Ficwriter - Arika Kohaku (antes MissOrange1991)

Beta Reader – Akimi_Tsuki

12

A Fraqueza de Sasuke!

.. Anos Antes …..

Os cinco clones explodiram. Quatro aos olhos do moreno e outro no gabinete da Hokage. Sasuke sentiu um choque eléctrico e um arrepio profundo que lhe subiu pela espinha acima.

- Naruto… - Murmurou horrorizado com o que começava a sentir no seu coração. Desviou os seus olhos para norte. À sua frente o inimigo invocava um animal. Aquela luta ainda estava a começar.

Sasuke tinha que escolher. Ir socorrer Naruto ou matar Danzou e completar a sua missão. Mas aquilo que sentira fora apenas um arrepio. Era mais um instinto que lhe dizia que devia sair dali e ir ter com Naruto. Não era nada em concreto. Podia até não ser nada. A espada que entregara a Naruto dir-lhe-ia alguma coisa se acontecesse algo grave, fora para isso que depositara o seu chakra na espada, fora para isso que a entregara a Naruto. Então o que era aquele arrepio? Aquele terrível pressentimento?

- Sasuke que fazemos? – A serpente Nishi-shi chamou-o de novo para a batalha que se estava a desenrolar. E ele percebeu que mesmo que quisesse sair dali e ir ter com Naruto não podia, pois o seu inimigo não o deixaria escapar. – Parece que vamos ter uma luta de gigantes.

Danzou invocara um enorme tigre laranja com uma estranha armadura vermelha e colocara-se sobre este, no dorso do animal.

- Coloca-te à volta do corpo do tigre. Eu tentarei chegar a Danzou e atacá-lo.

- Quem é esse? – Questionou a serpente.

- O nosso inimigo. Avança. – Ordenou Sasuke ao mesmo tempo que usava o seu chakra para que os seus pés aderissem ao corpo escamoso da sua aliada. A serpente mexeu-se rapidamente, serpenteando até ao enorme tigre que rosnou profundamente. O animal também se mexeu em direcção a Sasuke.

Removeu a sua Katana e esperou pelo momento certo em que tinha que saltar. Baixou-se. A serpente passou por entre os dentes afiados do tigre, mas conseguiu sair a tempo de não se ver entalada na dentadura. Depois, fugidia como qualquer cobra, enrolou-se à volta do dorso do outro animal. O tigre começou a dar grandes saltos no ar.

- Maldita, sai daí. – Gritou o Tigre.

O movimento a seguir do grande animal era previsível, mesmo sem o sharingan, – rolaria no chão. Sasuke aproveitou o momento para saltar, sabia que o inimigo também teria que fazer o mesmo senão ficaria esmagado. Mas foi surpreendido quando viu Danzou a correr pelo corpo da serpente, que estava enrolada em volta do corpo do tigre, em vez de saltar. O Uchiha dali não podia atacar ou ainda levaria com uma pata do tigre, e Danzou parecia que corria por uma avenida roxa fugido do esmagamento conforme o tigre rebolava pelo chão.

Caiu a poucos metros do imbróglio de animais. E teve que se desviar várias vezes, à medida que o tigre rebolava pelo chão, criando grandes socalcos na terra com as patas e soltando altos rugidos. Não ouvia o sibilar de Nishi, mas isso não era um mau sinal, muito pelo contrário. Observando bem ele podia ver os movimentos vibratórios no corpo da sua companheira. Ela estava a fabricar veneno. Então viu a cabeça da companheira elevar-se pronta para morder, mas também viu Danzou aproximar-se por debaixo da cabeça de Nishi, pronto para cortar com uma kunai a bolsa de veneno.

- DESVIA-TE NISHI! – Berrou Sasuke avançando rapidamente para o tigre gigante. Nishi mexeu-se desviando-se da kunai, e mexendo o seu corpo para estrangular o tigre. O outro grande animal parou. A serpente elevou novamente a cabeça, e Danzou estava lá novamente.

O destituído Hokage saltou para poder chegar à bolsa de veneno. Mas esse era o momento pelo qual Sasuke já esperava. Puxando a katana para trás das costas, correu pelo corpo da sua companheira e chegou no momento exacto em que a kunai perfurava a pele escamosa e roxa de Nishi, mas ele não permitiu que Danzou fizesse outro movimento. Usou o pé direito para rodar o seu corpo e deu balanço para o pé esquerdo bater nas costas do desprezível velho.

Danzou foi arremessado para o ar. A cabeça de Nishi mexeu-se, as suas mandíbulas abriram-se e mordeu o corpo do tigre. Sasuke saltou também, uma vez que o tigre começou a estrebuchar debaixo dos seus pés. Tornou a colocar a sua katana à frente do seu corpo preparando-se para atacar.

Então, ao mesmo tempo, que o tigre bloqueado desaparecia atrás de uma nuvem de fumo branco, ele sentiu um enorme choque eléctrico que lhe percorreu a espinha deixando-o temporariamente paralisado. Então percebeu horrorizado que o que se sentira momentos antes, não fora um arrepio, mas um choque de baixa intensidade. E agora sentira um de grande intensidade, que queria dizer que o chakra na sua espada estava a comunicar com o chakra do seu corpo, dizendo que alguma coisa estava mal.

