntou, sem saber o que iria fazer se Victoria respon desse que sim.
— Não, ele não sabe — Edward respondeu. Quando Bella se virou e viu Edward entrando no quarto, suas pernas ficaram bambas. Imediata mente, Victoria correu para ele, derramando suas lágri mas de crocodilo.
— Ah, Edie, estou tão feliz por você ter voltado — ela exclamou e se atirou nos braços dele.
Bella olhou, estupefata, Victoria cruzar os braços por trás do pescoço dele e apertar seu corpo esquelético contra o de seu noivo.
— Eu não sabia mais para onde ir — ela choramin gou. — Alfonso não me quis. Ele só casou comigo para esconder da família que é homossexual. Ele pas sou a noite de núpcias com o amante.
Que teatrinho, Bella pensou. Que história!
Se Edward fosse um homem violento, ele teria agi do com violência naquele momento. Quando olhou por cima dos ombros de Victoria e viu a sua adorada Isabella , deslumbrante em seu novo vestido, pôde per ceber a dor em seus olhos. E o desgosto que sentia.
Ele não chegou a tempo de ouvir toda a conversa das duas. Mas suspeitava que Victoria dissera alguma coisa que tinha deixado Bella profundamente ma goada.
Com gestos bruscos, ele desvencilhou-se de Victoria e a afastou com força. Depois dirigiu-se para Bella, enlaçando-a pela cintura, aconchegando-a junto dele.
— Lamento, Victoria— ele disse com frieza. — Os seus problemas conjugais não me interessam. Você não é mais bem-vinda aqui. Se Bella ainda não con tou para você, nós vamos nos casar.
Victoria demorou para se recompor, ajeitando os ca chos vermelhos sobre os ombros e examinando os dois com um olhar calculista.
— Sim, ela me contou. Estava louca para contar. Mas você não a ama, Edie. Você me ama. Você sabe disso.
— Eu não sei disso não — ele respondeu com uma gargalhada. — Eu nunca amei você. Foi apenas uma atração física, e eu já superei isso. Eu já superei você.
— É mesmo? Puxa, você ainda estava tão apaixo nado semana passada — ela retrucou. — Muito apai xonado. Ah, sim, eu falei com a princesinha sobre o que você fez.
— Eu tenho certeza de que você falou — ele res pondeu, detestando perceber a tensão em Bella. — Assim como eu tenho certeza de que quero que você saia dessa casa, agora.
Edward tirou o celular do bolso da calça e ligou para chamar um táxi. Era sempre atendido com rapi dez. A companhia de táxi sabia que ele era um bom cliente.
— Vai ter um táxi do lado de fora do portão em dez minutos — ele disse para Victoria, a raiva estampada em seu rosto. — Não o deixe esperando.
— Você não pode fazer isso comigo! — ela gritou.
— Eu vou processar você, seu canalha. Você vai ter que me pagar uma pensão.
— Faça isso! Você sabe que vai perder, Condessa. No momento em que você se casou perdeu qualquer chance de tirar dinheiro de mim. Agora, vista-se. Seus dez minutos já estão se esgotando. Venha, Bella, o cheiro nesse quarto é demais para mim.
Edward a arrastou para fora do quarto, mas ainda podia sentir alguma resistência.
— Não deixe que ela estrague nossa vida, Bella— ele murmurou ao saírem do quarto.
— Você fez sexo com ela — Bella desabafou com um tom de incredulidade na voz. — E ela estava ves tida de noiva!
— Na verdade, não. Eu parei assim que me dei conta do que estava fazendo. Foi por isso que bebi tanto no vôo de volta. Porque eu estava com nojo de ter deixado aquela cretina me seduzir. Confie em mim quando digo que não a amo e que não a quero mais. Eu já superei Victoria, isso já perdeu a graça. É você quem eu quero, Bella. Você tem de acreditar em mim.
Bella parou no topo da escada e lançou-lhe um olhar de dor.
— Não, Edward— ela disse, com mágoa. — Eu não tenho de acreditar em você. — E soltando o bra ço da mão dele, desceu as escadas correndo.
