Descoberta
- Uma semana depois -
Bella estava em seu quarto, sentindo o peso da semana que havia se passado. Era uma noite de sexta-feira, os dedos pálidos e ágeis corriam pelo teclado do computador ultrapassado, escrevendo finalmente uma mensagem para Renée, dizendo tudo o que havia acontecido com ela nas últimas semanas. Bella não podia questionar e rotular Renée. Qualquer mãe no lugar dela gostaria de ter notícias da filha, principalmente quando essa passava por um momento tão conturbado igual ao que Bella passava. A garota tinha quase certeza de que Charlie havia contado para sua mãe o estado físico e mental em que ela havia mergulhado. A mensagem mandada foi apenas para tranquilizar Renée de que tal época já tinha sido superada.
Bella suspirou quando desligou o computador, olhando para o teto e piscando os olhos de forma lenta. O barulho da máquina já havia cessado, mergulhando o quarto em um silêncio quase completo, apenas a respiração dela e o barulho da chuva eram ouvidos. Ela sabia que tinha muitos trabalhos finais da escola para fazer, mas se conhecia o suficiente para saber que não iria conseguir terminá-los. Seus pensamentos estavam focados em apenas um tópico: a falta do vampiro.
Uma semana havia se passado desde que Bella o vira pela última vez, e ele simplesmente desaparecera. Ela não sabia até que ponto a proteção do vampiro era válida. Ainda estaria por perto? Por mais que ela quisesse se enganar, ela sabia que estava de certo modo sentindo falta dele, seu único contato com o mundo que um dia ela conhecera. Bella sentiu raiva de si no mesmo momento, se sentindo uma idiota. Estava mais do que claro que ele não iria voltar, nem aparecer.
Levantou-se da cadeira e caminhou para o banheiro a fim de escovar os dentes. Era uma sexta feira à noite e ela preferia ficar em casa lendo a sair com Jéssica para fazer compras supérfluas.
Demetri deslizou para dentro do quarto de Bella no momento em que a garota saiu pela porta. Por sorte a janela estava entreaberta. Chovia muito. Demetri retirou a capa com capuz do corpo e jogou-a em um cabideiro que tinha no quarto. Ele correu os olhos pelo cômodo, tentando encontrar algo de diferente. Nada. Era um simples quarto de uma simples humana. Nem mesmo o cheiro de cachorro molhado estava presente. Na verdade, a única coisa que se destacava em meio à decoração era o vampiro vestido de preto e com olhos extremamente vermelhos parado no meio do cômodo. Demetri havia acabado de se alimentar.
Ele tomou uma respiração profunda, sentindo o cheiro adocicado do sangue da garota muito forte no ambiente. Fez isso para se acostumar com o aroma dela, sabendo que teria que passar pelo menos a noite naquele lugar. Engoliu em seco, o seu plano não havia dado certo. Ficar sem ter contato direto com ela não a fez menos apetitosa. E Aro não iria gostar de saber que o Volturi não havia avançado em sua aproximação.
Demetri podia ouvir com clareza a garota escovando os dentes dentro do banheiro, e quando o barulho da água cessou, ele começou a coçar a cabeça em um gesto mais costumeiro do que necessário. Ele não sabia se ia ter paciência o suficiente para fazer o que Aro mandara. Ser amigo de uma humana.
Bella entrou no quarto e gritou.
A primeira reação que Bella teve foi olhar instintivamente para a abertura da porta a fim de se certificar de que seu pai não havia escutado o grito. O ronco de Charlie apenas lhe confirmou de que ele estava mais interessado em seu sono do que no possível susto da filha.
Ela entrou no quarto e fechou a porta totalmente, trancando-a.
- Você ficou louco? Mas que merda... você não pode entrar no meu quarto sem pedir permissão.
Exclamou de forma rude, o rosto corando levemente. Estava vestida apenas de short e blusa curta, roupas que não seriam apropriadas para nenhuma ocasião acompanhada, mesmo que o interesse do vampiro por ela fosse nulo. Demetri não parecia surpreso com a reação dela, nem incomodado. Limitou-se a sorrir de forma jocosa e continuou em pé na mesma posição.
- Por onde esteve?
Ela perguntou sem conseguir se conter e ele desviou os olhos vermelhos do rosto da garota para uma prateleira perto da porta. A curiosidade dela vinha nas horas mais estranhas possíveis.
- Por aí... estive de olho no vampiro negro que a confrontou semana passada.
Bella não soube responder. É claro que ele estava mais interessado em Laurent do que na rotina de adolescente dela. Se ele estava ali para protegê-la realmente, ficar de sentinela esperando o vampiro nômade aparecer seria mais vantajoso do que segui-la por todos os cantos de Forks.