Foi cair em cima da cabeça da serpente, que o viu cair sem equilíbrio em direcção ao chão.

- Naruto. - Murmurou ao levantar-se, ainda em cima da cabeça de Nishi. A sua espinha era atravessada por vários raios. Naruto estava em perigo, em muito perigo. Não podia ficar ali muito mais tempo. – Nishi preciso de mais uma vez da tua ajuda.

- Se não precisasses eu não estava aqui. – Respondeu-lhe a serpente.

- Espera só um pouco. – Saltou da cabeça da serpente e correu em direcção a Danzou que já o esperava. – Técnica da Espada Relâmpago. – A sua katana foi percorrida pela electricidade do seu corpo. – Não tentes fugir de mim, Danzou. – Gritou. O inimigo mexera-se e desaparecera do seu campo de visão. – CHIDORI NAGASHI. – Tocou no chão. Virou-se para trás, Danzou estava na sua traseira e usando a espada atravessou o corpo do velho com a lâmina de chakra.

Naquele momento ouviu o cruzar de armas. Alguém lutava ali perto por entre as árvores. Até que à sua vista chegou Suigetsu, lutando com dois ninjas de Konoha. Aquilo explicava porque é que o outro companheiro da Taka ainda não tinha aparecido.

- SUIGETSU. ACABA COM ELES DEPRESSA! HÁ PROBLEMAS NO COVIL DE MADARA. – Berrou Sasuke, sem ter a certeza que o outro ouvia, e avançando para cima de Danzou, que se encontrava preso pela lâmina de chakra de Sasuke.

Enquanto corria visualizou o seu objectivo. Tinha que tentar novamente ou ficaria ali eternamente naquela luta e o seu Naruto podia morrer. Sentiu uma raiva, uma fúria incandescente apenas por pensar que o podia perder. Isso não podia acontecer. Mas se não fosse por Naruto ele podia terminar ali com o seu inimigo sem pensar no que estaria a acontecer a norte, sem se preocupar. Mas se não fosse por Naruto ele não saberia, anos mais tarde, se conseguiria fazer o que iria fazer. A fraqueza de Sasuke era Naruto. Mas ele era também a sua força e poder. Naruto tinha razão quando dissera anos antes que a verdadeira força era encontrada quando quiséssemos proteger as pessoas que amamos.

- AMATERASU! – Fechando o olho esquerdo, manteve o olho direito aberto. As chamas pretas atingiram Danzou. A dor no seu olho foi quase insuportável. Começou a ver as coisas completamente desfocadas. As lágrimas negras tornaram a correr.

Não aguentou muito mais e fechou o olho agarrando-se à cabeça, mas as chamas continuaram a deflagrar pelo braço esquerdo, repleto de sharingans, de Danzou. Não podia parar. E mesmo sabendo que não conseguiria usar o sharingan avançou para Danzou. O velho texugo caiu no chão.

- Técnica da espada relâmpago. – Novamente a lâmina da sua espada ficou electrizada. Correu, puxou a katana e saltando sobre Danzou, cortou-lhe o braço. O homem gritou medonhamente. Puxando chakra à sua boca, deitou depois uma forte chama sobre o braço cortado. Sentiu que era como enterrar novamente os seus País. Ele não precisava de ser muito esperto para compreender que todos aqueles olhos tinham sido arrancados dos corpos massacrados dos Uchihas, na noite em que Itachi os matara, incitado por Danzou. Os olhos Uchihas desaparecem entre as chamas.

Virou-se bruscamente para Danzo que deitava rios de sangue pelo buraco feito pelo corte e apontou-lhe a sua katana ao pescoço do velho que estava estatelado no chão.

- Um ninja sem um dos membros é considerado inválido. A partir de hoje vive na desonra de já não poderes ajudares Konoha. Em breve, tu e os teus amigos Anciões estarão atrás das grades. – Sentenciou Sasuke. Elevou a katana e deu um último golpe na cara de Danzou. O olho de Shisui, o melhor amigo de Itachi, foi para sempre cego. Guardou a katana e saltou de seguida para a cabeça da serpente, chegando no exacto momento em que Suigetsu aparecia por detrás das árvores. – Sobe Suigetsu. Naruto está em apuros. – Ordenou ao colega. – Suigetsu posicionou-se ao seu lado. – Nishi leva-nos até às montanhas do norte. – Indo em cima da serpente demorariam metade do tempo.

Atrás dele ficou Danzou, ainda mais despojado do que aquilo que já era, com um braço carbonizado ao lado. Um pássaro desceu dos céus na sua direcção. Vinha atrasado, completamente fora de horas. E trazia a seguinte mensagem para o receptor:

"Danzo-sama, Uzumaki Naruto encontra-se vivo. Ao que nos deu a entender, Uchiha Sasuke está morto. Estão a organizar uma emboscada à Akatsuki. A nossa missão termina quando a nefasta organização cair. Fiel servidor da causa, Shidou Yuuri."

Danzou enxotou o pássaro para longe. Caíra. Fora derrotado por duas crianças. Que aconteceria agora a Konoha? Continuaria a Raiz a funcionar? Provavelmente não. As coisas com o clã Uchiha deveriam vir a público. A Raiz ficaria desmantelada. Konoha cairia. Seria completamente descredibilizada, com tal coisa a correr entre os seus próprios muros.