Edward correu atrás dela, o pânico tomando conta do seu corpo.
— O que você vai fazer? — ele perguntou. Ela não respondeu, apenas correu mais rápido. Ele a alcançou já na porta dos fundos. Agarrou-a pelos braços e obrigou-a a encará-lo.
— Você não pode fugir de mim dessa forma. Nós temos de conversar sobre o que aconteceu.
Ela balançou a cabeça, o rosto estava pálido, mas havia determinação em seu olhar.
— Não temos nada para conversar. Eu não posso me casar com você, Edward. Não posso viver nessa casa com você.
— Mas você ama essa casa!
— Não amo mais.
— Por que não? Que droga, Isabella, o que foi que a Victoria falou para você?
— Não importa.
— Importa sim. Fale.
— Tá bom. Ela falou que vocês fizeram sexo pela casa inteira. Até na garagem.
Edward abaixou a cabeça. Ai, que droga.
— Eu compro uma casa nova para nós — ele respondeu na hora.
Ela balançou a cabeça, triste.
— Ai, Edward. Você não pode comprar a solução desse problema. A questão é que eu... eu...
— Você o quê?
Ela balançou a cabeça, angustiada.
— Eu acho que não posso casar sem amor, no final das contas. Eu não sou assim. Desculpa, Edward. Desculpa mesmo, mas eu já me resolvi, e você não vai me convencer. Eu vou embora assim que arrumar minhas malas. Não precisa se preocupar com o meu aviso prévio. Vou abrir mão disso já que estou saindo antes do fim do contrato.
— Nem pense em me devolver esse maldito anel! — Edward gritou quando ela começou a tirar o anel.
— Está bem — ela respondeu naquele tom suave, com a voz calma que ele sempre gostou, mas que agora o estava deixando louco. — Não vou devolver.
Edward ficou paralisado, observando-a ir embora e jogar o anel na piscina. Aquele gesto foi tão drástico quanto decisivo. Ele continuou observando-a ir embora com a cabeça erguida.
Seu lado passional queria correr atrás dela e envolvê-la em seus braços.
Mas o lado racional sabia que qualquer atitude melodramática não funcionaria. Não agora.
Então, ele retornou à casa para o confronto final com Victoria. Chegou a tempo de pegá-la descendo as escadas, carregando suas malas.
— Você sabia que o conde era homossexual quando se casou com ele, não sabia? — ele perguntou.
— Claro! —ela respondeu.
— Ele pagou para que você se casasse com ele.
— Nossa, você e o Sherlock Holmes fariam um belo par. Mas não você e a senhorita Certinha. E sabe por que não, Edward? Porque ela está apaixonada por você.
— O quê! Ela falou isso para você?
— Não com todas as letras. Mas eu sempre soube que ela era apaixonada por você. As mulheres percebem essas coisas nas outras mulheres. Por isso eu nunca gostei dela.
— Você está errada — ele afirmou, pensando que se Bella o amasse não o abandonaria.
Victoria riu.
— Qual o problema se ela ama você, Edward? Não que eu não saiba a resposta. Você não quer o amor de uma mulher, quer? Só o corpo. E, no caso de Isabella, a habilidade de comandar um lar. A idiota vai ser muito infeliz, casada com você. E você, seu saca na egoísta, assim que se cansar da sua noivinha apa gada, chata, vai me procurar de novo. E sabe o que mais, amor? Eu não vou rejeitar você. Mas, da próxi ma vez, eu vou cobrar mais caro.
— Mulheres como você sempre cobram caro, Victoria. Mas tem uma coisa que você não sabe. Eu não sei se Bella me ama, mas eu sei que eu a amo, mais do que achei que pudesse amar. Bella não é idiota, muito menos apagada ou chata. Ela é doce, inteligen te e muito sensual. Ah, sim, muito sensual, de um jei to que você nunca vai conseguir ser. Agora some da minha frente!
— Você vai acabar se arrependendo — ela amea çou, o rosto ficando vermelho.
