Edward

O amor sobrepujou o orgulho e Edward lutou para encontrar uma forma de participar da vida de Bella. Abandonar o ciúme e o sentimento de posse não foi fácil, pois ele era profundamente apegado ao objeto de sua devoção. A necessidade de reconquistar o amor de Bella estava presente, mas enterrada sob a necessidade de ser a pessoa de quem ela precisasse no momento – um irmão, um amor, um mero conhecido. Tranquilizado pelo altruísmo de suas intenções ele enviou-lhe uma mensagem e esperou. Assim uma correspondência iniciou-se, por vezes casual, por vezes beirando o romance, mas nunca superficial. A conexão que tinham ainda estava intacta, mas nenhum dos dois falava em retomar o relacionamento que tiveram.

Passaram-se meses onde Edward media seus dias pelas palavras que ela lhe escrevia. Quando longos silêncios ocorriam, ele se distraía sonhando com o dia em que se veriam face a face novamente. Entretanto, tal sonho enfrentava um forte obstáculo – sua imutável aparência. Por mais que tentasse nada parecia solucionar o problema de imitar a ação do tempo. Eventualmente ele aceitou que não mais poderia mantê-la no escuro. Mais do que isso, ele não mais queria protegê-la de si mesmo. A decisão de dividir com Bella tudo aquilo que compões seu verdadeiro eu veio naturalmente na medida em que admitiu o quão egoísta e desrespeitoso ele fora quando escolhera mantê-la ignorante da real extensão da verdade sobre si mesmo.

Era difícil perceber que apesar da profundidade de seus sentimentos ele fora incapaz de deixá-la entrar completamente em seu coração. Mas isso ficou no passado. Quando chegasse a hora de se reencontrarem ao vivo ele abriria seu coração e tudo ficaria bem entre eles. Haveria amor, casamento e uma vida de amor. Entretanto, quando ela finalmente concordou em com ele se encontrar ele viu-se despreparado para a enorme barreira que ela colocou entre eles. Ela foi encantadora, acolhedora e amigável, mas jamais deu a Edward a menor abertura para que ele tentasse falar sobre assuntos pessoais. Não mais falava sedutoramente. Quase como se ela não mais o amasse. Eles despediram-se amigavelmente, mas Edward ficou com um mau gosto em sua boca.

Outros encontros casuais se seguiram, todos contribuindo para o sentimento de dúvida que nublava seus dias. Estranhamente, ele jamais se sentiu realmente rejeitado por ela. Nos olhos de Bella ele vislumbrava esporádicos vestígios de amor imutável. Algo dentro de Bella ainda reagia a sua presença, uma centelha da intensidade que partilharam. Havia algum desconhecido inimigo ameaçando, algo que os mantinha separados e ela não estava predisposta a dividir o fardo com ele. Desistir não era parte de sua natureza, portanto Edward persistiu. Quando pressionada, ela ria hesitantemente e desconsiderava as preocupações de Edward – uma mentirosa desprovida de artifícios tentando disfarçar seus segredos.

Um dia ele se cansou do jogo de gato e rato no qual vira-se envolvido. Ele preparou uma suntuosa refeição e convidou-a para sua casa. Quando ela terminou de jantar, ele presenteou-lhe um livro de poesias escrito pelo autor favorito de Bella. Guiando-a para o sofá, ele aconchegou-a em seus braços enquanto selecionava poemas aleatórios para ler em voz alta. Edward estava consciente de que era um truque barato, mas estava suficientemente desesperado para tentar qualquer coisa que pudesse derrubar a barreira entre eles. Não prestava atenção aos versos preferindo observar o rosto de sua amada.

Edward acreditou que suas atenções estavam erodindo as restrições de Bella, mas jamais estivera mais errado em sua longa vida. Sentando-se abruptamente ela deu uma desculpa obviamente falsa e foi-se sem se importar em olhá-lo nos olhos ou mesmo levar seu presente.

E ele acreditou que tudo estava acabado.

Realmente acabado.