Cap 12 França

Ginny queria morrer, mas não queria acreditar que ela teria que agradecer Draco Malfoy por ter trazido ela para seu quarto, quando ela estava em trajes menores, totalmente embriagada, dormindo e babando no seu colo, terrível! Ela queria enfrentar um dragão mas, não queria ver Malfoy na sua frente.

- Eu poderia simplesmente pedir para Blás expressar minha gratidão por mim!- ela falou para si mesma, mas até ela mesma achou aquilo ridículo.

Ela estava andando de um lado para o outro dentro do quarto, tentando pensar em maneiras de expressar sua gratidão para a pessoa a quem ela nunca esperou ter que fazer isso. Ela poderia simplesmente não agradecer! Seria muito mais fácil da na verdade. Não teria que explicar tudo...

- Afinal, ele não agradeceria se fosse o contrário.- ela deu uma pausa, para considerar aquela opção atraente. Nada convincente.- Droga!

Ela estaria se sentindo em divida se não fosse agracê-lo, e ela definitivamente não queria estar em divida com Draco Malfoy! Ou com nenhum Malfoy, para efeitos futuros! Porque diabos ele tinha que ajudá-la? Logo ele! Insuportavelmente arrogante que não fazia nada por ninguém se ele não fosse ganhar algo em troca. Porque ele havia resolvido fazer logo dela sua boa ação do ano?

- Eu poderia ser uma pessoa civilizada e ir falar com ele...- parou para refletir estática.

Nem em sonho!

- Ainda prefiro pedir para alguém fazer isso por mim, mesmo que pareça uma total e completa criancice. - ela falou consigo mesma- Se bem que dizem por ai que nunca se deve deixar a criança dentro de si morrer, não é mesmo...?

Ela gemeu de frustração. Era ridículo! Era tudo culpa dele! Por que diabos ele tinha quer ter feito sua boa ação do ano justo com ela? Custava ele ter deixado ela lá. Uma hora ela encontraria o caminho de volta pra casa.

-Arrrrrghhh!

Então após uma batida na porta, ela viu Izzie entrando no quarto com uma expressão esquisita.

- Você esta falando com quem?

- Ninguém.- disse ela sem graça.

Já havia perdoado a amiga pelo dia de cão que ela havia passado até conseguir os ingredientes para uma poção que neutralizaria o efeito da poção laxante.

- Tudo bem, se você não quer dizer não vou forçá-la. Preciso da sua ajuda.

- Ajuda? Ajuda com o que?- ela perguntou confusa, enquanto era levada pra fora do quarto pela mão. – Onde você está me levando Izzie?- ela perguntou desconfiada à medida que ela prosseguia pelo corredor para um destino desconhecido.

- Não é exatamente eu quem preciso da sua ajuda. - a outra falou constrangida.

- Então quem é? E que cheiro é esse...?

- Bem...

Quando Ginny observou onde estava, abriu a boca pra protestar de imediato, mas a sua frase morreu pela metade.

- Ele precisa da sua ajuda! – disse Izzie.

Draco Malfoy jazia deitado na cama, aparentemente desacordado, e aquele cheiro estranho o qual ela não conseguia identificar ao certo vinha dele.

- Izzie, tenha uma boa explicação para o fato de você ter me trazido para ver Draco Malfoy dormindo de cueca.. .- ela disse com rispidez para a amiga.

- Bem, Blás pediu para que eu ficasse aqui com ele enquanto ele ia atrás da enfermeira do hotel, mas bem ele está tendo alguma dificuldade com o francês, logo: eu corri para você.

Ginny viu que não se tratava de uma brincadeira de mal gosto ou um mais uma situação atrapalhada na qual a amiga estava lhe metendo. Ela se aproximou do loiro deitado na cama, e viu uma enorme mancha marrom na boxer preta. Ela reconheceu o cheiro, no mesmo instante. Assustou-se terrivelmente, o que haviam feito com o Malfoy?

- Iz por que o Malfoy está todo... Todo... Todo neste estado?- ela não sabia nem que palavras usar, o fato real é que ela se encontrava de pé observando um Draco Malfoy, um homem de 1.90, de cueca, completamente cagado!

Ele havia defecado nas próprias vestes! O que havia acontecido? Tempos atrás ela estaria rindo desesperadamente da situação, seus irmãos estariam ensandecidos pelo riso em frente à situação. Agora era diferente.

Ela sabia que algo de muito errado estava acontecendo com ele.

- Ginny, bem... Foi chocolate.- a outra respondeu sem graça.

- Chocolate? Que tipo de chocolate faz isso com alguém, Iz?- a outra exclamou exaltada.

Ginny chegou perto dele ignorando tudo ao seu redor, tocou sua testa para sentir a temperatura, ele estava febril e agora que ela havia chegado mais perto, ele estava mais pálido que o normal também. Mesmo desacordado o seu corpo era percorrido por calafrios. Ela apiedou-se do Malfoy. Ali na cama com suas cuecas sujas, desacordado e trêmulo com a respiração irregular, ele não parecia muito arrogante.

- Iz, o que fizeram com ele?

