12. A Nova Aluna

Me arrumei rapidamente, enquanto ouvia leves batida na janela. Era o meu amigo pardal, pedindo seu café da manhã.

- Olá, para você também. Já, já trago algo para você, amiguinho.

Desci para tomar café e vi que meu pai já estava vestido. Nana servia o café normalmente.

- Bom dia.

- Bom dia, pequena.

- Sente aqui, filha.

Tomei uma xícara de chocolate quente, enquanto meu pai lia o jornal. Ele parecia muito satisfeito com minha presença. Eu sentia falta do colégio. Das colegas, principalmente da Vivi. Essas eram coisas que eu não poderia contar a ele, ou estragaria sua felicidade.

- Pai? Eu estava pensando... Carlos vai me levar hoje? – eu já estava imaginando chegar no estacionamento da escola no carro blindado, e Carlos abrindo a porta para mim, como se não bastasse chegar no meio do ano para chamar atenção.

- Na verdade, eu tenho mais uma surpresinha. Sei que você não gosta de andar com um motorista, então, acho que vai gostar. – Ele empurrou uma caixinha de presente com um sorriso no rosto e eu abri, dentro havia a chave de um carro.

- Eu tenho um carro? – eu disse ainda incrédula, com um sorriso.

- Vá até a garagem e veja você mesma.

Levantei e fui correndo ver meu presente: uma Mercedes Clk preto, conversível, muito bonito! Enquanto eu olhava ainda atordoada, meu pai chegou.

- Não gostou? A maioria dos seus colegas tem carros assim, então achei que você ia gostar, mas podemos trocar e...

- Pai, é lindo! Obrigada! – eu o abracei, ele pareceu surpreso e satisfeito com a minha reação.

(Não encontrei o linck da imagem, mas é uma mercedes preta, conversível, então, imaginem aí...)

- O carro está pronto Sr., podemos ir quando quiser.

-Sim, Carlos. Lara me prometa que vai ser responsável, vai andar sempre dentro do limite, não vai sair correndo por aí, como esses adolescentes inconseqüentes...

- Eu prometo, pai.

- Bem agora eu tenho que ir, o dia vai ser cheio de compromissos hoje. Não esqueça de passar na secretaria para pegar o horário das aulas. Tenha um bom dia, filha.

- Bom trabalho, pai.

Fui até a varanda pegar mais um pãozinho e subi as escadas correndo até o meu quarto.

Reuni minhas coisas numa bolsa grande e desci, não queria chegar atrasada no primeiro dia.

- Tchau Nana!

- Boa aula e juízo, Lara!

Eu conhecia bem o caminho, assim, não foi difícil chegar um pouco antes do horário, sempre atenta ao limite de velocidade, como meu pai tinha recomendado.

Estacionei o carro e notei que não era a única com o que eu considerava "um bom carro": o estacionamento estava repleto de Mercedes, Ferraris e Volvos, todos modelos novos e reluzentes.

Caminhei até o prédio da administração para pegar meu horário, enquanto percebia os olhares para meu carro.

Entrei no prédio e cheguei a uma sala onde havia uma moça com cabelo tingido de vermelho, sentada numa mesa com um computador.

- Oi, com licença...

- Bom dia, posso ajudá-la?

- Eu sou Lara Campbell, vim buscar o horário da aula.

- Ah, vou olhar, um momento, sim?

A moça tinha um crachá, onde dizia Patrícia Schuch, foi até um arquivo de aço e procurou calmamente pela minha ficha.

- Seu nome é Lara...

- Campbell.

- Ah, é claro – ela disse enquanto retirava uma pasta de uma gaveta. – O West deseja falar com você, antes que vá para aula. Ela pressionou um botão do telefone e uma voz masculina respondeu.

- Sr. West? Lara Campbell está aqui.

- Peça que ela entre, por favor.

Olhando-me de alto a baixo, Patrícia fez sinal para que eu passasse, abrindo a porta do gabinete

A sala era ampla e tinha um estilo antigo, que combinava com o prédio. O diretor ficou em pé e me cumprimentou, fazendo sinal para que eu sentasse numa das poltronas.

- Seu pai é um grande amigo meu, freqüentamos a mesma faculdade.- ótimo, ele fazia questão de me lembrar o principal motivo de estudar aqui...

- Então, Srta. Lara, estive olhando o seu histórico – ele estava com o papel nas mãos.- E notei suas excelentes notas...

- Obrigada. – eu já sentia meu rosto ficando vermelho.

- Devido a isso, eu a coloquei num programa mais adiantado, pela manhã as aulas serão normais e à tarde, poderá preencher seu horário com matérias alternativas, posso sugerir as aulas de música com o professor Oliver Grimaud, as aulas de história avançada com a professora Laura Roberts e literatura com o professor Linus Carter... Eu notei suas preferências e as recomendações de seus professores anteriores. Então o que acha, Srta. Lara?

- Ah... Claro, está ótimo. – O que mais eu poderia dizer??

