Disclaimer: Bleach e os personagens não me pertencem, mas sim a Tite Kubo.

Capítulo 12 – Proteger e ser forte.

Já fazia um mês. Um mês desde aquele toque. Aquele singelo toque. Que cada vez que se lembrava como aconteceu, seu corpinho inteiro começava a tremer. Um sentimento estranho. Parecia que ia e vinha toda hora, dando um friozinho na barriga. E toda vez que se lembrava, tinha o mesmo efeito retardado, que a fazia querer rir o tempo todo. Era bom sentir aquilo de vez em quando. Não sabia o porquê, mas só de tocar os lábios com seus pequeninos dedos, tinha uma vontade imensa de chorar. De gritar. Pular. Dançar. Abraça-lo de novo e repetir tudo de novo. Aquele jeitinho carinhoso dele de bagunçar levemente seus cabelos. Um jeitinho único. E que agora, estava ganhando um espaço muito maior naquela pequena. Sentia que seu coração podia saltar a qualquer momento. A qualquer hora. Queria sair dali e se atirar nos braços dele, mas... Não podia. Não era justo. Com nenhum dos dois. Ficar iludindo-o com coisas que talvez, poderiam nem chegar a acontecer. O que ela deveria fazer? O pior era que... Ainda tinha Kaien. Sim, não era tão forte como antes, mas, sentia alguma coisa por ele... Sabia que ainda sentia, mesmo que pequena coisa, mas sentia... Isso às vezes a deixava mal. Como poderia ser tão egoísta? Conhecia Kaien há tanto tempo. Namorou com ele. Aqueles beijos. Aqueles abraços. Aquelas palavras doces. Tudo aquilo. Tudo aquilo mesmo. Ainda se lembrava. Como poderia esquecer-se disso? E ainda mais que agora, ele veio atrás dela... Só para ficar ao seu lado... E agora, como ela estava retribuindo? Estava se sentindo toda idiota só de ficar ao lado daquele ruivo idiota, resmungão, feio, bravo que conheceu há alguns meses atrás. Mas esse mesmo ruivo, provocava nela uma sensação que talvez, ela nunca tivesse sentindo. E era uma sensação boa. E o pior era que, ela estava pensando só nela. Sabia, tinha plena consciência de que... Talvez daqui há alguns meses... Não estivesse mais presente. Talvez não pudesse mais sorrir ao lado daqueles dois que, simplesmente, mudaram sua vida. Como isso foi acontecer afinal? Não podia ter acontecido de jeito nenhum... Não queria. Mas, como podia controlar seus sentimentos afinal, não é? Aquele idiota... Sempre a deixando assim... Desse jeito.

Já havia passado um mês. Estava um pouco decepcionada, tinha que admitir, mas até que tinha sido legal. Poder vê-lo assim... Lembrava-se dele desde pequeno. Aqueles olhos verdes afinal, nunca mudaram. E agora, havia se tornado um belo homem. O qual, não sabia o que sentia. E seus sentimentos pelo Ichigo? Será que aquilo tudo... Aquilo tudo o que sentia era só infantilidade? Ou realmente, gosta ou gostou dele? Não sabia muito bem o que pensar, nem o que sentir. Apenas sabia que queria ter os dois ao seu lado, talvez... Até a eternidade. Sabia que isso era pedir muito, afinal, não era correspondida por nenhum daqueles dois idiotas... Mas fazer o que, se sentia seu coração bater mais forte só de sentir o cheiro de cada um? O perfume. Quantas vezes ficou embriagada só de abraçar um deles. Ou então, quantas vezes sonhou acordada quando eles bagunçavam seus cabelos, como se fosse uma criancinha de cinco anos? Ah, como adorava aquilo.

Estava tão perdida em seus pensamentos que acabou esbarrando em alguém.

-Hei, olha para frente porra! – gritou sem ao menos olhar quem era. Parecia furiosa. Sorte que nem se virou para saber com quem estava gritando. Seria realmente sorte?

-Nossa... A Lumi às vezes é tão estranha. – suspirou Kaien, passando as mãos pelos cabelos negros e sorriu.

-Rukia! Rukia! – Renji entrou eufórico no quarto. Tinha um imenso sorriso no rosto. Parecia feliz com algo.

-O que foi?

-Você... Já pode voltar para casa! – era quase um berro. Estava tão contente.

-Ah sim... – voltou sua atenção ao livro. Até que depois de um tempinho sua ficha caiu – O que? Eu... Já posso voltar para casa?

-Claro que sim, baka! Hoje mesmo! – abraçou a amiga fortemente.

-Nem acredito! Eu vou para a casa! – agora, era ela que tinha um enorme sorriso no rosto. – Que bom! – apertou ainda mais o abraço.

-Vamos arrumar logo suas coisas... Aposto que você quer brincar com aquele coelhinho chato não é?

-O Fluffy? – riu – Ele não é chato... Garanto que ele não deu trabalho para você não é?

