Capítulo Doze

Pieces of History

Ginny equilibrou um prato de frutas e torradas sobre uma tigela de mingau e carregou tudo até a mesa. Pegou um dos bules de chá distribuídos ao longo da mesa e se serviu de uma xícara de chá muito necessária. Colocou açúcar no mingau e tomou um gole de seu chá, enquanto esperava o açúcar derreter. Elise empurrou uma jarra de suco na direção de Ginny, que se serviu de um copo, antes de passar a jarra a Helen. Ginny se surpreendia, e muito, com a facilidade com que conseguia se incluir à rotina diária do time. Corujas entravam pelas janelas abertas, entregando cartas aos membros do time. Até então, Ginny recebera apenas duas cartas de Molly, mas uma grande quantidade de cartas estava a sua frente. Marion estudou a pilha de papel com uma sobrancelha erguida.

- Isso acontece frequentemente?

Ginny olhou para a pilha em confusão.

- Não. Eu não sei por que... – sua voz morreu, enquanto olhava pelos envelopes. – Oh, não... – murmurou. Não havia apenas uma carta de Molly, mas uma de Bill e Fleur, Charlie, George, Ron e Harry.

- Espero que esteja tudo bem. – Anna murmurou.

- Eu também. – Ginny respondeu vagamente, enquanto abria a primeira carta. Era um curto bilhete, contendo uma única frase, Percy se casou com Penny semana passada, seguida pela letra C. – Maldição! – Ginny exclamou. – Meu irmão se casou!

- Qual deles? – Elsie perguntou. – O bonitão?

Anna girou os olhos sobre a borda de sua xícara.

- Esse já é casado, sua vaca tola. – zombou. – Bill se casou há, o quê? Dois anos, não é?

Ginny assentiu distraidamente, abrindo a próxima carta da pilha, que tinha a letra de Fleur.

Elsie fez uma careta.

- Eu não estava falando de Bill. – murmurou.

Ginny leu rapidamente a curta carta, notando que Fleur parecia divertida com as ações de Percy. Eu não esperava que Percy fizesse algo tão fora de sua personalidade. Ele sempre pareceu aderir às regras e insistir em fazer as coisas tão corretamente quando possível. A principio, eu pensei que poderia ser uma brincadeira do tipo que George e Fred fariam. Entretanto, não o é, e Percy e Penélope estão casados. Se você pensar sobre isso por um momento, faz sentido que Percy tenha se casado dessa maneira. Foi eficiente e feito com o mínimo de dificuldade. Ouviu alguém lhe fazer uma pergunta e ergueu os olhos.

- O quê? – perguntou inexpressivamente.

- Foi Charlie? Espero que não tenha sido Charlie. – Elsie suspirou nostalgicamente. – Eu não o chutaria para fora da cama por comer biscoitos. – adicionou com um leve olhar de desejo.

Ginny colocou a carta de Fleur no envelope e evitou se encolher perante a ideia de Charlie criar desejo em alguém. Não era que achasse que Charlie fosse feio, mas ele era seu irmão. A ideia de que qualquer um de seus irmãos deixasse os joelhos de alguém mole lhe dava náuseas.

- Não. Foi meu irmão do meio, Percy.

Matilda cuspiu suco de laranja para o outro lado da mesa. Felizmente, o assento a sua frente estava vazio. Secou o rosto com o guardanapo e olhou para Ginny de boca aberta.

- Percy? – ofegou em incredulidade. – Como o Regras-Foram-Feitas-Para-Serem-Seguidas-Percy? Percy Weasley se casou?

- Erm... – Ginny não tinha certeza do que dizer. Conformou-se com uma simples confirmação. – Sim.

Mandy misturou seu mingau pensativamente.

- Eu não sabia que Percy estava particularmente interessado em mulheres ou homens. – refletiu. – Para ser honesta, achei que ele não tinha interesse em nada além de seu trabalho.

Ginny assentiu para si mesma. Não tivera muitas chances de observar Percy com Penélope, mas pelo que tinha ouvido de Harry, Ron e Hermione, Penny tinha acompanhado Percy a vários almoços de domingo dos Weasley.

Elsie cuidadosamente passou manteiga em sua torrada e espalhou morango sobre a torrada.

- Então... Ginny... Charlie está vendo alguém?

Anna mirou um leve tapa na parte de trás da cabeça de Elsie, fazendo seu rabo de cavalo balançar.

- Dá um tempo, pode ser? Você vai me fazer vomitar no seu prato.

Elsie mostrou a língua para Anna.

- Então? Ginny? Charlie está vendo alguém? – insistiu.

Ginny suspirou e finalmente comeu uma colherada de seu mingau.

- Ele estava, quando fiquei com ele durante os testes. – cedeu. – Uma Curandeira da reserva de dragões. – não achou que Charlie se importaria que ela divulgasse essa informação. Qualquer coisa para fazer Elsie parar de falar sobre Charlie como se ele fosse um pedaço de carne, e estava morrendo de fome. Ginny abriu a próxima carta, de George, pensado que não se incomodava tanto por Elsie ter uma queda por Charlie, mas a ideia de qualquer um de seus irmãos se envolvendo em qualquer atividade sexual era mais do que um pouco desconfortável, provavelmente não mais do que eles sentiam sobre ela. Em geral, na opinião de Ginny, era uma ideia que deveria permanecer no abstrato.

