12. Rony
O bem estar de Hermione, causado pelo tônico, durou até o meio dia do dia seguinte. Ela tivera uma excelente noite de sono, assistira as aulas de Feitiços e Herbologia pela manhã, e depois andara ao lado de Harry e Gina em direção a mesa da grifinória no Grande Salão para almoçar. Rony ainda estava afastado dela, mal lhe dirigindo a palavra, tendo retomado seu romance com Lilá. Vivia para cima e para baixo com a garota, quase como fora no sexto ano, para ver se causava as mesmas reações em Hermione. O trio assistiu enquanto Rony e Lilá deixavam o salão de mãos dadas, na direção dos jardins da escola.
- Parece que voltei dois anos no tempo. – comentou Gina, enjoada, olhando para o casal.
- Deixe ele, Gina. – pediu Harry, sempre leal ao melhor amigo.
- Ele só quer fazer ciúmes em Hermione. – a ruiva jogou o cabelo para trás, indignada.
- Não está funcionando. – comentou a garota.
- Você realmente não gosta mais dele, Mione? – perguntou Harry, mas sua pergunta soava como uma súplica. Como se ele desejasse ver os amigos juntos; ou como se só desejasse afasta-la de Snape.
- Harry, eu acho que foi uma coisa adolescente... essa guerra nos mudou muito, não vejo mais Rony dessa forma. – a amiga respondeu. – Sinto que confundi as coisas com ele no passado. Eu fico triste por ele não querer mais falar comigo e por estar se sentindo tão traído.
- Você se casou com Snape. – o Eleito disse, se esforçando para não parecer reprovador.
- Rony não entende. – Gina explicou. – Na verdade, Mione, acho que só você entende porque quis ajuda-lo. Afinal é de Snape que estamos falando: frio, grosseiro, injusto, ex comensal da morte... por mais que ele tenha contribuído para derrotar Voldemort, não é como se isso o enchesse de qualidades como marido.
- Eu não entendi até hoje como foi que ele lhe deu abertura para que você oferecesse algo assim. – comentou Harry, com fervor. – Nunca consegui oferecer a ele nem mesmo um aperto de mão sem que ele me olhasse como a um verme.
Harry e Gina tinham respeitado o espaço dela todos aqueles meses, conversando apenas sobre amenidades. Mas Hermione sentia que isso representava um afastamento entre ela e seus amigos, mesmo que não fosse um afastamento físico porque eles se sentavam junto dela nas aulas e durante as refeições. Era mais um afastamento emocional.
Ela sempre pôde confiar em Harry e em Gina, eram amigos há tantos anos, tinham passado por tanta coisa juntos. Mas apesar disso Hermione tinha optado por resguardar-se e não falar de temas relacionados ao seu casamento com o professor; uma opção feita porque não achava que os amigos estavam preparados para entende-la.
Mas agora, eles mesmos estavam tocando no assunto. Ela via aí uma abertura.
- Acho que chegou a hora de conversarmos mais francamente sobre isso. – a menina disse. – Estou cansada de pisar em ovos com vocês. Nós somos amigos há tanto tempo...
- Está certo. – Gina disse. – Então afinal, nos diga a verdade: porque se casou com ele?
- Ninguém mais sabe disso, mas nós nos envolvemos antes do casamento, antes dele ser atingido por um feitiço. – a menina contou, para espanto dos amigos. – Lembra, Harry, aquele noite que ele me pegou perambulando pela escola e me deu uma detenção?
- Lembro... – disse Harry com cuidado.
- Ali nós começamos a conversar, a nos envolver... – contou Hermione, deixando de fora os detalhes físicos e carnais daquele "envolvimento". – Quando o feitiço o atingiu eu não quis que fosse outra mulher a ajuda-lo, então eu me ofereci.
- Você está dizendo que ficou com ciúmes? – questionou Gina, chocada. – Do Snape?
- Acho que sim. – a jovem ficou muito vermelha. – A questão é que embora nosso casamento tenha acontecido dessa forma, nós nos gostamos...
- Você e Snape? – perguntou Harry, atônito, como se precisasse perguntar para confirmar que ela tinha querido dizer aquilo.
- Sim. – disse Hermione.
- Vocês não vão se separar? – perguntou Gina.
- Não pretendemos. – respondeu a amiga.
- Então essa história que vocês contam por aí de que se apaixonaram e resolveram se casar tem um fundinho de verdade? – Gina perguntou risonha. – Não posso acreditar. Hermione é casada com o professor Snape!
- Eu sou casada com Snape há meses... – Hermione comentou. – Você fala como se tivesse descoberto uma grande novidade...
- Sim, mas só agora eu sei que é um casamento de verdade! – a ruiva estava eufórica. – Você já está grávida?