O que ele não contava era que nem Sasuke, e muito menos Naruto deixaria que Konoha caísse. Afinal, eles tentavam acabar com uma guerra e não começar com uma. No entanto, fariam de tudo para que a Raiz desaparecesse. Konoha já tinha uma raiz forte, não precisava da raiz de uma erva daninha para estragar a árvore e a folha.

.. Regressando ao Presente …..

A luz entrava pelas grandes janelas do gabinete do Hokage. O sol que em Konoha parecia que nunca desaparecia apesar de estarem no Inverno. A luz passava pelas vidraças e aquecia a cabeça loura e adormecida do homem, que se recostara no largo cadeirão. Passara a manhã toda de volta de papelada. Papelada essa que Tsunade despejara em cima dele. Aquela velha desde que Naruto chegara ao posto de Hokage que descartara todas as tarefas chatas em cima do Uchiha louro. E ele acabara por adormecer numa das pausas entre as carradas de papel que tinha para estudar, analisar, ler com atenção, assinar e etc. Profundamente adormecido nem sequer reparou quem entrara sorrateiramente na divisão.

Não avisara que ia à Konoha, não vira o marido, nem os filhos, por um mês, apenas trocara uns pássaros com Naruto, por isso resolvera fazer uma pequena surpresa. Até porque era um dia especial. Sasuke avançou pelo gabinete, mas ficou uns momentos parado, entre a entrada e a secretária, a observar o seu lindo marido e a maneira como este brilhava com a luz do sol sobre o seu cabelo. Quando chegara à aldeia ouvira dizer que o Hokage andava com um ar cansado e o Uchiha sabia que isso se devia em muito por causa dos últimos acontecimentos no País do Som. Pequenas batalhas entre as povoações fronteiriças tinham surgido, era talvez o início do começo de uma guerra, mas também podia ser poeira para os olhos. Mas Sasuke tinham uns olhos melhores que os outros portanto a Mizukage não ia conseguir o que pretendia, ou seja, apoderasse das riquezas do País do Som.

Foi-se aproximando devagarinho. O cadeirão rodava e ele puxou-o, colocando Naruto virado para si. O louro continuava adormecido. Era coisa à Naruto. Dormir ferrado depois de ter gasto muito das suas forças. Com os dedos puxou a cara descaída por cima do ombro e beijou-lhe os lábios. O louro remexeu-se, mas não acordou. Passou a distribuir vários beijos pela cara do marido, tentando acordá-lo. Até que… foi arremessado para trás pelas mãos de Naruto.

- QUE PENSAS QUE ESTÁS A FAZER? Eu pensava que tínhamos ficado mais que esclarecidos. Eu nunca vou ter absolutamente nada contigo. Nem no presente, e muito menos no futuro. – Naruto estava terrivelmente irritado e avançava ameaçadoramente para cima de Sasuke, que fora bater contra a parede. As palavras tinham saído da boca, como uma cascata cai para pela montanha abaixo, rapidamente.

- OYE! Para que foi a violência? E que é isso de não ter nada comigo? – Sasuke levantou-se e encarou o marido enquanto levava uma mão à nuca que batera na parede.

Naruto ficou estático automaticamente ao ouvir a voz forte do marido. Bolas! Foi o que pensou logo a seguir ao dar-se conta que acabava de deitar para fora da boca uma enxurrada de palavras que queriam dizer muita coisa. Para já não pensar que acabara de bater em Sasuke. Mas depois a sua mente acalmou-se e ele viu Sasuke. O moreno estava ali em Konoha! No seu gabinete. Mesmo à sua frente. Apôs um mês inteiro de separação.

- Sasuke! – Lançou-se de encontro ao marido e abraçou-o com todas as suas forças. Ele estava ali. Ali mesmo.

E o abraçado, ou seja, Sasuke, percebeu que as palavras grossas não eram para ele. Então para quem seriam? Mas os seus pensamentos perderam-se quando sentiu o calor dos beijos de Naruto e a sua mente ficou inundada com o amor e as saudades que tinha do seu louro. – Eu devia matar-te.

- Tu não o farias. – Afirmou Sasuke.

- Mas devia. Tiveste um mês fora. – Lamentou-se Naruto afastando-se de Sasuke para o analisar, como uma esposa faz sempre que o marido aparece uma hora ou depois do devido. – Por que é que dispensaste os ninjas de Konoha?

- Porque Konoha ainda é aliada do País da Água e eu não quero obrigar os países a tomarem partidos. Isto ainda não é uma guerra. Os ninjas da água ainda não nos atacaram. As batalhas na fronteira são feitas por grupos de guerreiros contratados. São um pouco aquilo que era a Akatsuki, mas muito menos experientes e poderosos. É só poeira para os nossos olhos. Como não são uma força militar, não estão ligados a ninguém, eu não posso dizer que a Mizukage é a pessoa responsável pelos ataques. Aquilo que os nossos ninjas estão a fazer é simplesmente a defender o nosso território. E aquilo que a Mizukage quer é que eu perca a cabeça e seja eu a atacar. Assim perco toda a razão.

- Ela tem mandado atacar povoações? – Naruto encostou-se na secretária com os braços cruzados sobre o peito, tentava controlar os nervos para não partir alguma coisa.