-x-

Charlie acordou em seu quarto escuro e brigou com o cobertor enrolado ao seu redor até conseguir erguer o bastante a cabeça para olhar, preguiçosamente, para o relógio em seu criado mudo. Olhou para as pesadas cortinas que bloqueavam qualquer luz de passar pela janela, imaginando a hora. Podia ser seis da manhã ou seis da tarde, até onde sabia. Girou o pescoço, produzindo vários estalos satisfatórios. Usou a varinha para afastar a ponta da cortina. Uma luz pálida e prateada passou pelo vidro e ele suspirou pesadamente. Charlie estava trabalhando nos turnos da tarde, e não precisava acordar por mais algumas horas, mas os turnos da manhã da semana anterior ainda estavam em seu sistema. Gemeu e afastou o cobertor, colocando os pés no chão. Charlie se ergueu e se espreguiçou elaboradamente e, no que irritadamente notou que havia se tornado um hábito, se coçou por sobre o tecido de sua boxer, enquanto caminhava até a porta do quarto. Usou sua mão livre para abrir a porta e foi ao banheiro. Como sempre, acordara com uma necessidade urgente de usar o banheiro. Não entendia como as pessoas acordavam a cada poucas horas para usar o banheiro. Podiam-se perder vários momentos preciosos de sono dessa maneira. Bocejou, enquanto lavava as mãos, e foi para a cozinha. Rapidamente, arrumara um prato de torradas, um enorme bule de chá e pagou a coruja que trouxera o jornal da manhã. Colocou o chá, as torradas e o jornal sobre a mesa e se acomodou para ler o que estava acontecendo no mundo mágico. Molly, ele sabia, ficaria absolutamente escandalizada com sua falta de roupa durante o café da manhã, mas não era como se mais alguém fosse vê-lo. Além do mais, ele era um homem crescido e se quisesse tomar seu café da manhã, na privacidade de sua casa, usando nada além de um sorriso, então era isso o que ele faria.

Charlie abriu o jornal na sessão de Quadribol e leu as manchetes, procurando por qualquer informação sobre as Harpies. Imaginou como o time se adaptava a seu treino de verão, especialmente Ginny. Ele se lembrava como seus primeiros meses na Romênia tinham sido quando saíra da casa. Ele e Bill tinham trocado várias cartas nostálgicas sobre estarem longe do que conheciam. Certamente, ir para Hogwarts aos onze anos lhes ensinara a ser bastante independentes de seus pais e responsáveis por suas próprias vidas, mas ao menos em Hogwarts eles estavam cercados de amigos e família, e o castelo em si era um pouco familiar de todas as histórias que vários parentes tinham lhes contado. Miercuera-Ciuc¹ podia ser absolutamente frigida durante o inverno e chuvosa durante o verão, e cheia de um idioma desconhecido. Charlie não tinha a facilidade de Bill com idiomas, então nos primeiros meses tivera dificuldades em aprender o bastante de romeno para se virar. Fizera pilhas de pequenos cartões com desenhos de objetos com os nomes escritos sob eles em romeno, assim como a escrita fonética da palavra. Tinha até mesmo colocado uma pequena placa em todos os itens de sua cabana, e prendido pedaços de pergaminho em suas roupas. É claro, Ginny não enfrentaria os mesmo desafios que ele tinha enfrentado, Charlie pensou, esfregando uma mão na nuca. Ela iria, entretanto, enfrentar desafios diferentes — viver sob o olho do público. Em regra, os Weasley eram um clã reservado, exceto por aquele momento estranho de Percy. Como ela lidaria com ter sua vida pessoal dissecada sob o nome de um dos repórteres da coluna social do Profeta? Autores de Quadribol analisando cada um de seus movimentos, detalhando como ela poderia ter jogado melhor, mesmo se ela houvesse jogado brilhantemente. Ginny seria capaz de ver isso como nada além de uma besteira, ou ela levaria a sério? Charlie esperava que fosse o primeiro.

Um pequeno parágrafo prendeu sua atenção, escondido sob um artigo maior sobre o desenvolvimento do novo Goleiro de Montrose. Uma migalha, realmente, sobre um amistoso entre as Harpies e o time nacional da Bulgária. Um sorriso começou a se abrir no rosto de Charlie quando uma série de batidas insistentes na porta, que ficavam mais barulhentas a cada nova batida, interrompeu seus pensamentos. Olhou para sua roupa — ou melhor, falta de roupa —, e suspirou. Olhou feio para a porta por um momento, antes de deixar o jornal de lado e gritar:

- Só um momento! – foi até o quarto e pegou o jeans deixado de lado e o vestiu, pulando em um pé, enquanto o puxava para cima. Deixou-o aberto e caminhou os últimos passos até a porta. – O quê? – rosnou.