- Não sei ao certo, Blás e eu fomos a uma loja de doces ontem, e compramos uma tonelada de chocolates... O Malfoy é intolerante a lactose... Quando eu e Blás voltamos ele estava no banheiro... Barulhos horríveis... Então eu ouvi um estampido e Blás disse que precisava de uma enfermeira porque Malfoy era intolerante a lactose e tinha tido uma overdose com nossos doces.

- Droga! Iz, corra lá no quarto e pegue a poção que está em um frasco rosado.

- Que poção é essa?

- Bem, digamos que ela prende o intestino, foi o que eu usei quando você me fez ter overdose de poção laxante. Deve funcionar.

- Certo.

Ela sentou-se na cama, ao lado dele. Ela não poderia deixá-lo neste estado, ele precisava de um banho imediato. Então o levitou com sua varinha até o chuveiro, conjurou uma cadeira dentro do box, e o colocou sentado. Ela cuidadosamente retirou a cueca dele, e jogou-a no lixo, aquilo não serviria mais para nada assim ela esperava. A temperatura da água estava certa, ela testou ao abrir o chuveiro, então empurrou a cadeira para baixo do chuveiro.

Com cuidado ensaboou ele, e passou xampu rapidamente. Ela nunca tinha visto nenhum caso como o dele, devia ser uma verdadeira intolerância a lactose, suas mãos estavam trêmulas de preocupação, ele ficaria bem, a poção deveria funcionar. Por que diabos Iz estava demorando tanto? A respiração dele estava se regularizando aos poucos. Abriu o chuveiro para tirar o sabonete, o cheiro terrível já havia passado, graças a Merlin. Retirou os cabelos que lhe caiam sobre o rosto e sentiu sua temperatura novamente, a febre persistia.

Com um aceno rápido de sua varinha ela o secou e o vestiu em um roupão. Tentou levá-lo aos poucos de volta para a cama. Onde estava Blás? Com a tal enfermeira? Ela poderia precisar de ajuda. Onde estava todo mundo no fim das contas? Colocou-o na cama e ele soltou um gemido se encolhendo levemente. Achou estranho. Antes ele estava imóvel, agora ele estava se movendo e gemendo... Ele parecia... Não era possível! Ela não poderia creditar. Ele havia sido estuporado!

- Santo Merlin será que ninguém é normal nesta viagem?- ela exclamou assustada. Malfoy havia sido estuporado e só agora estava passando o efeito da azaração e ele estava apenas inconsciente. Então ele gemeu novamente e com um barulho que parecia ar escapando de um balão o quarto se encheu com um cheiro terrível de ovo estragado. Oh Merlin! Ela não podia acreditar no que estava acontecendo. Ela estava ajudando um Draco Malfoy com diarréia crônica sem qualquer controle sobre suas nádegas.

Essas coisas só aconteciam com ela! Ela deveria ter sido uma péssima pessoa na última vida, era a única explicação.

Ela prendeu a respiração e sentou-se ao lado do desacordado Malfoy. Descansou a mão em sua testa, passando pelos seus cabelos, pobre homem, ela sabia o que ele estava passando, pois ela mesma havia sofrido de mal semelhante e pouco tempo. Não pela mesma causa é claro. Esperou até o fedor passar, e ficou ali por alguns minutos observando-o gemer vez por outra.

Então novamente o barulho e um fedor instantâneo invadiram o quarto.

- Oh Merlin! Não de novo! – aquilo ali iria virar uma câmara de gás em pouco tempo! Desta vez ela correu e abriu a porta colocando o rosto para fora respirando ar puro do corredor ofegante.

Onde estava Izzie que não voltava nunca?

Respirou fundo prendeu respiração e colocou a cabeça para dentro do quarto novamente. Uma série de puns veio e ela correu para as cortinas abrindo a janela ou ao menos tentando a todo custo abri-la e deixar o quarto mais ventilado. Quando finalmente conseguiu abrir notou que o ar lá fora estava mais estático que uma pedra na planície.

Então ela abriu a porta e sem se importar muito gritou com todos os seus pulmões para o corredor.

- Izzieeeeeeeeee!- será possível que ela teria que acordar todos os hóspedes do andar para que a outra viesse logo com a poção?

Voltou para o interior do quarto também, por mais ridícula que fosse a situação, era seu dever como curandeira fazer o que podia para curá-lo. Não importa o quão mal ele estivesse não importa o seu estado, ou odor... Sentou-se novamente do lado dele e segurou sua mão como prova de coragem. Ela estava quase esquecendo que aquele ali deitado era Draco Malfoy.

Então ela ouviu algo que fez seu corpo estancar, seus olhos se voltaram para ele e ali se paralisaram. Ela sentiu o sangue fugir de seu rosto, enquanto processava o que estava ouvindo. Só poderia ter sido impressão sua. Claro que ele não... Porque ele diria aquilo...? Não fazia qualquer sentido, Malfoy estava enfermo e ela quem alucinava?

Sentiu uma leve pressão em sua mão, e procurou com os olhos de onde vinha, para usa surpresa Draco Malfoy estava segurando sua mão. Assustou-se e retirou a sua mão de imediato. Ela não podia acreditar! Não podia, se recusava. Era simplesmente impossível!

De todas as pessoas possíveis...! E Draco Malfoy definitivamente não estava na lista, ele era insensível, grosseiro, preconceituoso, ríspido, mal-caráter, entre outros adjetivos desagradáveis. Não era ele.

