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Você não vai conseguir salvá-lo.

As palavras que ficaram se repetindo em meu sonho voltaram à minha cabeça com toda a força naquele momento e sugaram toda a minha força novamente.

Eu saí do quarto dos meus pais e corri desesperadamente para o quarto de hóspedes que nos últimos dias havia se tornado o quarto de Naruto, quase arrancando a porta das dobradiças ao abri-la. Ele não estava mais por lá.

- Naruto. – eu disse em um sussurro.

Sasuke e Itachi estavam atrás de mim.

- O que nós vamos fazer agora? – eu perguntei em um fiapo de voz.

- Eu... Eu não sei! – disse Itachi bagunçando os cabelos.

Ele, que fora sempre tão seguro de si, estava tão desesperado quanto eu. Ver Itachi daquele jeito me deixou ainda mais desesperada.

Eu abri espaço entre os dois irmãos e fui até o meu quarto. Eu queria por as minhas mãos em meu recém adquirido livro de feitiços. Deveria haver alguma coisa por lá que pudesse nos ajudar!

Eu o encontrei onde eu o havia deixado na minha cama antes de sair e então tratei de começar a folhear as páginas em busca de alguma ajuda. A minha vista estava embaçada pelas lágrimas que eu fazia força para não derrubar, dificultando a minha leitura.

Neste momento Sasuke se sentou ao meu lado na cama e segurou uma das minhas mãos.

- Calma. Nós vamos dar um jeito nisso. – disse Sasuke olhando bem no fundo dos meus olhos e fazendo um carinho na minha testa com a outra mão.

Eu o abracei e comecei a chorar. Eu sei que aquilo era demonstrar muita fraqueza e que aquela não era à hora para isso, mas eu não conseguia pensar em outra coisa para fazer no momento.

De repente um som diferente preencheu o ar em volta de nós, abafando o meu choro. Era a garrafa de mensagens. Itachi foi até ela e retirou um papel com uma mensagem.

- É de Tsunade. Ela quer que a gente vá falar com ela imediatamente. Pelo visto, ela já ficou sabendo das novidades. – disse Itachi.

Isso já era de se esperar, como também era de se esperar que ela conseguisse enviar uma mensagem pela nossa garrafa protegida de xeretas. Ela era a líder do Conselho dos Guardiões afinal de contas.

- Vamos, Sakura. – disse Sasuke me ajudando a levantar.

- Nós temos um velho celeiro para visitar. – disse Itachi.

- E os meus pais? Eles logo vão voltar. Eu posso deixar um bilhete mentindo que eu e Naruto fomos passear, mas e se a gente demorar a voltar? O que vai acontecer? – eu perguntei.

- Eu tenho uma idéia. Esperem por mim aqui. – disse Itachi, que foi correndo para não sei onde.

Sasuke não largou a minha mão desde que a havia segurado. Quando Itachi voltou estava com o seu livro de feitiço em mãos. Ele o jogou na minha cama e começou a folhear algumas páginas.

- Aqui! Um feitiço de clonagem. Eu vou precisar de uma amostra de DNA sua e uma de seu amigo. – disse Itachi.

Eu soltei a minha mão da de Sasuke e fui até o quarto de Naruto. Chegando lá eu explorei todo o travesseiro onde ele havia dormido em busca de algum fio de cabelo loiro. Quando eu encontrei um voltei para o meu quarto, já arrancando da minha cabeça um fio de meu próprio cabelo.

- Tome. – eu disse estendendo os fios a Itachi.

Ele os pegou e quando eu dei por mim um clone meu e um de Naruto começou a se formar em minha frente. Aquilo foi muito surreal para mim e por pouco eu não desmaiei.

- Eles vão sabe o que fazer? – eu perguntei.

- Nós vamos agir iguaiszinhos a vocês dois. Os seus pais, os nossos pais, nem vão perceber a diferença quando nos virem! – disse a minha outra eu.

Muita loucura.

- Agora vamos. – disse Itachi.

Antes de eu começar a seguir Sasuke e Itachi pelo corredor eu parei para dar um abraço naquele que era o clone de meu amigo, desejando que ele fosse o verdadeiro.

-x-

- A gente está ferrado! – disse Sasuke.

Novamente no banco de trás do carro de Itachi, a única coisa que eu fiz foi concordar com a cabeça. Afinal de contas nós havíamos falhado em nossa tarefa e o que quer que fosse que Tsunade havia reservado para a gente só poderia ser bem terrível!

