Notas do Autor

Fubuki tenta...

As pessoas, enfim...

Allan decide...

Capítulo 12 - Desespero

As palavras de Allan ecoavam na mente de todos, tanto os que estavam presentes, quanto os que viam pela tevê. As palavras dele ecoavam, sendo que começavam a ganhar forças gradativamente, enquanto calavam sumariamente os pensamentos das pessoas de que pokémons eram bestas sem sentimentos. As pessoas se recordavam dos relatos que apenas davam mais força as palavras dele e que inclusive ao se recordarem dos livros de história, perceberam pontos que antes muitos não haviam percebido.

De fato, os pokémons eram poderosos e um grupo poderia facilmente eliminar uma vila do passado ou eliminar multidões. Mesmo assim, não havia qualquer relato desse tipo e as mortes que eles citavam eram esporádicas e apenas de pequenos grupos, sendo que eram aqueles que entravam em territórios que antes pertenciam aos pokémons, enquanto que ao mesmo tempo, muitos que estavam nesse grupo escapavam sem ferimentos com apenas alguns deles contendo ferimentos que podiam ser considerados leves ao considerarem o poder dos pokémons.

Inclusive, ninguém via pokémons perseguindo esses humanos e que de fato, a guerra entre os humanos, sim, dizimava vilas e cidades com humanos matando outros humanos.

Ademais, se recordavam do fato de que inúmeros treinadores entravam diariamente em locais com pokémons e saíam sem serem atacados, pois mesmo tendo alguns subjugados para proteção, eles não poderiam fazer frente aos vários pokémons que habitavam as matas, além dos relatos diários de pokémons selvagens que ajudavam por si mesmo humanos em perigo, salvando a vida de inúmeros humanos.

Tudo isso ia contra a visão de monstros e bestas que a literatura, filmes, seriados e diversos meios propagavam sobre monstros e bestas. Por mais que tentassem encaixar na óptica da besta perigosa aos humanos, eles não conseguiam encaixar mais os pokémons e as palavras de Allan ganhavam cada vez mais força, começando a "despertar" as pessoas por assim dizer, com elas passando a ver quem era o verdadeiro monstro naquela arena ao tirar gradativamente o véu que encobria a verdade.

Muitos voltaram a chorar e outros começavam a clamar pelo pokémon do tipo Metal, começando a gritarem com Neo Saiba "Digimon" para ele recolher o Steelix com o mesmo ficando surpreso com a mudança, sendo que a fala de Allan foi ignorada por ele, assim como o clamor público para recolher o seu pokémon.

Enquanto isso, pais abraçavam as crianças que choravam vendo a agonia dos dois pokémons, pessoas viravam o rosto enquanto choravam. Muitos que viam a teve estavam horrorizados. O estádio gritava para ele recolher Steelix. O juiz clamava para ele recolher o pokémon.

Em um determinado momento a multidão grita com o juiz que exclama, sendo que também ordenava que Neo Saiba "Digimon" recolhesse o seu pokémon, para depois ele se justificar:

- Não posso! As regras são claras. A batalha só termina com um inconsciente ou se o último é chamado para a pokeball! O Steelix ainda está consciente!

Então, todos voltam a gritar para o treinador Neo Saiba que os ignora, enquanto que Allan estava desesperado, vendo a agonia do Steelix e de Ninetales, sendo que ainda tentava atingi-la com o raio para fazê-la voltar a pokeball, ficando desesperado com o fato do corpo de Steelix bloquear o feixe.

A tela exibia os dois pokémons que choravam em desespero. Steelix, porque estava asfixiando e Fubuki por estar entalada não conseguindo mover o seu corpo por mais que tentasse, inclusive usando as suas caudas.

A ninetales continuava lutando desesperadamente para sair e essa luta era clara a todos e que ela não conseguia por estar entalada. Eles podiam sentir o desespero dela, enquanto lutava com todas as suas forças restantes para sair, não ajudando o fato de que estava consideravelmente enfraquecida, sofrendo ainda os danos da batalha e da pressão das mandíbulas de metal de Steelix. Mesmo assim, eles viam Fubuki lutar contra a dor e cansaço para sair de dentro da boca dele.