Alguns minutos se passaram e ele não disse mais nada, apenas gemia de dor e agonia.

A porta se abriu, e ela viu sua amiga entrar de supetão dentro do quarto.

- Ginny, achei! É este não é? Merlin querido...!- disse Izzie ofegante e então parando de chofre assim que respirou pela primeira vez o ar do quarto .

A ruiva sacudiu a cabeça e abrigou sua mente a voltar para a situação principal, ela tinha alguém que precisava da sua ajuda. Esse alguém estava muito mal, diga-se de passagem, baseado no odor que parecia haver impregnado no quarto.

Ela pegou o frasco da mão de Izzie e observou o liquido que havia dentro. Era aquele! Voltou rapidamente para o lado dele e com cuidado tentou levantar sua cabeça enquanto Izzie derramava o conteúdo na sua boca.

- Pronto, em alguns minutos ele deve estar melhor.- ela disse aliviada.

- Assim esperamos para o bem de todos os seres que respiram neste hotel. Merlin! Nem os mosquitos estão por perto. Ainda bem que você deu um banho nele ou tudo estaria muito pior.

Ginny permaneceu calada ainda pensativa. Aquela palavra havia realmente saído da boca dele... Draco Malfoy havia chamado por Morgana, enquanto estava desacordado.

O tempo passava e ela apenas observava para qualquer sinal de melhoras, nesse meio tempo, ele balbuciava várias coisas sem qualquer nexo. E ela havia notado que todas as vezes que ele falava "pão de mel " ele apertada o travesseiro no qual estava enroscado com mais intensidade.

Seria cômico se não fosse trágico. Calma... Era Cômico.

Que ser em que universo paralelo diria que as palavras: "mamãe" "pão de mel" "pirulito"e "torta de morango" sairiam algum dia da boca de algum Malfoy. Por alguma razão ela tinha a impressão de que tudo que vinha dele era azedo, mas torta de morango bateu o recorde. Ela não conseguia imaginar alguém como ele comendo torta de morango. Torta de morango era romântico, gostoso, doce, delicada, era tudo que Draco insuportável (e agora cagado ) Malfoy não era. Eram coisas incompatíveis.

Ela sorriu.

Talvez depois de tudo que havia acontecido ele tivesse mudado. Talvez ele não fosse mais aquela pessoa arrogante que ela conhecera em Hogwarts. Depois que seu pai foi preso como comensal da morte, depois de toda aquela confusão. Dizem que eles, a família Malfoy, havia se tornado mais discreta, mas ela nunca havia acreditado nisso. Harry era quem trombava com ele sempre que passava pelo ministério, e comentava seu irmão que era visível o aceno de cabeça respeitoso de um para o outro. Ela não sabia como, mas Draco havia conseguido uma forma de anistiar o pai e por incrível que pareça, dentro dos tramites da lei bruxa, o que era o fato mais impressionante de tudo.

- Ginny, já está de tarde, estou morrendo de fome, eu e Blás vamos almoçar em algum restaurante próximo.- disse Izzie, sem saber direito como quebrar o silencio.

- Blás está aqui?

- Sim, ele só não entrou.

- Que tipo de amigo é esse?O "amigo" dele se esvaindo em... Em... Em metano! E ele fica no corredor.

- Ginny, não seja dura...! Ele ficou meio constrangido de entrar acho. Ele estuporou o Malfoy porque ele estava fora de si, e foi a única forma que ele conseguiu de fazê-lo parar de vomitar.

- O que? Como assim ele quem estuporou o Malfoy? Achei que havia sido um acidente! Não se estupora alguém que esta passando mal! Por Merlin!

- Não?- disse a outra arqueando uma sobrancelha diante da nova informação.

- Não!

- Ok Ginny, pega leve, nem eu sabia disso, e eu convivo com você o tempo todo.

A ruiva suspirou de olhos fechados.

-Iz, vá almoçar, e prometa que você nunca irá me prestar nem sequer primeiros socorros se algum dia eu precisar.

~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~

Izzie saiu do quarto, agradecendo ao ar puro do resto do trem, e sacudindo a cabeça encontrou Blás no fim do corredor encostado na parede.

- Ele está melhor?- ele perguntou com uma expressão confusa.

Ela não sabia ao certo o que responder.

- Acho que sim.

-Sua amiga está lá?

- Está, na verdade ela está bem irritada, você não deveria ter estuporado ele.

- O que eu ia fazer? Dentro de alguns segundos ia acabar saindo dejetos por outros orifícios! Eu não soube o que fazer e fui correndo chamar você! Não tem nenhuma enfermeira nesta droga deste hotel. Passei meia hora tentando falar com um atendente para depois perceber que estava em um hospital trouxa, e as pessoas da viagem estão em um passeio no momento.- ele falou na defensiva, um pouco nervoso.

-Eu sei...- ela disse pondo a mão no seu ombro

Ela sabia que ele estava preocupado com o amigo, só faltava um pouquinho de tato.

- Vamos? A gente aproveita e trás algo para eles comerem.

- Vamos.- ele disse segurando a mão dela e a conduzindo pelo corredor.