Bronwyn estava parada de boca aberta na varanda, enrolada em um grosso cardigã, se protegendo da manhã gelada.

- Eu te acordei? – Charlie balançou a cabeça e se escorou contra a batente da porta, a imagem da paciência, esperando que Bronwyn continuasse. Ela colocou as mãos dentro das mangas do cardigã, balançando a cabeça para afastar uma mecha de cabelo dos olhos. – Eu só queria te dizer, eu estive pensando... – Charlie ergueu uma sobrancelha em questionamento. Bronwyn engoliu em seco e continuou. – Eu nunca questionei sua integridade ou experiência. Curandeiros nunca olham para um paciente e vêem uma situação não vencedora, ou que seu tempo acabou. Aprendemos a lutar até o final amargo, a exaurir todas as opções, mesmo que esteja óbvio que devemos parar e deixar a natureza agir. Foi uma resposta no calor do momento e eu nunca me dei ao trabalho de questionar sobre a saúde do dragão em questão.

Charlie se afastou da batente e fez um movimento com o queixo.

- Quer uma xícara?

- Desculpe?

- Você quer uma xícara de chá ou não? – repetiu. – Achei que isso ajudaria a tirar o gosto de admitir que estava errada de sua boca. – o canto de sua boca se ergueu levemente. – E eu aceito suas desculpas. Foi bastante gracioso de sua parte.

Bronwyn abriu e fechou a boca repetidamente e Charlie abafou uma risada perante a imitação muito boa que ela estava fazendo de um peixe. Ela percebeu o brilho de diversão em seus olhos e fechou a boca com um doloroso encontro entre seus dentes.

- Uma xícara de chá seria ótimo, obrigada. – respondeu tensamente, entrando na cabana como se fosse a própria Rainha. – Melhor anotar em seu calendário. – Bronwyn aconselhou, acomodando-se à pequena mesa. – Não estou errada frequentemente.

- Isso é um desafio? – Charlie zombou, pegando uma xícara limpa do armário. Bronwyn sorriu suavemente em resposta. Charlie encheu a xícara e a arrastou pela mesa. – Desafio aceito.

Bronwyn misturou açúcar em seu chá e tomou um gole cuidadoso. Normalmente, o chá de Charlie era forte o bastante para remover o papel de parede.

- Então, de verdade, como estava o dragão?

- Cego, subnutrido, fraco, com sinais de abuso. – Charlie disse brevemente. – Sem chances de se recuperar. Mesmo que pudéssemos lhe dar comida na boca, o mais leve dos barulhos o assustava. Ele estava acostumado a vigiar os cofres em Gringotes e se esqueceu como era estar do lado de fora. Está melhor agora. – estudou a superfície de seu chá. – De todo modo, não é como se tivéssemos o equivalente de uma ala de danos causados por feitiços, como o St. Mungos. – pressionou os lábios e levou a xícara aos lábios. – Uma pena. – tomou um gole de seu chá e se balançou um pouco.

A mão de Bronwyn atravessou a mesa e seus dedos seguraram levemente a ponta de uma torrada. Começou a mordiscar o canto.

- Então... Erm... Você não foi o único a quem eu dei minha opinião mal formada. – confessou. – Eu disse ao papai exatamente o que eu pensava sobre como ele lidou com a situação do dragão.

Charlie se permitiu rir um pouco. Daffyd era bastante quieto a maior parte do tempo, mas ele não era o tipo de homem que permitia que outros interferissem na maneira como ele gerenciava a reserva.

- Entendo.

- Ele me deu um sermão. Deixou bastante claro que era para eu me importar com meus próprios pacientes e deixá-lo cuidar dos dele, e se ele quisesse minha opinião em como cuidar de um dragão, ele a pediria.

Charlie assentiu com aprovação. Em regra, não se importava em pedir a opinião de outras pessoas, e de vez em quando encontrava alguém com pouca experiência com dragões que tinha um método pouco ortodoxo, mas ainda assim completamente viável. Ajudava procurar a ajuda de alguém que estivesse fora da situação. Eles tendiam a olhar para as coisas sob um ponto diferente, e não estavam acostumados com a maneira que as coisas eram feitas. Esvaziou sua xícara e se serviu de outra. Recostou-se, aproveitando a companhia de Bronwyn. Ela parecia entender que ele não precisava da conversa constante, e até mesmo parecia aproveitar o silêncio amigável que crescia entre eles de vez em quando. Bronwyn passava algumas noites da semana na cabana dele, e jantavam juntos quase todas as noites em que Charlie não estava no turno da noite. Tinham entrado em uma rotina fácil, silenciosamente dividindo algumas das tarefas em sua cabana. Se um cozinhava, o outro lavava os pratos. Esse provavelmente era o relacionamento pessoal mais fácil que Charlie já tivera com outro ser humano. Respirou lenta e profundamente. Nunca, em sua vida, pensou que diria o que estava prestes a dizer a Bronwyn.

- Então... O que vai fazer no domingo? Minha família almoça junto toda semana, e eu pensei que se você estivesse interessada, você poderia ir... Comigo...