- Sim, penso que sim, através desses grupos de bandidos. Temos duas aldeias termais praticamente destruídas. Fiz mover essas duas povoações e mais algumas que julguei em risco para outros locais. Cerca de 500 pessoas. Ninguém ficou gravemente ferido e não há mortes, por enquanto. – Informou Sasuke, que apesar de se apresentar terrivelmente calmo, Naruto sabia que o seu sangue fervilhava de raiva nas suas veias.

- Estou farto dessa mulher. A ganância dessa velha mete-me nojo. Será que não percebe que pode criar uma guerra maior do que aquela que pensa. A Quinta recebeu uma carta hoje de manhã. Era do Raikage. Não dizia qual era o assunto, mas a Aliança vai-se juntar, era apenas um comunicado para uma reunião. E eu quase posso apostar que se o assunto é o País do Som. – Uma pequena ruga formou-se entre os olhos de Naruto, significava que ele estava verdadeiramente preocupado com o que podia sair dessa reunião. – Até agora apenas os pequenos países é que assinaram tratados de paz com o Som. Dos cinco grandes continuam apenas dois deles é que assinaram, e um está a querer arranjar uma guerra. Porquê? Pensei que tínhamos chegado à paz.

Sasuke suspirou.

- Naruto, a principal razão para a existência de guerras é o dinheiro, a riqueza. O país vencedor acaba por ganhar muito. E segundo os nossos informadores o País da Água não tem uma situação económica estável. Os senhores feudais estão falidos. E assim também a Mizukage. A guerra é uma forma fácil para arranjar recursos mais rapidamente.

- Fácil? A guerra é tudo menos fácil. Tanto os recursos humanos como os económicos se perdem.

- Quando os países entram numa guerra não estão a pensar no que vão perder, mas sim no que vão ganhar depois.

- Nós estamos assim há 5 meses. Eles já nos destruíram duas aldeias. Nós reerguemos aquele país a partir do nada. Tu principalmente. O nosso povo tem paz e o que comer. Que desconfiassem de nós no princípio eu até compreendo, mas agora já lhes mostramos que não somos uma ameaça. Eles continuam a atacar, continuando a colocar inocentes em risco e nós só nos podemos defender.

- Eu poderia usar o mesmo esquema que o do País da Água, mas não o faço, pois além de ser um atentado à minha honra, provocava um enorme desequilíbrio orçamental em Som. E nós já temos prejuízos devido às duas aldeias destruídas.

- É por tudo isso que eu decidi que está na hora de intervir como Hokage. Falarei aos outros Kages na reunião. Usarei o que sou. O que nós somos e o que nós fizemos. Não acusarei a Mizukage, mas tentarei fazer com que ela abra negociações para assinar um tratado de paz.

- Tu tens a certeza que te queres revelar agora? Tínhamos acordado que tu não te revelarias. Todos sabem do que te aconteceu, que tipo de jutsu te lançaram e que depois desapareceste. Ninguém fora de Konoha imagina que regressaste. Talvez especulem. Mas ninguém sabe que és meu marido e que eu o pai de Nasasu. E não sabem da Oshi. Se ficam a saber deles… se os usam contra mim…

Os olhos azuis de Naruto procuraram os olhos escuros de Sasuke. Que hipóteses mais haviam para tentar acabar aquela guerra palerma, fomentada mais por falta de dinheiro do que pelos ódios antigos.

- Acho que tu também te devias apresentar nessa reunião. – Falou Naruto de expressão séria no rosto. Ele sabia o que o surgimento de Sasuke numa reunião dos cinco poderosos kages poderia provocar, mas talvez fosse a única maneira de parar o País da Água.

- Naruto o que estás a pedir é quase como me atirares directamente para a forca.

- Sim, eu sei. Mas uma vez que és Maou não te poderão ameaçar tão facilmente e tu és o meu marido. E tu não me deixaste terminar. Tentarei com que se abram negociações e vou dar a minha ajuda ao País da Água. E tu também o deverias de fazer.

- Dar ajuda? – Sasuke estava surpreendido.

- Se eles precisam de entrar em guerra por causa do dinheiro só pode querer dizer que estão muito desesperados, ou pelo menos é a leitura que faço disso, e como Konoha é um aliado dar-lhes-ei a minha ajuda dentro do que puder. Ajudei-te a reerguer um país, acho que posso ajudar outro.

Sasuke surpreendia-se sempre com Naruto. O louro parecia ser sempre uma cabecinha de vento, que andava sempre com os pés na lua, e acaba sempre por dar alternativas imprevisíveis. O moreno sorriu, gostava daquela alternativa. O que diria a Mizukage diante dos outros kages a uma declaração de ajuda tanto de Konoha como do Som, o país que ela tentava atingir?

Naruto gostou de ver o sorriso de Sasuke e aproximou-se do marido com um outro sorriso, um com certo desejo. O moreno reparou nisso e não pode deixar de ficar quente ao perceber o que ia na mente do louro, e as suas bochechas inflamaram. Foi beijado com paixão e saudade.

- Se não tivéssemos no meu gabinete… - Murmurou Naruto ao ouvido de Sasuke. – Eu fazia-te meu agora mesmo. – Lambeu-lhe a cartilagem da orelha, deixando com isso Sasuke vermelho e em chamas. O moreno acarinhou a cara do amado e depois deixou-se perder naquela imensidão azul dos seus olhos.