~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8

A ruiva ficou observando o loiro respirar cada vez mais calmamente, ela ficava monitorando a freqüência com que ele soltava... A freqüência... A freqüência com que acontecia "algo" para ver se ele precisaria de uma outra dose da poção. Enquanto isso ela estava perdida em pensamentos. O fato de ele ter dito a palavra "Morgana" não queria dizer nada. Ele poderia ter simplesmente soltado como ele havia soltado "Pirulito". Ela poderia apostar com qualquer um que Draco Malfoy nunca havia posto um pirulito na boca durante toda a sua infância. Era apenas palavras sem nexo. Ele estava muito mal... Era completamente normal as pessoas balbuciarem coisas sem sentido até quando dormem ainda mais quando se está com febre e diarréia intensa, como era o caso dele.

Até por que não fazia o menor sentido ele ser Merlin! Obvio que não era ele. Era simplesmente impossível o Merlin dela ser Draco Malfoy. Merlin era rabugento, carinhoso (mesmo que inconscientemente), e levemente antipático, mas aquele antipático bom! Não era nada de Draco Malfoy.

Claro que não. E depois as pessoas falam coisas desconexas quando estão com febre e diarréia em alto nível. Com certeza era toda aquela desidratação instantânea. E depois haviam mil e uma historias no mundo bruxo que envolvia a bruxa Morgana, ele poderia simplesmente estar lembrando de uma delas. Sua mãe deveria ter lhe contado historias para dormir quando ele era criança. É , era isso. Eram memórias de quando ele era criança. Não conseguia imaginar Narcisa Malfoy contando historias de ninar para ninguém, mas acima de tudo ela era mãe, deveria ter um instinto maternal em algum lugar debaixo de toda aquela aparência arrogante.

O tempo passava, o Malfoy ficava cada vez mais silencioso, um ótimo indicador de que seu sono era profundo, e nenhum sinal a mais de intestino indisposto, se bem que indisposto era um eufemismo muitíssimo bondoso. Então quando a melhora em seu mais recente paciente era visível, ela decidiu que era melhor que ela o deixasse descansar sozinho. Normalmente ela mandaria uma coruja no dia seguinte querendo saber sobre como as coisas estavam andando, se o paciente sentira algo novamente, isso tudo era de praste, mas naquele caso ela não sabia exatamente como proceder. Então recolheu o que ela havia levado consigo e deixou um bilhete ao lado do frasco que continha a quantidade para duas doses de poção:

Tomar as duas doses da poção com intervalos de 3 horas entre cada dose.

Beba muito líquido e descase durante todo o resto do dia.

Estas são minhas recomendações. Em caso de reincidência ou piora por favor me procure.

Ginevra Weasley

Aquilo fora o mais discreto e polido que ela conseguira. Então deixou o recinto.

~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~

A ruiva estava muito aérea para quem deveria estar deslumbrada com a cidade belíssima à sua frente. Suas amigas estavam levemente preocupadas, afinal Ginny sempre fora muito entusiasmada no que se tratava de conhecer coisas novas, lugares novos...

- França chamando Ginny!- disse Julia impaciente. A ruiva piscou e encarou a amiga.- Gin o que está acontecendo com você? Estamos prestes a conhecer uma das primeiras chaves de portal da Europa e você está babando ai.

- Ham..? Chave de portal...? Balbuciou confusa.

- O Arco do Triunfo!- disse Lucy.

- Ah, sim. È... estou um pouco cansada garotas. Não dormi direito ontem à noite.

- Ah sim a Iz nos falou do que aconteceu.- disse Lucy sem graça.

- Talvez você queira ir pra casa caso não esteja se sentindo muito bem, bem, viajar de chave de portal não combina muito com intestino indisposto- ressaltou Julia.- Depois iríamos parar na Inglaterra novamente. Não é como se você não conhecesse Glastonbury. Você deve estar se sentindo bem para o seu encontro com o cavalheiro misterioso

Merlin.- ela disse colorindo um sorriso indiscreto em seu rosto.

- É talvez tenham razão.- ela disse não estava com ânimo para muita coisa. Ainda não tinha conseguido tirar da cabeça o que acontecera de manhã mais cedo. Passara todo o dia sem foco, sem interesse, com a imagem de Draco Malfoy chamando Morgana. Por mais estúpida que ele dissesse a si mesma que estava sendo não conseguia parar de pensar nisso. Só que era IMPOSSIVEL! Gritou aquela vozinha de sensatez dentro da sua mente. E depois ele não estava "chamando", chamar é muito diferente de apenas pronunciar o nome que havia sido o que ele havia feito, certo?

- Ginny, vá pra o Hotel, de qualquer forma ainda teremos o dia de amanhã para aproveitar Paris.- disse Lucy.

Ginny concordou com um aceno de cabeça. Não ia adiantar nada ela ficar ali observando o anda enquanto todos se deslumbravam com o passeio. Ela andou de volto ao Hotel em que estavam hospedados ainda com o mesmo pensamento martelando em sua mente. A dúvida já estava implantada em sua mente. E ela de repente via-se tomada de uma vontade que a consumia ela queria , ela tinha que saber quem era Merlin. O que ela não sabia era porque aquela idéia lhe provocava frio no estômago e arrepios pelas suas costas.

Essa noite ela se encontraria com ele no trem vazio, no mesmo compartimento que haviam se encontrado pela primeira vez. Assim reproduzira Cissy, que havia sido o pombo correio dos dois. Ela olhou para o céu para ter idéia de que horas eram. O sol já se abaixava ameaçando se por, ela apressou o passo. Tinha pouco tempo.

