Um Outro Rei

Jon deixou que Arya tivesse uma semana de descanso e tranquilidade no Eyre, antes que alguém pudesse dizer a ela o que estava acontecendo. Ele precisava daquele tempo para pensar e ela merecia um pouco de paz, antes que pudessem seguir em frente com suas obrigações.

O dia da chegada dela foi tanto uma benção, quanto um fardo. Vê-la viva, abraçá-la, sentir seu coração batendo contra o dele, foi como sentir um peso imensurável ser retirado de seu coração. A confirmação de que todos aqueles anos vividos em luto e lamento havia chegado ao fim e agora a matilha estava reunida outra vez.

Arya havia deixado de ser uma garotinha. Seus olhos severos, a forma desesperada como ela se agarrou às vestes dele, implorando por um abraço, diziam que os anos foram duros com ela e Jon se perguntou se algum dia ele desejaria saber a extensão dos problemas que ela havia enfrentado, mas foi Lady Mormont a responsável por dar a ele a pior notícia.

Alysane Mormont era uma mulher confiável e forte, alguém que saberia preservar a imagem de Arya e ainda cuidar para que o novo rei fosse informado dos acontecimentos na capital. Por mais que ele temesse que Aegon pudesse fazer algo contra a honra de Arya, uma parte dele tinha esperanças de que seu meio irmão fosse um homem honrado e descente. Aparentemente ele estava enganado.

- Lady Stark temia que a mandassem de volta para Aegon Targaryen se descobrissem. – Lady Mormont falou – Ele a forçou. Algumas mulheres teriam preferido se jogar do alto da torre depois disso, outras teriam enlouquecido.

Jon sentiu o estômago revirar e o sangue correr frio em suas veias. A raiva veio em seguida, feroz como o urro de Drogon. Aegon era seu meio irmão e a ideia de confrontá-lo por causa do Trono lhe trazia repulsa, mas agora...Agora ele enterraria uma espada no coração do desgraçado e o entregaria à Arya numa bandeja.

- Arya demonstrou algum sintoma? – ele perguntou tentando conter a fúria e agir de forma racional.

- Não, Vossa Graça. – Lady Mormont o assegurou – Ela ficou nauseada no início da viagem, mas isso foi por causa do barco. Ela bebeu chá da lua por vários dias e seu sangue desceu antes de chegarmos à terra firme.

- Dadas as condições, imagino que eu deva ficar feliz em saber disso. – ele disse amargo – Chegou a notar se ela tinha algum ferimento, algum sinal de violência, além disso?

- Havia marcas arroxeadas nos pulsos. Imagino que ela tenha tentado resistir. – Lady Mormont disse séria – Lady Reed a viu mais de perto. Ela parecia bem, sem sinal de hematomas, ou ferimentos.

- Sei que é uma ousadia da minha parte perguntar isso, mas no lugar de Lady Stark, o que a senhora faria? – Jon perguntou encarando a mulher nos olhos.

- Não descansaria até matar o desgraçado, depois de castrá-lo, é claro. – Lady Mormont disse de forma prática – Se fosse com minha filha, não haveria lugar no mundo seguro o bastante para o maldito e eu lhe garanto que seria uma morte lenta, dolorosa e cruel, Vossa Graça.

- E será. – Jon disse sério – Aegon me tirou qualquer razão que eu pudesse ter para evitar um confronto direto. Eu não vou descansar até que ele pague pelo que fez. Obrigado por seus serviços, Lady Mormont. Eu lhe serei eternamente grato pelo que fez por Arya.

- Não fiz nada além de cumprir com o meu dever. É uma honra servi-lo, meu rei. – dito isso Jon permitiu que ela deixasse a sala.

Nos dias que se seguiram, foi Sansa a responsável por contar à Arya a verdade sobre a linhagem dele e o que aquilo significava. Ela não teve uma oportunidade para falar com ele a respeito disso durante aqueles dias, graças à movimentação intensa que ocorria no castelo para que estivessem preparados no caso de um ataque.

Jon passava a maior parte do dia ocupado com a administração dos recursos disponíveis, ou discutindo as melhores estratégias de fortificação com os senhores do Vale, enquanto Arya era arrastada por Sansa para o universo feminino. Não foram raras às vezes em que ele a avistou de longe, brincando com Cat na neve, ou brincando com a sobrinha de donzela e monstro.