Ela se sentou na beirada da cama, cruzando as pernas em cima do colchão. Demetri virou-se de costas e caminhou para uma poltrona que tinha ali, sentando-se também. Sabia que a garota não gostava quando ele ficava imóvel, em pé. Então ele ficaria imóvel, sentado.
- Estou aqui apenas por precaução.
Avisou. Demetri queria que aquilo fosse verdade, mas sabia que não era. Ele precisava estar ali, porque o seu mestre havia o mandado ter uma maldita amizade com uma humana.
Bella o observou por alguns minutos e franziu o cenho. Ele parecia uma estátua sentada. Uma bela estátua sentada. Estava com uma calça jeans pretas e blusa de malha da mesma cor. Os sapatos eram sociais. Ela não sabia como ele não estava molhado por causa da chuva. O colar com o símbolo dos Volturi nunca deixava o seu pescoço.
De repente a mente da garota foi assaltada por uma curiosidade estranha.
- Você já teve contato com outros humanos?
Demetri estava olhando para a janela entreaberta, podia contar cada pingo de chuva que caía no vidro, mas focou seus olhos vermelhos no rosto da garota novamente ao escutar a pergunta.
- Apenas por refeição.
Respondeu monotonamente. Bella mordeu a língua para não responder. Sentia-se um pedaço de carne quando o vampiro falava naquele tom. Ele dirigiu os seus olhos vermelhos novamente para a janela, parecendo mais interessado na chuva que caía lá fora do que na conversa.
- Nenhum humano tem algo de atrativo... apenas o sangue. São seres sem graça.
- É claro que não.
Bella respondeu antes mesmo de pensar nas consequências de sua resposta. O vampiro a olhou novamente, um pouco mais interessado do que antes. Mas ela viu algo nas íris vermelhas que a intrigou, o olhar de desafio. Ele estava a desafiando sem dizer uma palavra. Ele era algo intrigante, muito cheio de si, muito confiante...
E o vampiro que a olhava em desafio era o mesmo que havia a beijado dias atrás.
- Então por que me beijou?
Ela perguntou de forma confiante, aceitando o desafio imposto. Demetri a olhou mais intensamente e não se mexeu, apenas abriu a boca para responder.
- Curiosidade.
Ele a encarou e ela sorriu ironicamente para ele. Estava cansada de vampiros e suas mentiras. Com a beleza que ele possuía, ele poderia beijar qualquer humana sem fazer nenhum esforço. Não, aquela resposta foi apenas para ocultar o real motivo de ele ter tido vontade de beijá-la.
Bella se levantou da cama e o olhou novamente.
- Mesmo que você seja um vampiro insuportável, eu prefiro você aqui a você desaparecido.
Foi sincera no que disse. Demetri viu ali a brecha que precisava. Enfim a garota queria alguma amizade com ele. Ele direcionou um sorriso a ela, mas pela primeira vez desde que chegara a Forks, surpreendeu-se com a garota. Ela caminhou em direção ao vampiro, se apoiando nos braços da poltrona e se inclinando para frente. Os olhos vermelhos cravaram-se no decote dela instintivamente. Ela sorriu, percebendo para onde o vampiro olhava. Afinal, ele era homem. Um homem que possuía uma força descomunal e bebia sangue. Mas era apenas um homem.
Bella se aproximou e Demetri lambeu os lábios carnudos sem conseguir se conter, como se por meio desse gesto conseguisse sentir o gosto dela. Não precisou fazer mais isso, logo ela tinha se aproximado e tomado os seus lábios, beijando-o de forma macia, sem aprofundar as carícias, apenas experimentando o lábio inferior do vampiro.
Demetri percebeu que cada poro do corpo dela havia se arrepiado com o contato, e xingou-se mentalmente ao sentir seu próprio corpo dar os primeiros sinais de excitação. Ele sabia que a tendência agora era apenas piorar, e odiava-se também ao perceber que estava dando o que aquela garota queria. O objetivo dela era deixá-lo excitado. O que estava acontecendo.
Ele ficou imóvel e ela sorriu, sabendo exatamente o que isso significava. O vampiro estava com receio. Ela se afastou da poltrona, deitando-se na cama de bruços e apagando a luz do abajur. O quarto foi mergulhado em escuridão. Se ele estava ali por precaução, Bella poderia ir dormir tranquila, não?
- Boa noite... hã... Demetri.
Disse o nome dele pela primeira vez, no mesmo momento em que fechava os olhos.