- Almoço, hm? Com sua família toda? – Bronwyn perguntou duvidosamente. – Quantas pessoas vão estar lá, exatamente?

Charlie equilibrou a cadeira nas pernas de trás e tomou um gole de chá.

- Minha mãe e meu pai. Bill e Fleur. Percy e Penny. George. Ron e sua namorada, Hermione. Harry. Eu. Você. Doze. Treze se a namorada de George, Katie, for. Quatorze se Harry estiver com seu afilhado, Teddy. Quinze se a avó de Teddy estiver lá.

- Qui... Quinze? – Bronwyn repetiu fracamente, os olhos arregalados e sem piscar.

- Você não tem que ir. – Charlie disse rapidamente. Só a quantidade de pessoas era o bastante para assustar a maioria das pessoas, na opinião dele.

A cabeça de Bronwyn se ergueu um pouco.

- Não estou assustada. – declarou.

Charlie sorriu.

- Não achei que estava.

- De fato, estou ansiosa por isso. – garantiu calmamente, mas sentindo seu estômago se revirar com a ideia de conhecer praticamente toda a família de Charlie de uma única vez.

As pernas da cadeira de Charlie pousaram no chão com um suave thump.

- Vamos aparatar para lá no domingo, por volta das onze. – disse. – Não vamos ficar até tarde. Trabalho à noite semana que vem.

Bronwyn esvaziou sua caneca, fazendo uma careta para o gosto forte de chá.

- Eu te encontro aqui, então. – ergueu-se e saiu da cabana, indo em direção a sua. – Espero que saiba no que está se metendo. – murmurou.

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Normalmente, o café da manhã era algo apressado para Harry. Não era por falta de tempo ou de planejamento de sua parte. Normalmente, acordava cedo e se encontrava com os outros Aurores para a corrida matinal no Parque Hyde; voltava para casa para tomar banho, se vestir e, então, tomar café. Não era que não gostava de levar seu tempo durante as refeições. Não tinha que engolir rapidamente a comida, como nos Dursleys, ou quando, às vezes, na escola, precisava conciliar seus deveres, Quadribol ou suas atividades "extracurriculares". Ele comida rapidamente por que não gostava de refeições solitárias. Analisava o Profeta Diário matinal, enquanto colocava cereal ou mingau na boca, mas não se dava ao trabalho de ler com atenção. Lia o jornal para que suas refeições não virassem uma atividade barbaresca. Se não tivesse o jornal para ocupá-lo, comeria em frente a pia. Então, não era inteiramente uma surpresa que não tivesse visto a matéria no meio do jornal sobre Gringotes ter enviado notificações para todos os bruxos que possuíssem um cofre para, por favor, ir fazer um inventário de dito cofre na hora marcada, muito obrigado. De fato, Harry tinha recebido a carta em questão. Apenas nunca a abrira, mas meramente a deixara na cesta perto da janela, onde guardava toda a correspondência que não era urgente, então se esquecera sobre isso em toda a confusão de Ginny voltar da escola, seu teste e, então, passar um mês na Suíça.

O café da manhã apressado de Harry também significava que ele chegava ao escritório muito antes que a maioria dos Aurores. Gostava dos momentos silenciosos no escritório, antes das pessoas passarem de um lado para o outro em frente ao seu cubículo. Ultimamente, fizera um hábito praticar Legilimência com quem conseguisse convencer a ajudá-lo. Sua primeira sessão com os antigos Comensais da Morta estava se aproximando rapidamente, e queria estar mais do que preparado. Queria que fosse instinto. Hermione ficaria orgulhosa, Harry sabia, de todo o tempo que ele passara revisando e praticando para os dois dias que demoraria em lidar com todas as pessoas em sua lista.

Nessa manhã em particular, Harry foi recebido por uma pequena quantidade de aviões de papel roxo, sobrevoando sua mesa. Suspirando, pegou o mais próximo e o leu, sentando-se em sua cadeira. Era o itinerário finalizado de seus interrogatórios com os Comensais da Morte. Eles seriam feitos em Azkaban. Com uma exceção — Draco Malfoy. Harry não percebera que sob os termos da condicional de Draco, ele teria de ir até a Mansão Malfoy, ao invés de Draco ir até o Ministério. Aparentemente, quando a Suprema Corte dissera "confinado a casa", apenas um caso de vida ou morte daria permissão a Draco para sair da mansão. Depois, pensou consigo mesmo. Não seria bom se preocupar com isso agora. Não havia ninguém no Ministério que pudesse lidar com isso no momento.

Harry deixou o aviso de lado e pegou o próximo aviãozinho. Eles tinham se reorganizado para ficar a seu alcance. Um rolo de pergaminho, um selo de cera vermelho escuro, marcado com um G elaborado caiu das dobras do avião e pousou em sua mesa. Cautelosamente, Harry o tirou de sua mesa, imaginando se suas ações do último ano, quando invadira o cofre dos Lestrange, tinham finalmente voltando para assombrá-lo. Cuidadosamente, quebrou o selo e o pergaminho se desenrolou silenciosamente, revelando um breve bilhete de ninguém mais que Bill Weasley.