Estava nervosa ela sequer havia escolhido a roupa que iria usar para sair com ele. E como toda mulher, ela não era exatamente rápida quando se tratava de roupas para encontro, sua sorte é que ela sempre tinha uma ótima amiga para ajudá-la, mas especialmente desta vez, ela estava sozinha nisso. Iz estava em algum lugar, fazendo sabe-se lá o que. Ela esperava sinceramente que ela não estivesse com o deus grego porque ele deveria estar fazendo companhia para o seu companheiro de quarto fragilizado. Jules e Lucy estavam no passeio. Ela olhou par ao relógio novamente. É talvez Ela fosse se atrasar. Sentiu um frio na barriga ao pensar que iria vê-lo, um sorriso emergiu em seu rosto, estava ansiosa. E o fato de ela estar vasculhando cada detalhe de seus encontros anteriores em busca de alguma pista que pudesse lhe ajudar a saber quem era o seu Merlin só deixava tudo mais excitante. Ela sorriu, iria descobrir quem ele era.

Ao chegar no hotel, ela se despiu as pressas, precisava achar algo urgentemente o céu já se livrava dos últimos tons de laranja e mergulhava em um azul marinho a cada vez mais negro. Ele não poderia culpá-la por atraso, afinal após o por do sol era um horário bem relativo. Decidiu-se por um vestido de corte reto azul petróleo com um decote nas costas e prendeu os cabelos em um coque feito com pressa. Aparatou então para o trem.

Encontrou o aposento rapidamente, mas achou que tinha entrado no lugar errado, pois não se lembrava da existência de nenhum móvel além da mesinha com o vaso de flores. No entanto ela deu dois passos para dentro do cômodo e sentiu um tapete macio sob seus pés deu alguns passos para frente dentro do breu no qual o local estava imerso e tropeçou na tal mesinha. Enquanto estava estatelada no chão ela ouviu a voz.

- Morgana?- mesmo estando em uma posição vergonhosa para uma lady, ela sorriu ao ouvir a voz dele.

-Merlin?

- Tudo bem com você? Você tropeçou...- ela sentiu ele se aproximar então ela soltou um grito quando sentiu seu dedo mindinho ser esmagado.

- Ahhh! Meu dedo!

- Ah, era o seu dedo! –Ele deu um salto para trás e ajoelhou-se aproximou-se dela.- Não consigo ver nada nessa escuridão!

- Você pisou no meu dedo mindinho...- ela disse com os olhos cheios de lágrimas de dor levando o dedo à boca. Ele estendeu a mão para frente tentando tocá-la até encontrar o seu rosto.

Ela estava com o dedo na boca.

- Eu piso no seu dedo e você põe ele na boca?- falou incrédulo- muito higiênico não?- completou um pouco irônico.

- Está doendo muito! Qual o problema?- ela perguntou irritadiça.

Ele tirou a mão dela da boca e a segurou.

- Sinto muito.- ele se sentia meio idiota se desculpando, se desculpar não era um costume para ele, o que o fez sentir-se desconfortável.

Ela estava com tanta vergonha que não sabia onde enfiar o rosto, deveria estar mais vermelha que um tomate. Ela havia se arrumado toda, para perder todo o seu glamour tropeçando na mesma mesinha de sempre e caindo de joelhos no chão para que por cima de tudo ele pudesse pisar no dedo mindinho dela. E isso meu bem impossibilita qualquer um de recuperar o ego perdido durante a queda.

Tentou levantar-se engatinhando e para sua completa e total derrota bateu a cabeça com força na mesinha que ela mesma havia derrubado. Ela gemeu sentindo sua cabeça rodar com a pancada e o precário equilíbrio que ela mantinha naquela posição foi desfeito e assim tombou para o lado em cima dele.

-Você está bem?- ele perguntou incerto.- O que está acontecendo com você?

- Bati a cabeça, nesses malditos móveis!

Merlin sentiu-se sem graça no mesmo segundo e fechou a expressão.

- Que droga!- ela falou irritada passando a mão pela lateral do seu vestido e constatando o rasgo inevitável.

- Hey, eu já pedi desculpas!- ele falou indignado, não era assim que ela deveria reagir de acordo com o protocolo social.

- Não, não estou zangada com você. É que... Ai... Não era para ser assim.

- Não tenho culpa se você é desengonçada.- e soltou-a esquecendo do pânico dela de escuro.

- Não sou desengonçada! Eu me arrumei toda para encontrar você e agora estou toda molambenta!- ela disse procurando ele engatinhando pelo chão.

Ele gargalhou com vontade. Realmente estar ali valia todo o esforço que fizera para estar ali.

- Onde está você? Pare de rir de mim!- ela disse ralhando com ele, mas sentindo a voz fraquejar diante do pânico que crescia aos poucos em seu estômago. Francamente um dia ela ia ter que superar aquele medo ridículo.

Ele não parou de rir é claro estava achando tudo muito hilário.

- Merlin! Onde você está...?- Falou com a voz trêmula se odiando por isso.

Ele percebeu a agonia crescente na voz dela e parou de rir, aproximou-se dela também engatinhando.