Dez minutos se passaram até Bella sentir lábios extremamente frios encostarem em seu ombro nu. Ela estava acordada, mas não se mexeu. Demetri sabia que a garota não estava dormindo, e sabia que o que pretendia fazer lhe traria consequências desagradáveis mais tarde. E ele iria se odiar pelo resto da imortalidade por isso.
Mas o Volturi se conhecia o suficiente para saber que não iria conseguir parar o que estava querendo fazer. Controlar seu desejo nunca fora o forte dele, e ele não tinha planos de tentar fazer aquilo no momento.
Os lábios frios começaram a correr de forma livre pelo corpo da garota, sentindo a textura fina da pele dela, a temperatura elevada e o gosto adocicado que ela possuía. Demetri já imaginava como o gosto dela seria; normalmente o gosto dos humanos era compatível com o aroma do seu sangue. E se o cheiro do sangue dela era doce, a pele só poderia ser adocicada também.
Demetri havia tirado a sorte grande.
As mãos frias dele pegaram a blusa dela, levantando-a um pouco para expor mais a pele. Era branca. Não branca igual à pele das vampiras que ele estava acostumado. Era um branco em um tom... vivo.
O Volturi sugou as costas dela, sentindo o fluxo de sangue através da camada fina de pele. Era uma tentação. Felizmente o que ele queria no momento nada tinha a ver com o sangue dela.
- Eu sei que você está acordada... e vou fazê-la parar de fingir.
Bella sorriu, mas não se mexeu. Demetri continuou a percorrer com os lábios o corpo dela, tentando-a de todas as formas possíveis. O cheiro da excitação dela agora era mais evidente, e ele começou a perder um pouco o controle.
Demetri subiu mais um pouco a blusa da garota, lambendo a pele quente das costas. Bella corou, percebendo pela primeira vez a situação em que estava. Ela sabia o rumo que aquilo ia tomar. E ela era apenas uma garota despreparada, enquanto ele era um vampiro muito experiente. Um vampiro que estava explorando o seu corpo de uma forma que ninguém havia explorado.
Ela sentiu o corpo forte dele apoiar-se por cima do seu corpo. Era óbvio que ele não estava totalmente jogado ali, ela não aguentaria o peso completo dele. Mas o contato que os corpos faziam foi o suficiente para que ela sentisse a excitação dele lhe prensar. Bella ficou imóvel e duas mãos frias envolveram sua cintura, enquanto lábios carnudos sugavam o seu pescoço. Ela respirou fundo, um gemido contido saindo de sua boca. Aquele som, mesmo que quase inaudível, foi o suficiente para ele.
O vampiro sorriu e virou bruscamente a garota no colchão da cama, sem nenhum esforço, como se o corpo dela fosse feito de plumas. Os olhos dele estavam negros quando ele a encarou. Bella estava corada.
- Eu sabia que você não estava dormindo.
Bella não respondeu, apenas sentiu o peso dele entre suas pernas e mordeu os lábios. Demetri finalmente terminou com a distância entre eles, beijando-a de forma completa pela segunda vez. Os lábios carnudos do vampiro era uma tentação e ela abriu a boca para facilitar tudo para ele. A língua aveludada de Demetri deslizou para dentro da boca da humana, sentindo o gosto adocicado ainda mais forte.
As mãos masculinas e experientes rasgaram a blusa de malha fina que ela estava vestindo. Ela fechou os olhos ao sentir o pano que cobria seu corpo lhe deixar, caindo na cama de forma morta. Demetri observou com mais atenção os seios da garota, aproximando-se e beijando cada um. Bella gemeu novamente ao senti-lo fazer aquilo. Estava envergonhada. Nunca imaginaria que um vampiro como aquele fosse tomar os seus seios com a boca, mas ela estava disposta a largar a vergonha de lado e aproveitar o momento.
Ele rasgou o short e a lingerie que ela estava vestindo com a mesma facilidade. Não estava com paciência para aquilo que os humanos chamavam de preliminares. Queria saciar o seu desejo, e se possível o desejo dela. O vampiro estimulou-a um pouco com os dedos, sentindo a lubrificação da garota. Ela estava pronta para recebê-lo.
Demetri se levantou, deixando Bella totalmente nua em cima da cama. Os olhos castanhos dela não deixavam o corpo dele. Os olhos negros dele não deixavam os olhos castanhos dela. Bella gravava em sua mente cada pedaço do corpo que ele exibia ao tirar uma parte da roupa. O vampiro desabotoava a blusa e a jogava no chão. Ela arfou ao ver o físico que ele possuía. Definitivamente era mais forte do que ela imaginara. O tórax era definido, o abdômen trabalhado. Uma linha marcava os lados do seu quadril, e sumiam em um local que ela já imaginava onde seria.