- Ou faço-te eu meu. – Disse apaixonadamente enquanto com o seu nariz brincava com a ponta do nariz de Naruto, sempre com os seus olhos fixos nos olhos do outro e depois beijou o louro. Primeiramente apenas com os seus lábios e depois o outro deixou-o passar para lhe massajar a língua. Envolveu o louro com os seus braços e os seus corpos pegaram-se totalmente.

- Naruto! – A porta foi aberta de repente. O casal Uchiha sobressaltou-se. Ambos olharam para a pessoa que interrompera o momento deveras romântico. Só viam as pernas do rapaz que acabara de chegar, a parte de cima estava tapada por uma pilha de livros e papéis que carregava nas mãos.

Konohamaru avançou pelo gabinete adentro sem se aperceber que acabara de entrar num mau momento, e com toda aquela pilha de papel, nem sequer conseguia ver que Naruto não estava sozinho. Pouso a tralha toda em cima da larga secretária e virou-se para Naruto com enorme sorriso. Até que viu que o louro estava agarrado a Sasuke, e a sua cara passou de sorridente, para uma coisa muito sombria, que com certeza assustaria qualquer um. Mas como o casal Uchiha não eram qualquer um, cara sombria não fez qualquer efeito.

- AH! – Soltou Sasuke associando as coisas na sua mente e agarrando forte e possessivamente Naruto. – Agora percebi! Aquelas palavras eram para ele.

- Que faz este aqui? – Gritou Konohamaru olhando para Naruto (que tinha a cara empresada contra o peito de Sasuke e que por causa disso só conseguia abrir um olho) enquanto apontava um dedo para o Uchiha pedido explicações.

- Que faço eu aqui? E que fazes tu aqui? – Reagiu Sasuke largando bruscamente Naruto e empurrando-o para as suas costas colocando-se assim entre o louro e Konohamaru.

- Ele é meu assistente! – Falou Naruto debilmente atrás do marido.

- Assistente? Tu deixaste este traste ser teu assistente? – Questionou Sasuke.

- Bem ele insistiu bastante. Além disso, é só durante umas horas por semana, pois ele ainda é um ninja em formação. – Justificou-se o louro, ao sentir a raiva de Sasuke saltar-lhe pelos poros da pele.

- É, eu sou o assistente. Eu posso estar aqui. – Disse Konohamaru de forma desafiadora e com muita lata, e falta de amor pela vida, avançou de encontro a Sasuke e agarrou-lhe num braço. Os seus olhos estavam cheios de ciúme. Tal como a sua mente. Pois se tivesse num estado normal de pensamento nunca teria pensado sequer em agarrar num cabelo de Uchiha Sasuke, quanto mais um braço.

- SASUKE NÃO! – Berrou Naruto. Mas era tarde. O corpo de Konohamaru já era ultrapassado por vários raios. Quando soltou o braço do Uchiha irritado foi agarrado pela garganta pela mão forte de Sasuke e mandado contra a secretária do Sexto. A pilha de papéis e livros organizados caiu, e o chão ficou repleto deles.

- Que fizeste ao Naruto? – Os olhos de Sasuke tinham o sharingan activo. – Tu tocaste no meu marido?

- SOLTA-ME CABRÃO! – Gritou Konohamaru. Ergueu a sua mão de encontro à cara de Sasuke, chamou chakra à sua mão. O Uchiha agarrou nessa mão, com a mão que tinha livre, a que não apertava o pescoço do rapaz, que estava preso em cima da secretária.

- PENSAS QUE EU NÃO SEI AS TÉCNICAS DE NARUTO, MIÚDO! – Sasuke estava completamente fora das suas estribeiras. Não sabia o que é que aquele rapaz tinha feito a Naruto, mas tinha a certeza que as palavras que Naruto lhe dissera, no momento em que o tinha acordado, deviam ter sido dirigidas para Konohamaru.

Naruto arregalou os olhos. Era verdade. O louro já sabia dos sentimentos de Konohamaru por si, desde que Sakura lhe dissera. Mas Naruto via Konohamaru não mais que um irmão mais novo. Dias antes Konohamaru resolvera pedir para ser seu assistente. Não vira mal nenhum nisso. Mas então num dos muitos momentos em que o louro resolvera dormitar, Konohamaru resolvera beijá-lo. Obviamente depois disso teve que falar com o miúdo e explicar-lhe que nunca iria acontecer nada entre os dois. Não gostou de fazer sofrer Konohamaru, mas ele amava completamente Sasuke. Para ele nunca haveria outra pessoa. E fora isso que dissera ao seu irmãozinho. Só que, Konohamaru era uma cópia de Naruto e não desistiu. Desde doces e jantares pagos (muito ramen, por conta de Konohamaru) até pedidos inocentes para treinos privados, Konohamaru usava tudo para poder seduzir Naruto. E tudo aquilo já começava a maçar. E com Sasuke por longe, o mais novo achava que tinha liberdade.

Soltando o seu chakra de raposa deixou que duas caudas saíssem do seu corpo, e usou-as para separar Sasuke de Konohamaru, pois ao ver um rasengan na palma da mão do neto do Terceiro, percebeu que aquilo já estava a passar das marcas. E conhecendo o seu marido, sabia que Sasuke não teria piedade do pirralho.

