Capítulo 12 – Um dia especial
Harry não tinha muita certeza se estava desperto. Ultimamente o sono era uma constante e ele tentava resistir ao máximo ao impulso de simplesmente passar o dia todo dormindo, o que tinha culminado em um frequente adormecer não intencional. E acordar sem conseguir se lembrar exatamente de ter adormecido era sempre desagradável de certa forma.
Especialmente quando se percebe imediatamente que não está sozinho em seu quarto.
Havia um som no ar. Resmungos e sussurros, como se tentassem não acordá-lo. Harry abriu os olhos de uma vez, se questionando se as pessoas perceberiam caso ele tentasse pegar os óculos para ver quem eram.
Sorriu. No fundo ele sabia quem eram. Em um movimento preguiçoso, se esticou, pegando os óculos e se sentando ao mesmo tempo. Mas ficou paralisado em seguida.
Não é como se não fosse algo exatamente inesperado, pelos sons que ele agora conseguia discernir, ou algo a que Harry já não havia se acostumado, mas ele simplesmente estava tão focado na própria gravidez nos últimos dias que sexo saíra completamente de sua cabeça. E ver aquilo a sua frente foi inesperado, e ele não conseguiu conter as reações que a cena despertava em seu próprio corpo.
Rodolphus estava apoiado contra a parede ao lado do banheiro, não muito distante do pé da cama de Harry, a cabeça jogada para trás, os olhos fechados, a boca entreaberta que deixava escapar os sons que despertara o garoto, e que eram provocados pela boca de Rabastan deixando uma série de marcas no pescoço do irmão. Seu corpo encaixado entre suas pernas, tão próximos quanto era possível, e as mãos de Rodolphus correndo por suas costas e coxas, puxando-o mais para perto, pedindo por mais contato.
Os dedos de Rabastan agarraram os cabelos do irmão, puxando seu rosto para baixo, e Rodolphus entendeu como um sinal para beijá-lo de forma quase tão brusca quanto o movimento do outro. Girando o corpo rápido, Rodolphus prendeu o irmão contra a parede, aprofundando o beijo, suas mãos sumindo por entre as vestes, fazendo Rabastan ofegar e quebrar o contato entre as bocas, descansando a testa contra a dele, buscando por ar entre gemidos.
Os olhos castanhos se abriram quando o rosto de Rodolphus sumiu no vão de seu pescoço e Rabastan se permitiu sorrir de leve ao ver o menino corar e se encolher em meio os lençóis quando descoberto em sua observação. Um sussurro rápido no ouvido do irmão e ele também sorria para Harry, que finalmente se permitiu sorrir de volta.
Mas o sorriso durou somente até que Rabastan se ajoelhasse sobre a cama, puxando os lençóis para ter o corpo de Harry descoberto, se debruçando sobre ele com um olhar sério demais.
- Feliz aniversário. – uma voz rouca soou em seu ouvido, fazendo-o desviar os olhos dos pontos castanhos a sua frente para fitar surpreso o rosto de Rodolphus deitado ao seu lado, mas não pôde responder, pois no vácuo de sua surpresa o homem decidira beijá-lo.
Ele não conseguia se impedir de gemer em meio ao beijo, ofegando na boca do outro conforme sentia os lábios de Rabastan correndo pelo seu baixo ventre, beijando e sugando pontos por todo o seu abdômen, seguindo por trilhas invisíveis em seu peito até morder seu ombro próximo ao pescoço.
Rodolphus quebrou o beijo e Harry ergueu os braços, permitindo que Rabastan o despisse de uma vez, tomando sua boca enquanto o irmão começava do ponto em que ele havia parado, beijando seus ombros e costas, sugando a pele de seu pescoço, arranhando com os dentes sua nuca. Os três corpos se enroscando em uma dança familiar, colados em um só calor.
Os dedos de Harry buscavam afastar com quase desespero as vestes de Rabastan, sentindo o peito já nu do irmão colar às suas costas, e quando ele se afastou com esse objetivo, o menino sentiu as mãos de Rodolphus entrarem por dentro do pijama, abaixando sua calça e acariciando todo seu corpo enquanto Rabastan se despia a sua frente.
O homem se ajoelhou na beira da cama, terminando de despir o garoto, e quando seus lábios envolveram seu corpo completamente, Harry soltou todo o ar dos pulmões de uma só vez, arqueando o corpo contra o de Rodolphus, buscando por mais contato com aquela boca.