-Estou aqui. Fique calma.- disse envolvendo-a com os braços e sentindo aquela sensação estranha que agora ele sempre sentia quando abraçava ela, aquele calorzinho na barriga que ele achava bastante peculiar. Já havia se perguntado várias vezes o que era aquilo, mas não fazia a menor idéia, de qualquer forma não parecia estar prejudicando-o. E depois ele havia sonhado algumas vezes abraçando-a e a mesma sensação vinha nos sonhos igualmente, talvez fosse algo nela que fizesse isso nele. Sorriu para ela, não que ela fosse ver é claro.- Você é engraçada.

- Me sinto muito melhor sabendo que você se diverte com a minha desgraça.- disse emburrada segurando o braço dele compulsivamente e apoiando as costas no peito dele sentada no meio de suas pernas. Assim estava melhor.

- Como eu poderia não rir? Você não faz sentido algum. Se arrumou toda, para se encontrar com um cara que não consegue vê-la!- disse rindo um pouco.

Ela bufou e disse:

- Não interessa, queria estar bonita de qualquer jeito.

- Pra que? Não faz a menor diferença para mim. Eu não posso ver sequer a cor do seu vestido.

- Mas você sabe que é um vestido não sabe?- ela rebateu.

- Claro que sei.

- Então. A visão não é o único sentido que você deve conservar Merlin. Ou vai me dizer que o que você não vê, não existe.

- Não, você existe. Eu posso sentir seu cheiro, você cheira incrivelmente à alfazema. – ele suspirou próximo dos seus cabelos e sentiu o cheiro dela se impregnar nele.- Posso sentir a sua pele.- disse passando os dedos delicadamente pelo seu braço.- Posso ouvir a sua voz.

- Você só não pode usar o paladar.- ela disse constatando vitoriosa virando-se para ele.

- Você está enganada.- e ele roubou seus lábios. Ela ficou surpresa por um ou dois segundos. Apenas o tempo suficiente para dar-se conta do quanto havia sentido a falta dele. A sensação que a envolveu lhe disse tudo que precisava saber. Ela estava irremediavelmente apaixonada. Julia iria matá-la.

O beijo dela era quente e divertido como ela, ele ficava parcialmente inebriado com o cheiro dela. A respiração entrecortada dela o deixava ansioso, as mãos dela estavam em sua nuca os dedos delicados passando pelos seus cabelos e a cada toque quente da ponta de seus dedos lhe provocava arrepios. Ela estava certa, a visão não era nem de longe o único sentido que ele utilizava para defini-la, ela era tão mais, tinha o cheiro, alfazema pura, a delicadeza dos dedos ao toque, a voz sonora que ele reconheceria em qualquer lugar e que ultimamente vinha o perseguindo em sonhos e alucinações como nesta manhã. As mãos dele, já não estavam mais quietas em sua cintura, ele via agora o vestido,fez importantes descobertas sobre isso, em alguns segundos ele já havia tomado consciência do vão nas costas, do comprimento acima dos joelhos, e no momento seus dedos estavam fascinados com um detalhe chamado zíper que havia cativado a atenção de seus dedos.

Ela sorriu no meio do beijo. Ele adorou. Sorriu junto.

- Seus dedos fazem cócegas...- disse suspirando.

- Você estava certa. Gostei do jeito como se arrumou hoje.- ele disse com a voz entrecortada os lábios descansando na curva do pescoço dela.

- Eu sempre estou certa - ela disse rindo aos arrepios causados pela respiração quente dele em seu pescoço. - Mas, por favor, não se interrompa, continue a enumerar o que mais gosta em mim além do meu vestido...- e sorriu novamente.

O sorriso dela era fluido como ele se lembrava que era. O som de água cascateado. Ele suspirou em sua orelha, não queria tirar os lábios da pele dela, parecia errado. Não queria falar naquele momento, só queria ela.

-Já que você insiste.- ele disse reclinando-se sobre ela e fazendo-a deitar no tapete ao seu lado. – Eu adoro sua risada

Ela sorriu mais um pouco.

Ele se deliciou em ouvir.

- Gosto dos seus lábios.- disse contornando com o dedo os lábios que ainda sustentavam o sorriso de segundos atrás.

- Só?- ela perguntou levando à mão até o peito dele, e deslizando-a por cima de suas vestes. Ele sentia o sangue correr mais rápido, ela sorriu inocente. Morgana não fazia a menos idéia do efeito que tinha sobre ele.

Ele se aproximou sobre ela e beijou seus lábios suspirando com as curvas dela sob ele. Sua mente vagava por imagens que o desconcentravam do assunto do qual estavam tratando. Ou talvez fosse exatamente parte do assunto sobre o qual estavam conversando. O que era mesmo? Ah, sim, o que ele gostava nela.

- Gosto da sua cintura. - ele desceu uma de suas mãos até ela. E se demorando em carícias puxando-a mais para perto. Ela entrelaçou sua perna nas dele aproximando os dois. Ele suspirou controlando-se.

- Gosto das suas mãos nela.- ela disse sempre sorrindo.