Ela parecia tão feliz nessas ocasiões que Jon temia o momento em que falaria com ela a respeito do contrato assinado entre ele e Bran. Arya merecia aquela felicidade inconsequente, merecia esquecer os dias de terror vividos junto de Aegon. Tudo o que ele queria era não ser obrigado a levá-la pra cama e acordar no dia seguinte sentindo-se tão covarde a cruel quanto seu meio irmão.

Jon estava ciente de que preparativos estavam sendo feitos, mas Arya não desconfiava de nada a sua volta. Sansa estava cuidando do vestido de noiva que a irmã usaria e até então Arya pensava que toda aquela história sobre roupas adequadas era apenas a velha obcessão de Sansa por boas maneiras e comportamento adequado a uma dama. O tempo estava passando e ele não poderia mais adiar aquela conversa.

Ele pediu para que ela o acompanhasse até a sala de estudos depois do jantar. Arya concordou e parecia feliz em poder ter a chance de falar com ele, depois de dias tão tumultuados. Jon ofereceu vinho a ela e se serviu de uma taça também, antes de se sentar diante de Arya.

- Sansa me falou sobre...- ela ponderou se devia ou não tocar no assunto – Sobre seus pais. Eu só gostaria de dizer que isso não importa. Você nunca vai deixar de ser uma parte da nossa família. – sem saber ela estava tornando tudo muito mais difícil pra ele.

- Foi um choque pra mim. – ele disse – Acordar dos mortos, cavalgar um dragão, ver de perto um cadáver se levantar e atacar o Lorde Comandante...Nada foi tão chocante quanto saber disso.

- Posso imaginar. – ela disse encarando-o – É estranho, mas acho que conviver com seus "parente" me preparou pra isso. Quando vi Aegon Targaryen pela primeira vez, achei o rosto dele levemente familiar, mas não sabia dizer o por que. Suponho que faça sentido terem alguma semelhança. – Jon sentiu sua mandíbula travar.

- Não é nada reconfortante ouvir isso. – ele disse sério – A última coisa que desejo é fazê-la se lembrar dele.

- Não se martirize tanto. Se não fosse pela sua iniciativa eu não teria saído de lá tão cedo. – ela disse tocando a mão dele – Eu estou bem agora, ou vou ficar quando você for rei.

- É a última coisa que eu quero. – ele disse com um toque de melancolia – Mas eu não tenho muita escolha agora. O problema de ter assumido quem sou e meu direito de nascença trouxe consequências que eu não sei se estou preparado para enfrentar.

- Vai ser um bom rei, eu tenho certeza disso. – Arya disse num esforço de encorajá-lo.

- Há algo que precisa saber. – ele disse antes de respirar fundo e encará-la diretamente nos olhos – Quando Bran recebeu a mensagem da capital anunciando que estava viva e nas mãos de Aegon, eu já estava ciente da minha origem. Bran disse que estava disposto a se declarar em meu favor e conseguir o apoio do Vale e do Tridente se eu desejasse conquistar o que é meu por direito, mas um lorde não pode fazer uma oferta como esta sem exigir algo em troca.

- E o que foi que Bran exigiu de você? – Arya perguntou desconfiada.

- Um contrato de casamento. – ele sentiu um nó se formar em sua garganta – Arya, eu aceitei tomá-la como minha esposa e fazer de você a minha rainha. – ela arregalou os olhos e ficou em silêncio por alguns segundos, como se buscasse fôlego.

- Que brincadeira é essa? – ela perguntou se afastando dele.

- Infelizmente não é uma brincadeira. – ele disse abaixando o rosto enquanto tentava conter sua própria angustia – Eu não teria como tirá-la de Porto Real sem o apoio de Bran e Sansa. Entenda, não era só uma questão de exigir meus direitos. Minha maior preocupação era salvá-la, mas eu não podia fazer isso sozinho e Bran já estava cogitando a hipótese de deixá-la em Porto Real.

- Me diga que isso é mentira, por favor. – ela pediu num fiapo de voz.