O homem o abraçou por trás com força, uma de suas mãos correndo pela perna do menino até apoiar seu joelho no ombro do irmão, expondo-o mais, encaixando sua própria perna entre as dele, aumentando o contato entre os corpos. E quando os olhos verdes se abriram o encarando de forma quase desesperada enquanto dedos trêmulos marcavam seu quadril, Rodolphus voltou a ficar sério, porque Harry ainda tinha medo, mas não devia.
- Relaxa. – sussurrou no ouvido do garoto, sua mão correndo pelo braço dele até a mão que ainda pressionava sua pele, levando-a para os cabelos do irmão, ao que o garoto os agarrou, se impulsionando mais como um reflexo, e os olhos castanhos de Rabastan o encararam por alguns segundos antes de voltar a se concentrar no que fazia.
O tórax de Harry subia e descia agitado, seu quadril se movendo levemente contra a boca de Rabastan enquanto uma mão forte de Rodolphus o mantinha parado, a outra correndo todo o corpo do garoto. Seu próprio corpo se impulsionava devagar contra o dele, buscando contato, ofegando em seu ouvido enquanto Harry quase gritava com tantos estímulos. O garoto apoiou a cabeça em seu ombro e Rodolphus se inclinou, tomando sua boca em um beijo intenso, as respirações se chocando, palavras sem sentido perdidas nos lábios um do outro, o corpo trêmulo em seus braços, até ficar tenso, buscando desesperadamente por ar, e desabar sobre a cama em seguida.
Rabastan voltou a se deitar sobre Harry, as pernas ainda emboladas com as do garoto e as do irmão, correndo as mãos pelo seu corpo até pousá-las sobre seu rosto, contornando os traços quase infantis com a ponta dos dedos. Os olhos verdes se abriram devagar e o garoto sorriu, o puxando pelo pescoço para um beijo, provando o próprio gosto na boca do homem. A mão de Harry desceu por entre os corpos, tocando o marido de forma intensa, até lhe dar o mesmo prazer que acabara de receber enquanto o beijava de forma contínua.
Rabastan abriu os olhos ainda ofegante, olhando o rosto do garoto e vendo o irmão o estreitar mais contra o peito para poder tocar seu próprio rosto.
- Bom dia, Harry. – disse, beijando-o uma última vez.
- Bom dia. – Harry respondeu, rouco, sorrindo para o marido – Eu realmente não esperava por isso.
- É uma boa forma de se começar seus dezenove anos. – Rodolphus respondeu, pousando um beijo leve na face do garoto.
- Humm. – Harry resmungou, satisfeito – Também não esperava por isso. Tinha até me esquecido. Tanta coisa aconteceu nos últimos dias...
- Mas nós não. – Rabastan se afastou, deixando a cama devagar – Vamos, levante, temos planos.
Harry observou os dois irmãos se vestirem e foi para o banheiro se lavar. Ok, eles têm planos, então.
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A vassoura avançava devagar entre as sombras amenas e os raios de sol que brincavam por entre as folhas da mata que havia atrás da propriedade Lestrange. Rodolphus estava sentado na garupa de Harry, fazendo-os planar o suficiente para que os pés não tocassem o chão, seus braços em volta do corpo do garoto que descansava a cabeça contra seu peito, deixando-o guiá-los, olhando todo o caminho com um sorriso no rosto. Rabastan ia devagar em outra vassoura ao lado dos dois.
Harry gostara daquela mata desde a primeira vez que saíra da mansão. De certa forma, ela o lembrava um pouco de Hogwarts com a Floresta Proibida, mesmo sendo muito menor e menos assustadora. Ainda assim, parecia tão antiga e tão mágica quanto, as árvores eram parecidas e aquele vento contínuo que soprava de seu interior lhe dava a sensação de familiaridade. Desde que pudera voar sobre suas copas naquela tarde, Harry ficara com vontade de explorá-la, caminhar por entre suas trilhas, e só não o fizera por falta de oportunidade.
Rodolphus e Rabastan obviamente pareciam conhecer bem aquela floresta. Já fazia quase uma hora que haviam deixado a mansão e eles o guiavam cada vez mais para dentro da mata com a certeza de quem sabe para onde vai. A viagem seria muito mais curta aparatando ou com uma chave de portal ou mesmo voando mais rapidamente, mas Harry não podia usufruir de nada disso sem riscos para o bebê e, de qualquer forma, o passeio era agradável.
Mas obviamente os elfos da mansão podiam aparatar e o faziam muito bem. Poucos minutos depois, os três chegaram a uma clareira cercada por altas árvores e algumas pedras, onde a luz do sol era plena, mesmo que não batesse diretamente. No centro havia uma mesa baixa, com três almofadas em volta, servida com um pequeno banquete, entre frutas, bebidas e pratos quentes.
