12° cap. Novas conversas

Marília estava conversando com Gibbs ao leme:

-Ele não está demorando? Afinal, o que ele quer falar com o John?

-Não...-ele olhou para o deck-mas você mesma pode perguntar para ele.Veja.

Ela se virou na direção do olhar de Gibbs. Jack acabara de chegar na navio, e com...

-Johnny?

Ela falou baixinho para si mesma e correu na direção deles enquanto gritava:

-John!

Ele se virou para ela sorrindo:

-Olá, Mary...

-O que faz aqui?-depois se virou para Jack-o que ele faz aqui?

Jack sorriu e chamou a atenção de todos elevando a voz:

-Todos, atenção! Este é Johnny, nosso novo 'companheiro de viagens'.

-Aye!

Todos disseram em resposta, menos uma pessoa:

-O QUÊ?

-Vamos ao meu gabinete.

Jack rapidamente disse segurando a braço de Marília e a guiando até seus aposentos. Johnny ia seguindo atrás.

-Como Assim, 'Companheiro De Viagens'?

-Mary, acalme-se! Sente-se.

Jack puxou a cadeira mais ela não se moveu:

-Me expliquem isso agora.

Ela falou sublinhando as palavras ao falar. Seus olhos brilharam perigosamente.Ela cruzou os braços e sentou se na cadeira, mexendo o pé para um lado e para o outro. Johnny sabia que quando ela fazia isso era melhor ter muito cuidado.

-Mary...-ela continuou movendo o pé-eu não estava muito bem no Madlook e Jack me ofereceu...

-Ofereceu? Jack ofereceu? JACK,VOLTE AQUI NESTE INSTANTE!

Ele estava com a mão na maçaneta, tentando sair sem ser notado. Não estava com vontade de receber a fúria da Marília.

-Onde você pensa que vai?

-Anh...Ao banheiro.

-Pode esperar! Diga-me, como uma conversa pode transformar em oferta de emprego? Sim, por que você o transformou em um pirata!

-E isso é tão ruim por um acaso?-Johnny não se segurou-você me diz que foi raptada por eles, ficou amiga e agora fica em um próprio cruzeiro no Pérola Negra, o mais temível navio pirata! Quer dizer, você não sabia como era minha vida antes! Saí em busca de dinheiro e não consegui muito, agora o Jack me ofereceu uma ótima oportunidade e não a deixei passar.

Marília havia parado de mexer o pé e estava com a boca aberta. Ele nunca falara assim com ela, e de certa forma estava certo.

Jack se surpreendeu com aquele silencio incomum da Marília, pelo visto Johnny nunca falara bravo com ela e provavelmente fora sempre ela que o fizera.

-Muito bem então. Seja um pirata.

Ela finalmente respondeu. Seu olhar estava um pouco triste e sua voz fria. Ela se levantou e saiu sem dizer mais nada. Nem bateu a porta e foi direto para o quarto. Johnny olhou para a vidraça que havia ali, já era noite.

-É melhor você conhecer o navio, venha.

Jack o guiou pelos corredores apresentando tudo:

-Essas portas são os quartos, essa última leva á cozinha, veja.

Ele abriu a ultima porta antes da escada, que descia para uma nova escada levando ao refeitório.

-Essa porta a frente leva ao calabouço, no deck você já sabe onde fica tudo.Venha, volte um pouco.

Elas voltaram três portas no corredor e Jack parou:

-Você vai dormir aqui. Dividirá o quarto com Gibbs, ele é o primeiro imediato, portanto, de confiança. Arrume-se e vá dormir, foi um longo dia.

Jack virou-se e trancou-se em seu gabinete, deixando Johnny sozinho:

-Muito bem então...

Ele abriu a porta e entrou no quarto. Estava fracamente iluminado com uma vela, mais era o suficiente para ter-se uma visão completa do aposento. Ele tinha duas camas e uma cabeceira para cada. Havia também dois baús ao pé das camas. Johnny abriu sua maleta e começou a tirar as coisas de dentro, quando ouve a porta se abrir atrás dele.

-Quem é?

Johnny se virou rapidamente e abriu a boca para falar mais aquele homem o interrompeu:

-Johnny não?Eu estava com a Marília quando você chegou e ouvi ela berrando. Eu sou o Gibbs, sou o primeiro...

-Imediato. Sim, Jack me falou. É...Bem, nós teremos de dividir o quarto.