- Não é. – ele disse sério – A cerimônia não poderá ser adiada por muito tempo. Se Aegon nos atacar e por algum infortúnio ele for bem sucedido, ele a arrastará de volta a Porto Real, para o Grande Septo de Baelor e a obrigará a se casar com ele no mesmo instante. E nós não temos qualquer garantia de que ele será gentil com você se isso acontecer. – Jon tentou segurar a mão dela, mas Arya a afastou antes que ele pudesse fazê-lo – Acho que entende que cedo ou tarde Bran acabaria fazendo um acordo de casamento pra você, o problema é que agora as opções são limitadas. Um lorde menor, alguém muito mais velho do que você e provavelmente viúvo, esse é o tipo de pretendente que você conseguiria depois dos rumores sobre Aegon e o tempo passado no acampamento de guerra.

- Então por que aceitou uma noiva com uma reputação tão ruim? – ela perguntou com a voz amarga.

- Porque eu quero protegê-la e porque assumi a responsabilidade de encarar Aegon no momento em que decidi que tinha de salvá-la, mas não posso fazer isso sem ajuda. – ele disse de forma objetiva.

- Quanto tempo eu tenho? – ela perguntou encolhendo os ombros.

- Edmure Tully e seus homens chegarão em quatro dias, talvez menos. Bran já mandou alguns dos seus principais vassalos para cá e eles devem chegar nos próximos dias também. Assim que seu tio estiver aqui, o casamento será realizado. – Jon disse.

- É melhor que saiba que sua noiva não é uma donzela. – ela disse como se cada palavra lhe custasse dez anos de vida. Jon se levantou de onde estava e caminhou até ela, ajoelhando-se para encará-la melhor. Ele segurou a mão de Arya e a encarou nos olhos.

- Eu sei o que ele fez com você. – Jon disse calmo – Arya, eu nunca a desprezaria por causa disso. Não vou mentir pra você. Há coisas que não poderemos evitar, como a consumação e a produção de um herdeiro, mas passado isso eu não vou encostar em você a menos que queira. Podemos ter quartos separados e viver como irmãos se você quiser, contanto que nossos deveres para com o reino sejam cumpridos.

- Eu continuarei numa jaula, Jon. – ela disse amarga – Não há nada que possa fazer pra mudar isso. Deuses, por que eu não posso viver o resto dos meus dias em Winterfell cuidando da minha vida sem ter que dar satisfação a ninguém?

- Eu gostaria de poder fazer isso também. – ele se ergueu e beijou a testa dela – Algumas escolhas têm preços elevados. Eu sinto muito que isso tenha que acontecer, mas se esse é o preço que tenho que pagar pra mantê-la segura e tê-la de volta por perto, eu não vou me recusar a cumprir a minha parte.

- Fugir de um casamento real pra entrar em outro. A loba está presa entre dragões, não é mesmo. – ela disse num tom baixo e ressentido e Jon sentiu cada uma daquelas palavras como facas em suas entranhas. Era o sonho se concretizando. A loba rodeada por chamas, enquanto dragões disputavam para ver qual deles a devoraria.

- Gostaria que houvesse outra maneira. – ele disse se levantando e se afastando dela – Eu juro que não serei como ele. Não quero um enfeite ao meu lado, eu quero a minha melhor amiga. Quero que lute ao meu lado, quero que me ajude a governar e que me diga quando eu estiver agindo como um imbecil e que me aconselhe.

- Não há outra opção, há? – ela perguntou encarando-o.

- Eu, ou Aegon. Essas são as opções e se voltar pra ele estará colocando a todos nós em perigo. – Jon disse parecendo exausto.

- Então que seja. – ela disse levantando-se da cadeira – Me restam quatro dias. Imagino que aquele vestido que Sansa mandou fazer seja o que usarei. De quem foi a maldita ideia de deixá-la cuidar disso? Já viu o tamanho que ela está? Devia descansar ao invés de me irritar o dia todo.

- Disso eu juro que sou inocente. – Jon respondeu – Sansa assumiu que seria ela a cuidar disso.

- Está bem. – Arya concordou – Eu vou me retirar agora.

- Esteja a vontade. Tenha uma boa noite de sono. – ele desejou e logo após uma breve reverência, Arya deixou o quarto.

Ele se jogou de volta na cadeira e afundou o rosto entre as mãos. Ela havia agido de forma muito mais contida do que ele havia antecipado, mesmo assim ele podia sentir a rejeição dela em sua pose defensiva, como se Jon estivesse prestes a avançar sobre ela.