As lágrimas de Fubuki molharam a arena, junto com as do Steelix que urrava rouco, implorando por clemência, implorando por ajuda, sempre olhando para o seu mestre que apenas falava para ele retirar a pokémon e agora a ninetales implorava por ajuda.

Nas residências e nas ruas onde tinha telões, nos comércios, nas empresas, enfim, em todos os lugares, muitos estavam chocados e colados na teve, lutando para acreditar que o que viam era real. Outros choravam em um pranto mudo, outros gritavam para o monitor como se o treinador do outro lado pudesse ouvir a súplica para chamar o Steelix para a pokéball.

As pessoas do mundo que assistiam o desenrolar dos acontecimentos estavam chocadas, sendo que muitos destes choravam. O mundo havia parado, apenas para ver a arena encharcada pelas lágrimas de desespero e dor de Steelix, sendo o mesmo para Ninetales que estava aflita pelo pokémon que lutava por sua vida.

Todos viam que um pokémon se preocupava com o seu adversário e que também estava desesperado pelo outro pokémon, enquanto que o humano na arena que podia salvar o Steelix, não mostrava qualquer clemência ou piedade.

Naquele instante, muitas pessoas não conseguiam ver esse treinador como humano e sim, como um monstro e os dois monstros na arena não eram mais vistos como monstros e sim, como seres vivos, além de serem vistas como vítimas de um monstro que não dava sinais que iria salvar aquele que o servia.

Enfim, as palavras de Allan, juntamente com o desenrolar dos acontecimentos no Planalto Índigo, destruíram toda e qualquer resistência da mente das pessoas que ainda persistia, debilmente, na visão dos pokémons como bestas.

Agora, não havia mais o resquício dessa visão a não ser em alguns que eram uma parcela insignificante, pois as palavras de Allan e o desenrolar dos acontecimentos, assim como os relatos de pokémons selvagens ajudando as pessoas, além de repensarem o que apenderam sobre o passado dos pokémons e humanos, infiltrarem implacavelmente na mente das pessoas, desconstruindo a imagem e opiniões que tinham dos pokémons no passado, passando a ser construída uma nova imagem e esta visão clamava para a consciência das pessoas que se sentiam miseráveis ao terem tido tais pensamentos errôneos sobre pokémons e que agora sofriam com o que acontecia na arena.

Enquanto isso, Allan continuava tentando desesperadamente atingi-la pelo raio da pokéball novo modelo com o raio ainda sendo bloqueado pelo Steelix, já que ele tinha um treinador e Allan tem uma ideia ao se deter nesse aspecto ao conseguir pensar com clareza, já que antes estava envolto pelo desespero, tanto pelo Steelix quanto por Fubuki, frente ao terror da morte deles.

Então, ele decide por o seu plano em prática, sabendo que tinha pouco tempo, pois Steelix havia tombado na arena com a vida por um fio, sendo visível o fato que a vida abandonava gradativamente os seus olhos.

Allan consegue correr até o seu oponente que surpreso, recebe um soco potente no rosto, com ele pegando a pokeball de Neo Saiba sem se importar com as consequências do seu ato, pois o que importava para ele era salvar o pokémon na arena com ele mirando para o pokémon, exclamando:

- Volte Steelix!

O raio atinge o pokémon que é recolhido na pokéball, sendo que a Ninetales estava caída na arena, arfando.

O mestre de Steelix tenta se levantar para golpear Allan, sendo que Fubuki vê o ato e como estava fraca, apenas consegue usar suas últimas forças para lançar o seu corpo contra Neo Saiba, o nocauteando, pois sentia que também devia dar um pouco da dor que Steelix sentiu para o mestre bastardo dele, a seu ver.

O narrador que saiu de seu camarote, se aproxima cabisbaixo de Allan, sendo visíveis as suas lágrimas, enquanto falava pesarosamente:

- Foi tarde demais. Os nossos monitores indicaram que o Steelix morreu por asfixia, alguns segundos antes de ser chamado para a sua pokéball. Esse é um dia negro para o Planalto Índigo.

Allan está chocado com a pokéball de Steelix caíndo com intrépido no chão, enquanto que Fubuki está inconsciente próximo dele, até que o gemido de dor dela o desperta de seu choque com ele pegando inconscientemente a pokéball do pokémon morto, para depois correr até ela, a pegando em seus braços, sendo que chorava e implorava para ela abrir os seus olhos.

