Capítulo Doze – Vai, Lakers!
- Eu não aguento mais! – Os dois disseram em uníssono assim que seus pais lhe deram a oportunidade de se manifestarem. Estavam na sala de jantar, mas, ao contrário do nome, não havia comida alguma ali. Apenas uma garrafa de whisky. Hermione estava enfadada. A bebedeira da família Potter lhe irritava tanto... Parecia que eles só conseguiam se concentrar em algo que levasse álcool e duas pedras de gelo.
A decoração da casa deles também não era das melhores. Tudo muito exagerado e nada contemporâneo. Pareciam aquelas casas de famílias que ficaram ricas há pouco tempo por terem ganhado na loteria.
Estava louca para ir embora dali. Não queria conversar sobre aquilo. Sentia-se extenuada, pronta para explodir.
- Vocês só tem UM dia de casados. – Justificou James de forma estranhamente complacente. Talvez fosse pela sua necessidade de fazer aquilo dar certo. - Não acham que estão exagerando um pouco? – Questionou olhando do filho para a "nora" com um olhar paterno e demasiado cínico.
- Ele tem razão, querida. – John concordou de forma parcial, lançando sobre a filha um olhar condescendente.
- É porque você não vive com um idiota movido a cerveja! – Vociferou a de olhos âmbar enquanto os homens mais velhos tentavam formular algo para por fim ao estopim de uma briga.
- E com uma garota mimada com o cérebro cheio de maquiagem! – Rebateu de mesma forma tomando um grande gole de seu whisky e pondo o copo de vidro sobre a mesa de madeira com certa força.
- Estúpido!
- Patricinha!
- Cala a boca!
- Cala você!
- CHEGA! – Foi a vez de John se impor. De uma forma que Hermione vira pouquíssimas vezes. Ele havia se posto de pé com as duas mãos apoiadas na mesa, fitando o casal com uma expressão saturada. - Vocês terão que cooperar. – Iniciou tornando ao seu tom de voz normal. - Queremos falar sobre o homem do seguro, que irá na casa de vocês algumas vezes por mês para ver se o casamento é válido. Tentem não se matar na frente dele. – Pediu encarecidamente ao casal, que o mirava sem graça. - É só isso. – Disse antes de se levantar e deixá-los sozinhos.
Três dias depois.
O volume alto da TV dessa vez importunava Harry. Estava tentando, por um milagre, estudar para a matéria quase perdida do professor Snape. Enquanto estava sentado na banqueta da cozinha americana, Hermione assistia um seriado qualquer de garotas deitada no sofá.
O apartamento era espaçoso e bem decorado. Parece que seus pais haviam conseguido alguém que deixasse os móveis ali. Odiara o fato de ter exigido uma televisão tão grande com um som tão alto, não imaginara que Hermione usaria.
- Hermione. – Ele a chamou pacientemente, largando seu lápis sobre o livro. A morena não ouviu, ou, se o fez, fingiu muito bem. – Hermione! – Gritou e ela se virou para ele instantaneamente.
- O que é? – Indagou irritada, se virando para ele.
- Pode abaixar a TV? – Pediu da maneira mais paciente possível. A morena revirou os olhos e o fez. – Obrigado, bonitinha. – Ela bufou enojada e se voltou para o seu querido seriado.
- Ah... – Ele lembrou de repente. - Onde está minha camisa dos Lakers? Procurei para usá-la hoje à noite na partida de basquete, mas não achei. – Questionou intrigado.
- Você diz aquela coisa feia e larga? – O moreno franziu a testa enquanto a menina dava um sorriso orgulhoso. – Fiz um favor para você...
- O que você fez? – Perguntou já irritado. Se levantando e indo até a menina.
- Joguei fora, oras. – Respondeu com obviedade e ele riu incrédulo. Ela não podia estar falando sério.
- Você está maluca?! – O moreno se pôs na frente do televisor e a mirou com um olhar demasiadamente enfadado.
- Estava velha e tinha um furo! – Justificou-se ao ver que, talvez, apenas talvez, havia feito algo errado.