Os três desmontaram, e os dois homens observaram Harry andar pela clareira, observando tudo a volta, sentindo a brisa que soprava perfumada de dentro da mata.
- Pensamos em te levar para almoçar em algum lugar, mas não poderia ser muito distante e a taverna da vila não pareceu apropriado. – Rabastan comentou, observando a reação do garoto.
- Eu adorei! – Harry disse, sorrindo, indo até ele para beijá-lo.
Os três se sentaram em torno da mesa e o elfo os serviu, deixando-os sozinhos em seguida. Os dois homens começaram a comer, mas Harry deixou o prato de lado, pegando algumas frutas.
- Você está bem, Harry? – Rodolphus perguntou, atento.
- Sim. Só não tenho tido muita fome. Acho que porque ando dormindo muito...
- O medibruxo disse que você dorme devido ao efeito das poções que está tomando para não ter enjôo e dores durante a gravidez, e porque sua magia precisa disso. Mas ele disse também que você precisa comer.
- Eu não tenho enjôo, mas também não tenho fome. – Harry tentou se justificar, dando de ombros para Rodolphus.
Mas ele não conseguiu ignorar a forma séria e direta que Rabastan o olhava.
- O que foi? – perguntou, se sentindo coagido.
O olhar castanho brilhava duro no rosto sério do homem, em uma óbvia – agora, depois de tantos meses convivendo com o silêncio daquela casa – repreensão de Rabastan. E era pior que qualquer coisa que Molly ou Hermione ou qualquer outra pessoa poderia lhe dizer no sentido de fazê-lo comer.
- Ok. – disse, balançando a cabeça em negação e pegando seu prato de volta. Rabastan somente resmungou e voltou a comer tranquilamente.
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Ficaram na clareira durante algumas horas, comendo, conversando um pouco e aproveitando o clima ameno e o acolher da floresta, até que Harry começou a demonstrar sinais de sonolência, e, embora dissesse que não era nada, Rodolphus e Rabastan insistiram para que voltassem para a mansão.
Harry foi para o quarto e dormiu algum tempo. Quando acordou, porém, percebeu que suas surpresas de aniversário estavam longe de acabar.
- Bom dia, belo adormecido. – Hermione o recebeu, sorrindo, sentada à beira de sua cama. Mais atrás podia ver Ron de pé, sorrindo para ele também, com uma criança ruiva no colo.
Desceram juntos para a sala de jantar da mansão, e Harry não conseguia deixar de sorrir ao ver reunidos ali Andy e Teddy, o senhor e a senhora Weasley com Bill, Fleur e Dominique, George, Angelina e Fred, Ginny e Simas, Neville e Luna.
Não era exatamente uma festa, mas era uma festa. A mesa estava servida com comida e bebida para todos, as crianças brincavam no chão, correndo pela sala, Teddy se aninhou no colo de Harry e não saiu de lá até ir embora, os adultos conversavam em pequenas rodinhas em torno da cadeira onde Harry havia se instalado, houve presentes e os olhos verdes brilhavam de felicidade genuína, como não brilhavam há algum tempo.
Em um canto da sala, sentados mais afastados, somente observando os convidados como anfitriões não tão queridos, Rodolphus e Rabastan acompanhavam a reação do menino. Viram a forma como ele sorriu quando Ginny o abraçou e apresentou em seguida Simas como seu novo marido. Viram o carinho que ele tinha com as crianças, principalmente com Teddy. Viram o brilho no olhar e o sorriso tímido a cada presente, a cada demonstração de afeto e cuidado que os amigos tinham com ele.
- Rodolphus. – a voz séria soou ao lado dos dois e os fez se levantar quando Andy se aproximou, os cumprimentando com um aceno de cabeça.
- Como vai, Andrômeda? – o homem retribuiu o aceno.
- Bem. Acho que melhor do que da última vez que conversamos. Embora eu esteja muito mais velha, claro. – disse com um pequeno sorriso.
- Não se preocupe, a beleza dos Black não se vai tão facilmente.
- Devo dizer o mesmo da dos Lestrange. – ela suspirou, voltando os olhos para os convidados – Mas imagino que não foi somente beleza bem conservada que trouxe Harry Potter até vocês. – acrescentou com alguma desconfiança, antes de se voltar novamente sorrindo de forma educada para os homens – Acho que já conhecem meu neto Teddy.
- Harry falou muito dele. – Rabastan acenou com a cabeça, sério.
- Com licença. – uma voz feminina soou ao lado de Andrômeda e uma mulher se aproximou do grupo.