Harry... Você perdeu seu horário para fazer o inventário do conteúdo do seu cofre. Consigo encaixá-lo hoje, por volta da uma da tarde. Os duendes ficaram agitados por você não aparecer na hora marcada. Se você me permite te dar um conselho, não falte hoje. Eles podem dificultar, burocraticamente falando, quando você quiser visitar seu cofre. Eu odeio parecer com Percy, mas é realmente importante que você venha e faça isso. Por causa do caos das primeiras semanas após a guerra ter acabado, e uma certa invasão ter sido feita pública (não os envolvidos, apenas a invasão em si), bruxas e bruxos em toda a Grã-Bretanha e Irlanda foram até o banco exigir garantias de que seus cofres não foram tocados. Com tantos duendes desaparecidos e dados como mortos ou, de fato, mortos, demorou até que chegássemos ao seu.

Tente tirar a tarde de folga, se puder. Dado o tamanho do seu cofre, vai demorar um pouco para terminar o inventário.

Bill.

Harry apertou a ponte do nariz contra a dor de cabeça crescente e brigou contra o impulso de jogar o bilhete no lixo. Quando precisava ir ao Gringotes, tentava ser o mais rápido possível, mantinha a cabeça abaixada e não entrava em conversas significativas com qualquer um. Deixou o rolo de pergaminho de lado, ao lado dos horários dos Comensais da Morte, e pegou o memorando seguinte.

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- Oi, Harry! – a voz levemente sem ar de Hermione assustou Harry. Pulou, derrubando a pena sobre a mesa, franzindo o cenho para o pergaminho manchado.

- Avise um cara. – suspirou, usando a varinha para tirar a tinta do pergaminho. Deixou o pergaminho de lado, grato pela distração. Gesticulou para Hermione se sentar na cadeira vazia em frente a sua mesa. – O que a trás a esse local refinado? – perguntou zombeteiramente.

Hermione se sentou na ponta da cadeira e juntou os dedos.

- Eu queria te pedir algo. – começou tremulamente. Harry permaneceu em silêncio, mas ergueu uma sobrancelha, esperando que ela continuasse. – Bem, veja... Eu preciso da coleção de livros de Remus.

- Por quê?

Os dedos de Hermione se torceram juntos.

- Não tenho certeza de como dizer isso. – murmurou sob a respiração. – É só que Remus deixou uma carta com Kingsley, para me ser entregue quando eu terminasse a escola. – esticou a saia sobre os joelhos. – Ele tinha um pequeno grupo de... Amigos...

- Amigos? – Harry repetiu inexpressivamente. Não conhecia nenhum amigo que Remus pudesse ter fora da Ordem. – Quem...?

Hermione mordeu seu lábio ansiosamente.

- Lobisomens. – disse suavemente. – Três deles. Eles moram em uma fazenda, mas não posso te dizer onde. Não ainda. Fenrir Greyback os mordeu durante nosso quinto ano, e eles todos foram demitidos de seus trabalhos, é claro. Ele... Ele me pediu para cuidar deles. Para tentar mudar as leis que os separam da comunidade bruxa. – sua voz se ergueu levemente, enquanto se envolvia com o assunto. – Mas no meio tempo, eles pediram por um incentivo intelectual maior. Remus tinha uma coleção extensa de livros. Tenho certeza de que ele não se importaria de que seus amigos a tivessem.

- Então, por que precisa de mim? – Harry perguntou.

- Eu não sei onde os livros dele foram guardados e achei que você pudesse saber. – Hermione confessou apressadamente.

Harry se recostou em sua cadeira, girando a pena entre os dedos, ignorando a tinta que os manchava.

- Você terá de falar com Andrômeda.

Hermione tencionou cautelosamente, bastante como um gato que ouve um som ameaçador. Seus punhos se cerraram sobre seus joelhos e ela respirou lenta e cuidadosamente, tentando lutar com o som do sangue correndo em seus ouvidos. Piscou rapidamente, enquanto seus olhos corriam ao redor do pequeno cubículo, enquanto sua boca trabalhava por um momento, antes de forçar a palavra:

- Bellatrix.

- Oh... – Harry ergueu uma mão e apertou a dela. Ele sabia o que ela queria dizer. Andrômeda era bastante parecida com sua irmã mais velha. Mas apenas em um primeiro momento. Andrômeda, como seus vários parentes Black; Bellatrix e Sirius passaram por sua mente; tinha olhos largos, escuros e pesados. Demorara meses até Harry parar de se encolher toda vez que olhava para Andrômeda pelo canto do olho. A similaridade acabava aí. Andrômeda tinha o cabelo castanho claro e levemente ondulado, e não os cachos negros rebeldes de Bellatrix. Enquanto sua expressão podia ser fria e indiferente às vezes, Harry imaginava que sua máscara era um reflexo de sua infância, onde a menor reação poderia gerar abusos. E uma vez que Andrômeda se apegava a uma pessoa, ela raramente demonstrava tal reserva. A mão direita de Hermione foi para seu antebraço esquerdo, onde Harry sabia que a palavra "sangue ruim" tinha sido grava em sua pele, cortesia de Bellatrix. – Você quer que eu vá com você?