- Você sabe quando vou conseguir uma nova camisa do Los Angeles Lakers com um autógrafo do Kobe Bryant? – Questionou numa voz indignada. – Você tem ideia?! Aposto que não! Porque você é uma patricinha mimada que só faz o que quer! – Vociferou se aproximando dela com um olhar raivoso. Se Hermione Granger fosse um homem só sobraria seus cacos.
- Ei! Não fale assim comigo! – O repreendeu ofendida. Ter jogado aquele pano de chão velho no lixo era um favor.
- Verdade, não faz sentido falar nada com você! – Concluiu decepcionado lhe dando as costas e saindo.
Ela não sabia o porquê, não se importava nada com o que ele sentia, mas sentiu-se mal. Não fazia ideia de quem era o Los Angeles Lakers, muito menos o tal Bryant. Não poderia fazer nada por ele, então... Era melhor esquecer.
Naquele dia, Harry não voltou para casa. Não que ela se importasse.
A casa estava uma bagunça. Odiava o jeito arruaceiro de Harry. Não conseguia viver naquela desordem. Saiu de seu quarto, o único lugar que ele não conseguira deixar de pernas para o ar, e foi até a sala. Era um sábado ensolarado, queria assistir algo na televisão, não por muito tempo. Depois acharia coisa melhor para fazer.
Assim que seus olhos o viram um calor lhe subiu o corpo. Uma raiva súbita. Não era o fato de ele viver para lá e para cá de cueca, não era o fato de ele ser um bagunceiro. Era a ideia de ver seu livro preferido molhado de cerveja e jogado sobre a mesa de centro.
- O que você fez? – Sibilou indo até o objeto e tentando contar até dez mentalmente. Ainda assim, nem os números lhe vinham à cabeça. Queria tanto matá-lo.
- Eu não vi. Foi sem querer. – Disse sem se importar muito, com os olhos fixos na televisão e uma grande tigela de cereais nas mãos. A morena foi até o aparelho de forma impulsiva e puxou o fio da tomada. - Ei! – A repreendeu de imediato. – Você está louca? – Questionou largando os cereais sobre a mesa de centro e se levantando. Ela tinha um olhar insano.
- Você é idiota? – Indagou raivosa com o tom de voz acima do normal para pessoas controladas. Suas bochechas estavam vermelhas e seus lábios eram trêmulos. Só poderia ser algum tipo de vingança!
- Eu te dou outro. Não precisa se irritar. – Disse calmamente tentando ir até a tomada para ligar a TV novamente. Ela se pôs em sua frente, o impedindo.
- Não precisa se irritar? Eu vou pegar um taco de baseball e destruir seu carro! – Ela disse indo até o canto da parede e pegando o taco, que ficava na estante. Ela era louca e ele não queria ver seu carro do ano todo amassado. - O que acha disso? Hein, Potter? – Harry foi até ela lhe tomando o objeto e pondo-o no seu devido lugar. Estava começando a ficar com medo.
- Pare de agir como uma insana! Sua louca! – Naquele momento Harry Potter aprendeu algo importante: Nunca chame uma mulher irritada de louca. Hermione levou as mãos ao seu pescoço e o apertou. Não que aquilo o fosse matar, mas a forma que ela o sacudia freneticamente estava lhe assustando.
- Não me chame de louca! – Bradava enquanto suas mãos o embalavam rapidamente. O moreno arregalou os olhos enquanto tentava afastá-la de si.
- Me solte! – Ele gritou e em seguida ouviu a campainha soar como um sino de salvação. As mãos dela permaneciam nele. Os olhos do moreno foram até a janela e através da cortina vira Kevin, o cara do seguro. – É o cara do seguro! – Disse num tom mais baixo enquanto a campainha insistia em soar. A morena lhe soltou num ímpeto e eles se fitaram assustados. Suas aparências estavam péssimas. Seus cabelos bagunçados, roupas impróprias e amassadas. O que fariam? - E agora? – Questionou com a respiração acelerada, assim como a dela.