O estádio está em silêncio sepulcral, sendo quebrado apenas pelo choro das crianças. Nas casas, as pessoas estavão chocadas. Pais confortavam os filhos e os mais novos que choravam são convencidos que o pokémon apenas dormia, sendo que acordaria em breve. Para as mais velhas, tal justificativa não funcionaria.

Naquele momento, o mundo havia percebido que faltavam leis para proteger os pokémons e regularizar melhor as batalhas, além de garantirem que casos como o que viram nunca mais se repetissem. Os pokémons precisam de leis rígidas que os protegessem e punições severas para aqueles que transgrediam as leis.

De volta ao Planalto Índigo, Allan fica desesperado ao constatar que Fubuki estava fraca, respirando com dificuldade e com o corpo tremendo, sendo que ele está desesperado, ainda mais ao ver os danos que o corpo dela exibia, enquanto esta tremia ao menor toque de Allan em seu corpo.

Ele a chama para a pokeball e corre dali, orando para que chegasse ao Centro Pokémon próximo dali, apesar de saber que o tempo do pokémon parava na pokéball e que não faria diferença no tempo que demorasse ao mesmo tempo que garantiria que ela continuasse viva.

Mesmo sabendo disso, queria chegar o quanto antes, ficando aliviado ao ver que as pessoas abriam caminho até que uma policial fala na garupa de sua moto ao se aproximar deles na calçada:

- Suba que vou leva-lo. Não vamos permitir que mais um pokémon perca a sua vida. Eu não vou permitir que isso aconteça. – ela fala com lágrimas nos olhos, sendo que havia visto a batalha.

Ele sobe na moto que avança velozmente com a sirene ligada para todos darem passagem e graças a ajuda providencial, ele chega ao Centro Pokémon, sendo que a médica chorava, pois havia visto a batalha e rapidamente com as suas auxiliares pokémons abaladas, ela leva correndo Fubuki a cirurgia, após ele retirar ela da pokéball, sendo deitada gentilmente na maca, ganindo ao simples movimento de seu corpo.

Havia somente o desespero para ele, pois ninguém precisava falar para o jovem que o estado de Fubuki era crítico. Inclusive, Allan podia ver o olhar desespero da médica para a pokémon.

Ele acaba desabando no banco na sala de espera, enquanto orava para a sua Fubuki sobrevivesse, sendo que sente algo no bolso e ao tirar a esfera de seu bolso, vê que era a pokéball com o Steelix morto, fazendo-o se recordar do que viu. Ele se recordava de tudo. De todo o sofrimento e dor do pokémon e que por apenas alguns segundos não pode salvá-lo. Allan sentia o forte desejo de trucidar Neo Saiba pelo que ele fez. Ele queria dar a ele a mesma dor e sofrimento que Steelix sentiu e ao pensar melhor, decidiu que isso não bastava. Neo Saiba precisava sentir o dobro da dor e do sofrimento do Steelix.

Então, ele torna a olhar o sinal vermelho na porta de emergência, enquanto chorava. Ele não conseguiria viver sem ela. Sem a sua Fubuki.

Após vários minutos angustiantes, a médica sai e Allan se levanta debilmente, sendo que ela fala:

- Fubuki sofreu danos gravíssimos, tanto pelos golpes, quanto pela pressão exercida pelas mandíbulas de Steelix e que para piorar era do tipo Metal, um dos piores elementos contra um tipo Fada, juntamente com o tipo Venenoso, já que ela é Gelo e Fada. Durante o diagnóstico constatamos grandes danos internos. Saiba que vejo como um milagre o fato dela não ter morrido, pois já atendi pokémons em estados menos críticos que o dela e que não sobreviveram. Acredito que a vontade dela de viver é muito forte. Ou melhor, a teimosia dela é ferrenha. Devo avisar que em decorrência dos danos gravíssimos, ela entrou em um coma profundo segundo o monitor de atividade cerebral, sendo algo esperado, pois é uma forma do corpo dela gerenciar os danos que recebeu. Minhas auxiliares estão preparando uma sala no Centro cirúrgico. Terei que fazer procedimentos invasivos em virtude da extensão dos danos em seus órgãos internos pela pressão das mandíbulas do Steelix. Não obstante, há fraturas em vários graus, sendo que foram poucos os ossos que não foram fraturados.