- Vamos avaliar melhor o que aconteceu. A data no vídeo em que Naruto, é esse o nome dele? Bem, o vídeo em que ele aparece data do dia em que nós fomos até aquele celeiro pela primeira vez. – disse Itachi.

- Sim, isso mesmo. Nesse dia Naruto ficou ajudando o meu pai no museu! – eu disse.

- Certo, a hora que estava marcada no vídeo era duas e pouquinho se eu não me engano. Nessa hora nós estávamos na estrada, como agora. – disse Itachi.

- Eu não entendi a onde você está querendo chegar. – falou Sasuke.

- Você já vai ficar sabendo. Nessa hora nós ainda não éramos os encarregados pela proteção daquele portal. Se alguém falhou em executar a sua tarefa foi o Conselho dos Guardiões. E eu sei, eu sinto, que eles também sabem disso! – disse Itachi.

- Então eles não podem nos amaldiçoar pelo resto da vida? – eu perguntei.

- Não. Eles estariam nos punindo por um erro que eles cometeram. – disse Itachi.

Aquilo me deixou um pouco mais calma, mas só um pouquinho. O meu amigo ainda estava encrencado.

-x-

Os minutos se passaram e nós chegamos ao celeiro. Como antes, a porta se abriu para aquele lugar que mais parecia com um castelo. Dessa vez Tsunade já estava sentada atrás da mesa de tronco de árvore nos esperando. Nós nos aproximamos devagar, receosos.

- Eu queria revê-los em uma situação melhor do que esta. –disse Tsunade.

Nós não falamos nada.

- Sentem-se. Nós temos que discutir como é que nós resolveremos esse nosso problema. – disse Tsunade.

Pelo visto o raciocínio de Itachi estava certo, pois Tsunade não estava com cara de quem iria nos repreender pela fuga do demônio.

- A única coisa que eu não consigo entender é como o demônio foi escapar. Nós monitoramos a presença dele por todo esse tempo e tudo o que nós fizemos mostrou que ele só conseguiu sair de sua prisão agora, apesar de ele já estar a muito tempo possuindo o corpo de seu amigo. – disse Tsunade.

- A única coisa que me interessa é saber como é que nos vamos salvar Naruto! – eu disse me levantando da cadeira.

Naquela hora eu pensei que Tsunade iria me repreender pela ousadia, mas ela não fez nada.

- Bem, nós vamos ter que encontrar o seu amigo e aprisioná-lo junto com o demônio. – disse Tsunade baixando os olhos para uma taça que havia na mesa.

- Não, eu não vou deixar o meu amigo! Não existe algum modo de tirar o espírito da Raposa de dentro dele? – eu perguntei.

Tsunade suspirou.

- Até tem, mas o processo mataria o seu amiguinho loiro. – disse Tsunade.

- Não, deve haver um outro jeito. Deve haver! – eu disse com lágrimas ameaçando abandonar os meus olhos.

Sasuke voltou a segurar a minha mão. O calor que vinha de suas mãos aqueceu o meu coração.

- Eu desconfiava de que vocês não iriam escolher os jeitos fáceis de acabar com tudo isso, se é que eles existem, por isso eu me adiantei e chamei ajuda. – disse Tsunade.

Nesse momento a porta do celeiro se abriu de novo, mas as pessoas que entraram por ela pareciam estar vindo de uma cidade grande, muito movimentada, e não de um matagal enfrente a um celeiro.

- Esses são Hinata, Hanabi e Kiba. Eles protegem o demônio de cinco caudas na Ásia. Eles nos ajudarão. – disse Tsunade.

Os três se aproximaram de nós. Eles pareciam ser mais experientes e melhores do que a gente na arte da proteção.

- Olá. – disse uma das garotas.

Ela tinha os olhos estranhos, e a outra menina também, mas eu não iria comentar sobre aquilo. Sem falar que eu parecia ter visto elas em algum lugar antes.

Bem, a única coisa que eu esperava era que a minha primeira impressão sobre eles se mostrasse verdadeira.


Lirium-chan: Oi Li (olha a intimidade)! Bom, eu também jogo Detetive, mas Sasuke e Sakura nunca haviam jogado (dá para acreditar?) por isso Itachi falou aquilo! Continue acompanhando!
Biahcerejeira: A possessão de Naruto foi abordada um pouco neste capítulo e eu acho que será abordada mais para frente! Continue acompanhando!

Fic na reta final...