— Dá um tempo! — Edward respondeu com iro nia enquanto ela saía pela porta da frente. — Volte para Milão, que é onde você consegue ser o que sem pre foi. Uma mulherzinha afetada e superficial.
Victoria mostrou-se indignada, e foi embora. Edward bateu a porta, e foi para a cozinha, pensativo.
Será que Bella o amava?
Ele mal podia acreditar. O que havia nele para que alguém o amasse?
Victoria tinha razão. Até recentemente, ele foi um sa cana egoísta.
Mesmo assim, e!e tinha de descobrir. Tinha de fa zer Bella olhar nos olhos dele e dizer-lhe que não o amava.
Quando ouviu a batida na porta, Bella resmungou. Estava fazendo as malas o mais rápido possível, certa de que Edward não a deixaria ir facilmente.
As duas malas que trouxera há dezoito meses esta vam lotadas e todas as roupas que comprou hoje per maneciam em seus embrulhos originais. Mais cinco ou dez minutos e ela estaria fora dali.
Preparada para ouvir mais argumentos de Edward, ela foi até a porta e a abriu.
— Por favor, não comece de novo — ela disse logo. — Vou embora daqui a pouco e ponto final.
— Você me ama?
A pergunta inesperada deixou-a sem ar.
— Victoria disse que você me ama — ele prosseguiu, analisando o olhar dela.
Bella sabia que confessar seu amor por ele seria a morte. Ela quase admitiu isso mais cedo, mas se con teve a tempo.
— O que ela pode saber sobre isso? — Bella retorquiu.
— Isso não é resposta, Bella. Eu quero ouvir da sua boca que você não me ama. Porque eu amo você.
O choque dessa declaração ainda mais inesperada foi logo substituído pela fúria.
O tapa que deu no rosto dele ecoou na noite lá fora.
Edward soltou um palavrão ao se apoiar na pare de, a mão aparando a bochecha vermelha, os olhos ar regalados, incrédulos.
— Falar para uma mulher que você a ama quando não ama é demais para mim — Bella berrou, as lá grimas escorrendo pelo seu rosto. — Fora daqui! — gritou, empurrando-o com força. — Sai da minha frente!
Ele segurou-a pelos pulsos e sacudiu-a.
— Eu não estou mentindo, Bella. Eu realmente amo você.
— Eu não acredito em você — ela soluçou. — Nunca vou acreditar em você. Você está falando isso só para se dar bem.
— Não — ele respondeu, balançando a cabeça. — Não estou. Se você pensar bem, isso não é uma coisa que eu diria se não fosse verdade. — Bella gemeu de desespero. Porque sabia que ele diria. — Você está chateada, Bella, e não está pensando direito. Olha, a Victoria foi embora. Por que você não vem para casa e toma um drinque comigo? Você precisa se acalmar. Você está estressada.
Primeiro as mentiras e agora a doçura. O próximo passo seria beijá-la e ela esqueceria tudo.
Ah, não, ela não iria cair nessa armadilha nunca mais!
— Eu não quero ir para aquela casa e tomar um drinque — ela respondeu, os ombros tremendo ao to que dele e o rosto molhado de lágrimas. — Eu quero sair daqui, quero ir para bem longe de você.
Edward viu a verdade no rosto dela. Ouviu a verda de em sua voz. Victoria tinha razão. Ela realmente o amava. Por qual outro motivo ela estaria tão descon trolada?
— E eu quero que você tire as mãos de mim! — ela disse, enfurecida, mesmo enquanto soluçava.
Edward sofreu para fazer a coisa certa. O impul so inicial dele era abraçá-la e mostrar o quanto a ama va, mas aquilo poderia piorar as coisas.
— Tudo bem — ele resmungou, tirando as mãos dos ombros dela. — Tudo bem. Mas eu não acho que você pode sair daqui hoje, Bella. Você não está em condições de dirigir.