A Arya que ele havia deixado em Winterfell morreu sozinha e abandonada no dia em que deixou Porto Real pela primeira vez. Era uma dura constatação, mas Jon tinha que admitir que ele não a conhecia mais como ele conheceu um dia. Ele ainda a amava, apesar disso. Talvez voltassem a ser próximos como antes, se no meio do caminho ele não estragasse tudo.

Ela havia se tornado uma moça bonita, mais bonita do que qualquer um jamais teria suspeitado que ela seria. Seu rosto era mais severo do que o de Sansa, mas tinha traços elegantes e bem feitos. O corpo ainda era esguio, com quadris arredondados e seios pequenos. O maester havia garantido que Arya tinha um corpo adequado a maternidade, apesar de ser miúda naturalmente. Jon esperava que o homem estivesse certo. A última coisa que ele queria era que Arya morresse numa cama de parto.

Os dias anteriores ao casamento passaram muito rápido, com toda a agitação já esperada. Edmure Tully chegou um dia antes do planejado, com um bom número de vassalos para servirem de testemunha ao casamento.

O Eyrie ficou abarrotado de gente e na véspera do casamento Jon não conseguiu nem mesmo trocar uma única palavra com Arya. Sansa e Cat a monopolizavam a maior parte do tempo e ao menos Jon imaginava que Lady Arryn estivesse sendo de alguma ajuda a noiva, dadas às circunstâncias peculiares daquele arranjo.

Na manhã do casamento, ele acordou junto com o sol. O castelo já estava em pleno funcionamento com todos os preparativos sendo finalizados. Jon quebrou o jejum sozinho e pediu para que um banho fosse preparado para ele.

Banhou-se e vestiu-se com as roupas que haviam sido providenciadas para ele. Negro, como era de se esperar. Camisa limpa e branca, túnica negra de veludo bordada caprichosamente na altura da gola, calças escuras e quentes. Encarou a capa que haviam preparado para a cerimônia. Veludo branco e um dragão negro bordado no centro, com as asas abertas. O símbolo de uma nova dinastia decorava a capa que ele colocaria sobre os ombros dela, tornando-a sua esposa definitivamente.

Juntou-se aos demais no bosque sagrado. Homens bem vestidos e algumas damas de alto nascimento se aglomeravam para ter uma visão melhor dos noivos quando estes aparecessem. Como um bastardo, ele nunca havia imaginado que o dia de seu casamento seria um evento remotamente parecido com aquele.

Esperou por ela diante da árvore coração e Arya surgiu, vestindo branco e cinza, com a capa dos Stark sobre os ombros. Rickon a guiava, representando Bran. Jon a encarou, notando que ela evitava olhar para os lados e para ele, fixando seus olhos na arvora coração. Ela estava linda, talvez fosse a mulher mais linda no lugar e mesmo assim ele não conseguia achar um motivo dentro de si para lançar a ela um sorriso de encorajamento.

Disseram as palavras que precisavam ser ditas. Ele retirou a capa que ela usava com os dedos trêmulos e desajeitados, substituindo-a pela capa com seu brasão. Jon a encarou nos olhos, antes de se inclinar levemente e beijá-la nos lábios. Um beijo casto. Os lábios dela eram macios e quentes, e o contato fez com que Jon sentisse um arrepio na espinha.

Todos se dirigiram ao salão principal. Houve comida farta, houve música e dança, houve até mesmo uma boa dose de risos, mas Jon não ouviu uma única palavra e podia apostar que Arya também não tinha ouvido. Eles dividiram o mesmo prato e ele cumpriu o protocolo como deveria, colocando pequenas porções de comida na boca dela, com seus dedos. Arya portou-se como devia e repetiu os gestos dele, posando como uma verdadeira noiva, mas sem demonstrar qualquer entusiasmo em seus atos.

Lord Arry foi o primeiro a gritar, anunciando que os noivos deveriam ser levados ao leito. Edmure Tully e sua esposa Roslyn seguiram o exemplo e logo Jon se viu rodeado por mulheres, que se encarregavam de despi-lo enquanto soltavam piadas e comentários embaraçosos. Ele ouviu em algum lugar do salão a voz de Arya gritando para que não retirassem uma ou outra peça de roupa dela e Jon sentiu náuseas ao pensar o quanto aquilo faria com que ela se lembrasse de Aegon.

Eles foram colocados num quarto amplo e confortável, com um leito grande o bastante para que pudessem dormir sem se quer esbarrar um no outro se assim desejassem. Arya cruzou os braços sobre os seios, tentando esconder o máximo possível.