A boca de Hermione se abriu, e ela balançou a cabeça levemente.

- Não. Eu... Eu quero que você fale com ela por mim. – suas interações com Andrômeda tinham sido limitadas aos ocasionais almoços de domingo. Não tinha tido a chance de se acostumar à aparência de Andrômeda como Harry e Ron tinham tido.

A boca de Harry se torceu. Não a deixaria ir sozinha, mas não ia facilitar as coisas para ela. Se ela queria os livros, ela ia ter de pedir por eles ela mesma.

- Eu vou com você até a casa de Andrômeda. É sua responsabilidade pegar esses livros para os amigos de Remus.

O rosto de Hermione se abateu.

- Harry! – protestou.

- Ninguém está te pedindo para ir a Mansão Malfoy. – Harry a lembrou bruscamente. – Apenas a casa de Andrômeda. – tirou os óculos e os colocou na mesa. – Olha, - começou. – eu vou buscar Teddy no sábado. Você pode ir e conversar com Andrômeda. – massageou a ponte do nariz, antes de voltar a colocar os óculos. – Ela não morde. – disse suavemente. – E Remus ia querer que seus livros fossem bem usados.

Os ombros de Hermione se curvaram um pouco.

- Que horas você vai buscar Teddy? – perguntou um pouco derrotada.

- Provavelmente as três. É quando ele normalmente acorda de seu cochilo.

- Obrigada... – Hermione se ergueu e deu a volta na cadeira, indo em direção da porta do cubículo. Parou e estudou Harry por alguns minutos, antes de dizer. – É ridículo, eu sei, ficar tão aterrorizada com a memória de alguém que está morta há mais de um ano.

- Não é. – Harry garantiu. Ele sabia exatamente o que ela queria dizer. – O que seria tolo é deixar que o medo te impeça de fazer algo que você ama, como ajudar os amigos de Remus. Ou deixar que domine sua vida. Temos o resto de nossas vidas a nossa frente, e se nós desistirmos sempre que passarmos por portas que trazem certas memórias, então nós estariamos deixado que eles ganhem, no final. – sorriu um pouco. – E eu vou ser amaldiçoado se eu deixar que eles ganhem depois de tudo pelo que passamos para vencê-los.

Hermione sorriu cansadamente, mas Harry conseguiu ver seus ombros se erguerem, enquanto ela saia de seu cubículo.

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Harry estava parado na calçada em frente à Gringotes, no pé da escada, com as mãos escondidas em seus bolsos. Suas bochechas se dilataram quando soltou o ar violentamente, esperando até o último minuto para entrar no prédio. Seus olhos foram para o relógio preso em seu pulso, vendo a hora. Mais um minuto. Os dedos de Harry traçaram a borda, procurando um pequeno amassado sobre o número onze. Gentilmente, bateu o dedo do meio no pequeno amassado, observando o ponteiro do segundo dar a volta. Quando um sino distante soou, seus ombros se ajeitaram automaticamente com o hábito de alguém acostumado a fazer algo desagradável, e Harry começou a subir a escada de mármore branco. Pausou em frente às portas de bronze, assentido para o duende vestido de vermelho, sentindo o agora tão familiar aperto em seu estômago, enquanto o duende o deixava passar, levemente preocupado que os bruxos do Departamento de Execuções das Leis da Magia estariam esperando do lado de dentro para prendê-lo. Nos momentos mais fervorosos de sua imaginação, imaginou os bruxos esperando em frente ao seu cofre, prontos para atordoá-lo por ter invadido o cofre de Bellatrix Lestrange. Harry abriu a pesada porta apenas o suficiente para conseguir entrar. O saguão gelado era bem vindo depois do calor de verão, e Harry esperou até sua visão se ajustar ao interior levemente iluminado depois da luz forte do sol. Piscou algumas vezes, e a visão de Bill, parado quase no final dos longos balcões, entrou em foco. Harry ergueu uma mão em forma de cumprimento e Bill fez um movimento, convidando-o a se aproximar.

- Fico feliz que tenha vindo. – Bill murmurou. – Estava quase pedindo a Kingsley para inventar uma desculpa a Baldrot para você. – os olhos de Bill foram até o final do saguão principal, onde um duende idoso, mas de aparência intimidadora, olhava para todo o saguão.

- Obrigado. – Harry murmurou. – Vamos terminar com isso, certo? – deixando seus sentimentos por estar em Gringotes, odiava atividades repetitivas como a que estava por vir.

Bill indicou o longo corredor com várias portas, que levava até os cofres.

- Depois de você. – Harry caminhou pelo corredor e parou em frente à porta que levava a seu cofre. Um duende jovem esperava em um dos carrinhos, e Harry embarcou seguido de Bill. – Está dentro? – Bill perguntou a Harry, que assentiu tensamente e Bill se virou para o duende. – Vamos. – o duende puxou uma alavanca e o carrinho começou a se mover. Harry sentiu as cutucadas do vento gelado levar lágrimas a seus olhos, enquanto iam cada vez mais para baixo da terra. Depois de muitas voltas de revirar o estômago, o carrinho parou abruptamente em frente ao cofre 687; o cofre de Harry. – Está com a chave? – Bill perguntou.