- Já chega. – Sentenciou Naruto. Konohamaru esbracejava tentado soltar-se da cauda que o mantinha preso e suspenso no ar. E Sasuke rugiu resignado, pois sabia que não sairia dali, enquanto Naruto não deixasse. – É verdade que Konohamaru me beijou. – Confessou Naruto olhando para o marido, este abriu a boca para dizer alguma coisa, mas perante o olhar duro de Naruto resolveu que era melhor manter-se calado e olhar de forma assassina para Konohamaru, que tivera a ousadia de tocar no que era seu. – Eu já te disse Konohamaru, tu não és mais que um irmão para mim. Isto que fique bem claro! Ou eu juro que te afasto. – Depois disto soltou os dois brigões e voltou a recolher o seu chakra.

O silêncio reinou naquele gabinete e de forma dolorosa durante alguns momentos.

- Há alguma coisa que queiras dizer? – Perguntou Naruto olhando para Konohamaru.

- Desculpe, Maou.- Fez uma pequena vénia mais em jeito de chacota e nojo do que respeito e decoro. Depois virou as costas e saiu do gabinete batendo com a porta.

Naruto suspirou e olhou para todos os papéis espalhados pelo chão. Ajoelhou-se e começou a pegar em papéis um pouco ao acaso. Sasuke também se baixou e ajudou-o.

- Desculpa Naruto. – Disse Sasuke em voz baixa. Não gostava de engolir o seu orgulho e ter que pedir desculpa.

- Porquê? Que eu saiba quem abusou foi ele. Eu terei de falar melhor com ele, mas vou deixá-lo acalmar-se. Ele é como eu. Não desiste até atingir o seu objectivo. Eu nunca desisti de ti. – Naruto levantou-se com um monte de livros e papéis que recolhera e sorriu para o marido que olhou para ele, mas que ainda se mantinha a recolher papéis.

- Mas e se eu tivesse outra pessoa? Continuavas a perseguir-me? – Perguntou Sasuke.

- Se amasses outra pessoa eu deixar-te-ia em paz. – Respondeu automaticamente Naruto sem pensar duas vezes. – Amo-te e quero acima de tudo que sejas feliz. Mas eu sei que tu me amas. – Disse com convicção.

- Deuses! Tu estás mesmo convencido disso! – Riu-se Sasuke levantando-se e pousando os papéis que apanhara em cima da secretária. – Sim, eu amo-te. Mas agora já sabes o que tens de dizer a Konohamaru. – Naruto arqueou as sobrancelhas em dúvida. – Podes dizer-lhe que já amas uma pessoa, e que se ele realmente te ama tem que aceitar isso, pois se te ama quer acima de tudo que tu sejas feliz. – Aproximou-se do louro e abraçou-o pela cintura, trazendo para perto do seu corpo dando-lhe um pequeno beijo nos lábios. – Eu sei que tu gostas desse miúdo. É um dos teus primeiros laços. Vejo nos teus olhos que não o queres magoar.

- Ele é como um irmão mais novo para mim. Foi um dos primeiros que não me olhou com assombro. Realmente não o quero magoar. Espero que ele algum dia seja tão feliz como eu. – Desejou Naruto encostando a sua cabeça no peito de Sasuke descansando ouvindo o bater do coração do marido.

- Naruto sabes que dia é hoje?

- Nenhum dia especial. – Murmurou Naruto agarrando-se ainda mais a Sasuke, porque, por ele, não queria voltar a separar-se daquele corpo quente e a sair daqueles braços aconchegantes, no entanto mentalmente começou a pensar no que podia estar a esquecer. Nasasu só faria 7 anos dai a um mês. A Oshi tinha feito cinco meses. Percorreu as datas de anos dos amigos. Não estava a achar ninguém.

- Faz 9 anos que derrotaste Madara… - Começou Sasuke.

- Nove anos da morte do Iruka-sensei. – Completou Naruto levantando a cabeça. – Como é que eu me estava a esquecer disso?

- É compreensível com tudo o que se tem passado. Problemas estúpidos.

- Mesmo assim, que tipo de pessoa sou eu ao esquecer uma data destas?

- Uma pessoa com problemas. Mas deixa-te disso. Este ano podes ir finalmente à campa. Passaste os últimos anos a lamentar-te e agora podes finalmente ir à campa.

- Pois é. Anda Sasuke. – Agarrou na mão do marido e puxou-o para fora do gabinete.

oOo

Enquanto via Naruto baixar-se sobre a campa daquele que fora um pai para ele, Sasuke deixou a sua mente recordar o que se passara no dia em que encontrara Iruka morto. Se não fosse o antigo mestre, o louro teria morrido e Sasuke teria consequentemente ficado completamente sozinho no mundo. O que teria feito se isso tivesse acontecido? Sasuke não conseguia nem pensar, quanto mais imaginar.

Flashback On

A geografia daquela área estava completamente mudada, aliás, ele só sabia que aquela área era onde estava o covil de Madara porque estava cheia de ninjas de Konoha e também presos da organização Akatsuki. A grande serpente entrou de repente no recinto. Sasuke saltou rapidamente para o chão. Ficou a mirar a desolação.