Ele se deitou de baixo das peles que aqueciam o leito e fez sinal para que ela fizesse o mesmo. Arya foi rápida em obedecer, usando as peles para se cobrir até a altura do pescoço. Ele sentiu o estomago revirar ao notar o quão jovem e frágil ela era. Nada parecida com Ygritte e sem dúvida nem um pouco interessada no que ele poderia fazer por ela.

Jon passou os braços ao redor dos ombros dela, trazendo-a mais pra perto e sentindo o corpo nu dela tenso contra o dele.

- Fique calma. – ele pediu beijando a testa dela com carinho – Será mais fácil se relaxar.

Podia sentir o coração acelerado dela e toda tensão no ambiente. Arya não falou nada, apenas encostou a cabeça contra o ombro dele e fechou os olhos.

- Não posso poupá-la desta noite, mas gostaria de poder. – ele disse junto ao ouvido dela – Ele chegou a bater em você?

- Não. – a resposta veio num sussurro quase – Machucou meus pulsos tentando em manter parada.

- Ele vai pagar pelo que fez. – Jon disse abraçando-a mais forte – Eu vou arrancar a cabeça dele e trazê-la pra você.

- Não. – ela disse surpreendendo-o – Não quero que arranque a cabeça dele. Não quero que tire de mim minha vingança. Se alguém vai arrancar a cabeça de Aegon Targaryen, este alguém sou eu.

- Então eu o colocarei de joelhos e lhe darei uma espada. – ele disse beijando o rosto dela. O silêncio pairou entre eles por alguns segundos, enquanto Jon continuava abraçado a ela e traçando desenhos invisíveis sobre as costas nuas. O calor do corpo dela era agradável e a respiração quente dela juntou ao seu ouvido turvava a consciência dele. – Eu vou ser gentil com você, prometo. – ele sussurrou e mais uma vez Arya ficou tensa.

Jon a deitou sobre a cama e a encarou nos olhos. Afastou uma mecha de cabelo que insistia em cair sobre o rosto dela e beijou-lhe a testa, as bochechas e mandíbula até alcançar a boca dela.

O beijo começou como um beijo casto, muito parecido com o que haviam trocado ao final de cerimônia, e a medida que suas bocas moldavam uma a outra, o beijo se tornou mais intimo e profundo. Arya fechou os olhos, sentindo o toque dos dedos dele em seu rosto e nuca, e a língua que pedia passagem entre os lábios dela.

Os braços que estavam firmemente cruzados sobre os seios relaxaram e Arya se permitiu tocar o rosto dele também, tentando decorar suas feições de olhos fechados. Ela correspondia ao beijo, de forma tímida e amedrontada, mas correspondia e aos poucos isso deu a ele mais confiança para ir adiante.

Beijou o pescoço dela e o ponto sensível logo atrás da orelha dela, causando um pequeno arrepio em Arya. Ela tocou o peito dele, deslizou suas mãos até as costas, sentindo cada músculo e cada cicatriz que ele tinha, enquanto Jon se ocupava tão somente de traçar o caminho até os seios dela com beijos úmidos e longos.

As mãos dele buscaram as cursas suaves que estavam escondidas de baixa das peles da cama. Sentiu contra seus dedos a textura dos seios, tocou os mamilos, provocando-os lentamente até que estivessem rígidos e sensíveis. Desceu suas mãos para encontra o quadril dela, sentir as coxas firmes e torneadas, separando as pernas dela com cuidado para melhor se posicionar entre elas.

Arya deu um sobressalto ao sentir a boca dele ao redor de seu mamilo sensível. A língua quente provocando o bico, a sucção firme que parecia drenar o ar dos pulmões dela e os dentes, raspando contra a pele e fazendo-a se contorcer instintivamente.

Ele repetiu o processo com o outro seio. Jon levou uma de suas mãos até o sexo dela, procurando o pequeno ponto de prazer escondido entre os fios. Uma leve pressão e Arya arregalou os olhos, parecendo assustada. Ele a beijou mais uma vez, numa tentativa de mantê-la calma enquanto ele a tocava de forma mais íntima.

Aos poucos ele pode sentir o calor e a umidade crescendo dentro dela. Ouviu um gemido baixo de aprovação enquanto ele aumentava a velocidade e a pressão. Jon beijou o vale dos seios dela, descendo pela barriga, até encontrar o ponto que seus dedos tocavam. Ele se deteve e ergueu os olhos para encará-la.