- Então, está tudo certo. Se precisar de qualquer coisa, pode me procurar, será um prazer ajudá-la. Seu horário está com Patrícia. Tenha um bom dia.

- Obrigada, Sr. West.

Saí da sala ainda atordoada: como é que eu havia entrado em um programa avançado? Eu gostei das matérias em que eu estava inscrita, mas não gostei nem um pouco de me sentir controlada. Suspirei e ainda pensei que era só "paranóia" minha. A secretária estava falando com uma garota, que estava na recepção.

- Aqui estão os papéis que seus professores devem assinar, não esqueça de trazer no fim da aula, Carolina.

- Claro, vou trazer.

- Lara Campbell, aqui está o seu horário, sua primeira aula será de matemática, no prédio dois.

- Obrigada.

Eu já estava saindo quando a garota que estava na secretaria me alcançou, na metade do corredor.

- Oi, então você é Lara, a aluna nova?

- É, parece que sim...

- É que minha primeira aula também é de matemática, pode vir comigo, assim você não se perde por aí. O que acha?

- Claro, Obrigada... Carolina, né?

- Me chama de Carol. Então, de onde você veio?

A partir daí, nossa conversa virou um verdadeiro interrogatório, afinal eu era a novidade por aqui, um colégio de elite, relativamente pequeno, com quinhentos estudantes, somando-se todos os níveis.

A primeira aula foi de matemática, depois vieram inglês e física, todas com conteúdos que eu já conhecia. Todos me olhavam, a garota nova. Notei os burburinhos e olhares curiosos. É claro que tive de responder as mesmas perguntas muitas vezes, tentando sempre parecer simpática e deixando passar despercebido que o fato de ter o mesmo sobrenome da família fundadora da instituição.

A hora do almoço chegou e Carol me levou para a mesa dos amigos dela no refeitório.

- Gente, deixa eu apresentar a nova aluna, Lara Campbel... – se antes eu já estava me sentindo como um bichinho exótico no zoológico, agora então...

- Oi. – e foi tudo que eu consegui dizer, porque a seguir Carol me apresentou a todos e passou para eles a minha "ficha corrida".

Estavam na mesa: Juliana e o namorado Leonardo, Daiane, colunista do jornal da escola, Fábio, jogador reserva do time de futebol e namorado da Simone, estrela do clube de xadrez e vencedora do torneio estadual duas vezes, Felipe, o carinha que estava montando o site do jornal da escola na internet e Fernanda, irmã dele. Todos estavam no segundo ano, como eu, por isso tínhamos aulas em comuns, mas nunca todos na mesma sala. Depois de tagarelar por um bom tempo enquanto estávamos na fila do almoço, nos servimos e sentamos, e Carol passou a identificar para mim as "turminhas" da escola.

- Tá vendo ali, naquelas duas mesas? Todos estão com o uniforme do time de futebol. Os atletas sentam sempre juntos, muito bonitos, mas melhor não ficar com eles na hora de fazer trabalhos, estão sempre treinando então você vai acabar fazendo tudo sozinha... Nas duas mesas ao lado, sentam as ginastas e as líderes de torcida – a maioria vestindo roupas de ginástica, exibindo corpos esculturais. No canto, os nerds, melhor lugar para a conexão de internet. – todos tinham notebooks que eram lançamentos no mercado.

Vi um grupo de quatro garotos e duas meninas com jaquetas de couro pretas, alguns dos rapazes de cabelo comprido e jeans rasgado, rindo alto.

- Ah, ela está olhando para encrenca, diz pra ela, Carol...

- Isso é verdade, Daia... Bem aqueles são os rebeldes. Todos têm inteligência acima da média, mas não gostam de seguir regras, se é que você me entende...

Um garoto alto, com mais de 1, 90, cabelo curto e preto estava levando a bandeja para sentar naquela mesa, mas não vestia jaqueta preta como os outros e sim uma jaqueta jeans. Nossos olhos se cruzaram rapidamente, ele me pareceu familiar.

- E aquele, quem é?

- Uh... Você poderia perguntar pra Fe... Mas acho que ela não ia querer dar detalhes, né?- Fernanda mostrou a língua para Carol e todos caíram na risada.

- Aquele é Benjamin Parker, o "líder" deles, e também o mais problemático. – Carol cochichou no meu ouvido: A Fe ficou com ele por um tempo no ano passado, mas ele dispensou ela, sem mais explicações.

- O resto do refeitório é cheio de normais, gente como nós que estuda e tenta viver enquanto faz isso... – ela completou sarcástica.

Lembrei-me de onde conhecia esse tal Benjamin: era filho de Karl, chefe de polícia e de Ana Rosa, irmã de Nana. Quando éramos pequenos costumávamos brincar juntos, tínhamos a mesma idade. Minha mãe gostava muito de Ben, dizia que seria um "belo rapaz", bem, ela estava certa. Ele estava muito diferente do garoto magrinho com quem eu brincava: ele era muito alto, com mais de 1, 90, cabelos curtos e escuros como carvão, alguém que não passaria despercebido por aí...