A montanha tinha desaparecido. Olhou em volta. Havia milhares de pedregulhos. Grandes, pequenos, pontiagudos, redondos, de todos os tamanhos e formas. E no meio dos escombros via-se o grande aparelho com outros olhos abertos que giravam em todas as direcções, com as mãos que saíam da terra. Sobre os escombros mexiam-se vários ninjas que cavavam procurando, e retirando os corpos dos pobres coitados que não tinham sobrevivido, e os que teriam sobrevivido mas que não tinham conseguido sair.

Os corpos dos mortos eram alinhados a um lado, os feridos noutro, e os ninjas médicos faziam os possíveis para os tratar. Reconheceu alguns feridos, e alguns dos que tratavam dos feridos. Ao que parecia todos os seus colegas de academia tinham vindo tentar resgatar Naruto, aquilo queria dizer que o louro estava bem protegido, então como é que ninguém dera pela falta dele, pois ele não se encontrava em lado nenhum. Os olhos de Sasuke não conseguiam ver nenhum louro.

- Nishi sai daqui! – Mandou Sasuke, a fumaça cobriu-o com o desaparecer da serpente, mas logo a seguir teve que se desviar. Os ninjas de Konoha caíam sobre si. Retirou a sua katana e recuava conforme as kunais atingiam a lâmina da sua espada.

Por entre os feridos que tratava, Sakura observava o cagaçal que se formara até que os seus olhos viram Sasuke. O seu coração acelerou. Como era possível que Sasuke estivesse ali? Naruto não o tinha morto? Levantou-se num impulso e correu. Os ninjas de Konoha atacavam com raiva e o moreno simplesmente se defendia. Mas enquanto corria foi agarrada fortemente pela cintura. Quando olhou para a pessoa que a agarrava, impedindo-a de ir até Sasuke, viu Juugo.

- Juugo!

- Deixa-o! – Disse-lhe sussurrando ao seu ouvido. – Deixa-o fazer o que vem fazer.

- Ele veio atrás de Naruto… - A sua voz mostrava que estava à beira do pânico. – Naruto está ali debaixo… a culpa é dele…

- Observa… - Indicou Juugo. Sakura parou automaticamente de se debater e de tentar sair de entre os braços fortes de Juugo. E ficou a ver Sasuke e os movimentos que este fazia. Ela sempre fora uma boa observadora e deduzia as coisas rapidamente. O Uchiha não estava a ser ofensivo. Ele simplesmente se defendia. O que é que mudara? – Os seus olhos voltaram a ser como eram.

À mente de Sakura chegaram as palavras que Juugo lhe dissera sobre Sasuke: "É fácil de ver através dos seus olhos. Eles dizem muita coisa. E os de Sasuke mostram sofrimento, mas também amor."

- Ele voltou a amar. – Evidenciou Juugo.

- Ele não está a usar o sharingan. O seu objectivo não são os ninjas de Konoha. – Analisou Sakura.

- Continua a analisar. – Incentivou.

- Os seus olhos estão a ver outra coisa… - Sasuke via para lá dos ninjas que o atacavam, os seus olhos estavam fixos no aparelho. – Ele quer os bijuus?

- Ele olha para os destroços. – Corrigiu Juugo. - Ele sabe que Naruto está ali.

- Eu não estou a perceber…

A luta parou, então de repente Sasuke apresentou-se completamente estático. Sakura viu Shikamaru de joelhos a alguns metros dali. A sua técnica das sombras prendera Sasuke. A rapariga de cabelos rosa, sentiu o estojo das suas ferramentas ninjas ser aberto. Juugo puxou o kunai e apontou-a ao seu pescoço.

- Colabora. – Murmurou-lhe Juugo. – SOLTEM-NO! – Gritou ameaçando cortar a garganta de Sakura.

- Que estás a fazer? – Perguntou Sakura completamente surpreendida.

- SOLTEM O SASUKE!

Os olhos viraram-se todos para Juugo, visivelmente chocados, pois aquele lutara ao lado deles e que matara um dos inimigos mais poderosos, estava a ameaçar Sakura com uma kunai.

- Soltem Sasuke! – Repetiu a ordem colocando a kunai mesmo junto ao pescoço da ninja ameaçando cortá-lo.

Shikamaru olhou para Sakura que permanecia quieta sem querer fazer movimentos bruscos que lhe romperiam a garganta. Depois, o ninja inteligente elevou os braços desfazendo o jutsu e olhou para Juugo e Sasuke mostrando que se entregaria.

O Uchiha não esperou mais, rodou a katana enfiou-a no seu fato e saltou por cima das cabeças dos ninjas de Konoha parando atrás destes e continuou o seu caminho, fazendo uma prece silenciosa para que o seu louro continuasse vivo debaixo das pedras.

- SAIAM TODOS! – Gritou Sasuke para os ninjas que percorriam os escombros procurando os corpos e os feridos. Vi-os saltarem com a sua aproximação, e aviso, depois perto da beirada os pedregulhos caídos concentrou o pouco chakra que tinha e bateu na terra. – CHIDORI NAGASHI!

Fechou os olhos concentrando-se no caminho que os seus raios faziam enquanto penetravam na terra. Procurava o seu próprio chakra, tentava conectar-se com a sua espada, até que a viu como um farol no meio do mar. Abriu os olhos, endireitou-se e saltou para as pedras, sabendo exactamente onde haveria de se dirigir. Sabia que os olhos de todos os ninjas estavam postos em si, e que Juugo continuava a agarrar em Sakura ameaçando-a. Se fosse noutra altura ele até podia sorrir pensando que Juugo nunca cortaria a garganta a Sakura, pois não era capaz de magoar assim, pelo menos num estado normal. E só sorriria se não tivesse Naruto enterrado, então naquela altura não sorriu.