Ele estava apenas com uma boxer preta, em frente a sua cama. Em menos de dois segundos Demetri havia tirado a sua roupa. Bella pôde ver o volume prensar o pano negro, e engoliu em seco ao vê-lo se aproximar do colchão. Ele tirou o restante da roupa, ficando completamente nu em frente a ela. Bella desviou os olhos, não estava preparada para vê-lo daquela maneira. Nunca havia visto nenhum homem assim, para falar a verdade.
Demetri sorriu maliciosamente e puxou-a pelos tornozelos, fazendo os corpos quase se encontrarem. Ele olhou-a pela última vez, antes de penetrá-la com apenas um movimento de quadril.
Ela mordeu os lábios com força para não gritar. Ele fechou os olhos ao senti-la apertada em volta do seu membro. Bella respirou fundo, tentando por meio desse gesto fazer a dor parar. Parecia estar sendo rasgada por dentro, a sensação de ser partida ao meio a incomodava.
Demetri sentiu o veneno começar a acumular em sua boca, no mesmo momento em que iniciava as estocadas. Bella fechou os olhos ao sentir o vampiro lhe invadir. Seu primeiro homem. E infelizmente ele era bem dotado a ponto de deixá-la machucada depois daquilo.
Ele jogou um pouco mais o seu peso em cima do corpo frágil da humana, tomando o devido cuidado para não esmagá-la. Era como penetrar uma escultura de cristal fino, mas a sensação de ter um corpo quente colado ao seu mostrava algo inédito para o vampiro.
Mas algo estava errado.
Ele sentia cheiro de sangue.
Demetri respirou fundo. Não era o sangue normal, que estava acostumado a drenar. Definitivamente não. Ele cessou os movimentos, apoiando-se nos cotovelos e olhando para a garota com intensidade. Ela parecia receosa.
- Você era virgem? – ele perguntou.
Bella mordeu os lábios. Sentia-o pulsar dentro de si, e estava um pouco aliviada com isso, pois antes ele estava a machucando. Ela travava uma luta interior. Não queria continuar por causa da dor que estava sentindo, mas ainda queria senti-lo.
- Sim. – ela respondeu.
Demetri ficou um pouco irritado com aquilo. Sabia o motivo do receio da garota. Ela estava sentindo dor. Toda mulher virgem sentia dor. Havia tirado virgindades o suficiente para saber isso. Felizmente isso não afetava o prazer do homem, apenas aumentava.
- Você vai parar?
Ela lhe perguntou de forma envergonhada e relutante. Demetri esboçou um sorriso jocoso nos lábios e começou a estocar, dessa vez com mais lentidão.
- Garota, eu não vou parar enquanto eu não estiver satisfeito.
Ela engoliu em seco e sentiu o quadril do vampiro começar a bater em seu corpo, de forma cada vez mais rude. Bella buscava o prazer, mas apenas uma dor aguda estava instalada em seus sentidos.
Por outro lado, ele estava sentindo algo que nunca havia sentido. Ela era quente, e apertada de uma forma que apenas uma virgem poderia ser. Como não havia desconfiado disso? Não importava. O coração dela batia de forma rápida, o cheiro adocicado de sua lubrificação chegava ao nariz poderoso dele. O corpo exalava um calor que poderia deixar qualquer vampiro louco.
Demetri canalizou a vontade de mordê-la na força de sua última estocada, derramando-se dentro dela e sentindo o prazer inenarrável de um orgasmo forte. Bella viu o corpo forte do vampiro relaxar por completo, e ele a deixou, sentando-se no colchão da cama, ao lado dela.
Bella não havia sentido o mesmo que ele. Apenas uma sensação de vazio invadia o seu corpo, e ela buscava a resposta do motivo daquilo. Não sabia se a sensação era pelo fato de ter perdido a virgindade com alguém que ela nem havia tido uma relação, ou se a sensação de algo faltando era justamente ele dentro dela novamente. Não sabia de nada.
Demetri olhava a garota com atenção. Os olhos castanhos estavam focados em uma parte do teto. Ele não falou nada a ela, mas sabia que ela não havia sentido prazer. Ele também não se preocupou com isso, ela havia o provocado, e agora colhia as consequências.
Ele continuou a olhá-la por minutos e minutos, até que a garota fechou os olhos, sucumbindo ao cansaço e ao sono. Uma lágrima cintilante riscou o seu rosto antes que ela caísse na inconsciência.