Notei que havia uma mesa vazia, num canto do refeitório, mas ninguém sentava ali, parecia que todos evitavam olhar naquela direção.

- E ali, ninguém senta?

- Hum, você é bem observadora... Ali é um caso à parte.

- E como... – disse Juliana suspirando, que recebeu um cascudo do namorado, fazendo com que todos caíssem na risada de novo.

- Bem, eles já deviam ter vindo... – Carol parecia decepcionada.

- Vai ver eles não querem se misturar com os nossos germes... - Fernanda falou sarcástica.

- Ai, não é nada disso! Como vocês estão desatualizados, credo!

- Então diz aí, "rainha da coluna de fofocas" Daiane! – Fábio já falou explodindo no riso.

- Na última aula de química, hoje de manhã, a secretária do diretor pediu pra eles saírem da sala, porque o diretor queria falar com eles...

- Será que eles aprontaram alguma coisa? – Até o Leo estava curioso.

- Parece que houveram mudanças nos horários das aulas avançadas da tarde, que infelizmente só a Simone aqui freqüenta...

- Não, não, não Daia, agora temos mais uma espiã: nossa amiga Lara, aqui! – Ela deu um risinho maléfico.

- Mas afinal de quem vocês estão falando? – Interrompi a mordida no pedaço de piza. Assim estavam me matando de curiosidade!

- Ah, olha só, aí vem eles... – Fe olhou para o chão.

- Faz de conta que não ta olhando, depois te conto. – Carol ainda teve tempo de me dizer.

Um vento gelado de fora entrou quando a porta do refeitório se abriu, e três figuras passaram por nós. Eu só tinha visto pessoas bonitas assim em comercial de creme facial ou em desfiles de alta costura.

Parecia que as esculturas de Michelângelo haviam ganhado vida: a pele era como uma folha de papel branco, e seus rostos só poderiam ser descritos como angelicais.

A moça loira tinha cabelos compridos, pouco abaixo dos ombros. Eu nunca tinha visto cabelos tão bonitos, a maneira como o vento balançava seus cachos era perfeita, parecia que ela tinha saído de um comercial de xampu: dava vontade de perguntar o que ela usava. Um rapaz de cabelo escuro estava de mãos dadas com ela, tinha o sorriso mais estonteante que eu já vi, ele seria capaz de derreter um iceberg com esse sorriso! Atrás deles, estava o último do grupo, seu cabelo era louro escuro e era tão lindo quanto os outros dois, estava rindo, como se estivessem fazendo alguma piada.

O grupo sentou-se à mesa vaga, os dois rapazes estavam se empurrando, típico de adolescentes. A garota parecia levemente aborrecida com isso.

- Entendeu agora, Lara? – Carol puxou minha jaqueta, me trazendo à vida real de novo.

- Ah, é... – Eu não sabia o que dizer, então de uma mordida na minha piza.

- Eles mudaram para cá faz uns dois ou três anos. Aquela é Beatrix, o garoto que está com ela é Kevin e o outro é Peter. São filhos do professor Linus...

- Que também é um ótimo professor, se é que você me entende... – Daia estava cheia de malícia.

- Bem, na verdade, não são filhos de verdade... A mulher dele, Claúdia, é tia de Kevin e adotou Beatrix, o professor Linus é pai de Peter e de...

- Richard... – Fernanda completou com um suspiro.

- Mas cadê ele, Daia?

- Ah, não sei... Vieram juntos hoje...

- Talvez já tenha almoçado. – Arrisquei.

- Não! Eu saberia com certeza!

Os meninos se olharam e explodiram em risadas outra vez, deixando Daiane vermelha como um pimentão.

- Mas eles são muito reservados, sabemos muito pouco, mas isso vai mudar, já que você vai ter aula com eles...

Fiquei sem graça. Queriam que eu fosse uma espiã? Eles continuaram a tagarelar sobre a família, mas eu olhei outra vez para eles.

Na mesma hora Beatrix me encarou. Seu olhar transmitia um ódio mortal, senti calafrios ao ver aqueles olhos castanho-escuro me fitando atentamente. Quase engasguei com a piza. Kevin colocou a mão no ombro dela e eu aproveitei para desviar o olhar.

O sinal soou, o almoço tinha acabado e segui com as outras meninas para minha próxima aula.

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Oi!!!

Esse capítulo está bom, mas no próximo acontecem coisas interessantíssimas..... (gargalhada de suspense)... Esperem só p ver..... E deixem comentários!!!!

Lucy: Valeu pelos coments, adoro todas as suas fic, vc nem sabe como me deixa feliz receber rewies suas!!! *olhinhos brilhando* Vou postar aqui sempre no domingo ou segunda-feira.

Gabih: Hum... Será que a Lara é parente dos lobos? Não sei.... Pode ser... Isso seria interessante.... Será que ela Desconfia?

Obrigada a todos q estão lendo...

Lembrete: deixar rewies não faz o dedo cair!!!! Hehe

Bjs, boa semana!