Harry assentiu e pegou a pequena chave que abria o cofre, e a colocou na fechadura. A porta se abriu, revelando a pilha de Galões, Sicles e Nuques de sempre. Harry entrou e Bill lhe passou uma pilha de pergaminho com uma Pena Caneta-Tinteiro.

- Você realmente espera que eu conte cada uma das moedas?

Bill balançou a cabeça.

- Há um feitiço que as organiza em pilhas de dez. Você conta as pilhas. – deu um olhar estranho a Harry, e continuou. – Alguma vez você entrou de verdade no seu cofre?

- Não realmente. Apenas o bastante para retirar ouro para a escola ou algo assim.

Bill apontou para o pergaminho nas mãos de Harry.

- Por que não dá uma lida nisso? Ou, melhor ainda, dê uma volta pelo cofre.

Harry franziu o cenho e foi até a pilha mais próxima de Galões. Sua boca se abriu quando viu, pela primeira vez, as pilhas de engradados e caixas escondidas atrás de todo o dinheiro.

- Que diabos é isso tudo? – murmurou, os olhos se arregalando em surpresa.

Bill apareceu ao lado de Harry.

- Tudo o que estava no cofre da família Potter quando seus pais morreram, e quando Sirius morreu você recebeu tudo que estava no cofre dele, também. – deu um tapinha na lista na mão frouxa de Harry. – Verifique a lista.

Harry piscou e olhou para a lista esquecida em sua mão, e começou a folhear. Mais dinheiro do que ele poderia gastar em uma, se não duas, vidas. Jóias. Retratos e outras pinturas. Coleções de vestes e livros antigos. Conjuntos de louça. Vários conjuntos de prataria feitos de estanho e prata legítima. Havia até mesmo um conjunto de prataria feito por duendes. As sobrancelhas de Harry se ergueram um pouco quando seus olhos encontraram esse item.

- Isso é completamente maluco. – murmurou. – O que eu sou suposto a fazer com isso tudo? – sua voz assumiu um leve tom de pânico.

- Para começo de conversa, você não vai ter de se preocupar em pagar pelas coisas dos seus filhos quando eles começarem a escola. – Bill disse insolentemente. – Você poderia comprar um maldito castelo, se quisesse. Talvez um time de Quadribol.

Harry se virou em um pequeno circulo, estudando uma pilha brilhante de ouro.

- Teddy. – disse simplesmente.

- O que tem Teddy?

- Eu quero providenciar alguma coisa para Teddy. – Harry explicou. – Não quero que Andrômeda tenha que se preocupar em comprar as coisas da escola para Teddy. E que ele tenha algo guardado quando terminar a escola para que não precise morar com a avó ou comigo, se não quiser...

Bill fez uma anotação no pequeno caderno que carregava.

- Posso ter isso providenciado para você até o final da semana. – disse quietamente, impressionado que o primeiro pensamento de Harry tivesse sido o bem estar de seu afilhado.

- Obrigado. – Harry respondeu distraidamente, enquanto lia mais a lista. – Acho que vou começar com esse engradado, então. – disse, apontando para o engradado de madeira enorme, no canto esquerdo do cofre. – E ir em sentido horário. – apertou os olhos para o engradado em questão. – Estão todos numerados?

- Foram numerados e catalogados quando foram trazidos aqui. – Bill respondeu. – Se algo foi removido, foi anotado à época da retirada.

- Certo. – Harry apontou a varinha para o engradado e murmurou. – Cistem Aperio. – a tampa do engradado se ergueu lentamente e abriu. Dentro, várias caixas de madeira gravada estavam empilhadas uma sobre a outra. Com um suspiro profundo, Harry pegou as caixas, aliviado em ver que elas, também, estavam numeradas. Verificou a lista e começou com a caixa listada primeiro. Não era uma tarefa difícil, e havia um conteúdo variado o bastante para não ser completamente tedioso. Mexer nos objetos deu a Harry uma visão na história de sua família. Uma vez ou outra, um antepassado ou outro tinha deixado um bilhete contendo informações sobre a história do objeto dentro da caixa; a quem tinha pertencido, quando e como tinha recebido, e uma alma audaz tinha até mesmo incluído uma história cômica sobre um colar de pérolas particularmente feio, fazendo Harry rir alto.

A caixa mais recente tinha sido guardada um pouco antes do nascimento de Harry, de acordo com a data marcada. Franziu o cenho, os dedos traçando as letras que tinham um formato familiar. Onde eu vi essa letra antes?, refletiu, pensando que tinha, de fato, visto aquela maneira peculiar de cruzar os dois "T" em "Potter" com um risco longo, que quase cortava o "e". Sua língua se prendeu ao céu da boca quando uma memória passou por seu cérebro com a sensação de ter uma articulação colocada no lugar. Harry percebeu onde a tinha visto: em uma das memórias de Snape na penseira de Dumbledore — que agora pertencia a Harry. Lembrava-se vividamente do dia que vira a memória de seu pai terminando seu N.O.M de Defesa.