- Abra suas pernas pra mim. – ele disse firme, mas sem parecer autoritário. Arya obedeceu, ainda tensa e resistente. Ele beijou o interior das coxas dela, fazendo-a prender a respiração, até chegar ao ponto inchado e sensível, beijando-a ali também. – Você é linda. – ele murmurou antes de beijá-la novamente.

A boca dele se ocupou de estimulá-la. Uma das mãos dela afundou nos cabelos dele, um sinal de que ela não queria que Jon parasse. Ele a sugava e invadia com sua língua, fazendo Arya mover o quadril de encontro a ele.

- Jon... – ele ouviu seu nome sendo pronunciado como um pedido, uma súplica. Ele continuou a estimulá-la com mais afinco, buscando ouvir mais e mais da voz dela chamando por ele.

Ele sentiu o gosto pungente invadir sua boca quando Arya fechou os olhos com força e mordeu os lábios tentando conter qualquer som constrangedor. Jon se afastou dela e observou o prazer se dissipar aos poucos do rosto dela, antes de beijá-la pela milésima vez.

Notou o sobressalto dela, ao senti-lo totalmente rígido contra sua entrada. Ele se concentrou nos olhos dela, em como eles estavam cheios de receio e expectativa. Ele a penetrou com uma lentidão quase insuportável enquanto a beijava. O fôlego fugiu de seus pulmões enquanto ele se enterrava dentro dela.

Aos poucos os movimentos se tornaram ritmados e fluidos. Arya arranhava as costas dele em resposta e às vezes chamava seu nome. De uma forma que ele não conseguia compreender totalmente a necessidade de senti-la e tê-la ao seu redor era sufocantes e desesperadora. Era como se afogar e então respirar novamente e sem que Jon se desse conta de como ou porque, Arya estava se movendo de encontro a ele, buscando por mais velocidade e mais prazer.

Ele a beijou com vontade, enquanto se movia mais e mais rápido dentro dela. Arya fechou as pernas ao redor do quadril ele e com mais meia dúzia de estocadas Jon sentiu o corpo dela se render. Ele resistiu por mais algum tempo, mas o prazer veio, turvando seus sentidos, até que ele tivesse lançado sua semente bem fundo dentro dela.

Jon rolou para o lado da cama que lhe cabia. Olhou para ela sem saber o que esperar, dizer, ou pensar. A testa dela estava molhada de suor, havia marcas de beijos pelo pescoço e colo. Para sua surpresa o rosto dela estava relaxado e foi como se Jon a visse de verdade pela primeira vez.

Nua, exausta, absurdamente jovem e corajosa como uma loba selvagem. Acima de tudo, ela era linda.

Ele a puxou de volta para os seus braços e Arya deitou a cabeça sobre o tórax exposto dele, ressonando ao som das batidas do coração de Jon. Por algum motivo ele se lembrou de uma canção tola e sem perceber, começou a cantarolar.

My featherbed is deep and soft, and there I'll lay you down,
I'll dress you all in yellow silk, and on your head a crown.
For you shall be my lady love, and I shall be your lord.
I'll always keep you warm and safe, and guard you with my sword.

And how she smiled and how she laughed, the maiden of the tree
She spun away and said to him, no featherbed for me.
I'll wear a gown of golden leaves, and bind my hair with grass
But you can be my forest love, and me your forest lass
.

Ele beijou a testa dela e dormiu jurando que Aegon pagaria por tudo o que havia feito contra ela. Arya era sua senhora agora, e quando a guerra acabasse, talvez eles conseguissem transformar aquele casamento em algo além de uma obrigação. Jon a observou dormir e pensou que não seria tão difícil se apaixonar por ela.

Nota da autora: Eeeeeeeeeeee...Casaram XP. Pois é, o Aegon agora dançou, pq afinal a guerra agora virou pessoal e uma promessa feita no leito nupcial, bem...Tem que ser cumprida (ou não). Mas é isso ai. Penas não ter tido tantas reviews no capítulo anterior, mas compreensível (ele foi realmente pequeno e chato). Espero que este agrade mais que o anterior.

A mis hermanos latinos un saludo! Muchas gracias por lo de los comentarios. Ustedes son preciosos.

Bjux

Bee