- Esta é Molly Weasley. – Andy apresentou – Rodolphus e Rabastan Lestrange.
- Acho que já nos vimos em algum momento. – a voz da mulher era baixa e séria, encarando os dois homens a sua frente.
- Creio que sim. – Rodolphus respondeu, sério também.
- Não vou dizer que lamento pela morte de sua esposa, senhor Lestrange. – ela acrescentou de forma direta – Mas devo confessar que, de certa forma, eu os admiro. Pelo sorriso que conseguiram devolver a um de meus filhos.
E seus olhos caíram sobre Harry, que conversava alegremente com Luna e Neville a um canto.
- Espero que entendam o valor disso. – ela completou, voltando a fitá-los.
- Claro. – Rabastan disse, seco, pontuando a conversa.
Andrômeda e Molly se afastaram, conversando, indo se juntar novamente ao grupo.
- Então essa é a mulher que matou Bellatrix? – Rabastan perguntou, baixo, a olhando com uma sobrancelha erguida.
- Sim. – Rodolphus confirmou, sério, voltando a se sentar.
Ninguém mais voltou a se aproximar dos dois antes que o sol se pusesse e os convidados começassem a se retirar. Andrômeda e Molly lhes deram acenos de longe, mas Hermione veio agradecer por terem permitido que fizesse aquela reunião e pediu novamente para voltar mais vezes, ao que eles concordaram.
- Obrigado. – a voz soou baixa no salão vazio, e os dois voltaram a sorrir vendo Harry se aproximar.
- Você está se sentindo bem? – Rabastan se levantou para que o garoto se sentasse em seu lugar.
- Sim – Harry riu -, muito bem. Um pouco cansado, mas muito feliz.
- Não agradeça. – Rodolphus tocou seu rosto devagar – Nós ainda nem lhe demos seu presente.
- Vocês... Eu não... – Harry balbuciou, mas seus olhos se prenderam na sacolinha de veludo que Rabastan lhe estendia.
- Nós não trocamos juras ou jóias no nosso casamento, como segue a tradição, mesmo que o contrato mágico já seja garantia suficiente do elo. Eu acho que isso pode simbolizar melhor o que vivemos agora.
Harry abriu o pequeno pacote, deixando a jóia cair em sua mão. Era um anel de ouro branco, composto por três argolas finas, entrelaçadas. Em cada uma delas havia uma pequena conta brilhante que ele imaginou serem lascas de diamante. Era lindo e discreto ao mesmo tempo.
Rabastan tomou o anel e apoiou sua mão na dele, colocando-o lentamente em seu anelar.
- Esse anel está na família há séculos. Tenho certeza de que um homem como você vai saber honrá-lo e tudo o que ele significa.
- E o que nós significamos. – Rodolphus completou.
Harry balbuciou, tentando buscar palavras para aquilo, mas não conseguiu. Tocou o anel com a outra mão, respirando fundo e negando com a cabeça, mas sorriu e uma pequena lágrima correu pelo seu rosto. Rodolphus se debruçou sobre ele, beijando seu rosto no ponto em que a lágrima parara, colhendo-a nos lábios e afagando seus cabelos. Rabastan se abaixou ao seu lado, beijando seus lábios e o olhando com atenção.
- Eu nunca tive nada parecido com isso. – Harry comentou, sorrindo finalmente.
- Agora que você tem, cuide bem. – Rabastan acrescentou, e Harry sorriu, confirmando com um gesto de cabeça.
-:=:-
NA: Eu acredito que esse é um dos capítulos mais DOCES que eu já escrevi em toda a minha vida ._.
E, cara, ele surgiu de uma forma muito natural. Eu tava terminando o passado quando parei e pensei "ué, o que vem agora?" e fui contar os meses pra saber quando viria o parto. E aí eu percebi que estava perto do aniversário do Harry e... XD
Agora, falando sério, galera... Sentiram minha falta? :D
E também senti a de vocês. *abraça*
Aliás, ando mei tristinha. Postei duas fics desde o último capítulo de CR mas parece que ninguém lê ._.
Eu sou uma pessoa carente de reviews! Me supram!
Elas estão todas em dia, aliás. Não é lindo? :own:
Enfim... Esse capítulo é dedicado a twin, que não me deixa review, mas nem precisa. Ela é a luz da minha vida e faz tempo que não dedico nada a ela, e eu lembro que nesse capítulo ela ficou toda nhoooo com o Harry.
Não fiquem com ciúmes, eu amo vocês também.
Beijos e até sexta que vem. ^^