Chegou ao local onde sentia a sua espada. Começou a agarrar em pedras e a desviá-las do caminho, que o separava de Naruto. Suigetsu não demorou a juntar-se e juntos pegando em pedras foram descendo.

- O que fazem ai? – O capitão Yamato aproximara-se.

- Tentado retirar um idiota debaixo disto tudo. – Falou Suigetsu. – Certo Sasuke?

Sasuke parou e olhou para o desconhecido de Konoha que apenas vira de passagem.

- Diz-me que pedras devo retirar. – Pediu Yamato.

O moreno mirou-o desconfiado, enquanto ali quem devia estar desconfiado, mas estava a oferecer ajuda era o capitão. E foi por isso mesmo que Sasuke deixou as desconfianças de lado e indicou as pedras que Yamato teria que deslocar, e deslocou. Ainda demoraram uma porção de minutos, em que as madeiras se enrolavam nas pedras e as puxavam dando passagem. Até que, por fim, ouviram um gemer de dor, e debaixo deles encontraram Iruka-sensei. A visão do homem que ensinara as primeiras coisas de ninja a Sasuke, com as costas ensanguentas e espetadas com pedras, não foi bonita de se ver, mas ele estava vivo e consciente, elevando a cabeça quando sentiu a luz.

- Yamato! – Murmurou, parecia um pouco confuso enquanto a madeira se enrolava cuidadosamente ao seu corpo e o puxava. O sensei queixou-se com dores ao ser içado para que o pudessem tirar dos escombros. Então com Iruka retirado Sasuke viu Naruto por debaixo. Encontrava-se inconsciente e com uma mão no punho da sua espada. Não esperou que Yamato pusesse Iruka em segurança e entrou no buraco, usando o chakra para não escorregar.

Agachou-se ao lado do louro e a primeira coisa que fez foi certificar-se de que ainda estava vivo colocando dois dedos sobre a garganta, o coração batia desenfreado. Então pode suspirar de alívio. Naruto, por muitas mazelas que tivesse, ia recuperar, de certeza. A kyuubi ajudaria nisso. O que importava era que ele não estava morto.

Então puxou a sua espada, colocando-a ao lado da que já tinha na sua corda roxa em volta da cintura, e agarrou Naruto, saltando para fora do buraco logo a seguir para fora dos escombros da montanha caída. Correu até ao pé de Juugo e Sakura que continuava ameaçada pela kunai e pouso Naruto aos seus pés.

- Podes soltá-la, Juugo! – Pediu Sasuke. Levantando-se encarou Sakura. – Trata de Naruto. – Sakura não percebeu se aquilo era um pedido ou uma ordem, mas baixou-se automaticamente e pôs-se a curar Naruto como podia. – Juugo fica com os de Konoha. Lá existem bons médicos que te puderam curar ou arranjar algo para te controlar, que não passe pela prisão. Já não há razão para continuares na Taka. A minha vida vai ser uma luta daqui para a frente, acho eu. Em Konoha encontrarás um pouco de paz, tenho a certeza. – Enquanto falava os seus olhos estavam fixos na cara relaxada e inconsciente de Naruto.

- Não há nada a fazer! – Ouviu uma voz falar a pouca distância dali. – Está morto. – Soube que Iruka-sensei tinha morrido naquele momento, não precisou de pensar muito, e muito menos de ver, pois ele vira que quando Yamato içara o corpo do seu primeiro sensei, vira que o corpo tinha sido trespassado de um lado ao outro.

Fechou e abriu os olhos suspirando fundo, o próximo passo seria doloroso, pois significava que ia dar um passo em direcção ao futuro. Ele, uma pessoa que vivera até ali completamente comprometido com o passado. Viu os olhos de Naruto abrirem-se e fixarem-no por momentos. Estavam tão azuis, tão brilhantes, parecia que por dentro irradiava felicidade por vê-lo ali. Sakura abraçou-o murmurando o como estava contente por ele ter acordado, mas os olhos continuaram vidrados em Sasuke, e depois os seus lábios abriram-se num sorriso.

Sasuke não foi capaz de sorrir de volta, pois no seu interior sabia que, Naruto ainda ia sofrer muito quando soubesse que o seu pai adoptivo dera a vida por ele, mas deu um pequeno aceno de cabeça, e desejando adeus com o olhar virou as costas e correu para fora do recinto da montanha caída. Veria Naruto mais tarde, tal como tinham combinado, as coisas tinha agora que seguir o seu percurso. Sentiu duas presenças ao seu lado, Karin e Suigetsu. As duas pessoas que o iam ajudar a ultrapassar um novo obstáculo – Unir e Reerguer o Otogakure.

Flashback Off

- SA-SU-KE! – Os seus tímpanos vibraram quase rompendo com o berro. – Caneco! Onde é que estavas? – Perguntou Naruto.

- Aqui mesmo.

- Mas com a cabeça noutro lugar. Chamei-te vinte vezes ou mais. – Sorriu. – Anda! Vamos buscar Nasasu à academia.

Continua…