- Sim. – Hermione contou, colocando a mão sobre a barriga. Mas dessa vez olhava para Harry, buscando a aprovação do amigo, que estava em silêncio.
- De quanto tempo? – o Eleito perguntou.
- Três meses. – a amiga disse.
Alguns minutos de silêncio se estenderam até que Harry dissesse:
- Hermione, quem sou eu para ir contra? – o menino disse com gentileza. – Eu a amo. Você esteve do meu lado em todos os momentos, eu seria um ingrato se não ficasse do seu lado agora.
- Ah obrigada Harry! – a menina exclamou, se adiantando para abraça-lo.
Infelizmente, a proximidade com um prato de sopa de cebola fez o estômago de Hermione dar um salto. A menina correu na direção dos jardins da escola, com a mão tapando a boca, entendendo que seu corpo não a deixaria ir muito longe e que ela ia precisar urgentemente de um pouco de ar fresco.
Seus enjoos normalmente eram noturnos, ou de manhã bem cedo. Era a primeira vez que ela se sentia mal na escola de um modo tão incontrolável que precisasse sair correndo daquele jeito sem ao menos conseguir chegar ao banheiro.
Hermione vomitou em um canteiro de flores, de maneira nada graciosa, e infelizmente logo ao seu lado tinha um grupo de meninas sonserinas, comandadas por Pansy Parkinson.
- Que nojo. – disse uma sonserina loira.
- Por Merlin! Vomitando pela escola? – gritou Pansy. – Já engravidou Granger?
- Ela está mesmo mais gordinha. – disse uma terceira, maldosa.
Alguns alunos começaram a amontoar-se no entorno para assistir o acontecimento.
- Então, Vaca Sangue-Ruim Granger, está grávida? – Pansy repetiu a informação para que todos pudessem ouvir. – Deu o golpe do baú no professor Snape?
- Eu sabia que tinha que ter uma razão para ele se casar com uma sujeitinha suja como ela. – disse, aos berros, outra sonserina.
Toda aquela situação, somada ao enjoo e ao fato de ter colocado pra fora tudo o que acabara de comer no almoço, deu a Hermione uma forte tontura. Ela buscou apoio de alguma árvore, ou banco, para que não caísse, fechando os olhos com a vertigem. De repente sentiu que alguém a aparava.
Hermione virou o rosto e viu Rony ao seu lado, segurando-a com firmeza.
- Por que vocês não vão procurar algo útil para fazer? – disse o ruivo.
- Vocês não tem nada a ver com a vida de Hermione. – disse Gina, que vinha andando na direção deles, de mãos dadas com o Eleito.
As sonserinas pareceram achar que já estavam em desvantagem numérica, visto que uma grande quantidade de grifinórios já parecia se amontoar no lugar.
- Não temos nada a ver, mesmo. – comentou Pansy, se afastando. – Meus pais ficariam horrorizados se soubessem que sou obrigada a conviver com esse tipo de vadia. Grávida antes mesmo de prestar os NIEMs.
- E de um professor ainda por cima. – acrescentou outra sonserina.
Os grifinórios olharam feio o grupo de sonserinas se afastando, mas apesar de tudo, Hermione estava feliz. Rony tinha vindo em seu auxílio. A menina se virou para abraçar o amigo.
- Desculpe, Mione. – disse o ruivo, baixinho, em seu ouvido. – Por tudo que eu disse naquele dia. Eu deveria ter respeitado seus sentimentos por Snape, tudo bem se é dele que você gosta.
- Como você sabe que gosto dele? – a menina perguntou, afastando-se um pouco para olhar para o rosto do amigo.
Rony pegou as duas mãos da garota, e disse com gentileza:
- Harry ficou pensando que você estava fazendo um favor a Snape. – explicou o ruivo. – Mas eu, desde aquele dia, lá no fundo eu sabia que se você estava fazendo aquilo é porque gostava dele. É por isso que fiquei tão revoltado. Eu tinha esperanças que pudéssemos voltar a ficar juntos, mas acho que eu deveria saber que nós dois somos apenas amigos.
- Eu te amo, Rony. – a menina respondeu, os olhos marejados. – A você e a Harry, como a dois irmãos. Por favor, não se afaste de mim... você tem razão, eu fiz isso porque gosto dele.
- Se ele te faz feliz, Hermione, então está tudo bem pra mim. – o amigo respondeu, abraçando a menina de novo.
Foi um momento comovente. Quando Hermione olhou para o lado, Harry e Gina estavam parados de mãos dadas ao lado deles, sorrindo, felizes que os dois amigos tivessem feito as pazes. Mas a jovem não deixou de notar que há alguma distância, na entrada da escola, com uma expressão carrancuda no rosto, estava Severo Snape.