Ele voltou a beijá-la estava no limite do seu autocontrole ali. Ele a beijava sedento. Ela queria sabe o que ele gostava? Ele gostava dela, dela toda, ali com ele. Ele queria ela. Naquele instante. Então suas havidas mãos encontraram o rasgo na lateral do vestido dela, ela suspirou ao sentir o toque dele em sua pele por dentro do vestido. A cada suspiro dela a ansiedade dentro do peito dele aumentava, simplesmente não conseguia dar-se por satisfeito com a proximidade entre eles, não era suficiente. As mãos dela também se infiltravam por baixo da camisa dele brincando perigosamente com as sensações que percorriam todo o corpo dele. Suas mãos eram instáveis e ele quando ele percebeu, não totalmente consciente é claro, o estrago no vestido dela estava provavelmente maior que o planejado, as costuras laterais haviam cedido.

- Espero que você não seja muito apegada á esse vestido.- ele disse.

- Gosto muitíssimo dele.- ela disse sabendo do que ele estava falando.

Ele sorriu dela.

- O que prefere? O vestido ou a mim?

- Hum, pergunta difícil.- ela disse rindo e girando sobre ele invertendo as posições. Roubando um beijo dele.

- Me sinto trocado.- ele disse.- Sou bastante vingativo você não deveria me provocar,- dizendo isso ele arrebentou facilmente as costuras das alças do vestido fazendo com que ele pendesse solto em um ombro.- Assim, me sinto mais vingado, metade do meu oponente já foi derrubado.

Ela sorriu gostosamente. Para em seguida puxar um botão da sua roupa. Ele exclamou diante do comportamento inesperado dela.

- O que? Direitos iguais, Merlin.- disse voltando a beijá-la. Ele estava deliciado com ela ali. Tudo estava tão certo.

- Sabe os móveis que você entrou chutando?

- Sim, tenho uma vaga idéia.

-Bem, apesar das suas reclamações eu os pus aqui.

- Devo considerar isso uma tentativa de assassinato da sua parte?

- Não, nem de longe. – ele disse girando novamente sobre ela, e então levantando-se segurando sua mão para que ela não se assustasse com o escuro assim que ele a soltasse.

Ela levantou-se com ele e a mão de Merlin em sua cintura puxou o resto do vestido para baixo, e sem muita resistência o seu oponente havia ido parar no chão aos pés descalços dela. Ele a tomou nos braços levando-a com cuidado tateado os arredores até a cama pequena que ele havia posto ali. Era o máximo que ele pôde fazer naquele espaço, havia deixado o aposento atarracado de móveis junto com o tapete e a mesinha com as flores.

- Isso é uma cama?- ela perguntou assim que os braços dele a envolveram enquanto ela estava deitada sobre o que ela identificava ser mais confortável que o tapete.

- Sim, eu a pus aqui, imaginando que pudéssemos ficar juntos em um lugar melhor que o chão como da última vez.

Ela sorriu, mas não foi o sorriso cascateante de antes.

- Ficar juntos...?

- Como estávamos há segundos atrás, e como vamos continuar, ele disse indo de encontro aos seus lábios novamente.

Então uma vozinha em sua mente gritou. "O que acha que está fazendo? Você não sabe qual a verdadeira identidade dele!" ela contra argumentou "Ele é Merlin! Eu sei quem ele é!" , mas a voz estava decidida a dissuadi-la. "Sim, então é por isso que quando o Malfoy deixou escapar o seu ahm... Apelido. Você ficou tão pensativa? Tão torturada com a necessidade de saber quem era seu adorado Merlin... Ele planejou tudo isso. Colocou uma cama dentro dos aposentos e tudo o mais. Isso parece com algo que Malfoy faria, não?" A voz tinha razão, seu corpo enrijeceu "Se ele fosse Malfoy?" então a voz soltou uma idéia horrível em sua mente "E se ele fosse comprometido". Um terror alucinante correu em suas veias. A voz estava certa, pelo que ela sabia, ele poderia ser. Estava prestes a, bem... Dormir não era exatamente a palavra exata, mas serviria. Ela estava prestes a "dormir" com um homem cuja identidade ela não conhecia exatamente. De repente não estava mais tão à vontade quanto antes.

Ele notou algo de diferente e por mais que isso exigisse determinação, parou.

- O que houve...?- ele disse notando ela encolhida em seu abraço.

- Não acho que devêssemos continuar.- ela disse com a voz fraca levemente amedrontada com o que viria a seguir.

- Por que não?- ele perguntou confuso se afastando dela. Ela sentiu frio, não gostou.

- Bem, não acho que devêssemos... Quero dizer, qual o seu nome de verdade? Onde você vive? Quem é você Merlin? O que somos nós? O que eu sou para você...?- ela terminou insegura.

Ele sentiu-se desconfortável.

- Não achei que fizesse diferença.- ele disse. Ela sentiu-se ofendida.

- Está querendo dizer que acha que sou o tipo de mulher que beija e faz... Se... Interage... Dorme, ou seja lá como você chama o que estávamos prestes a fazer, com qualquer um?- ela disse desconcertada e começando a ficar furiosa sem saber que palavras usar.

Ele achou engraçado o jeito com que ela se atrapalhara para falar, e como graciosamente espalmara a mão no peito dele. Aproximou-se novamente, abraçando-a.

- Não foi isso que quis dizer.- ele disse suspirando profundamente.- O que quis dizer foi que você não pareceu se importar antes, digo nos nossos outros encontros...