Allan está estarrecido, sem conseguir articular qualquer palavra, enquanto chorava, enquanto lutava para ficar de pé, pois sentia uma fraqueza imensa em suas pernas, enquanto ouvia a médica que fala, antes de se virar para ir ao Centro cirúrgico:

- Devo informar que infelizmente, há menos de dez por cento de chance que ela sobreviva a cirurgia. Sobreviver durante o procedimento, dependerá apenas dela, já que faremos de tudo ao nosso alcance para salvá-la. Eu farei de tudo para que mais nenhum pokémon morra hoje.

Ela se vira e entra no corredor que dava acesso ao Centro cirúrgico, enquanto Allan desabava na cadeira chorando desesperado, imerso na mais profunda angústia, enquanto a luz vermelha era acesa com ele orando para a divindade de sua ilha natal, Tapu Bulu, que dessas forças para Fubuki, para que ela conseguisse sobreviver. Havia restado a ele apenas a oração com ele orando fervorosamente para que ela sobrevivesse, sendo que se lembrou de Arceus que era citado em contos de Alola e passa a orar para o Deus dos pokémons que criou tudo, desde o tempo, o espaço e as formas de vida. Ele orava para que fosse ao menos digno da clemência dele para que salvasse a sua Fubuki.

Após horas que pareciam uma agonia indescritível, sendo que ele não deixou de orar um segundo sequer, enquanto chorava, a luz apagou e ele se levantou indo até a maca de Fubuki, vendo-a com faixas e soros, além de aparelhos para monitoramento de seus sinais vitais com a médica falando ao ver que ele chorava e que estava angustiado:

- As próximas horas vão ser críticas. A cirurgia foi um sucesso. Porém, ela ainda se encontra em coma profundo. Nós fizemos todo o possível para salvá-la, porém os danos internos foram gravíssimos. Mesmo com a sua energia recuperada, os seus órgãos internos sofreram uma pressão absurda. Praticamente, ela foi esmagada em outras palavras. É incrível o fato dela estar viva, ainda mais considerando o fato que estava sendo pressionada por Metal que é a fraqueza de um pokemon do tipo Fada. O fato dela ainda estar viva é um milagre, sendo que o seu estado é demasiadamente crítico. As primeiras horas serão decisivas. As chances de sobrevivência dela são de apenas doze por cento. Viver ou morrer dependerá da vontade de viver dela. Mas, pokémons com uma porcentagem tão baixa de viver, mesmo que ela tenha sobrevivido a cirurgia, bem... – a médica não tem forças para falar, enquanto estava cabisbaixa.

Ela não precisava falar. Allan era plenamente ciente que ela estar ainda viva era um milagre, mas que o seu estado era tão crítico que as chances dela morrer eram altíssimas. Sobreviver seria mais um milagre e frente a tais palavras as suas pernas falham, fazendo ele cair de joelhos no chão.

A médica ajuda ele a se levantar e fala:

- Vou olhar os seus outros pokémons. Eles devem estar exaustos pela batalha.

Como um autônomo, se condenando por não ter pensado em seus outros pokémons, ele entrega as pokéballs com a médica falando a sua chansey:

- Deixe-as separadas. Após terminar os procedimentos eu tratarei deles.

- Essa é a pokéball de Steelix.

A médica fica com lágrimas nos olhos quando pega a pokéball, sendo o mesmo para a sua auxiliar, que pega com uma de suas patas com a médica falando:

- Deixa essa separada e leve as outras para eu poder tratar dos pokémons.

A Chansey consente e leva as pokéballs dali que estavam em uma bandeja, sendo que a médica pergunta ao olhar para Allan:

- Deseja ficar junto dela? Ela será levada a um quarto que é semelhante a UTI dos hospitais humanos para acompanhamento intensivo.

- Sim. Por favor.

Então, ele passa a seguir a maca de Fubuki levada por uma Chansey, enquanto que a médica iria até as pokéballs dele para tratar os outros pokémons dele.