— Não se atreva a dizer o que eu posso fazer ou não. Eu sou adulta e sei exatamente o que eu posso fazer. E sei do que você é capaz, Edward Cullen! Você fez sexo com ela, e ela estava vestida de noiva!
Edward contraiu os olhos. Se ele pudesse voltar atrás, nunca teria ido para Milão naquela semana. Mas seu orgulho ferido o fizera agir daquela forma
Victoria foi a primeira mulher a romper com ele e ele simplesmente não sabia o que fazer. Não porque ele a amasse. Mas porque a considerava sua. Seu orgulho foi ferido quando ela fugiu com outro homem.
Bella não o estava trocando por outro homem. Ela o estava deixando.
Ele tinha de achar uma maneira melhor de lidar com a situação ou iria perdê-la. Para sempre.
— Aonde você vai? — ele perguntou com calma.
— Não interessa.
Edward tentou não entrar em pânico, lembrando que ela levaria o celular, aonde quer que fosse. Con tatar as pessoas era muito fácil. Se as coisas pioras sem, ele poderia contratar um detetive particular e encontrá-la.
— Isso não é o nosso fim, Bella.
Ela enxugou as lágrimas e olhou para ele com de terminação.
— Ah, é sim, Edward. Agora, se você puder sair da minha frente, eu agradeço porque tenho que arru mar minhas coisas no carro.
Edward decidiu que oferecer ajuda também não ia adiantar. Que droga, ele não sabia mais o que fazer. Nunca havia se sentido tão perdido. Virar as costas e ir embora seria muita covardia. No entanto, o que mais podia fazer?
— Eu vou entrar em contato — ele conseguiu di zer, antes de descer as escadas devagar, sentindo-se cada vez mais infeliz a cada degrau. Seu instinto di zia que estava fazendo a coisa errada, deixando-a ir dessa forma. Mas seu lado mais sensível, o que flo rescera desde que conhecera Bella, dizia-lhe para ter paciência.
Coisas boas acontecem aos que sabem esperar.
É o que diziam por aí.
Ao mesmo tempo, os bonzinhos geralmente aca bavam mal.
Se você ama uma pessoa, deixe-a livre... e ela vai voltar para você.
Ele leu isso em algum lugar.
Tudo soava como um monte de besteiras aos ouvi dos de Edward. Mas o que ele sabia? Nunca estivera apaixonado antes.
Era um verdadeiro inferno esse negócio de amar alguém.
Quando ouviu o carro de Bella partir, parecia que tinha alguém dentro do peito dele, despedaçando seu coração. Ela foi embora. Foi embora de verdade. Sabe-se lá para onde. Ela disse que não tinha amigos.
De repente, a casa ficou quieta e vazia, deprimente.
— Eu vou tê-la de volta — ele prometeu, engolin do o próprio orgulho. — Se não for amanhã, vai ser no dia seguinte. Ou depois.
Sua voz parecia firme. Mas no fundo, Edward não estava convencido.
Como ela dissera, ele não podia comprá-la, tam pouco persuadi-la com suas promessas de amor. Por que ela não acreditava nele.
Seduzi-la novamente também não era uma opção.
O que restava, então?
Pela primeira vez em anos, Edward estava sem ação.
Aaai um cap emocionante *-* finalmente o Edward percebeu os seus sentimentos com a Bella, e tbm conheceu os dela por ele, qe. Pra nos não era novidade nenhuma HAHA
Alguém ai odeia a Victoria? UHAHUAHUAUHA a maioria das fics qe. Eu acompanho a rival é a Tanya, qis fazer diferente pelo menos dessa vez :D espero qe. Tenham gostado, e a Bella loirona em? eu realmente acho qe combina com ela /elaficalindadeqalqerjeito HÁ' e geeeeente qe. Edward safadeeeenho oo' mais ele é lindo neh ate assim ownn *-* Lembrando.. mais dois cap e acaba haaaaaa ;/ é eu sei eu sei mais não fiqem triste como já comentei já estou trabalhando na próxima qe. Eu tenho certeza vses vão amar *-*
Amo vses pessussitas, seempre