-Claro... Que sim! – pegou a pequena mala da pequena, e colocou-a em cima de sua cama – Aquele coelho ficou mordendo minha perna, olha aqui. – puxou a calça, mostrando sua perna – Aquele desgraçado...

-Ah! Se ele fez isso é por que você mereceu, huh? – segurou-se para não rir da cara de Renji.

-Como é que é? – indignou-se – Eu cuido daquele... Daquele monstrinho e é assim que me agradece baka? – cruzou os braços – Hunf! Ingrata!

-Calma... – tocou gentilmente o braço dele – Me desculpe né? Sempre te dando trabalho e é assim que eu agradeço... – cabisbaixa – Sou uma baka mesmo...

-Hei. – ele descruzou os braços e ficou-se de frente para ela – Não precisa se preocupar com isso, está bem? Eu sou seu amigo, não é? E amigos servem para que? – tocou o queixo dela, levantando-o – Eles servem para ficar ao nosso lado quando nós mais precisamos, e agora... Você precisa mais dos amigos do que nunca. Principalmente agora.

-R-renji... – não sabia o que dizer. Não conseguia pensar em algo além de "desculpe". – Eu... Me desculpe por falar tantas bobeiras.

-Idiota. – suspirou, voltando-se novamente para as coisas dela – Não precisa se desculpar.

-Obrigada... – sorriu – Por existir...

-B-boba! – agora mesmo, que ele não iria encará-la. Seu rosto estava totalmente vermelho. O coração acelerado. Seus pensamentos em outras coisas, ou melhor, no sorriso dela... Aquele sorriso que confortava seu coração.

-Ishida-kun! – Inoue falava demasiadamente alto dentro do auditório da escola. Ele estava decorado com algumas flores brancas e vermelhas, deixando aquele lugar um pouco mais vivo. As pessoas iam chegando aos poucos. Tinha pessoas de tudo quanto é idade. Alguns mais novos, outros mais velhos e por aí vai.

-I-inoue-san! – o garoto acabara de levar um susto. Ajeitou os óculos um pouco corado, afinal, com os "gritinhos" nada escandalosos de Inoue, estavam todos olhando para ele.

-Cadê o Kurosaki-kun? E a Kuchiki-san? E o resto? – tinha um sorriso de orelha a orelha.

-Daqui a pouco eles estão a- - mal terminou de falar, e o ruivinho resmungão acabara de entrar, e como sempre, mal humorado com algo.

-Kurosaki-kun? Aconteceu alguma coisa? - virou-se para ele.

-Ah! Não aconteceu nada... – murmurou, passando reto por eles. Inoue abaixou os olhos um pouco triste.

-Kurosaki, você não deveria falar assim com as damas. – Ishida disse um pouco baixo, mas alto o suficiente para ele ouvir. – Não sei se você sabia disso, mas- Ah, é claro que você não sabe disso não é? Afinal, é um grosso.

-Hei... Dá para calar a boca? – bufou irritado e continuou a caminhar.

-I-ishida-kun! – Inoue surpreendeu-se com o gesto dele – Não precisa se preocupar comigo, eu não li-.

-Não Inoue-san! – sua voz tinha um tom gentil – Ele não pode falar assim com você...

POV Rukia;

É hoje... O "grande" dia... Não que eu quisesse estar ali lá na frente junto com eles, mas... Dói saber que eu não posso ficar lá... Igual a todo mundo... Bom, isso não importa agora não é? Melhor eu pentear meus cabelos antes de ir para escola os ver cantarem...

Levantei-me e fui para o banheiro e peguei a escova. Olhei para o meu reflexo.

-Sorria Rukia! Sorria... Um dia tudo isso vai acabar... – falei para mim mesma, como se isso me encorajasse – Isso! Hoje eu vou... Tentar me divertir bastante! – por fim, peguei a escova e passei nos meus cabelos. Parecia tudo normal... Quer dizer, quase tudo. Olhei para o pente, e vi que tinha cabelos e mais cabelos... Olhei para a pia, que também tinha vários fios de cabelos. Levei minha mão até a minha cabeça e puxei algumas mexas... Eu quase arranquei todos os meus cabelos agora... Mas, eu nem fiz força... Por quê? Eu só encostei neles e... O que está acontecendo? Eu... Será que... Estou ficando cada vez pior? Será que eu... Estou perdendo meus cabelos?

Eu não sei por que, mas... Estou com vontade de chorar... Eu não queria que... Os últimos meses passassem tão rápido... Afinal, eu ainda quero fazer muita coisa... Eu quero ainda poder comer sorvete de flocos com cobertura de morango e batata frita... Eu ainda quero ir para a minha formatura... Eu ainda quero... Não sei... Eu ainda quero brincar com os filhotes do Fluffy... Eu quero ir para vários lugares... Eu não quero que... Essas semanas passem rápido por que... Eu quero fazer tudo isso... Eu quero... Então... Por que as coisas são assim? Será que o tempo não pode atender ao meu pedido? Eu só quero... Tentar ser um pouco mais feliz...