- Pai... – Harry murmurou respeitosamente. Com as mãos um pouco trêmulas, Harry tirou a tampa da caixa. Não havia muito dentro. Apenas algumas jóias, que eram lindas, apesar de simples. A maioria delas tinha um pedaço de pergaminho preso a elas com um fio. Harry pegou uma corrente de ouro com um pendente no formato de uma lua crescente, um diamante no formato de uma estrela incrustado, pendurado em uma ponta. Ergueu-a de modo que o pergaminho estivesse em frente aos seus olhos. Pertencera a uma de suas bisavós. A avó paterna de James. De acordo com o que estava escrito, tinha sido o colar favorito dela, mesmo que ela possuísse alguns mais elaborados. Um arranjo de braceletes esculpidos em jades, com imagens de folhas nas superfícies, indo desde um verde acinzentado quase branco até o mais profundo verde de bétula no verão. Um antigo relógio de pulso, dado ao avô de Harry no dia em que ele fizera dezessete anos, com uma pequena inscrição atrás, que dizia apenas, "Roderick Maxwell Potter, 14 de novembro, 1931". Aninhado na bolsa de veludo, junto ao relógio de bolso, estava um delicado relógio de pulso. Harry o virou e o levou para perto do rosto para que pudesse ler as palavras gravadas, "Eleanor Frances Lowe, 2 de janeiro, 1934". Harry sentiu outro momento desconcertante ao perceber que era a primeira vez que vira os nomes de seus avôs paternos, preenchendo mais uma lacuna de sua história.

Harry deixou a pena de lado e girou a cabeça lentamente, sorrindo alegremente para os estalos que soaram em rápida sucessão.

- Posso te perguntar algo? – disse a Bill, sentando em uma cadeira que conjurara.

Bill ergueu os olhos da cópia do Profeta.

- Claro.

- Mais cedo, você disse que o conteúdo do cofre de Sirius foi movido para o meu. – Harry começou. Bill assentiu e Harry continuou. – Por que o banco faz isso ao invés de apenas deixar lá? Não faz sentido.

Bill franziu o cenho para Harry por um momento, antes de se lembrar que Harry entrara no mundo bruxo aos onze anos, com nenhum conhecimento anterior de como funcionava, como se fosse um nascido trouxa. Pelo último ano, ele tinha se misturado ao mundo bruxo com uma facilidade que escondia sua criação e as ocasionais lacunas em seu conhecimento.

- Apenas um parente de sangue pode, de fato, herdar o cofre em si. Você pode deixar o conteúdo para quem quiser. Desde que Sirius não tinha um parente de sangue, a propriedade do cofre volta para o banco.

- Oh. – Harry ficou parado por um momento, antes de respirar fundo e soltar o ar lentamente, antes de pegar a última jóia da caixa. Um pergaminho estava preso em um pequeno anel de ouro, enfeitado com uma esmeralda, aninhada entre duas opalas menores. A anotação no pergaminho era curta, escrita na letra de seu pai, contendo apenas o nome da mãe de James e uma data, cinco meses antes do nascimento do próprio Harry. Harry virou o pergaminho, procurando por outra dica, por menor que fosse, e foi premiado com um anexo na letra de Lily, "Dado a Eleanor por Roderick em seu noivado — 12 de abril de 1946". Harry fez uma pequena marca ao lado do item na lista, e começou a colocá-lo de volta na caixa. Parou e o ergueu sob a luz, estudando-o de perto. Era adorável. Enquanto o prendia em seu espaço em uma almofadinha de cetim, Harry conseguia imaginar o anel no dedo de Ginny. Ela até gostaria da história por trás do anel. Fechou a caixa cuidadosamente, deixando-a com a outras, e a lacrou mais uma vez.

Continua...

¹ É uma cidade da Romênia com 41.852 habitantes, em sua maioria húngaros.

Nota da autora: Cistem Aperio foi usado na versão cinematográfica de Câmara Secreta. Abre caixas e foi usado por Tom Riddle para abrir a caixa que continha um jovem Aragog.

Enquanto há um Charlus Potter e Dorea Black listados na árvore genealógica da família Black, que combinam com as descrições dos pais de James Potter (tiveram um filho, apesar de sem nome, em uma idade avançada), isso nunca foi confirmado. Além do mais, Dorea Black Potter morreu com cinqüenta e sete anos, enquanto a mãe de James estava viva e bem durante os últimos anos de escola dele. Então, eu decidi me usar completamente de liberdade artística e dar nomes aos senhor e senhora Potter. No caso de alguém querer fazer a conta, Roderick Potter nasceu em 1914 e Eleanor em 1918. Eles tinham 45 e 42 anos, respectivamente, quando James nasceu.

Nota da tradutora: obrigada pelos comentários! (:

A tradução do título desse capítulo é: pedaços de história.

Espero que tenham gostado desse capítulo e vamos todos esperar ansiosamente pelo próximo.

Até a próxima, galera.