- Bem nos nossos outros encontros nós não havíamos chegado, bem... Aqui. Neste ponto onde chegamos hoje.

- Você está certa novamente. Só achei que fosse suficiente para o você o que você vê aqui, enquanto estamos...- ele disse sério. Estava se sentindo muito constrangido jamais se imaginara tendo este tipo de conversa com alguém, não sabia como proceder, não sabia o que estava fazendo.

Ela se sentia mal, também não era como se tivesse com um total estranho, mas sentia que estava na hora de fazer algumas perguntas.

- O que eu sou para você Merlin?

Ele permaneceu calado. Não sabia responder à aquela pergunta. Nunca havia parado tempo o suficiente para pensar no assunto. Nunca tivera uma relação de verdade com nenhuma mulher, na verdade a relação entre eles era mais longa que já havia mantido durante toda a sua vida. Não sabia como chamaria aquilo.

Ela assustou-se com o silêncio dele. Seus olhos ficaram lentamente marejados à medida que os segundos passavam e ele continuava em silêncio, sua voz ficou embargada. Porque estaria surpresa? Ele deveria de fato ser comprometido, e esta envergonhado de em admitir, ou simplesmente não quisesse perder a amante. Bem a escolha não era mais dele. Ela estava indo embora naquele segundo.

Levantou-se da cama.

- Você poderia ter tido a decência de me falar que era comprometido.

Ele ainda deitado na cama sentou-se e alcançou sua mão a impedindo de ir.

- De onde tirou essa idéia? Não sou comprometido.- para dizer a verdade era justamente o contrário, e isso causara seu silêncio.

- Então...

- De onde imaginou isso...?- ele disse com a voz levemente divertida.

- Não sei...- ela falou envergonhada.

- Na verdade de onde veio toda essa vontade de saber quem eu sou?

Ela hesitou:

- Bem, tenho minhas suspeitas de quem você é... Digamos que esta manhã elas ficaram mais fortes. E comecei a me perguntar... Você também tem suspeitas não é?

Ele sentiu-se tolo, não, não tinha a menor idéia de quem ela poderia ser. E como as suspeitas dela poderia ter se intensificado se ele sequer deixara o quarto durante todo o dia. Internado em repouso no quarto por ordens médicas.

-Não vou revelar minhas suspeitas ainda.- ele disse mentindo.

- Vou descobrir quem você é Merlin.- ela disse para ele com um sorriso.

- Não antes de eu descobrir quem é você, misteriosa Morgana.- ele a desafiou, sentindo um frio no estômago.

- Veremos... Mas o fato é que você ainda não respondeu à minha pergunta.

Ele suspirou e resolveu pelo que não lhe era característico, foi honesto.

- Não sei o que você é para mim. Nunca fui bom com relacionamentos, nunca tive um. O que diria que nós somos...?

- Bem, eu gosto de você... Pelo que eu vi hoje, pelas suas enumerações indiscretas, imagino que também goste de mim além do meu vestido...

- Você é comprometida?- ele a interrompeu de repente.

- Não?- ela disse censurando por aquilo ter passado na sua cabeça.

- Hey você também perguntou. Direitos iguais lembra? E depois bem, não gostaria de ter que dividi-la.

- Ahh então você é ciumento?- ela disse sorrindo vitoriosa na característica desvendada.

- Não!- ele negou- Normalmente não, mas... Não sou ciumento, só não gosto de dividir o que é meu.- ele disse carrancudo.

-Então eu sou sua?- ela levantou a sobrancelha.

- Sim.- ele respondeu estreitando o abraço enlaçando a cintura dela e tentando a afastar os pensamentos do que estavam prestes a fazer antes de aquela conversa toda começar. Pensamentos estes que era revividos com um simples roçar da pele dela na dele.

- Já que sou sua então suponho que seja sua namorada.

- Namorada?- ele perguntou meio zombeteiro, nunca se imaginaria tendo uma namorada.

- Algo contra? Vai fugir amedrontado como um adolescente de 16 anos?- era a vez dela de zombar da imaturidade dele.

- Não. – ele disse meio emburrado pelo modo como ela estava o tratando.- Seria pedofilia da sua parte namorar um garoto de 16 anos não acha?

Ela gargalhou.

- Então estamos de fato namorando.- ela constatou.

Ele sentiu-se estranho, não sabia como agir,a idéia de dividi-la com outro não era nem de longe bem vinda, então supôs que seria o certo. O que eles tinham era o que a maioria chamava de namoro.

-Gostei da idéia...- ele disse- Se é a maneira mais eficaz de assegurar minha posse sobre você, que seja.

Ela gargalhou gostosamente outra vez.

- Muito bom, virei propriedade.

- Privada.- ele disse beijando-a.

~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~8~

Draco abriu a carta que uma coruja castanha havia acabado de atirar em seu colo.

Esse é um anexo da sua receita. Bem, não achei outra maneira de agradecê-lo pelo que fez por mim noite retrasada. Obrigada por me trazer para o meu quarto enquanto eu não estava em condições de voltar sozinha. Acredito que estamos quites agora.

Aqui vai mais uma dose da poção que lhe ministrei ontem pela manhã, tome caso julgue necessário.

Espero que esteja se sentindo melhor...

Ginevra Weasley.