-Vamos Rukia? – ouvi Renji me chamar quando entrou no quarto. Limpei as lágrimas que ainda não tinham caído e forcei um sorriso antes de sair do banheiro.

-Vamos.

Fim do POV de Rukia;

-Droga! Como eu vou falar com ela agora? – bateu sua mão na mesa, um "pouco" nervoso – Será que... Não! Ela não pode vir com aquele "Kaien-eu-sou-o-lindo-e-todas-gostam-de-mim"? – bagunçou freneticamente seus cabelos.

-Já está quase na hora, Kurosaki-san! – disse a professora, avisando-o.

-É agora... Puta merda! – suspirou, tentando acalmar-se.

-Estão prontos? – Inoue perguntou – Kurosaki-kun! A Kuchiki-san chegou! Vamos fazer aquilo mesmo?

-É... S-sim... – desviou o olhar sem graça.

-Então, vamos? – sorriu.

-Vamos.

Ao entrarem no palco, avistaram Rukia sentada mais ou menos na fileira no meio. Ichigo sorriu de canto ao vê-la, mas, esse pequeno sorriso, desapareceu logo após ele ver "Kaien-eu-sou-o-lindo-e-todas-gostam-de-mim". Mas, logo se acalmou ao ver o singelo sorriso que a pequena deu em direção a ele. Não sabia o porquê, mas desviou o olhar corado. Mas não estava corado por causa dela... Isso nunca! Estava só com vergonha de subir em um palco e todos ficarem olhando para sua cara. Finalmente, virou-se de costas e ficou de frente para turma. Discretamente, Inoue fez um pequeno sinal de "ok" e ele começou a movimentar os braços, ouvindo Lumi tocar o piano.

Yozora wo miage hitori houkiboshi wo mita no
Isshun de hajikete wa kiete shimatta kedo
Anata no koto omou to mune ga itaku naru no
Ima sugu aitai yo dakedo sora wa tobetai kara

Moshi atashi ga houkiboshi ni nareta naraba
Sora kakenuke tonde iku
Donna ashita ga kite mo kono omoi ha tsuyoi
Dakara houkiboshi zutto kowarenai yo

Ame ga futte iyada to boyaiteita toki ni
Anata ga itta koto ima demo oboeteru
Ame no ato no yozora wa kirei ni hoshi ga deru
Sore wo kangaeru to ame mo suki ni nareru yone to

Moshi atashi ga houkiboshi ni nareta naraba
Afureru hikari furasu yo itsumo
Kanashii toki yozora miru anata ga
Egao ni naru youni motto kagayakitai

Anata wa itsumo hitori nanika to tatakatteru
Soba ni iru koto shika atashi ni ha dekinai kedo

Moshi atashi ga houkiboshi ni nareta naraba
Sora kakenuke tonde iku kitto
Kanarazu todoku kono isshun no hikari de
Anata no ima terashi sora wo megurou
Atashi ga houkiboshi ni nareta naraba
Kitto soba ni ite ageru donna toki mo

Ichigo respirou fundo e finalmente virou-se novamente para a platéia. Estranhamente, ouviu várias palmas. Esperava mais era por vários tomates sendo jogados nele. Sorriu um pouco sem graça e fez reverencia, assim, como o resto dos alunos. Quando se levantava, Ichigo viu Rukia pronunciar algo.

-"P-A-R-A-B-É-N-S!" – riu. Ichigo sorriu de canto, tentando não transparecer contente com aquilo. Mas, seu rosto se fechou completamente, quando viu "Kaien-eu-sou-o-lindo-e-todas-gostam-de-mim" pegar delicadamente a mão de Rukia, e esta por sua vez, ficar toda vermelhinha e sem graça.

. FlashBack; lol

Estava tão perdida naquele beijo, que nem sentiu quando estava sendo empurrada. Só sentiu quando percebeu o corpo dele prensado ao seu na parede. Abriu os olhos rapidamente, e empurrou o tórax dele.

-N-Não! – colocou as mãos nos lábios.

-C-como assim não? – ele estava sem graça também, mas não havia se arrependido de nada.

-Só amigos... Lembra? – sua respiração estava ofegante.

-Mas-

-Eu... Eu vou para o meu quarto! – saiu correndo antes que ele pudesse terminar de falar alguma coisa.

-H-hei! Rukia! – suas pernas incrivelmente não se moviam... Talvez, elas não quisessem se mover...

. Fim do FlashBack; lol

Desde então, não estavam se falando. Isso causava um certo desconforto... Respirou fundo e começou a caminhar de volta para dentro do auditório. Tinha que ser forte agora, não é? Ainda mais que, não quebrou a promessa com Nozomi.

"-Quando você encontrar uma garota especial, sempre protege-a! E nunca deixe de estar ao seu lado, por que as coisas mais valiosas não é o dinheiro ou a beleza da pessoa, e sim os sentimentos dela. Então, Ichigo, proteja e seja forte sempre, para que a menina que você escolheu, faça o mesmo por você".

Continua...