-Sem problemas...Vou deixar você terminar de se arrumar. Jack já lhe mostrou tudo, eu presumo...

-Sim, já.

-Qualquer coisa.

-Eu pergunto.

Gibbs saiu do quarto, deixando Johnny novamente sozinho. Ele terminou de tirar as coisas de sua mala. Colou as roupas no baú e seus pertences na mesa. Trocou-se e deitou nas cobertas.

Não estava muito cansado e ficou pensando nos últimos acontecimentos. Saiu do Madlook e provavelmente nunca mais o voltaria a ver. Não sentia por isso. Ele não gostava muito de lá, nos primeiros anos tudo estava calmo, mais com o tempo tornou-se quase insuportável. A cobiça do capitão por dinheiro, por ser mais novo ganhava muito pouco, mesmo trabalhando muito e era obrigado a cuidar do navio. Agora ele estava no Pérola Negra, em um dia várias coisas mudaram. Tornou-se pirata e pela primeira vez, brigara com a Marília. Ele não sabia por que o motivo, não conseguira se controlar.

Esse foi o ultimo pensamento que ele teve, antes de tudo escurecer.

Johnny acordou e olhou em volta.Demorou a se lembrar de onde estava:
-No Pérola Negra...

Ele ouviu um ronco ao seu lado e se virou. Gibbs estava deitado na cama ao seu lado, o rapaz não se lembrava de tê-lo visto entrar no quarto:

-Devia estar mais cansado do que imaginava.

Johnny trocou-se silenciosamente e saiu do quarto, deixando Gibbs e seus roncos sozinhos.

Ele olhou para os lados no corredor, estava tudo silencioso, provavelmente todos ainda estariam dormindo. "Quão cedo eu acordei?" Ele perguntou para si mesmo enquanto subia as escadas que davam para o convés.

O sol estava forte e o céu azul, com poucas nuvens brancas. Ele foi andando até que seu olhar viu, a sua frente estava a Marília olhando as ondas baterem no casco do navio. Silenciosamente ele foi em sua direção, parando alguns metros atrás:

-Mary?

Ela se virou para ele:

-Ah, oi John.

-Posso?

-Claro...

Ele andou a distância que os separava e se posicionou a seu lado. Ela mantinha os olhos no horizonte. Johnny resolveu falar algo, o silencio entre eles estava um pouco tenso:

-Você acordou cedo...Pelo que me lembre, quando éramos crianças você sempre ficava mais na cama.

-Isso nunca mudou. Só que hoje eu...Madruguei.

Eles voltaram ao silêncio, ela não movera seus olhos do mar e Johnny a olhava preocupado. Depois disso demorou alguns minutos até que alguém falasse.

-Sobre ontem...

-Não-ela o interrompeu-a culpa foi minha. Eu não deveria ter ficado tão brava em relação a isso. Afinal, a vida é sua.

-Mary...Você sabe muito bem que a sua opinião conta!

-Sei mais...Isso não o impede de vir para cá, não é?

Estranhamente ela não estava discutindo, na realidade, nem alterara a sua voz. Ela a mantinha leve e calma.

-Você tem que entender...No Madlook as coisas não estavam boas, eu não conseguia dinheiro e você sabe que esse foi o motivo para eu entrar na vida do mar.

-Não é...É que...-ale suspirou-John, você sabe qual o real motivo.

-Piratas não é...?

-Isso mesmo. Não sou grata á eles por acabarem coma minha família, ficar sozinha no mundo aos 6 anos de idade não é fácil...

-Você nunca ficou sozinha de verdade. Sempre teve e mim, e a M. Darion.

-Eu sei...

-Agora, por que você está nesse navio? Eles não te obrigam, obrigam?

-Não, estou aqui por opção.

-E por que isso?

-É que...Algo aconteceu.

-O quê? O que é essa coisa que você não pode me contar?

-Por mim eu contaria, mais o Jack...Se bem que, se ele te trouxe para cá é por que confiou em você. Mais não sei, teremos de falar com ele.

-Você realmente quer a aprovação de um pirata?

-O Jack é diferente...

-Como assim? Está apaixonada por ele por acaso?

-Ah, claro que não! Johnny, por favor. Poupe-me.

-Então por que ele que deve decidir as coisas?

-Por que sim, oras! Simples, espere-o acordar que eu vejo, certo?

-Se você insiste...

-Insisto.

-Certo então.

N/A: Estou pensando em sempre deixar um n/a, o que v6 acham?